Prévia do material em texto
Introdução à farmacologia Profa. Cristiane Paiva Coelho Soares Apresentação Neste estudo, abordaremos o histórico da farmacologia, conceitos essenciais e as fases da pesquisa clínica para o desenvolvimento de fármacos. Exploraremos os princípios da ação medicamentosa e suas aplicações práticas, fundamentais para a atuação eficaz dos profissionais da saúde na promoção da qualidade de vida. Propósito Objetivos Módulo 1 Histórico e evolução da farmacologia Descrever o histórico e a evolução da farmacologia como ciência. Módulo 2 Conceitos da farmacologia e suas aplicações Identificar os principais conceitos da farmacologia, suas aplicações associadas e a ação medicamentosa dos fármacos. Módulo 3 Desenvolvimentos dos fármacos Reconhecer o processo de desenvolvimento dos fármacos e a importância de casa fase. Introdução Para começarmos o estudo da farmacologia, precisamos compreender conceitos fundamentais, como: o que é saúde? O que é doença? O que são medicamentos? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o conceito de saúde é amplo, pois não está ligado apenas à ausência de doença, e sim a uma relação perfeita entre o bem-estar físico, mental e social. Esta definição, descrita em 1947, foi bastante criticada, já que aponta para algo “inalcançável”. Cabe destacar que essa definição é válida até os dias de hoje, mas ainda é alvo de críticas e reflexões de muitos pesquisadores. O termo doença pode ser descrito como estado causado por uma afecção em um organismo, alterando seu bem-estar. O Ministério da Saúde traz esse conceito como uma alteração ou um desvio do estado de equilíbrio de um indivíduo com o meio ambiente, conceito este adotado em 1987. O estudo dos medicamentos é importante para obter uma melhor compreensão da atuação das drogas dentro do organismo humano. Historicamente, os medicamentos foram originados de elementos da natureza e, até hoje, são recursos fundamentais na melhoria da qualidade de vida do indivíduo, seja trazendo a cura, seja amenizando a dor, seja para fins diagnósticos. Podemos dizer que o medicamento é uma das “pontes” que leva o nosso organismo da doença para a saúde. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material javascript:CriaPDF() 1 - Histórico e evolução da farmacologia Ao final deste módulo, você será capaz de descrever o histórico e a evolução da farmacologia como ciência. Histórico da farmacologia Compreenda, neste vídeo, o desenvolvimento da farmacologia no mundo e no Brasil. Farmacologia no mundo Séculos atrás, as doenças eram usualmente consideradas como possessões demoníacas ou resultantes da raiva dos deuses. Muitas vezes, para ajudar no combate aos sintomas, a população utilizava rituais religiosos e poções à base de ervas. O uso de substâncias químicas esteve, desde então, presente na sociedade, no intuito de aliviar a dor e o sofrimento físico. Segundo a fala do famoso médico, alquimista, físico e astrólogo Paracelso, do século XVI, “O que difere veneno de remédio é a dose”. Quando estudamos a história dos medicamentos, nós nos confrontamos com um único profissional que era capaz de compreender os sintomas, diagnosticar as enfermidades e preparar formulações medicamentosas a fim de tratar o doente. Este profissional era médico e farmacêutico ao mesmo tempo. A história da farmácia e dos medicamentos é bem descrita por Cláudio Galeno, médico e filósofo nascido em Pérgamo, antiga cidade grega, hoje território da Turquia. Galeno criou uma coletânea (Corpus Galenus), na qual abrange o campo da medicina, filosofia, matemática, gramática e do direito. Uma de suas principais obras é o De methodo medendi, escritos em 14 volumes, abordando a parte terapêutica. O médico ressaltava que a doença se iniciava a partir de uma desordem humoral ou até mesmo a partir de lesões do corpo. Ao compreender os sintomas do paciente, seria possível traçar um prognóstico e iniciar a terapêutica adequada para o quadro, objetivando o equilíbrio humoral. A base terapêutica de Galeno era pautada em alguns fatores, como personalidade do paciente, idade, raça e até mesmo o clima em que ele vivia. Ele acreditava que esse conjunto de fatores interferiam de alguma forma nos humores no corpo. Diante dessas respostas, era traçado qual medicamento seria ministrado ao paciente. Prognóstico Termo muito utilizado na Medicina. Ele se baseia no diagnóstico do paciente a fim de prever a evolução e as consequências de alguma patologia. Curiosidade O termo farmacologia vem do grego fármacon, que significa droga e logia, derivado de lógus, que significa estudo. Desta forma, a farmacologia é um ramo da farmácia que estuda como as substâncias químicas interagem com os sistemas biológicos. Vamos acompanhar, a seguir, a evolução dos medicamentos ao longo do tempo. Confira! Começo do século XIX Boa parte dos medicamentos era de origem natural, independentemente de ser extraído de um vegetal, mineral ou animal, e, muitas vezes, de estrutura química e natureza desconhecidas, como a obtenção de morfina, derivada do ópio retirado do leite da papoula. Anos depois, com a descoberta da química orgânica, muitas drogas foram isoladas e identificadas, favorecendo a evolução da farmacologia moderna. Século XX Novos fármacos foram desenvolvidos, muitos de origem sintética, e introduzidos no mercado, proporcionando aos pacientes uma possibilidade de cura para doenças ditas fatais e, frequentemente, de natureza infecciosa, como tuberculose, varíola e gripe espanhola. Atualmente Boa parte dos medicamentos são produzidos Com o avanço da expectativa de vida e a necessidade no aumento da prevenção de doenças, os medicamentos se apresentam como um dos maiores responsáveis pelos gastos com saúde pública. Farmacologia no Brasil Fontes históricas relatam que, em 1549, partindo de Portugal, chegou ao Brasil o primeiro governador-geral, Tomé de Souza, acompanhado de uma comitiva de, aproximadamente, mil pessoas. Nesse grupo, estava Diogo de Castro, um boticário, profissional responsável por manipular e produzir medicamentos na frente dos pacientes, de acordo com a farmacopeia e prescrição médica. Ao chegar ao Brasil, Diogo de Castro encontrou uma comunidade indígena que utilizava raízes, folhas, flores e sementes para tratar seus doentes. Os portugueses, com sua intenção de catequizar os indígenas, exploraram a riqueza natural da região e acabaram aprendendo a manipulação de matérias-primas extraídas da natureza para a produção de remédios. Com o avançar dos anos, várias boticas foram fundadas. Foram instaladas na Bahia, em Pernambuco (Olinda e Recife), no Maranhão, Rio de Janeiro e em São Paulo. A botica que ganhou destaque foi a da Bahia, pois se tornou um centro de distribuição. A partir da primeira metade do século XIX, devido à necessidade crescente de medicamentos para os enfermos, a botica – onde eram Boa parte dos medicamentos são produzidos em escala industrial, respeitando as boas práticas de fabricação e, dessa forma, conseguiram alcançar um papel central na terapêutica. pesquisadas e manipuladas fórmulas extemporâneas – deu lugar a outros dois novos tipos de estabelecimentos: Farmácia Laboratório industrial farmacêutico As preparações passaram a ser manipuladas em maiores quantidades e com melhores critérios de qualidade, já que as boticas não conseguiam abastecer os hospitais com regularidade. Atividade 1 No estudo da evolução da medicina e farmacologia, é essencial reconhecer figuras históricas que moldaram os conceitos atuais de terapia médica. Paracelso, um ícone do século XVI, é frequentemente lembrado por sua famosa declaração sobre a natureza dual das substâncias químicas. Com base nisso, qual enunciado melhor reflete o pensamento de Paracelso sobre a diferença entre veneno e remédio? Parabéns! A alternativa C está correta. Paracelso, um influente médico, alquimista e astrólogo2018. HILAL-DANDAN, R.; BRUNTON, L. Manual de farmacologia e terapêutica de Goodman & Gilman. Porto Alegre: AMGH, 2015. JANNUZZI, A. H. L.; VASCONCELLOS, A. G.; SOUZA, C. G.Especificidades do patenteamento no setor farmacêutico: modalidades e aspectos da proteção intelectual.In:Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 6, p. 1205-1218, jun 2008. Consultado na internet em: 24 jul. 2020. KATZUNG, B. G.Farmacologia Básica e Clínica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guabanara Koogan, 2013. LULLMANN, H.Farmacologia: texto e atlas [recurso eletrônico] / Heinz Lüllmann, Klaus Mohr, Lutz Hein; tradução e revisão técnica: Augusto Langeloh. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. MARQUES, M. B.Patentes farmacêuticas e acessibilidade aos medicamentos no Brasil.In:Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 07-21, jun 2000. Consultado na internet em: 24 jul. 2020. MELO, D. O.; RIBEIRO, E.; STORPIRTIS, S.A importância e a história dos estudos de utilização de medicamentos.In:Rev. Bras. Cienc. Farm., São Paulo, v. 42, n. 4, p. 475-485, dez 2006. Consultado na internet em: 24 jul. 2020. SEGRE, M.; FERRAZ, F. C.O conceito de saúde.In:Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 31, n. 5, p. 538-542, out 1997. Consultado em meio eletrônico em: 24 jul. 2020. RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M.Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. TAVARES, L. C.Origens e trajetórias da indústria farmacêutica no Brasil.In:Rev. Bras. Cienc. Farm., São Paulo, v. 44, n. 1, p. 166-167, mar 2008. Consultado na internet em: 24 jul. 2020. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material javascript:CriaPDF() O que você achou do conteúdo? Relatar problemado século XVI, é conhecido por sua máxima "O que difere veneno de remédio é a dose". Essa frase reflete sua crença de que substâncias que podem ser tóxicas em grandes quantidades podem ter efeitos terapêuticos em doses adequadas. Assim, ele destacava a importância da dosagem na determinação se uma substância atua como veneno ou como remédio, independentemente de sua origem ou natureza. Esta compreensão foi fundamental para o desenvolvimento da toxicologia e da farmacologia moderna, sublinhando que a A A diferença reside apenas na fonte da substância, natural ou sintética. B A diferença está no estado físico da substância, sólido ou líquido. C A diferença está na dose administrada. D A diferença é determinada exclusivamente pela intenção do usuário. E A diferença depende da época em que a substância é utilizada. segurança e a eficácia de uma substância dependem da quantidade administrada. Remédio X Medicamento: definições Neste vídeo, veja a diferença entre remédio e medicamento e, ainda, entre medicamentos magistrais e oficinais. Antes de tudo, vamos conferir as diferenças entre as definições de remédio e medicamento. Vamos lá! Remédios São todos os métodos ou cuidados terapêuticos que ajudam a aliviar desconfortos. Um remédio para a fadiga, por exemplo, é o repouso. Outros recursos terapêuticos, como fisioterapia, acupuntura, psicoterapia, massagens e Medicamentos Refere-se a um produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico, na qual são produzidos com rigoroso controle técnico para atender às compressas locais, também são considerados remédios. especificações determinadas pelos órgãos reguladores. Vamos pensar em uma situação real? Considere o caso a seguir! Você sai com alguns amigos para um bar em que comem, bebem e se divertem muito. Na volta para casa, no entanto, seu estômago dói e você está nauseado. Alguma coisa que você comeu não te fez bem. Nesse momento, sua avó te liga e você conta que não está se sentindo muito bem. Ela te orienta a fazer um chá de boldo, que é “ótimo para essas coisas.”. Neste caso, o chá de boldo é um: O chá de boldo é utilizado como um remédio caseiro recomendado pela avó para aliviar os sintomas de desconforto estomacal. Em geral, o termo remédio pode se referir a qualquer substância ou tratamento que é usado para aliviar ou curar doenças e sintomas, abrangendo tanto medidas caseiras quanto medicamentos prescritos. No caso do chá de boldo, ele atua como um remédio natural, sem ter sido prescrito por um profissional de saúde ou necessitar de regulamentação e controle como um medicamento comercializado. Embora tenha uma função terapêutica, o chá de boldo não é um produto formalmente reconhecido ou regulamentado por órgãos de saúde como um medicamento. Medicamentos são produtos farmacêuticos preparados e vendidos com a finalidade específica de tratar ou prevenir doenças, e estão sujeitos a rigorosos processos de aprovação e controle de qualidade. Nesse contexto, o chá de boldo seria considerado apenas um remédio, uma vez que é uma solução caseira e natural utilizada para aliviar sintomas. Devemos ter sempre em mente que todo medicamento é um remédio, mas nem todo remédio é um medicamento. Todo medicamento possui valores agregados, como: valor terapêutico; valor preventivo; ganhos em saúde, como melhoria da qualidade de vida; e redução dos custos da doença. Remédio, mas não um medicamento Medicamento, mas não remédio Os medicamentos são produtos acabados que contêm o componente responsável pelo principal efeito, conhecido como princípio ativo, fármaco ou, mais recentemente, insumo farmacêutico ativo, e seus adjuvantes farmacêuticos necessários para facilitar a administração. Podem ser manipulados no intuito de atender a um indivíduo de maneira personalizada, para atender suas necessidades em formulações nas mais variadas formas farmacêuticas. Esses medicamentos são classificados em oficinais ou magistrais. Embora os significados sejam bem próximos, os termos medicamento oficinal e magistral possuem definições distintas. Veja os conceitos: São aqueles preparados diretamente em uma farmácia de manipulação de forma individualizada, e não pela indústria farmacêutica. Essa preparação é realizada a partir de formulações descritas no Formulário Nacional ou em Formulários Internacionais reconhecidos por órgãos fiscalizadores, como, por exemplo, a manipulação de uma solução de álcool iodado. São obtidos a partir de uma prescrição feita por um profissional habilitado. Neste caso, o prescritor deverá fornecer informações quanto à dosagem, composição, forma farmacêutica, posologia e ao modo de uso. A grande vantagem deste tipo de medicamento é que poderemos obter formulações que conservem o princípio ativo e resolva problemas de administração realizando alterações da formulação original. Podemos exemplificar como medicamentos magistrais as formulações polivitamínicas prescritas de forma individualizada por um endocrinologista. Medicamentos oficinais Medicamentos magistrais Atividade 2 Durante uma discussão em sala de aula sobre as diferentes formas de tratamento de doenças, a professora de farmacologia propõe uma questão para diferenciar dois conceitos muito usados no dia a dia, mas que possuem significados distintos na área da saúde. Qual das seguintes definições melhor distingue um remédio de um medicamento? A Um remédio e um medicamento são termos que podem ser usados de forma intercambiável. B Um remédio refere-se a qualquer intervenção que pode aliviar sintomas ou curar doenças, incluindo práticas como repouso e terapias alternativas. C Um medicamento é sempre um produto natural, enquanto um remédio é produzido sinteticamente. D A diferença é determinada exclusivamente pela intenção do usuário. E Medicamentos são práticas terapêuticas como massagens e Parabéns! A alternativa B está correta. Remédios incluem uma ampla gama de tratamentos e cuidados que podem aliviar sintomas ou tratar doenças, incluindo métodos não farmacológicos como repouso e terapias alternativas. Medicamentos, por outro lado, são especificamente produtos farmacêuticos formulados para fins de diagnóstico, prevenção ou tratamento de doenças. Medicamentos: referência, genéricos e similares Neste vídeo, entenda o que são medicamentos inovadores, de referência, genéricos, similares, bem como a intercambialidade entre eles, e o que significam as tarjas em medicamentos tarjados. Todos os medicamentos têm como garantia a segurança, eficácia e qualidade, colaborando com o acesso da população àqueles considerados essenciais. Os medicamentos que são produzidos pelas indústrias farmacêuticas apresentam distintas classificações de acordo com a Resolução-RDC Nº 16, de 2 de março de 2007: Medicamento inovador São medicamentos comercializados em âmbito nacional, que apresentam como princípio ativo pelo menos um fármaco patenteado, acupuntura, enquanto remédios são compostos químicos. caracterizando, dessa forma, uma nova molécula que agregue ganhos terapêuticos. De modo geral, os medicamentos inovadores podem ser reconhecidos como medicamentos de referência. Medicamentos de referência A indústria farmacêutica, muitas vezes, investe em pesquisas clínicas para descobrir novos fármacos. A partir dessas substâncias, são elaborados medicamentos inovadores, que podem ser chamados de medicamentos de referência, ou seja, o produto inovador com marca registrada. Um medicamento de referência não precisa, necessariamente, conter uma molécula nova. Por exemplo, o Buscopan é um medicamento de referência e tem como princípio ativo a escopolamina. O Buscopan Composto tem, em sua fórmula, a associação da escopolamina com dipirona e faz parte do rol de medicamentos de referência. É importante frisar que o medicamento de referência precisa ter qualidade, eficácia e segurança, o que só pode ser comprovadas depois de muitos investimentos em anos de pesquisa.Esses medicamentos, como já discutimos anteriormente, poder ser patenteados; dessa forma, a indústria terá a exclusividade na comercialização da fórmula durante o período de patente, que varia entre 10 e 20 anos. Cabe ressaltar que esta comercialização só ocorrerá mediante autorização concedida por órgãos fiscalizadores, como a Anvisa. Após a expiração da patente, outras indústrias poderão produzir e comercializar o produto. Medicamentos genéricos No início do século XX, a indústria brasileira de medicamentos tinha total domínio sobre o comércio nacional, sem competição, exercendo, assim, preços elevados e, por vezes, baixo investimento em tecnologia. Na década de 1990, com a abertura do comércio pela diminuição das tarifas de importação e a