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Resumo Bioquímica
BIOQUÍMICA CLÍNICA (Universidade Estácio de Sá)
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Resumo Bioquímica
BIOQUÍMICA CLÍNICA (Universidade Estácio de Sá)
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RESUMO BIOQUÍMICA 
Yasmin Angelim Furtado 
 
 
AULA 01 - BIOQUÍMICA CLÍNICA 
 
Definição e Importância 
• Ramo da bioquímica aplicada à 
medicina laboratorial para pesquisa 
de doença. 
• Responsável por mais de 1/3 dos 
exames hospitalares. 
• Materiais utilizados: sangue, urina, 
líquor e outros líquidos corporais. 
 
Objetivos dos Testes Bioquímicos 
• Diagnóstico e exclusão de doenças. 
• Monitoramento de tratamento e 
evolução da doença. 
• Estabelecimento de prognóstico. 
• Triagem. 
 
Etapas do Processo Laboratorial 
1. Pré-analítica: 
• Orientações ao paciente. 
• Coleta e identificação correta da 
amostra. 
• Armazenamento e transporte 
adequados. 
2. Analítica: 
• Uso de equipamentos como 
centrífuga, espectrofotômetro, 
banho-maria. 
• Métodos: espectrofotometria, 
fotometria, eletroforese, 
turbidimetria. 
3. Pós-analítica: 
• Cálculos, controle de qualidade, 
interpretação clínica dos 
resultados. 
 
PROCEDIMENTOS PRÉ-ANALÍTICOS 
 
1. Recebimento da Solicitação Médica 
• Verificar a requisição do exame, 
conferindo dados do paciente e 
exames solicitados. 
2. Orientações ao Paciente 
• Jejum necessário? (e por quanto 
tempo) 
• Restrições alimentares 
• Tipo de amostra a ser coletada 
• Entrega de frasco adequado e 
instruções de coleta 
• Quantidade da amostra necessária 
• Horário da coleta e entrega ao 
laboratório 
• Cuidados com armazenamento e 
manipulação da amostra 
3. Coleta da Amostra 
• Coletar quantidade correta 
• Identificar corretamente paciente e 
amostra 
• Registrar informações clínicas 
• Usar o tubo correto para o tipo de 
exame 
 
 
 
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4. Armazenamento, conservação e 
transporte: 
• Objetivo: Preservar a integridade dos 
componentes e a estabilidade das 
substâncias químicas. 
• Orientações ao paciente são 
essenciais. 
• Tempo máximo até o laboratório: 1 
hora. 
• Refrigeração recomendada: 2–10°C. 
• Estabilidade enzimática: até 4 dias 
entre 15–25°C. 
• Evitar: 
• Turbulência (pode causar 
hemólise). 
• Evaporação da amostra. 
 
PROCEDIMENTOS ANALÍTICOS 
 
• Os procedimentos analíticos 
envolvem a realização dos testes 
laboratoriais, utilizando 
equipamentos e técnicas que 
garantem precisão e confiabilidade 
nos resultados. 
• Equipamentos utilizados: 
 
 
Centrifugação 
• Esperar 20–30 minutos para 
coagulação do sangue. 
• Centrifugar de forma suave. 
• Tempo e velocidade padrão: 3500 
rpm por 10 minutos. 
• Remover o coágulo rapidamente 
após a centrifugação. 
 
 
Espectrofotometria 
• Técnica que mede a luz absorvida 
por uma substância. 
• A luz entra na amostra → parte é 
absorvida, parte transmitida. 
• Quanto mais escura a solução, 
mais luz é absorvida. 
• Resultados são expressos como: 
o Absorbância (A) = luz absorvida. 
o Transmitância (T) = luz que passou 
(sem absorção). 
 
