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ORGANIZADO POR CP IURIS ISBN 978-65-5701-178-2 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 1ª edição Brasília CP Iuris 2025 SOBRE O AUTOR THIAGO DOS SANTOS DIAS Mestre em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea (PPGCA- UNIFA). Possui graduação em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2015). Procurador do Município de Botucatu/SP. Professor Convidado e Membro de Banca Avaliadora da Academia da Força Aérea - AFA. Foi Conciliador e Mediador de Conflitos do Tribunal de Justiça de São Paulo. Especialista em Direito Ambiental pela Faculdade Única e Especialista em Direito Constitutional, bem como Especialista em Direito Tributário pela Universidade Cândido Mendes. Membro do Corpo Editorial da Revista e Cadernos do Instituto do Legislativo Paulista - ILP (ALESP). Membro do Conselho de Altos Estudos em Direito - CAED-Jus. Membro da International Association for the Study of the Commons (IASC). Membro da Comissão de Direito Aeronáutico da OAB São José dos Campos - SP. Membro da Comissão Especial de Direito Aeronáutico da OAB Seção São Paulo. Membro do Grupo de Pesquisa em Geopolítica Aeroespacial (UNIFA) e do Grupo de Geopolítica do Brasil (Escola Superior de Guerra - ESG), ambos certificados pelo CNPq. Atuou como Juiz da International Moot Court Competition 2023 da Vivekananda School of Law - Delhi, Índia. SUMÁRIO CAPÍTULO 1 - SEGURIDADE SOCIAL .................................................................................................................. 9 1. ORIGEM E CONCEITO DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO .................................................................................. 9 1.1 Hierarquia das normas no direito previdenciário................................................................................. 9 1.2. Seguridade social – histórico ............................................................................................................ 10 1.3 Evolução histórica no mundo ............................................................................................................ 12 1.4 Evolução histórica no Brasil .............................................................................................................. 13 2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS ........................................................................................................................... 15 3. SAÚDE ...................................................................................................................................................... 15 4. ASSISTÊNCIA SOCIAL ..................................................................................................................................... 16 4.1. Auxílio-Inclusão ............................................................................................................................... 20 4.2. Benefícios Eventuais – outros benefícios temporários ...................................................................... 21 5. PREVIDÊNCIA SOCIAL .................................................................................................................................... 21 5.1. Previdência Social e seus Objetivos .................................................................................................. 22 6. PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO ......................................................... 23 6.1. Princípios Constitucionais Específicos do Sistema de Seguridade Social ............................................ 24 6.2. Princípio da Solidariedade................................................................................................................ 24 6.3 Princípio da Universalidade da Cobertura e do Atendimento ............................................................ 24 6.4. Princípio da Uniformidade e Equivalência dos Benefícios ................................................................. 24 6.5. Princípio da seletividade e distributividade ...................................................................................... 25 6.6. Princípio essencial é o da irredutibilidade do valor dos benefícios .................................................... 25 6.7. Princípio da equidade ...................................................................................................................... 25 6.8. Diversidade da base de financiamento ............................................................................................. 26 6.9. Princípio democrático e descentralizado da administração .............................................................. 26 6.10 Preexistência do custeio em relação ao benefício ou serviço ........................................................... 26 7. ORGANIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL ................................................................................................. 27 CAPÍTULO 2 - PREVIDÊNCIA SOCIAL ............................................................................................................... 32 1. RELAÇÃO JURÍDICA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL E O REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS) ........... 32 1.1. Introdução ao RGPS ......................................................................................................................... 32 1.2. Características Fundamentais do RGPS ............................................................................................ 32 1.3. Público-Alvo do RGPS ....................................................................................................................... 34 1.4. Princípios do RGPS ........................................................................................................................... 34 1.5. Os benefícios previdenciários ........................................................................................................... 35 1.6. A administração da Previdência Social ............................................................................................. 35 1.7. Desafios e Sustentabilidade do Sistema ........................................................................................... 36 2.BENEFICIÁRIOS E FILIAÇÃO NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL .................................................. 37 2.1 Classificação dos Beneficiários .......................................................................................................... 37 2.2 Filiação ao RGPS ............................................................................................................................... 38 2.3 Segurados obrigatórios ..................................................................................................................... 39 2.4. Filiação e inscrição ........................................................................................................................... 41 2.5. Inscrição .......................................................................................................................................... 42 2.6. Segurado facultativo ........................................................................................................................ 43 2.7. Trabalhadores excluídos do RGPS .................................................................................................... 43 2.8. Benefícios do RGPS .......................................................................................................................... 44 CAPÍTULO 3 - FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL .............................................................................. 47 1. INTRODUÇÃO AO FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL .................................................................................... 47 2 EMPRESA E EMPREGADOR DOMÉSTICO............................................................................................................... 47 3. EQUIPARADAS AOutros Requisitos: • Pode ser concedido a quem recebeu BPC nos últimos 5 anos e teve o benefício suspenso. • Suspensão do BPC ao requerer o auxílio-inclusão. Valor do Auxílio-Inclusão: • 50% do valor do BPC em vigor. • Não acumulável com outros benefícios, como aposentadoria, pensão ou seguro-desemprego. Renda Familiar: • O valor do auxílio-inclusão não conta no cálculo da renda familiar per capita. Desconsideração: • Remuneração de até 2 salários-mínimos. • Renda de estágio ou aprendizagem. Cessação do Auxílio-Inclusão: • Se o beneficiário não mantiver os requisitos do BPC ou do auxílio-inclusão. Gestão e Operacionalização: THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 21 • Ministério do Desenvolvimento Social (gestão). • INSS (operações e pagamento). • Despesas custeadas pelo orçamento do Ministério. Impactos e Revisão: • Avaliação de impactos no mercado de trabalho, desigualdades e direitos das pessoas com deficiência. • Revisão do benefício após 10 anos de sua implementação. Aspectos Finais: • O auxílio-inclusão não gera direito a abono anual nem é sujeito a contribuições. 4.2. Benefícios Eventuais – outros benefícios temporários 1.. Definição: • Benefícios assistenciais temporários previstos na LOAS. • Destinados a situações específicas como nascimento, morte, vulnerabilidade temporária e calamidade pública. 2.. Responsabilidade pela Concessão: • A concessão e o valor dos benefícios eventuais são definidos pelos Estados, Distrito Federal e Municípios. 3. Base Legal e Regulatória: • Determinados nas leis orçamentárias anuais de cada ente federativo. • Critérios e prazos são estabelecidos pelos Conselhos de Assistência Social de cada localidade. 5. PREVIDÊNCIA SOCIAL A Previdência Social no Brasil é organizada sob o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), um sistema de caráter contributivo e de filiação obrigatória, que busca garantir o equilíbrio financeiro e atuarial do regime. Ao contrário de outros ramos da seguridade social, a previdência depende da contribuição dos segurados para sua manutenção. A gestão desse sistema é responsabilidade do Ministério da Previdência Social. Os objetivos da Previdência Social estão definidos no artigo 201 da Constituição Federal de 1988, e frequentemente geram confusão nas provas de concursos, especialmente quando são comparados com os objetivos da Assistência Social, previstos no artigo 203 da mesma Constituição. Para evitar erros, é importante entender as diferenças e estabelecer um paralelo com os benefícios previdenciários: Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) I - cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019) II - proteção à maternidade, especialmente à gestante; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 22 IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) V - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O primeiro objetivo da Previdência Social é cobrir eventos de incapacidade, seja temporária ou permanente, para o trabalho, além da aposentadoria por idade avançada. Isso está relacionado aos benefícios de auxílio-doença (atualmente chamado de auxílio por incapacidade temporária), aposentadoria por invalidez (hoje, aposentadoria por incapacidade permanente), e aposentadoria por idade avançada. O segundo objetivo diz respeito à proteção à maternidade, especialmente para as gestantes, o que é atendido pelo benefício do salário-maternidade. Já o terceiro objetivo trata do amparo ao trabalhador em situação de desemprego involuntário, um tema frequentemente confundido em concursos. Embora o seguro-desemprego tenha uma essência previdenciária, ele não é administrado pelo INSS, mas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme o artigo 9º, § 1º da Lei nº 8.213/1991. O benefício é concedido com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), mas sua essência continua sendo previdenciária. O quarto objetivo refere-se à concessão de benefícios previdenciários, como o salário-família e o auxílio-reclusão, que são destinados aos segurados de baixa renda, conforme o princípio constitucional da seletividade e distributividade, previsto no artigo 194, § 3º, inciso III da CF/1988. O quinto objetivo abrange a pensão por morte, que é destinada ao cônjuge, companheiro ou dependentes do segurado falecido. A Previdência Social brasileira é caracterizada pela sua organização estatal, natureza coletiva, filiação compulsória e sistema contributivo. A filiação compulsória significa que a vinculação ao sistema previdenciário ocorre automaticamente, sem a necessidade de uma manifestação voluntária do segurado. Por exemplo, uma pessoa que inicia uma atividade remunerada, como um vendedor autônomo, automaticamente passa a ser vinculada ao RGPS e, consequentemente, se torna obrigada a contribuir para o regime, não podendo optar por não contribuir. Essas características demonstram que o sistema de Previdência Social não possui natureza contratual, mas sim institucional ou estatutária, já que a adesão ao regime é imposta por lei, independentemente da vontade do segurado. Assim, ao exercer uma atividade remunerada, a pessoa estabelece um vínculo jurídico com o sistema, gerando tanto direitos quanto obrigações. 5.1. Previdência Social e seus Objetivos 1. Organização da Previdência Social: • A Previdência Social é estruturada sob o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), de caráter contributivo e filiação obrigatória. • O objetivo é preservar o equilíbrio financeiro e atuarial, assegurando que o sistema seja sustentável ao longo do tempo. • A previdência social, ao contrário de outros ramos da seguridade social, depende exclusivamente de contribuições para o financiamento dos benefícios. 2. Objetivos da Previdência Social (Art. 201 da CF/1988): • Os objetivos da previdência social estão diretamente relacionados à proteção social dos cidadãos, garantindo cobertura em casos de incapacidade para o trabalho, idade avançada, maternidade, desemprego involuntário, entre outros. A distinção entre os objetivos previdenciários e os assistenciais é essencial para evitar confusão nas provas de concursos. 3. Análise dos Objetivos Previdenciários: • Cobertura de Incapacidade: Visando situações de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho. Exemplos: THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 23 • Auxílio por incapacidade temporária (anteriormente chamado de auxílio-doença). • Aposentadoria por incapacidade permanente (antes aposentadoria por invalidez). • Aposentadoria programada para pessoas com idade avançada. • Proteção à Maternidade: A previdência garante salário-maternidade para a gestante. • Amparo ao Desemprego Involuntário: O benefício seguro-desemprego é considerado parte da previdência social, mas a sua gestão é de responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego, não do INSS. O seguro-desemprego é financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), proveniente de contribuições como o PIS/PASEP. • Salário-Família e Auxílio-Reclusão: Benefícios dirigidos a segurados de baixa renda. A Constituição exige que esses benefíciosrespeitem os princípios de seletividade e distributividade (Art. 194, § 3º, III da CF/1988), com base na renda familiar per capita. • Pensão por Morte: A pensão por morte é destinada ao cônjuge, companheiro(a) e dependentes do segurado falecido. 4. Características da Previdência Social: • Organização Estatal: A previdência social é de responsabilidade do Estado. • Filiação Compulsória: O vínculo entre o trabalhador e o Regime Geral de Previdência Social ocorre automaticamente ao início da atividade remunerada, sem que o indivíduo precise manifestar vontade. Esse vínculo é institucional e não contratual, ou seja, não depende da decisão do trabalhador. • Contributividade: O trabalhador é obrigado a contribuir para o sistema previdenciário, uma vez que se insere no regime ao exercer atividade remunerada. Não há possibilidade de exclusão do sistema, mesmo que o trabalhador não queira contribuir. Essa obrigatoriedade decorre da filiação compulsória imposta pelo Estado. 5. Aspectos Importantes: • O Ministério da Previdência Social é o responsável pela gestão da previdência, sendo importante compreender que a legislação vigente orienta a concessão de benefícios de acordo com a situação de incapacidade, maternidade, desemprego involuntário, entre outros. • O estudo do art. 201 da CF/1988 e seus incisos deve ser realizado de forma detalhada, já que ele descreve os objetivos da previdência social e se diferencia dos objetivos da assistência social. Este resumo ampliado oferece uma explicação clara sobre a organização, os objetivos e as características da previdência social, com foco na filiação compulsória, contributividade e a relação com os benefícios previdenciários previstos na Constituição Brasileira. 6. PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO O sistema de seguridade social brasileiro é regido por uma série de princípios fundamentais que garantem sua aplicação de maneira justa e eficiente, conforme estabelecido na Constituição Federal de 1988. Esses princípios, além de garantir a proteção aos cidadãos em diversas situações de vulnerabilidade social, são fundamentais para a organização do sistema de seguridade social, conforme o artigo 194 da Constituição. Antes de discutir esses princípios, é importante entender a diferença entre "princípio" e "regra". Enquanto as regras são normas que descrevem ações específicas e as consequências de seu descumprimento, os princípios possuem uma carga valorativa mais profunda, direcionando o comportamento do sistema de seguridade social e seus objetivos. Princípios não indicam uma conduta que leva a uma consequência jurídica específica, mas sim valores a serem seguidos, que orientam a criação e a THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 24 interpretação das regras. Um exemplo simples ajuda a ilustrar essa diferença: no caso da aposentadoria programada, existe uma regra que estipula as condições necessárias para que o segurado tenha direito ao benefício (tempo de contribuição, idade, etc.). Quando essas condições são preenchidas, a consequência jurídica é a aposentadoria. Porém, princípios como o da solidariedade não se referem a uma conduta específica, mas a um valor que orienta o funcionamento do sistema previdenciário, permitindo que as contribuições de uns beneficiem a proteção de outros. 6.1. Princípios Constitucionais Específicos do Sistema de Seguridade Social O artigo 194, parágrafo único, da Constituição Federal de 1988, descreve que a seguridade social será organizada com base em certos objetivos, que, na prática, são verdadeiros princípios que orientam o sistema. Embora o texto fale em "objetivos", esses são, de fato, princípios que fundamentam o sistema de seguridade social. Para os efeitos de estudo e concurso, é adequado tratar os termos como sinônimos. 6.2. Princípio da Solidariedade O princípio da solidariedade é o pilar central do sistema de seguridade social brasileiro, sendo essencial para garantir que as contribuições de uns sirvam para a proteção dos mais necessitados. Este princípio está expresso no artigo 3º, inciso I da Constituição, que estabelece que a construção de uma "sociedade livre, justa e solidária" é um dos objetivos fundamentais do Brasil. Esse princípio implica que as contribuições para o sistema previdenciário não são destinadas exclusivamente ao benefício do próprio contribuinte, mas têm um caráter coletivo. O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) adota o sistema de repartição simples, no qual as contribuições dos trabalhadores ativos são utilizadas para pagar os benefícios dos trabalhadores que estão aposentados ou incapacitados. Portanto, cada contribuição não é vinculada ao segurado que a fez, mas é direcionada para o custeio do sistema como um todo. A solidariedade também pode ser vista sob duas dimensões: intergeracional, quando as contribuições de uma geração sustentam os benefícios de outra, e intrageracional, quando uma pessoa contribui para que outra da mesma geração tenha acesso ao benefício, como no caso de uma aposentadoria por incapacidade permanente. 6.3 Princípio da Universalidade da Cobertura e do Atendimento A universalidade da cobertura e do atendimento, prevista no artigo 194, parágrafo único, I da CF, assegura que todos os cidadãos, independentemente de sua condição econômica, terão acesso aos benefícios da seguridade social. Esse princípio se divide em dois aspectos: 1. Universalidade da Cobertura: Refere-se à abrangência do sistema, ou seja, a seguridade social deve cobrir todos os riscos sociais que possam levar o indivíduo à situação de necessidade, como enfermidades, invalidez, idade avançada, entre outros. 2. Universalidade do Atendimento: Este aspecto garante que todos, sem distinção de nacionalidade ou vínculo empregatício, tenham direito de ser atendidos pela seguridade social. No contexto da saúde, por exemplo, isso significa que qualquer pessoa, seja brasileira ou estrangeira, tem direito ao atendimento médico, independentemente de sua contribuição. 6.4. Princípio da Uniformidade e Equivalência dos Benefícios O princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios, também mencionado no artigo 194, parágrafo único, II da Constituição, garante que as populações urbanas e rurais tenham acesso a benefícios e serviços equivalentes, embora possam existir distinções razoáveis para assegurar a isonomia material. Esse THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 25 princípio tem duas vertentes: 1. Uniformidade: Impõe que os eventos cobertos pela seguridade social sejam os mesmos, não podendo haver distinção entre os segurados urbanos e rurais quanto à natureza dos benefícios, como no caso da aposentadoria ou pensão. 2. Equivalência: Garante que os benefícios prestados sejam proporcionais e adequados à situação de cada beneficiário, com base em condições semelhantes. Porém, isso não significa que os valores de todos os benefícios devem ser idênticos, mas que as condições fáticas que levam ao benefício sejam equiparadas. Exemplo disso é o salário-família, que, independentemente de a pessoa ser da área rural ou urbana, deve ter o mesmo valor se as condições de necessidade forem as mesmas. Esses princípios são fundamentais para a organização do sistema de seguridade social e garantem que ele atenda a todos os cidadãos de forma justa, sem discriminação, buscando sempre o bem-estar coletivo e a proteção social. 6.5. Princípio da seletividade e distributividade O princípio da seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços previdenciários está consagrado no artigo 194, parágrafo único, inciso III, da Constituição Federal de 1988. Esse princípio tem como objetivo estabelecer uma distribuição justa e adequada dos recursos limitados do Estado, que precisa fazer escolhas orçamentárias difíceis diante das inúmeras demandas sociais. Em um contexto de direitos sociais, que são considerados direitos positivos, o governotem a obrigação de agir para atender a essas necessidades, o que gera custos e impõe limitações à atuação estatal, em função da chamada "reserva do possível". O princípio da seletividade visa priorizar os benefícios e serviços mais relevantes, considerando os objetivos constitucionais de promover o bem-estar e a justiça social. Com isso, alguns benefícios, como o salário-família e o auxílio-reclusão, são destinados apenas a determinados grupos de segurados, a fim de otimizar a aplicação dos recursos. Já a distributividade busca reduzir as desigualdades sociais, promovendo uma distribuição de renda mais equilibrada e garantindo maior bem-estar social. É importante compreender que a seletividade e distributividade, ao focarem em quais riscos sociais serão cobertos e quem terá acesso a esses benefícios, atenuam o princípio da universalidade da cobertura. Enquanto a universalidade propõe que todos os riscos sociais sejam amparados, a seletividade, dada a limitação de recursos, implica que apenas certos riscos serão cobertos, de acordo com a relevância social e a capacidade do sistema. 6.6. Princípio essencial é o da irredutibilidade do valor dos benefícios Outro princípio essencial é o da irredutibilidade do valor dos benefícios, previsto no artigo 194, parágrafo único, IV da CF/1988, que assegura que os benefícios não tenham seu valor nominal ou real reduzido. No entanto, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal esclarece que a proteção se refere ao valor nominal do benefício, enquanto o valor real está garantido no artigo 201, §4º da CF/1988, que assegura o reajuste dos benefícios conforme critérios definidos em lei, para preservar o seu poder aquisitivo frente à inflação. 6.7. Princípio da equidade O princípio da equidade na forma de participação no custeio, conforme o artigo 194, parágrafo único, V da CF/1988, determina que as contribuições ao sistema de seguridade social sejam proporcionais à capacidade econômica de cada contribuinte. Isso significa que os segurados com maior capacidade financeira devem contribuir mais para o sistema. Este princípio também se reflete na tabela de contribuição prevista pela Emenda Constitucional nº 103/2019, que estabelece alíquotas progressivas sobre o salário de contribuição dos segurados. A equidade também se aplica às contribuições das empresas, que podem ser THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 26 ajustadas conforme o porte da empresa, a atividade econômica ou o mercado de trabalho. 6.8. Diversidade da base de financiamento Outro princípio relevante é o da diversidade da base de financiamento, previsto no artigo 194, parágrafo único, VI da CF/1988, que busca garantir a arrecadação de contribuições a partir de diferentes fontes, como a folha de pagamento, receita ou faturamento das empresas, lucro, e contribuições dos trabalhadores. Essa diversidade ajuda a proteger o sistema de seguridade social contra crises econômicas, garantindo sua estabilidade. 6.9. Princípio democrático e descentralizado da administração Além disso, o sistema de seguridade social brasileiro é fundamentado no princípio democrático e descentralizado da administração, previsto no artigo 194, parágrafo único, VII da CF/1988. Esse princípio estabelece a participação ativa de diferentes segmentos da sociedade, incluindo trabalhadores, empregadores, aposentados e o governo, na gestão do sistema. A gestão quadripartite é exemplificada pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), que é composto por representantes do governo e da sociedade civil, com mandato de dois anos para os representantes da sociedade, e tem como objetivo estabelecer diretrizes e avaliar as políticas previdenciárias. 