assinatura do governo do Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights (TRIPS), muitas indústrias nacionais saíram do mercado, gerando um aumento exponencial das importações e, consequentemente, queda da indústria de medicamentos no Brasil. Diante do exposto, o governo pretendia reequilibrar este setor, e logo veio a criação da Lei nº. 9.787, de 1999, também conhecida como “Lei dos Genéricos”. Esta lei leva ao término da concessão das patentes por mais de 20 anos, além de autorizar a produção de medicamentos genéricos. Confira os aspectos principais desse tipo de medicamento! Têm como características o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica do medicamento de referência, além de compartilhar a mesma via, com a mesma posologia e indicação terapêutica. Para ganhar essa denominação, necessita passar por testes que comprovem sua eficácia e segurança. Após realização dos testes, é possível assegurar a substituição do medicamento de referência pelo medicamento genérico. Essa possibilidade é certificada por meio de ensaios que avaliam a bioequivalência entre eles. Os testes de bioequivalência são avaliações comparativas entre medicamentos de referência e genéricos, onde se busca comprovar que os genéricos e os de referência apresentam biodisponibilidade igual no organismo. O teste de biodisponibilidade evidencia a quantidade de fármaco que é absorvida e a velocidade deste processo por unidade de tempo. Dessa forma, Características iguais Intercambiáveis quando dois fármacos apresentam a mesma biodisponibilidade, poderemos dizer que são compatíveis e, portanto, intercambiáveis. A fim de identificar os medicamentos genéricos, os fabricantes devem seguir algumas normas pré-estabelecidas como o fato destes não possuírem marca, e sim o princípio ativo indicado na caixa. Esses medicamentos devem apresentar uma tarja amarela com o termo Medicamento Genérico escrito, além do número e nome da lei impressos na embalagem: “Medicamento Genérico Lei nº 9.787, de 1999”. Medicamentos genéricos. Os genéricos chegaram com o intuito de trazer mais acesso aos medicamentos de qualidade, a fim de minimizar o domínio da produção por parte das grandes multinacionais. O preço dos medicamentos genéricos geralmente é menor do que os medicamentos de referência. Medicamentos similares Contêm mesmo princípio ativo, mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica dos medicamentos de referência, mas podem ser diferentes no tamanho e na forma do produto, no prazo de validade, na embalagem, rotulagem, em excipientes e no veículo e devem sempre ser identificados pelo nome comercial (marca). Testes de eficácia e segurança se fazem necessários para qualquer medicamento. Porém, os estudos de biodisponibilidade relativa e bioequivalência são obrigatórios no caso dos medicamentos classificados como tarjados. O teste de bioequivalência para os similares tarjados só veio a ser obrigatório a partir de 2003, com a Resolução RDC 134/2003, ou seja, são exigidos os mesmos testes que os genéricos para a comprovação de que estes medicamentos apresentam o mesmo comportamento no organismo quando comparado aos de referência. Essa modificação foi importante para garantir a utilização dos medicamentos similares de forma segura. Com a modificação na lei, os similares tarjados acabaram se tornando intercambiáveis com os medicamentos de referência. Como base para este tipo de substituição, a Anvisa disponibiliza, em seu portal, uma lista para consulta chamada Lista de medicamentos similares intercambiáveis, conforme RDC 58/2014. Veja a seguinte imagem! Medicamento de referência X Genérico X Similar. Você é um farmacêutico em uma farmácia comunitária e um cliente chega procurando um medicamento específico prescrito por seu médico para tratar hipertensão. O medicamento prescrito é o Capoten, um conhecido medicamento de referência. No entanto, o cliente está preocupado com o custo e pergunta sobre opções mais acessíveis. Você verifica o estoque e encontra o captopril genérico, que é bioequivalente, e também um medicamento similar que contém captopril. Diante dessa situação, qual abordagem você pretende adotar para orientar o cliente corretamente? Isso mesmo! O medicamento genérico tem o mesmo princípio ativo, dose, forma farmacêutica, e eficácia comprovada através de testes de bioequivalência, garantindo que será tão eficaz quanto o de referência, mas a um custo menor. Por isso, recomendar o medicamento genérico é a melhor escolha nesse caso, pois ele é comprovadamente bioequivalente ao medicamento de referência, garantindo a mesma eficácia e segurança no tratamento da hipertensão, com o benefício adicional de ser mais econômico. Essa abordagem maximiza a adesão ao tratamento pelo paciente devido ao menor custo, mantendo a qualidade e eficácia. Não! Desencorajar o uso de medicamentos genéricos ou similares baseando-se apenas na suposição de que apenas os medicamentos de referência são seguros ou eficazes é um equívoco. Os genéricos, desde sua concepção, passam por rigorosos testes de bioequivalência e são tão eficazes quanto os de referência, oferecendo uma opção mais acessível para os pacientes, e os similares passaram a necessitar comprovar sua bioequivalência desde 2003, sendo aqueles com os testes feitos intercambiáveis com os medicamentos de referência. Medicamentos tarjados Os medicamentos podem ser classificados de acordo com seus riscos potenciais ao organismo. Essa classificação é identificada por tarjas Recomendar o medicamento genérico Aconselhar o cliente a comprar apenas o medicamento de referência coloridas nas embalagens e inscrições que orientam a dispensação desses produtos. Tarja vermelha Usada para identificar os medicamentos que têm contraindicação e podem causar efeitos colaterais graves. Eles devem ser vendidos com apresentação de receita, sem que ela fique retida no estabelecimento. Nessa tarja está escrito o seguinte: “Venda sob prescrição médica”. Vermelha com retenção de receita: presente na embalagem de medicamentos de controle especial. Medicamentos dessa classe só podem ser vendidos com apresentação do receituário especial, que ficará retido. Nessa tarja, é impressa uma das seguintes mensagens: “Venda sob prescrição médica – só pode ser vendido com retenção de receita” ou “Venda sob prescrição médica – só pode ser vendido com retenção da receita. Atenção: risco para mulheres grávidas; causa graves defeitos nas faces, nas orelhas, no coração e no sistema nervoso do feto”. Tarja preta Identifica os medicamentos com ação sedativa ou que ativam o sistema nervoso central. Esses medicamentos podem ser classificados como psicotrópicos ou entorpecentes. Essa tarja vem acompanhada da seguinte orientação: “Venda sobre prescrição médica – o abuso deste medicamento pode causar dependência”. Tarja amarela Indica que o medicamento é genérico e deve conter a seguinte mensagem: “Medicamento Genérico”, em azul. Atividade 3 Os medicamentos genéricos desempenham um papel importante no sistema de saúde por oferecerem uma alternativa mais acessível sem comprometer a qualidade. Qual das seguintes afirmações explica corretamente o que énecessário para um medicamento ser classificado como genérico? A Deve ter a mesma forma farmacêutica e princípio ativo que o medicamento de marca, mas pode variar na posologia. B Deve passar por testes de eficácia e segurança, mas não é necessário Parabéns! A alternativa C está correta. Os medicamentos genéricos são definidos por apresentarem o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica do medicamento de referência, além de compartilharem a mesma via de administração e indicação terapêutica. Essa equivalência garante que eles sejam substitutos eficazes e seguros dos medicamentos de referência, proporcionando os mesmos benefícios terapêuticos. Para que um medicamento seja oficialmente classificado como genérico, ele também deve passar por rigorosos testes de bioequivalência que comprovem que sua biodisponibilidade no organismo é comparável à do medicamento de referência. Esses testes asseguram que os genéricos sejam tão eficazes e seguros quanto os medicamentos de referência, mas geralmente a um custo menor, contribuindo assim para maior acessibilidade no tratamento de pacientes. comprovar bioequivalência. C Deve ter o mesmo princípio ativo, dose, forma farmacêutica, via de administração e indicação terapêutica que o medicamento de referência. D Pode variar na concentração do princípio ativo em comparação ao medicamento de referência. E Necessita apenas da aprovação visual e de embalagem para ser comercializado como genérico. Medicamentos biossimilares (produtos biológicos) Neste vídeo, compreenda o que são os medicamentos biossimilares e as diferenças entre eles segundo a legislação. Esse tipo de medicamentos engloba aqueles que foram obtidos a partir de um processo biológico, diferentemente das outras classes de medicamentos, que são obtidas por síntese, extração ou purificação basicamente. Os produtos biológicos são as vacinas, soros hiperimunes, hemoderivados, biomedicamentos (medicamentos obtidos a partir de fluidos biológicos