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GRUPO EDUCACIONAL FAVENI
 
EDILÂNDIA BUSSONS LIMA MIRANDA
	
A IMPORTÂNCIA DO AFETO PARA O PROCESSO DE APRENDIZAGEM
RODRIGUES ALVES/ AC
2026
CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI
EDILÂNDIA BUSSONS LIMA MIRANDA
A IMPORTÂNCIA DO AFETO PARA O PROCESSO DE APRENDIZAGEM
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Futura – Grupo Educacional Faveni, como requisito parcial para obtenção do título como requisito para obtenção do título Licenciatura em Pedagogia. 
Orientador: Profa. 
 
RODRIGUES ALVES/ AC
2026
A IMPORTÂNCIA DO AFETO PARA O PROCESSO DE APRENDIZAGEM
EDILÂNDIA BUSSONS LIMA MIRANDA
Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de violação aos direitos autorais
Resumo: Este trabalho vem mostrar um pouco sobre a importância do afeto para o processo da aprendizagem, dentro da escola, entre aluno e do professor e tem como objetivo geral compreender como a afetividade interfere no processo de ensino e da aprendizagem da educação infantil. Como objetivo especificos tem-se: investigar como a afetividade age em relação ao aluno e professor e identificar as formas de expressão da afetividade em sala de aula. A metodologia utilizada foi a de o estudo bibliográfico, visando todo o levantamento teórico sobre o tema trabalho. Os principais resultados revelam que a afetividade constitui dimensão estruturante do processo educativo, especialmente na Educação Infantil, tendo em vista que o desenvolvimento humano ocorre de maneira integrada, envolvendo emoção, cognição e movimento, de modo que a aprendizagem não pode ser compreendida como um fenômeno exclusivamente intelectual. Nesse sentido, a criança, ao ingressar no espaço escolar, encontra-se em um processo de transição conceitual e social, no qual passa a ser reconhecida como sujeito histórico e social, ativo na construção de seus conhecimentos.
Palavras - Chave: Educação Infantil. Afetividade. Ensino. Aprendizagem.
Abstract: This work aims to show the importance of affection in the learning process within the school, between student and teacher, and its general objective is to understand how affectivity interferes in the teaching and learning process in early childhood education. Specific objectives include: investigating how affectivity acts in relation to the student and teacher and identifying forms of expression of affectivity in the classroom. The methodology used was a bibliographic study, aiming at a complete theoretical survey on the subject. The main results reveal that affectivity constitutes a structuring dimension of the educational process, especially in early childhood education, considering that human development occurs in an integrated way, involving emotion, cognition, and movement, so that learning cannot be understood as an exclusively intellectual phenomenon. In this sense, the child, upon entering the school environment, is in a process of conceptual and social transition, in which they come to be recognized as a historical and social subject, active in the construction of their knowledge.
Keywords: Early Childhood Education. Affectivity. Teaching. Learning.
1. INTRODUÇÃO
A presente trabalho vem refletir sobre a importância e contribuição da afetividade no processo de ensino-aprendizagem, colocando assim a necessidade de trazer um ambiente escolar mas afetivo, com uma convivência mais agradável entre todos os que nele estão envolvidos, contribuindo para a formação integral da criança. Não tem como negar a interligação da afetividade e a aprendizagem, pois na escola a criança se relaciona emocionalmente com os colegas e professores em sala de aula, assim refletir sobre a necessidade de resgatar este tema na ação pedagógica como facilitador do processo de ensino-aprendizagem, despertando no discente a motivação, a segurança e a melhora no seu desempenho escolar.
A educação escolar é considerado uma das etapas mais importante para o desenvolvimento dos seres humanos na cultura ocidental. Com a ausência dos pais na escola, por varios motivos como configuração familiar, necessidade de trabalho, dentre outros fatores, que culminam numa lacuna a ser preenchida, acendendo um alerta na escola, especialmente quando os educandos “não têm limites na escola”, configurando uma questão de necessidade de atenção. A indisciplina nas salas de aula vem tomando proporções cada vez maiores, professores “estão com medo dos alunos”. 