6.10 Preexistência do custeio em relação ao benefício ou serviço Por fim, o princípio da preexistência do custeio em relação ao benefício ou serviço, também conhecido como princípio da contrapartida, encontra-se no artigo 195, §5º da CF/1988. Esse princípio determina que nenhum benefício ou serviço da seguridade social pode ser criado ou ampliado sem a devida fonte de custeio, assegurando o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema, e impedindo a criação de benefícios sem uma sustentação orçamentária correspondente. A Previdência Social, regulada pela Lei nº 8.213/1991, é pautada por um conjunto de princípios fundamentais que garantem a justiça social e a proteção dos segurados. Esses princípios estão delineados no artigo 2º da referida legislação, e têm como objetivo proporcionar uma rede de proteção social eficaz e abrangente. Dentre os principais princípios, destacam-se: 1. Universalidade da Participação: Este princípio assegura que todos os indivíduos, sem exceção, devem ter acesso aos planos previdenciários, garantindo a inclusão de todas as camadas da sociedade. 2. Uniformidade e Equivalência dos Benefícios: Os benefícios e serviços devem ser prestados de forma igualitária tanto para as populações urbanas quanto para as rurais, com a mesma qualidade e adequação. 3. Seletividade e Distributividade: A concessão dos benefícios deve observar critérios de necessidade, visando atender prioritariamente aqueles em situação de vulnerabilidade social. 4. Cálculo dos Benefícios: O cálculo dos benefícios leva em consideração a média dos salários de contribuição do segurado, corrigidos monetariamente. A correção é essencial para evitar que os valores dos benefícios percam seu poder de compra devido à inflação. 5. Irredutibilidade dos Benefícios: Os valores dos benefícios não podem ser reduzidos, de forma a preservar o poder aquisitivo dos segurados, mesmo após a concessão. 6. Valor Mínimo dos Benefícios: A renda mensal dos benefícios substitutivos do salário de contribuição ou do rendimento do trabalho do segurado não pode ser inferior ao valor do salário mínimo, garantindo uma proteção mínima para o segurado. 7. Previdência Complementar Facultativa: A previdência complementar, diferente da previdência social obrigatória, é de adesão voluntária e depende da contribuição adicional do beneficiário. THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 27 8. Gestão Democrática e Descentralizada: A administração da previdência deve ser feita de maneira descentralizada e democrática, com a participação do governo, da sociedade civil e dos próprios trabalhadores, empregadores e aposentados. Cálculo dos Benefícios Previdenciários O cálculo de alguns benefícios da Previdência Social é realizado com base no salário de benefício, que é a média dos salários de contribuição do segurado durante um período determinado. Para garantir que o valor do benefício esteja em consonância com os salários de contribuição, é necessário que haja correção monetária, de modo que o valor do benefício não seja corroído pela inflação. Essa correção monetária é estabelecida por lei, e atualmente é aplicada com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), conforme o artigo 29-B da Lei nº 8.213/1991. Garantia do Valor Mínimo do Benefício Os benefícios substitutivos do salário de contribuição, como aposentadorias, têm a garantia de que seu valor não será inferior ao salário mínimo. Essa medida visa assegurar que o segurado tenha uma fonte de renda mínima após a cessação de sua atividade laboral. No entanto, vale destacar que os benefícios indenizatórios, como o auxílio-acidente e o salário- família, não estão sujeitos a essa garantia de valor mínimo, podendo ser inferiores ao salário mínimo, uma vez que possuem natureza compensatória e não substitutiva da renda do trabalho. Previdência Complementar A previdência complementar tem caráter facultativo, ou seja, o segurado tem a opção de aderir a ela, mediante contribuição adicional. Diferente do regime geral de previdência, que é compulsório, a previdência complementar é regida por contratos firmados entre o segurado e as entidades de previdência, sendo uma escolha do indivíduo. Em resumo, a previdência complementar oferece uma formade ampliar a proteção social, proporcionando uma fonte adicional de renda para os segurados, mas sua adesão depende de decisão pessoal e do pagamento de contribuições extras. 7. ORGANIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL O Sistema de Seguridade brasileiro está estruturado nos artigos 195 e seus parágrafos da Constituição Federal de 1988, que dispõem sobre a organização e financiamento da seguridade social no país. A seguir, vamos abordar, de maneira detalhada, os principais parágrafos que regem essa organização. § 1º – As receitas dos Estados, Distrito Federal e Municípios destinadas à seguridade social Este parágrafo determina que as receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aplicadas na seguridade social, devem constar em seus respectivos orçamentos, não fazendo parte do orçamento da União. Isso implica que, os recursos destinados à saúde, assistência social e previdência social por cada ente federativo, devem ser incluídos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de cada um, e não na LOA da União. § 2º – Elaboração do orçamento da seguridade social Este parágrafo trata da elaboração do orçamento da seguridade social, que deve ser feita de forma integrada pelos órgãos responsáveis pelas áreas da saúde, previdência social e assistência social, com base nas metas e prioridades estabelecidas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O orçamento elaborado por esses órgãos será parte integrante da LOA e deve ser gerido de maneira independente por cada área, respeitando os princípios orçamentários previstos na Constituição, como o plano plurianual e as diretrizes orçamentárias. § 3º – Débitos com a seguridade social e a contratação com o Poder Público O § 3º estabelece que pessoas jurídicas em débito com o sistema da seguridade social não poderão THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 28 contratar com o Poder Público nem receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Para participar de processos licitatórios ou obter esses benefícios, a pessoa jurídica deverá comprovar a regularidade com a seguridade social por meio de Certidão Negativa de Débito (CND). § 7º – Isenção de contribuições para entidades beneficentes Este parágrafo prevê a isenção das contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências legais. É importante diferenciar entre uma entidade de assistência social (EAS) e uma entidade beneficente de assistência social (EBAS). Enquanto as EAS gozam de imunidade em relação aos impostos sobre patrimônio, renda e serviços, as EBAS, além de gozar dessa imunidade, também têm isenção das contribuições para a seguridade social, por prestarem serviços assistenciais de forma abrangente e não restrita a um grupo específico. § 4º – Competência residual da União O § 4º trata da competência residual da União, que pode instituir outras fontes de custeio para a seguridade social, além das já previstas na Constituição, desde que respeitadas as limitações previstas no artigo 154, I, da CF. Essa competência deve ser exercida por lei complementar, e as novas fontes de custeio não podem ter o mesmo fato gerador ou base de cálculo de contribuições sociais já existentes. § 5º – Princípio da Preexistência do Custeio Este parágrafo estabelece que nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, aumentado ou ampliado sem que exista uma fonte de custeio correspondente, garantindo que os recursos para a seguridade social sejam previamente estabelecidos para evitar déficits financeiros. § 6º – Princípio da Noventena ou Anterioridade Mitigada O § 6º trata da anterioridade mitigada ou noventena, também conhecida como o princípio da noventena. Esse princípio estabelece que contribuições sociais somente poderão ser exigidas após noventa dias da publicação da lei que as instituiu ou modificou. Assim, se uma nova contribuição for criada em março, ela só poderá ser exigida após noventa dias, não sendo necessário esperar o primeiro dia do exercício seguinte, como é exigido para a maioria dos tributos. ATENÇÃO Um ponto importante a ser observado é a forma como as alterações nas contribuições sociais são tratadas: se a contribuição for majorada, o princípio da noventena exige que se aguarde os 90 dias da publicação da lei para sua exigibilidade. No entanto, se a contribuição for reduzida, essa modificação aplica-se imediatamente, ou seja, não há necessidade de aguardar o período de 90 dias para sua redução. O § 8º do art. 195 da Constituição Federal de 1988 trata do conceito de segurado especial, uma figura essencial no âmbito do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Este dispositivo visa assegurar a inclusão de produtores rurais, parceiros, meeiros, arrendatários rurais e pescadores artesanais que atuam em regime de economia familiar, sem a utilização de empregados permanentes. A contribuição de tal segurado é realizada com base no resultado da comercialização de sua produção, não havendo contribuição mensal como nos demais segurados do RGPS. O conceito de regime de economia familiar é definido nos artigos 12, §1º, da Lei nº 8.212/1991, e 11, §1º, da Lei nº 8.213/1991, e se caracteriza pela colaboração mútua entre os membros da família para a subsistência e o desenvolvimento do núcleo familiar, sem a presença de empregados permanentes. O segurado especial, portanto, é visto como aquele cuja atividade busca garantir sua subsistência e a de sua família, estando amparado pelo sistema previdenciário em termos legais e sociais. Em relação ao § 9º, ele trata da possibilidade de diferenciação nas alíquotas de contribuição de acordo com a atividade econômica, a intensidade do uso de mão de obra, o porte da empresa ou as condições do mercado de trabalho. A recente reforma da previdência, por meio da Emenda Constitucional nº 103/2019, alterou a redação do art. 195, § 9º, permitindo que as alíquotas e bases de cálculo das contribuições das empresas sejam ajustadas conforme esses fatores. Entretanto, destaca-se que a alteração da base de cálculo THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 29 se restringe a contribuições sobre a receita, faturamento ou lucro das empresas, não podendo ocorrer sobre a folha de pagamento. O § 10 estabelece que a lei definirá os critérios de transferência de recursos da União para os Estados, Municípios e Distrito Federal, com a observância de uma contrapartida de recursos, mas sua redação não exige uma interpretação complexa além de sua literalidade. O § 11 é uma importante vedação no ordenamento jurídico, proibindo a concessão de moratória e parcelamento das contribuições sociais em prazos superiores a 60 meses. A moratória, que suspende temporariamente a exigibilidade do crédito tributário, e o parcelamento têm limites claros, sendo vedada a concessão de prazos longos para débitos previdenciários. A remissão e a anistia, formas de extinção do crédito tributário, também são vedadas por este dispositivo para as contribuições previdenciárias, de acordo com a Constituição. O § 12, por sua vez, trata da não-cumulatividade das contribuições incidentes em setores específicos da economia, a exemplo da COFINS, evitando a incidência em cascata dos tributos. Já o § 13 foi revogado, e, portanto, não possui mais aplicabilidade no contexto atual. Por fim, o § 14 estabelece a exigência de que, para o reconhecimento do tempo de contribuição, a competência deve ter uma contribuição igual ou superior ao valor mínimo mensal exigido. Este dispositivo destaca a importância do salário de contribuição, que é a base de cálculo das contribuições para a seguridade social. As contribuições abaixo do limite mínimo não são reconhecidas como tempo de serviço, mas existe a possibilidade de agrupamento ou complementação de contribuições ao longo do mesmo ano civil. Esse conjunto de dispositivos revela um esforço para tornar a seguridade social mais justa e adaptada às diferentes realidades econômicase sociais, como no caso do segurado especial, e para garantir a saúde financeira do sistema previdenciário brasileiro, evitando a inadimplência e assegurando que as contribuições sejam eficazes no financiamento da seguridade social. THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 30 THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 31 THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 32 1. RELAÇÃO JURÍDICA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL E O REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS) 1.1. Introdução ao RGPS O Regime Geral da Previdência Social (RGPS) é o principal sistema de proteção social no Brasil, gerenciado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele tem como base a Constituição Federal e está regulamentado pelas Leis Nº8.212/1991 e Nº8.213/1991, que tratam, respectivamente, do custeio e dos benefícios da Previdência. O sistema previdenciário brasileiro é estruturado para oferecer proteção social a diferentes categorias de trabalhadores e servidores públicos. Essa organização se dá por meio de dois principais regimes básicos: o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). O RGPS é amplamente voltado aos trabalhadores da iniciativa privada, além de contemplar servidores públicos que não estão vinculados a um RPPS. Por sua vez, os RPPS são destinados aos servidores públicos efetivos e aos militares dos Estados e do Distrito Federal, desde que o ente federativo tenha instituído tal regime até a reforma previdenciária promovida pela Emenda Constitucional (EC) nº 103/2019. O RGPS e os RPPS desempenham papéis complementares na previdência social do Brasil. Os trabalhadores do setor privado, sejam formais ou informais, têm seus direitos previdenciários assegurados pelo RGPS, que é administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Servidores públicos efetivos, por outro lado, são vinculados a regimes próprios quando o ente federativo onde atuam possui tal estrutura em funcionamento. Entretanto, nem todos os entes federativos possuem condições de manter um RPPS. A Lei nº 9.717/1998, que estabelece normas gerais para a organização desses regimes próprios, exige que os entes garantam equilíbrio financeiro e atuarial. Essa exigência inviabiliza a criação de RPPS em municípios com poucos servidores efetivos, o que comprometeria a sustentabilidade do sistema. A reforma previdenciária promovida pela EC nº 103/2019 reforçou essa lógica ao proibir a criação de novos RPPS. Assim, apenas os regimes próprios existentes até a entrada em vigor da emenda continuam ativos. Os servidores de entes que não instituíram RPPS até essa data passaram a ser obrigatoriamente vinculados ao RGPS. Objetivo Principal: Garantir proteção econômica aos trabalhadores e seus dependentes, diante de situações de risco social, como desemprego involuntário, doença, invalidez, maternidade, velhice e morte. 1.2. Características Fundamentais do RGPS 1. Natureza Contributiva: • A proteção previdenciária é condicionada ao pagamento de contribuições por parte dos segurados e empregadores. 2. Filiação Obrigatória: • Todos os trabalhadores que exercem atividades remuneradas e se enquadram como segurados 2 PREVIDÊNCIA SOCIAL THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 33 obrigatórios (como empregados ou autônomos) são automaticamente inscritos no RGPS. • Existe a opção de adesão para segurados facultativos (ex.: donas de casa). A previdência social no Brasil, por meio do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), organiza seus segurados em duas categorias principais: segurados obrigatórios e segurados facultativos. Essa classificação é determinada pelo vínculo ou pela adesão ao regime, sendo o elemento diferenciador a obrigatoriedade ou não da filiação. Os segurados obrigatórios são aqueles vinculados ao RGPS em razão do exercício de uma atividade remunerada. A filiação é automática e decorre diretamente do vínculo empregatício, da natureza do trabalho ou da condição de trabalhador autônomo. Essa categoria engloba diferentes grupos, descritos a seguir. 1. Empregado: O empregado é o segurado mais comum do RGPS, abrangendo aqueles que têm relação de trabalho formalizada por meio de contrato regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Incluem-se aqui trabalhadores que atuam em empresas privadas ou públicas, desde que não estejam vinculados a um Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Além disso, esse grupo pode abranger empregados públicos celetistas, que ocupam cargos em órgãos governamentais sem a estabilidade típica dos servidores estatutários. 2. Empregado Doméstico: A categoria de empregado doméstico inclui profissionais que prestam serviços de maneira contínua em residências. Exemplos comuns são babás, cozinheiros(as), jardineiros(as) e faxineiros(as). Esses trabalhadores devem possuir registro formal na carteira de trabalho e recolhimento previdenciário pelo empregador, conforme as exigências legais. 3. Trabalhador Avulso: O trabalhador avulso é aquele que exerce suas atividades de forma independente, mas com intermediação de um sindicato ou de um órgão gestor de mão de obra. Apesar de não possuir vínculo empregatício com o contratante, é obrigatoriamente filiado ao RGPS. Um exemplo clássico dessa categoria são os estivadores que atuam nos portos. 4. Segurado Especial: O segurado especial compreende pequenos produtores rurais, pescadores artesanais e seus familiares que trabalham em regime de economia familiar, sem o uso de mão de obra assalariada. Essa categoria foi criada para incluir trabalhadores rurais em situações específicas, garantindo-lhes proteção previdenciária mesmo em atividades de subsistência. 5. Contribuinte Individual: Trabalhadores autônomos e empresários compõem essa categoria. Diferente dos demais segurados obrigatórios, o contribuinte individual é responsável pelo recolhimento de sua contribuição ao RGPS, podendo exercer atividades com ou sem vínculo formal com uma empresa. 6. Segurados Facultativos Os segurados facultativos, por sua vez, são aqueles que não exercem uma atividade remunerada, mas optam por contribuir voluntariamente para o RGPS. Essa adesão é feita para garantir a proteção previdenciária em caso de aposentadoria, doença, ou outras situações previstas pela legislação. Entre os segurados facultativos, destacam-se: 1. Donas de casa: Pessoas que se dedicam exclusivamente às atividades do lar, sem exercer uma THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 34 atividade formal ou remunerada, podem contribuir como seguradas facultativas para assegurar benefícios previdenciários. 2. Estudantes: Jovens em fase de formação acadêmica que desejam garantir a inclusão previdenciária também podem se filiar como facultativos. 3. Desempregados: Indivíduos que não estão exercendo atividade formal ou informal, mas optam por manter sua qualidade de segurado, podem contribuir voluntariamente durante o período de inatividade laboral. A divisão entre segurados obrigatórios e facultativos permite que o RGPS atenda a uma ampla gama de situações trabalhistas e sociais. Enquanto os obrigatórios são automaticamente incluídos devido à natureza de sua atividade, os facultativos têm a liberdade de optar por sua adesão, garantindo proteção previdenciária mesmo sem vínculo formal de trabalho. A abrangência dessa classificação reforça o caráter inclusivo do RGPS, oferecendo cobertura a trabalhadores urbanos e rurais, formais e informais, empregados ou autônomos, e até mesmo àqueles que se encontram temporariamente fora do mercado de trabalho. 3. Gestão Centralizada: • O INSS é o órgão responsável pela administração e pagamento dos benefícios. • Atua em todo o território nacional, com apoio da Receita Federal na arrecadação das contribuições. 4. Solidariedade Social: • O sistema é financiadode forma solidária: os trabalhadores em atividade contribuem para sustentar os benefícios pagos aos aposentados e pensionistas. 5. Cobertura Ampla: • Abrange desde proteção básica (como auxílio-doença) até benefícios de longo prazo (como aposentadoria). • Estende a cobertura aos dependentes em situações de morte ou invalidez do segurado. 1.3. Público-Alvo do RGPS O sistema é voltado para trabalhadores do setor privado, urbanos e rurais, bem como para segurados facultativos e seus dependentes. 1. Segurados: • São os indivíduos que contribuem diretamente para o sistema, como empregados, autônomos, trabalhadores avulsos e segurados especiais. 2. Dependentes: • Familiares que têm direito aos benefícios previdenciários, como cônjuges, companheiros(as) e filhos menores de 21 anos ou inválidos. 1.4. Princípios do RGPS 1. Universalidade da Cobertura e do Atendimento: Todos os cidadãos têm direito à proteção previdenciária, desde que cumpram os requisitos legais. 2. Equidade na Forma de Participação: THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 35 Contribuições proporcionais à capacidade econômica do segurado. 3. Diversidade de Financiamento: Fundos provenientes de contribuições individuais, empresariais e do governo. 4. Caráter Contributivo: Apenas quem contribui tem direito aos benefícios, salvo exceções específicas, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que integra a assistência social. Resumo Esquemático ASPECTO DETALHES O que é o RGPS? Principal regime previdenciário brasileiro, voltado para trabalhadores do setor privado. Objetivo Principal Prover segurança econômica em situações de risco social. Gestão Administrado pelo INSS, com arrecadação da Receita Federal. Características Contributivo, solidário, filiação obrigatória para segurados obrigatórios. Quem está incluso? Trabalhadores urbanos, rurais, autônomos, facultativos e seus dependentes. Princípios Universalidade, equidade, caráter contributivo e diversidade de financiamento. O RGPS desempenha um papel essencial ao incluir trabalhadores que, de outra forma, poderiam ficar desamparados. Entre esses grupos estão servidores públicos efetivos de entes sem RPPS e os trabalhadores do setor privado. No entanto, há diferenças importantes entre os dois regimes. 1.5. Os benefícios previdenciários A Lei nº 8.213/1991 lista os benefícios concedidos pela Previdência Social, como aposentadorias (por idade, tempo de contribuição, especial e por invalidez), pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente, salário-maternidade e salário-família. Destes, destacam-se: • Aposentadoria por Idade e Tempo de Contribuição: Regida por critérios de idade e tempo mínimo de contribuição, sofreu alterações significativas com a Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019), que implementou o sistema de pontos e regras de transição para segurados. • Pensão por Morte: Concedida aos dependentes do segurado falecido, com valores proporcionais à quantidade de dependentes e ao tempo de contribuição do instituidor. • Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS): Voltado a idosos e pessoas com deficiência que comprovem condição de vulnerabilidade social, conforme disposto na Lei nº 8.742/1993. Cada benefício apresenta requisitos e condições específicas, que demandam uma análise técnica minuciosa para a sua concessão. 1.6. A administração da Previdência Social O caráter democrático da gestão administrativa da Previdência Social é garantido pela participação paritária no Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), órgão deliberativo superior que inclui THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 36 representantes do governo, trabalhadores, empregadores e aposentados (artigo 3º da Lei nº 8.213/1991). Essa estrutura assegura que os interesses das diversas partes envolvidas sejam considerados na formulação de políticas previdenciárias. 1.7. Desafios e Sustentabilidade do Sistema O equilíbrio financeiro e atuarial da Previdência Social é um dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil. A base de financiamento, sustentada por contribuições sobre a folha de salários, encontra dificuldades frente às mudanças demográficas e ao aumento da expectativa de vida da população. Reformas recentes visaram mitigar o impacto econômico crescente, mas a busca por um modelo sustentável permanece como uma prioridade legislativa e social. Os RPPS oferecem benefícios exclusivamente para os servidores públicos efetivos, enquanto os militares possuem um regime especial de inatividade remunerada. Embora a União e os Estados mantenham RPPS para seus servidores, apenas alguns municípios, como São Paulo e Rio de Janeiro, conseguiram instituí- los com sucesso. Para os militares, a previdência social adota um modelo diferenciado. Eles não se aposentam como os civis; em vez disso, recebem inatividade remunerada. Esse modelo inclui duas categorias: • Reserva remunerada: O militar pode ser chamado de volta ao serviço ativo em situações de necessidade, como em caso de guerra. • Reforma: O militar está definitivamente desligado do serviço, sem possibilidade de retorno. Os custos desses benefícios são cobertos diretamente pelo Tesouro Nacional, reforçando o tratamento especial dado a essa categoria. Além dos regimes básicos, a estrutura previdenciária brasileira conta com a previdência complementar, que foi instituída para aumentar a proteção social e compensar as limitações impostas pelos tetos do RGPS e dos RPPS. A previdência complementar se divide em duas modalidades: • Aberta: Disponível para qualquer pessoa física ou jurídica. • Fechada: Restrita a grupos específicos, como empregados de uma mesma empresa ou servidores de um determinado ente público. No âmbito da previdência dos servidores públicos, a EC nº 103/2019 também incentivou a criação de planos de previdência complementar em entes federativos. A partir dessa iniciativa, os servidores efetivos passaram a ter seus benefícios de aposentadoria limitados ao teto do RGPS. Aqueles que optarem por contribuir para a previdência complementar podem receber uma complementação ao benefício, respeitando as regras do plano. Por exemplo, no âmbito federal, a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo (Funpresp-Exe) gerencia o plano de previdência complementar dos servidores vinculados ao Executivo desde 2013. O servidor que ingressar após essa data contribui até o teto do RGPS e pode aderir ao plano complementar para garantir uma renda adicional na aposentadoria. O RGPS e os RPPS representam os pilares da previdência no Brasil. No entanto, os ajustes promovidos pela EC nº 103/2019 refletem uma preocupação crescente com a sustentabilidade financeira e atuarial do sistema. Ao proibir a criação de novos RPPS, a reforma previdenciária forçou muitos entes federativos a manterem seus servidores efetivos no RGPS, enquanto promoveu a expansão da previdência complementar. Essa reconfiguração busca equilibrar os gastos públicos com as necessidades de proteção previdenciária, reforçando o papel do RGPS como base do sistema. A relação entre RGPS, RPPS e previdência complementar reflete a complexidade do sistema previdenciário brasileiro. O RGPS atua como uma rede ampla de proteção, enquanto os RPPS e a previdência THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 37 complementar oferecem soluções específicas para categorias diferenciadas de trabalhadores. Embora as mudanças promovidas pela EC nº 103/2019 tenham limitado a criação de RPPS, elas também consolidaram o RGPS como um instrumento fundamental para garantir a inclusão previdenciária. Nesse cenário, a previdência complementar surge como um mecanismo estratégico para assegurar uma renda digna aos trabalhadores, respeitando as limitações financeiras impostas ao setor público. 