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VETWEB AVA Aula 4 - Vitaminas e Sais Minerais na Nutrição de Cães e Gatos Prof. Luís Eugênio Franklin Augusto Sumário 1. Definição e classificação de vitaminas 2. Vitaminas lipossolúveis 3. Vitaminas hidrossolúveis e metilação 4. Definição e classificação de sais minerais 5. Macrominerais 6. Microminerais Esta aula apresenta uma análise completa sobre as vitaminas e sais minerais essenciais na nutrição de cães e gatos, abordando suas funções no metabolismo, classificação, formas de absorção, riscos de deficiência ou excesso e exigências estabelecidas por órgãos reguladores como MAPA e FEDIAF. São detalhados os papéis específicos de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e hidrossolúveis (complexo B e colina), incluindo sua atuação em processos como metabolismo energético, imunidade, saúde óssea e sistema nervoso. A aula também explora os macrominerais e microminerais, como cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, ferro, zinco e selênio, destacando suas interações, formas de suplementação, e a importância dos minerais quelatados para a biodisponibilidade e saúde geral dos animais. 1. Definição e classificação de vitaminas A Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), denominada IN-30, lançada em 2009, desempenha um papel fundamental na regulamentação de aspectos relacionados à alimentação animal. Especificamente, esta normativa abrange atribuições relacionadas ao registro e rotulagem de alimentos destinados a cães e gatos. Ao abordar as vitaminas na alimentação de cães e gatos, destacam-se as vitaminas A, D e E, cujas unidades de referência devem ser expressas em Unidades Internacionais (UI) por quilo. Notavelmente, a vitamina B12 deve ser declarada em microgramas por quilo do alimento, conforme estabelecido pelo artigo 14, parágrafo 1, da IN-30. O artigo 15, parágrafo 1, aborda os macrominerais, elementos aditivos, nutricionais e exotécnicos na fórmula dos produtos. De acordo com a normativa, essas substâncias ativas devem ter seus níveis de garantia declarados no rótulo do alimento. Esta disposição se aplica tanto aos macrominerais quanto aos elementos mencionados. A análise de um rótulo de alimento comercial revela informações essenciais. Os níveis de garantia abrangem nutrientes conhecidos, como umidade, proteína, gordura, fibra, matéria fibrosa e matéria mineral. Entre esses, os macrominerais como cálcio (máximo e mínimo), fósforo (mínimo), sódio (mínimo), potássio (mínimo) e magnésio (mínimo) são detalhados nesta seção. Um campo específico, denominado "enriquecimento mínimo por quilo," é reservado para vitaminas e microminerais. Este campo, geralmente localizado abaixo dos níveis de garantia, é fundamental para garantir que cada produto atenda às especificações necessárias de nutrientes, contribuindo assim para uma nutrição adequada de cães e gatos. Papel das vitaminas no metabolismo orgânico As vitaminas desempenham um papel importante no metabolismo dos seres vivos, regulando processos vitais para o crescimento e manutenção da vida. Esses compostos orgânicos atuam como cofatores enzimáticos, ativando diversas enzimas e promovendo reações químicas fundamentais para a sobrevivência celular, tecidual e do organismo como um todo. O termo "vitamina" originou-se na década de 30, sendo uma abreviação de "aminas vitais". Embora hoje saibamos que nem todas as vitaminas contêm elementos amino, essa designação permanece, destacando a importância vital dessas substâncias para o funcionamento adequado do organismo. Classificação das vitaminas As vitaminas são classificadas com base em características químicas, sendo uma das mais relevantes a solubilidade. Há as vitaminas hidrossolúveis, como as do complexo B e a vitamina C, e as lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K. a) Vitaminas hidrossolúveis As vitaminas hidrossolúveis são solúveis em meio aquoso, sendo absorvidas passivamente no intestino. Se consumidas em excesso, são excretadas diariamente pela urina. Dada sua natureza, é necessário um consumo diário dessas vitaminas, já que não são armazenadas no organismo. b) Vitaminas lipossolúveis Já as vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, possuem baixa solubilidade em água, mas alta solubilidade em compostos lipídicos. São absorvidas juntamente com os lipídios da dieta, e o excesso é excretado pelas fezes. Uma característica marcante é a capacidade de armazenamento no tecido adiposo, permitindo que não haja a necessidade de consumo diário. Suplementos à base de nutracêuticos lipossolúveis podem ser administrados com menor frequência, considerando a capacidade de armazenamento dessas vitaminas. Apesar da vantagem do armazenamento, as vitaminas lipossolúveis apresentam maior risco de intoxicação em comparação às hidrossolúveis, que são excretadas em excesso pela urina. O entendimento dessas nuances é essencial para garantir uma nutrição balanceada e evitar desequilíbrios no organismo dos animais. Normativas da FEDIAF e requisitos nutricionais A FEDIAF, órgão regulamentador, estabelece exigências mínimas de vitaminas e sais minerais na dieta de cães e gatos. Essas normativas, além de abordarem proteínas e gorduras, destacam macro e microminerais essenciais, bem como vitaminas cruciais para a saúde dos animais. No contexto dos macrominerais, que estão presentes em maiores quantidades na alimentação de cães e gatos, a FEDIAF destaca o cálcio, o fósforo, o potássio, o sódio, o cloro e o magnésio. A relação cálcio-fósforo, estabelecida como importante pela FEDIAF, será discutida posteriormente para compreensão mais aprofundada. Os elementos traços, considerados microminerais, incluem o cobre, o iodo, o ferro, o magnésio, o selênio e o zinco. A presença equilibrada desses microminerais é vital para a saúde metabólica e funcional dos animais. A FEDIAF estabelece requisitos diários para diversas vitaminas na dieta de cães e gatos. Entre elas, destacam-se a vitamina A, a vitamina E, a vitamina D, bem como as vitaminas do complexo B (B1, B2, B5, B6, B12, B3, B9, B7) e a vitamina K. A colina, considerada também como vitamina B8, completa a lista de vitaminas essenciais. A análise desses elementos é fundamental, uma vez que são requeridos diariamente na dieta dos animais, de acordo com as diretrizes da FEDIAF. O entendimento dessas exigências nutricionais contribui para a formulação adequada de alimentos e suplementos, garantindo uma nutrição equilibrada e essencial para a saúde de cães e gatos. 