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Jessica Hasse Fermentacao Natural s s Manua l Comp l e t o Parte 1 - LEVAIN Introdução ....................................................................... 1 Produção do levain ........................................................ 2 O que é o glúten? ........................................................... 3 Sensibilidade ao Glúten ........................................ 4 Benefícios dos Pães de Fermentação Natural ............. 7 Produção do levain sem glúten ..................................... 9 Materiais necessários ............................................ 10 Passo a passo .................................................................. 12 Dia 01 ........................................................................ 12 Dia 02 ........................................................................ 13 Dias 03/04/05/06 ....................................................... 13 Produção dos pães e manutenção do levain ................ 19 Preparando o levain para o pão .................................... 21 Situação mais corriqueira da produção ........................ 23 Resumo ............................................................................ 25 Informações Adicionais .................................................. 26 Sumário clicável. http://mat/ Introdução O primeiro passo na sua produção de pães de fermentação natural vai ser a aquisição ou produção do seu levain (a pronúncia correta é le-van). O levain nada mais é que um ambiente simbiótico colonizado por bactérias e fungos naturais do ambiente em uma mistura de farinha e água, a partir do qual, seus habitantes podem fazer o consumo dos açúcares (carboidratos) das farinhas a fim de se manterem vivos. No seu processo de digestão desses açúcares, esses microrganismos devolvem ao ambiente colonizado o gás carbônico, responsável pelo crescimento das massas. Promovem também um ambiente com baixo pH, o que mantém afastado dos nossos pães possíveis organismos patógenos (fungos que deterioram o alimento ao invés de fermentá-lo), prolongando assim de forma natural a durabilidade desses produtos. Meu levain =]) 1 Produção do Levain Controlando a Contaminação Entretanto, apesar de nosso objetivo com o levain ser introduzir de forma natural fungos e bactérias à essa mistura de farinha e água, é comum que aconteça desses organismos patógenos, que também são fungos e bactérias não desejados, colonizarem nosso levain antes dos desejados. Como asseguramos então o controle disso? A primeira opção seria conseguir aquilo que chamamos de “muda” ou “isca” de fermento de alguém que já possui um levain devidamente colonizado por boas bactérias e fungos, e seguir alimentando nosso próprio levain a partir dessa muda. Como essa opção, apesar de solucionar o problema da contaminação, não é a mais fácil de ser conseguida, principalmente quando falamos da fermentação natural sem glúten, é necessário que sigamos o segundo caminho, que é o da produção do nosso próprio levain do zero, tomando alguns cuidados para que este se desenvolva adequadamente. 2 O Universo Sem Glúten Mas afinal, o que é o glúten?1. O glúten nada mais é que a junção de Gliadina e Glutenina, que são parte das proteínas de reserva (aquelas utilizadas para a germinação do grão quando em contato com o solo) encontrada nos grãos de trigo, e de alguns outros cereais como a cevada e o centeio. Essas proteínas podem compor em até 85% do teor proteico dos grãos de trigo, e é justamente a maior ou menor disponibilidade delas que resulta em farinhas de diferentes tipos e “força” (W) de acordo com cada uso na culinária (pães, bolos, massas, biscoitos). Quando em contato com a água, a gliadina e a glutenina se aglomeram, resultando em uma mistura de bastante extensibilidade (graças à gliadina), elasticidade e viscosidade (conferidas pela glutenina), unindo os grânulos de amido da mistura, e conseguindo reter maior quantidade de CO2. Com o aumento da produção e consumo mundial de trigo das últimas décadas, a necessidade de assegurar a maior produção agrícola do trigo plantado, fez com que o melhoramento genético acontecesse, e grãos com maiores teores de proteína de reserva passassem a ser selecionados para o plantio, chegando assim a um trigo com maior teor de gliadina e glutenina atualmente em comparação ao produzido cerca de 40 anos atrás. 