2.BENEFICIÁRIOS E FILIAÇÃO NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL O RegimeGeral de Previdência Social (RGPS) foi desenvolvido para garantir proteção social a seus beneficiários, sejam eles segurados ou dependentes. A relação jurídica entre os beneficiários e o sistema previdenciário brasileiro é marcada por direitos e obrigações que permitem o acesso às diversas prestações oferecidas pelo RGPS. 2.1 Classificação dos Beneficiários Os beneficiários do RGPS são divididos em duas categorias principais: 2.1.1. Dependentes São aqueles que, em virtude de laços familiares ou econômicos com o segurado, têm direito a benefícios específicos, como a pensão por morte. Os dependentes, por sua vez, são aqueles que possuem laços familiares ou econômicos com os segurados e têm direito a benefícios específicos, como a pensão por morte. A legislação define a ordem de prioridade entre os dependentes: a) Cônjuge, companheiro e filhos menores de 21 anos ou inválidos. b) Pais, desde que não existam dependentes da classe anterior. c) Irmãos menores de 21 anos ou inválidos, mediante comprovação de dependência econômica. 2.1.2. Segurados Incluem pessoas que contribuem diretamente ao sistema, podendo ser obrigatórios ou facultativos.: Os segurados são indivíduos que contribuem para o RGPS e, em contrapartida, possuem direito a uma série de benefícios. Essa categoria subdivide-se em: a) Segurados obrigatórios: Pessoas que têm sua filiação automaticamente estabelecida ao ingressarem em uma atividade remunerada. Os segurados obrigatórios têm sua filiação vinculada ao exercício de atividade remunerada. Segundo a Lei nº 8.213/1991 e o Decreto nº 3.048/1999, os principais grupos são: 1. Empregado: Inclui trabalhadores contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), servidores públicos sem vínculo a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), e empregados de missões diplomáticas estrangeiras no Brasil. Exemplo prático: Um assistente administrativo contratado por uma empresa privada. 2. Empregado Doméstico: THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 38 Abrange profissionais que prestam serviços contínuos, subordinados e sem fins lucrativos no âmbito residencial, conforme previsto na Lei Complementar nº 150/2015. Exemplo prático: Uma cozinheira contratada formalmente por uma família. 3. Contribuinte Individual: Inclui trabalhadores autônomos e empresários que exercem atividade econômica com ou sem fins lucrativos. São exemplos taxistas, advogados autônomos e profissionais liberais. Exemplo prático: Um fotógrafo freelancer que presta serviços para diversos clientes. 4. Trabalhador Avulso: Refere-se a profissionais que trabalham de forma não contínua para diversas empresas, mediante intermediação de sindicatos ou órgãos gestores, como estivadores e portuários. Exemplo prático: Um operador de guindaste em terminais portuários. 5. Segurado Especial: Envolve trabalhadores rurais em regime de economia familiar, pescadores artesanais e seus cônjuges ou companheiros. Esses segurados não precisam contribuir diretamente, mas devem comprovar sua condição para ter acesso aos benefícios. Exemplo prático: Um pequeno agricultor que cultiva hortaliças para subsistência. b) Segurados facultativos Os segurados facultativos, por outro lado, não têm vínculo obrigatório com o RGPS, mas optam por contribuir para garantir cobertura previdenciária. Exemplos incluem estudantes, donas de casa e pessoas desempregadas. A filiação ocorre mediante inscrição e é formalizada com o pagamento da primeira contribuição. Exemplo prático: Um estudante universitário que decide contribuir como segurado facultativo para garantir direitos previdenciários futuros. 2.2 Filiação ao RGPS A filiação é o vínculo jurídico que se estabelece entre o RGPS e a pessoa física, atribuindo-lhe direitos e deveres previdenciários. 2.2.1. Filiação do segurado obrigatório A filiação dos segurados obrigatórios é automática e compulsória, vinculada ao exercício de uma atividade remunerada. Por exemplo, um vendedor porta a porta que inicia sua atividade está automaticamente filiado ao RGPS, devendo contribuir mesmo que não manifeste a intenção de fazê-lo. 2.2.2. Filiação do segurado facultativo Diferentemente do segurado obrigatório, o segurado facultativo só se filia ao RGPS por vontade própria. Este processo ocorre mediante inscrição e é formalizado com o pagamento da primeira contribuição. Um caso prático seria um empregado que perde seu vínculo empregatício e decide continuar contribuindo ao RGPS como facultativo, utilizando seu PIS para recolher as contribuições de forma direta. THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 39 2.2.3. Filiação em atividades simultâneas Quando um indivíduo exerce mais de uma atividade remunerada, ele será filiado ao RGPS em relação a cada uma delas. Por exemplo, uma enfermeira que trabalha em um hospital particular e também ministra aulas particulares em para técnicos de enfermagem será filiada como empregada em relação à escola e como contribuinte individual em relação às aulas particulares. 2.2.4. Inscrição no RGPS A inscrição é o ato que cadastra o segurado no RGPS, possibilitando o registro de suas contribuições e a futura concessão de benefícios. Como Funciona a Inscrição Para que o segurado seja identificado no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), é necessário possuir um número específico, que pode ser: • NIT (Número de Identificação do Trabalhador); • PIS/PASEP; • NIS (Número de Identificação Social), vinculado ao CadÚnico; • CPF, validado pela Receita Federal. A inscrição é vinculada à atividade desenvolvida, sendo realizada pelo empregador (no caso de empregados e domésticos) ou pelo próprio segurado (contribuinte individual e facultativo). Exceções e Particularidades • A inscrição de trabalhadores rurais contratados por produtores rurais ocorre por meio do eSocial, e não diretamente pela atividade remunerada. • Para segurados especiais, a inscrição pode ser realizada post mortem, desde que comprovada a atividade rural ou artesanal no momento do falecimento, possibilitando o acesso dos dependentes à pensão por morte. JURISPRUDÊNCIA E ENTENDIMENTOS RECENTES O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou que aposentados pelo RGPS que retornam ao mercado de trabalho continuam obrigados a contribuir para a previdência social, mesmo sem direito a novos benefícios. A tese fixada foi: Tema 1065: É constitucional a contribuição previdenciária devida por aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que permaneça em atividade ou a essa retorne. O RGPS apresenta uma estrutura abrangente e flexível, capaz de atender às diversas condições e categorias de segurados. A filiação, seja obrigatória ou facultativa, é a porta de entrada para o sistema previdenciário, assegurando proteção e benefícios aos trabalhadores e seus dependentes. Ao garantir a inclusão de diferentes perfis de segurados, o RGPS reafirma sua importância como um dos pilares da seguridade social no Brasil. 2.3 Segurados obrigatórios Os segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) são divididos em diversas categorias, conforme o Decreto nº 3.048/1999. Destacam-se: THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 40 a) Empregado O segurado empregado é aquele que presta serviços de natureza urbana ou rural, de forma não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Inclui-se, também, quem trabalha para missão diplomática ou repartição consular de carreira estrangeira, excluindo brasileiros amparados pela legislação previdenciária do país da missão. b) Empregado doméstico Define-se como empregado doméstico quem presta serviços contínuos, subordinados e sem fins lucrativos no âmbito residencial por mais de dois dias por semana. O vínculo deve respeitar as disposições da Lei Complementar nº 150/2015. c) Contribuinte individual Essa categoria abrangequem exerce atividade econômica de natureza urbana ou rural por conta própria, com fins lucrativos ou não, como autônomos e trabalhadores temporários contratados por pessoas físicas. Estão entre as hipóteses de contribuinte individual previstas no art. 9º, V do RPS: V – como contribuinte individual: a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área, contínua ou descontínua, superior a quatro módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a quatro módulos fiscais ou atividade pesqueira ou extrativista, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 8º e 23 deste artigo; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral - garimpo -, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; d) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; e) desde que receba remuneração decorrente de trabalho na empresa: 1. o empresário individual e o titular de empresa individual de responsabilidade limitada, urbana ou rural; 2. o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima; 3. o sócio de sociedade em nome coletivo; e 4. o sócio solidário, o sócio gerente, o sócio cotista e o administrador, quanto a este último, quando não for empregado em sociedade limitada, urbana ou rural; f) Revogado; g) Revogado; h) Revogado; i) o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de dire- ção condominial, desde que recebam remuneração; j) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 41 empresas, sem relação de emprego; l) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; m) o aposentado de qualquer regime previdenciário nomeado magistrado classista temporário da Justiça do Trabalho, na forma dos incisos II do §1º do art. 111 ou III do art. 115 ou do parágrafo único do art. 116 da Constituição Federal, ou nomeado magistrado da Justiça Eleitoral, na forma dos incisos II do art. 119 ou III do §1º do art. 120 da Constituição Federal; n) o cooperado de cooperativa de produção que, nesta condição, presta serviço à sociedade cooperativa mediante remuneração ajustada ao trabalho executado; o) (Revogado pelo Decreto n. 7.054 de 2009) p) o Micro Empreendedor Individual - MEI de que tratam os arts. 18-A e 18-C da Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006, que opte pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais; q) o médico participante do Projeto Mais Médicos para o Brasil, instituído pela Lei n. 12.871, de 22 de outubro de 2013, exceto na hipótese de cobertura securitária específica estabelecida por organismo internacional ou filiação a regime de seguridade social em seu país de origem, com o qual a República Federativa do Brasil mantenha acordo de seguridade social; r) o médico em curso de formação no âmbito do Programa Médicos pelo Brasil, instituído pela Lei n. 13.958, de 18 de dezembro de 2019. d) Trabalhador avulso Trabalha de forma não contínua para diversas empresas, com intermediação de sindicato ou órgão gestor de mão de obra. Exemplos incluem estivadores e trabalhadores portuários. Segurado Especial Abrange trabalhadores rurais que atuam em regime de economia familiar, pescadores artesanais e seus cônjuges, entre outros. São segurados obrigatórios sem necessidade de contribuição individual, mas devem comprovar sua condição para acessar benefícios. Ou seja: • Empregado: Trabalha para uma empresa com vínculo empregatício e recebe remuneração. Incluem-se diretores empregados e trabalhadores contratados por empresa de trabalho temporário, entre outros. • Empregado Doméstico: Presta serviços contínuos, subordinados e sem fins lucrativos no âmbito residencial. • Contribuinte Individual: Pessoa física que trabalha por conta própria ou presta serviços de forma eventual a empresas, sem vínculo empregatício. • Trabalhador Avulso: Executa atividades remuneradas de forma não contínua, por intermédio de sindicatos ou órgãos gestores. • Segurado Especial: Trabalhadores rurais em regime de economia familiar, pescadores artesanais e seus respectivos dependentes. 2.4. Filiação e inscrição A filiação ao RGPS é automática para os segurados obrigatórios ao iniciarem atividades remuneradas. Para segurados facultativos, ocorre mediante manifestação de vontade, formalizada pela inscrição e pelo pagamento da contribuição. THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 42 a) Filiação dos segurados obrigatórios A filiação é automática para indivíduos que desempenham atividades remuneradas abrangidas pelo RGPS. Esse processo ocorre independentemente de qualquer ato formal, sendo obrigatório desde o início da atividade laboral. Exemplos incluem trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), empregados domésticos e autônomos que exerçam suas funções de forma regular. Exemplo prático: Um operador de máquinas contratado por uma empresa de construção está automaticamente filiado ao RGPS como segurado empregado, sem a necessidade de realizar inscrição prévia. b) Filiação dos segurados facultativos Diferentemente dos segurados obrigatórios, os segurados facultativos precisam expressar formalmente o desejo de aderir ao RGPS. Esse processo ocorre mediante inscrição e efetivação do pagamento da primeira contribuição. Trata-se de uma categoria destinada a pessoas sem atividade remunerada que desejam se proteger contra riscos sociais. Exemplo prático: Uma dona de casa decide contribuir para o RGPS como segurada facultativa. Após realizar sua inscrição no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e efetuar o pagamento inicial, ela estabelece seu vínculo com o sistema previdenciário. c) Filiação em atividades simultâneas É possível que um indivíduo exerça mais de uma atividade sujeita à filiação ao RGPS. Nesse caso, ele será filiado em relação a cada uma delas, acumulando contribuições de diferentes origens. Exemplo prático: Uma médica que atua em um hospital privado e, simultaneamente, presta serviços autônomos como consultora será filiada ao RGPS como empregada pelo hospital e como contribuinte individual pelos serviços prestados como consultora. 2.5. Inscrição O ato de inscrição registra o segurado no sistema previdenciário, seja como empregado, contribuinte individual ou em outras categorias. É indispensável para formalizar o vínculo e assegurar os direitos previdenciários. A inscrição é o ato formal que registra o segurado no sistema previdenciário. Ela é essencial para o reconhecimento dos direitos previdenciários e para o registro das contribuições no CNIS. 2.5.1. Procedimentos de Inscrição A inscrição requer a apresentação de documentos que comprovem a identidade e a atividade do segurado. Dependendo da categoria, o registro pode ser realizado: • Pelo empregador: No caso de empregados e empregados domésticos, a inscrição é efetuada diretamente pelo empregador, geralmente vinculada ao PIS/PASEP ou ao Número de Identificação do Trabalhador (NIT). • Pelo próprio segurado: Contribuintes individuais e facultativos realizam sua inscrição diretamente, utilizando números como o CPF ou NIT. IdentificadoresUtilizados na Inscrição • NIT (Número de Identificação do Trabalhador): Atribuído aos segurados para registro previdenciário. THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 43 • PIS/PASEP: Utilizado para empregados formais e domésticos. • NIS (Número de Identificação Social): Vinculado ao Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. • CPF: Um identificador universal e obrigatório, validado pela Receita Federal. Particularidades da Inscrição 1. Segurados Especiais: Podem ser inscritos post mortem, caso necessário para garantir o acesso de dependentes a benefícios como a pensão por morte. Exemplo prático: Um pequeno agricultor que nunca se inscreveu no RGPS, mas cuja atividade rural é comprovada após seu falecimento, possibilitando que seus dependentes recebam a pensão por morte. 2. Trabalhadores Rurais Contratados: Inscrição realizada pelo empregador via sistemas como o eSocial. 2.6. Segurado facultativo Inclui pessoas sem atividade remunerada, como estudantes e donas de casa, que desejam contribuir para o RGPS. A adesão é voluntária e válida mediante pagamento da primeira contribuição. O art. 11, § 1º, do RPS, prevê, ainda, uma lista exemplificativa de pessoas que podem se enquadrar na qualidade de segurado facultativo do RGPS: § 1º Podem filiar-se facultativamente, entre outros: I – aquele que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência; II – o síndico de condomínio, quando não remunerado; III – o estudante; IV – o brasileiro que acompanha cônjuge que presta serviço no exterior; V – aquele que deixou de ser segurado obrigatório da previdência social; VI – o membro de conselho tutelar de que trata o art. 132 da Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990, quando não esteja vinculado a qualquer regime de previdência social; VII – o estagiário que preste serviços a empresa nos termos do disposto na Lei n. 11.788, de 2008; VIII – o bolsista que se dedique em tempo integral a pesquisa, curso de especialização, pós- graduação, mestrado ou doutorado, no Brasil ou no exterior, desde que não esteja vinculado a qualquer regime de previdência social; IX – o presidiário que não exerce atividade remunerada nem esteja vinculado a qualquer regime de previdência social; X – o brasileiro residente ou domiciliado no exterior; XI – o segurado recolhido à prisão sob regime fechado ou semi-aberto, que, nesta condição, preste serviço, dentro ou fora da unidade penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da organização carcerária ou entidade afim, ou que exerce atividade artesanal por conta própria; XII – o atleta beneficiário da Bolsa-Atleta não filiado a regime próprio de previdência social ou não enquadrado em uma das hipóteses previstas no art. 9º. 2.7. Trabalhadores excluídos do RGPS THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 44 Alguns trabalhadores estão fora do RGPS, como servidores públicos vinculados a regimes próprios (RPPS) e pessoas amparadas por sistemas previdenciários de outros países. Art. 201, § 5º da CF/1988: “§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de previdência.”. 2.8. Benefícios do RGPS • Os segurados têm direito a uma ampla gama de benefícios, incluindo: • Aposentadoria: Por idade, tempo de contribuição, invalidez e especial. • Auxílios: Como auxílio-doença e auxílio-reclusão. • Salário-Maternidade: Concedido em caso de afastamento devido à maternidade. • Pensões: Pensão por morte para dependentes. Situações Relevantes para Concursos Públicos no RGPS 1. Filiação e Inscrição A filiação ao RGPS ocorre automaticamente para segurados obrigatórios ao exercerem atividade remunerada, enquanto os segurados facultativos dependem de inscrição voluntária, formalizada pelo primeiro pagamento. A inscrição no RGPS requer comprovação de dados pessoais e registro no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), com identificação por NIT, PIS, Pasep ou CPF. 2. Segurados Obrigatórios Dentre as categorias abrangidas, destacam-se: Empregado: Inclui trabalhadores formais, empregados domésticos e contratados por empresas de trabalho temporário. Trabalhador Intermitente: Com vínculo esporádico e remuneração proporcional ao trabalho realizado. Menor Aprendiz: Permitido a partir dos 14 anos, com direitos trabalhistas e previdenciários garantidos. Servidor em Cargo em Comissão: Vinculado ao RGPS, desde que não ocupante de cargo efetivo coberto por RPPS. 3. Contribuinte Individual Abrange autônomos e empresários que exercem atividades econômicas de forma independente. Inclui ministros de confissão religiosa, membros de conselhos administrativos e sócios de empresas. 4. Benefícios Previdenciários A legislação destaca o direito a benefícios como aposentadorias, auxílios (doença, reclusão), salário- maternidade e pensão por morte, com regras específicas para segurados obrigatórios e facultativos. 5. Exceções e Casos Especiais Trabalhadores amparados por regimes previdenciários de outros países geralmente não são segurados obrigatórios do RGPS, exceto em casos de contribuição voluntária. THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 45 Contratos irregulares, como estagiários contratados fora dos termos da Lei nº 11.788/2008, podem ser considerados segurados empregados. 6. Mandatos Eletivos Titulares de mandatos eletivos são segurados obrigatórios, desde que não vinculados a RPPS. A contribuição previdenciária incide sobre o subsídio recebido, conforme alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 20/1998. THIAGO S. DIAS PREVIDÊNCIA SOCIAL• 2 46 THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 47 1. INTRODUÇÃO AO FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL A seguridade social no Brasil desempenha um papel fundamental ao garantir proteção nas áreas de saúde, previdência e assistência social. Esse sistema é estruturado de maneira a assegurar que todos os cidadãos tenham acesso a uma rede de suporte em momentos de necessidade, como doenças, maternidade, aposentadoria ou desemprego. O financiamento da seguridade social é baseado em um princípio de solidariedade, que envolve a participação de toda a sociedade. Esse suporte pode ser dado de forma direta, por meio de contribuições específicas, ou indireta, por dotações orçamentárias dos entes federativos. Dessa forma, tanto os indivíduos quanto empresas e o governo contribuem para manter o equilíbrio financeiro do sistema. a) Bases Constitucionais A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 195, estabelece que o financiamento da seguridade social será realizado por meio de recursos oriundos de diferentes fontes: 1. Contribuições dos empregadores, incidentes sobre folha de salários, faturamento e lucro. 2. Contribuições dos trabalhadores e demais segurados. 3. Tributos arrecadados de concursos de prognósticos (loterias e sorteios). 4. Contribuições incidentes sobre a importação de bens e serviços. Além dessas contribuições, o sistema também é financiado pelas receitas da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, destacando-se por seu caráter abrangente e diversificado. b) Caráter Solidário O princípio solidário é a base do financiamento da seguridade social, refletindo a ideia de que todos, de alguma forma, devem contribuir para o bem-estar coletivo. Assim, as gerações economicamente ativas financiam os benefícios daqueles que já não podem contribuir, como aposentados e pessoas incapacitadas. c) Importância do Sistema O financiamento adequado da seguridade social garante a continuidade dos serviços essenciais prestados à população e evita crises fiscais que possam comprometer o pagamento de benefícios. Dessa forma, ele não apenas cumpre uma função social, mas também contribui para a estabilidade econômica do país, aooferecer suporte para milhões de cidadãos. 2 EMPRESA E EMPREGADOR DOMÉSTICO O Conceito de Empresa no Direito Previdenciário Diferentemente da definição empresarial usual, que associa empresa à atividade econômica organizada visando ao lucro, o Direito Previdenciário adota um conceito mais amplo. Para fins previdenciários, empresa é toda firma individual, sociedade, órgão ou entidade que assuma o risco de atividade econômica, seja urbana ou rural, independentemente de finalidade lucrativa. 3 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 48 Por exemplo, associações como as APAEs, que não têm fins econômicos, podem ser consideradas empresas quando contratam segurados empregados, assumindo obrigações tributárias e acessórias, como o recolhimento de contribuições previdenciárias e a elaboração de folhas de pagamento. a) Empregador Doméstico Já o empregador doméstico é aquele que admite, em seu serviço residencial, trabalhadores para funções sem fins lucrativos, como empregados domésticos. Nesse caso, a ausência de finalidade lucrativa é um requisito essencial para a definição. b) Equiparadas a Empresa A legislação previdenciária equipara a empresa outras entidades e pessoas físicas, ampliando o alcance do sistema de seguridade. Exemplos incluem: 1. Contribuintes Individuais com Empregados: Por exemplo, médicos que contratam secretárias ou qualquer profissional autônomo que necessite de assistência em suas atividades. 2. Cooperativas, Associações e Entidades: Organizações de qualquer natureza, como missões diplomáticas, também são consideradas empresas para fins de cumprimento de obrigações previdenciárias. 3. Proprietários de Obras de Construção Civil: Mesmo pessoas físicas que realizam pequenas construções podem ser equiparadas a empresas quando contratam trabalhadores para o serviço. 4. Operadores Portuários e Órgãos Gestores de Mão de Obra (OGMO): Responsáveis por trabalhadores avulsos, respondem solidariamente pelas contribuições. c) Matrícula da empresa Toda empresa, incluindo as equiparadas, deve realizar sua matrícula junto à Receita Federal, conforme normas específicas. Essa inscrição é fundamental para o cumprimento das obrigações previdenciárias, como o pagamento de tributos. Em casos de descumprimento, o responsável está sujeito a multas e autuações. 