2. Vitaminas lipossolúveis Vitamina A: micronutriente essencial A vitamina A, um micronutriente essencial, abrange várias formas químicas, incluindo o retinol, os carotenoides, o ácido retinóico e o retinaldeído. Esses elementos, embora agrupados sob o nome "vitamina A", constituem uma gama de substâncias com funções semelhantes. A vitamina A desempenha um papel multifacetado na saúde dos animais. Além de ser vital para a visão, contribui para o crescimento ósseo, reprodução e manutenção dos epitélios. A presença adequada de vitamina A melhora a visão e promove o desenvolvimento avançado da retina. A renovação contínua do tecido epitelial, presente em órgãos como o gastrointestinal e cutâneo, depende significativamente da presença de vitamina A. Sua ausência compromete a proliferação e diferenciação celular, resultando em problemas cutâneos, mucosas comprometidas e disfunções em tratos respiratório e gastrointestinal. A falta de vitamina A na dieta de um animal resulta em diminuição da proliferação e diferenciação das células do tecido epitelial. Isso pode levar a problemas na pele, mucosas, trato respiratório e gastrointestinal, resultando na perda da função protetora do epitélio e aumentando a vulnerabilidade a infecções. Em animais jovens, a deficiência afeta o desenvolvimento ósseo. A vitamina A desempenha um papel crucial na reprodução, afetando a espermatogênese em machos e causando alterações no ciclo estral e fertilidade em fêmeas. A ausência desse micronutriente pode ter implicações negativas na formação e saúde reprodutiva de animais. A vitamina A é
essencial para a saúde ocular dos animais. A deficiência pode resultar em condições como nictalopatia (dificuldade em enxergar em ambientes com pouca luz), xenofalmia (olhos secos), opacidade de úlceras oculares da córnea e conjuntivite. A manutenção da saúde visual depende diretamente da presença adequada de vitamina A. O retinol é a forma ativa primária da vitamina A e é exclusivamente encontrado em alimentos de origem animal. Outras formas, como o retinil, o retinal e o ácido retinóico, são interconvertidas e estão presentes principalmente em tecidos animais. Os vegetais contribuem com provitaminas A, como betacarotenos e citoxantinas ou astaxantina. Essas substâncias, com coloração vermelha a alaranjada, são convertidas em vitaminas A ativas no intestino de cães saudáveis. No intestino, as enzimas presentes nos animais convertem as provitaminas A em formas ativas, como o retinal e o éster de retinil. Assim, tanto a forma ativa quanto as provitaminas desempenham um papel essencial na dieta dos animais, garantindo a presença adequada de vitamina A. Vitamina D: essencial para saúde óssea e além Assim como a vitamina A, a vitamina D desempenha um papel vital na saúde de cães e gatos. Essencial para o desenvolvimento ósseo, essa micronutriente é indispensável para filhotes e tem uma série de outras funções essenciais que serão exploradas posteriormente. No entanto, sua relevância está sempre associada à saúde óssea dos pacientes. Existem precursores inertes da vitamina D, como o ergocalciferol (vitamina D2) encontrado em animais, leite, ovos e peixes, e o colecalciferol (vitamina D3) presente em peixes como sardinha e salmão, gema do ovo e alguns miúdos, como o fígado. Ambas as formas inativas precisam passar por um processo de ativação. Ao contrário do que ocorre em seres humanos, a ativação da vitamina D em cães e gatos não ocorre significativamente pela exposição ao sol. A ativação se dá principalmente no fígado e no rim, onde as formas inativas são hidroxiladas, resultando nas formas ativas 1,25 de hidroxicolicalciferol (calcitriol) e 24,25 de hidroxicolicalciferol. Essas formas ativas são essenciais para a remodelação da mineralização dos ossos e cartilagens. A forma ativa 1,25 de hidroxicolicalciferol, também conhecida como calcitriol ou "hormônio D", desempenha um papel essencial na fixação do cálcio nos ossos. Além disso, a vitamina D regula a relação entre cálcio e fósforo no organismo, contribuindo para a absorção intestinal de cálcio e a eliminação renal de fósforo. Quando os níveis de cálcio diminuem no sangue, a paratireoide libera o hormônio PTH, que atua no rim ativando a vitamina D. Tanto o PTH quanto a vitamina D agem sinergicamente para aumentar as concentrações de cálcio, promovendo a absorção intestinal e reduzindo a excreção renal. Essa regulação é fundamental para evitar a porosidade óssea e manter a estabilidade do cálcio no organismo. Além de sua atuação no metabolismo ósseo, a vitamina D também modula o sistema imune, fortalecendo-o. Estudos mostram sua relação na prevenção de formações neoplásicas, regulação da hipertrofia de miócitos no coração, controle da secreção de insulina no metabolismo pancreático e regulação da pressão sanguínea pelo sistema renina-angiotensina-aldosterona. Assim, a vitamina D vai além da saúde óssea, desempenhando diversas funções vitais no organismo de cães e gatos. Vitamina E: o poder antioxidante e além A vitamina E, também conhecida como alfa-tocoferol, destaca-se por sua principal ação antioxidante. Diante do constante processo de geração de radicais livres durante o metabolismo celular e a respiração celular, a vitamina E atua como uma defesa essencial contra esses reativos de oxigênio. Sua função primordial é prevenir a oxidação celular, especialmente dos ácidos graxos poli-insaturados. Radical livre tem uma afinidade notável por atuar sobre as gorduras, promovendo a peroxidação lipídica. Esse processo, se não controlado, pode destruir a bicamada lipídica das células, tornando-as inviáveis e resultando em morte celular. A vitamina E, atuando como antioxidante exógeno, combate essa peroxidação e contribui para a preservação das células. Durante a respiração celular, o superóxido, um tipo de radical livre, é convertido em peróxido de hidrogênio pela enzima superóxido desmutase. Tanto a catalase quanto a glutationa, antioxidantes endógenos, além do alfa-tocoferol, atuam na transformação do peróxido de hidrogênio em água e oxigênio, neutralizando sua potencial nocividade. A inclusão de ácidos graxos poli-insaturados na dieta pode aumentar as necessidades de vitamina E. A peroxidação desses ácidos graxos requer uma otimização dos níveis de vitamina E para prevenir a oxidação das gorduras presentes na dieta. Além de sua ação antioxidante, a vitamina E modula a síntese de prostaglandinas, regula a atividade de proteínas quinases e a síntese de xantinas oxidativas. Essa modulação se estende ao sistema inflamatório, destacando a vitamina E como uma participante elementar nesse contexto. Ela também desempenha um papel na ativação de outras vitaminas, como a vitamina A. A vitamina E pode ser adicionada a alimentos comerciais na forma de álcoois, como tocoferol, e alguns