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DIREITO FALIMENTAR
DISPOSIÇÕES COMUNS À RECUPERAÇÃO JUDICIAL E À FAÊNCIA
Juízo universal;
Despesas judiciais e extrajudiciais que os credores fizerem para tomar parte na recuperação judicial ou na falência;
Suspensão da prescrição das obrigações do devedor sujeitas ao regime desta Lei;       
suspensão das execuções ajuizadas contra o devedor; 
Proibição de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens do devedor;
Prosseguimento de ação que demandar quantia ilíquida.
ÓRGÃOS DA FALÊNCIA E DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Assembleia Geral de Credores (órgão de deliberação).
Comitê de credores (órgão de fiscalização).
	
Procedimento pelo qual se declara a insolvência empresarial, com a liquidação do patrimônio do devedor e pagamento de seu passivo.
1ª ETAPA (chamada pré-falencial): PEDIDO DE FALÊNCIA
 Podem requerer a falência:
> o próprio devedor (CHAMADA AUTOFALÊNCIA)
	- o pedido deve estar instruído com balanço patrimonial, relação de credores, contrato/estatuto social, além de efetivar o depósito, em juízo, dos livros comerciais.
	- Analisada a documentação, o Juiz profere sentença, iniciando-se a etapa falencial, com a instauração da execução concursal do patrimônio do devedor. 
	> qualquer herdeiro do devedor, o inventariante, o quotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da sociedade, qualquer credor (CHAMADA FALÊNCIA REQUERIDA POR TERCEIROS).
	- o devedor é citado para responder no prazo de 10 dias.
	- ele pode pedir sua recuperação judicial (art. 95).
	- O Juiz pode deferir desconsideração da personalidade jurídica? 
	FALÊNCIA BASEADA NA IMPONTUALIDADE - abrem-se, então, quatro alternativas:
O requerido só contesta (art. 96). Caso o juiz acolha as razões da defesa, profere a sentença denegatória;
	
	- não as acolhendo, deve proferir a sentença declaratória da falência (iniciando-se a etapa falencial, com a instauração da execução concursal do patrimônio do devedor).
O requerido contesta e deposita. Caso o juiz acolha as razões da defesa, profere a sentença denegatória da falência e condena o requerente nas verbas de sucumbência;
	