3 2. Sensibilidades ao Glúten Ao mesmo tempo, uma maior parte da população tem experienciado efeitos negativos associados ao consumo do trigo e do glúten. Hoje, três tipos de sensibilidades são conhecidos e associados ao seu consumo: a doença celíaca, a alergia ao trigo, e a intolerância não celíaca ao glúten. Na doença celíaca, uma doença autoimune, as vilosidades do intestino sofrem atrofia, dificultando a digestão de alimentos, resultando em uma gama de sintomas de inflamação, que podem ir desde a diarreia – causada pela má digestão de gorduras pela falta de vilos - e desnutrição na infância, até a sintomas de dermatites tópicas manifestadas em partes do corpo. A doença celíaca é hereditária e está associada a uma sensibilidade a gliadina, e cerca de 1-3% da população mundial são afetados por ela. Exames de biopsia para investigação da atrofia dos vilos são necessários para o diagnostico da doença. Já na alergia ao trigo, da mesma forma que acontece com outras alergias alimentares, os sintomas respiratórios e tópicos, como o surgimento de coceiras e erupções na pele, espirros, falta de ar, corrimento do nariz, náuseas, dores de estômago e de cabeça, são os mais comuns. Nesse caso, o corpo aumenta a produção de anticorpos IgE em questão de minutos ou poucas horas após consumir derivados do trigo. 4 Normalmente identificada através de exames laboratoriais, a alergia ao trigo pode ser derivada de qualquer uma das proteínas presentes nele, e sua ocorrência pode depender de outros fatores, como por exemplo a dose ou o estado imunológico do seu corpo. A identificação clínica dos sintomas em associação aos exames laboratoriais define a alergia, que ocorre em cerca de 0,3-1% da população. No terceiro tipo de sensibilidade, a intolerância não celíaca ao glúten pode afetar cerca de 0,5-13% da população geral e seu diagnostico é definido com base na melhora clínica de sintomas após a retirada dos derivados de glúten, sendo de difícil confirmação por serem muitas vezes semelhantes aos sintomas de outras condições gastrointestinais, como por exemplo, a síndrome do intestino irritável. Além disso, não existe uma conclusão acerca dos potenciais gatilhos, sendo variável de pessoa a pessoa a gama e intensidade de sintomas. Entre alguns dos sintomas podemos listar o estufamento e irritabilidade intestinal, dores no abdome, constipação, inchaço e edema, e sintomas menos usuais como a “mente enevoada”, descrita como a inabilidade em se concentrar e armazenar memorias, assim como cansaço, dores de cabeça, ansiedade, letargia, dores nos músculos e articulações, dermatites e coceiras. Todos os esses sintomas não são excludentes de outras condições e, portanto, a sensibilidade não celíaca não é considerada por si só uma doença. 5 Com isso, tem-se popularizado dietas em que são excluidos os produtos a base de trigo, de modo a favorecem a melhora dos sintomas acima listados. Fica claro que, nem todo mundo possui a necessidade dessa exclusão (são poucos os que possuem alergias graves), mas que uma parcela grande da população pode ser beneficiada pela redução de seu consumo, ou pelo menos, em priorizar o consumo de produtos derivados de trigo de melhor qualidade. Em poucas décadas, a praticidade trazida pela indústria alimentícia com produtos a base de trigo prontos para consumo nas prateleiras dos supermercados fez com que um aumento significativo no montante de trigo consumido pelo brasileiro médio acontecesse, ao mesmo tempo em que caminhamos em direção a um estilo de vida cada vez mais sedentário. A associação conjunta de todos esses fatores contribuiu para que o trigo fosse associado comovilão das dietas, apontado muitas vezes como o principal causador do aumento de peso na população. Tornar um alimento o responsável isolado por uma condição multifatorial é, além de uma estratégia totalmente errônea, algo perigoso nos dias atuais, em que um excesso de informações falsas pode ser facilmente veiculado e entregue às pessoas com menor senso crítico, tomando a informação como verdade absoluta. 