ésteres, como acetato de tocoferil. Essa adição visa prevenir a oxidação das gorduras presentes nos alimentos comerciais, prolongando sua durabilidade e mantendo suas propriedades nutricionais e sensoriais. A deficiência de vitamina E é rara, mas quando ocorre, pode levar à degeneração musculoesquelética, alterações reprodutivas e diminuição da resposta imune. A ação antioxidante da vitamina E desempenha um papel vital na manutenção do equilíbrio metabólico, e sua deficiência pode resultar em desregulação desses processos fundamentais. Vitamina K: diferentes tipos, distintas ações No universo das vitaminas K, destacam-se a K1, também conhecida como filoquinonas, e a K2, denominada menaquinonas. É importante atentar para essas distintas variedades, pois cada uma desempenha funções específicas no organismo. A vitamina K1 tem um papel fundamental na síntese de fatores de coagulação sanguínea, como os fatores 2, 7, 9, 10 e 12. Esses fatores desempenham um papel essencial na cascata de coagulação, e a vitamina K1 é imprescindível na produção adequada desses elementos. A vitamina K2, também conhecida como MK7, é muitas vezes menos discutida, mas desempenha um papel importante no metabolismo. Ela é responsável por direcionar o cálcio para a matriz óssea, contribuindo significativamente para a saúde óssea. Ao suplementar vitamina D, é importante não negligenciar a otimização da vitamina K2 (MK7), pois ela é essencial para a eficaz fixação do cálcio na matriz óssea. A deficiência de vitamina K é geralmente rara, mas pode ocorrer como resultado de uma doença hepática crônica, como colestase. Nesse contexto, há um aumento da coagulação sanguínea, podendo levar a sangramentos intensivos devido à diminuição dos fatores de coagulação na ausência da vitamina K1. A deficiência de vitamina K é rara, pois a vitamina é produzida pelo microbioma intestinal. Embora deva ser oferecida diariamente na dieta, a participação do microbioma na produção dessa vitamina também é notável. Isso destaca a importância de uma oferta constante e equilibrada dessa vitamina para a manutenção da saúde. 3. Vitaminas hidrossolúveis e metilação As vitaminas hidrossolúveis tem como principais representantes para cães e gatos as vitaminas do complexo B. Vitamina B1: tiamina A vitamina B1, ou tiamina, atua na formação do tiamina pirofosfato ou TTP, uma enzima vital para o metabolismo celular. Esta enzima participa diretamente da formação do acetilcoenzima A, um iniciador essencial do ciclo de Krebs, um dos principais mecanismos de geração de energia nas células. A participação das vitaminas do complexo B, incluindo a B1, no metabolismo celular é notável. Elas desempenham um papel significativo na formação de energia nas células, abrangendo o metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. Além do envolvimento no metabolismo
energético, a vitamina B1 atua na membrana da célula nervosa. Essa função inclui facilitar o deslocamento, permitindo que os íons de sódio atravessem a membrana livremente. Portanto, sua presença atua na troca iônica nas células do sistema nervoso central. Embora a deficiência de vitamina B1 seja rara, é importante observar que ela é termolábil, ou seja, sensível a altas temperaturas. Isso destaca a necessidade de precaução durante o cozimento de alimentos, evitando exposições a temperaturas elevadas. No processo industrial, há uma certa perda dessa vitamina durante a extrusão de alimentos, tornando necessária a inclusão após esse estágio nos alimentos industrializados. Vitamina B2: riboflavina A a vitamina B2 é também conhecida como riboflavina. Essa vitamina desempenha um papel fundamental como precursora das flavinas, que estão diretamente envolvidas no metabolismo de nucleotídeos. As flavinas, derivadas da riboflavina, atuam no metabolismo celular, participando da formação do flavina adenina dinucleotídeo (FAD). O FAD atua como um receptor de elétrons ao longo do metabolismo celular, desde a via glicolítica até o ciclo de Krebs na matriz mitocondrial. Transportando elétrons, contribui para a geração de energia na usina energética celular. A riboflavina participa ativamente de mais de 50 reações químicas no metabolismo energético, carreando elétrons essenciais para diversas funções celulares. Essa contribuição é vital para o transporte eficiente de elétrons, essenciais para o funcionamento adequado do metabolismo celular. A deficiência da vitamina B2 pode resultar em diversas condições adversas. Entre os sintomas estão anorexia, perda de peso e polioneurite, evidenciando sua relevância para o sistema neurológico. Além disso, a riboflavina desempenha um papel na manutenção da saúde cardíaca, e sua deficiência pode levar a alterações nesse aspecto. Vitamina B3: niacina A próxima vitamina de destaque é a B3, conhecida como niacina. Essa vitamina possui duas formas ativas, o ácido nicotínico e a nicotinamida, e desempenha um papel fundamental no metabolismo celular. Sua participação na formação do NAD e NAD-PH+, carreadores de elétrons, a torna essencial para processos de oxirredução na via glicolítica, ciclo de Krebs e cadeia respiratória de elétrons. A niacina, ao contribuir para a formação de NAD e NAD-PH+, está diretamente envolvida no metabolismo celular de carboidratos, proteínas e gorduras. Sua presença é fundamental para reações de oxirredução necessárias à geração de energia celular. Embora a deficiência de niacina seja rara, pode resultar em sintomas como anorexia, diarreias e úlceras orais na mucosa oral. Para compreender melhor a função dessas vitaminas no metabolismo celular, é importante notar a interconexão entre elas. A vitamina B1 (Tiamina) contribui para a conversão do piruvato em acetilcoenzima A, enquanto a vitamina B2 (Riboflavina) e a vitamina B3 (Niacina) desempenham papéis essenciais no transporte de elétrons durante a geração de energia na via glicolítica e ciclo de Krebs. O acetilcoenzima A, resultante da interconversão de carboidratos, proteínas e gorduras, inicia o ciclo de Krebs. Durante esse ciclo, os carreadores de elétrons, como NAD e FAD, desempenham funções vitais. Esses carreadores, gerados no ciclo de Krebs, são essenciais na cadeia transportadora de elétrons, contribuindo para a produção de TTP, fundamental para o funcionamento celular. Manter níveis adequados de vitaminas B1, B2 e B3 é crucial para garantir um metabolismo celular eficiente, prevenindo estresse oxidativo e fadiga mitocondrial. Essas condições são consideradas fatores desencadeadores de doenças no organismo. As fontes dessas vitaminas incluem carnes, aves, pescados, ovos, leite, derivados, vegetais como brócolis, espinafre, farinhas e cereais integrais, especialmente