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A análise do Capital de Giro foi profundamente impactada pelos estudos do financista Michel Fleuriet, em fins do século XX, que resultaram na formulação do chamado Modelo Fleuriet.
Elaborar o trabalho no máximo duas folhas onde: 
- Esclareça em que consiste tal modelo?
- Quais as vantagens e desvantagens de utilizar uma classificação gerencial no lugar da tradicional classificação contábil?
- Quais os seus limitadores interpretacionais?
Indicação de leitura para o trabalho:
As necessidades de Capital de Giro e as formas de seu gerenciamento variam conforme os diferentes setores de atuação e, dentro de cada setor, de acordo com a estratégia de cada organização. A composição de ativos e passivos circulantes, assim como a relação entre ativos circulantes e ativos totais também dependem da forma com que a organização pretende competir.
Para compreender este fenômeno e suas implicações, nesta unidade, estudaremos a dinâmica do Capital de Giro dentro do dia a dia das empresas. Aprenderemos, também, a determinar a estrutura financeira adequada a cada diferente abordagem das organizações.
A administração do Capital de Giro, ou seja, dos recursos necessários para o pleno funcionamento da organização, envolve basicamente as decisões de compra e venda tomadas pela empresa, bem como suas mais diversas atividades operacionais e financeiras. Nessa abrangência, coloca-se de forma nítida que a administração do Capital de Giro deve garantir a uma organização a adequada consecução da:
- Política de Estocagem;
- Compra de materiais e serviços;
- Venda de produtos e mercadorias;
- Prazo de recebimento
Na gestão do Capital de Giro, dois pontos extremamente importantes devem ser considerados, pois impõem um desafio para o administrador financeiro. Este que deve providenciar os recursos indispensáveis à sustentação das operações da organização, e, assim, obter os recursos de curto prazo que suprem as necessidades de capital. Clique nas legendas do gráfico para saber mais sobre esses os pontos.
Saiba Mais
Ciclos econômicos
Os volumes de vendas são afetados pelas condições gerais da economia, com impactos diretos nos níveis de estoque e contas a receber.
Picos sazonais
A sazonalidade específica do segmento (produto, localização física ou qualquer outro critério que diferencie significativamente as demandas da organização em determinados períodos). Nesses casos, normalmente, as organizações não têm sua capacidade produtiva dimensionada para picos sazonais. Assim, é normal que venham elaborando seus produtos (ou comprando-os) ao longo do tempo e mantendo-os em estoque, mas suas vendas somente ocorrerão em datas específicas. Exemplo: chocolate na páscoa.
Mas o que significa a Necessidade de Capital de Giro?
A Necessidade de Capital de Giro pode ser definida como os recursos satisfatórios para que a rotação do ativo circulante (giro) seja suficiente para pagar os compromissos registrados no passivo circulante nas datas dos seus respectivos vencimentos.
Necessidade de Capital de Giro
A Necessidade de Capital de Giro (NCG), também conhecida como investimento operacional em giro (IOG), é consequência do nível de atividade da empresa, variando com as vendas e com os ciclos de pagamento e recebimento (ciclo financeiro). A NCG é a diferença entre os ativos e passivos circulantes operacionais (ou cíclicos).
· Ativos Cíclicos (ou Operacionais): Correspondem às rubricas (saldos contábeis) de financiamentos espontâneos concedidos pela organização (contas a receber, estoques, adiantamento a fornecedores etc.).
· Passivos Cíclicos (ou Operacionais): Correspondem às contas principais de financiamentos espontâneos (renováveis, cíclicos) recebidos pela empresa (fornecedores a pagar, impostos a pagar, salários a pagar, alugueis a pagar etc). Não representam dívidas bancarias ou outras formas de captação onerosas (sujeitas a juros).
Com a NCG, é possível saber qual é o montante mínimo de Capital de Giro (recursos financeiros) que a organização precisa ter para sua operação funcionar e poder pagar suas dívidas de curto prazo, sem precisar recorrer a empréstimos bancários de curto prazo.
Considerando que a NCG é uma necessidade permanente da empresa, dado o seu caráter cíclico (itens vendidos do estoque são substituídos por outros, e novas vendas a prazo irão substituir o recebimento de vendas antigas), é razoável que o Capital de Giro seja financiado preferencialmente por recursos igualmente cíclicos (ou permanentes). No caso, ao adquirir uma mercadoria a prazo para revenda, esta nova dívida irá substituir a dívida antiga quitada.