3. EQUIPARADAS A EMPRESA O Enquadramento de Entidades e Pessoas Físicas como Empresas No âmbito previdenciário, a legislação expande o conceito de empresa para incluir entidades e indivíduos que, embora não sejam empresas em sentido estrito, possuem características que as equiparam para fins de cumprimento das obrigações previdenciárias. Essa ampliação visa assegurar que todas as relações de trabalho formalmente reconhecidas estejam cobertas pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Categorias Equiparadas A legislação lista quatro situações em que pessoas físicas ou jurídicas são equiparadas a empresas: 1. Contribuinte Individual Contratante Qualquer pessoa física que contrata trabalhadores para prestar serviços de forma subordinada e remunerada é equiparada a empresa. Por exemplo, um médico que contrata uma secretária para seu consultório assume as mesmas obrigações previdenciárias de uma empresa formal, como a matrícula no Cadastro Específico do INSS (CEI), recolhimento de contribuições e cumprimento de obrigações acessórias. 2. Cooperativas, Associações e Entidades Similares Organizações sem fins lucrativos e até mesmo missões diplomáticas ou repartições consulares são THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 49 consideradas empresas para fins previdenciários quando contratam trabalhadores vinculados ao RGPS. Nesse caso, devem recolher contribuições e cumprir as exigências legais como qualquer empregador. 3. Operadores Portuários e Órgãos Gestores de Mão de Obra (OGMO) Essas entidades, ao contratar trabalhadores avulsos, assumem solidariedade no cumprimento das obrigações previdenciárias relacionadas a esses profissionais. O objetivo é evitar lacunas no recolhimento de contribuições. 4. Proprietário de Obras de Construção Civil Pessoas físicas que realizam construções, como reformas residenciais, tornam-se equiparadas a empresas quando contratam trabalhadores. A matrícula no Cadastro Específico do INSS e o recolhimento das contribuições são exigidos nesses casos. Finalidade do Enquadramento O objetivo dessa equiparação é assegurar que os trabalhadores envolvidos nessas atividades tenham seus direitos garantidos, e que as contribuições previdenciárias sejam adequadamente recolhidas. Isso fortalece o sistema de seguridade social, ampliando sua base de financiamento e abrangência. Obrigações das Entidades Equiparadas • Registro e matrícula da entidade ou pessoa física responsável. • Recolhimento das contribuições sobre a remuneração dos trabalhadores. • Envio de informações por meio de sistemas como o eSocial, quando aplicável. 4. FONTES DE FINANCIAMENTO O Modelo de Financiamento da Seguridade Social O financiamento da seguridade social no Brasil é uma das bases fundamentais para a garantia da proteção social, abrangendo as áreas de saúde, previdência e assistência social. Este modelo é estruturado de forma solidária, envolvendo a contribuição de pessoas físicas, jurídicas e o próprio poder público. A Constituição Federal de 1988 consolidou esse princípio ao prever a participação ampla de toda a sociedade no custeio do sistema, assegurando sua sustentabilidade e a continuidade da oferta de benefícios e serviços. O modelo de financiamento da seguridade social no Brasil é descentralizado e baseado no princípio da solidariedade. Isso significa que o custeio do sistema é compartilhado entre diferentes atores sociais, de forma que os riscos e os benefícios sejam igualmente distribuídos. A Constituição Federal, no artigo 195, é clara ao estabelecer que "a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei". Tal diretriz assegura que o modelo seja abrangente, utilizando diversas fontes de arrecadação para evitar a dependência de um único setor econômico e minimizar impactos em tempos de crise. 4.1 Principais Fontes de Financiamento O sistema previdenciário é mantido por três categorias principais de receitas: a) Receitas da União O governo federal desempenha um papel crucial no financiamento da seguridade social ao aportar recursos provenientes do orçamento da União. Esse suporte é essencial para garantir o pagamento de benefícios e a execução de programas sociais, especialmente em situações de déficit no sistema. THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 50 Exemplos de destinação dos recursos da União: • Cobertura de insuficiências financeiras: Recursos destinados a cobrir déficits em benefícios de prestação continuada, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). • Pagamentos vinculados ao RGPS: Benefícios de segurados ocupantes de cargos comissionados ou eletivos, que integram o Regime Geral de Previdência Social. Assim, as contribuições oriundas do orçamento federal são uma das bases do financiamento. O governo federal destina recursos adicionais para cobrir déficits e garantir o pagamento de benefícios previstos na Lei Orçamentária Anual. Exemplos: Cobertura de insuficiências financeiras para benefícios de prestação continuada. Recursos destinados a segurados empregados em cargos comissionados ou eletivos vinculados ao RGPS. b) Receitas de Outras Fontes Além das contribuições diretas, o sistema previdenciário conta com fontes adicionais de arrecadação. Essas receitas complementares derivam de penalidades administrativas, repasses de companhias seguradoras e até mesmo valores arrecadados em leilões de bens confiscados. Fontes exemplares dessas receitas: • Multas:EMPRESA ............................................................................................................................. 48 4. FONTES DE FINANCIAMENTO........................................................................................................................... 49 4.1 Principais Fontes de Financiamento .................................................................................................. 49 5. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ................................................................................................................... 51 5.1. A Base do Sistema Previdenciário .................................................................................................... 51 5.2. A Estrutura das Contribuições Previdenciárias ................................................................................. 51 5.3. Contribuições das Empresas............................................................................................................. 52 5.4. Sobre a Folha de Pagamento ........................................................................................................... 52 5.5. Contribuições Adicionais: GILRAT ..................................................................................................... 52 5.6. Adicionais para Instituições Financeiras ........................................................................................... 52 5.7. Contribuições das Empresas............................................................................................................. 52 5.8. Contribuições dos Segurados ........................................................................................................... 53 5.9. Empregados e Trabalhadores Avulsos .............................................................................................. 53 5.10. Tabela de Alíquotas Progressivas (2024): ....................................................................................... 53 5.11. Contribuinte Individual................................................................................................................... 53 5.12. Segurado Facultativo ..................................................................................................................... 53 5.13. Contribuições Especiais .................................................................................................................. 53 5.14. Fatos geradores e base de cálculo .................................................................................................. 54 CAPÍTULO 4 - BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS................................................................................................. 56 1. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS ......................................................................................................................... 56 2. APOSENTADORIAS ........................................................................................................................................ 56 2.1. Aposentadoria por Idade ................................................................................................................. 56 2.2. Aposentadoria por Tempo de Contribuição ...................................................................................... 56 2.3. Aposentadoria Especial .................................................................................................................... 57 2.4. Aposentadoria por Invalidez ............................................................................................................ 57 3. AUXÍLIOS ................................................................................................................................................... 57 3.1. Auxílio-Doença ................................................................................................................................. 57 3.2. Auxílio-Acidente ............................................................................................................................... 57 4. SALÁRIO-MATERNIDADE ............................................................................................................................... 57 5. PENSÃO POR MORTE .................................................................................................................................... 58 6. AUXÍLIO-RECLUSÃO ...................................................................................................................................... 58 7. BENEFÍCIOS PARA SEGURADOS ESPECIAIS........................................................................................................... 58 8.OUTRAS PROTEÇÕES ..................................................................................................................................... 58 9. SUSTENTABILIDADE DOS BENEFÍCIOS ................................................................................................................ 58 10. DESAFIOS FISCAIS ...................................................................................................................................... 58 11. REGRAS DE TRANSIÇÃO ............................................................................................................................... 59 CAPÍTULO 5 - SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO .................................................................................................... 62 1. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO .................................................................................................................... 62 2. EMPREGADO E TRABALHADOR AVULSO .................................................................................................. 62 3. EMPREGADO DOMÉSTICO ....................................................................................................................... 62 4. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL .................................................................................................................... 62 5. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO FACULTATIVO ........................................................................................ 63 6. PROPORCIONALIDADE ............................................................................................................................ 63 7. LIMITES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO ................................................................................................. 63 8. PARCELAS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO .............................................................................................. 64 9. JURISPRUDÊNCIA .................................................................................................................................... 64 10. PARCELAS NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO ............................................................. 65 11. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA .......................................................................................................... 67 12. ARRECADAÇÃO NA PREVIDÊNCIA SOCIAL .............................................................................................. 68 13. VENCIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS............................................................................... 68 13.1. Prazos gerais de recolhimento ....................................................................................................... 69 13.2. Prazos específicos .......................................................................................................................... 69 14. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO ........................................................................................... 69 14.1. Empresas ....................................................................................................................................... 69 14.2. Produtores rurais e Segurados especiais ........................................................................................Valores oriundos de penalidades aplicadas por descumprimento de obrigações tributárias ou trabalhistas. • Leilões de bens confiscados: Como aqueles provenientes de atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas, com destinação prioritária à saúde pública. • Repasses do DPVAT: Percentuais arrecadados pelas seguradoras são alocados à assistência médico-hospitalar de vítimas de acidentes de trânsito. c) Receitas das Contribuições Sociais As contribuições sociais constituem o principal pilar de financiamento da seguridade social. Elas são arrecadadas de diferentes atores econômicos e estão detalhadas na Lei nº 8.212/1991, que regula a organização da seguridade social. Componentes principais: • Empregadores e empresas: Contribuições incidentes sobre a folha de pagamento, a receita bruta ou o lucro. • Segurados e trabalhadores: Percentuais descontados diretamente dos salários e rendimentos dos segurados. • Concursos de prognósticos: Percentuais de loterias e apostas são destinados à seguridade social, promovendo uma fonte de financiamento alternativa. d) Diversidade da Base de Financiamento A diversificação das fontes de arrecadação é um dos pilares centrais do modelo de financiamento da seguridade social. Esse princípio, previsto no artigo 195 da Constituição Federal, visa assegurar a estabilidade do sistema mesmo em cenários de crise econômica ou instabilidade em setores específicos. THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 51 Importância da diversificação: • Reduz a dependência de uma única base econômica, como a folha de pagamento, especialmente diante de mudanças estruturais no mercado de trabalho. • Garante uma distribuição mais equitativa da carga tributária, ampliando a contribuição de empresas que apresentam maior capacidade contributiva. e) Contribuições Diretas e Indiretas As receitas da seguridade social são classificadas em contribuições diretas e indiretas, conforme a origem dos recursos: • Diretas: Incluem pagamentos feitos por empregadores, empregados e segurados, como as contribuições previdenciárias descontadas da folha de pagamento. • Indiretas: Referem-se a repasses do orçamento público e a receitas vinculadas a atividades específicas, como multas, juros de mora e atualizações monetárias. Regras Específicas O financiamento da seguridade social é regulado por um conjunto abrangente de normas, entre as quais se destaca a Lei nº 8.212/1991. Essa lei estabelece critérios detalhados para a arrecadação e a destinação das receitas, incluindo: • Percentuais aplicáveis a cada tipo de contribuição. • Regras para classificação dos graus de risco de acidente de trabalho, que impactam diretamente a alíquota de contribuição das empresas. • Procedimentos de fiscalização e arrecadação. Além disso, o sistema é complementado por decretos e normas infralegais que regulamentam pontos específicos, garantindo maior eficiência na arrecadação. O modelo de financiamento da seguridade social no Brasil é um reflexo do compromisso do Estado em garantir proteção social de forma universal e equitativa. Por meio de um sistema diversificado e solidário, ele assegura a continuidade de benefícios e serviços essenciais à população. No entanto, os desafios impostos por mudanças estruturais na sociedade e na economia exigem atenção constante e ajustes no modelo de financiamento. Para operadores do Direito e concurseiros, compreender a complexidade desse sistema é essencial, não apenas para a atuação prática, mas também para a formulação de soluções que promovam sua sustentabilidade a longo prazo. 5. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 5.1. A Base do Sistema Previdenciário As contribuições previdenciárias são a espinha dorsal do sistema de seguridade social no Brasil, assegurando o financiamento dos benefícios previdenciários e garantindo a continuidade do modelo de proteção social. Regulamentadas pela Constituição Federal de 1988 e detalhadas pela Lei nº 8.212/1991, essas contribuições são essenciais para a manutenção do equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. A arrecadação ocorre de maneira diversificada, envolvendo empregadores, trabalhadores e outras fontes específicas, em conformidade com o princípio da solidariedade que norteia o regime previdenciário brasileiro. 5.2. A Estrutura das Contribuições Previdenciárias THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 52 O sistema previdenciário brasileiro é estruturado de modo a arrecadar recursos de diferentes categorias de contribuintes. Isso inclui tanto pessoas físicas quanto jurídicas, abrangendo empresas, segurados empregados, contribuintes individuais, facultativos, e até trabalhadores rurais em regime especial. Essa diversidade reflete a necessidade de adaptação do modelo de financiamento às diferentes realidades econômicas e sociais do país. 5.3. Contribuições das Empresas As empresas são responsáveis por uma parcela significativa das contribuições previdenciárias. Elas recolhem valores incidentes sobre a folha de pagamento e, em algumas situações, sobre outras fontes de receita, como o faturamento ou lucro. 5.4. Sobre a Folha de Pagamento O principal mecanismo de arrecadação das empresas é a contribuição de 20% sobre a folha de pagamento, incluindo salários, gorjetas, adicionais, comissões e qualquer outra forma de remuneração paga ou devida aos empregados e trabalhadores avulsos. Esse montante é destinado ao financiamento dos benefícios concedidos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS). 5.5. Contribuições Adicionais: GILRAT Para atividades que apresentam maior risco à saúde ou à integridade física dos trabalhadores, aplica- se o Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT). As alíquotas variam de 1% a 3%, de acordo com o grau de risco da atividade exercida: • 1% para atividades de risco leve. • 2% para atividades de risco médio. • 3% para atividades de risco grave. Esses recursos são utilizados para custear benefícios relacionados a acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. 5.6. Adicionais para Instituições Financeiras Bancos e outras instituições financeiras, devido à alta lucratividade e características específicas de sua atividade econômica, estão sujeitos a uma contribuição adicional de 2,5% sobre a folha de pagamento, totalizando 22,5%. Essa regra reflete o princípio da capacidade contributiva, buscando uma arrecadação mais equitativa. 5.7. Contribuições das Empresas As empresas são responsáveis pelo recolhimento de valores com base na remuneração dos trabalhadores e outras fontes de receita. A legislação prevê diferentes modalidades de contribuição: • Sobre a Folha de Pagamento: Incidência de 20% sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a empregados e trabalhadores avulsos. Esse percentual inclui salários, utilidades, gorjetas e valores pagos por tempo à disposição do empregador. • Contribuições Adicionais: Para atividades de maior risco, aplica-se o Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), com alíquotas de 1%, 2% ou 3%, conforme o grau de risco (leve, médio ou grave). • Adicionais de Instituições Financeiras: Bancos e instituições similares recolhem um adicional de THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 53 2,5%, totalizando 22,5% sobre a folha de pagamento. 5.8. Contribuições dos Segurados Os segurados também desempenham um papel crucial no financiamento do sistema previdenciário. A contribuição individual de cada segurado varia conforme sua categoria e os rendimentos recebidos. 5.9. Empregados e Trabalhadores Avulsos Desde 2024, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos passaram a ser calculadas com base em alíquotas progressivas. Essa mudança visa assegurar maior justiça contributiva, com percentuais que aumentam de acordo com o valor do salário de contribuição.5.10. Tabela de Alíquotas Progressivas (2024): • Até R$ 1.412,00: 7,5% • De R$ 1.412,01 a R$ 2.666,68: 9% • De R$ 2.666,69 a R$ 4.000,03: 12% • De R$ 4.000,04 a R$ 7.786,02 (teto do RGPS): 14% Essas alíquotas são aplicadas de forma escalonada, resultando em um percentual efetivo menor para rendimentos próximos ao limite superior de cada faixa. 5.11. Contribuinte Individual Os contribuintes individuais, como autônomos e profissionais liberais, recolhem 20% sobre o salário de contribuição. Caso prestem serviços a empresas, podem deduzir até 45% da contribuição patronal incidente sobre o serviço prestado, limitada a 9% do salário de contribuição. 5.12. Segurado Facultativo Os segurados facultativos, como donas de casa, estudantes e desempregados, podem contribuir com 20% sobre o salário de contribuição. Entretanto, existem alíquotas reduzidas para segurados de baixa renda: • 11% sobre o salário mínimo: Para aqueles que optam por não ter direito à aposentadoria por tempo de contribuição. • 5% sobre o salário mínimo: Exclusivamente para microempreendedores individuais (MEIs) e donas de casa de baixa renda cadastradas no CadÚnico. 5.13. Contribuições Especiais O sistema previdenciário também contempla categorias que possuem regras especiais de contribuição, como segurados especiais e microempreendedores individuais. Segurado Especial Os segurados especiais, como pequenos agricultores e pescadores artesanais que trabalham em regime de economia familiar, recolhem contribuições incidentes sobre a comercialização de sua produção. A alíquota é de: • 1,2% sobre a receita bruta da comercialização. THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 54 • 0,1% destinado ao GILRAT, totalizando 1,3%. Caso o segurado especial deseje receber benefícios superiores ao salário mínimo, pode contribuir de forma facultativa como contribuinte individual. 5.14. Fatos geradores e base de cálculo As contribuições previdenciárias são calculadas com base em fatores bem definidos pela legislação. Dois conceitos principais guiam esse processo: 1. Fato Gerador: É o momento em que ocorre o pagamento ou crédito da remuneração, o que obriga o recolhimento da contribuição previdenciária. 2. Base de Cálculo: Para os segurados, é o salário de contribuição, limitado ao teto do RGPS. Para as empresas, é a folha de pagamento e, em casos específicos, o faturamento ou lucro. As contribuições previdenciárias desempenham um papel central no sistema de seguridade social. Além de assegurar o pagamento de benefícios como aposentadorias, pensões, auxílios e salário- maternidade, elas garantem a continuidade de um modelo que protege trabalhadores e suas famílias contra os riscos sociais. O sistema previdenciário brasileiro enfrenta desafios, como o envelhecimento populacional e a informalidade no mercado de trabalho, que pressionam a arrecadação e exigem ajustes contínuos. Apesar disso, as contribuições permanecem como um pilar essencial para a sustentabilidade financeira e atuarial do RGPS, reafirmando seu papel como um dos instrumentos mais importantes de proteção social no país. THIAGO S. DIAS FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL• 3 55 THIAGO S. DIAS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 4 56 1. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS O Papel dos Benefícios na Seguridade Social Os benefícios previdenciários são a principal expressão do compromisso do sistema de seguridade social com a proteção contra riscos sociais. Eles representam a contrapartida das contribuições arrecadadas, assegurando suporte financeiro aos segurados e seus dependentes em situações que comprometam sua subsistência, como incapacidade laboral, idade avançada, maternidade ou falecimento. Regulados pela Constituição Federal e pela Lei nº 8.213/1991, os benefícios previdenciários integram o tripé da seguridade social, ao lado da saúde e da assistência social, promovendo justiça social e dignidade para milhões de brasileiros. Os benefícios previdenciários não se limitam ao amparo financeiro; eles desempenham um papel crucial na estabilidade econômica e social do país. Garantem que os segurados, independentemente de sua condição laboral ou renda, tenham acesso a direitos fundamentais, protegendo-os de vulnerabilidades decorrentes de eventos imprevistos ou inevitáveis ao longo da vida. O princípio da solidariedade, pilar da seguridade social, sustenta o equilíbrio entre contribuintes e beneficiários. Enquanto a contribuição para o sistema é obrigatória para trabalhadores e empregadores, os benefícios se destinam àqueles que, em razão de idade, saúde ou outras circunstâncias, não podem manter- se no mercado de trabalho. Isso reforça o papel redistributivo e inclusivo do modelo previdenciário brasileiro. Principais Benefícios Previdenciários A gama de benefícios previdenciários oferecida pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é ampla, contemplando aposentadorias, auxílios, pensões e outras proteções específicas. Esses benefícios são definidos conforme a natureza do evento gerador e a situação do segurado ou de seus dependentes. 2. APOSENTADORIAS As aposentadorias representam uma das modalidades mais relevantes de benefícios previdenciários, possibilitando ao segurado o afastamento remunerado do mercado de trabalho após cumprir determinados requisitos de idade, tempo de contribuição ou condições laborais. 2.1. Aposentadoria por Idade Esta modalidade atende segurados que atingem a idade mínima estabelecida pela legislação, com exigência de um período mínimo de contribuição. Idade mínima: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, conforme a Reforma da Previdência (EC nº 103/2019). Tempo mínimo de contribuição: 15 anos, podendo ser maior dependendo da regra de transição aplicável. Essa aposentadoria visa equilibrar o sistema, reconhecendo a maior expectativa de vida da população brasileira. 