quando enriquecidos com essas vitaminas. Vitamina B5: ácido pantotênico Continuando nossa exploração sobre as vitaminas do complexo B, focalizaremos agora na vitamina B5, também conhecida como ácido pantotênico. Enquanto as vitaminas B1, B2 e B3 contribuem para a formação da setilcoenzima A, a vitamina B5 desempenha um papel estrutural direto nessa molécula essencial. Ao analisar a estrutura da setilcoenzima A, composta pelo acetil e pela coenzima A, notamos a presença do ácido pantotênico na formação dessa importante molécula para o metabolismo celular. A vitamina B5 é, portanto, uma parte integrante dessa coenzima essencial. Assim como as demais vitaminas do complexo B, a B5 também participa ativamente do metabolismo celular, influenciando o processamento de carboidratos, proteínas e gorduras. Além de sua função na setilcoenzima A, a vitamina B5 contribui para a síntese de colesterol e ácidos graxos. A setilcoenzima A, sendo um ponto de interconversão no metabolismo, desempenha um papel vital na conversão entre carboidratos e gorduras, além de proteínas. A deficiência de vitamina B5 pode resultar em uma variedade de sintomas, incluindo fadiga, apatia, neuropatias e hipoglicemia. Dada a importância das vitaminas do complexo B na proteção e ativação do sistema nervoso, a ausência de B5 pode levar a neuropatias, além de manifestações como náuseas, vômitos, distúrbios do sono e dores. Assim como as vitaminas B1, B2 e B3, a vitamina B5 atua na promoção de um sistema nervoso saudável e na regulação eficiente do metabolismo celular. A presença adequada dessas vitaminas é fundamental para prevenir fadiga mitocondrial, estresse oxidativo e o surgimento de doenças no organismo. Vitamina B6: ácido piridoxina Continuando nossa exploração das vitaminas do complexo B, destacamos agora a vitamina B6, também conhecida como ácido piridoxina. Existem três formas naturais dessa vitamina: piridoxina, piridoxal e piridoxamina. Duas dessas formas, piridoxamina fosfato e piridoxal-fosfato, são ativas e essenciais para a ativação da vitamina, requerendo a presença de fosfato. A vitamina B6 participa catabolismo do glicogênio. Sua importância se manifesta especialmente quando o glicogênio muscular ou hepático está sendo catabolizado, tornando-a vital nesse processo metabólico. A vitamina B6 regula reações relacionadas ao desenvolvimento e funcionamento do sistema nervoso, exercendo um papel protetor nos neurônios e na produção de neurotransmissores. Sua participação no sistema nervoso a torna uma das vitaminas mais essenciais nesse contexto. No tratamento de neuropatias e na promoção da recuperação do sistema nervoso após lesões, a vitamina B6 é frequentemente suplementada ou injetada. Essa prática visa recompor e ativar o sistema nervoso de maneira abrangente. Um papel significativo da vitamina B6 é sua participação na conversão da homocisteína em cisteína. A metilação, que será abordada posteriormente, destaca a importância dessa etapa para eliminar a homocisteína, um composto tóxico. A deficiência de vitamina B6 pode resultar em alterações no apetite. Portanto, é comum encontrar a vitamina B6 em alimentos ou suplementos destinados a estimular o apetite. Além disso, a deficiência pode levar à anorexia e perda de peso, sublinhando sua importância para a saúde geral. Vitamina B7: biotina ou vitamina H Continuando nossa exploração das vitaminas do complexo B, agora abordaremos a vitamina B7, conhecida como biotina ou também chamada de vitamina H, nome presente em alguns rótulos. Essa vitamina desempenha diversas funções essenciais no organismo. A biotina atua como cofator em reações cruciais nos metabolismos de purinas, lipídios, glicoses e aminoácidos, além de servir como fonte de energia. Sua participação no metabolismo energético celular e em processos fundamentais, como a formação de purinas para DNA e RNA, destaca sua importância. No ciclo de Krebs, a biotina é necessária para a formação de enzimas como a cetiocoa, piruvato carboxilase e propionil carboxilase. Essas enzimas são essenciais para o funcionamento eficiente do ciclo de Krebs e, por consequência, para a produção de energia. A biotina tem função importante na saúde do epitélio, sendo especialmente
relevante para pelos e pelagem. A ausência de vitamina B7 pode levar a alterações na pelagem e na pele, sendo a hiperqueratose um sintoma observado. O microbioma também contribui para a produção de biotina, tornando sua deficiência menos comum. No entanto, animais que consomem dieta crua devem ter atenção especial, pois o ovo cru contém avidina, uma substância capaz de inativar a biotina. Isso destaca a importância de otimizar a presença de biotina na dieta desses animais, uma vez que a avidina perde sua ação quando o ovo é cozido. A deficiência de biotina pode se manifestar através de sintomas como hiperqueratose, secreções periculares, anorexia e diarreia. A presença da avidina no ovo cru na dieta crua requer cuidado para garantir uma ingestão adequada de biotina. Colina Abordando agora a colina, vale mencionar que embora tenha sido anteriormente considerada vitamina B8, sua produção endógena pelo organismo resultou em sua desqualificação como vitamina. Apesar disso, a colina desempenha um papel essencial no metabolismo e, por isso, é uma peça importante nesta discussão, mesmo não sendo mais classificada como vitamina. A colina é sintetizada no fígado por meio do processo de metilação, utilizando o grupamento metil doado pelo S-adenilmetionina (SAMI). Sua participação na preservação do SAMI destaca a relevância da colina, que atua como doadora e receptora de grupamentos metil. Diferentemente de muitas vitaminas, a colina não atua como coenzima. Em vez disso, ela é um componente estrutural de alguns lipídios, contribuindo para a formação de certas moléculas lipídicas. A colina assume destaque como neurotransmissor, sendo a cetiocolina um exemplo destacado. Essa molécula é vital para o sistema nervoso autônomo, participando tanto do sistema simpático quanto do parasimpático. Além disso, a colina está envolvida na ativação plaquetária, contribuindo para a função coagulativa do sangue. A deficiência de colina está associada à esteatose hepática, indicando sua importância no metabolismo hepático. Suplementos detoxificantes frequentemente incluem colina devido à sua relevância para fígados doentes. A ausência de colina também pode levar à atrofia do timo e ao aumento do tempo de protrombina, afetando a coagulação sanguínea. Em filhotes, a deficiência pode resultar em retardamento do crescimento. Em suma, apesar de não ser mais considerada uma vitamina, a colina desempenha funções vitais no