Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ALIMENTAÇÃO DE EQUINOS 
1 APARELHO DIGESTIVO 
Para compreender a alimentação dos equinos, é necessário 
conhecer as particularidades do seu sistema digestivo. O estômago 
desses animais, classificados como monogástricos, é relativamente 
pequeno quando comparado ao dos ruminantes, que possuem quatro 
compartimentos gástricos. Em razão dessa limitação anatômica, a 
ingestão de alimentos ocorre em pequenas quantidades, porém de forma 
contínua ao longo do dia — entre 13 e 18 horas diárias —, o que explica o 
comportamento frequente de pastejo constante em gramíneas ou o 
consumo de feno em sistemas de criação intensiva (EQUIDEOCULTURA, 
s.d.). 
Outro aspecto relevante é a incapacidade dos equinos de vomitar, 
decorrente de uma combinação de fatores anatômicos e neurológicos: a 
entrada do esôfago no estômago é oblíqua, impedindo o retorno do 
alimento; o esfíncter cárdico é muito forte, funcionando como uma válvula 
de sentido único; e esses animais não possuem o centro do vômito no 
sistema nervoso central (SNC), região responsável por coordenar esse 
reflexo (ORGANNACT, 2024). Diante disso, o fornecimento de alimentos 
em grandes quantidades ou em estado de fermentação pode provocar 
cólicas e outros distúrbios intestinais graves. Da mesma forma, como os 
equinos também não conseguem arrotar, deve-se evitar alimentos que 
favoreçam a formação de gases. 
2 ALIMENTAÇÃO RECOMENDADA 
2.1 Água 
A água é um dos elementos mais essenciais na dieta dos equinos. 
Em condições normais, esses animais consomem entre 38 e 46 litros por 
dia, volume que pode aumentar consideravelmente dependendo das 
atividades realizadas, da temperatura ambiente, da condição fisiológica e 
da categoria animal. Como os equinos dissipam calor principalmente pela 
pele, a perda excessiva de água pode levá-los rapidamente à 
desidratação, reforçando a necessidade de disponibilidade constante 
desse recurso. 
A variação no consumo hídrico pode ser observada nos seguintes 
exemplos: 
• éguas em lactação consomem até 70% a mais de água 
diariamente; 
• animais em atividade moderada podem consumir de 60% a 80% a 
mais; 
• animais em trabalho pesado podem chegar a 120% a mais no 
consumo hídrico. 
Além da quantidade, a qualidade da água oferecida merece 
atenção. A água deve estar sempre limpa e em temperatura adequada, 
sendo contraindicada a oferta de água gelada, pois pode desencadear 
episódios de cólica. 
2.2 Alimentos Sólidos 
Os alimentos sólidos oferecidos aos equinos se dividem em três 
categorias principais. Os alimentos volumosos, caracterizados pelo alto 
teor de fibras, contribuem para a digestibilidade e o trânsito intestinal, 
sendo representados pelo pasto (in natura), pela capineira para corte, 
pelo feno e pelas gramíneas em geral. Os alimentos concentrados 
correspondem a rações com, no mínimo, 18% de fibra bruta e 60% de 
nutrientes digestivos totais (NDT). Por fim, o sal mineral desempenha 
papel fundamental ao repor as necessidades de cloreto de sódio do 
organismo animal, sendo um componente indispensável à saúde dos 
equinos. 
3 FATORES QUE INTERFEREM NA ALIMENTAÇÃO 
As necessidades nutricionais dos equinos não são uniformes e 
variam de acordo com três fatores principais: raça, idade e peso. Raças 
de grande porte e musculatura acentuada, como o Belga e o Shire, 
apresentam demandas distintas das raças de menor porte, como o Quarto 
de Milha e o Campolina. A idade também exerce influência relevante, uma 
vez que potros absorvem nutrientes com maior eficiência do que animais 
adultos ou geriátricos. O peso, por sua vez, está diretamente relacionado 
à raça e à idade, sendo o parâmetro central no cálculo das quantidades a 
serem ofertadas. 