 
Espectro UV-Visível 
• Faixa de leitura: 400 a 700 nm 
(visível). 
• Se não houver absorção, a: 
o Absorbância = 0 
o Transmitância = 100% 
 
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Calibração de Métodos 
• Importante para garantir precisão 
dos resultados. 
• Envolve: 
o Limpeza do equipamento. 
o Verificação da curva de calibração. 
o Teste com reagentes e padrões 
confiáveis. 
 
Problemas do processo analítico: 
• Calibração equipamento; 
• Limpeza do instrumento; 
• Qualidade dos reagentes; 
• Controle de qualidade do 
equipamento; 
• Manutenção de peças do 
equipamento; 
 
PROCEDIMENTO PÓS-ANALÍTICOS 
 
• Após a realização do exame, é 
essencial garantir a validação e 
interpretação correta dos 
resultados. Os principais pontos 
são: 
1. Verificação dos cálculos – conferir 
se todos os cálculos foram 
realizados corretamente. 
2. Linearidade do método – checar se 
os resultados seguem a resposta 
esperada dentro da faixa do teste. 
3. Controles de qualidade – os 
valores dos controles devem estar 
dentro dos limites estabelecidos. 
4. Referência dos resultados – 
comparar com os valores de 
referência (normais) para aquele 
exame. 
5. Compatibilidade clínica – avaliar 
se os resultados estão coerentes 
com o quadro clínico do paciente. 
• Esses passos evitam erros 
diagnósticos e garantem segurança 
na liberação do laudo. 
 
➢ Classificação das causas de erros 
nas dosagens bioquímicas: 
• ERROS INADMISSÍVEIS: Enganos 
(troca de amostras, erros de cálculo, 
leitura incorreta de instrumentos, 
troca de rótulo, erro na transcrição 
de resultados) 
• ERROS OCASIONAIS: Acidentais 
(contaminação, interferentes, 
diferentes técnicos, tubos ou pipetas 
contaminadas) 
• ERROS SISTEMÁTICOS: Repetitivos 
(técnicas de baixa precisão, 
reagentes de má qualidade, perca de 
precisão da vidraria e equipamentos, 
curva ou fator de calibração errados) 
 
AULA 02 – ENZIMOLOGIA CLÍNICA 
 
Conceito: 
• Enzimas são proteínas 
catalisadoras de reações químicas. 
• Estão presentes em todos os 
tecidos, mas sua concentração no 
soro é baixa — aumenta em lesão 
celular. 
 
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Tipos de Enzimas: 
• Plasma-específicas: atuam no 
plasma (ex: coagulação). 
• Não plasma-específicas: 
intracelulares, sem função no 
plasma, liberadas em lesões. 
 
Principais enzimas determinadas no 
laboratório clínico: 
 
 
Enzimas nas doenças pancreáticas 
1. Amilase 
 
O que é? 
• A amilase é uma enzima hidrolase 
que quebra o amido e o glicogênio 
em açúcares simples. 
• Também chamada de sacarase ou 
ptialina. 
• Produzida principalmente pelas: 
- Glândulas salivares (amilase salivar) 
- Pâncreas (amilase pancreática) 
Função 
• Atua na digestão de carboidratos 
iniciando ainda na boca. 
 
Amilase em doenças pancreáticas 
Lesão das Células Acinares 
• Exemplo: pancreatite ou câncer de 
pâncreas. 
• A amilase escapa do pâncreas para o 
sangue, via sistema linfático e 
peritônio. 
• Elevação sérica ocorre 12–24 horas 
após o início da lesão. 
• É eliminada pelos rins, com 
normalização entre 48–72 horas. 
Valores de Referência 
• 60anos: 24 a 151 U/L 
 