organismo. Sua participação em processos metabólicos, no sistema nervoso, na coagulação sanguínea e na saúde hepática destaca a importância de incorporá-la à dieta, e a suplementação pode ser decisiva em determinadas condições de saúde. Vitamina B9: ácido fólico ou folato Agora, abordaremos a vitamina B9, conhecida tanto como ácido fólico quanto folato. Ambas são consideradas provitaminas B9, requerendo ativação para se transformarem em tetraidrofolato (THF) ou 5-metil-tetraidrofolato, a forma mais ativa da vitamina B9. A ativação do folato exige a presença do radical metil, um ponto que será esclarecido posteriormente na discussão sobre metilação. A vitamina B9 atua como transportadora e ativadora de monocarbonos para reações biossintéticas. Sua participação é notável na formação de ribonucleotídeos e desoxirribonucleotídeos, essenciais na síntese de RNA e DNA. Esta função torna a vitamina vital para processos como a multiplicação celular, eritropoiese e formação de novas células. A necessidade de carbonos para a formação do núcleo celular, DNA e RNA torna a vitamina B9 fundamental para a multiplicação celular e a eritropoiese. A deficiência desta vitamina está associada a anemias, pois a formação adequada de células sanguíneas depende da presença adequada de B9. Além disso, a vitamina B9 desempenha um papel ativo na remetilação da homocisteína em metionina. Essa participação na metilação será explicada detalhadamente mais adiante. A deficiência de vitamina B9 está associada a anorexias, perda de peso, leucopenia e anemia. Além disso, a ausência de B9 está relacionada a más formações fetais e abortos, destacando a importância desta vitamina durante a gestação. A discussão sobre a metilação fornecerá insights adicionais sobre como a B9 desempenha um papel vital em vários processos metabólicos. Vitamina B12: cobalamina A cobalamina, também conhecida como vitamina B12, desempenha função semelhante à da vitamina B9. Suas formas ativas, 5-desoxadenosilcobalamina e metilcobalamina, requerem a presença do radical metil para ativação, destacando a importância desse componente no contexto das vitaminas B. A vitamina B12 é única, pois possui um íon metálico em sua forma, o cobalto, daí o nome cobalamina. Sua absorção é dependente de um fator intrínseco pancreático, produzido no pâncreas. Deficiências pancreáticas podem resultar em uma diminuição na absorção de vitamina B12. A cobalamina compartilha funções semelhantes ao folato no que diz respeito à síntese de novas células e ao transporte de carbono. Sua essencialidade na metilação será detalhada posteriormente no ciclo da metilação. Deficiências de vitamina B12 estão associadas a condições como pancreatite, linfoma e doença inflamatória intestinal, onde a absorção da vitamina é comprometida. A ausência de vitamina B12 pode resultar em diminuição do crescimento, anorexia, perda de peso e anemias megaloblásticas, destacando sua importância na formação de material nuclear para novas células. Papel das vitaminas na metilação A metilação atua no metabolismo, corrigindo as consequências das principais reações químicas que visam gerar energia. É um processo de doação de radicais metil, que têm várias funções essenciais: Silenciamento de genes: os radicais metil podem se ligar às bases nitrogenadas de genes, silenciando-os. Isso tem implicações significativas em relação a doenças genéticas. Síntese de óxido nítrico: a metilação participa da síntese do óxido nítrico, essencial para a manutenção da pressão arterial e envolvido em processos inflamatórios. Síntese de creatina fosfato: contribui para a produção de energia através da síntese de creatina fosfato. Síntese de neurotransmissores: a metilação está envolvida na síntese de neurotransmissores como serotonina e dopamina, cruciais para o sistema nervoso central e autônomo. Ativação de vitaminas B9 e B12: a metilação eficaz leva à ativação do ácido fólico (B9) e cianocobalamina (B12), ambos necessitando de radicais metil. Detoxificação hepática: na fase 2 da detoxificação hepática, a metilação é essencial para eliminar xenobióticos e substâncias nocivas. Regulação da produção de amônia: a metilação desempenha um papel na regulação da produção de amônia, contribuindo para a saúde hepática. Ciclo da metilação: interconexão com vitaminas B a) Via da metilação (amarelo): S-adenil metionina (SAMI): ativada a partir de metionina. S-adenosil homocisteína: resulta da conversão de SAMI. Homocisteína: ponto crítico, pois o acúmulo é tóxico. b) Via da transulfuração: Conversão de homocisteína em metionina: envolvendo betaina (colina), tetraidrofolato (B9) e cobalamina (B12). Conversão de homocisteína em cisteína: com a participação da piridoxidina (B6). Estratégias de suplementação e cuidados Aumento do SAMI: utilizado para promover metilação, mas requer otimização simultânea das vitaminas B12, B9, B8, e B6. Acidificação da urina: em casos de cálculos renais ou vesiculares, a suplementação de metionina é considerada. Contudo, é vital otimizar ácido fólico, cobalamina, B8, B2 e B6 nesses casos. Suplementação com NAC (N-cetilcisteína): pode ser benéfica para a conversão de homocisteína em glutationa, especialmente em casos de detoxificação hepática. Ao compreender as complexas interações entre essas vitaminas, é possível desenvolver estratégias específicas para melhorar a metilação e promover a saúde geral. As vitaminas B desempenham papéis complementares, e a abordagem holística é essencial para um impacto positivo no metabolismo. 4. Definição e classificação de sais minerais Os sais minerais, nutrientes inorgânicos, constituem um elemento
vital na alimentação de cães e gatos. Diferenciando-se das vitaminas, esses compostos não possuem carbono em sua composição, caracterizando-se por sua natureza inorgânica. A classificação dos sais minerais pode ser realizada com base nas quantidades diárias necessárias. Os macrominerais, exigidos em quantidades superiores a 100mg diárias, são essenciais em maior escala. Cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cloro integram esse grupo. Por outro lado, os microminerais, necessários em quantidades inferiores a 100mg diárias, incluem ferro, cobre, zinco, iodo, selênio, manganês e cobalto. As necessidades específicas desses minerais são detalhadamente descritas pela FEDIAF e NRC. A presença desses elementos nos alimentos comerciais é indicada na seção de enriquecimento por quilograma do produto. Destaca-se a importância de discernir entre os microminerais e macrominerais nos rótulos, atentando-se aos níveis de garantia para os últimos. A atualidade destaca a relevância dos minerais quelatos, formados pela ligação de íons metálicos a carregadores orgânicos, como aminoácidos ou peptídeos. Essa ligação reduz a carga elétrica dos minerais, aumentando sua disponibilidade e absorção. Essa abordagem previne a interação com outros nutrientes, não afetando sua absorção nem causando desconforto gastrointestinal. Os minerais quelatos oferecem vantagens substanciais, incluindo a ausência de interações prejudiciais com outros nutrientes e a não irritação da mucosa gastrointestinal. Sua utilização tem se destacado como um indicativo de qualidade em alimentos comerciais, refletindo um investimento adicional na otimização da absorção desses nutrientes. A opção por minerais quelatos, apesar de seu custo mais elevado, é vista como uma escolha consciente que eleva a qualidade do alimento. Além disso, ao prescrever suplementos minerais, a opção por formas quelatadas pode ser uma estratégia eficaz para otimizar a absorção desses nutrientes essenciais na dieta de cães e gatos. 