ou de tecidos de origem animal e medicamentos obtidos por procedimentos biotecnológicos), anticorpos monoclonais e medicamentos contendo microrganismos vivos, atenuados ou mortos. Essas moléculas são geralmente maiores e mais complexas, o que dificulta sua obtenção e purificação, uma vez que são produtos do metabolismo de um organismo. Seu registro também não segue aquele fundamentado na lei dos genéricos e é regulado pela Resolução RDC nº 55, de 16 de dezembro de 2010. Nela, estão descritos alguns conceitos importantes, como: Produto biológico É o medicamento biológico que não é novo ou conhecido, que contém molécula com atividade biológica conhecida, já registrado no Brasil e que tenha passado por todas as etapas de fabricação (formulação, envase, liofilização, rotulagem, embalagem, armazenamento, controle de qualidade e liberação do lote do produto para uso). Produto biológico novo É o medicamento biológico que contém molécula com atividade biológica conhecida, ainda não registrado no Brasil, e que tenha passado por todas as etapas de fabricação (formulação, envase, liofilização, rotulagem, embalagem, armazenamento, controlede qualidade e liberação do lote de medicamento biológiconovo para uso). Produto biológico comparador É o produto biológico já registrado na Anvisa com base na submissão de um dossiê completo e que já tenha sido comercializado no país. Medicamento biológico similar É o produto biológico registrado pela via de desenvolvimento por comparabilidade, que é a via regulatória utilizada por um produto biológico para obtenção de registro, em que foi utilizado o exercício de comparabilidade em termos de qualidade, eficácia e segurança entre o produto desenvolvido para ser comparável e o produto biológico comparador. Via de desenvolvimento por comparabilidade É a via regulatória que poderá ser utilizada por um produto biológico para obtenção de registro junto à autoridade regulatória, em que foi utilizado o exercício de comparabilidade em termos de qualidade, eficácia e segurança entre o produto desenvolvido para ser comparável e o produto biológico comparador. Via de desenvolvimento individual É a via regulatória que poderá ser utilizada por um produto biológico para obtenção de registro junto à autoridade regulatória, em que é preciso apresentar dados totais sobre desenvolvimento, produção, controle de qualidade e dados não clínicos e clínicos para demonstração da qualidade, eficácia e segurança do produto. Como são obtidos por processos distintos dos demais tipos de medicamento, não é possível comparar os processos produtivos, e, portanto, a comparação (via da comparabilidade) se dá pelos resultados clínicos que não podem ser inferiores aos resultados esperados pelo medicamento que perdeu sua patente. A incorporação de medicamentos biológicos é, hoje, a maior estratégia para dar acesso a produtos de biotecnologia aos pacientes e garantir a saúde financeira das instituições. Estima-se que o uso desses medicamentos pode levar à redução de 80% do custo total do tratamento. Foi essa tecnologia a responsável, por exemplo, pela incorporação do anticorpo monoclonal Trastuzumabe no SUS, o que mudou o panorama do tratamento de câncer de mama no Brasil. Atividade 4 Ao considerar a complexidade dos medicamentos biológicos em comparação com outros medicamentos sintéticos ou extraídos, é fundamental compreender suas características e processos de aprovação. Qual dos seguintes é uma descrição correta de um produto biológico novo conforme regulamentação brasileira? A Um medicamento que é fabricado fora do Brasil e nunca foi comercializado. B Um medicamento biológico que já foi registrado em outros países, mas ainda não no Brasil. C Um medicamento que utiliza moléculas sintéticas em vez de biológicas. D Um medicamento biológico que contém uma molécula conhecida e ainda não registrado no Brasil, que passou por todas as etapas de fabricação. Parabéns! A alternativa D está correta. Conforme definido na Resolução RDC nº 55, um produto biológico novo refere-se a um medicamento biológico que contém uma molécula biologicamente ativa já conhecida, mas que ainda não foi registrado no Brasil. Esse produto deve ter passado por todas as etapas de fabricação necessárias para garantir sua segurança e eficácia. Ampliando o conhecimento João, um farmacêutico responsável em uma farmácia comunitária, enfrentou um desafio interessante em um dia movimentado. Uma paciente, Maria, chegou com uma prescrição para Lisinopril, um medicamento amplamente usado para tratar hipertensão. Maria estava preocupada com o custo do medicamento e perguntou a João se haveria uma alternativa mais acessível. João explicou que havia três opções: o medicamento de referência, o genérico e o similar. O Lisinopril de referência era o mais caro, mas também o mais conhecido e estudado. Em seguida, ele apresentou o genérico, que possui o mesmo princípio ativo, a mesma eficácia, segurança e qualidade, mas com um preço significativamente menor devido à expiração da patente do produto de referência. Por fim, ele mencionou o medicamento similar, que tem o mesmo princípio ativo, mas pode diferir em excipientes, embalagem e algumas E Um medicamento biológico que substitui totalmente os medicamentos convencionais. outras características não essenciais, com um custo intermediário entre o genérico e o de referência. Maria, querendo entender melhor, perguntou sobre as diferenças na eficácia e na segurança entre essas opções. João explicou que os genéricos são testados para garantir que sejam bioequivalentes ao medicamento de referência, o que significa que eles funcionam da mesma maneira no corpo e são igualmente seguros e eficazes. Os similares, embora também seguros e eficazes, não são obrigados a passar pelos mesmos testes rigorosos de bioequivalência que os genéricos, mas ainda devem provar sua eficácia e segurança por meio de outros estudos. Com essa informação, Maria pôde fazer uma escolha informada, optandopelo genérico devido ao seu melhor custo-benefício. João providenciou a dispensação do medicamento, satisfeito por ter ajudado a cliente a entender as opções disponíveis e a escolher a melhor para sua situação. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Questão 1 Os medicamentos genéricos e similares são regulamentados de maneira diferente. Cada um possui requisitos específicos para testes. Qual é a principal diferença entre medicamentos genéricos e similares em termos de regulamentação e testes? A Genéricos e similares passam pelos mesmos testes. B Genéricos são testados para bioequivalência, similares não. Parabéns! A alternativa B está correta. Os medicamentos genéricos devem demonstrar que são bioequivalentes ao medicamento de referência, garantindo que sejam tão seguros e eficazes quanto ele. Os similares, embora precisem provar segurança e eficácia, não passam pelo mesmo processo de teste de bioequivalência. Questão 2 João discutiu as opções de medicamentos disponíveis com Maria e destacou um aspecto importante sobre as diferenças entre eles. Que aspecto João destacou ao explicar a Maria sobre a escolha entre o medicamento de referência, o genérico e o similar? C Similares são sempre mais caros que os genéricos. D Genéricos não precisam provar sua segurança. E Similares requerem testes de eficácia mais rigorosos. A A superioridade do medicamento de referência. B A equivalência terapêutica do genérico com o de referência. Parabéns! A alternativa B está correta. A equivalência terapêutica do genérico com o de referência. Questão 3 Os medicamentos genéricos e de referência possuem diferenças significativas em termos de preço e essas diferenças estão ligadas a vários fatores. Por que os medicamentos genéricos geralmente custam menos que os medicamentos de referência? Digite sua resposta aqui Chave de resposta Os medicamentos genéricos custam menos que os de referência principalmente porque não estão sujeitos às mesmas patentes e não têm os custos elevados de pesquisa e desenvolvimento que os medicamentos de referência possuem. Os genéricos aproveitam as pesquisas já realizadas pelo medicamento de referência, o que reduz significativamente C A falta de segurança dos similares. D O menor custo dos similares em comparação aos genéricos. E A preferência dos pacientes sempre pelo de referência. os custos associados à sua produção e comercialização. 