A escola depende tanto do aluno, como tambem dos pais , assim como a escola, a família tem um papel importante e fundamental no desenvolvimento do indivíduo dentro do ambiente escolar. A família em si é o principal estimulante para o indivíduo desenvolver suas capacidades, ou seja, a educação começa em casa e a escola é apenas um complemento. A família deve começar a estimular o indivíduo logo nos primeiros anos de vida, através de brincadeiras educativas, ler uma estória, conversa com a criança assuntos de interesse do indivíduo. O indivíduo precisa perceber que os pais estão sempre ao seu lado, necessita sentir-se seguro.
 As vivências dos estudos e pesquisas despertaram o interesse pela área de estudo da educação infantil, em que as relações da criança são estendidas para a escola, visto que a partir desse momento, a criança, fará parte de um novo núcleo. A criança ela recebe todo o suporte e todo o apoio afetivo da escola e dos professores, pois ali eles são a base para o seu aprendizado, no momento que ela inicia o processo de estudo, vai desenvolver por muitos anos da sua vida. 
Assim motivar e levar a criança a usar a sua criatividade, explorar seus sentidos, são aspectos muito presentes na educação infantil, não efetivamente completos, porque observamos nos estágios, que nem todo professor ou monitor explora a criatividade das crianças, realizando apenas atividades monótonas. (WALLON, H. 2007).
 Um ponto que chama bastante atenção, é o processo da descoberta em que a criança passa, ou seja, que levam a criança a aprender como identificar as suas emoções e lidar com elas, nesse caso, especialmente na escola. Por essas razões, a escolha do tema foi proposta para abordar a afetividade, porque ela possui estreita relação com o processo de ensino-aprendizagem que a criança vai levar por toda a sua vida (NOVAES, 1982).
O desenvolvimento está articulado diretamente à nossa imersão no mundo social que se dá nos primeiros anos de vida., começando pelas creches e pré-escolas, todos os dias, temos a oportunidade de trabalhar com sensações, interações, condições materiais e imateriais que contribuem para desenvolvimento das crianças. 
O estudo da infância tem propiciado os mais significativos avanços para a compreensão quanto à influência de acontecimentos infantis no comportamento de crianças maiores, adolescentes e adultos. De acordo com Saltini (1999), além do conhecimento de conteúdos e técnicas, as escolas deveriam entender de seres humanos e de amor, posto que, lidar com sonhos, fantasias, símbolos, afetos e dores contribui para o desenvolvimento integral do ser humano. (FARIA, Ana Lúcia G., 2002)
Acreditando que é na relação entre o afetivo e o cognitivo que se formam os vínculos que podem ser facilitadores do processo de aprendizagem, esse estudo busca contribuir com o debate sobre como as práticas afetivas em sala de aula na educação infantil influenciam na aprendizagem das crianças.
Diante isso, podemos concluir que todo professor precisa ter em mente a importância da afetividadena interação com seu aluno, e na construção do conhecimento. Pois é essa relação, afeto-cognição, que possibilita o desenvolvimento global da criança, de modo a oferecer maior equilíbrio e uma maior estabilidade na sua vida social, afetiva, moral e intelectual.
Este estudo tem por objetivo geral compreender como a afetividade interfere no processo de ensino e da aprendizagem da educação infantil. Como objetivos específicos, perseguiu-se: investigar como a afetividade age em relação ao aluno e professor; e, identificar as formas de expressão da afetividade em sala de aula. A pesquisa foi realizada a partir da leitura de artigos científicos, buscados nas plataformas de pesquisa Google Acadêmico e Scielo, sendo, portanto, fruto de uma análise qualitativa de revisão bibliográfica. 
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Assim serão abordadas as concepções sobre a afetividade e o desenvolvimento infantil, como aspecto na construção de identidade do indivíduo. Buscando apresentar a afetividade como uma das dimensões do ser humano e também uma das fases mais antigas do desenvolvimento cognitivo humano. A ação pedagógica se envolve nas práticas afetivas e no cotidiano das crianças, se desenvolvendo em seu aspecto biológico e social, nas relações com o meio (WALLON, 2010.)