5. Macrominerais Cálcio e fósforo No universo dos macrominerais, destaca-se a fundamentalidade do cálcio e do fósforo, ambos ocupando posições de destaque em termos de abundância no corpo humano. O cálcio assume a liderança, seguido pelo fósforo, e a razão para essa predominância está ligada à sua participação essencial na formação da estrutura óssea e dentária, conferindo robustez ao organismo. A importância desses minerais reflete-se na necessidade de grandes quantidades diárias. O cálcio, além de seu papel estrutural em ossos e dentes, desempenha importante função como segundo mensageiro celular. Dentro das células, a liberação de cálcio intracelular serve como meio de comunicação, ativando diversas respostas celulares em decorrência de estímulos hormonais ou neurotransmissores. Essa molécula torna-se, assim, um componente vital para as complexas interações intracelulares. O fósforo, ocupando a segunda posição em termos de quantidade nos ossos e dentes, vai além de sua participação estrutural. Ele desempenha um papel crucial em reações enzimáticas, destacando-se principalmente na transferência de energia. Um exemplo notório é a associação com o ATP (adenosina trifosfato), molécula fundamental na geração de energia celular. A quebra dos fosfatos na molécula de ATP é o processo responsável por fornecer a energia necessária para a sobrevivência da célula. Assim, o fósforo assume um papel central nas intricadas dinâmicas intracelulares, contribuindo para a vitalidade do organismo. Homeostase entre cálcio e fósforo Na intricada dinâmica dos minerais, a homeostase entre cálcio e fósforo revela-se como um delicado equilíbrio mantido por três órgãos principais: o intestino, os ossos e os rins. Para garantir essa estabilidade, entram em cena três hormônios fundamentais: paratormônio, calcitonina e vitamina D. Estes atores bioquímicos desempenham papéis cruciais na busca constante por uma relação equilibrada entre os dois macrominerais. As demandas de cálcio e fósforo variam conforme a fase de desenvolvimento do animal. Filhotes, em pleno desenvolvimento ósseo, requerem quantidades significativamente maiores desses minerais. Deficiências durante essa fase crítica podem resultar em condições como raquitismo, afetando negativamente o crescimento ósseo. Em adultos, a falta adequada desses elementos pode manifestar-se em perda de apetite, perda dentária e enfraquecimento ósseo conhecido como osteomalácia. Entretanto, o excesso desses minerais também não é isento de consequências. Depósitos excessivos de cálcio nas articulações podem comprometer sua mobilidade, levando a alterações articulares. O fósforo, sendo altamente tóxico aos rins, em concentrações elevadas, pode resultar em falhas renais. Além disso, o acúmulo excessivo de cálcio e fósforo pode contribuir para condições como osteocondrose e urolitíases, formação de cálculos no rim, bexiga e uretra. Para garantir a adequada proporção entre cálcio e fósforo na dieta, organizações como FEDIAF e NRC estipulam uma relação de 1 para 1 ou no máximo de 2 para 1. Inverter essa proporção pode acarretar em sérias consequências, como o desenvolvimento do hiperparatiroidismo nutricional secundário. Quando ocorre uma inversão na relação entre cálcio e fósforo na dieta, surge o hiperparatiroidismo nutricional secundário. Nessa condição, a tireoide detecta uma concentração de cálcio mais baixa em relação ao fósforo, desencadeando a liberação aumentada do paratormônio. Esse hormônio, por sua vez, desencadeia uma série de eventos, incluindo a reabsorção óssea de cálcio, aumento da reabsorção renal de cálcio, eliminação aumentada de fósforo pelos rins e maior conversão de vitamina D no rim. Esses processos combinados levam a ossos mais fracos e dentes, uma vez que o organismo tenta restabelecer a concentração de cálcio adequada. Essa indução ao hiperparatiroidismo nutricional secundário é ainda mais acentuada quando a dieta possui baixa concentração de cálcio e uma relação invertida entre cálcio e fósforo. Magnésio Assim como cálcio e fósforo, o magnésio desempenha um papel significativo na saúde dos ossos e dentes, participando ativamente na formação da matriz óssea. Além dessa função estrutural, o magnésio marca presença em diversas áreas do organismo, como coração, musculatura esquelética e sistema nervoso, ativando enzimas e contribuindo para a formação de tecidos. A concentração dietética de cálcio, fósforo, potássio, gordura e proteínas pode afetar a absorção do magnésio. Em dietas ricas nesses elementos, a absorção de magnésio pode ser reduzida. A questão do quelato de magnésio surge como uma estratégia para minimizar os impactos dessas altas concentrações, proporcionando uma absorção mais eficaz. A falta de magnésio pode resultar em consequências sérias para o organismo. Desde fraqueza muscular, devido à sua participação na contração da musculatura esquelética, até hipersensibilidade, devido ao seu papel no sistema nervoso central. A deficiência também pode manifestar-se em anorexia, perda de peso, vômitos, câimbras, diminuição da mineralização óssea, calcificação de órgãos e calcificação renal. Por outro lado, o excesso de magnésio não deve ser negligenciado. Pode resultar em paralisia flácida e aumentar a predisposição a quadros de urolitíase, especialmente em felinos. A formação de cálculos de estruvita, associada ao excesso de magnésio na dieta, requer atenção especial, pois a eliminação desse mineral em excesso pela urina pode facilitar a formação desses cálculos. Em conjunto com cálcio e fósforo, o magnésio desempenha um papel vital na manutenção do equilíbrio e da homeostase dos sais minerais no organismo. A sua importância transcende a estrutura óssea, abrangendo uma gama de funções essenciais para a saúde global do paciente. O cuidado com as quantidades adequadas e a compreensão dos efeitos do excesso são cruciais para garantir o bem-estar dos animais, especialmente dos felinos, diante da peculiar predisposição à urolitíase. Potássio Dentre os minerais essenciais, o potássio destaca-se como o terceiro
