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P O R D R A . A N I T A R O C H A GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA Sociedade Brasileira de Anestesiologia EDITORES Anita Perpétua Carvalho Rocha de Castro Antonio Carlos Aguiar Brandão Jedson dos Santos Nascimento GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO , , PRE-ANESTESICA POR ORA. ANITA ROCHA Sociedade Brasileira de Anestesiologia SBA Sociedade Brasileira de Anestesiologia Rio de Janeiro 2025 Guia de Consulta Pré-anestésica Copyright© 2025, Sociedade Brasileira de Anestesiologia Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer sistema sem prévio consentimento da SBA. O conteúdo desta obra é de inteira responsabilidade de seu(s) autores. Produzido pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Diretoria Antonio Carlos Aguiar Brandão Vicente Faraon Fonseca Paulo Sérgio Mateus Marcelino Serzedo Lorena Ibiapina Mendes de Carvalho Jedson dos Santos Nascimento Maristela Bueno LopesMaristela Bueno Lopes Plínio da Cunha Leal Luiz Carlos Bastos Salles Catia Sousa Govêia Coordenação do livro Anita Perpétua Carvalho Rocha de Castro Capa e diagramação RegistroRegistro Biblioteca SBA Pedro Saldanha CRB RJ 7528 Maristela Bueno Lopes Plínio da Cunha Leal Luiz Carlos Bastos Salles Catia Sousa Govêia Coordenação do livro Anita Perpétua Carvalho Rocha de Castro Capa e diagramação RegistroRegistro Biblioteca SBA Pedro Saldanha CRB RJ 7528 Maristela Bueno Lopes Plínio da Cunha Leal Luiz Carlos Bastos Salles Catia Sousa Govêia Coordenação do livro Anita Perpétua Carvalho Rocha de Castro Capa e diagramação RegistroRegistro Biblioteca SBA Pedro Saldanha CRB RJ 7528 AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA Processo de abordagem clínica do paciente que precede a administração de anestesia para procedimentos cirúrgicos e diagnósticos. Qual o objetivo da avaliação pré-anestésica? Descobrir se o paciente está na melhor condição para se submeter a anestesia. Quais os principais ganhos? Estabelecimento de uma boa relação médico - paciente. Elaboração de um plano de gestão dos cuidados perioperatórios. Aplicação do termo de consentimento livre e esclarecido para o plano anestésico. Redução da morbidade perioperatória. APRESENTAÇÃO O Guia Prático de orientação da avaliação pré-anestésica (APA) tem por objetivo fomentar a adoção de boas práticas na condução do paciente no período pré- operatório, com base nas diretrizes clínicas existentes. É importante ressaltar que as informações contidas neste documento representam uma compilação das melhores evidências disponíveis, bem como diretrizes e opiniões de especialistas, quando as evidências são inconclusivas ou ausentes. SUMÁRIO: Siglário Introdução Etapas da APA 1|Anamnese 1.1 Anticoagulantes 1.2 Fármacos para controle da glicemia 1.3 Analgésicos 1.3.1 Analgésicos opioides 1.3.2 Fármacos antiinflamatórios (AINE) 1.4 Coanalgésicos 1.5 Continuação da anamnese 2|Exame Físico 3|Exames Complementares 4|Jejum 5|Anexos 6 |Referências GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 04 SIGLÁRIO: ACC - “American College of Cardiology” achem 7 - Ureia, creatinina, glicemia, cloro, sódio, potássio, dióxido de carbono ADP - Difosfato de adenosina AHA - American Heart Association ALB - Albumina APA - Avaliação pré-anestésica AOS - Apneia obstrutiva do sono CBC - Contagem sanguínea completa CDI - Cardiodesfibrilador implantável CGRP - Peptídeo geneticamente relacionado a calcitonina COX - Ciclooxigenase CXR - Rx de tórax DAC - Doença arterial coronariana DPOC - Doença pulmonar obstrutiva crônica ECA - Enzima conversora de angiotensina ECG - Eletrocardiograma FC - Frequência cardíaca GLI - Glicemia HAS - Hipertensão arterial sistêmica Hbalc - Hemoglobina glicada HCG - Beta-HCG - Pesquisa de hormônio gonadotrofina coriônica HIO - Hiperalgesia induzida por opioides ICC - Insuficiência cardíaca congestiva ITR - Infecção do trato respiratório LFTs - Teste de função hepática M3G - Morfina-3-Glucuronídeo MVR - Medida ventre rostral NMDA - N-Metil-D-Aspartato PLT - Plaquetas SP - Substância P T&S - Tempo de sangramento TCA - Antidepressivos tricíclicos TCLE - Termo de consentimento livre e esclarecido TFTs - Hormônios da tireoide TP - Tempo de protrombina TTPA - Tempo de tromboplastina parcial ativado UA - Urina OBJETIVOS DA APA Estabelecimento da relação médico-paciente Familiarização com a afecção cirúrgica e os distúrbios clínicos existentes Elaboração da estratégia de gestão dos cuidados anestésicos perioperatórios Obtenção do consentimento livre e esclarecido para o plano anestésico Reduzir a ansiedade do paciente Reduzir a morbidade e mortalidade perioperatória INTRODUÇÃO: A avaliação pré-anestésica representa a consulta feita para que o médico anestesiologista avalie a condição do paciente que será submetido a procedimentos cirúrgico ou diagnóstico, sob anestesia. Através da APA o médico irá ter acesso ao histórico do paciente, sempre buscando identificar as comorbidades, o uso de medicamentos, procedimentos prévios e alergias. O objetivo final da avaliação é descobrir se o paciente está na melhor condição possível para se submeter à anestesia e, caso não esteja, otimizar o preparo. Almeja-se ainda a redução da morbimortalidade, a diminuição das taxas de suspensão de cirurgias, a readequação de medicamentos, a solicitação de interconsultas, a escolha da melhor técnica anestésica, o planejamento da analgesia pós-operatória e a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. ETAPAS DA APA: Anamnese, exame físico, avaliação dos exames, orientação do paciente quanto aos cuidados necessários e aplicação do TCLE. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 05 01 ANAMNESE A anamnese deve incluir dados relativos à identificação do paciente, idade, religião, motivo da cirurgia ou exame a ser realizado, bem como histórico médico de comorbidades, cirurgias anteriores, gestações prévias, alergias e história de convulsões. Conhecer as medicações que o paciente está usando e sua posologia é imprescindível. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 06 01 • Sintomas da patologia atual • Tratamentos instituídos e resposta obtida • Cirurgia proposta • Identificar doenças ocultas • Determinar a estabilidade das afecções atuais PASSO 01: Avaliar a história clínica, colhendo dados relevantes PASSO 02: Interrogatório quanto aos sintomas DACITR AOSHÉRNIA DE HIATOHASDIABETESD AAHHHHAADDDDDIAARRITMIAASMA AAAAAR Anamnese passo-a-passo PASSO 03: Comorbidades • Identificar alterações recentes de sinais e sintomas • Tratamentos atuais • Pareceres pré-operatório de especialistas: • Sanar dúvidas quanto a patologia • Avaliação de exames alterados • Segurança e medicações de uso regular • Alterações da condição basal esperada O objetivo do parecer é esclarecer dúvidas e otimizar a condição do paciente para a cirurgia. O interrogatório deve ser realizado tendo como base órgãos e sistemas, com anotação de cada detalhe, pois doenças crônicas alteram o manejo intraoperatório, dependendo do caso. Roncos devem ser pesquisados para avaliar apneia obstrutiva do sono. Sempre atentar para algumas condições especiais e para o uso de algumas medicações, buscando identificar o nome do fármaco, a dosagem e os horários prescritos. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 07 Intervalo última dose e bloqueio: Intervalo última dose e retirada de cateter: Intervalo entre punção e próxima dose: Intervalo entre retirada do cateter e próxima dose: TIENOPIRIDÍNICOS: TICLOPIDINA TICLID 10 DIAS10 DIAS 24 HORAS 24 HORAS TIENOPIRIDÍNICOS: CLOPIDOGREL 48 HORAS5 a 7 DIAS 24 HORAS 24 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: NADROPARINA PROFILÁTICO 12 HORAS12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: NADROPARINA TERAPÊUTICO >24 HORAS>24 HORAS HEPARINA NÃO FRACIONADA15.000 U/dia 4 a 6 HORAS*4 a 6 HORAS 1 HORA 1 HORA HEPARINA NÃO FRACIONADA 7.500 A 10.000 U 2X /DIA OU DOSE DIÁRIA 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS HEPARINA NÃO FRACIONADA > 10.000 U P/ DOSE OU >20.000U/DIA (TERAPÊUTICO) 24 HORAS24 HORAS 1 HORA 1 HORA não instalar cateter36 A 42 HORAS 12 HORAS 12 HORAS não instalar cateter72 HORAS 6 HORAS 6 HORAS AGENTE ANTIFATOR Xa: APIXABANA (ELIQUIS) não instalar cateter72 HORAS 6 HORAS 6 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: DELTAPARINA PROFILÁTICO 12 HORAS12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: DELTAPARINA TERAPÊUTICO >24 HORAS>24 HORAS >12 HORAS>12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS AGENTE ANTIFATOR Xa: BETRIXABANA (BEVYXXA) ANTAGONISTA DA VITAMINA K - WARFARINA (MAREVAN) > 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS não instalar cateter72 HORAS 6 HORAS 6 HORAS não instalar cateter72 HORAS 5 HORAS 5 HORAS 5 DIAS com RNI24 HORAS>24 HORAS > 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS AGENTE ANTIFATOR Xa: EDOXABANA (LIXIANA) avaliar Clearence de Cr individualizado 6 HORASINIBIDOR DIRETO DA TROMBINA: DABIGATRANA (PRADAXA) retirar se RNI24 HORAS>24 HORAS > 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS >12 HORAS>12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS • Gestação • Medicações de uso regular: • Dosagem • Horários PASSO 04: Avaliar a história clínica, colhendo dados relevantes Anamnese passo-a-passo A N T I H I P E R T E N S I V O S M E D I C A Ç Õ E S A N A L G É S I C A S H I P O C L I C E M I A N T E S A N T I C O A G U L A N T E S Intervalo última dose e bloqueio: ENZIMA TIENOPIRIDÍNICOS: PRASUGREL não instalar cateter7 a 10 DIAS Intervalo última dose e retirada de cateter: Intervalo entre punção e próxima dose: Intervalo entre retirada do cateter e próxima dose: 24 HORAS 24 HORAS INIBIDORES DIRETOS DA ADP: TICAGRELO não instalar cateter5 a 7 DIAS 24 HORAS 24 HORAS INIBIDORES DIRETOS DA ADP : CANGRELOR Retirar cateter antes da reintrodução3 HORAS 8 HORAS 8 HORAS INIBIDORES DA GLICOPROTEINA IIb/Illa: AbcixiMAB 24 a 48 HORAS24 a 48 HORAS Contraindicado por 4 SEMANAS Contraindicado por 4 SEMANAS INIBIDORES DA GLICOPROTEINA IIb/Illa: TIROFIBAN/EPTIFIBATIDE 4 a 8 HORAS4 a 8 HORAS INIBIDORES DA FOSDODIESTERASE: DIPIRIDAMOL retirar o cateter antes da reintrodução24 HORAS 6 HORAS 6 HORAS INIBIDORES DA FOSDODIESTERASE: CILOSTAZOL Retirar cateter antes da reintrodução48 HORAS 6 HORAS 6 HORAS TERAPIA HERBAL : GINKGO BILOBA, GINSENG, ALHO BLOQUEIO DE NEUROEIXO: NÃO HÁ RISCO ADICIONAL TROMBOLÍTICOS: ESTREPTOKINASE / UROKINASE AAS EVITAR BLOQUEIO DE NEUROEIXO FIBRINOLÍTICOS: ALTEPLASE/TECNETEPLASE EVITAR BLOQUEIO DE NEUROEIXO BLOQUEIO DE NEUROEIXO: NÃO SUSPENDER INSERÇÃO DE CATETER: NÃO SUSPENDER Deve-se afastar trombocitopenia por contagem de plaquetas recentes. Deve-se afastar trombocitopenia por contagem de plaquetas recentes. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 08 1.1 ANTICOAGULANTES Intervalo última dose e bloqueio: Intervalo última dose e retirada de cateter: Intervalo entre punção e próxima dose: Intervalo entre retirada do cateter e próxima dose: TIENOPIRIDÍNICOS: TICLOPIDINA TICLID 10 DIAS10 DIAS 24 HORAS 24 HORAS TIENOPIRIDÍNICOS: CLOPIDOGREL 48 HORAS5 a 7 DIAS 24 HORAS 24 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: NADROPARINA PROFILÁTICO 12 HORAS12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: NADROPARINA TERAPÊUTICO >24 HORAS>24 HORAS HEPARINA NÃO FRACIONADA 15.000 U/dia 4 a 6 HORAS*4 a 6 HORAS 1 HORA 1 HORA HEPARINA NÃO FRACIONADA 7.500 A 10.000 U 2X /DIA OU DOSE DIÁRIA 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS HEPARINA NÃO FRACIONADA > 10.000 U P/ DOSE OU >20.000U/DIA (TERAPÊUTICO) 24 HORAS24 HORAS 1 HORA 1 HORA não instalar cateter36 A 42 HORAS 12 HORAS 12 HORAS não instalar cateter72 HORAS 6 HORAS 6 HORAS AGENTE ANTIFATOR Xa: APIXABANA (ELIQUIS) não instalar cateter72 HORAS 6 HORAS 6 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: DELTAPARINA PROFILÁTICO 12 HORAS12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS HEPARINA DE BAIXO PESO MOLECULAR: DELTAPARINA TERAPÊUTICO >24 HORAS>24 HORAS >12 HORAS>12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS AGENTE ANTIFATOR Xa: BETRIXABANA (BEVYXXA) ANTAGONISTA DA VITAMINA K - WARFARINA (MAREVAN) > 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS não instalar cateter72 HORAS 6 HORAS 6 HORAS não instalar cateter72 HORAS 5 HORAS 5 HORAS 5 DIAS com RNI24 HORAS>24 HORAS > 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS AGENTE ANTIFATOR Xa: EDOXABANA (LIXIANA) avaliar Clearence de Cr individualizado 6 HORASINIBIDOR DIRETO DA TROMBINA: DABIGATRANA (PRADAXA) retirar se RNI24 HORAS>24 HORAS > 24h se baixo risco e > 48h se alto risco de sangramento 4 HORAS >12 HORAS>12 HORAS 12 HORAS 4 HORAS • Gestação • Medicações de uso regular: • Dosagem • Horários PASSO 04: Avaliar a história clínica, colhendo dados relevantes Anamnese passo-a-passo A N T I H I P E R T E N S I V O S M E D I C A Ç Õ E S A N A L G É S I C A S H I P O C L I C E M I A N T E S A N T I C O A G U L A N T E S Intervalo última dose e bloqueio: ENZIMA TIENOPIRIDÍNICOS: PRASUGREL não instalar cateter7 a 10 DIAS Intervalo última dose e retirada de cateter: Intervalo entre punção e próxima dose: Intervalo entre retirada do cateter e próxima dose: 24 HORAS 24 HORAS INIBIDORES DIRETOS DA ADP: TICAGRELO não instalar cateter5 a 7 DIAS 24 HORAS 24 HORAS INIBIDORES DIRETOS DA ADP : CANGRELOR Retirar cateter antes da reintrodução3 HORAS 8 HORAS 8 HORAS INIBIDORES DA GLICOPROTEINA IIb/Illa: AbcixiMAB 24 a 48 HORAS24 a 48 HORAS Contraindicado por 4 SEMANAS Contraindicado por 4 SEMANAS INIBIDORES DA GLICOPROTEINA IIb/Illa: TIROFIBAN/EPTIFIBATIDE 4 a 8 HORAS4 a 8 HORAS INIBIDORES DA FOSDODIESTERASE: DIPIRIDAMOL retirar o cateter antes da reintrodução24 HORAS 6 HORAS 6 HORAS INIBIDORES DA FOSDODIESTERASE: CILOSTAZOL Retirar cateter antes da reintrodução48 HORAS 6 HORAS 6 HORAS TERAPIA HERBAL : GINKGO BILOBA, GINSENG, ALHO BLOQUEIO DE NEUROEIXO: NÃO HÁ RISCO ADICIONAL TROMBOLÍTICOS: ESTREPTOKINASE/ UROKINASE AAS EVITAR BLOQUEIO DE NEUROEIXO FIBRINOLÍTICOS: ALTEPLASE/TECNETEPLASE EVITAR BLOQUEIO DE NEUROEIXO BLOQUEIO DE NEUROEIXO: NÃO SUSPENDER INSERÇÃO DE CATETER: NÃO SUSPENDER Deve-se afastar trombocitopenia por contagem de plaquetas recentes. Deve-se afastar trombocitopenia por contagem de plaquetas recentes. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 09 ANTICOAGULANTES (CONTINUAÇÃO) Lixisenatida Liraglutida Dulaglutida Tirzepatida Semaglutida (oral e subcutâneo) 01 dia 02 dias 15 dias 15 dias 21 dias ORIENTAÇÃO DE CONDUÇÃOFÁRMACO Lyxumia Victoza, Saxenda Trulicity Mounjaro Ozempic, Wegovy e Rybelsus NOME COMERCIAL Quando a HbA1c for superior a 8% ou inferior a 6%, convém considerar a possibilidade de postergar a cirurgia para avaliar o padrão glicemico de forma mais detalhada e melhorar o esquema terapêutico. Manter HbA1c abaixo de 8% e glicemias entre 100 e 180 mg/dL. Hipoglicemiantes no período perioperatório Sulfonilureias Inibidores da alfa-glicosida Glinidas Metformina Inibidores de SGLT2 ( Inibidor seletivo do co-transportador de sódio-glicose tipo 2) Inibidores da DPP4 ( inibidores da dipeptidil peptidase 4) Pioglitazona 24 horas antes da cirurgia 24 horas antes da cirurgia 24 horas antes da cirurgia No dia da cirurgia 3 a 4 dias antes de cirurgias Manter, porém observar função renal Manter, exceto cirurgia cardíaca ORIENTAÇÃO DE CONDUÇÃOFÁRMACO Glicazida - Diamicron Glimepirida- Amaryl Glibenclamida- Daonil Acarbose - Aglucose Glucobay Repaglinida - Prandin Posprand Nateglinida - Starlix Glifage, Glucoformin Dapagliflozina - Forxiga Empagliflozina - Jardiance Canagliflozina - Invokana Sitagliptina - Januvia Vildagliptina - Galvus Linagliptina - Trayenta Alogliptina - Nesina Saxagliptina – Onglyza Evogliptina - Suganon Gliozac, Piotaz, Pioglit, Actos, Stanglit NOME COMERCIAL ORIENTAÇÃO DE CONDUÇÃOFÁRMACO Análagos do GLP-1 e Tirzepatida Considerar as meias vidas dos medicamentos e o conceito de 3 meias-vidas de antecedência. 1.2 FÁRMACOS PARA CONTROLE DA GLICEMIA Os autores também recomendam checar o valor da glicemia capilar no dia da cirurgia e se estiver acima de 250mg/dL, pode-se adiar a cirurgia eletiva até a glicemia ficar abaixo de 250mg/dL, o que pode ser realizado até 4 horas antes do procedimento cirúrgico. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 10 Lixisenatida Liraglutida Dulaglutida Tirzepatida Semaglutida (oral e subcutâneo) 01 dia 02 dias 15 dias 15 dias 21 dias ORIENTAÇÃO DE CONDUÇÃOFÁRMACO Lyxumia Victoza, Saxenda Trulicity Mounjaro Ozempic, Wegovy e Rybelsus NOME COMERCIAL Quando a HbA1c for superior a 8% ou inferior a 6%, convém considerar a possibilidade de postergar a cirurgia para avaliar o padrão glicemico de forma mais detalhada e melhorar o esquema terapêutico. Manter HbA1c abaixo de 8% e glicemias entre 100 e 180 mg/dL. Hipoglicemiantes no período perioperatório Sulfonilureias Inibidores da alfa-glicosida Glinidas Metformina Inibidores de SGLT2 ( Inibidor seletivo do co-transportador de sódio-glicose tipo 2) Inibidores da DPP4 ( inibidores da dipeptidil peptidase 4) Pioglitazona 24 horas antes da cirurgia 24 horas antes da cirurgia 24 horas antes da cirurgia No dia da cirurgia 3 a 4 dias antes de cirurgias Manter, porém observar função renal Manter, exceto cirurgia cardíaca ORIENTAÇÃO DE CONDUÇÃOFÁRMACO Glicazida - Diamicron Glimepirida- Amaryl Glibenclamida- Daonil Acarbose - Aglucose Glucobay Repaglinida - Prandin Posprand Nateglinida - Starlix Glifage, Glucoformin Dapagliflozina - Forxiga Empagliflozina - Jardiance Canagliflozina - Invokana Sitagliptina - Januvia Vildagliptina - Galvus Linagliptina - Trayenta Alogliptina - Nesina Saxagliptina – Onglyza Evogliptina - Suganon Gliozac, Piotaz, Pioglit, Actos, Stanglit NOME COMERCIAL ORIENTAÇÃO DE CONDUÇÃOFÁRMACO Análagos do GLP-1 e Tirzepatida Considerar as meias vidas dos medicamentos e o conceito de 3 meias-vidas de antecedência. • Manutenção da dose convencional de insulina basal de longa ação na véspera da cirurgia: ▪ Redução de 20-30% da dose a partir da noite anterior até o final do período de jejum ▪ Degludeca e glargina U 300, esta redução deve acontecer com 72 horas de antecedência ▪ Pacientes com uso de altas doses de insulina basal: ◦ Mais de 60% da dose total de insulina ou acima de 0,6UI/kg/dia ◦ A redução deve ser maior, em torno de 50% Insulina basal de ação longa ou ultralonga Combinações de Anti-Hiperglicemiantes Orais Metformina + IDPP-4 Metformina +Sulfonilureia Pioglitazona + IDPP-4 Metformina + ISGLT2 ISGLT2 + IDPP-4 Metformina 500, 850 ou 1000 mg + Sitagliptina 50 mg Metformina XR 500 ou 1000 mg + Sitagliptina 50 mg Metformina XR 1000 mg + Sitagliptina 100 mg Metformina 500, 850 ou 1000 mg + Vildagliptina 50 mg Metformina XR 500 ou 1000 mg + Saxagliptina 2.5/5 mg Metformina 500, 850 ou 1000 mg + Linagliptina 2.5 mg Metformina 500, 850 ou 1000 mg + Alogliptina 12,5 mg Metformina XR + Gliclazida 500/30mg Pioglitazona 15 ou 30 mg + Alogliptina 25 mg Metformina XR 500 mg + Dapagliflozina 10 mg Metformina XR 1000 mg + Dapagliflozina 5 mg Metformina XR 1000 mg + Dapagliflozina 10 mg Empagliflozina 10 ou 25 mg + Linagliptina 5 mg APRESENTAÇÕESCOMBINAÇÕES NOME COMERCIAL Janumet® Janumet® XR Galvus Met® Kombiglyze® XR Trayenta Duo® Nesina-Met ® Glivance XR Nesina Pio ® Xigduo® XR Glyxambi ® Insulina Insulina NPH • Manter a dose convencional na noite anterior à cirurgia: ▪ Redução da dose habitual em 50% na manhã do procedimento Insulinas prandiais ▪ Suspender as doses prandiais fixas de insulina de ação curta, no período de jejum, mantendo-as apenas para correção de eventuais hiperglicemias GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 11 musculatura tensa medo de novas lesões transtorno do sono mobilidade limitada falta de energia défict neurológico alteração de apetite depressão resposta alterada a dor Tratar apenas um aspecto desta síndrome complexa é insuficiente! Pacientes com dor crônica apresentam sinais e sintomas comuns Pacientes com dor crônica são pré-tratados com analgésicos Tendência a subnotificar o uso de medicações e apresentar síndrome de abstinência. OPIÓIDES ANTIINFLAMATÓRIOS COANALGÉSICOS 1.3 ANALGÉSICOS Embora não exista uma característica universal, pacientes com dor crônica apresentam particularidades que devem ser consideradas no período perioperatório e no momento da APA. Sabe-se que alguns sinais e sintomas são comuns. Tratar apenas um aspecto desta síndrome complexa é insuficiente para prestar uma boa assistência em saúde: um bom controle da dor. É importante lembrar que pacientes com dor crônica são pré-tratados com analgésicos e que há uma tendência a subnotificação do uso dessas medicações, principalmente quando estas são utilizadas de forma irregular ou como automedicação. Ao avaliarmos os pacientes com dor percebemos que os mesmos em geral utilizam diferentes analgésicos, sejam eles analgésicos opióides, anti-inflamatórios ou coanalgésicos, incluindo anticonvulsivantes e antidepressivos. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 12 musculatura tensa medo de novas lesões transtorno do sono mobilidade limitada falta de energia défict neurológico alteração de apetite depressão resposta alterada a dor Tratar apenas um aspecto desta síndrome complexa é insuficiente! Pacientes com dor crônica apresentam sinais e sintomas comuns Pacientes com dor crônica são pré-tratados com analgésicos Tendência a subnotificar o uso de medicações e apresentar síndrome de abstinência. OPIÓIDES ANTIINFLAMATÓRIOS COANALGÉSICOS • Opióides tem sido utilizados com mais liberdade nas últimas décadas • A necessidade de maiores doses está associada a: ▪ Aumento da atividade nas vias nociceptivas ▪ Tolerância,que tem por mecanismos: ◦ Não acoplamento do receptor opióide a proteína G ◦ Internalização do receptor ◦ Aumento da sensitividade do receptor NMDA ▪ Hiperalgesia induzida por opióide Fármacos Opióides 1.3.1 ANALGÉSICOS OPIÓIDES O uso de analgésicos opioides para o tratamento da dor crônica, seja ela de origem oncológica ou não, tem crescido bastante nas últimas décadas, crescimento este que tem sido atribuído a um maior conhecimento acerca deste fármaco e de fenômenos relacionados a adição, toxicidade e sensibilidade aos mesmos. Pacientes com dor crônica podem requerer doses maiores de opioides para obter um bom controle da dor aguda pós-operatória. A necessidade diária da morfina peridural ou intravenosa, por exemplo, pode ser aumentada em até 400%. Em pacientes com câncer, a possibilidade de