 Um ponto que chama bastante atenção, é o processo de descoberta em que a criança passa, ou seja, que levam a criança a aprender como identificar as suas emoções e lidar com elas, nesse caso, especialmente na escola. Por essas razões, a escolha do tema foi proposta para abordar a afetividade, porque ela possui estreita relação com o processo de ensino-aprendizagem que a criança vai levar por toda a sua vida(FARIA, 2002)
Como referencial teórico para esta pesquisa, elegi a teoria da psicogênese da pessoa completa de Henri Paul Hyancinthe Wallon (1879-1962), que aborda de maneira clara e didática o desenvolvimento infantil e todos os aspectos que influenciam o mesmo, além de leituras de autores wallonianos como Dantas (1990), Galvão (2008) e Mahoney e Almeida (2004). Assim, o estudo dessa teoria constitui-se como essencial para o desenrolar desta pesquisa. 
1.1. Contribuições de Wallon para o desenvolvimento infantil 
A psicogênese da pessoa completa percebe o indivíduo como um ser completo, isto é, motricidade, afetividade e cognição fazem parte de um todo, não podendo ser compreendidas individualmente, mas conectadas, num conjunto indissociável. Para Wallon (2005), o desenvolvimento da criança é um processo permeado por conflitos, retrocessos e curvas, ou seja, não é um percurso linear, pois em cada estágio ocorrem mudanças complexas que desorganizam as estruturas existentes, reformulando-as e ressignificando-as. (NOVAES, 1982).
Desse modo, em cada um desses estágios, desenvolvem-se orientações internas ou externas que guiarão o desenvolvimento da criança. Por exemplo, durante os primeiros meses, todos os esforços estão voltados para a compreensão do funcionamento do seu corpo, para a vivência de ações reflexas e espasmos motores, para a descoberta de novas partes do corpo – como as mãos e os pés –, para exploração dos seus limites e formas, para compreender a si mesmo Assim, a emoção dá origem à cognição, pois fornece a motivação para que o bebê compreenda a realidade, auxiliando lhe na passagem de um estado de indiferenciação para um estado de diferenciação em relação aos outros elementos do meio social. (WALLON, H. 2007).
O recém-nascido não reconhece a distinção entre si e o outro e essa separação vai ocorrendo, gradativamente, a partir de suas aprendizagens, gerando uma identificação entre o que pertence a si e ao mundo. Nesse sentido, o estágio impulsivo-emocional conduz o bebê para o reconhecimento de si e, aos poucos, os objetos do ambiente vão se constituindo em elementos de interesse, o que faz com que o próximo estágio seja voltado para o conhecimento do mundo. (FARIA, 2002)
O estágio seguinte, que engloba o período do primeiro ao terceiro ano de vida, é designado por Wallon como estágio sensório-motor e projetivo. Nele as atividades e os interesses da criança estão voltados para fora, ela busca a manipulação dos objetos, interessando-se pelas pessoas à sua volta, é impulsionada a conhecer a si e as coisas, assim, o ato motor é estimulado na exploração do ambiente. Nesse estágio, vão ocorrendo, aos poucos, alterações sistemáticas que unem os canais da percepção através da sensibilidade da criança, podendo ser caracterizada como uma inteligência prática, sustentada pelos atos motores, com o início da marcha e fortalecida pelo surgimento das funções simbólicas. Assim, através dos atos como pegar, arrastar, empurrar, abrir e fechar, essa inteligência prática é enriquecida, uma vez que os atos motores se projetam em atos mentais. (WALLON, H. 2007).