mais abundante no corpo, desempenhando múltiplas funções cruciais. Como principal cátion de fluidos intracelulares, o potássio, em sua troca com o sódio, cloro e íons de bicarbonato, exerce papel fundamental na regulação da pressão osmótica e no equilíbrio ácido-base. Sua carga positiva contribui significativamente para o equilíbrio iônico intracelular. A troca de sódio por potássio é essencial para manter o equilíbrio eletrônico e iônico dentro das células, contribuindo para a estabilidade das concentrações intracelulares. Além disso, a concentração de potássio fora das células desempenha papel essencial no equilíbrio ácido-base. O potássio é um protagonista na transmissão de impulsos nervosos e atua ativamente na contração muscular. Sua presença é vital para garantir uma resposta muscular adequada ao estímulo nervoso. A ausência de potássio pode comprometer a condução e resposta muscular, levando a alterações na locomoção e fraqueza muscular. Além de seu papel fundamental nas funções celulares, o potássio atua como cofator em diversas reações enzimáticas. Essa participação em processos enzimáticos destaca sua importância multifacetada na bioquímica do organismo. A deficiência de potássio pode resultar em anorexia, alterações na locomoção, fraqueza muscular, deficiência no crescimento e impactos nas funções cardíacas e renais. Seu papel abrangente torna o potássio um elemento importante na manutenção da saúde em cães e gatos, evidenciando a necessidade de sua presença adequada na dieta desses animais. Sódio e cloro Ao abordarmos o sódio e o cloro, frequentemente associados ao sal de cozinha (cloreto de sódio), é essencial compreender a relevância desses elementos na dieta de cães e gatos. Embora a alimentação humana seja rica em sódio, muitas vezes visto negativamente devido ao seu uso excessivo em produtos industrializados, é preciso reconhecer que tanto o sódio quanto o cloro desempenham papéis vitais na saúde dos animais. O sódio e o cloro são eletrólitos de alta concentração que atuam no equilíbrio ácido-básico e na osmolaridade dos fluidos corporais. A combinação desses elementos forma o cloreto de sódio, conhecido como sal de cozinha. Sua carga elétrica substancial contribui significativamente para o equilíbrio de cargas tanto dentro quanto fora das células. Além disso, sua influência se estende ao equilíbrio ácido-básico e à osmolaridade sanguínea. O pH sanguíneo ideal é importante para a ativação de enzimas, e o sódio e o cloro desempenham um papel vital nesse equilíbrio. Alterações no pH são incompatíveis com a vida, tornando esses elementos essenciais na regulação sanguínea. Além disso, a osmolaridade, relacionada à capacidade de atrair água para o sistema vascular, é mantida em grande parte pela concentração de sódio. O cloro é fundamental na composição da bile e do ácido clorídrico estomacal. O ácido clorídrico contribui para a diminuição do pH estomacal e ativação de enzimas digestivas. Pacientes que apresentam vômitos podem sofrer consequências pela perda significativa de cloro. O aumento da ingestão de sódio pode aumentar o consumo de água pelos animais, acompanhado do aumento da excreção urinária desses elementos. Essa estratégia é frequentemente empregada em alimentos comerciais para animais com alterações de urólitos no trato geniturinário, visando evitar a formação de cálculos. Deficiências de sódio e cloro podem resultar em fadiga, exaustão e fraqueza muscular, devido à importância do sódio na contração muscular. Além disso, a inabilidade na manutenção da água pode levar à diminuição da ingesta hídrica, causando retardo no crescimento de filhotes e alterações na pele e pelo, como ressecamento e quebradiço. Ao compreender esses aspectos, é possível adotar abordagens equilibradas na dieta dos animais, reconhecendo a importância do sódio e do cloro para a saúde e bem-estar. 6. Microminerais Ferro Continuando nossa exploração, agora nos voltamos para os microminerais, começando com um dos mais fundamentais: o ferro. Sua importância reside na formação dos glóbulos vermelhos, sendo essencial para o transporte eficiente de oxigênio no sangue. A ausência de ferro está diretamente relacionada a tipos específicos de anemia. Além disso, o ferro desempenha papéis cruciais na constituição da mioglobina, responsável pelo transporte intramuscular de oxigênio, e nos citocromos, enzimas na matriz mitocondrial que desempenham um papel vital na produção de energia, gerando ATP. Notavelmente, o ferro proveniente de fontes animais possui uma absorção muito mais eficaz do que aquele das fontes vegetais. Isso ressalta a importância de cuidados específicos ao planejar dietas veganas e vegetarianas para cães e gatos, garantindo uma adequada absorção de ferro. Após a absorção, o ferro é transportado até a medula óssea, onde desempenha um papel crucial na síntese da hemoglobina. Esta última é responsável pelo transporte eficaz de oxigênio dentro das hemácias. A ligação do ferro a grupos de aminas dentro da estrutura da hemoglobina mantém sua conformação original, possibilitando o transporte de oxigênio pelo sangue. O ferro também pode ser armazenado em órgãos como o fígado e o baço, ligado a proteínas como a ferritina e a hemociderina. Deficiências de ferro estão diretamente associadas a anemias, resultando em sintomas como fraqueza e fadiga. Animais anêmicos tornam-se indispostos, incapazes de realizar atividades físicas prolongadas devido à falta de oxigenação adequada nos tecidos, incluindo a musculatura. A deficiência de ferro pode afetar o crescimento em filhotes e levar a alterações ósseas secundárias à sua ausência, influenciando a formação da matriz óssea. Cobre Além do ferro, o cobre trabalha na formação da hemoglobina. Sua presença é essencial para otimizar o processo, agindo como um cofator enzimático. Embora não participe diretamente da hemoglobina, o cobre é fundamental para sua formação, especialmente em casos de deficiência de ferro. O cobre atua como cofator enzimático em diversas enzimas, incluindo a superóxido dismutase, envolvida na transformação de radicais livres em peróxido de hidrogênio. Além disso, o cobre possui propriedades antioxidantes, estimulando a atividade da superóxido dismutase. Participa de metaloenzimas, como a citocromoxidase, essencial para a respiração