De maneira geral, o animal deve receber entre 0,5% e 1,5% do seu 
peso vivo (PV) em alimento por dia, considerando o estágio fisiológico, a 
intensidade do trabalho, a idade, a saúde e a raça. Essa quantidade deve 
ser fracionada em várias refeições ao longo do dia, sem que cada porção 
ultrapasse 2 kg, respeitando a capacidade gástrica reduzida desses 
animais. O concentrado não deve permanecer no cocho por longos 
períodos, pois as variações de temperatura comprometem seus 
nutrientes; recomenda-se, portanto, alternância com alimentos 
volumosos. 
Recomenda-se ainda a verificação periódica da pastagem quanto à 
presença de plantas tóxicas, como a acácia-negra (Acacia mearnsii), a 
beladona (Atropa belladonna), a briônia (Bryonia alba) e o cafezinho ou 
erva-do-rato (Palicourea marcgravii), cuja ingestão representa risco à 
saúde dos animais. 
4 EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS POR CATEGORIA ANIMAL 
As exigências nutricionais variam de acordo com a categoria do 
animal. A seguir, são apresentadas as principais orientações para cada 
grupo: 
• Animais estabulados: a última refeição do dia deve ser composta 
por volumosos, ofertada por volta das 17h, sendo a refeição 
seguinte fornecida às 7h do dia seguinte. 
• Garanhões: fora do período de monta, são alimentados com pasto 
de boa qualidade, feno e suplementação mineral. Durante a 
estação reprodutiva, a dieta deve ser acrescida de 
aproximadamente 30% a mais de energia e 20% a mais de 
proteína, em função da atividade e da necessidade de manutenção 
do escore corporal. 
• Éguas vazias: as não destinadas à reprodução ou ao esporte 
podem ser mantidas em pastagem com suplementação mineral. As 
voltadas à reprodução requerem concentrado específico para essa 
categoria, além de piquete bem dimensionado e com boa cobertura 
vegetal. 
• Éguas gestantes: as exigências variam conforme o estágio 
gestacional e as condições da pastagem. Nos três últimos meses, 
recomenda-se evitar o excesso de proteínas, a fim de minimizar 
possíveis efeitos negativos sobre o desenvolvimento fetal. 
• Éguas com potro ao pé: necessitam de concentrado específico 
nessa fase. Os potros já iniciam o arraçoamento com ração 
própria, por meio do sistema creep feeding, nos primeiros dias de 
vida. 
• Potros e potrancas desmamados (6 a 12 meses): fase que exige 
atenção máxima com a dieta, pois deficiências nutricionais nesse 
período podem acarretar danos irreversíveis ao desenvolvimento. 
O fornecimento de sal mineral, concentrado e suplementos é 
indispensável. 
• Potros e potrancas a partir de 18 meses: são separados por 
sexo e alimentados conforme suas exigências nutricionais e 
características individuais. 
• Animais em fase de doma: devem ser acompanhados de perto, 
pois as necessidades nutricionais costumam se alterar com o início 
da atividade física. 
• Animais em treinamento e competição: demandam 
suplementação específica, indicada por nutricionistas 
especializados em animais atletas. 
• Animais em manutenção: categoria que inclui animais de 
passeio, lazer e trabalho leve, cuja dieta pode ser composta por 
pastagem de boa qualidade, sal mineral e água limpa e fresca. 
• Animais geriátricos: as necessidades variam de acordo com as 
particularidades de cada indivíduo, podendo ser necessário o 
fornecimento de ração e suplementos alimentares específicos. 
REFERÊNCIAS 
EQUIDEOCULTURA. Manejo e alimentação de equinos. [s.l.: s.n., s.d.]. 
Disponível em: [inserir URL completa]. Acesso em: [inserir data de 
acesso]. 
ORGANNACT. Você sabe por que os cavalos não vomitam? [s.l.], 2024. 
Disponível em: 
https://www.organnact.com.br/blog/mundo-equino/voce-sabe-por-que-os-c
avalos-nao-vomitam/. Acesso em: [inserir data de acesso]. 
	ALIMENTAÇÃO DE EQUINOS 
	1 APARELHO DIGESTIVO 
	2 ALIMENTAÇÃO RECOMENDADA 
	2.1 Água 
	2.2 Alimentos Sólidos 
	3 FATORES QUE INTERFEREM NA ALIMENTAÇÃO 
	4 EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS POR CATEGORIA ANIMAL 
	REFERÊNCIAS

Mais conteúdos dessa disciplina