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Página 1Laura Nizer · FAE Centro Universitário · Hermenêutica Jurídica · 3º período
■ Hermenêutica Jurídica
Resumo · 3º período · 1º bimestre
FAE Centro Universitário · Laura Nizer
Hermenêutica clássica · Contemporânea · Giro hermenêutico · Escolas · Elementos interpretativos
Olá! O objetivo desse material não é aprofundar na matéria, mas sim resumir e pincelar de maneira
clara os principais pontos da hermenêutica jurídica. Ao final da exposição de conteúdo, há questões
para praticar com gabarito!
■ Conteúdos abordados
• Hermenêutica Clássica • Escola Teleológica
• Hermenêutica Contemporânea • Positivismo Normativo (Kelsen)
• Virada Epistemológica / Círculo Hermenêutico • Pós-Positivismo (Dworkin)
• Desafios da Hermenêutica (Ativismo Judicial,
Judicialização, Solipsismo)
• Ponderação (Alexy)
• Escola da Exegese • Elementos Interpretativos (Gramatical, Histórico,
Genético, Sistemático, Teleológico, Sociológico)
• Escola Histórica do Direito
■ Fundamentos da Hermenêutica
■ Hermenêutica Clássica
Atividade interpretativa de natureza meramente cognitiva: o intérprete apenas descobre a vontade do
legislador, revelando o verdadeiro sentido da lei (mens legislatoris). O Direito opera mediante um silogismo
dedutivo — a norma é a premissa maior e o fato a premissa menor — aplicando o princípio da subsunção
(quando o fato "sobe" e se "encaixa" na norma). É, portanto, a aplicação mecânica da lei ao fato concreto.
■ Crítica: Extremamente literal. Prega pela objetividade, porém ainda existe certa subjetividade quanto à
interpretação da vontade do legislador.
■ Hermenêutica Contemporânea
Desloca o eixo da mera subsunção para a realização da justiça material. A atividade interpretativa é
orientada pelos princípios e valores constitucionais. O intérprete utiliza-se do método dialético para analisar
a finalidade da lei. Assim, interpreta-se para aplicar.
Página 2Laura Nizer · FAE Centro Universitário · Hermenêutica Jurídica · 3º período
■ Crítica: Apesar de objetivar a superação da subjetividade, ainda existe a busca pela vontade do legislador.
■ Virada Epistemológica / Círculo Hermenêutico
Reconhecimento de que o intérprete não é totalmente neutro. Desenvolve-se a hermenêutica
contemporânea, que usa diferentes métodos, parte de premissas distintas e observa valores constitucionais.
É atrelado à hermenêutica a função do constrangimento epistemológico: uso de critérios científicos,
precedentes e da integridade do ordenamento jurídico para expor falhas nas interpretações — evitando o
solipsismo (julgador que atribui à lei o sentido que melhor convém ao seu senso de justiça pessoal).
■ Desafios da Hermenêutica
■ Ativismo Judicial
Crítica ao comportamento judicial que viola a separação dos três poderes, pois o Judiciário acaba atuando
em matérias do Executivo e do Legislativo. O solipsismo e a jurisprudência lotérica (incerteza perante
decisões judiciais mesmo em questões semelhantes) são ferramentas que auxiliam a identificar e evidenciar
o ativismo judicial.
■ Judicialização da Política
Permitida pela CF/88, cada vez mais recorrente: o Judiciário é acionado para participar na tomada de
decisões no meio político.
■ Solipsismo
O juiz decide com base no seu senso de justiça pessoal, atribuindo à lei o sentido que individualmente
entende como correto.
■ Escolas Epistemológicas
■ Escola da Exegese
Página 3Laura Nizer · FAE Centro Universitário · Hermenêutica Jurídica · 3º período
Compreende a hermenêutica como método dedutivo, aplicando o princípio da subsunção. Prega pelo
objetivismo; os principais elementos interpretativos são o genético e o gramatical. O Juiz torna-se a "boca
da lei", gerando literalismo extremo. O intérprete se depara com cláusulas abertas (sem definição de
conduta ou efeitos) e conceitos jurídicos indeterminados (conduta vaga, mas com consequência
definida). A principal fonte é a lei.
■ Crítica: Existe subjetividade onde deveria haver apenas objetividade.
■ Escola Histórica do Direito
O foco é no espírito do povo; os costumes assumem a posição de fonte principal. Os elementos histórico e
genético são os mais evidentes. As leis decorrem das demandas de suas épocas. Desdobramento:
jurisprudência de conceitos (busca desenvolver novos conceitos a partir de conceitos já existentes).
■ Crítica: Acaba presa ao passado pelo foco extremo na vontade do povo. Apesar da subjetividade como
premissa, ainda busca descobrir a vontade do legislador.