6 Benefícios dos Pães de Fermentação Natural Fato é, os pães de fermentação natural, sejam eles a base de trigo ou não, podem sim ser incorporados na alimentação de pessoas saudáveis e com um estilo de vida ativo, e além de funcionarem como alimento fonte de energia, podem contribuir também para a melhora da saúde do indivíduo através da recolonização de uma microbiota mais saudável pelo consumo de bactérias benéficas (probioticas), como as produtoras de ácido lático, encontradas já no levain, associadas a uma dieta de alto consumo de fibras vegetais (prebioticos). Outro beneficio da produção artesanal de pães naturalmente fermentados é sem dúvidas a presença no processo. O alto grau de atenção e tempo requeridos no processo de produção pode facilmente ser classificado como um exercicio de mindfullness, ou meditação, que tem comprovação cientifica no alivio de sintomas de ansiedade e confusão mental. Além disso, por se tratar de um processo significativamente mais demorado do que o simples ato de abrir uma embalagem de supermercado, passamos naturalmente a valorizar o resultado final obtido da produção de nossos próprios pães, consumindo uma menor quantidade de produtos a base de trigo prontos para consumo em consequência. 7 E no jeito Clubinho de ser, depois de provar algo realmente bom, é muito dificil você se contentar com o mediano, e nisso, nossos próprios pães serão sempre muito mais saborosos, pois além de utilizarmos os melhores temperos, utilizamos também o ingrediente único e insubstituível quando se fala em saudável de verdade: o cozinhar com amor. 8 Produção do Levain Sem Glúten Materiais Necessários Mesmo que você e sua familia não sejam intolerantes ao glúten, celiacos ou alérgicos ao trigo, recomendo que o seu primeiro levain seja produzido a partir de uma mistura de farinhas sem glúten. Depois de fazer diversos testes com farinhas variadas, casas diferentes (microrganismos presentes diferentes), temperaturas, tipos de água e afins, percebi que, quando iniciamos o processo de feitio do levain a partir do trigo, o risco de contaminação por microrganismos patógenos é sempre maior, independente das condições de ambiente. Sem comprovação científica, assumo que essa maior incidência de contaminação seja derivada da produção de trigo em uma escala muito maior, passando por mais lugares, etapas e processos que as farinhas sem glúten, e carregando naturalmente consigo mais fontes de patógenos da origem. 9 Dito isso, para iniciar o seu levain sem glúten você precisará de: Balança de cozinha com medida em gramas; Água mineral ou água natural filtrada sem cloro em temperatura ambiente A água convencional tratada de “torneira” possui, além do cloro, outros agentes de limpeza e purificação adicionados de modo a serem removidas não apenas as sujidades visíveis, mas também, os microorganismos invisiveis, como vírus e bactérias. Como não se faz distinção entre quais desses organismos serão mortos pelos agentes bactericidas adicionados no tratamento da água, os nossos microrganismos “do bem” também não conseguem se proliferar quando utilizamos a água tratada para a produção do levain; Farinha de arroz branca – A farinha de arroz acaba sendo a alternativa mais em conta na substituição à farinha de trigo, além de ser também a mais facilmente encontrada. Aqui optamos pela versão refinada ao invés da opção integral, pois sem as fibras, uma maior quantidade de amido estará livre para que nossos amigos possam se alimentar com maior facilidade, e assim se desenvolverem mais rápido; Farinha de aveia – Já a farinha de aveia entra na nossa mistura como um complemento nutricional à farinnha de arroz. Sabe-se que celíacos devem evitar o consumo também da aveia pela compartilhamento de espaços na produção e manufatura dessa com o trigo, resultando assim na contaminação da aveia com o glúten. 