1.2. Relação afetiva entre professora e criança de educação infanti
Antes de adentrar na relação entre professora e criança de educação infantil, gostaria de reafirmar a concepção de criança adotada nesta pesquisa. Assim como na teoria psicogenética de Wallon, a criança considerada aqui não é alguém passivo, objetificado, a-histórico e descontextualizado, mas sim, um sujeito observador, interativo, autônomo, histórico e de direitos, que atua no ambiente e é afetado por ele, em uma constante troca, que favorece o seu desenvolvimento pessoal e social. A professora da educação infantil, por sua vez, atua com a função de cuidar e educar essas crianças, promovendo seu desenvolvimento integral. (FARIA, 2002)
Portanto, garantir essa educação voltada para o desenvolvimento pessoal, a professora deve ser aquela que observa e conhece a sua criança, organizando uma proposta pedagógica que a alcance integralmente, em seus aspectos emocionais, motores e cognitivos. Porém, o ingresso numa instituição de educação infantil, muitas vezes, não é um processo tranquilo. 
Claro que o processo de adaptação é individual, tendo em vista as características de cada criança, mas esse ingresso envolve uma diversidade de fatores desafiadores para as crianças: o ambiente é novo, as pessoas são estranhas, a rotina é desconhecida, a separação dos familiares provoca emoções desagradáveis. WALLON, H. 2007.
Contudo, para se sentir segura na creche ou pré-escola, a criança precisa que os adultos ajam com sensibilidade e ofereçam acolhimento. O acolhimento que falo não é encher as crianças de beijos e abraços, como vimos, uma postura afetiva da professora vai muito além de afagos e carinhos. Sua afetividade pode, e deve, ser manifestada através da maneira como conversa com cada criança, como atende às suas necessidades, como percebe suas preferências, como acredita na sua potência. A professora precisa compreender que, querendo ou não, ele é um referencial moral e ético para as crianças e seus comportamentos tendem a refletir na maneira como a criança reage e aprende.
Por isso que, a tarefa de trabalhar com um ser completo não é fácil, exige além da observação atenta, a compreensão de que a criança “agitada” ou “difícil” passa por processos internos que a desestabilizam, processos que ela própria ainda não compreende. Assim, a professora, como o adulto mais experiente, deve utilizar da sua experiência para acolher as emoções das crianças de uma maneira sensível e solícita, entendendo-as como constituintes do processo de desenvolvimento. 
Um aspecto relevante na relação afetiva que se estabelece entre esses pares é a autoestima da criança. A sensação de se sentir potente e competente no desenrolar das atividades é um elemento estruturante para a formação de bebês, meninos e meninas, daí a importância de conhecê-las. A relação de confiança que se estabelece entre criança e professora é imprescindível para uma aprendizagem significativa, pois ao perceber que é ouvida, a criança passa a partilhar mais, criar mais, se expressar mais e se envolver com outro, se desenvolvendo de modo mais amplo. (FARIA, 2002)
Os comportamentos das crianças, sua aprendizagem, seus desejos, seus sentimentos são afetados por suas emoções. O papel daprofessora nas creches e pré-escolas é auxiliar a criança na educação dessas emoções, lhe ajudando a identificar cada emoção e a aprender como lidar com ela. Portanto, ter consciência do lugar da relação afetiva na educação infantil é um dos pontos de partida do trabalho pedagógico, pois a qualidade da formação integral da criança depende das relações que ela estabelece com o meio e com os adultos e crianças com os quais se relaciona. Se a criança se sente insegura na instituição de educação infantil, ela se expressará menos e se envolverá menos; se ela se sente confiante, se expressará mais e se envolverá mais, se desenvolvendo e aprendendo melhor. (WALLON, H. 2007.)
Em síntese, pode-se afirmar que a afetividade é um processo intrínseco ao ser humano que vem sendo desenvolvido desde a sua infância através de motivações. As ações do ser humano são motivadas pelo interesse a um objeto ou uma situação que se acrescentam cada vez mais com o desenvolvimento intelectual. O afeto é construído a partir do conhecimento e no processo de educação do ser humano. (NOVAES, 1982).
Desde que as crianças nascem, elas precisam de cuidados especiais e de alguém que fique sempre por perto delas, quando crescem, se tornam mais independentes e autônomas, mas, em vários aspectos, principalmente na aprendizagem, a criança precisa de acompanhamento, tanto da família, quanto da escola. Sabemos que a relação família-escola é extremamente importante para a vida escolar das crianças e adolescentes, e esse fator envolve a afetividade, pois se na relação professor-aluno não há afetividade, aos alunos pode se tornar mais complexo o desenvolvimento do processo que vai seguir (WALLON, 2010).