2 - Conceitos da farmacologia e suas aplicações Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os principais conceitos da farmacologia, suas aplicações associadas e a ação medicamentosa dos fármacos. Ramos da farmacologia Neste vídeo, veja os conceitos de farmacocinética, dinâmica, gnosia, farmacotécnica, farmacogenética e toxicologia. Para melhor compreensão da farmacologia, precisamos conhecer conceitos que são de extrema importância no estudo dos fármacos. A farmacologia pode ser dividida em dois grandes grupos: Farmacocinética Estuda o que o organismo faz com o fármaco e as etapas até que ele chegue ao seu local de ação. É de extrema importância, pois fornecerá parâmetros fundamentais para traçar a posologia ideal. Ou seja, ajuda a compreender qual é a dose do medicamento capaz de provocar uma resposta terapêutica desejada no paciente, além de trazer informações sobre variação de respostas entre grupos diferentes de indivíduos. Farmacodinâmica Estuda o efeito dos fármacos no organismo, descrevendo seu mecanismo de ação, bem como a relação entre a dose e seus efeitos obtidos. A farmacologia pode, ainda, ser dividida quanto ao tipo de estudo: farmacognosia, farmacotécnica, formas farmacêuticas, farmacogenética e toxicologia. Conheça cada um desses ramos da farmacologia. É o ramo da farmacologia que tem como alvo de estudo os princípios ativos naturais sob todos os aspectos. É considerada uma ciência de aplicação, ou seja, é o estudo das formas farmacêuticas sob os aspectos relacionados à constituição, ao planejamento, à formulação e preparação, bem Farmacognosia Farmacotécnica como ao acondicionamento, à conservação e correção de sabor, odor e cor. Sua grande importância é garantir uma forma farmacêutica ideal para maior absorção do princípio ativo, conforme tratamento. É o estado final dos medicamentos, ou seja, a forma dos medicamentos após serem submetidas às manipulações farmacêuticas necessárias, no intuito de facilitar a sua administração e obter o efeito terapêutico desejado. São elas os comprimidos, cápsulas, xaropes etc. Uma forma farmacêutica ideal garantirá a adesão ao tratamento pelo paciente, além de garantir a precisão da dose e proteger os ativos durante o percurso pelo organismo, objetivando a chegada do princípio ativo no local de ação, para finalmente obter o efeito farmacológico, bem como proteger o fármaco de condições que poderiam alterá-lo, como umidade, sensibilidade à luz, temperatura ou ar ambiente. É o ramo da farmacologia que tem por objetivo estudar a variabilidade genética dos pacientes com relação a um tratamento específico. Muitas vezes, a genética ditará o desempenho ou até mesmo a tolerância a um medicamento. É a ciência que estuda tanto a composição de substâncias químicas quanto suas respostas no organismo, observando seus danos e benefícios a Formas farmacêuticas Farmacogenética Toxicologia curto e longo prazos. Essa ciência ajuda a estabelecer o uso seguro dessas substâncias, já que nem todos os organismos respondem da mesma maneira na presença de um composto químico. Apresenta como principal objetivo evitar que efeitos nocivos afetem a saúde de um ser. Outro conceito de fundamental importância na farmacologia é o perfil farmacoterapêutico. Destaca-se por ser um registro cronológico das informações diretamente relacionadas ao consumo de medicamentos por um paciente. Essa informação auxilia o profissional de saúde a acompanhar o tratamento do paciente, objetivando ganhos terapêuticos. Atividade 1 A farmacocinética é uma área essencial na farmacologia, que auxilia na compreensão de diversos processos relacionados aos medicamentos no organismo. Compreendê-la é fundamental para otimizar tratamentos farmacológicos. Qual das seguintes opções melhor descreve o papel da farmacocinética no contexto clínico? A Estuda apenas as reações adversas dos medicamentos no organismo. B Foca exclusivamente a descoberta de novos medicamentos. Parabéns! A alternativa C está correta. A farmacocinética é importante para entender como o corpo processa um medicamento após sua administração, abrangendo a absorção, distribuição, metabolismo e excreção do medicamento. Esses parâmetros ajudam a determinar as doses adequadas e os intervalos de dosagem para alcançar a resposta terapêutica desejada sem causar toxicidade. Fases do medicamento no organismo Neste vídeo, acompanhe as fases farmacêutica, farmacocinética e dinâmica, além do conceito de ação farmacológica e a diferença entre efeito adverso e efeito colateral. C Analisa como o corpo afeta o medicamento ao longo do tempo, incluindo absorção, distribuição, metabolismo e excreção. D Investiga apenas a eficácia dos medicamentos sem considerar a segurança. E Limita-se ao estudo da interação entre diferentes medicamentos. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, fármaco ou insumo farmacêutico ativo (IFA) é a principal substância encontrada dentro de uma formulação farmacêutica. Ele é responsável pela ação farmacológica, trazendo como resultados ações profiláticas, curativas, paliativas ou para fins de diagnóstico. Os fármacos podem ser classificados de acordo com sua origem: natural, animal, vegetal ou sintética. Sua ação no organismo poderá ser discutida em três fase. Vamos vê- las com base no nosso cotidiano? Fase farmacêutica Responsável pela desintegração, ou seja, liberação da forma de dosagem, seguida da dissolução da substância ativa. Quando você come uma refeição, a primeira etapa é mastigar a comida. A mastigação quebra os alimentosem pedaços menores, facilitando a digestão. Esse processo é similar à desintegração das formas farmacêuticas, como comprimidos e cápsulas, que precisam se desfazer para liberar o princípio ativo. Assim como os dentes trituram a comida, o corpo desintegra a forma farmacêutica para liberar o medicamento. Essa etapa agrega valor à formulação, pois determina a liberação do fármaco a partir da forma farmacêutica. Estuda o modo como as propriedades físico-químicas do fármaco, a forma farmacêutica e a via de administração afetam a velocidade e a extensão de absorção do princípio ativo. Atenção! Nem todas as formas farmacêuticas necessitam passar por essa fase da desintegração, como é o caso dos comprimidos efervescentes. Após a mastigação, a saliva dissolve parcialmente os alimentos, iniciando o processo de digestão. Da mesma maneira, o princípio ativo de um medicamento se dissolve no meio biológico (como os fluidos gastrointestinais), tornando-se disponível para absorção. Esse processo de dissolução na boca e no estômago prepara a comida para ser absorvida pelo intestino, assim como a dissolução do medicamento é fundamental para sua absorção pelo organismo. Fase farmacocinética Depois que os alimentos mastigados e parcialmente dissolvidos chegam ao estômago e ao intestino, os nutrientes são absorvidos, metabolizados e os resíduos são excretados. Esse processo de absorção dos nutrientes no intestino é comparável à absorção do fármaco pelo organismo. No caso dos medicamentos, eles são distribuídos para os tecidos e órgãos, metabolizados principalmente no fígado e excretados pelos rins ou fígado. Esse movimento e transformação dos fármacos dentro do corpo é a essência da farmacocinética que consiste na identificação e quantificação da passagem do fármaco pelo sistema biológico. Fase farmacodinâmica Uma vez que os nutrientes estão presentes nas células, eles desempenham funções específicas, como fornecer energia, reparar tecidos e apoiar funções metabólicas. Analogamente, quando o fármaco atinge o seu local de ação, ele interage com receptores específicos nas células. Exemplo Proteínas e enzimas são ativadas ou inibidas, desencadeando respostas bioquímicas que produzem o efeito terapêutico desejado. Assim como os nutrientes de uma refeição saudável melhoram seu bem-estar e fornecem energia, os medicamentos, ao se ligarem aos receptores adequados, produzem efeitos terapêuticos que aliviam sintomas, curam doenças ou melhoram a saúde geral. Ação farmacológica Quando discutimos a ação farmacológica, precisamos compreender a interação dos fármacos com seu alvo terapêutico. O alvo terapêutico ou farmacológico permite interação entre o fármaco e o receptor, formando um complexo estável capaz de permitir determinado efeito. Ainda neste contexto, podemos discutir seletividade, que traduz a afinidade do fármaco com determinado sítio de ação, em vez de outros locais. Dessa forma, podemos dizer que, quanto mais seletivo for o fármaco, mais seguro este será para o paciente. Receptor Macromolécula envolvida na sinalização química entre as células e no seu interior. São alvos farmacológicos que podem estar localizados tanto na superfície celular quanto em seu interior. Ao ativar um receptor, serão geradas respostas, muitas vezes estimulando processos bioquímicos celulares, como, por exemplo, influxo de íons, fosforilação de proteínas, entre outros. Atenção! Apesar de muitas pessoas confundirem ou acharem que se trata do mesmo fenômeno, efeito colateral e efeito adverso são eventos diferentes! Confira as diferenças existentes entre efeito colateral e efeito adverso! Efeito colateral O efeito colateral é a decorrência causada pelo uso do medicamento em doses habituais, gerando efeitos Efeito adverso O efeito adverso corresponde ao evento indesejado causado pelo uso do medicamento, e, muitas vezes, não possui não intencionais. Esses efeitos geram uma resposta adversa ao medicamento que é previsível. relação causal com o tratamento. Vamos ver um exemplo? Você é um farmacêutico em uma drogaria e está atendendo um paciente, Roberto, que veio buscar uma prescrição para um novo antibiótico para tratar sua infecção bacteriana. O médico prescreveu um medicamento eficaz, mas conhecido por causar náuseas. Você explica isso ao paciente alegando que esse é: Perfeito! O efeito de náuseas é esperado, por isso é