2.2. Aposentadoria por Tempo de Contribuição 4 BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS THIAGO S. DIAS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 4 57 Apesar de extinta como regra geral pela Reforma da Previdência, a aposentadoria por tempo de contribuição ainda está disponível para segurados que cumpriram os requisitos antes de 13 de novembro de 2019, data da promulgação da EC nº 103/2019. Regras de transição foram criadas para assegurar direitos adquiridos, com critérios que incluem sistemas de pontuação ou pedágio. 2.3. Aposentadoria Especial Concedida a trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde ou integridade física, como químicos, ruídos elevados ou calor excessivo, sem a necessidade de idade mínima. Requisito: Tempo de exposição comprovado, que varia entre 15, 20 ou 25 anos, conforme a gravidade do agente nocivo. 2.4. Aposentadoria por Invalidez Destinada aos segurados permanentemente incapacitados de exercer qualquer atividade remunerada. Exige comprovação médica realizada por perícia do INSS. Valor: Baseado na média de contribuições do segurado, podendo ser integral ou proporcional. 3. AUXÍLIOS Os auxílios previdenciários têm caráter temporário, sendo concedidos em situações específicas que limitam parcial ou totalmente a capacidade de trabalho do segurado. 3.1. Auxílio-Doença Concedido aos segurados incapazes de exercer suas atividades habituais por mais de 15 dias consecutivos. • Exige comprovação por perícia médica do INSS. • Valor: Correspondente a 91% da média dos salários de contribuição. 3.2. Auxílio-Acidente Pago como indenização ao segurado que sofre redução permanente de sua capacidade laboral em decorrência de acidente de qualquer natureza. • Valor: 50% da média dos salários de contribuição. • Pode ser acumulado com outros benefícios, exceto aposentadorias. 4. SALÁRIO-MATERNIDADE O salário-maternidade é um benefício destinado a seguradas durante o afastamento decorrente de maternidade, adoção ou guarda judicial de criança.• Duração: De 120 a 180 dias, dependendo da categoria da segurada e da regulamentação aplicável. • Valor: Corresponde ao salário de contribuição ou remuneração integral para seguradas empregadas. THIAGO S. DIAS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 4 58 Este benefício assegura proteção à mulher trabalhadora e à criança durante os primeiros meses de vida ou adaptação familiar. 5. PENSÃO POR MORTE A pensão por morte é paga aos dependentes do segurado falecido, garantindo-lhes sustento financeiro. • Valor: Baseado na média das contribuições do segurado, podendo variar conforme o número de dependentes. • Duração: Depende da idade e da condição do beneficiário (viúvos jovens recebem por prazo limitado). A reforma previdenciária trouxe mudanças significativas nesse benefício, como a introdução de percentuais progressivos de cálculo, para alinhar o custo às capacidades financeiras do sistema. 6. AUXÍLIO-RECLUSÃO Concedido aos dependentes de segurados presos em regime fechado, desde que atendam aos critérios de baixa renda e mantenham contribuições ao RGPS. • Valor: Baseado no salário de contribuição do segurado. • Condição: Exclusivo para dependentes; o próprio segurado preso não recebe qualquer valor. 7. BENEFÍCIOS PARA SEGURADOS ESPECIAIS Trabalhadores rurais e pescadores artesanais, classificados como segurados especiais, possuem benefícios previdenciários adaptados à sua realidade socioeconômica. • Valor: Geralmente correspondente ao salário mínimo. • Contribuição: Incidente sobre a comercialização de sua produção, com possibilidade de complementação para benefícios superiores. 8.OUTRAS PROTEÇÕES Além dos benefícios diretos, a previdência social oferece suporte para reabilitação profissional e assistência em acidentes de trabalho, fortalecendo a integração do segurado à sociedade e ao mercado de trabalho. 9. SUSTENTABILIDADE DOS BENEFÍCIOS A concessão de benefícios previdenciários depende diretamente do equilíbrio entre a arrecadação e os gastos. Para garantir a sustentabilidade do sistema, são adotadas regras rígidas de concessão e manutenção, além de cálculos atuariais baseados na expectativa de vida e no comportamento demográfico. 10. DESAFIOS FISCAIS O envelhecimento populacional, aliado à informalidade no mercado de trabalho e à redução da base contributiva, representa um desafio significativo para a manutenção do equilíbrio financeiro. Reformas recentes, como a EC nº 103/2019, buscaram mitigar esses impactos, introduzindo regras mais restritivas e promovendo ajustes na concessão de benefícios. THIAGO S. DIAS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 4 59 11. REGRAS DE TRANSIÇÃO A criação de regras de transição foi uma solução para preservar direitos adquiridos e adaptar o sistema às mudanças estruturais sem causar rupturas abruptas. Essas regras são fundamentais para garantir a proteção de segurados próximos à aposentadoria. Os benefícios previdenciários desempenham um papel essencial na proteção social no Brasil, indo além do mero suporte financeiro ao promover segurança, dignidade e estabilidade social. Sua estrutura, fundamentada em princípios constitucionais e ajustada às necessidades da população, reflete um modelo que busca atender a múltiplas realidades econômicas e sociais. RESUMO A Estrutura do Financiamento e da Proteção Social O sistema de seguridade social no Brasil é essencial para garantir proteção contra riscos sociais e promover o bem-estar da população. Ele é financiado por uma combinação de recursos provenientes de contribuições sociais, repasses governamentais e outras fontes, estruturando-se sobre o princípio da solidariedade. 1. Financiamento da Seguridade Social A seguridade social é sustentada por: Contribuições das Empresas: Incidem sobre folha de pagamento, receita ou faturamento e lucro. Contribuições dos Segurados: Calculadas com base no salário de contribuição, seguindo alíquotas progressivas. Receitas Adicionais: Incluem multas, juros e percentuais provenientes de loterias e leilões de bens confiscados. Apoio Governamental: Repasses do orçamento público para cobrir déficits e financiar benefícios assistenciais. 2. Benefícios Garantidos Os benefícios previdenciários abrangem desde aposentadorias (idade, especial e invalidez) até auxílios temporários (doença, acidente) e pensões (morte, reclusão). Eles oferecem segurança financeira aos trabalhadores em situações de incapacidade, velhice ou perda de renda, protegendo também seus dependentes. 3. Segurados e Contribuições O sistema inclui trabalhadores de diversas categorias: Segurados Obrigatórios: Empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos, que têm contribuições proporcionais à remuneração. Segurados Facultativos: Pessoas sem vínculo empregatício, que optam por contribuir voluntariamente. Segurados Especiais: Trabalhadores rurais e pescadores artesanais, cuja contribuição é baseada na comercialização de sua produção. 4. Princípios Fundamentais Universalidade da Cobertura: Garante acesso aos benefícios a todos os cidadãos que contribuam ou sejam classificados como segurados. Diversidade de Fontes de Financiamento: Reduz a dependência de uma única fonte, mitigando impactos de crises econômicas. THIAGO S. DIAS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 4 60 Solidariedade Social: Reforça a contribuição conjunta de toda a sociedade para amparar os mais vulneráveis. 5. Sustentabilidade e Desafios O equilíbrio entre arrecadação e despesas é fundamental para a continuidade do sistema. A reforma da previdência trouxe novas regras que buscam adequar o modelo às demandas demográficas e financeiras do país, sem comprometer os direitos dos segurados. THIAGO S. DIAS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 4 61 THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 62 1. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO As contribuições previdenciárias formam a base do financiamento do sistema de seguridade social no Brasil, garantindo a sustentabilidade do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Dentro desse contexto, o salário de contribuição desempenha um papel central como a principal referência para o cálculo das contribuições. Ele define o valor base sobre o qual incidem as alíquotas e permite o financiamento de benefícios como aposentadorias, auxílios, pensões e outros. Regulamentado pelo artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 e pelo artigo 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), o conceito de salário de contribuição varia conforme a categoria do segurado, ajustando-se às especificidades de suas atividades. A compreensão das diferenças entre salário de contribuição e remuneração é fundamental para uma análise técnica do sistema. O salário de contribuição é o montante sobre o qual incide a contribuição previdenciária, limitado por valores mínimo e máximo. Já a remuneração inclui todos os valores pagos ao trabalhador, sem limites, mas nem sempre está sujeita à incidência de contribuição. Esse cuidado conceitual é indispensável para operadores do Direito, estudantes e gestores que lidam com questões previdenciárias. Conceito: O salário de contribuição é abordado no art. 28 da Lei n. 8.212/1991 e no art. 214 do RPS. Para cada segurado, há uma definição de salário de contribuição que vamos estudar. 2. EMPREGADO E TRABALHADOR AVULSO Para empregados e trabalhadores avulsos, o salário de contribuição corresponde à soma de todas as remunerações recebidas de uma ou mais empresas durante o mês. Isso inclui valores como salários, gorjetas, adicionais de insalubridade e periculosidade, e quaisquer outras parcelas habituais. Exemplo prático: Cristina é técnica de enfermagem e trabalha em três hospitais, recebendo R$ 1.500,00 de cada um. Nesse caso, o salário de contribuição de Cristina será a soma dessas remunerações: R$ 4.500,00. Cada hospital deve aplicar a alíquota correspondente sobreos valores pagos. Cristina, por sua vez, tem a obrigação de informar suas fontes de renda às empresas.Para o empregado e o trabalhador avulso, o salário de contribuição é a soma de todas as remunerações recebidas de várias empresas em um mês, incluindo gorjetas e adiantamentos. 3. EMPREGADO DOMÉSTICO Para os empregados domésticos, o salário de contribuição é o valor registrado na carteira de trabalho, respeitados os limites mínimo e máximo. Os empregadores domésticos devem observar o piso salarial da categoria (se houver) ou o salário mínimo como referência mínima. Exemplo prático: Joana é empregada doméstica no Rio de Janeiro, onde o piso da categoria é de R$ 1.238,11. Se ela recebe R$ 1.500,00, esse será seu salário de contribuição. Caso não exista piso salarial estadual, o salário mínimo nacional é utilizado como base. Para o empregado doméstico, o salário de contribuição é o valor registrado na carteira de trabalho, respeitando os limites mínimos e máximos. Por exemplo, se a remuneração é de R$ 1.500,00, esse será o salário de contribuição. 4. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL O contribuinte individual — trabalhadores autônomos, profissionais liberais e empresários — calcula o salário de contribuição com base na soma dos rendimentos recebidos no mês, respeitados os limites do 5 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 63 RGPS. O contribuinte deve informar ao INSS caso seus rendimentos ultrapassem o teto previdenciário, para evitar descontos indevidos. Exemplo prático: Carlos é advogado e presta serviços para diversas empresas, recebendo R$ 3.000,00 de uma e R$ 2.000,00 de outra. O salário de contribuição será a soma desses valores: R$ 5.000,00. 5. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO FACULTATIVO O segurado facultativo pode escolher quanto contribuir, desde que respeite os limites mínimo e máximo. O limite mínimo é de um salário mínimo, e o máximo é de R$ 7.786,02. Por exemplo, se ele decidir contribuir com um salário mínimo em um mês, está tudo certo. Se no mês seguinte quiser contribuir com o máximo, também está certo. Assim, o segurado facultativo tem a liberdade de contribuir com qualquer valor entre esses limites. O segurado facultativo, como donas de casa e estudantes, tem a liberdade de escolher o valor do salário de contribuição, desde que esteja entre o salário mínimo e o teto do RGPS. Opções de contribuição para segurados de baixa renda: 5% do salário mínimo: Exclusivo para microempreendedores individuais (MEIs) e donas de casa inscritas no CadÚnico. 11% do salário mínimo: Para quem opta por não receber aposentadoria por tempo de contribuição. Exemplo prático: Ana é estudante e decide contribuir com 11% do salário mínimo (R$ 132,00), garantindo sua filiação ao sistema previdenciário. 6. PROPORCIONALIDADE Quando um trabalhador é contratado ou demitido no meio do mês, seu salário de contribuição é calculado de forma proporcional aos dias que realmente trabalhou. Por exemplo, se for contratado no dia 26, seu salário contará apenas os 5 dias trabalhados. Se for demitido no dia 2, será proporcional a 2 dias trabalhados. O mesmo ocorre em casos de faltas não justificadas, onde o desconto será feito pelos dias não trabalhados. Exemplo prático: • Contratação em 26 de janeiro: O salário será proporcional aos 5 dias trabalhados no mês. • Demissão em 2 de fevereiro: O cálculo será baseado em 2 dias de remuneração. 7. LIMITES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Os limites do salário de contribuição são fundamentais para a definição da base de cálculo: Mínimo: O piso salarial da categoria ou o salário mínimo, para categorias sem convenção coletiva. Máximo: O teto previdenciário, fixado atualmente em R$ 7.786,02. Parcelas que Integram o Salário de Contribuição: • São incluídas no salário de contribuição todas as parcelas remuneratórias habituais, como salários, adicionais, comissões e outras vantagens pagas de forma previsível. • Exceções incluem verbas de natureza indenizatória, como diárias de viagem inferiores a 50% do salário, valores de transporte e auxílio-alimentação fornecido in natura. Salário-Maternidade: O salário-maternidade, concedido em casos de parto, adoção ou guarda judicial, também integra o salário de contribuição. Segundo decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 64 incide contribuição previdenciária sobre esse benefício. 8. PARCELAS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO As parcelas que fazem parte do salário de contribuição são todas as remunerações que o trabalhador recebe de forma habitual e previsível. Por exemplo, se um empregado recebe uma gratificação a cada 3 anos, essa quantia é considerada habitual. Além disso, o que importa é se o pagamento é feito pelo trabalho ou para o trabalho. Se o pagamento é feito para satisfazer o trabalhador, é considerado salário. Se é necessário para a execução do trabalho, não é. Portanto, cada caso deve ser analisado para entender a natureza do pagamento. A última característica das parcelas que fazem parte do salário de contribuição é que o nome que recebem não é importante. Parcelas como indenizações e ressarcimentos não são incluídas no salário de contribuição. Contudo, a empresa pode dar qualquer nome a essas parcelas, mas é preciso olhar para o que realmente são. A pergunta importante é: essa parcela é um pagamento pelo trabalho ou é só uma indenização? Por exemplo, se uma empresa diz que está pagando "indenização para beleza" para cobrir o custo de uma academia para a funcionária, na verdade isso não é uma indenização. Se a empresa costuma pagar isso, integra ao patrimônio e é um pagamento por trabalho, então é um componente do salário de contribuição e deve ser considerado como tal, não importa o nome que a empresa use. Agora, falando sobre as parcelas que fazem parte do salário de contribuição, a primeira delas mencionada pela lei é o salário-maternidade citado acima. Esse benefício é dado pela previdência social em casos de parto, aborto espontâneo, guarda para adoção e adoção. Embora seja um benefício, o salário- maternidade também é considerado parte do salário de contribuição, o que significa que incide contribuição previdenciária sobre esse valor. Apesar de haver dúvidas sobre isso, o STJ decidiu que a contribuição deve ser aplicada ao salário-maternidade: 9. JURISPRUDÊNCIA De acordo com o entendimento do STJ, o salário-maternidade é considerado um salário. Não há conflito entre a cobrança de contribuição previdenciária sobre esse salário e a Constituição, que garante igualdade de direitos entre homens e mulheres. Além disso, a Constituição também protege o mercado de trabalho da mulher com incentivos legais. O pagamento do salário-maternidade durante o afastamento é visto como um incentivo para proteger o emprego feminino. Por fim, o Poder Judiciário não pode criar novas regras ou benefícios que não estão na legislação existente para isentar os empregadores da contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade. De outro lado, porém, o STF decidiu, por maioria de votos, no Recurso Extraordinário (RE) 576967, com repercussão geral reconhecida (Tema 72): Direito constitucional. Direito tributário. Recurso Extraordinário com repercussão geral. Contribuição previdenciária do empregador. Incidência sobre o salário-maternidade. Inconstitucionalidade formal e material. 1. Recurso extraordinário interposto em face deacórdão do TRF da 4ª Região, que entendeu pela constitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária “patronal” sobre o salário-maternidade. 2. O salário-maternidade é prestação previdenciária paga pela Previdência Social à segurada durante os cento e vintedias em que permanece afastada do trabalho em decorrência da licença-maternidade. Configura, portanto, verdadeiro benefício previdenciário. 3. Por não se tratar de contraprestação pelo trabalho ou de retribuição em razão do contratode trabalho, o salário-maternidade não se amolda ao conceito de folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Como consequência, não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária a cargo do empregador, não encontrando fundamento no art. 195, I, a, da Constituição. Qualquer incidência não prevista no referido dispositivo constitucional configura fonte de custeio alternativa, devendo estar THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 65 prevista em lei complementar (art. 195, §4º). Inconstitucionalidade formal do art. 28, §2º, e da parte final da alínea a, do §9º, da Lei n. 8.212/91. 4. Esta Corte já definiu que as disposições constitucionais são legitimadoras de um tratamento diferenciado às mulheres desde que a norma instituidora amplie direitos fundamentais e atenda ao princípio da proporcionalidade na compensação das diferenças. No entanto, no presente caso, as normas impugnadas, ao imporem tributação que incide somente quando a trabalhadora é mulher e mãe cria obstáculo geral à contratação de mulheres, por questões exclusivamente biológicas, uma vez que torna a maternidade um ônus. Tal discriminação não encontra amparo na Constituição, que, ao contrário, estabelece isonomia entre homens e mulheres, bem como a proteção à maternidade, à família e à inclusão da mulher no mercado de trabalho. Inconstitucionalidade material dos referidos dispositivos. 5. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar incidentalmente, a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o salário- maternidade, prevista no art. art. 28, §2º, e da parte final da alínea a, do §9º, da Lei n. 8.212/91, e proponho a fixação da seguinte tese: “É inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre o salário- maternidade”. (RE 576967, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-254 DIVULG 20-10-2020 PUBLIC 21-10-2020) Em resumo, a tese fixada pelo STF estabelece que é inconstitucional cobrar a contribuição previdenciária do empregador sobre o salário-maternidade. Contudo, um parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional afirmou que essa decisão não se aplica à contribuição que a empregada deve pagar, já que essa foi tratada em um caso diferente. Para fins de concursos públicos, é importante entender que as férias e seu adicional de 1/3 fazem parte do salário de contribuição, mas apenas as férias gozadas, não as indenizadas. O adicional de férias é considerado indenização, e portanto não integra o salário de contribuição. O STJ também defende que o 1/3 de férias, mesmo quando gozadas, é uma compensação ao trabalhador durante suas férias e não deve ter contribuição previdenciária aplicada. No entanto, o STF decidiu recentemente que a contribuição social pode ser exigida sobre o 1/3 de férias. O décimo terceiro salário é uma parte do salário de contribuição em geral, mas não é considerado no cálculo do salário de benefício previdenciário. Embora a contribuição previdenciária incida sobre o 13º salário, esse valor não entra na média salarial usada para calcular benefícios. 10. PARCELAS NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO As parcelas não integrantes do salário de contribuição estão definidas no artigo 28, § 9º, da Lei n. 8.212/1991 e no artigo 214, § 9º, do RPS. O salário de contribuição gera muitas dúvidas e é frequentemente discutido nos tribunais. Por isso, a Lei n. 10.522/2002 permite que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) não precise contestar ou recorrer em casos já decididos pelo STF ou por outros tribunais. O RPS já reflete várias dessas decisões, incluindo a isenção do vale-transporte das contribuições previdenciárias. As parcelas que não integram o salário de contribuição se dividem em algumas categorias. O artigo 214, § 9º, do RPS lista algumas dessas parcelas, que incluem: I – Os benefícios da previdência social, como aposentadorias, que não integram o salário de contribuição, exceto o salário-maternidade. II – A ajuda de custo e o adicional anual recebidos por aeronautas, conforme a lei de 1973. III – A alimentação fornecida pela empresa, desde que esteja dentro de um programa de alimentação aprovado. Se a empresa paga a alimentação em dinheiro, esse valor conta como salário de contribuição. IV – Os valores pagos por férias indenizadas e o adicional constitucional, que também não integram o salário de contribuição, pois são considerados indenizatórios. Assim, as férias devem ser concedidas dentro de um ano, e se não forem, o pagamento é dobrado, o THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 66 que também não é integrado ao salário de contribuição. O artigo 214, § 9º, do RPS lista alguns tipos de pagamentos que não fazem parte do salário de contribuição. O texto também menciona indenizações, como incentivos à demissão (programas de demissão voluntária), que não contam como salário de contribuição. O abono de férias, que é um pagamento referente a férias não gozadas, também é uma indenização. Além disso, ajudas de custo, auxílio-alimentação (desde que não pagos em dinheiro) e diárias de viagem são considerados como parcelas que não integram o salário de contribuição. A mudança da lei em 2017 facilitou essa questão, pois agora não importa o valor das diárias em relação ao salário, elas sempre são consideradas não integrantes do salário de contribuição. Por fim, quando um empregado viaja a serviço da empresa, ele pode receber diárias ou ser reembolsado. As diárias, independentemente do valor, não são incluídas no salário de contribuição. Quando a empresa tem um sistema de despesas de viagens, é preciso verificar se essas despesas foram comprovadas. Se forem comprovadas, elas são reembolsos e não contam como parte do salário para contribuições. Se não forem comprovadas, são consideradas como pagamento e integram o salário. Por exemplo, se um funcionário gasta R$ 2.000,00 em uma viagem e apresenta as notas fiscais, a empresa reembolsa esse valor. Nesse caso, o valor não conta como parte do salário, pois é apenas um reembolso. Muitas empresas usam cartões corporativos para essas despesas, que são comprovadas pelas faturas. Existem também diferenças entre ganhos eventuais e abonos. Ganhos eventuais são valores dados pelo empregador sem obrigação de pagamento regular e não contam para o salário. Abonos, que são pagos normalmente para compensar perdas devido à inflação, têm natureza salarial e contam como parte do salário, a menos que uma lei específica diga o contrário. A Lei n. 13.467/2017 define que prêmios e abonos não são considerados parte do salário de contribuição. O vale-transporte, que deve ser pago de acordo com a Lei n. 7.418/1985, é um benefício que o empregador fornece para ajudar nos custos de transporte do trabalhador e, se pago corretamente, não conta como parte do salário para contribuições. Se o vale-transporte for pago em dinheiro, anteriormente isso contava como parte do salário, mas agora, novas decisões judiciais indicam que, mesmo pago em dinheiro, ele pode ser visto como um reembolso, não integrando o salário de contribuição. De acordo com o artigo 19-A da Lei nº 10.522/2002, os Auditores-Fiscais da Receita Federal não poderão cobrar impostos sobre assuntos já decididos pelo STF ou pelos tribunais superiores (STJ, TST, TSE ou TNU) quando essas decisões forem de repercussão geral, desde que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já tenha se pronunciado sobre o assunto. Assim, a partir dessa declaração, o vale-transporte, mesmo se pago em dinheiro, não conta como parte do salário de contribuição. Esse entendimento é fundamentado na lei analisada. Além disso, a ajuda de custo recebida em parcela única por mudança de localde trabalho não é considerada parte do salário de contribuição, desde que paga em uma só vez. Se a ajuda de custo for dividida em mais de uma parcela, será incluída no salário de contribuição. Atualmente, mesmo que a ajuda de custo seja paga regularmente, ela não será considerada como parte do salário de contribuição, mas essa regra só se aplica até 10/11/2017, segundo a Instrução Normativa RFB nº 2.110/2022. No caso das bolsas de complementação educacional para estagiários, a Lei nº 11.788/2008 exige um compromisso formal entre a instituição de ensino e o estagiário, além de um seguro contra acidentes. O estagiário pode contribuir para o RGPS como segurado facultativo, e a bolsa recebida não será considerada parte do salário de contribuição. Sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa, que deve ser regulamentada pela Lei nº 10.101/2000, a empresa não precisa necessariamente ter lucro, pois essa participação pode ser baseada nos resultados alcançados. As regras para essa participação devem ser negociadas entre a empresa e os empregados, podendo envolver uma comissão paritária e o sindicato. THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 67 A Lei nº 10.101/2000 estabelece que não pode haver mais de duas distribuições de lucros no mesmo ano civil e devem ocorrer a cada três meses. Recentemente, essa lei foi alterada pela Lei nº 14.020/2020, que determine que apenas os pagamentos feitos irregularmente em relação à periodicidade são inválidos, ao contrário de como era antes. Por fim, quanto aos pagamentos feitos antes da Medida Provisória nº 794/1994, que regulamentou a participação nos lucros, o STF entende que a contribuição previdenciária deve incidir sobre esses pagamentos: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficáciado preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizou-se antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. (RE 569441, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Relator(a) p/ Acórdão: TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 30/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-027 DIVULG 09-02-2015 PUBLIC 10-02-2015) 11. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 1. A contribuição previdenciária aplica-se aos valores pagos como participação nos lucros antes da vigência da Medida Provisória 794/1994. 2. O abono do Programa de Integração Social e assistência a servidores não gera contribuições. 3. Valores pagos para transporte, alimentação e moradia a funcionários em locais distantes não contam como salário de contribuição, pois são para a execução do trabalho. 4. A complementação do auxílio-doença é um benefício que, se oferecido a todos os funcionários, não integra o salário de contribuição; caso contrário, sim. 5. Assistência ao trabalhador da agroindústria de cana-de-açúcar é isenta de contribuição. 6. Contribuições de empresas para planos de previdência complementar não são parte do salário de contribuição, contanto que estejam disponíveis a todos os empregados. Se apenas alguns tiverem acesso, será incluído. 7. Despesas com serviços médicos e odontológicos, reembolsos por medicamentos, e similares não contam como salário de contribuição, mesmo que antes exigissem cobertura para todos. Agora, essa regra foi alterada, permitindo inclusão em planos sem essa obrigação. 8. Roupas e equipamentos fornecidos aos empregados para o trabalho não são considerados no salário de contribuição. 9. O ressarcimento de despesas do uso de veículo particular é isento, desde que comprovado. 10. Planos educacionais e bolsas de estudo para os empregados e seus dependentes não contam como parte do salário, desde que respeitem certos limites e não substituam salário. Com base nas novas regras, o valor destinado a planos educacionais ou bolsas de estudo para a educação básica de empregados e seus dependentes, assim como para a educação profissional, deve seguir algumas condições: não pode substituir parte do salário e o valor mensal não deve ultrapassar 5% do salário THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 68 do empregado ou 150% do salário mínimo de contribuição, o que for maior. A multa paga ao empregado, caso o pagamento das parcelas da rescisão do contrato de trabalho atrase, é considerada uma indenização e não integra o salário de contribuição. Essa multa deve ser paga até o primeiro dia útil após o término do contrato ou até o décimo dia após a notificação da demissão, caso não haja aviso prévio. O reembolso de despesas com creche deve respeitar a idade máxima de seis anos da criança e deve ser comprovado, não contando como parte do salário de contribuição. O mesmo se aplica ao reembolso de babá, que também deve ser comprovado e respeitar o limite de salário de contribuição. Os pagamentos feitos pela empresa para seguro de vida em grupo são considerados fora do salário de contribuição, desde que estejam previstos em acordo ou convenção coletiva e sejam oferecidos a todos os empregados. O vale-cultura, um benefício que promove o acesso à cultura, também não integra o salário de contribuição, conforme a legislação. Além disso, as bolsas para atletas de alto rendimento, de acordo com a Lei 10.891/2004, são isentas de salário de contribuição. Por fim, duas observações: os valores recebidos por ministros de confissões religiosas, sob certas condições, podem ou não ser considerados remuneração. E, o auxílio-acidente, que é uma compensação por lesões que reduzem a capacidade de trabalho, também deve ser entendido como uma indenização e não como remuneração. O auxílio-acidente começa a ser pago no dia seguinte ao término do auxílio por incapacidade temporária (o que antigamente chamávamos de auxílio-doença). Durante o período em que recebe o auxílio por incapacidade, o segurado é acompanhado por perícias, e em uma delas pode ser liberado para voltar ao trabalho. No entanto, se ele tiver uma sequela definitiva que reduza sua capacidade de trabalho, receberá uma indenização do INSS, chamada auxílio-acidente. Isso significa que, mesmo voltando a trabalhar e ganhando um salário, ele também recebe o auxílio-acidente. O objetivo desse auxílio não é substituir o salário, mas sim complementar a renda do segurado devido à sua limitação. É importante notar que o auxílio- acidente pode ser inferior a um salário mínimo. Quando o segurado se aposentar, ele não pode somar o auxílio-acidente ao valor da aposentadoria, pois o auxílio já é considerado no cálculo desta. O único benefício que conta como salário de contribuição é o salário-maternidade; os demais benefícios são considerados parcelas separadas. Portanto, o auxílio-acidente não pode ser acumulado com a aposentadoria, a não ser em casos específicos onde o direito já foi adquirido. Ao final, fica claro que o salário de contribuição varia conforme o tipo de trabalhador e os limites mínimos e máximos são definidos pela legislação. O limite máximo atualmente é de R$ 7.786,02. Algumas parcelas contam para o cálculo do salário de contribuição, enquanto outras, como benefícios previdenciários e indenizações, não contam. O valor do auxílio-acidente faz parte do cálculo do salário de benefício para aposentadoria. 12. ARRECADAÇÃO NAPREVIDÊNCIA SOCIAL A arrecadação é um dos pilares centrais para a manutenção da seguridade social no Brasil. Responsável por sustentar os benefícios concedidos no âmbito da previdência social, saúde e assistência, o correto recolhimento das contribuições previdenciárias é essencial para a preservação do equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. Mais do que uma obrigação tributária, a arrecadação regular reflete o compromisso de empresas, trabalhadores e segurados com o financiamento de direitos fundamentais, conforme previsto no artigo 195 da Constituição Federal. Este capítulo aborda os principais aspectos normativos e práticos relacionados à arrecadação na previdência social, desde os prazos e responsabilidades pelo recolhimento, até as consequências do inadimplemento e as obrigações acessórias que garantem a transparência e a fiscalização efetiva do sistema. 13. VENCIMENTO DAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 69 A legislação brasileira estabelece prazos específicos para o recolhimento das contribuições previdenciárias, ajustados às particularidades de cada categoria de segurado ou contribuinte. Esses prazos são definidos para garantir que os recursos sejam recolhidos em tempo hábil para atender às demandas do sistema. 13.1. Prazos gerais de recolhimento 1. Dia 15 do mês subsequente: Aplica-se ao segurado facultativo e ao contribuinte individual. Quando não houver expediente bancário no dia 15, o prazo é prorrogado para o próximo dia útil. 2. Dia 20 do mês subsequente: Aplica-se às empresas e às contribuições incidentes sobre a remuneração de empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais contratados. Caso o dia 20 não seja útil, o prazo é antecipado para o dia útil anterior. 3. Décimo terceiro salário: A contribuição sobre o décimo terceiro salário deve ser recolhida até o dia 20 de dezembro, seguindo o mesmo critério de antecipação em caso de feriados ou ausência de expediente bancário. 13.2. Prazos específicos Empregadores Domésticos: O recolhimento de contribuições do empregado doméstico segue as regras do Simples Doméstico, com vencimento no dia 7 do mês subsequente à competência. Produtores Rurais e Segurados Especiais: O prazo para recolhimento é o dia 20 do mês seguinte à comercialização da produção. Entretanto, caso a operação envolva intermediários, a responsabilidade pelo recolhimento recai sobre o adquirente do produto. Associações Desportivas: Clubes de futebol e similares devem recolher contribuições com base na receita bruta de espetáculos desportivos, incluindo patrocínios e licenciamento de marcas. 14. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO A empresa é a principal responsável por recolher as contribuições de seus empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais. Essas contribuições são descontadas diretamente da remuneração, sendo também responsável por recolher sua própria parte sobre os valores pagos. Além disso, obrigações específicas recaem sobre produtores rurais e associações desportivas. Produtores rurais pessoa física e segurados especiais devem realizar seus recolhimentos até o dia 20 do mês subsequente à comercialização de seus produtos, a menos que a operação envolva intermediários, situação em que o adquirente assume a responsabilidade pelo repasse. Já associações desportivas, como clubes de futebol, têm suas contribuições vinculadas à receita bruta de espetáculos e patrocínios. Ou seja: 14.1. Empresas As empresas são responsáveis por: 1. Recolher a contribuição dos empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais contratados. o Esse recolhimento é feito mediante desconto na folha de pagamento dos segurados. THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 70 2. Arcar com a contribuição patronal sobre a folha de pagamento. o Essa alíquota geralmente é de 20%, podendo ser acrescida de adicionais como o Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT). 14.2. Produtores rurais e Segurados especiais Os produtores rurais pessoa física e os segurados especiais recolhem contribuições incidentes sobre a receita bruta da comercialização de seus produtos. Quando a venda ocorre para intermediários, como cooperativas ou indústrias, cabe ao adquirente recolher e repassar as contribuições ao sistema previdenciário. 14.3. Associações desportivas As contribuições previdenciárias dessas entidades incidem sobre a receita bruta obtida com atividades como espetáculos esportivos, patrocínios e cessão de direitos de imagem de atletas. 15. CONSEQUÊNCIAS DO RECOLHIMENTO EM ATRASO • O atraso ou a ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias gera implicações financeiras e jurídicas severas. A legislação prevê a aplicação de juros e multas que aumentam progressivamente conforme o período de inadimplência e a gravidade da infração. • Juros de Mora: Calculados com base na taxa SELIC acumulada desde o mês seguinte ao vencimento até o mês anterior ao pagamento, acrescidos de 1% no mês do pagamento. • Multa de Mora: Aplicada a uma taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20% do montante devido. Para contribuições lançadas de ofício (após fiscalização), as multas podem variar de 75% a 225% dependendo da situação, com agravantes para casos de sonegação, fraude ou conluio. Resumindo: 15.1. Juros de mora • Os juros são calculados com base na taxa SELIC acumulada, desde o mês seguinte ao vencimento da obrigação até o mês anterior ao pagamento. • Adicionalmente, incide um percentual de 1% no mês do pagamento. 15.2. Multas de mora 1. Multa regular: o Taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20% do valor total devido. 2. Multas agravadas: o Quando a contribuição é lançada de ofício, após fiscalização, as multas podem variar de 75% a 225%, dependendo da situação. o Penalidades mais elevadas são aplicadas em casos de fraude, sonegação ou conluio, conforme previsto no Código Tributário Nacional. Essas penalidades têm como objetivo desestimular atrasos e assegurar o cumprimento regular das obrigações tributárias. THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 71 16. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E SUA RELEVÂNCIA As obrigações acessórias complementam o recolhimento das contribuições, facilitando a fiscalização e garantindo a precisão das informações prestadas pelos contribuintes. Seu descumprimento pode gerar penalidades severas, incluindo multas e autuações. 16.1. Elaboração da folha de pagamento A folha de pagamento é um dos documentos mais importantes na administração da contribuição previdenciária. Deve incluir: 1. Todos os segurados vinculados à empresa (empregados, avulsos e contribuintes individuais). 2. Informações detalhadas sobre remuneração, descontos previdenciários e benefícios pagos, como salário-família e salário-maternidade. 3. Segregação de estabelecimentos, caso a empresa opere em mais de uma unidade. 16.2. Escrituração contábil A legislação exige que as contribuições sejam registradas em livros contábeis, como o Livro Diário e o Livro Razão. A escrituração contábil deve seguir o princípio da competência, registrando receitas e despesas no período correspondente, independentemente de quando o pagamento foi efetivado. 16.3. Prestação de informações As empresas devem fornecer dados fiscais e trabalhistas à Receita Federal por meio de sistemas eletrônicos, como o GFIP e o eSocial. - GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social): Este documento constitui confissão de dívida e alimenta o banco de dados do INSS. - eSocial: Um sistema unificado que centraliza informações trabalhistas, fiscais e previdenciárias. Ele visa simplificar e padronizar os processos, reduzindo a burocracia e os riscos de inconsistências. A arrecadação regular e precisa é vital para a manutenção da seguridade social. Ela garante recursos para o pagamentode benefícios previdenciários, o financiamento de serviços de saúde e a execução de programas assistenciais. 17. DESAFIOS NA ARRECADAÇÃO 1. Informalidade no Mercado de Trabalho: Grande parte dos trabalhadores no Brasil ainda opera fora do mercado formal, o que reduz a base de arrecadação. 2. Fraudes e Sonegação: A tentativa de omitir informações ou subestimar a base de cálculo prejudica a arrecadação e gera custos adicionais para a fiscalização. 3. Mudanças Econômicas e Tecnológicas: A crescente automação e digitalização da economia afetam a base de cálculo tradicional, que depende principalmente da folha de pagamento. 18. SOLUÇÕES E PERSPECTIVAS THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 72 • Modernização da Fiscalização: Sistemas como o eSocial permitem um controle mais eficiente, cruzando dados em tempo real e identificando inconsistências rapidamente. • Incorporação de Novas Bases Tributárias: A possibilidade de tributar outras formas de receita, como transações digitais, pode ampliar a base de arrecadação. 19. RESUMO • As empresas devem recolher as contribuições previdenciárias até o dia 20 do mês seguinte à competência, enquanto segurados facultativos e individuais têm prazo até o dia 15. • Juros de mora e multas são aplicados sobre valores não pagos no prazo. As multas podem ser reduzidas caso o pagamento ocorra em prazos específicos após notificações. • Obrigações acessórias, como a folha de pagamento e a escrituração contábil, são fundamentais para a fiscalização e organização dos dados contributivos. • Sistemas como a GFIP e o eSocial desempenham papel central na comunicação das informações fiscais e previdenciárias. THIAGO S. DIAS SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO• 5 73 THIAGO S. DIAS PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS • 6 74 1. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO A responsabilidade solidária no âmbito do direito previdenciário é uma ferramenta essencial para garantir a arrecadação e proteção da seguridade social. Regulada pelo Código Tributário Nacional (CTN) e pela legislação previdenciária, ela define condições em que terceiros vinculados ao sujeito passivo podem ser cobrados pelas obrigações tributárias. Logo, a responsabilidade solidária é um conceito no direito tributário e previdenciário, representando uma forma de garantir a arrecadação das contribuições devidas à seguridade social. Essa modalidade de responsabilidade permite que o fisco exija a totalidade do crédito tributário de qualquer das partes envolvidas na relação jurídica, independentemente de ordem de cobrança. Este instituto visa proteger o sistema previdenciário, transferindo o ônus do pagamento para terceiros vinculados ao sujeito passivo principal, quando necessário. 1.1. Fundamentos jurídicos O Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 124, define as bases da responsabilidade solidária: • Pessoas com interesse comum na situação que gera a obrigação principal. • Pessoas expressamente designadas por lei. A legislação previdenciária, por sua vez, especifica os casos em que a solidariedade será aplicada, garantindo maior eficiência na cobrança de débitos e proteção ao sistema previdenciário. 1.2. Características da responsabilidade solidária Uma das principais características da responsabilidade solidária é a inexistência de benefício de ordem, o que significa que o fisco pode cobrar a integralidade da dívida de qualquer dos devedores solidários, sem a necessidade de esgotar a cobrança do principal antes de alcançar os coobrigados. Tal prerrogativa fortalece o poder de recuperação de créditos previdenciários. Conceito e Fundamentos Jurídicos Conforme o artigo 124 do CTN, são solidariamente obrigadas: • Pessoas com interesse comum na situação que constitui o fato gerador. • Aqueles expressamente designados por lei. A solidariedade não admite benefício de ordem, permitindo que a autoridade fiscal exija a totalidade do débito de qualquer dos devedores solidários. 1.3. Situações de responsabilidade solidária A legislação elenca diversos casos nos quais a responsabilidade solidária se aplica. Esses cenários envolvem situações específicas, como: • Grupos Econômicos: Empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico respondem solidariamente pelos débitos previdenciários de qualquer integrante do grupo, conforme o artigo 30, 6 PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS THIAGO S. DIAS PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS • 6 75 inciso IX, da Lei nº 8.212/1991. O conceito de grupo econômico abrange empresas com gestão autônoma, mas sujeitas à coordenação geral de uma controladora. • Consórcios de Produtores Rurais: Produtores organizados em consórcios simplificados são solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias decorrentes da comercialização de sua produção, conforme o artigo 25-A da Lei nº 8.212/1991. • Operadores Portuários e OGMO: Operadores portuários e órgãos gestores de mão de obra (OGMO) compartilham a responsabilidade pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias de trabalhadores avulsos portuários. • Gestores de Entidades Públicas: Administradores de autarquias, fundações públicas e empresas estatais são solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias devidas, especialmente em situações de mora superior a 30 dias. • Construção Civil: Incorporadores, donos de obra e contratantes em empreitadas totais ou parciais compartilham a responsabilidade solidária com construtores e subempreiteiras pelas obrigações com a seguridade social. 2. RETENÇÃO DE 11% SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS A retenção de 11% foi instituída pela Lei nº 9.711/1998 para fortalecer o controle e a arrecadação de contribuições previdenciárias. Ela substitui a responsabilidade solidária nas contratações de serviços realizados mediante cessão de mão de obra ou empreitada. Esse mecanismo visa garantir a antecipação do recolhimento das contribuições devidas pelas empresas prestadoras. 2.1. Cessão de mão de obra e empreitada • Cessão de Mão de Obra: Envolve a disponibilização de trabalhadores para realizar serviços contínuos nas dependências do contratante ou terceiros indicados por ele. • Empreitada: Refere-se à execução de tarefas ou obras contratualmente estabelecidas, podendo ocorrer nas dependências do contratante, de terceiros ou do próprio prestador. 2.2. Serviços sujeitos à retenção Os serviços sujeitos à retenção estão listados no artigo 219, § 2º, do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/1999). Entre eles, destacam-se limpeza, conservação, vigilância, construção civil, serviços rurais, entre outros. A base de cálculo e as regras de compensação são detalhadas pela legislação. Ou seja: Os serviços sujeitos à retenção estão listados no artigo 219, § 2º, do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/1999). Entre eles destacam-se: • Serviços de limpeza, conservação e vigilância. • Construção civil. • Serviços rurais. 3. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO Os prazos decadenciais e prescricionais no direito previdenciário estão alinhados com as normas do Código Tributário Nacional (CTN), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). • Decadência: O prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contados da data do THIAGO S. DIAS PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS • 6 76 fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte, em casos de dolo, fraude ou simulação. • Prescrição: Após a constituição definitiva do crédito, o prazo para ajuizar a cobrança judicial é de cinco anos. Decadência: O prazo decadencial refere-se ao tempo limite para o segurado revisar o ato de concessão do benefício. Esse prazo é de 10 anos, contados a partir do primeiro pagamento ou do conhecimento do ato indeferitório.Prescrição: Já a prescrição diz respeito à perda do direito de cobrar valores atrasados, sendo fixado em cinco anos. Esses prazos visam assegurar a estabilidade jurídica e financeira do sistema previdenciário. O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou esses entendimentos em diversas decisões, incluindo a aplicaçãoretroativa do prazo de 10 anos para benefícios concedidos antes de 1997. 4. CRIMES CONTRA A SEGURIDADE SOCIAL Os crimes relacionados à seguridade social são tipificados no Código Penal, destacando-se: • Apropriação Indébita Previdenciária: Prevista no artigo 168-A, ocorre quando um empregador desconta contribuições previdenciárias de seus empregados, mas não as repassa à Previdência Social. A pena varia de 2 a 5 anos de reclusão, podendo ser extinta mediante pagamento espontâneo antes do início de ação fiscal. Logo: Prevista no artigo 168-A do Código Penal, ocorre quando o empregador desconta contribuições previdenciárias de seus empregados, mas não as repassa ao INSS. • Pena: Reclusão de 2 a 5 anos e multa. • Extinção de Punibilidade: Caso o empregador regularize a dívida espontaneamente antes do início da ação fiscal. A legislação prevê medidas rigorosas para coibir práticas que comprometem o sistema de arrecadação, com penas proporcionais à gravidade das infrações. THIAGO S. DIAS PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS • 6 77 THIAGO S. DIAS DEPENDENTES NO RGPS• 7 78 1. INTRODUÇÃO Os dependentes do RGPS são beneficiários que possuem o direito de acessar prestações previdenciárias, sejam elas benefícios ou serviços. Eles se dividem em três classes e possuem hierarquia para efeito de concessão dos direitos. A legislação define os dependentes como um grupo distinto dentro dos beneficiários do RGPS, que também incluem os segurados. 2. ROL DE DEPENDENTES DO RGPS Os dependentes são divididos em três categorias: 1. Classe I (Preferencial): o Cônjuge ou companheiro(a); o Filho(a) menor de 21 anos, inválido ou com deficiência intelectual, mental ou grave. 2. Classe II: o Pais. 3. Classe III: o Irmão(ã) não emancipado(a), menor de 21 anos, inválido(a) ou com deficiência intelectual, mental ou grave. A legislação reconhece como união estável a relação pública, contínua e duradoura com intenção de constituição familiar, mesmo entre pessoas do mesmo sexo, conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 3. EXCLUSÕES E LIMITAÇÕES Não se admite concubinato como fundamento para reconhecimento de dependência previdenciária, reafirmando o princípio da monogamia no ordenamento jurídico brasileiro. Jurisprudências recentes reforçam que relações simultâneas (ex.: casamento e união estável concomitantes) não produzem efeitos previdenciários. 4. MENOR SOB GUARDA Originalmente, o menor sob guarda era equiparado a filho para fins previdenciários. No entanto, alterações legislativas retiraram essa condição. O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento das ADIs 4878 e 5083, declarou inconstitucional a exclusão dessa categoria, considerando que viola o princípio da proteção integral da criança e do adolescente. Atualmente, com a reforma da previdência (EC 103/2019), o menor sob guarda deixou de integrar o rol de dependentes do RGPS, restringindo-se a dependência à comprovação econômica para enteados e menores tutelados. 5. REGRAS GERAIS PARA DEPENDENTES 7 DEPENDENTES NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS) THIAGO S. DIAS DEPENDENTES NO RGPS• 7 79 Existem três regras fundamentais: 1. A existência de dependentes de classe superior exclui os das classes inferiores. 2. Os dependentes de uma mesma classe concorrem em igualdade de condições. 3. A dependência econômica dos dependentes da Classe I é presumida, enquanto para as Classes II e III deve ser comprovada. 6. PERDA DA QUALIDADE DE DEPENDENTE A qualidade de dependente pode ser perdida em situações como: • Separação ou divórcio sem obrigação de alimentos (para cônjuge/companheiro); • Emancipação ou idade superior a 21 anos (para filhos/irmãos); • Cessação de invalidez ou deficiência grave; • Falecimento. 7. INSCRIÇÃO E COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA A inscrição dos dependentes ocorre no momento do requerimento do benefício. Para dependência econômica, exige-se apresentação de dois documentos materiais contemporâneos, exceto em casos de força maior ou caso fortuito. 8. MANUTENÇÃO E PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO O chamado "período de graça" refere-se ao período em que o segurado mantém sua condição sem contribuir, variando conforme a situação: • 12 meses após a cessação das contribuições, podendo ser estendido para até 36 meses em casos específicos. • Durante o gozo de benefícios, exceto auxílio-acidente. 