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Centro Universitário Maurício de Nassau 
 
 
LUCAS NOGUEIRA DA SILVA 
 
 
MODALIDADES 
 DE 
 USUCAPIÃO 
 
 
 
 
 
FORTALEZA 
2026 
 
 
Usucapião e suas Modalidades 
 
O conceito de usucapião é um meio legal de aquisição da propriedade de bens, sejam 
móveis ou imóveis, através do exercício contínuo da posse, conforme os prazos estabelecidos 
pela legislação. Esse conceito originou-se no Direito Romano, visando regularizar a situação 
de indivíduos que, devido a irregularidades na aquisição de bens, buscavam formalizar sua 
nova condição patrimonial em conformidade com as normas da época. 
Por meio da usucapião, ao atender às condições de prazo, continuidade e ausência de 
contestação, o possuidor tem o direito de solicitar ao juiz que reconheça, por meio de uma 
sentença, sua posse ad usucapionem. Essa decisão judicial funciona como um título para 
registro no cartório de imóveis. 
 
Modalidades 
 
Usucapião extraordinária 
 
Até a promulgação do Código Civil de 1916, não se admitia a usucapião sem a presença 
de boa-fé por parte do possuidor, independentemente do tempo de exercício da posse. Com a 
entrada em vigor desse Código, passou-se a permitir a aquisição da propriedade mesmo sem 
título e sem boa-fé, dando origem à chamada usucapião extraordinária, considerada a forma 
mais frequente desse instituto. Essa modalidade foi prevista no art. 550 do Código Civil de 
1916, exigindo, inicialmente, a posse contínua, sem interrupções ou oposição, pelo período de 
30 anos, acompanhada do ânimo de dono. 
Posteriormente, a Lei nº 2.437, de 1955, reduziu esse prazo para 20 anos, preservando 
os demais requisitos necessários para a aquisição do domínio. Já o Código Civil de 2002 
disciplinou a matéria no art. 1.238, estabelecendo novo prazo de 15 anos para a configuração 
da usucapião extraordinária. No parágrafo único do artigo 128 do NCC, fala que “se o 
possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou 
serviços de caráter produtivo”. o prazo exigido para a usucapião extraordinária baixa para 
prazo de 10 anos. 
 
 
Usucapião extraordinária de bens móveis 
São formas de aquisições de propriedade pela posse prolongada, exigindo prazo de 5 
anos de posse contínua, ininterrupta e incontestada, independentemente de justo título ou boa-
fé (Art. 1.261, Código Civil). Diferencia-se pela dispensa de documentos formais, sendo 
comum em casos de veículos ou objetos obtidos sem contrato 
 
Usucapião ordinária 
A usucapião ordinária é regulada pelo Art. 1.242 do Código Civil (Lei 10.406/2002), 
exigindo posse contínua e incontestada por 10 anos, justo título (documento) e boa-fé. O prazo 
reduz para 5 anos se houver moradia ou investimento social, e a aquisição for onerosa com 
registro posteriormente cancelado. 
 
Usucapião ordinária de Bens móveis 
(Art. 1.260 do Código Civil) permite adquirir a propriedade de bens móveis (veículos, 
máquinas etc.) após prazo de 3 anos de posse contínua, incontestada (mansa e pacífica), com 
boa-fé e justo título. É uma forma de regularizar a posse com base em documentos 
incompletos ou falhos. 
 
Usucapião especial urbana 
O art. 183 da Constituição Federal, o art. 9º do Estatuto da Cidade e o art. 1.240 do 
Código Civil em vigor disciplinaram tal modalidade de usucapião, estabelecendo este último 
que: “Art. 1.240 - Aquele que possuir como sua área urbana até duzentos e cinqüenta metros 
quadrados, por um prazo de cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para 
sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de 
outro imóvel urbano ou rural”. Os requisitos para a usucapião especial urbana são, portanto, 
área urbana máxima de 250m², a utilização como moradia, a posse tranquila e sem oposição 
e não possuir o requerente outro imóvel. 
 
Usucapião especial rural 
 O art. 191 da Constituição Federal dispõe sobre a usucapião rural: “Aquele que, não 
sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, 
sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinqüenta hectares, tornando-a 
produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela moradia, adquirir-lhe-á a 
propriedade”. 
 O referido dispositivo legal foi reproduzido no art. 1.239 do novo Código Civil, e 
prestigia o possuidor de terreno não superior a cinquenta hectares que há mais de cinco anos 
lavra a terra e nela mora com a família, dando inequívoca 'nalidade social a terra. 
Usucapião especial familiar 
A usucapião familiar (Art. 1.240-A do Código Civil) permite adquirir integralmente um 
imóvel urbano de até 250m² se o ex-cônjuge/companheiro abandonar o lar por 2 anos 
ininterruptos e sem oposição. Requer posse direta, exclusiva, uso para moradia e que o 
requerente não possua outro imóvel. 
“Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos, ininterruptamente e sem 
oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e 
cinqüenta metros quadrados) cuja propriedade dívida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que 
abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio 
integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1º O direito 
previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez”. 
Essa modalidade soluciona situações em que um dos cônjuges ou companheiros 
abandona o lar conjugal, sem renunciar ou partilhar o bem comum. 
Usucapião coletiva 
Usucapião coletiva é um instrumento jurídico (Lei 10.257/01) que permite a 
populações de baixa renda adquirirem a propriedade de terrenos urbanos ocupados para 
moradia. Requer posse ininterrupta por 5 anos, área precisa ser menor que 250m² 
impossibilidade de identificar a fração individual de cada possuidor e que os ocupantes não 
possuam outro imóvel. 
Usucapião indígena 
Tal modalidade especial de usucapião acha-se regida pela Lei nº. 6.001/73 que, em seu 
artigo 33, estabelece:“O índio, integrado ou não, que ocupe como próprio, por dez anos 
consecutivos, trecho de terra inferior a cinqüenta hectares, adquirir-lhe-á a propriedade 
plena”. Caso o indígena esteja reintegrado à comunhão nacional ou tenha êxito em sua 
solicitação da liberação da tutela, poderá diretamente propor a ação de usucapião, ou, então, 
deverá fazê-lo com a assistência da FUNAI. Deve o índio possuir a área rural, inferior a 50 
hectares, como sua, por um período de 10 anos consecutivos.

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