considerado um efeito colateral do uso do medicamento. Poxa, que pena! Na verdade, o efeito de náuseas é esperado, por isso é considerado um efeito colateral do uso do medicamento. Uma reação adversa seria, por exemplo, se o paciente tivesse uma crise alérgica ao tomar o medicamento. Atividade 2 Um efeito colateral comum Uma reação adversa comum Entender as diferentes fases que um medicamento atravessa no organismo é importante para garantir sua eficácia e segurança. Quais são as três fases principais discutidas na farmacologia? Parabéns! A alternativa B está correta. As três fases principais discutidas na farmacologia são: fase farmacêutica, que envolve a desintegração e dissolução do medicamento; fase farmacocinética, que abrange a absorção, distribuição, metabolismo e excreção do fármaco; e fase farmacodinâmica, que trata da interação do fármaco com seus receptores e os efeitos terapêuticos resultantes. Essas fases são fundamentais para entender como o A Fase farmacêutica, fase biológica, fase cinética. B Fase farmacêutica, fase farmacocinética, fase farmacodinâmica. C Fase farmacológica, fase cinética, fase biológica. D Fase farmacocinética, fase fisiológica, fase terapêutica. E Fase farmacológica, fase terapêutica, fase cinética. medicamento age no corpo e como ele pode ser otimizado para melhor eficácia e segurança. Conceitos importantes em farmacologia Veja, neste vídeo, as informações contidas em uma curva dose- resposta, ressaltando os conceitos de janela terapêutica, índice terapêutico, posologia e tempo de meia-vida, além de citar a importância da farmacocinética clínica. Após administração do fármaco, sua concentração plasmática aumenta à medida que é absorvido. A concentração máxima é alcançada e, em seguida, esse valor decai de acordo com a eliminação do fármaco no organismo. Quando administramos um medicamento a um paciente, devemos ter em mente alguns conceitos importantes: Janela terapêutica Índice terapêutico Posologia Esses conceitos são muito importantes para garantirmos a eficácia e a segurança de um fármaco. O efeito propriamente dito, e seu tempo de duração, de um fármaco está relacionado com sua concentração acima de um valor mínimo que é eficaz. O início do efeito terapêutico de um fármaco é observado quando essa concentração mínima é alcançada e ele se mantém enquanto seus níveis estiverem acima desse valor. Então, o ideal não seria dar a maior dose possível de ser ingerida para uma pessoa para que mantivéssemos o efeito pelo maior período possível? Na prática isso não é possível, pois existe uma concentração em que os indivíduos começam a apresentar efeitos tóxicos e ela deve ser evitada. Essa faixa entre a concentração efetiva mínima e a concentração tóxica mínima é chamada de janela terapêutica, e é a faixa de concentração de um fármaco em que seu uso é seguro para a maioria dos pacientes. Gráfico mostrando a janela terapêutica de um fármaco genérico. O índice terapêutico é um conceito muito próximo ao de janela terapêutica, mas enquanto a janela nos dá a faixa de valores em que um medicamento é seguro e eficaz, o índice é um valor único, e quanto menor ele é, menor é a janela terapêutica de um determinado fármaco. O índice terapêutico é a razão entre a dose letal do fármaco para 50% da população e a menor dose que é efetiva para 50% da população. Já a posologia é o estudo das doses. Ela determina como o medicamento deve ser administrado com relação ao intervalo e à concentração ideal, sempre respeitando a janela terapêutica. Pode haver variação da posologia de pacientepara paciente, da doença que está sendo tratada e do tipo de medicamento administrado. Um outro conceito muito importante de farmacologia e que tem estreita relação com os parâmetros farmacocinéticos que vamos ver e com a posologia é o tempo de meia-vida (t1/2), que é definido como: O tempo necessário para que a concentração plasmática seja reduzida em 50%. (Bruton; Hilal-Dandan, 2018, p. 29) Esse fator está intimamente relacionado com a distribuição e com a eliminação do fármaco, isso porque o fármaco vai se distribuir pelo organismo e nem todo ele estará no plasma para que seja eliminado do organismo. Isso também quer dizer que fatores que afetam esses parâmetros irão aumentar o t1/2. O t1/2 vai ser aumentado em casos de doenças que possam afetar a distribuição e eliminação, como as insuficiências hepáticas e renais, e vai ser diminuído no envelhecimento, uma vez que idosos tem menos músculos e, portanto, menos volume de distribuição. Além de em casos em que haja indução do citocromo P450, já que isso leva a um aumento no metabolismo e o fármaco passa a ser eliminado mais rapidamente. Agora que você já compreende esses conceitos, vamos entender um ramo da farmacologia importantíssimo na farmacoterapia, a Farmacocinética clínica. Esse ramo da farmacologia estuda os processos cinéticos dos fármacos e possui uma relação direta com a farmacodinâmica, analisando de forma quantitativa e cronológica os processos de administração, absorção, distribuição, biotransformação e eliminação das drogas no organismo do paciente. A abordagem da farmacocinética clínica auxilia na determinação da posologia e de seus possíveis ajustes, na interpretação de respostas inesperadas aos medicamentos, na compreensão da ação das drogas e na pesquisa de novos medicamentos. Atividade 3 A janela terapêutica é um conceito em farmacologia que ajuda a determinar a faixa segura e eficaz de um medicamento. Em farmacologia, entender a janela terapêutica de um medicamento é essencial para garantir a segurança e eficácia do tratamento. Como podemos nos referir à janela terapêutica? Parabéns! A alternativa B está correta. A janela terapêutica de um fármaco define o intervalo de concentração no qual o medicamento é eficaz sem causar efeitos tóxicos significativos. Esse conceito é importante para determinar as doses adequadas que maximizam a eficácia enquanto minimizam os riscos. A É a quantidade máxima de fármaco que pode ser administrada de uma vez. B Refere-se à concentração de um fármaco que é eficaz sem ser tóxico. C É o tempo que o fármaco permanece no organismo antes de ser eliminado. D Descreve a interação entre diferentes medicamentos. E É o processo de aumento gradual da dose de um medicamento. 3 - Desenvolvimentos dos fármacos Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer o processo de desenvolvimento dos fármacos e a importância de casa fase. A descoberta de fármacos e os tipos de pesquisa Veja, neste vídeo, os gastos e o tempo despendido no desenvolvimento de um fármaco até que ele possa ser lançado no mercado. O desenvolvimento de novos fármacos, desde a descoberta até sua real comercialização, requer fases importantes que devem ser cumpridas. Muitas vezes, essas etapas são realizadas em parcerias das indústrias com centros de pesquisa de universidade. Existem ainda empresas especializadas no planejamento e na síntese de novos fármacos que trabalham por demanda das grandes corporações para inclusão de novos produtos no mercado, uma vez que essas etapas podem levar mais de dez anos de pesquisa e investimento. A primeira etapa de desenvolvimento de novos fármacos está diretamente relacionada à pesquisa. Essa etapa consiste na busca de moléculas promissoras que sejam candidatas a uma nova droga. Nesse momento, são feitos ensaios de otimização química visando sua efetividade e segurança. Para agilizar esse processo, a indústria passou a utilizar os recursos da química combinatória e a realizar testes totalmente controlados por robôs de alta capacidade, capazes de testar mais de 1 milhão de amostras a cada ano. Esse fato, ao mesmo tempo em que reduziu, em parte, o tempo da descoberta de novas drogas, fez com que os custos de desenvolvimento de um novo medicamento aumentassem expressivamente (Dimasi et al., 2003). Assim, de cada 30.000 moléculas sintetizadas: 20.000 (66,7%) Entram na fase de estudos pré- clínicos. 200 (0,67%) Entram na fase I de estudos clínicos. Somente 9 (0,027%) são aprovadas pelos órgãos regulatórios. Confira, a seguir, o gráfico que representa o desenvolvimento de fármacos, envolvendo múltiplas fases ao longo de mais de dez anos, desde a pesquisa básica e testes pré-clínicos até os ensaios clínicos e vigilância pós-comercialização. Gráfico: Representativo do desenvolvimento de fármacos. É importante mencionar ainda que apenas um medicamento aprovado (0,003%) satisfaz o mercado, e, em função disso, traz retorno para a indústria que o desenvolveu. Saiba mais O caso mais emblemático é o do Viagra. Assista ao documentário em três episódios Viagra: a pílula que mudou o mundo, disponível no Amazon Prime Video para acompanhar o processo de estudos clínicos do fármaco, bem como as estratégias de marketing empregadas e as repercussões após o lançamento. A compreensão do receptor farmacológico é fundamental quando se estuda ou se desenvolve uma nova molécula candidata a fármaco. 