10 Entretanto, a alternativa de aveia livre de contaminação já é uma realidade, e para pessoas que não possuem a doença celíaca ou a alergia ao trigo, o consumo da aveia comum é possivel; Vidro de armazenamento compatível com a produção (entre 250-500ml) – vidros que possam ser devidamente esterilizados para evitar a contaminação do conteúdo por possiveis microrganismos. Os vidros devem possuir tampa, pois em algumas ocasiões pode ser interessante que o frasco seja completamente vedado (explico mais a seguir). 11 Passo a Passo Tenha em mente que o plano inicial de desenvolvimento de um levain forte levará cerca de 5-7 dias, e que quanto maior o número de alimentações e mais tempo de feito seu levain tiver, mais forte ele estará. Essa “força” do levain é referente ao número total de cepas que virão a ter colonizado o ambiente: quanto maior a cultura, mais rapido eles consomem os açúcares, e mais gás carbonico eles liberam. DIA 01 Lave bem o vidro e a tampa (não plástica) em água corrente, e em uma panela maior, leve para ferverem por cerca de 15min. Cuidado ao retirar da água. 1. Deixe esfriar sobre a bancada, em um local limpo, tomando o cuidado de não apoiar o vidro quente sobre a pedra se for o caso, para evitar o choque térmico e ruptura desse vidro. Não use panos de prato já utilizados antes para secá-los (você poderá reintroduzir colônias de bactérias ao fazer isso). 2. Com uma colher de inox, adicione ao vidro 50g de farinha de arroz branca com 50g de farinha de aveia, e 100g de água natural filtrada. 3. Misture muito bem com essa colher de inox. 4. Com uma espátula limpa, limpe as laterais do vidro de modo a evitar que fique residuos acumulados nas lateriais internas do frasco. 5. Cubra com papel toalha fixado por borracha OU por um pano tipo voal, e deixe em um canto da cozinha que seja bem ventilado, mas que não tenha a luz direta sobre ele. Não guarde no armário. Se tiver um espaço menos utilizado na bancada, pode até ser perto da airfryer ou fogão, utilize-o. 6. 12 DIA 02 Retire do vidro do dia 01 cerca de 100g da mistura original. Essa quantidade pode ser guardada na geladeira para ser depois utilizada em outras receitas com outros fins (é só farinhas e água!). Recoloque no vidro novas 50g de água natural filtrada, e com um garfo ou colher em inox, incorpore bem a mistura. 1. Adicione ainda 25g de farinha de aveia e 25g de farinha de arroz, limpe as laterais internas com a espatula limpa, cubra com o papel toalha e prenda com o elástico. 2. Marque com uma canetinha a altura do nivel ao final dessa mistura, pra que você possa acompanhar o crescimento desse fermento. 3. Levain sem gluten depois de 2 ou 3 dias 13 DIAS 03/04/05/06 (repetir em todos) Entre os dias 03-06 você deve, diariamente, repetir o processo explicado no dia 02, de modo a manter seu fermento constantemente alimentado, renovar a instrodução de culturas nele (através da mistura), e manter um volume de cerca de 200g de levain sendo produzido. Os descartes não são reaproveitados aqui, mas podem ser utilizados em outras receitas, como a do waffle de levain. Durante esse período, algumas coisas podem acontecer: Pode ser que no segundo ou terceiro dia seu levain já esteja produzindo bastante CO2 e dobrando de tamanho rapidamente. 7 dia 14 Nesse caso, é provável que você precise alimentar ele mais do que uma vez ao dia, repetindo o processo do dia 02. Isso acontece pois em farinhas mais puras e cozinhas com rotina alimentar já bastante livre de conservantes (muitas frutas, legumes, verduras), o próprio ambiente já conte com a presença de bons microganismos no ar, que poderão rapidamente adentrar a nossa mistura de farinha e água. Apesar disso, não recomendo produzir oseu pão com poucos dias do fermento produzido, pois o maior número de alimentações é o que deixará ele devidamente forte para consumir o maior volume de amidos do pão. Caso aconteça isso, apenas aumente o número de alimentações diárias para 2, e mantenha o processo até o quinto dia. Outro fato que pode acontecer associado a esse rápido desenvolvimento do fermento é que eventualmente ele comece a “passar fome”, e vai parecer ter morrido, não estará mais reativo após alguma alimentação. Isso geralmente ocorre quando, depois de ter dobrado de tamanho no segundo ou terceiro dia, prolongamos a próxima alimentação, algumas cepas podem se sobressair em relação a outras, tornando o meio ácido e impedindo que essas outras se desenvolvam. 