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RELATORIO FINAL psico cotidiano
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## Resumo do Relatório de Observação em Psicologia do Cotidiano – UNIP 2019Este relatório final, elaborado por estudantes do curso de Psicologia da Universidade Paulista (UNIP), apresenta uma investigação prática e teórica sobre o cotidiano urbano, realizada por meio de observações em praças e ruas da cidade de Campinas-SP. O trabalho foi desenvolvido na disciplina Psicologia do Cotidiano, sob orientação da Professora Drª Ana Catarina Araújo Elias, e teve como objetivo principal explorar as dinâmicas sociais e comportamentais presentes em espaços públicos, ampliando a percepção dos observadores sobre as relações humanas e os fenômenos sociais cotidianos.### Introdução e ObjetivosO estudo parte do entendimento de que o cotidiano é um espaço dinâmico e multifacetado, onde as interações humanas refletem construções individuais, familiares e sociais. A disciplina Psicologia do Cotidiano propõe um olhar ampliado e crítico sobre essas interações, incentivando a observação sem pré-julgamentos ou estereótipos. O grupo optou por realizar observações em locais de livre acesso, com diversidade social e etária, como praças e ruas, para captar a pluralidade das experiências humanas. Um dos desafios destacados foi a necessidade de o observador manter uma postura reflexiva, evitando interpretações precipitadas, como assumir relações familiares ou afetivas entre pessoas apenas pela proximidade física.### Procedimentos MetodológicosA metodologia adotada foi a observação direta em campo, com cada integrante do grupo realizando vinte horas de observação individual, distribuídas em sessões de duas horas em diferentes locais da cidade. Os pontos escolhidos foram:- Praça José Bonifácio (bairro da Conceição, centro de Campinas)- Praça Guilherme de Almeida- Rua 13 de Maio- Avenida Comendador Enzo Ferrari- Centro de Convivência Cultural de Campinas (mencionado nos anexos)Durante as observações, os alunos anotavam comportamentos, interações e situações cotidianas, buscando registrar o que era visualmente perceptível sem recorrer a suposições infundadas. O grupo também promoveu discussões semanais para compartilhar percepções, esclarecer dúvidas e aprofundar a análise dos fenômenos observados. Um aspecto importante do trabalho foi a reflexão crítica sobre o uso da linguagem e a nomeação das pessoas e situações, fundamentada nas teorias de Michel Foucault, que alerta para os riscos de se atribuir identidades ou verdades absolutas a partir de uma observação superficial.### Discussões e Reflexões TeóricasAs discussões foram enriquecidas pela aplicação das ideias de Foucault, especialmente sobre o poder da linguagem, a construção da verdade e a historicidade do conhecimento. Por exemplo, a mudança na descrição de “um mendigo” para “um homem com roupas sujas” ilustra a preocupação do grupo em evitar rótulos que reduzem a complexidade do indivíduo. Foucault destaca que denominar é um ato que pode limitar a compreensão da realidade, pois impõe uma representação que pode não corresponder à verdade do sujeito observado.Outro ponto debatido foi a dificuldade de não fazer pré-julgamentos, como supor que pessoas juntas formam um casal, que alguém com uniforme está saindo do trabalho, ou que uma mulher aparenta estar grávida. Essas suposições, embora comuns, são questionadas à luz da teoria foucaultiana, que enfatiza que a “verdade” é uma construção histórica e social, e que o observador deve estar atento às múltiplas possibilidades por trás das aparências.As observações também revelaram padrões culturais e normativos que influenciam o comportamento social, como a tendência das pessoas evitarem contato ou solidariedade com moradores de rua, o que levou a reflexões sobre preconceitos e a “perversidade” da sociedade moderna, conforme Foucault. O grupo percebeu que o cotidiano é permeado por normas que moldam reações e atitudes, muitas vezes de forma automática e sem reflexão crítica.### Exemplos Práticos das Observações- Na Praça José Bonifácio, a presença de um homem dormindo no chão foi inicialmente rotulada como “mendigo”, mas o grupo revisou essa denominação para evitar estigmatização.- Na Praça Guilherme de Almeida, a dúvida sobre afirmar que uma mulher estava grávida levou à escolha de usar o termo “aparentemente”, reconhecendo a limitação da observação.- Na Rua 13 de Maio, a incerteza sobre a atividade de um rapaz com um carrinho de sorvete evidenciou a necessidade de cautela para não afirmar o que não se sabe.- Na Avenida Comendador Enzo Ferrari, a associação automática de pessoas com uniforme a trabalhadores e a suposição de que um homem com livros era aluno da universidade foram questionadas, destacando a importância de não fixar identidades sem evidências.### ConclusãoO processo de observação e análise do cotidiano proporcionou um aprendizado significativo para o grupo, que evoluiu na capacidade de perceber o ambiente social com maior profundidade e menos preconceitos. O trabalho evidenciou que observar é um exercício de ampliação do olhar, que exige desconstrução de paradigmas e pré-julgamentos para alcançar uma compreensão mais rica e respeitosa das pessoas e suas histórias. A postura profissional recomendada é a do respeito e da humildade diante do desconhecido, reconhecendo que cada indivíduo carrega uma complexidade que não pode ser reduzida a rótulos ou suposições superficiais.Assim, o relatório reforça a importância da Psicologia do Cotidiano como campo que estimula a reflexão crítica sobre as relações humanas e a construção social da realidade, contribuindo para a formação de profissionais mais conscientes e éticos.---### Destaques- O cotidiano é um espaço dinâmico e multifacetado, refletindo construções individuais, familiares e sociais.- A observação deve ser feita sem pré-julgamentos, evitando rótulos e suposições infundadas.- A teoria de Michel Foucault fundamenta a crítica à nomeação e à construção da “verdade” como algo histórico e socialmente condicionado.- O trabalho evidenciou a necessidade de ampliar o olhar para compreender a complexidade das relações humanas no espaço público.- A prática da observação contribui para o crescimento pessoal e profissional, promovendo respeito e ética na Psicologia.

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