A NCG é muito sensível às modificações que ocorrem no ambiente econômico em que a organização opera. Quando NCG é positiva, os ativos circulantes operacionais são maiores que os passivos circulantes operacionais. Um bom exemplo de empresas que apresentam NCG negativa são os estacionamentos pagos e as empresas de transportes coletivos, que dispõem de recursos pela venda de seus produtos antes de terem de honrar os pagamentos aos fornecedores. O quadro abaixo demonstra a segregação do ativo e do passivo circulantes operacionais para os ativos e passivos financeiros a partir de um balanço patrimonial.
Desta forma, quando saídas de caixa de origem operacional ocorrem antes das entradas das respectivas fontes de recursos cíclicos, é criada uma necessidade de aplicação permanente de fundos (NCG), representada pela diferença entre ativo cíclico e o passivo cíclico (resultado que represente a NCG negativa).
Em meio às constantes mudanças no ambiente econômico, a gestão do Capital de Giro da organização passa pela combinação das decisões que envolvem os seguintes fatores:
- Vendas
A NCG aumenta quando as vendas aumentam, permanece constante quando as vendas não oscilam, e reduz quando as vendas decrescem com variações diretamente proporcionais.
- Prazo concedido para os clientes
A NCG aumenta quando a empresa concede um prazo maior e vice-versa.
- Política de estocagem
A NCG aumenta quando a empresa aumenta o seu volume de estoques e vice-versa. Um nível de estoque além do necessário aumenta a NCG, dada a imobilização temporária de recursos.
- Prazos recebidos dos fornecedores
A NCG aumenta quando a empresa recebe um prazo menor e vice-versa.
Capital de Giro Líquido
O Capital Circulante Líquido (CCL) ou Capital de Giro Líquido (CGL) pode ser definido como a diferença entre (Patrimônio Líquido + Passivo Não Circulante) - (Ativo Não Circulante), que, de forma análoga, representa a diferença entre o Ativo Circulante - Passivo Circulante. Também podemos entender que representa os recursos de longo prazo demandados pela empresa para financiar suas necessidades operacionais.
Usando a estrutura do Balanço Patrimonial, uma vez mais, podemos representar o capital de giro graficamente como:
Saiba Mais
Alguns fatores influenciam diretamente a importância e o volume do Capital de Giro Líquido:
· o volume de vendas afeta o volume de estoque, o caixa e os recebíveis;
· a sazonalidade dos negócios;
· os fatores cíclicos da economia;
· as táticas comerciais que definem políticas de vendas, de crédito e de produção;
· a tecnologia, os custos e o tempo de produção.
Existe outra forma de classificarmos as fontes de recursos das organizações, além da tradicional que é segregar recursos próprios de recursos de terceiros. Esta classificação é: obrigações de curto prazo (Passivo Circulante) e obrigações permanentes (Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido).
Quando o total do Patrimônio Líquido supera ao do Ativo Não Circulante (Ativo Permanente + Ativo Realizável no Longo Prazo), temos uma situação de Capital de Giro Próprio. O CGP é o recurso próprio investido no giro, ou, se preferir, o capital próprio (Patrimônio Líquido) não investido a longo prazo. Esta é a forma de cobertura da NCG com recursos próprios.
As transações e os seus efeitos sobre o Capital de Giro
O CGL e a NCG aumentam ou diminuem conforme o andamento das transações da organização. Quanto maior o seu CGL, maior será sua liquidez e menor o risco da empresa se tornar insolventeno curto prazo.
As seguintes transações da organização podem aumentar o capital de giro:
· lucro não distribuído aos acionistas;
· capitalização (aporte de mais investimentos) por parte dos sócios, desde que não com ativos não circulantes;
· obtenção de recursos de longo prazo junto a terceiros;
· alongamento do perfil da dívida;
· transformação de Realizável a Longo Prazo em Ativo Circulante (valores a receber de longo prazo que, dada a sua data de vencimento, se constituem em curto prazo);
· venda de bens do Ativo Permanente (a vista ou a curto prazo).
Já as transações financeiras que podem reduzir o capital de giro são:
· distribuição de resultados aos acionistas, via dividendos ou juros sobre capital próprio;
· recompra de participações acionárias dos sócios;
· alienação de bens ou direitos do Ativo Circulante, com prejuízo;
· aquisições de ativos permanentes à vista ou com pagamento no curto prazo;
· concessão de créditos a longo prazo;
· pagamento de obrigações de longo prazo.