As relações desenvolvidas entre o professor e um aluno são de extrema importância no processo de aprendizagem da educação infantil. São muitos os casos em que o professor é até mesmo considerado pela criança como um membro de sua família. Isso ocorre devido à proximidade diária do professor de educação infantil e por ser um dos primeiros contatos da criança com o universo educacional. (WALLON, H. 2007).
Esse pensamento de Krueger (2002) ressalta a importância da curiosidade para o aprendizado, uma vez que essa pode ser desenvolvida através de relações de afetividade, fazendo com que a criança se sinta amada, aceita, acolhida e ouvida. 
O professor tem função primordial no acompanhamento do desenvolvimento da criança ao universo da busca e do interesse. A postura desse profissional deve manifestar na percepção e na curiosidade da criança que diferem o seu pensamento e o modo de sentir o mundo a cada idade (Krueger, 2002). 
Nesse contexto, temos que a aprendizagem é um processo que apresenta afeitos sobre a mudanças comportamentais no indivíduo. Tais efeitos podem ser observados nas novas experiências que são construídas através de fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais. O professor entra nesse processo como um mediador, com liberdade de intervenção que promove aprendizagens, com diálogo, colaboração e criatividade (Michels, 2010). 
Um educador que não apresenta um trabalho afetivo, com emoção, pode causar uma série de efeitos não só aos alunos como a si mesmo. Segundo Lopes (2010), prejuízos emocionais, desgaste físico e psicológicos podem impactar no processo de ensino aprendizagem das crianças. Foi preciso todo um movimento histórico que possibilitou mudanças significativas na forma de conceber a criança e o modo como ela se desenvolve. A creche teve que superar a visão assistencial com que era identificada. (WALLON, H. 2007).
Os próprios educadores apenas recentemente passaram a discutir a creche e construir concepções do que seria instituição educacional que trabalhasse com crianças desde o primeiro ano de vida por um longo período diário (Pinto, 2002). Para alterarmos a concepção de educação assistencialista precisamos atentar para várias questões que vão muito além dos aspectos legais. Envolve, percebermos as especificidades da educação infantil e rever concepções sobre a infância, as relações entre classes sociais, as responsabilidades da sociedade e o papel do Estado diante das crianças. (FARIA, 2002)
A pedagogia tem-se beneficiado nos últimos anos das mais recentes descobertas da psicologia, psicanálise, antropologia e outros ramos do conhecimento e em especial ao que se refere à criança. Na creche a criança vai vivenciar suas primeiras experiências sociais, estabelecer relações para além do convívio familiar e procurar se adaptar ao convívio e as atividades inerente ao ambiente educacional. É neste momento delicado para a criança, que o(a) educador(a) assume um papel relevante. A criança é apresentada a um mundo vasto, sistematizado através de uma lógica diferenciada da qual ela estava acostumada. 
Cabe, portanto, ao educador promover apoio de forma a contribuir para o momento inicial de sua inserção no ambiente educacional, bem como no desenvolvimento afetivo e psicológico da criança. Para Winnicott (1985, p. 224), a tarefa de educador infantil tem dupla responsabilidade e oportunidade, visto que pode “dar assistência à mãe na sua descoberta das próprias potencialidades materiais e de assistir à criança [...] inevitáveis problemas psicológicos com que o ser humano se defronta”. Enfatiza ainda o referido autor que, para desempenhar função tão delicada faz-se necessário uma pessoa resoluta e coerente em seu comportamento para com a criança, discernindo suas alegrias e mágoas pessoais, tolerante com suas incoerências e apta a ajudá-la no momento de necessidades especiais (Winnicott, 1985). 
A afetividade é de fundamental importância para a construção da pessoa e também da construção do conhecimento e também muito importante para o desenvolvimento da humanidade, pois ela se manifesta desde o nascimento e estende até o primeiro ano de vida do ser humano. Wallon (2010) defende que uma criança saudável, que tem um bom relacionamento com todos e tudo que a cerca. Tem a necessidade de ser um objeto de manifestações afetivas para que assim se desenvolva biologicamente e seja normal.