9. PERDA DA QUALIDADE A perda ocorre no mês subsequente ao prazo de manutenção, após o vencimento da primeira contribuição não paga. É importante ressaltar que, se o segurado preencher os requisitos para aposentadoria antes da perda, o direito à pensão por morte para dependentes é preservado. 10. CARÊNCIA NO RGPS Carência é o número mínimo de contribuições necessárias para acessar certos benefícios: • 180 contribuições: Aposentadorias programadas e especiais. • 12 contribuições: Benefícios por incapacidade. • Isenção de carência: Salário-maternidade para segurada empregada, pensão por morte e benefícios decorrentes de acidentes. Para segurados especiais, a carência é medida pelo tempo de atividade rural, mesmo que descontínuo. 11. RESUMO THIAGO S. DIAS DEPENDENTES NO RGPS• 7 80 Dependentes do RGPS – Principais Pontos 11.1. Quem são os dependentes do RGPS? Os dependentes são classificados em três classes hierárquicas: 1. Classe I (Preferencial): ▪ Cônjuge ou companheiro(a); ▪ Filho(a) menor de 21 anos, inválido(a) ou com deficiência intelectual, mental ou grave. 2. Classe II: ▪ Pais. 3. Classe III: ▪ Irmão(ã) não emancipado(a), menor de 21 anos, inválido(a) ou com deficiência intelectual, mental ou grave. Regras Importantes: • A existência de dependentes de classe superior exclui os das classes inferiores. • Dependentes da mesma classe concorrem em igualdade de condições. • A dependência econômica dos dependentes da Classe I é presumida, exceto para enteados e menores tutelados. Nas Classes II e III, a dependência deve ser comprovada. 2. Menor sob Guarda • Inicialmente equiparado a filho para fins previdenciários. • Alterações legislativas (Lei nº 9.528/1997) excluíram essa condição. • O STF, nas ADIs 4878 e 5083, declarou a exclusão inconstitucional, mas a EC 103/2019 reafirmou que apenas enteado e menor tutelado, com comprovação de dependência econômica, são dependentes. • Atualmente, o menor sob guarda não é dependente do RGPS para fins previdenciários. 3. Perda da Qualidade de Dependente • Cônjuge/Companheiro: Pela separação ou divórcio sem obrigação de alimentos, ou pelo decurso do prazo da pensão por morte. • Filhos/Irmãos: Ao completar 21 anos, exceto se inválidos ou com deficiência intelectual, mental ou grave, desde que a condição tenha ocorrido antes da perda da qualidade de dependente. • Dependentes em Geral: Por cessação da invalidez, da deficiência ou por falecimento. 4. Manutenção e Perda da Qualidade de Segurado • Período de Graça: Tempo em que o segurado mantém a qualidade sem contribuir. o 12 meses: Após cessação de contribuições, segregação compulsória, ou reclusão. o 24 meses: Para quem já contribuiu por mais de 120 meses. o 36 meses: Com mais de 120 contribuições e situação de desemprego comprovada. THIAGO S. DIAS DEPENDENTES NO RGPS• 7 81 • Perda da Qualidade: Ocorre no mês seguinte ao vencimento da contribuição do primeiro mês fora do período de graça. 5. Carência • O que é? Número mínimo de contribuições para acessar benefícios: o 180 contribuições: Aposentadoriasprogramadas e especiais. o 12 contribuições: Benefícios por incapacidade. o Isenção de Carência: Salário-maternidade para segurada empregada, pensão por morte e benefícios por acidentes. • Segurado Especial: Deve comprovar tempo mínimo de atividade rural equivalente à carência exigida. THIAGO S. DIAS DEPENDENTES NO RGPS• 7 82 THIAGO S. DIAS APOSENTADORIAS DO RGPS • 8 83 1. APOSENTADORIAS DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS) As aposentadorias oferecidas pelo RGPS têm como objetivo proteger os segurados em situações de incapacidade para o trabalho ou ao atingirem determinada idade ou tempo de contribuição. Este conteúdo explora as principais modalidades de aposentadorias, os critérios de elegibilidade, as regras de cálculo e as disposições trazidas pela Emenda Constitucional nº 103/2019. 1.1 Classificação dos benefícios previdenciários Os benefícios do RGPS são classificados conforme sua natureza, destinatários, tempo e risco social: 1. Quanto ao Tempo: • Prestação Instantânea: Pagamento único (não há atualmente no RGPS). • Prestação Periódica: Pagamento por período determinado, como no caso do salário- maternidade. • Prestação Continuada: Benefício sem prazo definido, como aposentadorias e pensões. 2. Quanto aos Destinatários: • Segurados: Incluem aposentadorias, auxílios e benefícios como salário-família e salário- maternidade. • Dependentes: Abarcam pensões por morte e auxílios-reclusão. 3. Quanto ao Risco Social: • Benefícios Previdenciários Comuns: Relacionados ao tempo de contribuição e à idade. • Benefícios Acidentários: Decorrentes de acidentes de trabalho, como aposentadoria por incapacidade permanente. 4. Quanto à Natureza: • Remuneratórios: Substituem o salário em situações como aposentadoria e incapacidade. • Indenizatórios: Complementam a renda, como no caso do auxílio-acidente. 2. APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE 2.1. Conceito e Critérios A aposentadoria por incapacidade permanente é destinada ao segurado que, devido a doença ou acidente, não pode mais exercer qualquer atividade que lhe garanta subsistência, sendo insuscetível de reabilitação. • Verificação Médica: Exige avaliação médico-pericial a cargo da Perícia Médica Federal. • Requisitos: APOSENTADORIAS DO RGPS 8 THIAGO S. DIAS APOSENTADORIAS DO RGPS • 8 84 o Carência: Regra geral de 12 contribuições mensais, exceto em casos de acidentes ou doenças graves especificadas por lei. o Incapacidade Não Preexistente: A incapacidade deve ter ocorrido após a filiação ao RGPS, salvo progressões ou agravamentos de condições anteriores. 2.2. Cálculo do benefício • Base de Cálculo: Média aritmética dos salários de contribuição desde julho de 1994. • Percentuais Aplicáveis: o 60% do salário de benefício + 2% por ano que exceder 20 anos de contribuição (homens) ou 15 anos (mulheres). o Exceção: Nos casos de acidente de trabalho ou doença profissional, o benefício corresponde a 100% do salário de benefício. 2.3. Acréscimo de 25% O segurado que necessitar de assistência permanente de terceiros terá direito a um adicional de 25%, mesmo que ultrapasse o teto previdenciário. Este acréscimo é personalíssimo e não se estende à pensão por morte. 2.4. Data de Início do Pagamento • Com Auxílio Precedente: O benefício começa no dia seguinte à cessação do auxílio por incapacidade temporária. • Sem Auxílio Precedente: o Segurados empregados: A partir do 16º dia do afastamento. o Demais segurados: A partir da incapacidade ou da entrada do requerimento, conforme o caso. 3. APOSENTADORIA PROGRAMADA 3.1. Substituição das Antigas Modalidades Com a EC 103/2019, a aposentadoria programada unificou as antigas aposentadorias por idade e por tempo de contribuição. Ela requer o cumprimento cumulativo de idade mínima e tempo de contribuição. • Idade Mínima: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. • Tempo de Contribuição: o Homens: 20 anos. o Mulheres: 15 anos. 3.2. Regras de Cálculo • Base de Cálculo: Média aritmética dos salários de contribuição desde julho de 1994. • Percentual Inicial: 60%, acrescido de 2% para cada ano que exceder os 20 anos (homens) ou 15 anos (mulheres). THIAGO S. DIAS APOSENTADORIAS DO RGPS • 8 85 3.3. Beneficiários Todos os segurados têm acesso à aposentadoria programada, exceto os segurados especiais que não contribuem facultativamente como individuais. 3.4. Data de Início • Empregados: A partir do desligamento do trabalho, se solicitado em até 90 dias. • Outros segurados: A partir da data do requerimento. 4. APOSENTADORIA ESPECIAL 4.1. Características A aposentadoria especial é destinada a trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde, como químicos, físicos ou biológicos, por períodos prolongados. • Requisitos: o Comprovação da exposição por meio do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP). o Carência de 180 contribuições mensais. • Cálculo do Benefício: o Baseado em 100% do salário de benefício, sem aplicação de redutores. 4.2. Regras de transição Com a EC 103/2019, foram criadas regras de transição para assegurar direitos adquiridos e ajustar as novas condições: 1. Sistema de Pontos: Soma da idade e do tempo de contribuição, iniciando em 86/96 pontos (mulheres/homens) e progredindo anualmente. 2. Idade Progressiva: Ajuste gradual da idade mínima até atingir os limites de 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens). 3. Pedágio: o 50%: Para quem estava a dois anos de completar o tempo de contribuição antes da reforma. o 100%: Exige o dobro do tempo restante para quem optar pela transição. 4.3. Principais jurisprudências da TNU A Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNU) tem desempenhado papel central na consolidação de entendimentos sobre matérias previdenciárias, especialmente aquelas que envolvem o Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Abaixo, destacam-se as jurisprudências mais relevantes. 1. Cômputo do Período de Gozo de Benefícios para Carência A TNU reafirmou que o tempo em que o segurado esteve em gozo de benefício por incapacidade (auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez) pode ser computado como tempo de contribuição, desde que intercalado com períodos de atividade laboral. Este entendimento está consolidado na Súmula 73 da TNU, que também estabelece que tais períodos só podem contar para carência se houver contribuições THIAGO S. DIAS APOSENTADORIAS DO RGPS • 8 86 intercaladas. 2. Contagem de Tempo Rural Outro ponto importante refere-se à contagem de tempo de trabalho rural para fins de concessão de aposentadoria. O Tribunal Nacional destacou que o segurado especial pode computar tempo de atividade rural sem necessidade de contribuições desde que atenda aos requisitos de comprovação, como documentos contemporâneos e início de prova material. 3. Tempo de Serviço em Condições Insalubres A TNU decidiu que a exposição habitual e permanente a agentes nocivos deve ser comprovada por meio de Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), cabendo ao segurado demonstrar o caráter contínuo da exposição. 4.4. Regras de transição – EC 103/2019 A Emenda Constitucional nº 103/2019 trouxe mudanças significativas para a concessão de benefícios previdenciários, incluindo aposentadorias. Para proteger os segurados que já estavam próximos de cumprir os requisitos antes da reforma, foram criadas regras de transição que suavizam a passagem entre os sistemas antigo e novo. 1. Regra de Transição por Pontos (Art. 15) Esta regra combina idade e tempo de contribuição. A soma deve atingir uma pontuação mínima, com progressões anuais. • Início: 86/96 pontos (mulheres/homens). • Progresso: Incremento anual de um ponto até alcançar 100/105 pontos. • Exigências: o Tempo mínimo de contribuição: 30 anos (mulheres)70 14.3. Associações desportivas ................................................................................................................. 70 15. CONSEQUÊNCIAS DO RECOLHIMENTO EM ATRASO ............................................................................... 70 15.1. Juros de mora ................................................................................................................................ 70 15.2. Multas de mora ............................................................................................................................. 70 16. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E SUA RELEVÂNCIA ....................................................................................... 71 16.1. Elaboração da folha de pagamento ............................................................................................... 71 16.2. Escrituração contábil ..................................................................................................................... 71 16.3. Prestação de informações .............................................................................................................. 71 17. DESAFIOS NA ARRECADAÇÃO ................................................................................................................ 71 18. SOLUÇÕES E PERSPECTIVAS ................................................................................................................... 71 19. RESUMO ............................................................................................................................................... 72 CAPÍTULO 6 - PRESTAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ............................................................................................... 74 1. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO ................................................................ 74 1.1. Fundamentos jurídicos ..................................................................................................................... 74 1.2. Características da responsabilidade solidária ................................................................................... 74 1.3. Situações de responsabilidade solidária ........................................................................................... 74 2. RETENÇÃO DE 11% SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS .................................................................................... 75 2.1. Cessão de mão de obra e empreitada .............................................................................................. 75 2.2. Serviços sujeitos à retenção ............................................................................................................. 75 3. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO ..................................................................... 75 4. CRIMES CONTRA A SEGURIDADE SOCIAL ................................................................................................. 76 CAPÍTULO 7 - DEPENDENTES NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS) ....................................... 78 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 78 2. ROL DE DEPENDENTES DO RGPS .............................................................................................................. 78 3. EXCLUSÕES E LIMITAÇÕES ....................................................................................................................... 78 4. MENOR SOB GUARDA ............................................................................................................................. 78 5. REGRAS GERAIS PARA DEPENDENTES ...................................................................................................... 78 6. PERDA DA QUALIDADE DE DEPENDENTE ................................................................................................. 79 7. INSCRIÇÃO E COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA ..................................................................................... 79 8. MANUTENÇÃO E PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO .......................................................................... 79 9. PERDA DA QUALIDADE ............................................................................................................................ 79 10. CARÊNCIA NO RGPS ............................................................................................................................... 79 11. RESUMO ............................................................................................................................................... 79 11.1. Quem são os dependentes do RGPS? ............................................................................................. 80 CAPÍTULO 8 - APOSENTADORIAS DO RGPS .................................................................................................... 83 1. APOSENTADORIAS DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS) ................................................... 83 1.1 Classificação dos benefícios previdenciários ...................................................................................... 83 2. APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE .............................................................................. 83 2.1. Conceito e Critérios .......................................................................................................................... 83 2.2. Cálculo do benefício ......................................................................................................................... 84 2.3. Acréscimo de 25% ............................................................................................................................ 84 2.4. Data de Início do Pagamento ........................................................................................................... 84 3. APOSENTADORIA PROGRAMADA ............................................................................................................ 84 3.1. Substituição das Antigas Modalidades ............................................................................................. 84 3.2. Regras de Cálculo ............................................................................................................................ 84 3.3. Beneficiários .................................................................................................................................... 85 3.4. Data de Início................................................................................................................................... 85 4. APOSENTADORIA ESPECIAL ..................................................................................................................... 85 4.1. Características ................................................................................................................................. 85 4.2. Regras de transição ......................................................................................................................... 85 4.3. Principais jurisprudências da TNU .................................................................................................... 85 4.4. Regras de transição – EC 103/2019 .................................................................................................. 86 4.5. Aspectos gerais das regras de transição........................................................................................... 87 CAPÍTULO 9 - DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS .................................................................................................. 89 1. AUXÍLIO POR INCAPACIDADE TEMPORÁRIA ............................................................................................. 89 1.1. Conceito e Finalidade ....................................................................................................................... 89e 35 anos (homens). 2. Regra de Transição por Idade Progressiva (Art. 16) Nesta regra, o segurado deve cumprir o tempo de contribuição mínimo e uma idade progressiva, que aumenta anualmente. • Idade Inicial (2019): o 56 anos (mulheres). o 61 anos (homens). • Progresso: A idade aumenta 6 meses por ano até atingir 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens). 3. Regra de Transição com Pedágio de 50% (Art. 17) Destinada a segurados que, em 13/11/2019, estavam a até dois anos de cumprir o tempo mínimo de contribuição exigido pelas regras antigas. • Condições: o Mulheres: 28 anos de contribuição até a data de entrada em vigor da EC. o Homens: 33 anos de contribuição até a mesma data. • Pedágio: Deve-se cumprir 50% do tempo que faltava para atingir 30/35 anos de contribuição (mulheres/homens). THIAGO S. DIAS APOSENTADORIAS DO RGPS • 8 87 4. Regra de Transição com Pedágio de 100% (Art. 18) Nesta regra, o segurado precisa cumprir o dobro do tempo que faltava para se aposentar na data de entrada em vigor da EC 103/2019. • Exigências: o Tempo mínimo de contribuição: 30 anos (mulheres) e 35 anos (homens). o Idade mínima: 57 anos (mulheres) e 60 anos (homens). 5. Regra de Transição da Aposentadoria por Idade (Art. 20) Dirigida aos segurados que já contribuíam antes da reforma e desejam se aposentar com base na idade mínima. • Idade Mínima: o Mulheres: 60 anos em 2019, com acréscimo de 6 meses por ano até atingir 62 anos. o Homens: 65 anos. • Tempo de Contribuição: o Mulheres: 15 anos. o Homens: 15 anos (para quem estava filiado antes da reforma); 20 anos (para novos filiados). 6. Regra de Transição para Professores (Art. 21) Aplica-se exclusivamente aos professores do ensino infantil, fundamental e médio que comprovem tempo de magistério. • Requisitos: o Mulheres: 51 anos de idade e 25 anos de contribuição em 2019. o Homens: 56 anos de idade e 30 anos de contribuição. • Progresso: A idade mínima aumenta 6 meses por ano até atingir 57 anos (mulheres) e 60 anos (homens). 4.5. Aspectos gerais das regras de transição As regras de transição da EC 103/2019 foram planejadas para atender diferentes perfis de segurados, buscando equilibrar os impactos da reforma com a proteção dos direitos adquiridos. Cada regra possui especificidades que devem ser avaliadas individualmente para maximizar os benefícios ao segurado. THIAGO S. DIAS APOSENTADORIAS DO RGPS • 8 88 THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 89 O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) abrange uma série de benefícios previdenciários que atendem às necessidades dos segurados em diferentes situações de vulnerabilidade, como incapacidade temporária, maternidade, reclusão e morte do provedor. Além de garantir o mínimo de subsistência ao segurado e seus dependentes, esses benefícios refletem a natureza protetiva e solidária do sistema previdenciário brasileiro. 1. AUXÍLIO POR INCAPACIDADE TEMPORÁRIA 1.1. Conceito e Finalidade O auxílio por incapacidade temporária, anteriormente denominado auxílio-doença, é destinado aos segurados que, por motivo de doença ou acidente, estão incapacitados para exercer suas atividades habituais por período superior a 15 dias consecutivos. A concessão do benefício depende de comprovação dessa incapacidade mediante exame médico-pericial realizado pela Perícia Médica Federal. Esse benefício cumpre uma função substitutiva da renda do segurado durante o período em que ele está impossibilitado de trabalhar, reforçando o caráter protetivo do sistema previdenciário. 1.2. Evento determinante O evento que dá origem ao direito ao benefício é a constatação de incapacidade temporária para o trabalho, que deve ser superior a 15 dias consecutivos. Esse período é considerado suficiente para separar incapacidades transitórias, que não demandam maior proteção previdenciária, das mais graves. 1.3. Beneficiários Todos os segurados do RGPS têm direito ao auxílio por incapacidade temporária, desde que a incapacidade não seja preexistente à filiação ao sistema, salvo nos casos em que houver progressão ou agravamento da doença após a entrada no regime. Em caso de reingresso no RGPS, aplica-se o mesmo critério. 1.4. Carência • A regra geral exige um mínimo de 12 contribuições mensais para a concessão do benefício. • Há exceções em que a carência é dispensada, como: Acidentes de qualquer natureza ou causa. o Doenças profissionais ou do trabalho. o Doenças graves especificadas em lista elaborada pelo Ministério da Saúde e pela Previdência Social. 1.5. Cálculo e Renda mensal A renda mensal inicial do auxílio corresponde a 91% do salário de benefício, que é a média aritmética simples dos salários de contribuição do segurado desde julho de 1994 ou do início de suas contribuições, se posterior. Porém: 9 DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 90 • O valor não pode ser inferior a um salário-mínimo, salvo em casos de atividades concomitantes. • O benefício não pode ultrapassar a média dos 12 últimos salários de contribuição, especialmente para segurados com remuneração variável. 1.6. Data de início do pagamento O início do pagamento varia conforme a categoria do segurado: • Empregado: O benefício começa no 16º dia de afastamento, sendo os primeiros 15 dias de responsabilidade do empregador. • Outras categorias (domésticos, contribuintes individuais e facultativos): O benefício é devido desde o início da incapacidade, desde que requerido até 30 dias após o evento. 1.7. Cessação e Condições O benefício cessa quando: • O segurado recupera a capacidade para o trabalho. • Há concessão de aposentadoria por incapacidade permanente. • O segurado falece. Além disso, o segurado em gozo do auxílio pode ser convocado a qualquer momento para nova perícia, com o objetivo de verificar a persistência da incapacidade. 2. SALÁRIO-FAMÍLIA 2.1. Conceito e Importância O salário-família é um benefício concedido aos segurados empregados, inclusive domésticos, e trabalhadores avulsos de baixa renda que possuem filhos ou dependentes com até 14 anos ou inválidos. Esse benefício visa reduzir os encargos financeiros relacionados à manutenção de dependentes. 2.2. Evento Determinante O direito ao salário-família é condicionado ao cumprimento simultâneo dos seguintes requisitos: 1. Ser segurado empregado, doméstico ou trabalhador avulso. 2. Possuir remuneração mensal inferior ou igual ao limite fixado pelo governo (atualmente, R$ 1.819,26). 3. Ter filhos, enteados ou menores tutelados de até 14 anos ou inválidos, comprovando a dependência econômica. 2.3. Carência Não há exigência de carência para concessão do benefício, o que reflete o caráter assistencial do salário-família. 2.4. Cálculo e Pagamento • O valor da cota do benefício é de R$ 59,82 por dependente. THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 91 • O pagamento é feito diretamente pelo empregador ao empregado, sendo posteriormente deduzido das contribuições devidas ao INSS. 2.5. Condições para Manutenção Para manter o benefício, o segurado deve apresentar anualmente o atestado de vacinação obrigatória dos dependentes de até 6 anos e comprovar semestralmente a frequência escolar para dependentes a partir de 4 anos. A ausência desses documentos resulta na suspensão do benefício. 2.6. Cessação O salário-família é automaticamente cessado quando: • O dependente atinge 14 anos, salvo em caso de invalidez. • O dependente falece. • O segurado perde o vínculo de emprego. 3. SALÁRIO-MATERNIDADE 3.1. Conceito e Propósito O salário-maternidade é um benefício pago às seguradas durante o período de afastamento de suas atividades em razão de parto, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Ele garante a substituição da renda e incentivaa proteção da maternidade. 3.2. Evento Determinante Os eventos que geram o direito ao salário-maternidade incluem: • Parto (inclusive natimorto). • Aborto não criminoso. • Adoção ou guarda judicial para fins de adoção de criança. 