40 (0,13%) Passam para a fase II. 12 (0,04%) Entram na fase III. Quando pesquisamos uma molécula, ela pode ter afinidade com o receptor de forma a aumentar ou diminuir uma função celular. Uma mesma molécula poderá agir em vários receptores simultaneamente, gerando respostas distintas. Dizemos, nesses casos, que a molécula possui pouca seletividade e pode causar efeitos colaterais. A resposta farmacológica pode ser determinada pelo tempo de permanência do complexo fármaco-receptor. Receptor farmacológico Os receptores são macromoléculas que estão envolvidas na sinalização química entre as células e no seu interior. Alvos farmacológicos que podem estar localizados tanto na superfície celular, quanto em seu interior. Ao ativar um receptor, serão geradas respostas muitas vezes estimulando processos bioquímicos celulares, como por exemplo o influxo de íons, fosforilação de proteínas etc. Atenção! Processos farmacodinâmicos e farmacocinéticos podem alterar o tempo de vida deste complexo, ou seja, quanto maior o tempo de ligação, mais prolongado será o efeito farmacológico exercido. É importante destacar que o período de ocupação pode levar tanto a efeitos desejados quanto a efeitos tóxicos. Conceito de pesquisa/estudo clínico A pesquisa pode ser classificada como: Exploratória Objetiva a caracterização inicial do problema a ser estudado. Esta etapa constitui a primeira etapa de toda a pesquisa científica. Teórica Tem por objetivo a ampliação dos fundamentos teóricos, estruturação de modelos de pesquisa. Aplicada Tem como objetivo investigar, confirmar e recusar hipóteses apontadas pela pesquisa teórica. De campo Pesquisa observacional dos fatos. Neste tipo de pesquisa, não se consegue controlar as variáveis. Experimental Tem por objetivo determinar o objeto de estudo. Neste tipo de pesquisa, é possível controlar as variáveis que poderá influenciar na pesquisa. Bibliográfica Compila todo conhecimento científico sobre o tema abordado. Existem várias formas de classificar uma pesquisa, porém a maioria destes estudos apresentam em comum o método aplicado. Exemplo: na área da saúde, é muito comum que as pesquisas sejam divididas em experimental e epidemiológica. Pesquisa experimental Pesquisa epidemiológica É mais cautelosa, pois, muitas vezes, são utilizados animais. A vantagem desse tipo de pesquisa é que conseguimos controlar as variáveis, reduzindo os graus de subjetividade. Investiga a saúde da população e os fatores diretamente relacionados para agravo da saúde pública. Esse estudo se baseia na observaçãodos fatos e em suas variações. Atividade 1 Existem vários tipos de pesquisa, cada uma com características próprias e diferentes objetivos. Considerando as diferentes categorias de pesquisa, qual tipo permite o controle das variáveis e é frequentemente usado em estudos de saúde para testar a eficácia de novos tratamentos? A Pesquisa de campo B Pesquisa experimental C Pesquisa bibliográfica Parabéns! A alternativa B está correta. A pesquisa experimental é caracterizada pela capacidade de controlar as variáveis envolvidas, o que é importante para testar a eficácia e segurança de novos tratamentos em um ambiente controlado. Este tipo de pesquisa é fundamental na área da saúde, especialmente para o desenvolvimento de novos fármacos, em que se busca estabelecer relações causais claras entre tratamentos e resultados. Fases de estudos clínicos Confira, neste vídeo, as fases pré-clínica e clínica do desenvolvimento de fármacos ressaltando o tempo que cada uma pode levar e o custo. As etapas de desenvolvimento de novos fármacos passam pelas etapas pré-clínicas e clínicas. A etapa pré-clínica compreende teste in vitro e in vivo, muitas vezes em células e animais. A etapa clínica tem por objetivo teste de segurança e eficácia em humanos e é dividida em quatro fases. in vitro e in vivo D Pesquisa aplicada E Pesquisa exploratória Os testes ou ensaios ditos in vivo são aqueles realizados em laboratórios com equipamentos e vidrarias, como por exemplo tubos de ensaios. Já os in vivo são ensaios que se refere a uma experimentação feita em animais ou no tecido vivo, no intuito de mimetizar uma resposta que poderá ocorrer no organismo humano. Fase I Está relacionada à administração do medicamento pela primeira vez em seres humanos. São testados um número pequeno de pacientes, de 20 a 100 voluntários. Nesta etapa, os indivíduos sujeitos do estudo são saudáveis. Serão avaliadas diferentes vias de administração e diferentes doses, a fim de determinar os prováveis limites da variação da dosagem clinicamente segura. Haverá exceção quando se espera que o fármaco apresente toxicidade, como os antineoplásicos. Neste caso, são usados pacientes voluntários com a doença, em vez de voluntários sadios. Fase II Está relacionada à obtenção de mais dados quanto à segurança do fármaco e à avaliação de sua eficácia. Nesta fase, os pacientes têm a doença para qual o fármaco está sendo testado. Um número ainda relativamente pequeno de pacientes são estudados detalhadamente, em torno de 100 a 200 voluntários. É nesta fase que normalmente são detectadas as falhas, como a ausência do resultado esperado. Apenas uma pequena quantidade de fármacos em desenvolvimento consegue passar por esta etapa e avançar para a próxima. Fase III Está ligada a um maior número de pacientes; são chamados de estudos multicêntricos, normalmente com milhares de pacientes. Nesta fase, os sujeitos do estudo apresentam a patologia em que o medicamento está sendo pesquisado, e o período de duração deste estudo é superior aos anteriores, aproximadamente quatro anos. São realizados em cenários bem similares daqueles previstos para o uso final. Geralmente, os medicamentos são comparados a outros já existentes e recomendados para o mesmo problema. Ainda nesta fase, são obtidas maiores informações sobre a segurança e eficácia do fármaco e, até mesmo, as possíveis interações com outros fármacos. Os pacientes envolvidos são divididos em dois grupos: um deles recebe o novo tratamento, e o outro recebe aquele que já é habitual. Atenção! O paciente e o pesquisador desconhecem qual medicamento está sendo administrado. Essa prática também é conhecida como ensaio duplo cego. Serão comparados os tratamentos e será analisada a superioridade de um sobre o outro. As informações obtidas nessa etapa são de extrema relevância e irão compor a bula do medicamento. É a mais trabalhosa, devido às dificuldades de planejamento e execução frente a grandes quantidades de dados gerados. É também a mais custosa, visto que o número de pacientes presentes na pesquisa é bem maior quando comparada às fases anteriores. Após a fase III, poderá ser solicitada a patente. Finalmente, ao passar por todas as três fases iniciais, a indústria solicita às autoridades sanitárias o registro e a aprovação para a comercialização do medicamento. Para isso, deverá apresentar todos os resultados envolvendo as fases pré-clínica e clínica juntamente ao processode produção. A agência reguladora, estando de acordo com a informações fornecidas, concederá a autorização para lançamento e comercialização do novo medicamento. Patente É definido como monopólio de exploração, por tempo determinado, geralmente até 20 anos para fármacos novos, que é conferido pelo Estado, por meio do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com prévia anuência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Cabe ressaltar que, apesar da indústria detentora da patente ter o direito de exploração, não pode comercializar o produto antes da autorização da Anvisa. Após a expiração da patente, qualquer indústria farmacêutica poderá produzir o medicamento, podendo comercializá-lo como um Fase IV Está relacionada ao monitoramento do medicamento após comercialização. Testes de acompanhamento de uso são elaborados e implementados no intuito de obter informações adicionais quanto à segurança e eficácia destes fármacos. Neste passo, poderão ser obtidas novas informações de efeitos colaterais até então desconhecidos. Esta etapa é também conhecida como farmacovigilância, mostrada a seguir: IND- novo fármaco em investigação; NDA- pedido de novo fármaco. A imagem acima mostra o processo de desenvolvimento e teste necessário para levar um fármaco ao mercado nos EUA. Algumas das exigências são diferentes para os fármacos usados em doenças potencialmente fatais. Atividade 2 O desenvolvimento de novos fármacos envolve várias fases distintas. Cada fase tem objetivos e procedimentos específicos para garantir a segurança e a eficácia do medicamento. Com isso, avalie as afirmativas abaixo sobre o desenvolvimento de novos fármacos: I. A fase I dos ensaios clínicos geralmente envolve um grande número de pacientes para avaliar a eficácia do medicamento. II. A fase pré-clínica é realizada em um ambiente de laboratório e não envolve seres vivos. III. Durante a fase III, o medicamento é testado em pacientes que não possuem a doença-alvo do medicamento. IV. A farmacovigilância ocorre após a comercialização do medicamento e serve para monitorar a segurança e eficácia continuadas. São verdadeiras: Parabéns! A alternativa D está correta. A fase I dos ensaios clínicos geralmente envolve um pequeno número de voluntários saudáveis para determinar a segurança e dosagem ideal, não a eficácia. A fase pré-clínica, que