■ Escola Teleológica
Os dispositivos normativos são fruto da luta social, criados para resolver conflitos — ou seja, as leis
possuem uma finalidade. Desdobramento: jurisprudência de valores (analisa a função social da norma).
■ Crítica: Amplo subjetivismo: a finalidade da norma pode mudar quando muda o intérprete.
■ Positivismo Normativo (Kelsen)
O ordenamento jurídico é um sistema fechado e hierárquico que retira sua validade da lei fundamental
(CF). Kelsen busca separar o Direito da moral. O Juiz, como intérprete autêntico, exerce um ato de
vontade dentro da moldura da norma: a CF delimita o espaço de possíveis interpretações, e o intérprete
escolhe a melhor para aplicar ao fato concreto.
■ Crítica: A decisão do intérprete autêntico é vinculante, podendo abrir portas para o solipsismo e o ativismo
judicial.
■ Pós-Positivismo (Dworkin)
Página 4Laura Nizer · FAE Centro Universitário · Hermenêutica Jurídica · 3º período
O Direito e a moral se colidem constantemente. O objetivo do intérprete é achar a melhor resposta
possível para assegurar coerência e integridade do Direito, utilizando o critério do ajuste (definido pelo
"romance em cadeia": novas interpretações devem "fazer sentido" com as pré-existentes) e o critério da
justificação (busca da melhor interpretação possível).
■ Crítica: Modelo utópico e de extrema subjetividade.
■ Ponderação (Alexy)
O Direito e a moral convergem: toda regra deve concretizar um princípio. O método da ponderação segue a
sequência A → N → P:
A = Adequação da proposta da norma
N = Necessidade da medida (existe punição menor?)
P = Proporcionalidade em sentido estrito
(Aplicado estritamente nessa ordem!)
■ Crítica: O Direito é sacrificado para prevalecer os valores morais.
■ Elementos Interpretativos
Elemento Função
Gramatical Analisa o sentido do vocabulário da norma.
Histórico Contexto histórico da época de criação da lei.
Genético Vontade do legislador — o que foi discutido para elaborar a lei.
Sistemático Leitura do ordenamento jurídico como um todo integrado.
Teleológico Analisa a finalidade da lei e sua função social.
Sociológico Ajusta a interpretação ao contexto social contemporâneo.
✏ Questões para Praticar
Questão 1
Explique a relação da jurisprudência lotérica com o conceito jurídico indeterminado.
Página 5Laura Nizer · FAE Centro Universitário · Hermenêutica Jurídica · 3º período
Questão 2
O Positivismo normativo pode ser considerado um legalismo que tem como premissa a literalidade da lei. É
uma metodologia que aplica o princípio da subsunção, assim transformando o intérprete na "boca da lei".
Julgue verdadeiro ou falso e explique com fundamentação.
Questão 3
Para buscar o sentido das palavras é utilizado o método teleológico, pois para analisar a finalidade da lei é
necessário compreender o seu sentido, diante disso este método é considerado um ponto de partida para a
interpretação hermenêutica e não o fim do processo interpretativo. Julgue verdadeiro ou falso e explique com
fundamentação.
■ Gabarito
Resposta 1
O conceito jurídico indeterminado representa uma manifestação da textura aberta do Direito: caracterizado
pela baixa densidade semântica, contém uma hipótese normativa indefinida, porém com uma consequência
jurídica certa e bem definida. A ausência de precisão pode ocasionar ao intérprete uma margem de
valoração do fato concreto, concedendo-lhe liberdade interpretativa. Diante disso, o conceito jurídico
indeterminado pode ser considerado como o ensejo da jurisprudêncialotérica, onde casos semelhantes
recebem decisões distintas a depender da valoração subjetiva do intérprete.
Resposta 2 — FALSO
A afirmação retrata a Escola da Exegese, e não o Positivismo Normativo de Kelsen. A Exegese prega o
objetivismo, a literalidade e o princípio da subsunção como premissas, transformando o intérprete na "boca
da lei". O normativismo kelseniano, diferentemente, tem como alicerce a aplicação da norma fundamental e
a atuação do juiz como intérprete autêntico do Estado, dentro da moldura da norma.
Resposta 3 — FALSO
Página 6Laura Nizer · FAE Centro Universitário · Hermenêutica Jurídica · 3º período
O método teleológico tem como objetivo analisar a finalidade da lei, e não o sentido das palavras. O
elemento responsável por buscar o sentido das palavras é o gramatical, que analisa o vocabulário da
norma. O método teleológico é um dos elementos interpretativos da hermenêutica jurídica, aplicado para
identificar a função social da norma — não se configurando como ponto de partida do processo
interpretativo, papel que cabe ao elemento gramatical. O enunciado, portanto, inverte a função dos
elementos interpretativos ao atribuir ao teleológico uma tarefa que pertence ao gramatical.
Feito por Laura Nizer · FAE Centro Universitário · Direito · 3º período

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