2. Lipase 
 
O que é? 
• Lipase é uma enzima pancreática 
que atua no duodeno. 
• Sua função é quebrar triglicerídeos 
em ácidos graxos, auxiliando na 
digestão de gorduras. 
Comportamento no organismo 
• Após ser filtrada pelos glomérulos 
renais, a maior parte é: 
o Reabsorvida nos túbulos renais 
o Degradada (catabolizada) em 
outros locais 
• Entra na corrente sanguínea em 
casos de lesão das células 
acinares do pâncreas (ex: 
pancreatite). 
Valor de Referência 
• Lipase sérica: entre 7,80 U/L e 
77,98 U/L 
AMILASE X LIPASE 
 
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Enzimas nas doenças cardíacas 
1. Creatinoquinase (CK) 
 
O que é? 
• A Creatinoquinase (CK) é uma 
enzima que atua no fornecimento de 
energia (ATP) aos músculos. Está 
presente no: 
• Músculo cardíaco 
• Músculo esquelético 
• Cérebro 
 Função Geral da CK 
• Degrada creatinina e consome ATP 
para manter a atividade muscular. 
 
Resumo de Utilidade Clínica 
• CK total: Avaliação geral de lesões 
musculares. 
• CK-MB: Específica para coração, 
ideal para diagnóstico de infarto 
agudo. 
• CK-MM: Lesões ou doenças 
musculares. 
• CK-BB: Alterações neurológicas ou 
neoplásicas. 
 
2. Desidrogenase Láctica ou Lactato 
Desidrogenase 
 
 
 
 
 
 
Enzimas nas doenças de próstata 
1. Antígeno Prostático Específico 
 
O que é? 
• É uma glicoproteína produzida 
exclusivamente pelo tecido da 
próstata: 
o Normal 
o Aumentado (hiperplasia) 
o Maligno (câncer) 
Função 
• Atuação semelhante à tripsina e 
quimiotripsina. 
• Sua principal função é liquefazer o 
coágulo seminal, facilitando a 
mobilidade dos espermatozoides. 
Importância Clínica 
• Marcador tumoral do 
Adenocarcinoma de Próstata. 
• Células cancerosas produzem até 10x 
mais PSA do que células normais. 
• PSA elevado no sangue pode indicar: 
• Câncer de próstata 
 Hiperplasia benigna 
Inflamação (prostatite) 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Marcadores bioquímicos não 
enzimáticos 
1. MIOGLOBINA 
O que é? 
• Mioglobina é uma proteína 
presente nos músculos estriados, 
incluindo o músculo cardíaco. 
• Armazena oxigênio nos músculos e 
é liberada no sangue quando há 
lesão muscular. 
Função Clínica 
• Usada como marcador precoce de 
lesão muscular ou cardíaca (ex: 
infarto). 
• Sobe rapidamente após dano 
muscular, sendo útil para 
diagnóstico inicial. 
Quando a dosagem é indicada? 
• Suspeita de: 
✓ Distrofia muscular 
✓ Trauma muscular (pancada forte) 
✓ Inflamação muscular 
✓ Rabdomiólise (destruição intensa 
do músculo) 
✓ Convulsões 
✓ Infarto do miocárdio 
 
 
 
2. TROPONINA 
O que são Troponinas? 
• Proteínas estruturais presentes nas 
fibras musculares esqueléticas e 
cardíacas. 
• Fazem parte do sistema responsável 
pela contração muscular. 
Composição do Complexo Troponina 
• Troponina T (TnT) 
• Troponina I (TnI) 
• Troponina C (TnC) 
Importância Clínica 
• Troponinas T e I cardíacas (cTnT e 
cTnI) são: 
o Altamente específicas para o 
músculo cardíaco 
o Altamente sensíveis para detectar 
infarto agudo do miocárdio (IAM) 
Como funcionam no diagnóstico? 
• Após lesão do músculo cardíaco 
(ex: infarto), as troponinas são 
liberadas no sangue. 
• Anticorpos específicos conseguem 
distinguir entre troponinas cardíacas 
e esqueléticas — isso garante 
precisão no diagnóstico. 
Resumo prático 
• cTnT e cTnI = melhores 
marcadores para infarto. 
• Usados em 
urgência/emergência para 
confirmar ou excluir lesão 
isquêmica do coração. 
 
