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## Resumo da Apostila: Introdução ao Projeto Geométrico de Rodovias (Parte 1)A apostila elaborada pelo professor Shu Han Lee, com colaboração de Caroline Antunes Bucciano e Camille Ghedin Haliski, apresenta uma introdução detalhada ao projeto geométrico de rodovias, focando nos procedimentos analíticos para definição dos parâmetros geométricos essenciais ao planejamento rodoviário. Destinada a alunos de graduação em Engenharia Civil e Engenharia de Produção e Sistemas da UFSC, a publicação aborda conceitos fundamentais, sem aprofundar temas como o projeto geométrico de interseções, que ficam para outras etapas do curso. A obra está organizada para facilitar o aprendizado inicial, com base em referências especializadas, e será disponibilizada em formato digital e impresso, com planos de futura publicação como livro didático.### Organização do Setor Rodoviário no BrasilO texto inicia com uma análise histórica e institucional do setor rodoviário brasileiro, destacando a criação do Fundo Rodoviário Nacional (FRN) em 1945, por meio do Decreto-Lei nº 8.463, conhecido como Lei Joppert. Este fundo foi fundamental para o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária, financiado por tributos específicos sobre veículos automotores e combustíveis, garantindo recursos exclusivos para construção, conservação e melhorias das rodovias. A estrutura administrativa foi organizada em níveis federal, estadual e municipal, com órgãos específicos para formulação e execução das políticas rodoviárias, como o Ministério dos Transportes e o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) no âmbito federal, e os Departamentos de Estradas de Rodagem (DER) nos estados.Entretanto, a partir da década de 1970, o modelo de financiamento sofreu alterações significativas, com a transferência gradual dos recursos do FRN para outros fundos e a proibição constitucional, em 1988, da vinculação de receitas tributárias a órgãos específicos (exceto educação). Isso resultou em escassez de recursos para o setor, que passou a depender de orçamentos gerais e financiamentos externos, além de buscar alternativas como concessões à iniciativa privada e propostas de novos tributos vinculados à infraestrutura viária. A organização pública do setor mantém a divisão entre formulação e execução das políticas, com repasses financeiros baseados em critérios técnicos e populacionais, e a necessidade de atualização constante dos planos rodoviários estaduais e municipais para garantir o recebimento dos recursos.### Plano Nacional de Viação e Classificação das RodoviasA apostila destaca a importância dos Planos Nacionais de Viação (PNV), que desde a década de 1930 vêm orientando o desenvolvimento integrado dos sistemas de transporte no Brasil. O II PNV, instituído em 1964, e o III PNV, de 1973, estabeleceram diretrizes para a coordenação entre os sistemas federal, estadual e municipal, e entre os diferentes modais de transporte. O PNV define o Sistema Nacional de Viação como composto pelos subsistemas rodoviário, ferroviário, portuário, hidroviário e aeroviário, incluindo tanto a infraestrutura quanto as operações necessárias.No que se refere às rodovias, a nomenclatura oficial adotada pelo DNER desde 1964 segue um critério geográfico para as rodovias federais, utilizando a sigla "BR" seguida de um número de três dígitos. O primeiro dígito indica a categoria da rodovia (radial, longitudinal, transversal, diagonal ou de ligação), enquanto os dois últimos indicam a posição relativa da rodovia no território nacional, em relação a Brasília. Essa sistemática facilita a identificação da localização e do traçado das rodovias federais, embora perca utilidade para rodovias estaduais e municipais, devido à diversidade geográfica e administrativa desses níveis.Além da nomenclatura, a apostila aborda a classificação funcional das rodovias, que se baseia nas funções de mobilidade e acessibilidade que cada via oferece. Essa classificação hierárquica divide as rodovias em três sistemas funcionais principais:- **Sistema Arterial:** Rodovias que priorizam a mobilidade, atendendo a viagens longas e inter-regionais, conectando grandes centros urbanos e regiões importantes.- **Sistema Coletor:** Rodovias que combinam mobilidade e acesso, servindo a viagens intermediárias e conectando cidades de porte médio.- **Sistema Local:** Rodovias que priorizam o acesso, atendendo a viagens curtas e áreas rurais ou pequenas localidades.A análise funcional considera também conceitos como extensão de viagem e rendimentos decrescentes, que refletem a distribuição desigual dos fluxos de tráfego na rede rodoviária. A curva de rendimentos decrescentes mostra que uma pequena parcela da rede (arterial) suporta a maior parte do tráfego, enquanto a maior parte da extensão da rede (local) atende a volumes menores. Essa classificação é fundamental para o planejamento racional da expansão da rede, a definição de responsabilidades administrativas e a alocação eficiente de recursos financeiros.Por fim, a apostila introduz a classificação técnica das rodovias, que orienta o projeto geométrico propriamente dito, definindo dimensões e configurações espaciais adequadas para atender à demanda prevista e às funções específicas da via. Essa classificação técnica é distinta da nomenclatura e da classificação funcional, pois está diretamente relacionada aos parâmetros de projeto, como largura, raio de curvas, superelevação, entre outros, que serão detalhados nas partes seguintes da apostila.---### Destaques- O Fundo Rodoviário Nacional (FRN), criado em 1945, foi crucial para o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária brasileira, financiado por tributos específicos.- A organização do setor rodoviário divide-se em níveis federal, estadual e municipal, com órgãos distintos para formulação e execução das políticas.- A nomenclatura das rodovias federais segue um sistema geográfico que facilita a identificação da localização e categoria das vias.- A classificação funcional das rodovias baseia-se nas funções de mobilidade e acesso, dividindo a rede em sistemas arterial, coletor e local, conforme o tipo de serviço prestado.- A classificação técnica orienta o projeto geométrico das rodovias, definindo parâmetros para garantir a adequação da via à demanda e às funções previstas.