Saiba Mais
Alongamento do Perfil da Dívida
Uma das formas que as organizações encontram de equacionar a sua capacidade de pagamento com as necessárias amortizações (pagamentos) das dívidas é o alongamento de seu perfil.
O alongamento ocorre quando a empresa consegue negociar um prazo maior para o pagamento de seus compromissos e, consequentemente, adiando as saídas de caixa correspondentes, o que termina por elevar seu capital de giro. Embora essa melhora seja provisória, ajudará bastante até que a empresa se ajuste financeiramente.
Você sabia que as sociedades anônimas devem distribuir, obrigatoriamente, 25% de seu resultado, via dividendos, o que compromete o capital de giro da empresa? Acesse o site do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF) e saiba o que é melhor: receber por dividendos ou por Juros sobre o Capital Próprio (JCP).
As transações que não afetam o capital de giro são as seguintes:
· recebimento de duplicatas a receber;
· aquisição de mercadorias com pagamento à vista ou a curto prazo;
· alienação de bens e direitos circulantes com recebimento à vista ou a curto prazo;
· aquisição de bens e direitos não circulantes com pagamento a longo prazo;
· alienação de bens e direitos não circulantes com recebimento a longo prazo;
· capitalização da organização com bens e direitos não circulantes;
· conversão de obrigação de longo prazo em Capital.
Na grande maioria das organizações, as saídas de caixa ocorrem antes das entradas, criando, assim, uma necessidade constante de aplicação de recursos que se reflete no Balanço Patrimonial pela diferença positiva entre o valor das contas cíclicas do ativo e das contas cíclicas do passivo. Essas contas cíclicas são as contas diretamente ligadas à operação, e denominamos esta diferença entre as contas operacionais de Necessidade de Capital de Giro (NCG).
Resta-nos, pois, entender o comportamento dos demais ativos e passivos não cíclicos (ou não operacionais) que aqui denominaremos de financeiros.
1 - Saldo de Tesouraria
No estudo das finanças, o que representa a diferença entre Ativos Circulantes Financeiros e Passivos Circulantes Financeiros?
Em finanças, a diferença entre Ativos Circulantes Financeiros e Passivos Circulantes Financeiros significa o Saldo de Tesouraria, representado por (ST).
Assim, temos que:
- Ativos Erráticos (ou Financeiros)
Correspondem às rubricas de caixa, aos saldos bancários e às aplicações financeiras de liquidez.
- Passivos Erráticos (ou Financeiros)
Correspondem às rubricas de empréstimos e aos financiamentos de curto prazo, aqui considerados, também, os títulos descontados.
A existência de saldos negativos no Saldo de Tesouraria não resulta, obrigatoriamente, em uma situação financeira ruim. Em uma análise criteriosa, o que deve ser avaliado é a proporção do Saldo de Tesouraria negativa em relação à Necessidade de Capital de Giro e a tendência dessa relação. Se essa relação (ST/NCG.) for negativa e crescente, ao longo do tempo, indicará que a empresa está se desequilibrando e essa organização poderá ter sua própria sobrevivência ameaçada.
Assim, para que se evite que o Saldo de Tesouraria continue crescendo de forma negativa, faz-se necessário acompanhar a sua evolução. Se os lucros obtidos pela organização, que aqui chamaremos de autofinanciamento, não forem suficientes para cobrir o aumento da sua NCG, este desequilíbrio forçará seus dirigentes a recorrerem a recursos onerosos externos, que podem ser empréstimos de curto ou longo prazos ou até a um aumento de capital por parte dos sócios.
Observação
Alguns autores consideram como Passivos Erráticos os dividendos já deliberados e ainda não pagos, assim como os mútuos concedidos por sócios e empresas controladas e coligadas (que contabilmente são apresentados em Passivo não Circulante). Em nosso entendimento, tal postura está correta por refletir mais precisamente a situação financeira da organização.
2 - Efeito Tesoura
O Efeito Tesoura ocorre quando uma organização aumenta consideravelmente o nível de suas operações de produção e vendas, sem que hajam recursos para bancar a decorrente elevação da NCG. Empresas nesta situação necessitam captar recursos a curto prazo no sistema financeiro, onde as taxas de juros são punitivas.
No caso de empréstimos para custear a elevação da NCG, o Saldo de Tesouraria (ST) torna-se negativo e cresce proporcionalmente mais do que a NCG.
