A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
140 pág.
AULAS DE 1 A 10 - Contabilidade Tributária(1)

Pré-visualização | Página 2 de 39

que o sujeito passivo (contribuinte) deve cumprir com base nos ditames legais. As prestações consistem em pagamento do valor em dinheiro referente ao tributo devido ou a multa imposta por não cumprimento da obrigação legal (obrigação principal) ou cumprimento de formalidades complementares destinadas a comprovar a existência, os limites da obrigação tributada e o correto cumprimento dos desígnios legais (obrigações acessórias), como, por exemplo, escrituração de livros contábeis e fiscais, preenchimento de declarações (DIPJ, DIRF, DCTF, etc), registros em órgãos públicos, preenchimento de formulários, abstenção de certos atos, etc;
O fato gerador – é a situação definida em lei como necessária e suficiente para ocorrência da obrigação tributária (obrigação principal) e qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática de ato, ou abstenção de ato, que não configure obrigação principal (obrigação acessória).
CONTRIBUINTE E RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO
Qualquer obrigação tributária envolve, pelo menos, duas partes: o sujeito ativo e o sujeito passivo. O sujeito ativo é o ente público que tem o direito de instituir e cobrar o tributo, enquanto o sujeito passivo é a pessoa sobre a qual incide a obrigação de pagar a obrigação principal ou multa pecuniária. Entretanto, o CTN identifica duas espécies de sujeito passivo o Contribuinte e o Responsável Tributário. O primeiro tem a relação direta com a situação legal que constitua o fato gerador, enquanto o segundo é a pessoa que embora não revista a condição de contribuinte, tem obrigação por disposição expressa de lei.
ESPÉCIES DE TRIBUTOS
Conforme dispõem os artigos 145 da Constituição Federal e 5º do Código Tributário Nacional - CTN, as espécies tributárias são:
os impostos;
as taxas;
as contribuições de melhoria.
Contudo, a Constituição prevê dois outros institutos tributários que se encaixam perfeitamente na definição de tributo descrita e que são tratados da mesma forma que os tributos. São eles:
os empréstimos compulsórios (art. 148) e;
as contribuições especiais ou parafiscais (art. 149).
Ressalta-se ainda que, para a natureza jurídica do tributo, o relevante é o seu fato gerador (CTN, art. 4º), sendo de menor importância o seu nome ou a destinação do produto de sua arrecadação.
Costuma-se designar por imposto toda e qualquer exigência vinda do poder público. Entretanto, imposto possui um conceito mais restrito, sendo uma das espécies de tributos previstos pela Constituição. O imposto é a quantia pecuniária (em dinheiro) legalmente exigida pelo Poder Público, que deverá ser paga pela pessoa física ou jurídica a fim de atender às despesas feitas no interesse comum, sem levar em conta vantagens de ordem pessoal ou particular. Segundo o CTN, art. 16, “imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.”
Outras definições importantes relacionadas aos tributos são:
TRIBUTO DIRETO
É aquele em que a pessoa que paga (contribuinte de fato) é a mesma que faz o recolhimento aos cofres públicos (contribuinte de direito). Exemplo: IRPJ, IRPF, IPVA, IPTU e CSSL.
TRIBUTO INDIRETO
É aquele em que o contribuinte de fato não é o mesmo que o de direito. O exemplo clássico é o ICMS. É falsa a idéia de que o comerciante é quem paga esse imposto; em geral, ele simplesmente recebe do consumidor e recolhe ao Estado o imposto que está embutido no preço da mercadoria vendida. Exemplo: ICMS, IPI, ISS.
TRIBUTO PROGRESSIVO
É aquele cujo percentual aumenta de acordo com a capacidade econômica do contribuinte. Existem alíquotas diferenciadas que aumentam à medida que os rendimentos ficam maiores. Exemplo: IRPF, IRPJ.
TRIBUTO REGRESSIVO
É aquele que não considera o poder aquisitivo nem a capacidade econômica do contribuinte. Com isso, quem gasta praticamente tudo o que ganha no consumo de produtos, como é o caso de muitos assalariados, proporcionalmente contribui mais do que aqueles que têm possibilidade de poupar ou de investir. Exemplo: ICMS.
NÃO CUMULATIVIDADE 
É uma característica de determinados tributos em que o contribuinte tem o direito de compensar os montantes devidos nas operações anteriores com os montantes devidos nas operações subseqüentes.
IMUNIDADE E ISENÇÃO TRIBUTÁRIA
As imunidades são privilégios instituídos na Constituição onde algumas entidades ou pessoas ficam livres de obrigação legal: 
Vedação de entes estatais instituírem impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros, não obstante à tributação de atividades econômicas reguladas pelo direito privado;
Vedação de entes estatais instituírem impostos sobre patrimônio, renda ou serviços de templos de qualquer natureza;
Vedação de entes estatais instituírem impostos sobre patrimônio, renda ou serviços de entidades representativas de partidos políticos, sindicatos de trabalhadores, instituições de educação e de assistência sem fins lucrativos;
Vedação de entes estatais instituírem impostos sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
A isenção tributária consiste na dispensa concedida em Lei. 
PRINCIPAIS INSTRUMENTOS REGULATÓRIOS 
O nosso sistema tributário é um dos mais complexos do mundo, começando pela emaranhado de instrumentos regulatórios nas três órbitas. Apresentamos abaixo, conforme dados obtidos do Portal Tributário (http://www.portaltributario.com.br/), uma relação dos 85 instrumentos reguladores em vigor no nosso sistema tributário.
 
Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante – AFRMM - Lei 10.893/2004 
Contribuição á Direção de Portos e Costas (DPC) - Lei 5.461/1968 
Contribuição ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT  - Lei 10.168/2000 
Contribuição ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), também chamado "Salário Educação" - Decreto 6.003/2006 
Contribuição ao Funrural 
Contribuição ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) - Lei 2.613/1955 
Contribuição ao Seguro Acidente de Trabalho (SAT) 
Contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena Empresa (Sebrae) - Lei 8.029/1990 
Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Comercial (SENAC) - Decreto-Lei 8.621/1946 
Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado dos Transportes (SENAT) - Lei 8.706/1993 
Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Industrial (SENAI) - Lei 4.048/1942 
Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Rural (SENAR) - Lei 8.315/1991 
Contribuição ao Serviço Social da Indústria (SESI) - Lei 9.403/1946 
Contribuição ao Serviço Social do Comércio (SESC) - Lei 9.853/1946 
Contribuição ao Serviço Social do Cooperativismo (SESCOOP) - art. 9, I, da MP 1.715-2/1998 
Contribuição ao Serviço Social dos Transportes (SEST) - Lei 8.706/1993 
Contribuição Confederativa Laboral (dos empregados) 
Contribuição Confederativa Patronal (das empresas) 
Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE Combustíveis - Lei 10.336/2001 
Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE Remessas Exterior - Lei 10.168/2000 
Contribuição para a Assistência Social e Educacional aos Atletas Profissionais - FAAP - Decreto 6.297/2007 
Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública - Emenda Constitucional 39/2002 
Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional – CONDECINE - art. 32 da Medida Provisória 2228-1/2001 e Lei 10.454/2002 
Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública - art. 32 da Lei 11.652/2008.
Contribuição Sindical Laboral (não se confunde com a Contribuição Confederativa Laboral, vide comentários sobre a Contribuição Sindical Patronal) 
Contribuição Sindical Patronal (não se confunde com a Contribuição Confederativa Patronal, já que a Contribuição Sindical Patronal é obrigatória, pelo artigo 578 da CLT, e a Confederativa foi instituída pelo art. 8,