15 O mesmo fenômeno também será observado quando seu levain estiver a muitos dias em geladeira sem ser alimentado: você eventualmente decide fazer um pão, tira ele para ser alimentado e percebe não ter tido reação alguma ou muito pouca nas proximas horas ou mesmo no dia seguinte. Nesse caso, iremos realimentar nosso levain com uma maior frequencia, mantendo ele em “cativeiro” por um certo periodo: adicione inicialmente uma nova mistura (sem que ocorra a retirada de parte do levain) com 50g de água natural filtrada, incorpore ao levain original, e acrescente 25g de farinha de aveia e 25g de farinha de arroz. Sintomas comuns de serem identificados nessa fase são a formação de poucas bolhas, uma sedimentação exacerbada dos sólidos com ascenção de água, o início de um aroma avinagrado, e uma textura mais liquida na mistura. 16 Misture bem com uma colher limpa de inox, limpe as paredes com a espátula limpa e vede o vidro com a tampa. Vai ser importante que nesse momento limitemos a troca de gases do ambiente do vidro com o externo, pra que forcemos a restruturação das cepas que foram antes diminuidas pelo meio mais ácido. Caso você perceba que a mistura, depois de 6-8h teve uma pequena produção de bolhas, mas que o aspecto é ainda bastante liquido, retire 100g dela, e alimente agora com 70-80g de farinha de arroz e aveia somadas, contra apenas 20-30g de água (a depender de quão liquido estiver). Limpe as laterais internas do pote e vede a tampa mais uma vez. Aguarde cerca de 12h para identificar a volta das atividades do levain. Se ele for reagir, será nesse momento. Depois disso, é só voltar às alimentações convencionais (retira 100g e repõe com novas 100g misturadas, diariamente ou a cada vez que dobrar de tamanho, até o final dos 6 dias). 17 O terceiro caso curioso que pode surgir durante seu processo de produção do levain entre os dias 02-06 é a contaminação do ambiente por microrganismos patógenos: fungos que se manifestam na forma de bolor/mofo. Isso pode acontecer por alguns motivos, como baixa disponibilidade de bons microrganismos no ambiente, ou mesmo a alta disponibilidade dos ruins, sendo assim mais fácil para eles dominarem o conjunto, pela contaminação das farinhas ou água utilizadas, ou mesmo pela não esterilização correta do vidro. Aqui, precisamos descartar o levain e iniciar o processo do zero mais uma vez. Caso você reinicie o processo utilizando as mesmas farinhas e a mesma água, e o problema volte a acontecer, a hipótese que se mantém é de que as farinhas e/ou a água estão ocasionando a contaminação e precisam ser, uma a uma, substituídas (até que o fermento se desenvolva). 18 Produção de Pães e Manutenção do Levain Passados os 06 dias de alimentação, com seu fermento agora forte, passamos a fase de produção de pães e de manutenção do levain. Ao final do sexto dia você terá sua isca de fermento com 200g. Sugiro que nesse momento, você dobre essa quantidade, alimentando o fermento com 100g de água natural filtrada + 50g farinha de arroz e 50g farinha de aveia. Limpe as laterais internas com a espátula limpa, cubra com o papel toalha ou voal, ou agora com a tampa apenas sobreposta sobre ele, e deixe até o dia seguinte (ou até dobrar de tamanho). No dia 07 (ou no dia 06 caso já tenha dobrado de tamanho), retire uma isca de 100g desse conteúdo de levain (agora com 400g) e leve ao congelador. Essa será sua isca de segurança, caso, eventualmente, você passe um tempo muito longo sem alimentar sua muda da geladeira, e ela acabe morrendo (mesmo depois de já ter usado a estrategia de ressucitação em cativeiro ensinada