A afetividade é um sentimento que está baseado na confiança, no carinho, no respeito na admiração e que faz com que nossa autoestima eleve, assim em sala de aula o aluno consegue mostrar se gosta ou não de estar na escola. A falta desse sentimento traz problemas e consegue que a criança fique totalmente negada a tudo. É dever dos pais e dos professores levarem em consideração a afetividade durante o processo de ensino-aprendizagem.
Wallon (2007), diz que tanto a cognição, como a afetividade, brota da dimensão orgânica e vai adquirindo complexidade e diferenciação na relação dialética com o social. Para ele, a construção do sujeito se da na relação com o objeto e depende da alternância entre afetividade (o modo como o indivíduo vai
relacionar o objeto de estudo, com o seu cotidiano, discutindo ativamente com o professor, estabelecendo relações mais íntimas com o professor), e a inteligência, caracterizada pelo processo de cognição do aluno (DANTAS, 1992).
Sabe-se que a família é o pilar primordial na construção de uma boa educação dos filhos, ela é responsável pela formação da consciência cidadã do jovem e também apoio importante no processo de adaptação das crianças para a vida em sociedade. Quando existe a ausência familiar gera graves consequências na formação, alimentando valores egocêntricos, que levam os mais jovens ao mundo do vício e das futilidades. A família está mudando a sua identidade, são poucas as que resguardam a família tradicional, a ausência familiar gera graves consequências na formação, alimentando valores egocêntricos, que levam os mais jovens ao mundo do vício e das futilidades. 
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A afetividade constitui dimensão estruturante do processo educativo, especialmente na Educação Infantil, tendo em vista que o desenvolvimento humano ocorre de maneira integrada, envolvendo emoção, cognição e movimento, de modo que a aprendizagem não pode ser compreendida como um fenômeno exclusivamente intelectual.Nesse sentido, a criança, ao ingressar no espaço escolar, encontra-se em um processo de transição conceitual e social, no qual passa a ser reconhecida como sujeito histórico e social, ativo na construção de seus conhecimentos.
As interações estabelecidas no ambiente escolar exercem papel determinante na constituição da personalidade e na organização do pensamento infantil. A afetividade não se configura como elemento secundário, mas como condição fundamental para que a criança desenvolva segurança emocional, autonomia e disposição para aprender. Assim, o vínculo estabelecido entre educador e educando torna-se mediador essencial do processo de ensino-aprendizagem.
REFERÊNCIAS
ARIÉS, Philippe. História social da criança e da família. 2ª ed., Rio de Janeiro: Guanabara: 1973. p.279 
CAMPOS, Maria Malta; ROSEMBERG, F.; FERREIRA, I. Creche e Pré-Escolas no Brasi. São Paulo: Cortez Editora, 1993. 
CUNHA, Eugênio. Afeto e Aprendizagem: Relação de Amorosidade e Saber na Prática Pedagógica. Rio de Janeiro: WAK,2010. 
FARIA, Ana Lúcia G. Educação Pré-Escolar e Cultura. São Paulo: Cortez Editora, 2002. 
GALVÃO, I. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis: Vozes, 1995. 
GUIOTTI, Lilian Fradique. EDUCAÇÃO INFANTIL: a importância da afetividade na relação professor-aluno na percepção de educadores. 2011. 26 f. TCC (Graduação) - Curso de Pedagogia, Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2011. 
HILLAL, Josephina. Relação professor – aluno: formação do homem consciente. São Paulo: Paulinas, 1985. 
KRUEGER, MagritFroehlich. A relevância da Afetividade na Educação infantil. Santa Catarina: Instituto Catarinense de Pós-Graduação e Associação Educacional Leonardo da Vinci, 2002. 
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 
LOPES, Honorina Conceição Rozendo. A importância da afetividade na educação infantil. Trabalho de conclusão de curso. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Três Cachoeiras – RS. 2010.
VYGOTSKY, L.S. Psicologia pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
WALLON, H. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
 
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