aumento da atividade nociceptiva decorrente da evolução da doença, do tratamento ou de fatores psicossociais deve ser lembrada. É necessária titulação individual de doses para encontrar o equilíbrio ideal entre analgesia e efeitos adversos. É importante lembrar que a tolerância é diferente da hiperalgesia induzida por opioide. “Tolerância é um fenômeno no qual doses maiores de analgésicos são necessárias para produzir o efeito original” enquanto HIO implica em piora da dor, com acréscimos da dose de opioides. Esta última está relacionada a adaptações neurais em consequência do uso de opioides, em particular da morfina, na medula ventro-rostral (MVR), aumento da expressão de receptores excitatórios N-metil-D-aspartato (NMDA) nos neurônios do corno dorsal, do peptídeo geneticamente relacionado a calcitonina (CGRP) e da substância P (sP) no gânglio da raiz dorsal. Alguns estudos tem avaliado o papel dos metabólitos da morfina neste processo. Evidências sugerem que a morfina-3-glucuronídeo (M3G) apresenta afinidade limitada pelo receptor opioide e não tem eficácia analgésica, porém pode evocar excitabilidade neuronal mediante a participação das células da glia. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 13 • Maior tolerância aos efeitos colaterais com o uso continuado • Fenômeno de tolerância cruzada ▪ Capacidade da droga de suprimir as manifestações de dependência física produzidas por outra droga • Variabilidade na resposta ▪ Fatores genéticos Fatores relacionados aos Fármacos Opióides • Mantenha as medicações regulares ▪ Inicie a infusão de opioide imediatamente quando o paciente chegar ao centro cirúrgico ▪ Adesivos transdérmicos podem ou não ser removidos • Desmame de analgésicos deve ser cuidadoso ▪ Não tente resolver um problema de dor crôni- ca no período do pós-operatório imediato ▪ Solicite o acompanhamento pela equipe de dor aguda Manejo do paciente no intra e pós-operatório Orientações gerais O fenômeno de tolerância não é algo restrito à ação analgésica dos opióides. O uso continuado deste fármaco implica em uma menor incidência de efeitos colaterais como náusea, vômito, sonolência, dentre outros. Há ainda a tolerância cruzada, a qual interfere no cálculo de doses equianalgésicas dos opioides e na resposta dos indivíduos ao mesmo. Tolerância cruzada é conceituada como a capacidade da droga de suprimir as manifestações de dependência física produzida por outra droga. Deve-se lembrar que há variabilidade da resposta aos opioides entre os diferentes pacientes. Variações individuais tem nos fatores genéticos uma justificativa para a sua existência. Isto implica na necessidade de rotar o opioide e selecionar a droga ideal e dosagem por ensaios sequenciais. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 14 • Maior tolerância aos efeitos colaterais com o uso continuado • Fenômeno de tolerância cruzada ▪ Capacidade da droga de suprimir as manifestações de dependência física produzidas por outra droga • Variabilidade na resposta ▪ Fatores genéticos Fatores relacionados aos Fármacos Opióides • Mantenha as medicações regulares ▪ Inicie a infusão de opioide imediatamente quando o paciente chegar ao centro cirúrgico ▪ Adesivos transdérmicos podem ou não ser removidos • Desmame de analgésicos deve ser cuidadoso ▪ Não tente resolver um problema de dor crôni- ca no período do pós-operatório imediato ▪ Solicite o acompanhamento pela equipe de dor aguda Manejo do paciente no intra e pós-operatório Orientações gerais Embora não haja evidência da superioridade da anestesia regional esta deve ser considerada Conversão para analgesia regional Fentanil Sufentanil Morfina Ropivacaina Bupivacaina CONCENTRAÇÃO HABITUALSOLUÇÃO AJUSTE PARA PACIENTE COM DOR CRÔNICA 2-4 mcg/mL 2 mcg/mL 0,01 - 0,02 mg/mL 0,1 - 0,2% 0,0625 - 0,125 % Transicionar reduzindo a dose venosa em 20% Transicionar reduzindo a dose venosa em 20% Transicionar reduzindo a dose venosa em 80% - - Após a conversão, considerar a dose de opioide de base e multiplicar por 2 Quando a nutrição oral for retomada, a analgesia deve ser rapidamente reconvertida para analgesia oral. Embora não haja nenhuma evidência indicando superioridade da anestesia regional para os pacientes com dor crônica, a consideração individual pode favorecer a anestesia regional. Algumas recomendações foram feitas para a abordagem de pacientes com dor crônica com dependência de opióides. Analgesia pós-operatória com um cateter peridural pode ser realizada com uma variedade de doses e concentrações de diferentes drogas. Independentemente do opióide e da concentração de anestésico local selecionado, a dose do opioide peridural deve ser calculada considerando a dose do opioide pré-operatório. Para a conversão de dose sistêmica para epidural, o caráter lipofílico dos opioides tem que ser considerado, por exemplo a dose deve ser reduzida em 80% para morfina e apenas 20% para fentanil. Na maioria das instituições, a combinação de bupivacaina com morfina em dose equivalente a duas vezes a dosagem de uso regular é preferida como primeira linha de abordagem. A conversão pode ser feita para infusão continua ou pode-se fazer uma confecção de solução a ser administrada pela bomba de analgesia controlada pelo paciente. A infusão de fundo irá ser reduzida apenas se o paciente exigir doses em bolus extras menos de 4-6 vezes ao dia. A infusão de fundo pode ser reduzida em etapas diárias em não mais do que 20–30%. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 15 Conversão para analgesia transdérmica Conversão para analgesia transdérmica ▪ A analgesia transdérmica deve ser mantida ◦ Cuidado com pacientes que apresentam hipovolemia e sepse ◦ Parâmetro de conversão A buprenorfina trandérmica é 100 vezes mais potente que a morfina oral. 1 mcg/h Fentanil 1,5 mcg/h Buprenorfina 5 mg - 5 mcg/h 10 mg - 10 mcg/h 20 mg - 20 mcg/h EQUIVALENTE MORFINA / 24H EM MG / DIA ADESIVO TRANSDÉRMICO COM TROCA DE 7 DIAS 12 24 48 BUPRENORFINA TD 0.01 : 1mg MORFINA 20 mg - 35 mcg/h 30 mg - 52,5 mcg/h 40 mg - 70 mcg/h EQUIVALENTE MORFINA / 24H EM MG / DIA ADESIVO TRANSDÉRMICO COM TROCA DE 4 DIAS 84 126 168 BUPRENORFINA TD 0.01 : 1mg MORFINA Tabela de Conversão Na maioria dos casos, a analgesia transdérmica pode ser continuada durante o período perioperatório para analgesia de fundo. Em grandes cirurgias, onde a perda de volume e o risco de sepse pós-operatória é aumentada, a remoção dos sistemas transdérmicos é aconselhável para evitar diminuições e aumentos imprevistos da captação sistêmica de opióides. A dose do opióide transdérmico pode ser convertida em morfina intravenosa, que será administrada como infusão contínua de “fundo”, possivelmente combinada com uma função controlada pelo paciente. Para um cálculo fácil, pode-se presumir que 1 mcg / hora de fentanil equivale a 1,5 mcg / hora buprenorfina transdérmica. Lembrar que a bupremorfina transdérmica é 100 vezes mais potente que a morfina oral. Há dois tipos de buprenorfina disponíveis no mercado, as quaisse diferenciam pela taxa de liberação da buprenorfina/hora e pelo período de utilização do adesivo. