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AULAS DE 1 A 10 - Contabilidade Tributária(1)

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do imposto, segundo a lei vigente, se dá na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, o lucro real correspondente ao período de apuração, ou por estimativa do faturamento. Em regra, todos os ganhos e rendimentos de capital integram a base de cálculo para sua apuração, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto. Esta é uma forma de tributação mais complexa, requerendo escrita contábil regular para as pessoas jurídicas obrigadas e optantes. As demais pessoas jurídicas não obrigadas ao Lucro Real também podem optar por esta sistemática e as que não o apurarem deverão fazê-lo pelo SIMPLES ou pelo Lucro Presumido.
LUCRO REAL
Pessoas Jurídicas Obrigadas ao Lucro Real 
Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas (Lei nº. 9.718/98, artigo 14):
Cuja receita total, no ano-calendário anterior, seja superior ao limite de R$48.000.000,00 (este limite foi introduzido pela Lei nº. 10.637/02, art. 46), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a doze meses;
Cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta;
Que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;
Que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto;
Que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na formado art. 2º da Lei nº. 9.430, de 1996;
Que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (jactoring).
As pessoas jurídicas de que tratam os itens I, III, IV e V, excepcionalmente, poderão optar, durante o período em que estiverem submetidas ao Programa de Recuperação Fiscal - REFIS, pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.964/00). Apesar de estarem obrigadas ao Lucro Real, a legislação facultou a essas empresas a tributação pelo Lucro Presumido, desde que tenham aderido ao REFIS, que é um parcelamento especial, cujas prestações são calculadas em função do faturamento da empresa, as demais pessoas jurídicas não enquadradas nos itens I a VI podem optar pelo Lucro Real.
Conceito de Lucro Real
Conceitualmente o Lucro Real significa o próprio lucro tributável, para fins da legislação do imposto de renda, diferente do lucro líquido apurado contabilmente. De acordo com o artigo 247 do RIR/99, lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações previstas ou autorizadas pela legislação fiscal. A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das leis comerciais. 
O Lucro Líquido do Exercício referido no conceito acima é a soma algébrica do resultado operacional e de outros resultados. A apuração do Resultado do Exercício para fins de Imposto de Renda é diferente da apuração do Resultado do Exercício previsto na legislação societária. A grande diferença, além dos ajustes por adições e exclusões, está nas informações relativas às participações estatutárias sobre o lucro. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias (art. 190 da Lei nº. 6.404/76), bem como, as participações de debenturistas, no demonstrativo de resultados exigido pela legislação fiscal do imposto de renda, são informadas antes da provisão para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e antes da provisão para Imposto de Renda. Na legislação societária estas participações são informadas depois da provisão para o Imposto de Renda. Por esta razão, as participações de partes beneficiária e de administradores, que são indedutíveis no cálculo do Imposto de Renda, devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real, enquanto as participações de empregados e as atribuídas a debêntures de emissão da empresa não são ajustadas.
O imposto devido em cada período será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% sobre a base de cálculo, isto é, o Lucro Real. Existe, ainda, um adicional de 10% que será aplicado sobre a parcelado lucro real que excederão resultado da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número dos meses do respectivo período de apuração.
Ajustes por Adições
Uma das formas de ajustes efetuados sobre o lucro líquido do exercício são as adições. As adições são efetuadas por duas razões:
Existem valores que diminuem o resultado contábil do exercício como despesas registradas, que não são aceitas na legislação tributária, bem como, valores que, por diversas razões na forma da lei, deixaram de ser tributados no período de competência, tendo sido diferidos por determinado tempo e, findo este, são adicionados à base de cálculo.
Diversas normas e regras definem o tratamento fiscal das despesas. Estes valores que reduzem o lucro contábil, também reduzem o imposto de renda que incide sobre o lucro. 
De acordo com o RIR/99, arts. 247 e 274, § 1º, as pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no lucro real deverão apurar o lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições da Lei 6404/76 e modificações subsequentes, a qual será procedida no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda para a determinação do lucro real, observando-se que serão adicionados ao lucro líquido (RIR/99, art. 249): 
Os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; 
Os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. 
A apuração do lucro real, exige a apuração das demonstrações contábeis, ajustando-se o lucro líquido apurado no Demonstração de Resultado, após a Provisão para a CSSLL e antes da provisão para o IR, pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação. As adições, fundamentalmente, são representadas por despesas contabilizadas, porém não dedutíveis para a apuração do Lucro Real. 
Por exemplo, se uma pessoa jurídica apurar um lucro contábil de R$400.000,00, contabilizando despesas não dedutíveis, para fins fiscais, de R$80.000,00, deverá ajustar o lucro contábil, através do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), uma vez que este lucro não pode e não deve ser alterado contabilmente. Este ajuste é efetuado através de uma adição ao lucro contábil, de R$80.000,00, na Parte “A"do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Este ajuste mantém o lucro contábil em R$400.000,00, mas, para fins fiscais ele será de R$480.000,00, valor igual ao lucro contábil se houvesse a contabilização das despesas indedutíveis.
O LALUR é dividido em duas partes. A parte "A" é utilizada para apurar o Lucro Real do período, onde se efetuam as adições, exclusões e compensações. A parte "B" é utilizada para controle de valores que irão afetar o lucro real de períodos posteriores, não havendo a necessidade de qualquer controle,

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