	- rejeitando a defesa, profere igualmente a sentença denegatória da falência, imputando ao requerido os ônus de sucumbência e autoriza o levantamento do depósito em favor do requerente. 
O requerido só deposita: o juiz profere a sentença denegatória da falência, impõe ao requerido a sucumbência e determina o levantamento do depósito em favor do requerente. 
O requerido deixa transcorrer o prazo sem contestar ou depositar. O juiz profere a sentença declaratória da falência, instaurando a execução concursal do patrimônio do devedor.
	Entre outras matérias que podem ser alegadas, o art. 96 dispõe:
Art. 96. A falência requerida com base no art. 94, inciso I do caput, desta Lei, não será decretada se o requerido provar:
I – falsidade de título;
II – prescrição;
III – nulidade de obrigação ou de título;
IV – pagamento da dívida;
V – qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título;
VI – vício em protesto ou em seu instrumento;
VII – apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação, observados os requisitos do art. 51 desta Lei;
VIII – cessação das atividades empresariais mais de 2 (dois) anos antes do pedido de falência, comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas, o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior ao ato registrado.
- Verificação de dolo do requerente: condenação na própria sentença denegatória ao pagamento de indenização em favor do requerido
Se não houver dolo manifesto, mas tenha prejudicado o requerido, este poderá demandar em ação própria. 
Observações sobre a sentença denegatória (quando o pedido é formulado por terceiros)
SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA 	 (2ª etapa - falencial)
Art. 99.
Síntese do pedido, a identificação do falido e os nomes dos que forem a esse tempo seus administradores;
- Fixação do termo legal da falência (que não pode retroagir por mais de 90 dias contados do pedido de falência, ou do 1º protesto por falta de pagamento;
- Determinação ao falido que apresente, no prazo máximo de 5 (cinco) dias, relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, natureza e classificação dos respectivos créditos, se esta já não se encontrar nos autos, sob pena de desobediência;
Prazo para as habilitações de crédito, observado o disposto no § 1º do art. 7º da Lei.
- Na sentença declaratória o juiz ainda pode: 
Determinar diligências necessárias para salvaguardar os interesses das partes envolvidas (inclusive determinando prisão preventiva do falido ou de seus administradores - fundamento em provas da prática de crime); 
Determinar ao Registro Público de Empresas e à Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil que procedam à anotação da falência no registro do devedor, para que dele constem a expressão “falido”, a data da decretação da falência e a inabilitação de que trata o art. 102 desta Lei;       
Nomeação de administrador judicial, que desempenhará suas funções na forma do inciso III do caput do art. 22 desta Lei sem prejuízo do disposto na alínea a do inciso II do caput do art. 35 desta Lei;
Determinação sobre a continuação provisória das atividades do falido com o administrador judicial ou da lacração dos estabelecimentos, observado o disposto no art. 109 desta Lei;
- Convocação da assembleia-geral de credores para a constituição de Comitê de Credores.
ETAPA FALENCIAL:
- Massa falida: conjunto dos direitos do falido ou sociedade. Sua razão de ser é a apuração do patrimônio ativo e do patrimônio passivo, buscando uma liquidação possível.
- Princípio da par conditio creditorum: tratamento igualitário dos credores.
- Princípio da praeferentia creditorum in concursu: credores iguais em igualdade de condições; credores desiguais tratados de forma desigual.
Verificações e habilitações de crédito:
Atuação do administrador judicial
Publicação da relação de credores
Habilitação dos créditos
Art. 83, da Lei 11.101/05: CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS
- créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho;
- os créditos gravados com direito real de garantia até o limite do valor do bem gravado;
- os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de constituição, exceto os créditos extraconcursais e as multas tributárias;   
- os créditos quirografários, a saber:  
* aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
*os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento; 
*os saldos dos créditos derivados da legislação trabalhista que excederem o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo;      
*as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, incluídas as multas tributárias;      
os créditos subordinados previstos em lei ou em contrato; 
os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício cuja contratação não tenha observado as condições estritamente comutativas e as práticas de mercado;    
   
- os juros vencidos após a decretação da falência, conforme previsto no art. 124 desta Lei.  
Condução do processo de falência com o afastamento do devedor da gestão da empresa.
Apuração da responsabilidade do devedor, sócios e devedores da sociedade falida.
Início da atuação: sentença de decretação da falência.
É considerada um BENEFÍCIO AOS CREDORES, POIS A ATIVIDADE DO DEVEDOR SERÁ FISCALIZADA 
ADMINISTRAÇÃO DA FALÊNCIA
 ÓRGÃOS DA FALÊNCIA: administrador judicial, assembleia dos credores e comitê dos credores.
 
 
Administrador judicial: agente auxiliar do juiz, que, em nome próprio (indelegável) deve administrar e representara comunhão de interesses dos credores (massa falida “subjetiva”).
 
- Para fins penais, o administrador judicial é considerado funcionário público.
 
- A escolha do administrador cabe ao juiz e deve recair sobre profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador ou, ainda, pessoa jurídica especializada (art. 21).
 
- Atos processuais de responsabilidade do administrador judicial: 
 
 Verificação dos créditos;
 Relatório inicial (art. 22);
 Contas mensais;
 Relatório final.
 
 
Magistrado
 Exemplo: 
 
 Autorizar a venda antecipada de bens;
o pagamento dos salários dos auxiliares do administrador judicial 
aprovar a prestação de contas do administrador judicial
(...)
 