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 16 Conversão para analgesia transdérmica Conversão para analgesia transdérmica ▪ A analgesia transdérmica deve ser mantida ◦ Cuidado com pacientes que apresentam hipovolemia e sepse ◦ Parâmetro de conversão A buprenorfina trandérmica é 100 vezes mais potente que a morfina oral. 1 mcg/h Fentanil 1,5 mcg/h Buprenorfina 5 mg - 5 mcg/h 10 mg - 10 mcg/h 20 mg - 20 mcg/h EQUIVALENTE MORFINA / 24H EM MG / DIA ADESIVO TRANSDÉRMICO COM TROCA DE 7 DIAS 12 24 48 BUPRENORFINA TD 0.01 : 1mg MORFINA 20 mg - 35 mcg/h 30 mg - 52,5 mcg/h 40 mg - 70 mcg/h EQUIVALENTE MORFINA / 24H EM MG / DIA ADESIVO TRANSDÉRMICO COM TROCA DE 4 DIAS 84 126 168 BUPRENORFINA TD 0.01 : 1mg MORFINA Tabela de Conversão ▪ Não induzem dependência ou tolerância ▪ Causam efeitos colaterais ◦ Trata gastrointestinal ▫ Inibidores da Cox-2 são mais seguros ◦ Sistema de coagulação ◦ Dano renal ▫ Principalmente se há hipovolemia ▪ Apresentam efeito poupador de opioides Antiinflamatórios 1.3.2 - FÁRMACOS ANTIINFLAMATÓRIOS (AINE) O manejo da anestesia em pacientes com dor crônica deve considerar o impacto da co-medicação com inibidores da enzima cicloxigenase (COX) na função do órgão e coagulação, bem como respostas as drogas anestésicas. Os AINE são os analgésicos não opioides mais usados. Ao contrário dos opioides, eles não induzem tolerância e dependência física, mas podem causar efeitos colaterais graves - principalmente no trato gastrointestinal, no sistema de coagulação e nos rins. A combinação de AINE com opioides fracos ou fortes para cirurgias de médio e grande porte pode reduzir a dose final de opioide em 30%. 1.6 COANALGÉSICOS Outros medicamentos coanalgésicos são freqüentemente prescritos para pacientes com dor crônica. O termo “drogas coanalgésicas” é usado para descrever drogas com potência analgésica que não foram originalmente desenvolvidos para o tratamento da dor. A dor neuropática é a principal indicação desses medicamentos. Anticonvulsivantes, antidepressivos, antagonistas do receptor NMDA e outras drogas têm sido estudadas para o tratamento de dor neuropática. O antagonista do receptor NMDA, cetamina, é um agente anestésico que fornece atividade analgésica em doses subanestésicas. Estudos controlados e relatos de caso sobre cetamina (oral) demonstraram eficácia em pacientes selecionados com dor neuropática e nociceptiva. Outro aspecto deste medicamento é a reversão ou prevenção da tolerância ao efeito analgésico dos opioides, que pode ser usado para controlar o aumento rápido da dose de opioides no período perioperatório. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 17 ▪ Conceito ◦ Fármacos com potência analgésica que não foram originalmente desenvolvidos com este fim ▪ Antagonistas-NMDA ◦ Atividade analgésica em doses subanestésicas ◦ Previne e trata tolerância ◦ Papel na hiperalgesia induzida por opioide ◦ No caso de uso crônico, não é necessário manter a cetamina no intra-operatório Coanalgésicos ▪ Anticonvulsivantes ◦ Considerações gerais Carbamazepina e fenitoina aceleram a metabolização dos relaxantes musculares adespolarizantes. • Efeito aditivo com os opioides no que diz respeito a sedação. • Concentrações plasmáticas estão relacionadas a efeitos colaterias. • Deve-se manter a dose utilizada regularmente. ▪ Os gabapentinoides tem efeito analgésico e ansiolítico Coanalgésicos Os anticonvulsivantes podem interferir na anestesia de diferentes maneiras. Em particular, fenitoína e carbamazepina aceleram a recuperação dos relaxantes musculares não despolarizante. O mecanismo da resistência relativa ao bloqueio neuromuscular não despolarizante em pacientes que recebem anticonvulsivantes permanece obscuro. Outros elementos devem ser lembrados. Uma variedade de anticonvulsivantes é usada para pacientes com dor crônica. Gabapentina tem um perfil de efeito colateral favorável, interage com canais de cálcio controlados por voltagem e é eficaz em certos tipos de dor neuropática, como polineuropatia e neuralgia pos-herpética. A relativa ausência de efeitos colaterais graves e interações medicamentosas permite a titulação contínua e rápida de gabapentina no período perioperatório. A pregabalina tem efeito semelhante a gabapentina. Tem efeito analgésico e ansiolítico, sendo bem tolerada pelos pacientes. Muito raramente, pacientes com uso oral crônico de cetamina apresentam-se no centro cirurgico. Nestes casos, a administração perioperatória de cetamina deve ser omitida, uma vez que a conversão correta de cetamina oral para intravenosa é difícil. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 18 ▪ Conceito ◦ Fármacos com potência analgésica que não foram originalmente desenvolvidos com este fim ▪ Antagonistas-NMDA ◦ Atividade analgésica em doses subanestésicas ◦ Previne e trata tolerância ◦ Papel na hiperalgesia induzida por opioide ◦ No caso de uso crônico, não é necessário manter a cetamina no intra-operatório Coanalgésicos ▪ Anticonvulsivantes ◦ Considerações gerais Carbamazepina e fenitoina aceleram a metabolização dos relaxantes musculares adespolarizantes. • Efeito aditivo com os opioides no que diz respeito a sedação. • Concentrações plasmáticas estão relacionadas a efeitos colaterias. • Deve-se manter a dose utilizada regularmente. ▪ Os gabapentinoides tem efeito analgésico e ansiolítico Coanalgésicos GABAPENTINA PREGABALINA CARBAMAZEPINA ÁCIDO VALPROICO SÍNDROME DE RETIRADA FENITOINA BENZODIAZEPÍNICOS Coanalgésicos ▪ Antidepressivos ◦ Possuem diferentes mecanismos de ação ▫ Antidepressivos tricíclicos • Promovem indução enzimática • Maior incidência de delirium e confusão mental ▫ Outros antidepressivos devem ser lembrados Coanalgésicos Os antidepressivos tricíclicos (TCAs) são freqüentemente usados para a dor neuropática. Sua potência analgésica está bem documentada. Em uma variedade de neuropatias de diferentes origens, os TCAs têm o menor número necessário para tratar (NNT) para produzir > 50% alívio da dor. Freqüentemente, os ADTs também são necessários para o tratamento de transtornos depressivos uma vez que os pacientes com dor crônica têm uma maior prevalência de depressão em comparação com a população normal. Os efeitos adversos dos TCAs são numerosos e incluem sedação, efeitos anticolinérgicos e alterações cardiovasculares. Alterações eletrocardiográficas, por exemplo, prolongamento dos intervalos PR e alargamento dos complexos QRS – são benignos. Sugestões anteriores de que os TCAs aumentam o risco de arritmias cardíacas não foram comprovados na ausência de overdose de drogas. Portanto, os TCAs não precisam ser interrompidos antes da administração da anestesia, mas aumento das necessidades anestésicas devem ser esperadas devido à indução enzimática. No pós-operatório, a probabilidade de delírio e confusão pode aumentar devido aos efeitos anticolinérgicos aditivos dos TCAs. Antidepressivos modernos - por exemplo, inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRIs) e antidepressivos atípicos como mirtazapina ou venlafaxina - são menos propensos a interferir na anestesia. Sua potência analgésica é controversa. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 19 ▪ Cannabis medicinal ▫ Uso crescente na população geral ▫ Envolve questões legais e institucionais ▫ Recomendações: • Mantenha dose pré-operatória • Conheça o fármaco • Monitore interações Coanalgésicos Metabolismo Canabinóide e Possíveis Interações Comuns com Medicamentos CYP1A2 EFEITOS DA MACONHA E/OU CANABINÓIDESENZIMA Teofilina Cafeína Clorpromazina Outros medicamentos que podem ser afetados: Clozapina Duloxetina Fluoxetina Frovatriptano Lidocaína Melatonina Mexiletina Mirtazapina OlanzapinaPropranolol Antidepressivos tricíclicos MEDICAMENTOS POSSÍVEIS EFEITOS OU INTERAÇÕES Induzido pelo fumo de maconha e tabaco, levando à diminuição dos substratos A12 Metabolismo e depuração mais rápidos, exacerbados pelo tabagismo. Metabolismo variável. Reações, +/- clearance +/- efeitos colaterais, como taquicardia, sonolência, pressão arterial. Inibidores seletivos da recaptação de serotonina, como a duloxetina, podem piorar a síndrome de abstinência de cannabis. CYP3AA, CYP2C9 and CYP2C19 Carbamazepina Fosfenitoína Fenobarbital Fenitoína Rifampicina Claritromicina Cetoconazol Verapamil Voriconazol Benzodiazepínicos Tacrolimo (Metabolismo CYP3A) Metaboliza maconha e canabinoides Canabinoides podem aumentar os inibidores de CYP2C19 Indutores fortes - diminuem a ação da maconha Inibidores fortes - Aumentam os efeitos da maconha como taquicardia, letargia, hipertensão. Diminuição do clearance de outros medicamentos Aumento da toxidade do Tacrolimo Catecol-O- Metiltransferase e monoamina oxidase Atropina Cocaína Simpaticomiméticos Interações pouco claras Aumenta os efeitos dos canabinoides Aumenta efeitos adversos Variável OpioidesVariável Aumento da analgesia, aumento dos efeitos colaterais, como sonolência Outros medicamentos de interesse MEDICAMENTO EFEITO CLÍNICO Naltrexona Diidrodiol desidrogenases hepáticas Excreção renal Efeitos aprimorados em usuários pesados de maconha METABOLISMO/EXCREÇÃO Gabapentina Excreção renal inalterada Interações sinérgicas na alodinia Tem sido usado com algum sucesso para o vício em maconha Lítio 90% de excreção renal Aumento da depressão do SNC O uso de cannabis medicinal na população geral pode representar um desafio para os profissionais de anestesia. Os pacientes querem ter certeza de que a equipe de cuidados perioperatórios está ciente, confortável e tem um plano para minimizar a interrupção da terapia. Pode haver obstáculos legais e institucionais consideráveis a serem superados para permitir o uso contínuo desses produtos enquanto o paciente estiver no hospital. Com isso em mente, oferecemos as seguintes considerações: cada instituição terá regras e regulamentos que regem o uso de produtos canabinóides, e estes devem ser investigados antes do atendimento, se possível. Se o paciente estiver tomando dronabinol, nabilona ou canabidiol, parece seguro continuar sua dosagem pré-operatória no dia da cirurgia e durante todo o curso hospitalar. Se for necessária ansiólise perioperatória com benzodiazepínicos, o nível de sedação do paciente deve ser monitorado de perto. Se o paciente estiver tomando um produto de cannabis derivado de plantas, obtenha informações sobre dosagem, modo de administração, produção do produto, relação tetrahidrocanabinol:canabidiol, indicação de uso, alteração dos sintomas com o uso e adesão à medicação. Tome decisões individualizadas sobre a administração perioperatória, embora em geral a maioria seja segura para continuar. Monitorar interações medicamentosas ( Tabela 2 ) como taquicardia ou bradicardia, com o uso de simpaticomiméticos. Titular medicamentos sedativos e opióides cuidadosamente para evitar sedação excessiva. Como o cannabis é metabolizadoprincipalmente pelo CYP3A4 e CYP2C9 no fígado, a interação medicamentosa com outros medicamentos é possível e imprevisível. Estes incluem varfarina, clopidogrel, imunossupressores, anti-inflamatórios não esteroides, fentanil, oxicodona, codeína, tacrolimo, esteroides e antivirais, entre outros. Se o paciente estiver usando maconha recreativamente, pode haver aumento da irritabilidade das vias aéreas, edema, obstrução, tosse crônica, bronquite, enfisema e broncoespasmo. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 20 Metabolismo Canabinóide e Possíveis Interações Comuns com Medicamentos CYP1A2 EFEITOS DA MACONHA E/OU CANABINÓIDESENZIMA Teofilina Cafeína Clorpromazina Outros medicamentos que podem ser afetados: Clozapina Duloxetina Fluoxetina Frovatriptano Lidocaína Melatonina Mexiletina Mirtazapina Olanzapina Propranolol Antidepressivos tricíclicos MEDICAMENTOS POSSÍVEIS EFEITOS OU INTERAÇÕES Induzido pelo fumo de maconha e tabaco, levando à diminuição dos substratos A12 Metabolismo e depuração mais rápidos, exacerbados pelo tabagismo. Metabolismo variável. Reações, +/- clearance +/- efeitos colaterais, como taquicardia, sonolência, pressão arterial. Inibidores seletivos da recaptação de serotonina, como a duloxetina, podem piorar a síndrome de abstinência de cannabis. CYP3AA, CYP2C9 and CYP2C19 Carbamazepina Fosfenitoína Fenobarbital Fenitoína Rifampicina Claritromicina Cetoconazol Verapamil Voriconazol Benzodiazepínicos Tacrolimo (Metabolismo CYP3A) Metaboliza maconha e canabinoides Canabinoides podem aumentar os inibidores de CYP2C19 Indutores fortes - diminuem a ação da maconha Inibidores fortes - Aumentam os efeitos da maconha como taquicardia, letargia, hipertensão. Diminuição do clearance de outros medicamentos Aumento da toxidade do Tacrolimo Catecol-O- Metiltransferase e monoamina oxidase Atropina Cocaína Simpaticomiméticos Interações pouco claras Aumenta os efeitos dos canabinoides Aumenta efeitos adversos Variável OpioidesVariável Aumento da analgesia, aumento dos efeitos colaterais, como sonolência Outros medicamentos de interesse MEDICAMENTO EFEITO CLÍNICO Naltrexona Diidrodiol desidrogenases hepáticas Excreção renal Efeitos aprimorados em usuários pesados de maconha METABOLISMO/EXCREÇÃO Gabapentina Excreção renal inalterada Interações sinérgicas na alodinia Tem sido usado com algum sucesso para o vício em maconha Lítio 90% de excreção renal Aumento da depressão do SNC Há um relato de caso de edema agudo da úvula em um menino de 17 anos que havia fumado maconha pouco antes da cirurgia que foi tratado com sucesso com dexametasona. Também houve relatos de taquicardia supraventricular ou ectopia ventricular em pacientes adultos logo após fumar maconha. Em um estudo com adultos de 20 a 92 anos que tiveram infarto do miocárdio, o risco aumentou quase 5 vezes na primeira hora após fumar. O período perioperatório é um excelente momento para discutir a redução do risco em pacientes que fazem uso regular de maconha recreativa. Artigos e relatórios recentes discutem os contaminantes, incluindo pesticidas, mofo e fungos em alguns produtos de cannabis. Estes podem ser problemáticos para pacientes imunossuprimidos, inclusive no período de recuperação. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 21 • Halotano ▪ Hepatite por halotano • Succinilcolina ▪ Hipertermia maligna • Anestésicos locais ▪ Aminoesteres estão mais frequentemente associados a reações alérgicas do que as aminoamidas • Látex ▪ Cuidado com história de alergia a papaia, figo, banana, kiwi, abacaxi, pêssego, melão e castanha. • História anestésica ▪ Complicações ▪ Dor • História familiar • História social e hábitos PASSO 05: Alergias, reações adversas e intolerâncias as medicações Anamnese passo-a-passo tabagismo etilismo drogas O uso crônico de benzodiazepínicos aumenta o risco de consciência intraoperatória 1.7 - CONTINUAÇÃO DA ANAMNESE É pertinente questionar sobre anestesias em familiares para descobrir a ocorrência de hipertermia maligna. Em caso positivo, deve-se discutir com o paciente minuciosamente a técnica anestésica a ser utilizada e garantir que não será usada nenhuma das substâncias que possam desencadear a doença. É essencial investigar experiências anteriores de anestesia, incluindo condições do despertar, histórico de consciência intra-operatória, ocorrência de dor, náuseas e vômitos, dados estes que precisam ser registrados para o planejamento ao final da consulta. Tabagismo, etilismo e uso de drogas também precisam ser investigados. Em pacientes usuários de cocaína, deve-se solicitar sempre radiografia de tórax eecocardiografia para avaliar área e função cardíaca. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 22 • Halotano ▪ Hepatite por halotano • Succinilcolina ▪ Hipertermia maligna • Anestésicos locais ▪ Aminoesteres estão mais frequentemente associados a reações alérgicas do que as aminoamidas • Látex ▪ Cuidado com história de alergia a papaia, figo, banana, kiwi, abacaxi, pêssego, melão e castanha. • História anestésica ▪ Complicações ▪ Dor • História familiar • História social e hábitos PASSO 05: Alergias, reações adversas e intolerâncias as medicações Anamnese passo-a-passo tabagismo etilismo drogas O uso crônico de benzodiazepínicos aumenta o risco de consciência intraoperatória 02 EXAME FÍSICO O exame físico deve incluir avaliação de vias aéreas com classificação de Mallampati, distância tireomentoniana, abertura bucal, uso de prótese dentária ou estado de conservação dos dentes, protrusão mandibular, capacidade de extensão e flexão cervical. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 23 ▪ Sinais vitais ▪ Exame físico detalhado ◦ Identificar sinais de via aérea difícil ▫ Abertura da boca reduzida ▫ Distância tireomentoniana menor que 6,0 cm ▫ Arcada dentária alterada (ausência de unidade dentária) ▫ Amplitude do movimento da coluna cervical reduzida ▫ Desvio de traqueia ▫ Pêlos faciais ◦ Pele e outros aparelhos Exame Físico 2. EXAME FÍSICO A presença de barba volumosa pode indicar dificuldade de ventilação sob máscara. É necessário analisar acessos periféricos e alinhamento da coluna vertebral. Também é importante aferir peso, altura, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória e realizar ausculta cardiopulmonar. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 24 ▪ Sinais vitais ▪ Exame físico detalhado ◦ Identificar sinais de via aérea difícil ▫ Abertura da boca reduzida ▫ Distância tireomentoniana menor que 6,0 cm ▫ Arcada dentária alterada (ausência de unidade dentária) ▫ Amplitude do movimento da coluna cervical reduzida ▫ Desvio de traqueia ▫ Pêlos faciais ◦ Pele e outros aparelhos Exame Físico 03 EXAMES COMPLEMENTARES Os resultados laboratoriais dentro de três meses são geralmente aceitáveis (a menos que anormalidades importantes estejam presentes ou haja mudança da condição médica do paciente). GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 25 • A seleção dos exames deve ser pautada no binômio condição clínica do paciente e cirurgia proposta. ▪ Exames hematológicos ▪ Bioquímica sérica ▪ Eletrocardiograma ▪ Radiografia de tórax Exames Complementares Os exames pré-operatórios não devem ser solicitados de forma aleatória e, sim, seletivamente com o propósito de guiar e otimizar o período perioperatório. As indicações devem ser baseadas nas informações obtidas na anamnese e no histórico médico do doente. Um eletrocardiograma (ECG) pode estar indicado para pacientes com fatores de risco cardiovascular conhecidos ou para pacientes cujos fatores de risco tenham sido identificados na consulta pré-anestésica. A idade isoladamente não pode ser critério para solicitação de um ECG. A avaliação cardíaca pré-operatória pode incluir consulta com especialistas e pedido de exames que vão desde testes não invasivos passivos ou testes de rastreamento provocativos (p. ex., teste de estresse) até avaliação não invasiva e invasiva da estrutura cardíaca, função e vascularização (p. ex., ecocardiografia, cintilografia de perfusão miocárdica, cateterismo cardíaco). O anestesiologista deve ponderar a relação risco-benefício desses testes, sendo necessário considerar os fatores clínicos e o tipo de cirurgia. A radiografia de tórax pré-operatória pode ser solicitada em portadores de DPOC, tabagistas, cardiopatas e pacientes que apresentaram quadro de infecção respiratória recente. Testes adicionais, como espirometria, testes de função pulmonar, gasometria arterial e interconsultas com pneumologista devem ser solicitados apenas se necessário (p. ex., DPOC sintomática, asma sintomática ou recorrente, escoliose com restrição da expansão torácica). 3. EXAMES COMPLEMENTARES GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 26 • A seleção dos exames deve ser pautada no binômio condição clínica do paciente e cirurgia proposta. ▪ Exames hematológicos ▪ Bioquímica sérica ▪ Eletrocardiograma ▪ Radiografia de tórax Exames Complementares Exames laboratoriais como hematócrito e hemoglobina não estão indicados de rotina. Devem ser solicitados considerando-se o tipo e a invasividade do procedimento, em pacientes com doença hepática, em extremos de idade e com histórico de anemia, sangramento ou outros distúrbios hematológicos. Exames da coagulação são solicitados conforme certas características clínicas, que incluem distúrbios no sangramento, doença renal, uso de anticoagulantes, disfunção hepática e tipo do procedimento. Já exames de bioquímica pré-anestésica (sódio, potássio, glicose, testes de função renal e hepática) devem ser solicitados com base em distúrbios endócrinos, risco de disfunção renal e/ou hepática, uso de algumas medicações ou terapias alternativas. O exame de urina não está indicado, a menos que seja em procedimentos específicos, como procedimentos urológicos e implantes de próteses. O teste de gravidez é válido para cirurgias eletivas em pacientes em idade fértil. TESTES PRÉ-OPERATÓRIOS DE ROTINA Numerosos estudos mostram que não existe uma associação entre exames de rotina realizados e benefício para os pacientes. Em média, 1/10.000 exames pré-operatórios demonstram danos, sendo realmente benéficos ao paciente. Em análise de regressão multivariada, feita para determinar quais fatores de risco estão associados a um evento adverso, observou-se que os únicos dois fatores consistentemente encontrados com tal associação foram: • ASA 3 ou superior • Risco cirúrgico conforme classificação das diretrizes da ACC/AHA A idade por si só não é uma indicação para qualquer teste e, portanto, os testes devem ser baseados na coexistência de doenças e invasividade do procedimento a ser realizado. Os resultados laboratoriais dentro de 3 meses são geralmente aceitáveis (a menos que anormalidades importantes estejam presentes ou a condição médica do paciente mude). GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 27 04 JEJUM Aplica-se a todos os pacientes internados ou atendidos em nível ambulatorial que necessitem de jejum, durante seu tratamento, para realização de procedimentos com sedação ou contraste. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 28 PRESCRIÇÃO DO JEJUM ALIMENTO INGERIDO TEMPO MÍNIMO DE JEJUM Refeição branda / pastosa / semi-líquida Pacientes cirúrgicos, exames na hemodinâmica, BIOIMAGEM, ECO transesofágico, litotripsia, procedimentos outros sob anestesia ( sedação): Pacientes adultos e pediátricos 8 horas Suco sem resíduo / chá com torradas 6 horas Fórmula infantil e composto lácteo 6 horas Leite materno 4 horas Dieta líquida restrita ou sem resíduo 2 horas Dieta geral / enteral 8 horas 4. JEJUM Observações e conceitos relevantes: CONTRAINDICAÇÕES PARA ABREVIAÇÃO: Cirurgia de emergência, situações de retardo no esvaziamento gástrico (obesidade mórbida, IRC, diabéticos, megaesôfago, hérnia hiatal volumosa e gestantes), obstrução intestinal, disfagia e pancreatite. OBSERVAÇÕES: 🟠 Dieta branda/pastosa/semilíquida: dietas constituídas de alimentos sólidos ou itens com estrutura modificada por técnicas de preparo e cozimento, que requerem maior tempo para o processo digestório; 🟠Fórmula infantil/composto lácteo: específicos para cada idade; 🟠Leite materno: secreção das glândulas mamárias; 🟠Dieta líquida restrita: líquidos isentos de resíduo, facilmente absorvida no trato digestório; 🟠Pacientes com jejumprolongado (>48h), por qualquer condição clínica e/ou com aceitação irregular da dieta que o coloque em risco nutricional, deverão ser avaliados pela equipe de nutrição. CASOS ESPECIAIS: Para realização de gastrostomia endoscópica, a programação do jejum deverá ser de 8h. Não deverá ser realizada abreviação do jejum, para esses casos. Para os pacientes que serão submetidos a colonoscopia, o jejum mínimo deverá ser de 3h após término da medicação para o preparo do cólon, iniciando o jejum a partir deste momento – obedecendo ao tempo máximo de 8h. GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 29 05 ANEXOS GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 30 São procedimentos em que a incidência combinada de infarto do miocárdio ou morte perioperatória é inferior a 1%. RECOMENDAÇÕES QUANTO A SOLICITAÇÃO DE EXAMES COMPLEMENTARES FÁRMACO DIRETRIZES DE TESTE COM BASE NO PROCEDIMENTO PROCEDIMENTOS DE BAIXO RISCO Cirurgia Ambulatorial Artroscopia diagnóstica Cirurgia de mama Cirurgia de catarata Endoscopias Procedimentos superficiais Se for diabético, glicemia de jejum e hemoglobina glicada. SEM TESTES DE LABORATÓRIO DE ROTINA Os testes de laboratório são indicados pelo histórico médico do paciente. **A única exceção seria um nível basal de Cr em um paciente submetido a um procedimento envolvendo injeção de contraste. PROCEDIMENTOS DE RISCO INTERMEDIÁRIO SEM TESTES DE LABORATÓRIO DE ROTINA Os testes de laboratório são indicados pelo histórico médico do paciente. **A única exceção seria um nível basal de Cr em um paciente submetido a um procedimento envolvendo injeção de contraste. São procedimentos nos quais a incidência combinada de infarto do miocárdio ou morte perioperatória é de 1-5%. São procedimentos em que a perda sanguínea ou alterações hemodinâmicas são raras. Reparo de AAA, Endoscópico Endarterectomia carotídea Procedimentos de cabeça e pescoço Procedimentos intraperitoneais ou intratorácicos Procedimentos ortopédicos Cirurgia de próstata RISCO VASCULAR, RENAL* OU PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA Cirurgia prolongada prevista com grandes alterações de fluidos e/ou perda de sangue Aórtico, Cardíaco, Vascular Maior Procedimentos de Emergência Procedimentos de Icterícia obstrutiva. Claramente, os testes laboratoriais podem não ser obtidos em procedimentos de emergência e só devem ser realizados se o tempo permitir. São procedimentos nos quais a incidência combinada de IAM ou morte perioperatória é > 5%. Esses procedimentos perturbam a fisiologia normal, geralmente requerem transfusões de sangue, monitoramento invasivo e cuidados pós-operatórios na UTI. **Um paciente corre risco renal se for submetido a uma cirurgia para icterícia obstrutiva, procedimentos vasculares MAIORES ou procedimentos > 3 horas EXAMES LABORATORIAIS RECOMENDADOS Hemograma completo com plaquetas PAINEL METABÓLICO COMPLETO* ECG Outros exames laboratoriais indicados pelo histórico médico do paciente. *Painél metabólico completo - cálcio, glicose, sódio, potássio, TGO, TGP, GAMA-GT, ureia, creatinina. 05 GUIA PRÁTICO DE ORIENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA - DRA ANITA ROCHA PÁG 31 RECOMENDAÇÕES QUANTO A SOLICITAÇÃO DE EXAMES COMPLEMENTARES EXAMES LABORATORIAIS RECOMENDADOS COM BASE NO HISTÓRICO MÉDICO CBC/ PLT T & S TP/ TTPA GLI CHEM 7 LFTS TFTS ECG CXR U/A HCG ALB (HGB A1C)2DOENÇA COMUNIQUE QUALQUER MUDANÇA AGUDA NA SUA CONDIÇÃO DE SAÚDE AO MÉDICO ASSISTENTE E AO ANESTESIOLOGISTA. Utilidade dos testes de laboratório existentes Abuso de álcool > 2 doses/dia Anemia Distúrbio Hemorrágico Doença CV4 Doença cerebrovascular Diabetes Doença Hepática Malignidade Desnutrição Obesidade Mórbida Doença Vascular Periférica Fraca tolerância ao exercício Possível gravidez Doença pulmonar Doença Renal Artrite reumatoide Apnéia do sono (idade >18 anos) Fumar >20 unidades por ano (no último ano) Suspeita de ITU Lúpus Sistêmico Doença da Tireóide EXAM • Os resultados laboratoriais são bons por 3 MESES, a menos que sejam anormais • Radiografia torácica válida por 6 MESES, a menos que seja processo agudo ou ativo • Interromper os inibidores de AINEs/COX 2 o mais rápido possível • Eletrocardiogramas são bons por 6 MESES se forem normais. 3 MESES se anormal ou se: +DAC • Fatores de risco, DAC conhecida ou alteração de condição. X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X9 X1 X5 X1 X1 X1 X1 X X3 X 1. Somente para processos ativos e agudos (alterados nos últimos 6 meses?) 2. Os estudos não apoiam uniformemente o uso da HbA1c como preditor de risco de complicações pós-operatórias 3. O HCG deve ocorrer dentro de 24 horas após a cirurgia 4. Doença CV inclui: DAC, ICC, dispneia, dor torácica, palpitações, taquicardia, FC irregular, bradicardia inexplicável, sopro não diagnosticado, B3, CDI, marca-passo, hipertensão pulmonar, síncope 5. Se a malignidade estiver no tórax 6. Se a radiação atingir o tórax, tórax, mama ou pulmões 7. Deve tomar AINEs/Cox 2 três ou mais vezes por semana 8. Risco renal: Se for submetido a um procedimento de alto risco, veja acima e tiver hipertensão, DM, TFGe 500 ml (articulaçõestotais, cabeça e pescoço, AAA, endarterectomia carotídea, intraperitoneal ou torácica, fusões espinhais, cirurgia de próstata) Procedimento Urológico Preparação intestinal Risco Renal8(sem locais ou cataratas) Aborto X X10 /RH X X X X RECOMENDAÇÕES QUANTO A SOLICITAÇÃO DE EXAMES COMPLEMENTARES EXAMES LABORATORIAIS RECOMENDADOS COM BASE NO HISTÓRICO MÉDICO CBC/ PLT T & S TP/ TTPA GLI CHEM 7 LFTS TFTS ECG CXR U/A HCG ALB (HGB A1C)2DOENÇA COMUNIQUE QUALQUER MUDANÇA AGUDA NA SUA CONDIÇÃO DE SAÚDE AO MÉDICO ASSISTENTE E AO ANESTESIOLOGISTA. Utilidade dos testes de laboratório existentes Abuso de álcool > 2 doses/dia Anemia Distúrbio Hemorrágico Doença CV4 Doença cerebrovascular Diabetes Doença Hepática Malignidade Desnutrição Obesidade Mórbida Doença Vascular Periférica Fraca tolerância ao exercício Possível gravidez Doença pulmonar Doença Renal Artrite reumatoide Apnéia do sono (idade >18 anos) Fumar >20 unidades por ano (no último ano) Suspeita de ITU Lúpus Sistêmico Doença da Tireóide EXAM • Os resultados laboratoriais são bons por 3 MESES, a menos que sejam anormais • Radiografia torácica válida por 6 MESES, a menos que seja processo agudo ou ativo • Interromper os inibidores de AINEs/COX 2 o mais rápido possível • Eletrocardiogramas são bons por 6 MESES se forem normais. 3 MESES se anormal ou se: +DAC • Fatores de risco, DAC conhecida ou alteração de condição. X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X9 X1 X5 X1 X1 X1 X1 X X3 X 1. Somente para processos ativos e agudos (alterados nos últimos 6 meses?) 2. Os estudos não apoiam uniformemente o uso da HbA1c como preditor de risco de complicações pós-operatórias 3. O HCG deve ocorrer dentro de 24 horas após a cirurgia 4. Doença CV inclui: DAC, ICC, dispneia, dor torácica, palpitações, taquicardia, FC irregular, bradicardia inexplicável, sopro não diagnosticado, B3, CDI, marca-passo, hipertensão pulmonar, síncope 5. Se a malignidade estiver no tórax 6. Se a radiação atingir o tórax, tórax, mama ou pulmões 7. Deve tomar AINEs/Cox 2 três ou mais vezes por semana 8. Risco renal: Se for submetido a um procedimento de alto risco, veja acima e tiver hipertensão, DM, TFGe