MIOGLOBINA X TROPONINA 
 
 
 
 
 
 
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3. PROTEÍNA C REATIVA ULTRA – 
SENSÍVEL 
A PCR pode se elevar não apenas por 
infecções, mas também por qualquer 
condição que cause inflamação no 
corpo, mesmo sem a presença de 
microrganismos. 
Principais condições não infecciosas 
que aumentam a PCR: 
• Apendicite aguda 
• Pancreatite aguda 
• Doença inflamatória intestinal (ex: 
Crohn, retocolite ulcerativa) 
• Linfomas (câncer dos gânglios 
linfáticos) 
• Mieloma múltiplo (câncer da 
medula óssea) 
• Tumores malignos (diversos tipos 
de câncer) 
• Traumatismos (ex: acidentes, 
lesões) 
• Queimaduras 
• Infarto do miocárdio (ataque 
cardíaco) 
• AVC (Acidente Vascular Cerebral) 
• Artrite reumatoide 
• Febre reumática 
O que é a PCR-us? 
É um exame que mede a quantidade de 
proteína C reativa no sangue, usada para 
detectar inflamações e avaliar o risco de 
doenças cardiovasculares. 
Valores e Significados: 
Valores Normais: 
• Abaixo de 0,3 mg/dL (3 mg/L) – 
Considerado normal em pessoas 
saudáveis. Pode ser um pouco mais 
alto em idosos. 
Levemente Elevado (0,3 a 1,0 mg/dL | 3 
a 10 mg/L): 
• Indica inflamação leve (ex: resfriado, 
gengivite). 
• Também pode ocorrer em: 
obesidade, diabetes, hipertensão, 
tabagismo, álcool, sedentarismo. 
Moderadamente Elevado (1,0 a 4,0 
mg/dL | 10 a 40 mg/L): 
• Sugere infecções virais mais fortes 
(como gripe, mononucleose, 
catapora). 
• Também pode indicar doenças 
reumáticas ou tumores. 
Alto (Acima de 4,0 mg/dL | 40 mg/L): 
• Indica infecção bacteriana. 
• Em casos graves como sepse, os 
valores podem ultrapassar 20 mg/dL 
(200 mg/L). 
Risco Cardiovascular (quando PCR 
está persistentemente elevada): 
• Abaixo de 0,1 mg/dL (1 mg/L): Baixo 
risco. 
• Entre 0,1 e 0,3 mg/dL (1 a 3 mg/L): 
Risco moderado. 
• Acima de 0,3 mg/dL (3 mg/L): Alto 
risco de doenças cardiovasculares. 
 
AULA 3 – PROTEÍNAS PLASMÁTICAS E 
DISPROTEINEMIAS 
 
Importância: 
• São as principais macromoléculas 
biológicas. 
• Representam mais da metade do 
peso seco de uma célula. 
• Estão presentes em praticamente 
todas as funções celulares. 
• Atuam como enzimas, acelerando 
reações químicas no organismo. 
Composição: 
• As proteínas são polímeros de 
aminoácidos (cadeias de 
aminoácidos). 
• Cada aminoácido tem: 
o Um grupo carboxila (-COOH) 
o Um grupo amina (-NH₂) 
o Um átomo de hidrogênio (H) 
o Um radical (R) → que varia em cada 
tipo de aminoácido 
o Todos esses grupos estão ligados ao 
mesmo átomo de carbono central. 
 