inclui os testes in vitro é de fato realizada em ambiente controlado de laboratório, utilizando células ou tecidos isolados, sem envolver organismos vivos diretamente. Durante a fase III, o medicamento é testado em pacientes que possuem a doença-alvo para a qual o medicamento está sendo desenvolvido. A farmacovigilância é uma fase crítica após a comercialização do medicamento, focada em coletar dados sobre a segurança e eficácia do medicamento no uso geral. A I e II, apenas B II e III, apenas C III e IV, apenas D II e IV, apenas E I e III, apenas Desafios em estudos clínicos e nomenclatura de fármacos Veja, neste vídeo, as dificuldades envolvidas em estudos clínicos, além da DCB e DCI e sua importância na liberação de novos fármacos. Vias de comparação/ comparabilidade Alguns fatores podem levar ao comprometimento do estudo clínico. A história natural da doença influenciará no andamento dos estudos, já que muitas patologias sofrem flutuações, ou seja, as doenças tendem a aumentar e a diminuir em gravidade. Por isso, em muitos ensaios, faz-se necessário adotar esquemas para os indivíduos avaliados. É comum que o mesmo pacientereceba doses do medicamento que está sendo testado e, em outro momento, receba placebo (no intuito do controle) e tratamento padrão, que é o controle positivo. A presença de outra doença ou quando o paciente apresenta algum fator de risco também pode impactar no andamento da pesquisa, já que muitas patologias podem alterar a farmacocinética dos fármacos. A administração concomitante de fármacos ou até mesmo alimentos pode levar à alteração significativa dos parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos. Para minimizar tais situações, o que, muitas vezes, pode ser feito é uma técnica chamada de estudo cruzado e selecionar os pacientes que serão alocadas a cada grupo. Para isso, é preciso um bom conhecimento sobre histórias médicas e farmacológicas, diagnósticos acurados e métodos de randomização. Não podemos deixar de destacar que alguns fatores, como idade avançada e gravidez, influenciam a farmacocinética de alguns medicamentos. Por restrições legais, indivíduos que apresentem essas características não podem participar dos ensaios. Estudo cruzado Estudos cruzados ou randomizados, são estudos longitudinais em que os indivíduos recebem uma sequência de diferentes tratamentos. São extremamente controlados por pesquisadores na qual os sujeitos da pesquisa são distribuídos aleatoriamente em diferentes grupos no intuito de ser atribuído a uma sequência de dois ou mais tratamentos, dos quais um pode ser um tratamento padrão ou um placebo. Atenção! Outro fator importante é a adesão ao uso do medicamento durante o estudo pelos pacientes. A não adesão impactará diretamente nos resultados obtidos, o que, por vezes, pode estar relacionado às reações adversas. Liberação de novos fármacos para comercialização O princípio ativo, também conhecido como fármaco, é uma substância presente na composição do medicamento, em que é responsável pelo efeito farmacológico no organismo. No Brasil, os fármacos recebem denominação em âmbito nacional, conhecida como DCB (Denominação Comum Brasileira), e, em nível internacional, denominadas DCI (Denominação Comum Internacional). Veja os dois: DCB (denominação comum brasileira) É a denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente ativo aprovado pelo órgão federal responsável pela vigilância sanitária e surgiu no início da década de 1970. Ainda hoje, a DCB sofre constantes atualizações. Esta denominação ajuda a uniformizar a nomenclatura dos fármacos, trazendo mais clareza e precisão quanto aos nomes dos princípios ativos, facilitando as práticas de saúde e evitando a ocorrência de danos relacionados ao erro de medicação. DCI (denominação comum internacional) Permite que as autoridades de saúde de diversos países possam elaborar formulários internacionais de medicamentos, sempre com o intuito de uniformizar as informações sobre os fármacos, em que os nomes ali listados são de recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atividade 3 A adesão ao tratamento é um fator crítico em ensaios clínicos e sua importância se reflete diretamente na qualidade e confiabilidade dos resultados obtidos. Qual é o impacto da não adesão dos pacientes ao uso do medicamento durante um estudo clínico? Parabéns! A alternativa D está correta. A Não afeta os resultados do estudo significativamente. B Pode resultar em uma superestimação da eficácia do medicamento. C É irrelevante se o estudo for duplo- cego. D Pode comprometer a validade dos resultados, influenciando a interpretação da eficácia e segurança. E Melhora a precisão do estudo ao eliminar respostas placebo. A não adesão ao medicamento durante um estudo clínico pode alterar significativamente os resultados, comprometendo a validade e confiabilidade das conclusões sobre a eficácia e segurança do medicamento. Isso pode ocorrer porque as variáveis de resposta ao tratamento não refletem adequadamente o efeito do medicamento, mas sim o comportamento irregular de tomada do medicamento pelos participantes. O que você aprendeu neste conteúdo? História da farmacologia mundial: a farmacologia começou com a interpretação de doenças como manifestações sobrenaturais, evoluindo para a aplicação de substâncias naturais em tratamentos, com o avanço científico ampliando a expectativa de vida e as estratégias de prevenção de doenças. Evolução da farmacologia no brasil: desde a chegada do primeiro governador-geral, em 1549, o Brasil viu o desenvolvimento de boticas que, com o tempo, evoluíram para farmácias modernas devido à necessidade de maior qualidade e quantidade na produção de medicamentos. Fundamentos da farmacocinética e farmacodinâmica: estudos sobre como o corpo processa os medicamentos (farmacocinética) e como os medicamentos afetam o corpo (farmacodinâmica), essenciais para determinar dosagens adequadas e entender a ação dos fármacos. Diferenciação entre remédios e medicamentos: discussão sobre a distinção entre remédios, como tratamentos gerais para alívio de sintomas, e medicamentos, que são produtos farmacêuticos desenvolvidos para fins específicos de saúde. Desenvolvimento de novos fármacos: o processo de descobrir e comercializar novos medicamentos, frequentemente uma colaboração entre indústrias e centros de pesquisa, que pode levar mais de uma década de investimento e pesquisa. Fases de estudos clínicos: exploração das fases de testes clínicos, desde estudos pré-clínicos até a fase IV (farmacovigilância), que monitora os efeitos do medicamento após a comercialização. Nomenclatura e classificação dos medicamentos: como os medicamentos são nomeados e classificados no Brasil (DCB) e internacionalmente (DCI), e a importância dessa padronização para a segurança e clareza no uso de medicamentos. Importância da adesão ao tratamento nos estudos clínicos: a relevância da adesão dos pacientes aos protocolos de tratamento em estudos clínicos para garantir a validade e confiabilidade dos dados sobre a eficácia e segurança dos medicamentos. Explore + O artigo Farmacologia no século XX, publicado na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos, disponível na SciELO, analisa a evolução da farmacologia como ciência, especialmente a partir do século XX. Ele destaca o impacto de obras como o livro-texto de Louis Goodman e Alfred Gilman e a relação da farmacologia com a indústria de medicamentos. Assista ao documentário em três episódios Viagra: A Pílula que Mudou o Mundo, disponível no Amazon Prime Video, para acompanhar o processo de estudos clínicos do fármaco, bem como as estratégias de marketing empregadas e as repercussões após o lançamento. Referências BRASIL. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.Cartilha – O que devemos saber sobre os medicamentos?Consultado na internet em: 2 jun. 2020. BRASIL. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.Medicamentos Genéricos. Consultado na internet em: 22 maio 2020. BRASIL.Lei 9787/1999. Consultado na internet em: 22 maio 2020. BRASIL. ANVISA.Resolução 134/2003. Consultado na internet em: 18 maio 2020. BRASIL. ANVISA.Resolução 16/2007. Consultado na internet em: 2 jun. 2020. BRASIL. ANVISA.Resolução 17/2007. Consultado na internet em: 20 maio 2020. BRASIL. ANVISA.Resolução 55/2010. Consultado na internet em: 20 maio 2020. BRASIL. ANVISA.Resolução 58/2014. Consultado na internet em: 20 maio 2020. CALIXTO, L. B.; SIQUEIRA JR., L. M.Desenvolvimento de Medicamentos no Brasil: Desafios. Gaz. Méd. Bahia. 78 (Suplemento 1): 98-106, 2008. DIEZ DEL CORRAL, F. S.Do boticário ao farmacêutico: o ensino de farmácia na Bahia de 1815 a 1949. Salvador: EDUFBA, 2009. DIMASI, J. A.; HANSEN, R. W.; GRABOWSKI, H. G.The price of innovation: new estimates of drug development costs.In:J Health Econ, 22:151-185, 2003. Consultado na internet em: 24 jul. 2020. GOODMAN, G.As bases farmacológicas da terapêutica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan/Mc Graw-Hill, 2012. GOODMAN & GILMAN; BRUNTON, L. L.; CHABNER, B. A.; BJORN, C. K.As bases farmacológicas da terapêutica. 13. ed. Porto Alegre: AMHG,