anteriormente e ela não ter reagido). Normalmente, isso só acontece quando passamos mais de 20 dias sem fornecer nada de alimento a ele, então não precisa ficar a doida do levain querendo levar ele junto pra alimentar quando precisar se ausentar por uns quatro dias de casa. 19 Das 300g restantes, 100g serão destinadas a mistura do seu pão, e as outras 200g irão ser armazenadas em geladeira, aguardando a próxima oportunidade de serem alimentadas, um dia antes de fazer seu próximo pão. Eu costumo manter em geladeira um vidro com cerca de 200-300g de levain, então todas as vezes que retiro uma porção nova a ser alimentada para fazer o pão, eu já alimento ele com a mesma quantidade retirada e mantenho sempre vedado em geladeira. Como tenho frequentemente feito dois pães de uma única vez, opto por deixar sempre 300g em geladeira. Então no passo anterior, antes de devolver as 200g de levain à geladeira, você pode primeiro alimentar ele com mais 50g água + 25g farinha de aveia + 25g farinha arroz, vedar e deixar ele ali até ser requisitado para o(s) próximo(s) pão/pães. 20 Preparando o Levain para o Pão Agora com as 200 ou 300g de levain na geladeira, passamos a etapa de produção do pão propriamente dito. Vocês devem ter percebido que fazemos a alimentação do levain durante a sua produção em proporção de 1:1 entre água e a mistura de farinhas, e que também dobravamos a quantidade do vidro todos os dias. A regra do aumento em 100% não precisa mais ser mantida uma vez que você já possui seu levain produzido, só recomendo que não tente aumentar ele em uma proporção muito maior que 2x daquilo que restar no vidro. Exemplo: Decido que quero fazer quatro pães de uma unica vez. Meu levain na geladeira está com 300g. Como precisarei de 400g para a produção de 4 pães, tiro 200g do vidro da geladeira, alimento com 100g de água e 100g das farinhas (aveia e arroz somadas OU trigo – logo explico), resultando depois de fermentado nas 400g necessárias aos 4 pães. No vidro original tirado da geladeira, restaram apenas 100g. Antes de devolver à geladeira devo alimentar mais uma vez pra que eu mantenha um bom volume e mantenha meu fermento vivo, portanto, posso alimentar ele com novas 100g (50g água e 50g de farinhas) OU já com 200g (100g água e 100g farinhas), para voltar as originais 300g, porém nunca mais do que isso (o dobro do que restou no frasco). 21 Aguardo essa primeira fermentação acontecer, e só depois disso posso tornar a dobrar esse volume produzido. A relação de água e farinhas em 1:1 será mantida quase que sem alterações salvo excessões: Quando o levain fica ácido e libera muita água (expliquei antes sobre esse efeito), podendo ser corrigido com uma maior quantidade de farinha em relação a quantidade de água (40g água e 60g farinha, por exemplo); Quando quero que propositalmente meu levain fique mais ácido, e portanto, aumento essa quanitdade de água deliberadamente (60g água com 40g de farinhas, por exemplo); Quando comprei uma farinha muita mais fina e a mistura por si só ficou muito seca pois a farinha demanda mais água para ser envolvida (55g água e 45g de farinha, por exemplo); Quando percebo que está tudo bem com ele, mas a mistura só está pesada demais para que ele consiga “crescer” dentro do vidro: deliberadamente adiciono algumas poucas gramas a mais de água até atingir um ponto mais cremoso de mistura. 22 Situação Mais Corriqueira da Produção Artesanal de Pães Considerando então a situação mais corriqueira da produção artesanal de pães, farei dois pães em uma unica leva, e tenho 300g de levain pronto na geladeira. Se esses pães serão pães sem glúten, retiramos 100g do vidro original,transferimos para um vidro menor (de 200-300ml), alimentamos com 50g de água, misturamos com colher de inox, incorporamos 25g de farinha de arroz, 25g de farinha de aveia, vedaremos a tampa e deixaremos fora até que dobre de tamanho. No vidro original, devolvemos as 100g retiradas com 100g renovadas e o vidro vedado retorna à geladeira. Quando chegar no dobro do tamanho no vidro deixado fora, é o momento de misturar