Resumo: 
Aminoácido = NH₂ – C (com H, COOH e 
R ligados) 
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Proteína = Várias unidades de 
aminoácidos ligadas em sequência 
 
Funções das proteínas no corpo: 
 Pressão oncótica e viscosidade do 
sangue 
o Ajudam a manter o equilíbrio de 
líquidos entre os vasos sanguíneos e 
os tecidos. 
 Transporte de substâncias 
o Carregam nutrientes, hormônios, 
resíduos e outras moléculas 
importantes pelo sangue. 
 Regulação do pH sanguíneo 
o Ajudam a manter o pH do sangue 
dentro de limites ideais 
(homeostase). 
 Coagulação do sangue 
o Participam da formação de 
coágulos através dos fatores de 
coagulação. 
 Imunidade 
o Formam os anticorpos que 
defendem o corpo contra infecções. 
 Resposta inflamatória (fase 
aguda) 
o Algumas proteínas aumentam em 
resposta à inflamação (como a 
proteína C reativa). 
 
Proteínas Plasmáticas: 
 
1. PLASMA SANGUÍNEO 
O que é? 
• Um dos componentes do sangue 
que representa 55% do volume, 
possui cor amarelada. 
Composição 
• Água, proteínas, fatores de 
coagulação, sais, lipídios, 
hormônios e vitaminas. 
 
2. PROTEÍNAS PLASMÁTICAS 
O que são? 
• São componentes do plasma. 
• Dosagem em jejum de 8 horas, 
suspender medicação, soro sem 
hemólise e não lipêmico. 
• Mais de 300 proteínas já foram 
identificadas no plasma humano. 
• Apenas algumas destas são 
dosadas na rotina laboratorial. 
• Amostras utilizadas para dosagem: 
sangue, plasma, soro, urina, LCR, 
líquido amniótico,pleural, sinovial, 
saliva ou fezes 
Significado clínico das alterações de 
proteínas no soro: 
Hiperproteinemia 
O que é? 
Aumento da concentração de proteínas 
no sangue. 
Por que acontece? 
• Perda de água (desidratação): 
menos água = proteínas mais 
concentradas. 
• Produção excessiva de proteínas, 
principalmente imunoglobulinas 
(anticorpos). 
Principais causas: 
• Desidratação (pouca ingestão de 
água, vômitos, diarreia) 
• Mieloma múltiplo (câncer da medula 
com produção de anticorpos) 
• Macroglobulinemia (excesso de IgM) 
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• Doenças autoimunes: lúpus, artrite 
reumatoide 
• Sarcoidose (inflamação de vários 
órgãos) 
• Infecções crônicas: calazar, 
tuberculose, endocardite bacteriana 
subaguda 
• Hepatite crônica ativa 
• Uso de certos medicamentos 
 
Hipoproteinemia 
O que é? 
Diminuição da concentração de 
proteínas no sangue. 
Por que acontece? 
• Perda de proteínas (urina, 
queimaduras, hemorragias) 
• Falta de produção ou absorção 
(fígado, intestino) 
• Excesso de água no corpo (hiper-
hidratação) 
Principais causas: 
• Desnutrição grave 
• Síndrome nefrótica (perda de 
proteínas pela urina) 
• Insuficiência renal 
• Hemorragias e queimaduras 
extensas 
• Má absorção intestinal 
• Hiper-hidratação (excesso de água) 
• Leucemia 
• Hipertireoidismo 
• Deficiência de cálcio 
• Úlcera péptica 
 
 
 
Eletroforese de Proteínas Séricas 
(EPS) 
O que é? 
• É um exame laboratorial usado para 
separar as proteínas do soro (parte 
líquida do sangue sem células) com 
base na carga elétrica de cada uma. 
Principais pontos: 
• Método simples e muito usado como 
teste de triagem. 
• Permite identificar alterações nas 
proteínas do sangue (como em 
casos de inflamações, infecções ou 
câncer). 
• A amostra é colocada em um meio 
sólido (como gel) e recebe um 
campo elétrico, fazendo as proteínas 
migrarem em velocidades 
diferentes. 
 