Representante do Ministério Público
 Exercício de suas funções constitucionais (fiscal da lei).
ADMINISTRAÇÃO DA MASSA FALIDA:
Assembleia de credores:
 
aprovar a constituição do comitê de credores e eleger os seus membros;
adotar modalidades extraordinárias de realização do ativo do falido;
c) deliberar sobre assuntos de interesse geral dos credores.
 Comitê de credores 
 
Sua função mais importante é a de fiscalizar o administrador
judicial .
 
- 1 (um) representante indicado pela classe de credores trabalhistas, com 2 (dois) suplentes;
 
- 1 (um) representante indicado pela classe de credores com direitos reais de garantia ou privilégios especiais, com 2 (dois) suplentes;
 
- 1 (um) representante indicado pela classe de credores quirografários e com privilégios gerais, com 2 (dois) suplentes.
 
- 1 (um) representante indicado pela classe de credores representantes de microempresas e empresas de pequeno porte, com 2 (dois) suplentes.
 
RESTRIÇÕES PESSOAIS E REGIME PATRIMONIAL DO FALIDO
 
A partir da decretação da falência, o devedor perde o direito de administrar e dispor de seu patrimônio. Não perde a propriedade desses bens.
 
>> Pessoalmente, fica o falido sujeito a determinadas restrições:
 
- Não pode ausentar‑se do lugar da falência sem justificativa e autorização do juiz;
 
- Suspensão do direito constitucional de sigilo à correspondência quanto aos assuntos pertinentes ao seu negócio.
CONTINUAÇÃO PROVISÓRIA DA EMPRESA 
 
Na sentença declaratória da falência o juiz deve se pronunciar sobre a continuação provisória das atividades do falido ou a lacração do seu estabelecimento (LF, arts. 99, VI e XI, e 109). 
 
- A continuação provisória das atividades do falido se justifica em casos excepcionais, quando ao juiz parecer que a empresa em funcionamento pode ser vendida com rapidez, no interesse da otimização dos recursos do falido. 
 
(...) pela tradição da marca explorada ou pela particular relevância social e econômica da empresa, parecer ao magistrado, no momento da decretação da quebra, que o encerramento da atividade agravará não só o prejuízo dos credores como poderá produzir efeitos deletérios à economia regional, local ou nacional, convém que ele autorize a continuação provisória dos negócios. (COELHO, 2020).
 
 
- Caberá ao administrador judicial a gerência da atividade durante a continuação provisória. 
EFEITOS QUANTO AOS CONTRATOS DO FALIDO
Ao administrador cabe dar continuidade aos contratos favoráveis à massa falida, desobrigando-se dos onerosos.
Contratos bilaterais: 
contratos ainda não executados: resolução.
contratos executados: recusa da contraprestação do outro contratante.
Contratos unilaterais: sem alteração. Como credor, a massa falida sub-roga-se; como devedor, insere-se no concurso de credores.
LIQUIDAÇÃO DO PROCESSO FALIMENTAR
 
Objetivos:
 
- Realização do ativo: com a venda de bens arrecadados;
- Pagamento do passivo.
 
ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA E DA EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO FALIDO
	Art. 154. Concluída a realização de todo o ativo, e distribuído o produto entre os credores, o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo de 30 (trinta) dias.
A sentença que rejeitar as contas do administrador judicial fixará suas responsabilidades, poderá determinar a indisponibilidade ou o sequestro de bens e servirá como título executivo para indenização da massa.
	Art. 155. Julgadas as contas do administrador judicial, ele apresentará o relatório final da falência no prazo de 10 (dez) dias, indicando o valor do ativo e o do produto de sua realização, o valor do passivo e o dos pagamentos feitos aos credores, e especificará justificadamente as responsabilidades com que continuará o falido.
	Art. 156. Apresentado o relatório final, o juiz encerrará a falência por sentença e ordenará a intimação eletrônica às Fazendas Públicas federal e de todos os Estados, Distrito Federal e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento e determinará a baixa da falida no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), expedido pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. 
Da sentença cabe apelação.
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