os ingredientes do pão sem glúten, inclsuive do levain. Esse tempo entre alimentar e iniciar a mistura do fermento no pão leva cerca de 2-5h, dependendo da temperatura e umidade do ambiente e da força do levain. Caso o intuito seja a produção de pães com trigo, fazemos a retirada das 100g de levain do vidro original, passando para o vidro de menor volume (200-300ml), e alimentamos essa nova isca com 50g de água natural filtrada e 50g de farinha de trigo. Vedamos o vidro e esperamos dobrar de tamanho, fora da geladeira. No vidro original, realimentamos as 200g restantes com 100g de água, 50g de farinha de arroz e 50g de farinha aveia, tampamos e devolvemos à geladeira, até a proxima produção de pães. 23 No vidro pequeno, após ter dobrado de tamanho, removeremos 100g e faremos uma nova alimentação com 50g água natural filtrada e 50g de farinha de trigo. Tampamos o vidro, e aguardamos até que essa segunda fermentação dobre de tamanho e então sim, esse fermento está pronto para ser adicionado ao seu pão de trigo. As 100g retiradas do vidro pequeno após a primeira fermentação de trigo podem ser aliemntadas com outras 100g (50g de água e 50g de farinha de trigo) para ser mantida vedada em geladeira até a proxima produção de pães com trigo, e assim economizar uma etapa de transformação do seu levain sem glúten em um levain com trigo. 24 Resumo A cada nova produção de pães, devo primeiro alimentar o levain e produzir a porção necessária de fermento para o numero de pães a serem feitos; A cada retirada de levain do vidro original, realimento pelo menos a mesma quantidade retirada para devolver o vidro à geladeira; Mantenho o levain original sempre em geladeira para manter a acidez; Tenho sempre uma isca/muda de levain forte no congelador; Alimento meu levain da geladeira a cada 10-15 dias para assegurar que ele não morra e nem fique muito ácido; O levain sem glúten tem menos risco de contaminação e por isso, mais chances de dar certo. Comece por ele e transforme ele em “com glúten” depois. Caso você não veja evolução após a introdução dele no levain, é provavel que a farinha utilizada não seja de boa qualidade e a marca precisará ser substituida. 25 Outras Informações Adicionais Cerca de 10g de fermento biologico seco ou 30g de fermento fresco podem ser substituidas pelas 100g de levain. Você talvez precise fazer a correção da quantidade de farinha na mistura, visto que você está adicionando mais água na massa. O tempo de fermentação das massas com fermento natural levain são consideravelmente superiores às do tempo de fermentação das massas com fermento biologico seco e/ou fresco. Esse tempo prolongado de fermentação ajuda na quebra das moléculas de amido e pré digestão das proteinas das farinhas, facilitando assim o processo de digestão. É normal as pessoas reportarem melhora nos sintomas de inchaço e estufamento abdominal após substituirem as massas de curta fermentação pela longa fermentação já nessa alteração, mesmo que ainda produzidas a base de trigo (no caso dos sensiveis não celiacos). O descarte do levain é composto apenas de farinhas e água fermentados. Você pode utilizar ele em outras receitas (só não espere que ele tenha forças para fermentar e crescer por si só). Caso tenha percebido que seu levain não reagiu como deveria, e sua massa está pronta para ser misturada, você pode criar um Poolish à base de fermento seco para não perder os seus ingredientes... 26 Para ele, você vai utilizar 40g água morna (faça o teste do dedo mergulhando ele por 10seg e verificando uma temperatura morna, porém suportável durante os 10seg) + 10g fermento seco (dissolva o fermento na água). Misture 50g de farinha (trigo ou a mistura de aveia e arroz no caso dos pães sem glúten), e aguarde dobrar de tamanho. Use em substituição às 100g de levain das receitas. Nesse caso, ajuste as expectativas dos tempos de fermentação para os tempos mais curtos caracteristicos do fermento biologico comercial. 27 27 Faça parte do Clubinho! https://payfast.greenn.com.br/69187?cupom=PERSONALCHEF&b_id_1=53673&b_offer_1=wAa2Ez