• Diminuição de albumina: baixa 
ingesta proteica ou elevado 
catabolismo. 
• Aumento alfaglobulinas: de 
processos inflamatórios, infecciosos 
e imunes. 
• Aumento de betaglobulina: 
perturbação do metabolismo 
lipídico ou na anemia ferropriva 
 
Exemplos de proteínas: 
 Albumina 
• Principal proteína do plasma, 
representa cerca de 60% das 
proteínas totais. 
• Produzida exclusivamente no fígado. 
• Solúvel em água, com peso 
molecular de 66.300 Da. 
• Produção diária: cerca de 15g. 
• Meia-vida: 14 a 21 dias. 
• Valor de referência: 3,5 – 5,0 g/dL. 
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 Funções principais: 
• Transporte de hormônios, fármacos, 
ácidos graxos e outras substâncias. 
• Manutenção da pressão oncótica 
(evita saída excessiva de líquido dos 
vasos). 
• Inibe a produção de leucotrienos 
(mediadores inflamatórios). 
 Hipoalbuminemia (↓ Albumina no 
sangue) 
Causas principais: 
• Fígado: cirrose, hepatite crônica, 
neoplasia hepática, colangite, 
alcoolismo crônico. 
• Rins: síndrome nefrótica (perda de 
albumina na urina). 
• Intestino: doença de Crohn, colite 
ulcerativa (perda de proteínas por 
inflamação intestinal). 
 Hiperalbuminemia (↑ Albumina no 
sangue) 
Causas principais: 
• Desidratação 
• Alcoolismo agudo 
• Hepatite viral 
• Edema (em algumas situações 
associadas à perda de líquidos) 
 
 Globulinas 
 • São proteínas que migram 
conjuntamente em campos elétricos 
através de eletroforese em acetato de 
celulose constituindo famílias 
• Divide em: alfa (α), beta (β) e gama 
(γ) de acordo com seu tamanho e 
carga elétrica. 
 
 Alfa-1 Globulinas 
1. Alfa-1-antitripsina 
• Função: Inibe a tripsina (protease 
que degrada proteínas). 
• Valores de Referência: 
o Neonatos: 124–348 mg/dL 
o Adultos: 90–200 mg/dL 
• Aumentada em: 
o Resposta de fase aguda 
o Gravidez 
o Uso de estrógenos 
o Neoplasias 
o Hepatopatias 
o Alcoolismo 
o Hepatite aguda 
• Enzima relacionada: Elastase 
neutrofílica (degrada células 
danificadas/bactérias para 
cicatrização) 
2. Glicoproteína Ácida 
• Aumentada em: 
o Inflamações agudas/crônicas 
o Infecções, traumas, cirurgias 
o IAM, doenças autoimunes 
o Pneumonias, neoplasias 
o Uso de andrógenos 
• Diminuída em: 
o Síndrome nefrótica 
o Hepatopatias severas 
o Gravidez 
o Terapia com estrógenos 
o Desnutrição 
o Uso de corticoides 
o Neonatos 
3. Alfa-1-fetoproteína (AFP) 
• Origem: Fígado fetal 
• Marcadores: 
o ↑: Defeitos de tubo neural, parede 
abdominal 
o ↓: Síndrome de Down 
o Carcinoma hepatocelular, tumores 
de células germinativas 
4. Outras Alfa-1 Globulinas 
• Protrombina: coagulação 
• Transcortina: transporte de cortisol 
• Globulina ligadora de T4 
• Lipoproteínas (HDL, VLDL, LDL) 
 
 Alfa-2 Globulinas 
• Eritropoetina: estimula 
eritropoese/trombopoese 
• Colinesterase: degrada acetilcolina 
• Ceruloplasmina: transporta cobre 
• Haptoglobina: 
o Liga-se à hemoglobina livre 
o Diminui na hemólise intravascular 
o Reposição sérica: ~1 semana 
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• Alfa-2-macroglobulina: 
o Liga-se à insulina 
o Aumentada significativamente na 
síndrome nefrótica 
• Todas aumentam em infecções, 
inflamações e processos imunes 
 