celular, contribuindo de maneira semelhante ao ferro na matriz mitocondrial para a formação de ATP. O cobre também desempenha um papel na síntese de melanina, e deficiências desse mineral podem levar à despigmentação da pelagem. Animais com deficiência de cobre podem apresentar mudanças na pigmentação, resultando em colorações avermelhadas ou castanhas. A deficiência de cobre pode levar a anemias, pois esse mineral pode competir com o ferro na absorção. O uso de cobre quelado pode minimizar essa competição, permitindo uma absorção adequada de ambos os minerais. Raças como West Highland White Terrier, Doberman Pincher e Labrador têm predisposição ao acúmulo de cobre. O excesso desse mineral nessas raças pode resultar em dano mitocondrial hepático, podendo evoluir para cirrose. Cautela é necessária, incluindo dietas específicas que reduzem a ingestão de cobre para prevenir problemas hepáticos nessas raças. Zinco O zinco desempenha um papel vital em mais de 200 reações enzimáticas, destacando sua importância em processos celulares. Participa ativamente da replicação e diferenciação celular, além de ser essencial para a reprodução. No contexto dermatológico, o zinco é necessário para a manutenção da pele e do pelame. Quando há falhas na barreira cutânea ou alterações dermatológicas, otimizar o zinco se mostra interessante para facilitar o processo de restauração. O zinco desempenha um papel significativo na integridade da pele, sendo um elemento essencial em processos de regeneração cutânea. Na esfera reprodutiva, o zinco é requisitado em reações químicas cruciais. Aumentos na concentração de cálcio, cobre, fosfato ferroso, cádmio, cromo e fitatos na dieta podem aumentar a competição pela absorção de zinco. Portanto,
em situações em que esses elementos estão presentes em maior quantidade, é necessário aumentar a concentração de zinco para atender à demanda. A deficiência de zinco está associada a diversos problemas, como anorexia, redução da resposta imune e atrofia testicular. A participação do zinco no sistema imunológico destaca sua importância na resposta antioxidativa endógena. Além disso, deficiências de zinco podem levar a alterações no crescimento de filhotes e manifestações cutâneas, como alopecias e ressecamento do pelo. Para evitar as consequências da competição com outros elementos na absorção, a administração cuidadosa de zinco, muitas vezes quelado, é essencial. Isso contribui para garantir a absorção eficiente desse mineral, especialmente em casos em que a pele e a parte reprodutiva dos animais demandam uma atenção especial. Iodo O iodo desempenha um papel vital na formação dos hormônios tireoidianos, como o T4 e T3. Esses hormônios atuam na regulação do metabolismo basal, afetando diversas funções metabólicas no organismo. Uma deficiência de iodo pode resultar em alterações significativas na produção desses hormônios tireoidianos. Deficiências de iodo têm implicações sérias, como a repressão fetal em fêmeas prenhas. A ausência de iodo leva a um aumento da glândula tireoide, que, ao tentar compensar a falta do mineral, trabalha mais intensamente. Entretanto, essa hiperatividade não se traduz na produção adequada de T4 e T3, resultando em apatia e letargia nos animais afetados. A deficiência de iodo pode levar ao desenvolvimento de mixodema, uma condição caracterizada por uma pele espessa e edematosa. Além disso, a alopecia, a perda anormal de pelos, está diretamente associada à ausência de hormônios tireoidianos. A falta desses hormônios compromete não apenas o metabolismo, mas também a saúde da pele e do pelo. Portanto, garantir uma ingestão adequada de iodo é necessário para manter a função tireoidiana e prevenir uma série de complicações relacionadas ao metabolismo e à saúde reprodutiva. Selênio O selênio é reconhecido principalmente por sua ação antioxidante, notadamente por sua influência na atividade da glutationa peroxidase. Essa enzima, cuja formação é impulsionada pelo selênio, desempenha um papel imprescindível na eliminação do peróxido de hidrogênio, oferecendo uma defesa antioxidante natural. O selênio desempenha um papel importante na proteção contra contaminações por metais pesados, como mercúrio e cádmio. Esses elementos, presentes em algumas dietas, podem levar a intoxicações. O selênio atua no processo de desintoxicação hepática, onde o fígado trabalha para eliminar esses xenobióticos. A metilação e a formação da glutationa, ambas envolvendo o selênio, são essenciais nesse contexto. Deficiências de selênio podem resultar em uma série de problemas de saúde, incluindo distrofia muscular, alterações reprodutivas, diminuição do apetite, edema subcutâneo e mineralização renal. Portanto, garantir uma ingestão adequada de selênio é importante para manter a saúde e prevenir complicações associadas à sua deficiência. Manganês O manganês é essencial para o metabolismo lipídico e de carboidratos. Enzimas envolvidas na produção de energia a partir desses elementos requerem a presença do manganês para seu funcionamento adequado. Sua participação ativa nessas reações metabólicas destaca sua importância no aproveitamento eficaz de nutrientes essenciais. Além do papel metabólico, o manganês desempenha uma função de destaque na formação da cartilagem e na composição da matriz óssea. Como componente ativo da enzima glicosil transferase, é responsável pelo desenvolvimento da matriz óssea orgânica. A mineralização orgânica dos ossos, apesar de frequentemente associada a cálcio e fósforo, também envolve o manganês. Deficiências de manganês podem resultar em alterações no crescimento e na função reprodutiva. Distúrbios na conformação óssea dos membros pélvicos podem ocorrer devido à importância do manganês na formação da matriz óssea. Além disso, distúrbios no metabolismo de lipídios estão associados à deficiência desse mineral, destacando sua influência multifacetada na saúde dos animais. Assegurar uma ingestão adequada de manganês é vital para prevenir essas complicações. Cobalto O cobalto se destaca na formação da vitamina B12, uma substância essencial para o organismo. Sua participação ativa é vital para manter a integridade e a forma dessa vitamina. É importante destacar que a vitamina B12 é produzida principalmente por bactérias intestinais. No entanto, a otimização do cobalto na dieta com o objetivo de melhorar a produção de vitamina B12 é ineficaz, pois as bactérias intestinais a sintetizam no intestino grosso, onde a absorção é limitada. O cobalto deve ser utilizado para a síntese endógena da vitamina B12 no próprio organismo, minimizando a dependência dessa produção bacteriana.

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