A consequência para a organização, se a situação não for replanejada, é a elevação de suas despesas financeiras a níveis que ela não conseguirá suportar, o que poderá conduzi-la à insolvência ou mesmo ao encerramento de suas atividades.
3 - Coeficientes de liquidez dinâmica
À luz da abordagem proposta por Fleuriet, vamos verificar algumas formas de se estudar a liquidez sob o ponto de vista dinâmico.
Os indicadores denominados de indicadores de liquidez dinâmica procuram demonstrar a evolução da capacidade de pagamento da organização, valendo-se do acompanhamento do Capital de Giro Líquido (CGL), da Necessidade de Capital de Giro (NCG) e do Saldo de Tesouraria (ST). Veja a seguir os principais indicadores de liquidez dinâmica.
Coeficiente do Efeito Tesoura
Pondera o Saldo de Tesouraria em relação às Receitas de Vendas da organização, indicando a tendência da organização ao Efeito Tesoura. Quanto mais negativo o indicador, maior esta tendência.
Coeficiente de Equilíbrio Financeiro
Apresenta o nível de folga financeira da organização ao correlacionar o Capital de Giro Líquido com as Receitas de Vendas.
Visando evitar um efeito tesoura constantemente crescente, a organização deve planejar a evolução do seu Saldo de Tesouraria. Tal projeção depende de variáveis que afetam a Necessidade de Capital de Giro e a expectativa de lucro (autofinanciamento). Ambos são consequência direta do nível da atividade da empresa.
Observa-se, ainda, que as decisões estratégicas que envolvem novos investimentos em bens do ativo permanente financiados por empréstimos a longo prazo devem passar pela a avaliação dos resultados produzidos por tais decisões na evolução da Necessidade de Capital de Giro da organização.
Aula 3 – Estrutura financeira e de liquidez
Ao fazermos as diversas combinações entre a Necessidade de Capital de Giro (NCG), o Saldo de Tesouraria (ST) e o Capital de Giro Líquido (CGL), veremos ser possíveis seis combinações diferentes de Estrutura Financeira e de Liquidez, cada uma com impactos diretos sobre a gestão financeira da organização.
Ao constatarmos diferentes Estruturas Financeiras e de Liquidez, é possível presumir a solidez financeira de uma organização?
Sim, é possível sintetizarmos em uma matriz as diversas combinações entre Capital de Giro Líquido (CGL), Necessidade de Capital de Giro (NCG) e Saldo de Tesouraria (ST), inferindo sobre a solidez financeira da empresa.
- situação excelente
- situação sólida
- situação satisfatória
- situação de alto risco
- situação muito ruim
- situação péssima
- matriz de estruturas financeiras e de liquidez:
Vimos que diferentes estruturas financeirassão consequência de decisões que envolvem a gestão das finanças da organização, resultando em diferentes pressões sobre o Capital de Giro Líquido (CGL), a Necessidade de Capital de Giro (NCG) e o Saldo de Tesouraria (ST).
Importante
Estrutura de Liquidez: limitação de análise
É importante salientar que estamos calculando a Estrutura de Liquidez a partir de saldos de balanço. Cabe lembrar que um balanço patrimonial é a “fotografia” da situação contábil em um determinado momento, portanto, pode não representar o status financeiro da organização ao longo do período que se pretende analisar.
A dinâmica dos negócios faz com que estes saldos mudem dia a dia, o que tornaria esta metodologia de apuração inócua, ou seja, sem efeito.
Para contornar tal problema, é possível proceder a uma análise de melhor qualidade com a utilização dos saldos médios das contas e não dos saldos de final de período.
Encerramento
Como sabemos qual a Necessidade de Capital de Giro (NCG) de uma organização?
Calculando a diferença entre os ativos operacionais e os passivos operacionais.
Como é apurado o Capital de Giro Líquido (CGL)e o Saldo da Tesouraria (ST)?
O Capital de Giro Líquido (CGL) é calculado a partir da diferença entre Ativo Circulante e Passivo Circulante. Já o Saldo de Tesouraria (ST) é apurado pela diferença entre os ativos financeiros e passivos financeiros.
Como definir a melhor estrutura financeira e de liquidez? 
A estrutura considerada excelente é aquela que apresenta o Capital de Giro Líquido (CGL) positivo, a Necessidade de Capital de Giro (NCG) negativa e o Saldo de Tesouraria (ST) positivo.

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