 Betaglobulinas 
• Transferrina: 
o Transporta ferro 
o ↑ na anemia ferropriva e gravidez 
• Hemopexina: 
o Liga-se à heme da hemoglobina 
• C3 (complemento): 
o Função imune/coagulação 
o ↓ em doenças glomerulares 
• Plasminogênio: fibrinólise 
• Fibrinogênio: coagulação, 
inflamação 
 
 Gamaglobulinas 
1) Proteína C Reativa (PCR) 
 
• Natureza: Proteína de fase aguda, da 
família das pentraxinas. 
• Função: 
o Opsonização (marcação de 
patógenos) 
o Ativação do sistema complemento 
o Estímulo à fagocitose 
o Ativação de monócitos → produção 
de fator tecidual 
• Importância clínica: 
o ↑ PCR = risco cardiovascular 
elevado, mesmo em indivíduos 
aparentemente saudáveis. 
o Usada como marcador inflamatório 
e preditor de doença 
aterosclerótica. 
o Muito sensível em processos 
inflamatórios agudos. 
 2) Imunoglobulinas (IgG, IgA, IgM, 
IgE, IgD) 
 
• Produzidas por: Plasmócitos 
(linfócitos B ativados). 
• Função: Defesa imunológica por 
meio de neutralização, opsonização 
e ativação do complemento. 
 Padrões Eletroforéticos da Fração 
Gama 
 
Pico Policlonal 
• Características: 
o Aumento difuso da fração gama 
o Resulta de produção simultânea de 
vários clones de plasmócitos 
• Causas comuns: 
o Infecções crônicas: tuberculose, 
esquistossomose, calazar 
o Doenças autoimunes: LES, artrite 
reumatoide 
o Doenças inflamatórias: sarcoidose 
o Politransfusões 
 Hipogamaglobulinemia / 
Agamaglobulinemia 
• Definições: 
o Hipo: Redução parcial das 
gamaglobulinas 
o Aga: Ausência total de gamaglobulinas 
• Causas: 
o Primárias: Imunodeficiências 
congênitas (ex: agamaglobulinemia de 
Bruton) 
o Secundárias: 
▪ Mieloma múltiplo (apesar da 
proteína monoclonal, há redução 
global de outras Ig) 
▪ Imunossupressão 
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▪ Infecções crônicas severas 
 
 
 
 
 
AULA 04 – FUNÇÃO HEPÁTICA 
(PROVAS LABORATORIAIS DE 
FUNÇÃO HEPÁTICA E DO TRATO 
BILIAR) 
 
Fisiologia Hepática 
• Maior órgão sólido do corpo (1.200 a 
1.500g). 
Funções: 
1. Processamento, armazenamento e 
redistribuição de nutrientes (glicose, 
aminoácidos, ácidos graxos). 
2. Detoxificação de substâncias 
endógenas e exógenas. 
3. Metabolização e eliminação de 
medicamentos, hormônios e 
xenobióticos. 
4. Participação na defesa imunológica 
inata. 
 
 
Icterícia e Hiperbilirrubinemias 
 
• Icterícia: Acúmulo de bilirrubina no 
plasma e tecidos → coloração 
amarelada da pele, escleras e 
mucosas.• Pode ocorrer por: 
o Problemas na síntese, 
metabolismo ou excreção da 
bilirrubina. 
o Doenças hepáticas ou extra-
hepáticas. 
• Em estágios graves: urina, suor e 
lágrimas também ficam amarelados 
(bilirrubina conjugada ↑). 
 
Indicadores de lesão e função 
hepática 
 
• Os testes de função hepática são 
exames de sangue que detectam a 
doença e medem a gravidade e 
progressão ao tratamento 
 
 
 
 
 
 
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 Bilirrubinas – Interpretação Clínica 
 
↑ Bilirrubina Direta (conjugada): 
• Hepatite viral 
• Doença hepática alcoólica 
• Obstrução biliar (cálculos, tumores) 
↑ Bilirrubina Indireta (não conjugada): 
• Anemia hemolítica 
• Anemia perniciosa 
• Hemoglobinopatias 
• Pós-transfusional 
Bilirrubinúria: 
• Presença de bilirrubina conjugada 
na urina 
• Indica doença hepática grave 
• A bilirrubina não conjugada não 
aparece na urina (é insolúvel em 
água) 
 
 
 
AULA 05 – LIPIDOGRAMA OU PERFIL 
LIPÍDICO 
 
O que são lipídios? 
• Gorduras absorvidas dos alimentos 
ou produzidas pelo fígado. 
• São moléculas essenciais no 
metabolismo. 
• Compõem a membrana celular. 
• Têm funções como: 
o Reserva de energia 
o Isolamento térmico e elétrico 
 
O que é o Lipidograma? 
• Também chamado de Perfil 
Lipídico. 
• É um exame laboratorial que avalia 
as gorduras no sangue. 
• Mede: 
o Triglicerídeos 
o Colesterol total 
o LDL (colesterol "ruim") 
o HDL (colesterol "bom") 
o VLDL (colesterol de densidade muito 
baixa) 
 
 Triglicerídeos 
• Principal tipo de gordura do corpo. 
• Derivam da dieta vegetal e animal. 
• Presentes nos alimentos e 
produzidos pelo fígado. 
• Estão relacionados ao 
armazenamento de energia. 
 
 Colesterol Total 
• Tipo de gordura que: 
o Forma a estrutura das membranas 
celulares 
o É essencial ao funcionamento do 
corpo 
• Cerca de 70% do colesterol é 
produzido pelo fígado. 
 
Colesterol e suas Frações 
• A dieta responde por 30% do 
colesterol total. 
• O colesterol total é a soma do LDL, 
HDL e VLDL. 
 
1. LDL (Low-Density Lipoprotein) 
• Principal reservatório de colesterol 
no plasma. 
• Representa cerca de 60 a 70% do 
colesterol total. 
• Leva colesterol do fígado para as 
células. 
• Em excesso, acumula nas artérias, 
podendo causar doenças 
cardiovasculares. 
• Valor ideal: 40 mg/dL. 
 
3. VLDL (Very Low-Density 
Lipoprotein) 
• Produzido no fígado. 
• Transporta triglicerídeos pelo 
sangue. 
• Níveis altos estão ligados a dieta rica 
em gordura. 
• Valor ideal: ~ 30 mg/dL. Altos se > 40 
mg/dL. 
 
DISLIPIDEMIAS 
• Alterações nos lipídios 
plasmáticos. 
• É importante identificar a causa. 
 
Classificação: 
• Primária: origem genética (ex.: 
mutação gênica). 
• Secundária: associada ao estilo de 
vida e doenças como: 
o Diabetes 
o Hipotireoidismo 
o Doenças renais 
o Cirrose biliar 
o Uso de medicamentos 
o Tabagismo, alcoolismo 
• As dislipidemias podem ser 
classificadas de acordo com o tipo 
de alteração nos lipídios sanguíneos: 
 A) Hipercolesterolemia Isolada 
• Aumento isolado do colesterol 
total. 
• Geralmente associado ao aumento 
do LDL (colesterol "ruim"). 
 B) Hipertrigliceridemia Isolada 
• Aumento isolado dos triglicerídeos. 
• Frequentemente com elevação do 
VLDL. 
 C) Hiperlipidemia Mista 
• Aumento combinado de: 
o Colesterol total 
o Triglicerídeos 
 D) Colesterol HDL Baixo 
• Diminuição do HDL (colesterol 
"bom"). 
• Pode ocorrer isoladamente ou junto 
com o aumento do LDL. 
 
 
 
 
 
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