3.3. Beneficiários O benefício é devido a todas as seguradas do RGPS, inclusive contribuintes individuais, facultativas e especiais. Em caso de falecimento da mãe biológica ou adotante, o benefício pode ser transferido ao cônjuge ou companheiro sobrevivente que seja segurado. 3.4. Carência • Empregadas e avulsas: Isentas de carência. • Contribuintes individuais, facultativas e especiais: Exigência de 10 meses de contribuição. 3.5. Cálculo e Duração • Empregadas: Valor equivalente à remuneração integral, pago pelo empregador. • Demais seguradas: Média das últimas 12 contribuições. • Duração: 120 dias, exceto no caso de aborto, em que o benefício é devido por 14 dias. THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 92 3.6. Condições O salário-maternidade é condicionado ao afastamento da atividade profissional durante o período de percepção do benefício. 4. PENSÃO POR MORTE 4.1. Finalidade A pensão por morte é um benefício pago aos dependentes do segurado falecido, com o objetivo de substituir a renda que era por ele gerada. Esse benefício reflete o caráter solidário do RGPS ao amparar os dependentes em momento de vulnerabilidade. 4.2. Beneficiários São considerados dependentes: 1. Classe 1: Cônjuge, companheiro e filhos menores de 21 anos ou inválidos. 2. Classe 2: Pais, desde que comprovem dependência econômica. 3. Classe 3: Irmãos menores de 21 anos ou inválidos, também com comprovação de dependência. 4.3. Renda Mensal O valor inicial da pensão é de 60% do benefício ao qual o segurado teria direito, acrescido de 10% para cada dependente adicional, até o limite de 100%. 4.4. Duração A duração do benefício varia conforme a idade do dependente e o tempo de contribuição do segurado, sendo vitalício apenas para cônjuges com idade superior a 44 anos na data do óbito. 5. CONCLUSÃO Os benefícios previdenciários do RGPS atendem às diversas necessidades dos segurados e seus dependentes, garantindo proteção financeira em situações de incapacidade, maternidade, reclusão ou morte. Com regras específicas e claras, esses benefícios refletem os princípios constitucionais da solidariedade e da dignidade da pessoa humana, pilares do sistema previdenciário brasileiro. 6. RESUMO ESQUEMATIZADO 6.1. Demais benefícios do RGPS O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) oferece uma série de benefícios que visam atender às necessidades de segurados em diversas situações. Entre os principais benefícios estão o auxílio por incapacidade temporária, o salário-família, o salário-maternidade, o auxílio-acidente, a pensão por morte, o auxílio-reclusão, o abono anual e os serviços de reabilitação profissional. Cada benefício possui critérios específicos de concessão e condições de manutenção. a) Auxílio por Incapacidade Temporária 1. Evento Determinante: THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 93 O auxílio é concedido ao segurado incapacitado para o trabalho ou atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos. A incapacidade deve ser comprovada por avaliação médico-pericial. 2. Beneficiários: Todos os segurados têm direito ao benefício, exceto se a incapacidade for preexistente à filiação ao RGPS, salvo nos casos de progressão ou agravamento de doenças. Carência • Regra Geral: 12 contribuições mensais. • Exceções (carência zero): o Acidentes de qualquer natureza. o Doenças profissionais ou relacionadas ao trabalho. o Doenças listadas pelo Ministério da Saúde e Previdência Social. Renda Mensal • Base de cálculo: 91% do salário de benefício (média aritmética dos salários de contribuição desde julho de 1994). • Valor mínimo: 1 salário-mínimo (exceto em atividades concomitantes). • Limitação: Média dos últimos 12 salários de contribuição. Início do Pagamento • Empregados: A partir do 16º dia de afastamento (os primeiros 15 dias são pagos pela empresa). • Demais segurados: Desde o início da incapacidade, se requerida até 30 dias após. Cessação O benefício cessa pela recuperação da capacidade laboral, concessão de aposentadoria ou auxílio- acidente. b) Salário-Família Evento Determinante: Pago mensalmente ao segurado empregado, doméstico ou trabalhador avulso considerado de baixa renda (remuneração ≤ R$ 1.819,26), com filhos ou dependentes de até 14 anos ou inválidos. Beneficiários: Apenas segurados empregados, domésticos e trabalhadores avulsos. Carência: Não há carência para concessão. Renda Mensal: R$ 62,04 por dependente. Cessação: • Morte do dependente. • Quando o dependente atinge 14 anos (salvo invalidez). • Recuperação da capacidade do dependente inválido. Observações: A comprovação de vacinação e frequência escolar é obrigatória para manutenção do benefício. THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 94 c) Salário-Maternidade Evento Determinante: • Parto (inclusive natimorto). • Aborto não criminoso. • Adoção ou guarda judicial para fins de adoção de crianças até 12 anos. Beneficiários: Todas as seguradas, incluindo contribuintes individuais, facultativas e especiais. Carência: • 10 meses de contribuição para contribuintes individuais, facultativos e especiais. • Isenção para seguradas empregadas e avulsas. Renda Mensal: • Para empregadas: Igual à remuneração integral. • Para contribuintes individuais e especiais: Média das 12 últimas contribuições. Duração: • Parto e adoção: 120 dias. • Aborto não criminoso: 14 dias. Condições: O afastamento das atividades é obrigatório para percepção do benefício. d) Auxílio-Acidente Evento Determinante: Concedido ao segurado que, após acidente de qualquer natureza, apresente redução permanente da capacidade para o trabalho. Beneficiários: Segurados empregados, avulsos e especiais. Carência: Não há carência para concessão. Renda Mensal: 50% do salário de benefício. Cessação: Cessa com a aposentadoria. e) Pensão por Morte Evento Determinante: Morte do segurado, independentemente do cumprimento da carência. Beneficiários: Dependentes de três classes, conforme hierarquia: 1. Cônjuge/companheiro e filhos menores de 21 anos ou inválidos. 2. Pais. 3. Irmãos menores de 21 anos ou inválidos. Renda Mensal: 60% do valor da aposentadoria ou salário de benefício, acrescido de 10% por dependente adicional, até o limite de 100%. Duração: Variável conforme a idade do dependente e o tempo de contribuição do segurado. THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 95 f) Auxílio-Reclusão Evento Determinante: Reclusão do segurado de baixa renda (salário ≤ R$ 1.819,26). Beneficiários: Dependentes do segurado. Carência: Não há carência para concessão. Renda Mensal: Segue as regras da pensão por morte. Cessação: Fim da reclusão ou mudança do regime para aberto. g) Abono Anual O abono anual, ou 13º salário, é pago aos beneficiários que recebem benefícios previdenciários de natureza continuada durante o ano. Ele corresponde a um valor proporcional ao benefício recebido. h) Habilitação e Reabilitação Profissional Serviço prestado pelo INSS para readaptar segurados incapacitados, parcial ou totalmente, para o trabalho. Não há carência para usufruir desses serviços. THIAGO S. DIAS DEMAIS BENEFÍCIOS DO RGPS • 9 96 THIAGO S. DIAS OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 10 97 O sistema de seguridade social brasileiro, ancorado na Constituição Federal, compreende a previdência social como um de seus pilares fundamentais, garantindo direitos aos segurados em situações de necessidade. Dentro desse sistema, a compreensão das regras relativas ao reconhecimentode tempo de contribuição, contagem recíproca, justificação administrativa, acumulação de benefícios, entre outros aspectos, é essencial para a aplicação e o entendimento correto da legislação previdenciária. 1. RECONHECIMENTO DO TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO 1.1. Conceito O reconhecimento do tempo de contribuição assegura ao segurado o direito de computar períodos laborados sob o amparo da previdência social, mesmo que o recolhimento das contribuições não tenha sido efetivado no momento oportuno. Esse reconhecimento pode ser requerido a qualquer momento, mas é fundamental que a comprovação do exercício da atividade remunerada seja acompanhada do respectivo pagamento das contribuições para que o período seja validado para benefícios. 1.2. Indenização A indenização é um mecanismo utilizado para regularizar períodos laborados em que não houve recolhimento obrigatório à previdência. Essa situação ocorre frequentemente em períodos anteriores à obrigatoriedade de filiação ao sistema. 1.3. Retroação da data de início das contribuições (DIC) A retroação da DIC permite ao segurado que iniciou atividades remuneradas antes de se filiar ao RGPS regularizar o período mediante o pagamento das contribuições retroativas. Essa prática é essencial para situações em que o segurado deseja antecipar a aposentadoria ou alcançar uma renda mensal mais vantajosa. 2. CONTAGEM RECÍPROCA DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO A contagem recíproca é um instituto que assegura a soma de períodos de contribuição realizados em diferentes regimes previdenciários, como o RGPS e os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Esse mecanismo é crucial para garantir que segurados que transitem entre os regimes não percam o tempo já contribuído. 2.1. Regras para Contagem Recíproca • A compensação financeira entre os regimes garante que o tempo seja utilizado para concessão de benefícios no regime de destino. • Períodos de atividades especiais (com agentes nocivos) não podem ser convertidos para tempo comum no contexto da contagem recíproca. • Não é permitido somar períodos concomitantes entre diferentes regimes. Exemplo: Um trabalhador que contribuiu por 15 anos ao RGPS e passou a ser servidor público pode 10 OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS THIAGO S. DIAS OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 10 98 utilizar esse tempo no RPPS, desde que obtenha uma Certidão de Tempo de Contribuição (CTC) emitida pelo INSS e recolha os valores necessários para regularização. 3. JURISPRUDÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Tema 609, determinou que o tempo de trabalho rural anterior a 1991 só será computado na contagem recíproca mediante o pagamento da indenização correspondente. Esse entendimento reforça a necessidade de custeio para a utilização de períodos laborados em diferentes regimes. 4. JUSTIFICAÇÃO ADMINISTRATIVA 4.1. Conceito e Finalidade A justificação administrativa (JA) é um procedimento que visa suprir a ausência ou insuficiência de documentos comprobatórios de fatos ou períodos laborais de interesse do segurado perante o INSS. Trata- se de um mecanismo essencial para garantir direitos previdenciários em situações excepcionais. 4.2. Regras para admissibilidade • A JA só é aceita quando existe início de prova material contemporânea dos fatos alegados. • Não será admitida quando a comprovação exigir registro público, como certidões de nascimento, casamento ou óbito. Exemplo: Um segurado que necessita comprovar vínculo empregatício de um período que não consta nos registros do INSS pode recorrer à JA, desde que apresente provas materiais complementadas por depoimentos testemunhais. 5. ACUMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS 5.1. Regras Gerais A legislação previdenciária estabelece situações em que é vedada a acumulação de benefícios. Entre as vedações mais comuns estão: • Aposentadoria com auxílio por incapacidade temporária. • Salário-maternidade com auxílio por incapacidade. • Mais de uma pensão por morte deixada por cônjuge ou companheiro. 5.2. Exceções É possível acumular pensão por morte de regimes distintos (RGPS e RPPS) ou combinar pensão por morte com aposentadoria. Contudo, a EC 103/2019 trouxe restrições adicionais, limitando o valor acumulado de benefícios, aplicando redutores progressivos para benefícios excedentes. Exemplo de Redutor: Um segurado que recebe uma pensão por morte de R$ 3.000 e uma aposentadoria de R$ 4.000 terá a pensão reduzida conforme as faixas estabelecidas, com percentual variável a partir do valor de um salário-mínimo. 6. RESUMO ESQUEMATIZADO PARA RELEMBRAR OS ÚLTIMOS TÓPICOS ESSENCIAS AO CONCURSEIRO THIAGO S. DIAS OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 10 99 1. Normas de Arrecadação no RGPS Responsabilidade pelo Recolhimento • Empresas: o Recolhem as contribuições de seus empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. o A responsabilidade inclui o desconto na remuneração dos segurados empregados e o recolhimento de sua parte (patronal). • Segurado Facultativo e Individual: o Fazem o recolhimento diretamente ao INSS. Prazo para Recolhimento • Segurados Facultativos e Individuais: Até o dia 15 do mês seguinte. • Empresas: Até o dia 20 do mês seguinte. Se não houver expediente bancário, o pagamento deve ser antecipado para o dia útil anterior. Consequências do Recolhimento em Atraso • Multa de Mora: o 0,33% por dia de atraso, limitada a 20% do total devido. • Juros: o Calculados com base na taxa SELIC acumulada. 2. Responsabilidade Solidária no Direito Previdenciário Situações de Responsabilidade Solidária 1. Grupos Econômicos: o Empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico respondem solidariamente por débitos previdenciários. o Aplica-se tanto a grupos formais (societários) quanto a grupos de fato. 2. Cessão de Mão de Obra e Empreitada: o Quando há cessão de trabalhadores ou execução de obra, a empresa contratante é solidária pelas contribuições devidas. o Retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal para antecipação do recolhimento. 3. Construção Civil: o Incorporadores e donos de obra também compartilham a responsabilidade pelos débitos previdenciários relacionados às atividades realizadas. Decadência e Prescrição • Decadência: o O prazo para constituir o crédito tributário é de 5 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. • Prescrição: THIAGO S. DIAS OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 10 100 o O prazo para cobrar judicialmente o débito é de 5 anos, contados da constituição definitiva do crédito. 3. Dependentes no RGPS Classificação dos Dependentes 1. Classe I (Preferencial): o Cônjuge ou companheiro(a). o Filhos menores de 21 anos, inválidos ou com deficiência grave. 2. Classe II: o Pais. 3. Classe III: o Irmãos não emancipados menores de 21 anos ou inválidos. Comprovação de Dependência • Para dependentes da Classe I, a dependência econômica é presumida. • Para dependentes das Classes II e III, a comprovação de dependência econômica é obrigatória. Menor sob Guarda • Após a EC 103/2019, o menor sob guarda deixou de ser considerado dependente do RGPS, salvo para benefícios iniciados antes da reforma ou com respaldo judicial. Perda da Qualidade de Dependente • Cônjuge: Separação ou divórcio sem obrigação de alimentos. • Filhos e Irmãos: Atingem 21 anos (salvo invalidez). • Qualquer Dependente: Recuperação da capacidade em caso de invalidez. 4. Aposentadorias no RGPS Aposentadoria Programada • Idade Mínima: o 65 anos (homens) e 62 anos (mulheres). • Tempo de Contribuição: o 20 anos (homens) e 15 anos (mulheres). Aposentadoria por Incapacidade Permanente • Destinada ao segurado incapaz de exercer qualquer atividade laboral e sem possibilidade de reabilitação. • Valor: o 60% dosalário de benefício, acrescido de 2% por ano que exceda 20 anos (homens) ou 15 anos (mulheres). o Nos casos de acidente de trabalho ou doença profissional, o valor é de 100% do salário de benefício. THIAGO S. DIAS OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 10 101 Aposentadoria Especial • Para trabalhadores expostos a agentes nocivos. • Tempo de contribuição: o 15, 20 ou 25 anos, conforme o grau de insalubridade. • Valor: o 100% do salário de benefício. 5. Benefícios do RGPS Auxílio por Incapacidade Temporária • Concedido ao segurado que está incapacitado para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos. • Valor: o 91% do salário de benefício. • Carência: o 12 contribuições, salvo em casos de acidente ou doenças graves. Salário-Maternidade • Benefício concedido à segurada em caso de parto, adoção ou aborto não criminoso. • Duração: o 120 dias para parto ou adoção. • Valor: o Igual à remuneração integral da segurada empregada. Pensão por Morte • Concedida aos dependentes do segurado falecido. • Valor: o 60% do salário de benefício, acrescido de 10% por dependente adicional, até o limite de 100%. 6. Outras Questões Relativas aos Benefícios Reconhecimento do Tempo de Contribuição • Permite regularizar períodos laborados sem recolhimento, mediante pagamento retroativo. Contagem Recíproca • Soma do tempo de contribuição realizado no RGPS e em outros regimes, como os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Acumulação de Benefícios • Vedações: o Auxílio por incapacidade temporária com aposentadoria. o Mais de uma pensão por morte deixada por cônjuge ou companheiro. THIAGO S. DIAS OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 10 102 • Permissões: o Aposentadoria com pensão por morte, respeitando os redutores trazidos pela EC 103/2019. THIAGO S. DIAS OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS • 10 103 THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 104 Os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) são um pilar essencial para garantir a proteção social dos servidores públicos titulares de cargos efetivos no Brasil. Regulamentados pelo artigo 40 da Constituição Federal de 1988, esses regimes proporcionam aposentadorias e pensões por morte, em conformidade com o princípio da contributividade e solidariedade. Com as reformas previdenciárias mais recentes, especialmente a Emenda Constitucional nº 103/2019, houve mudanças significativas nas regras aplicáveis aos RPPS, restringindo os benefícios oferecidos e alterando as condições de concessão. Essa emenda limitou os benefícios dos RPPS às aposentadorias e à pensão por morte, delegando aos entes federativos a responsabilidade pelo pagamento de benefícios temporários, como salário-maternidade e afastamentos por incapacidade. Além disso, os RPPS estão sob a égide de normas gerais estabelecidas pela União, conforme determina o artigo 24, inciso XII, da Constituição. A competência concorrente permite que Estados e Municípios legislem suplementarmente, sempre respeitando as diretrizes nacionais. No entanto, após a EC nº 103/2019, a criação de novos RPPS foi proibida, visando à consolidação dos regimes existentes e à promoção de seu equilíbrio financeiro e atuarial. 1. A LEI Nº 9.717/1998 E OS FUNDAMENTOS DO RPPS A Lei nº 9.717/1998, que regula os RPPS, foi recepcionada como lei complementar pela EC nº 103/2019. Essa legislação estabelece as bases organizacionais e de funcionamento dos regimes, destacando a obrigatoriedade de avaliações atuariais periódicas, equilíbrio financeiro e limites claros para a aplicação de recursos. A previdência complementar é um sistema adicional ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Seu objetivo é proporcionar um suporte financeiro complementar à aposentadoria, garantindo maior estabilidade econômica. Com duas modalidades principais — aberta e fechada —, a previdência complementar atende desde trabalhadores do setor privado até servidores públicos. 1.1. Modalidades • Previdência Aberta: Acessível a qualquer pessoa física, geralmente administrada por bancos e seguradoras sob supervisão da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). • Previdência Fechada: Voltada a grupos específicos, como empregados de uma empresa ou membros de associações profissionais, regulamentada pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC). A previdência complementar funciona de forma autônoma em relação ao RGPS, é facultativa e opera com base na constituição de reservas que garantam os benefícios contratados. A norma também reforça a responsabilidade dos entes federativos em cobrir déficits financeiros do RPPS e determina que os recursos previdenciários sejam exclusivamente destinados ao pagamento de benefícios e despesas administrativas previstas. Após a reforma, a vedação à criação de novos regimes tornou-se explícita, com normas detalhadas para a migração de segurados para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), em caso de extinção de um RPPS. A Constituição Federal de 1988, em seus artigos 40 e 202, regula a previdência complementar, estabelecendo sua relação com o regime público de previdência. As Leis Complementares nº 108/2001 e 11 REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS) THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 105 109/2001 regulamentam, respectivamente, os regimes de previdência para servidores públicos e trabalhadores do setor privado. 1.2. Regras gerais 1. Natureza Complementar: O regime não é obrigatório, mas deve garantir transparência e solvência financeira. 2. Apoio Público Limitado: Os entes públicos, enquanto patrocinadores, não podem contribuir com valores superiores aos aportados pelos segurados. 2. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS NO RPPS A EC nº 103/2019 redefiniu o escopo dos benefícios previdenciários no âmbito dos RPPS, restringindo-os às aposentadorias e pensões por morte. A concessão de outros benefícios, como pecúlio ou auxílio-reclusão, foi excluída. 2.1. Aposentadoria no RPPS Os servidores públicos agora devem cumprir critérios mais rigorosos para se aposentarem. No caso de servidores federais: • A idade mínima é de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. • É necessário ter pelo menos 25 anos de contribuição, com 10 anos de serviço público e 5 anos no cargo efetivo. A aposentadoria compulsória continua sendo concedida aos 75 anos, conforme a Lei Complementar nº 152/2015. Para servidores estaduais e municipais, as regras permanecem as anteriores à reforma, até que sejam feitas alterações nas legislações locais. 2.2. Aposentadorias diferenciadas Existem categorias específicas, como servidores com deficiência e aqueles expostos a condições prejudiciais à saúde, que têm regras próprias para aposentadoria. Essas normas exigem regulamentação por lei complementar, tornando a aplicação prática desses benefícios limitada. 3. ESTRUTURA DE CUSTEIO E GOVERNANÇA DOS RPPS O financiamento dos RPPS é uma responsabilidade compartilhada entre servidores e entes federativos. A lei exige que: • A contribuição patronal não seja inferior à do servidor ativo. • Déficits sejam cobertos pelos entes federativos. Além disso, a EC nº 103/2019 introduziu a possibilidade de alíquotas diferenciadas nos estados e municípios, desde que comprovem a ausência de déficits atuariais. Esse novo modelo visa oferecer maior flexibilidade, mas também exige maior rigor na gestão fiscal e atuarial. Governança: Os dirigentes dos RPPS precisam atender a critérios rigorosos, como formação em áreas relacionadas e certificação específica. O objetivo é garantir que os regimes sejam administrados com transparência e eficiência, evitando irregularidades que comprometam a sustentabilidade.4. REGRAS DE TRANSIÇÃO E IMPACTOS ATUAIS THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 106 Para garantir a segurança jurídica dos servidores que já estavam vinculados aos RPPS antes da EC nº 103/2019, foram implementadas regras de transição. Esses mecanismos permitem que os servidores alcancem os requisitos para aposentadoria com base em critérios anteriores, mediante pedágios ou condições específicas. Extinção e Migração: A extinção de um RPPS exige que o ente federativo assuma integralmente os compromissos financeiros do regime, incluindo o pagamento de benefícios concedidos. Recursos excedentes devem ser direcionados exclusivamente para finalidades previdenciárias, resguardando os direitos dos segurados. 5. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DOS SERVIDORES PÚBLICOS 5.1. Funpresp e a Lei nº 12.618/2012 Com a Lei nº 12.618/2012, a União criou o regime de previdência complementar para servidores públicos federais, limitando os benefícios do RPPS ao teto do RGPS. Servidores que desejam uma renda superior ao teto devem aderir voluntariamente a planos administrados pelas entidades Funpresp-Exe, Funpresp-Leg e Funpresp-Jud. 5.2. Contribuição e Adesão • Para servidores ingressantes após a vigência do regime, a inscrição no plano é automática, mas o cancelamento pode ser solicitado. • Para os servidores antigos, a adesão é facultativa e ocorre mediante prévia opção. 5.3. Entidades abertas e fechadas • Abertas: Operam planos de benefícios individuais ou coletivos e são acessíveis a qualquer pessoa física. • Fechadas: Exclusivas para grupos específicos, como empregados de empresas ou associados de entidades profissionais. Ambas as modalidades são reguladas por órgãos como SUSEP e PREVIC, garantindo controle rigoroso. 6. INSTITUTOS DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Benefício Proporcional Diferido: Permite ao participante receber benefícios futuros proporcionais às contribuições realizadas, mesmo após o término do vínculo empregatício. Portabilidade: Faculta ao segurado transferir os recursos acumulados para outro plano, sem caracterizar resgate. Resgate: Disponível em caso de desligamento do plano, permitindo ao segurado recuperar as contribuições vertidas, descontadas as despesas administrativas. Autopatrocínio: Garante a manutenção do plano pelo próprio participante, que assume as contribuições do patrocinador e do segurado. 7. INTERVENÇÃO E LIQUIDAÇÃO Intervenção: Ocorrerá quando houver desequilíbrio financeiro ou atuarial em uma entidade de previdência. O objetivo é reestabelecer a regularidade das operações. Liquidação Extrajudicial: Será decretada quando a entidade não tiver condições de funcionamento. THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 107 Nesse caso, os ativos serão destinados a cobrir as obrigações pendentes. 8. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O REGIME DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR A jurisprudência sobre o regime de previdência complementar é um aspecto essencial para a compreensão e aplicação prática dessa modalidade previdenciária. Por ser um sistema regido por princípios de autonomia e regulação específica, os tribunais superiores têm desempenhado um papel decisivo na interpretação de conflitos e na consolidação de entendimentos que orientam a administração das entidades complementares e a proteção dos direitos dos participantes. 8.1. Principais jurisprudências do Supremo Tribunal Federal (STF) Autonomia do Regime de Previdência Complementar: O STF reitera em diversas decisões que o regime de previdência complementar é independente dos regimes básicos (RGPS e RPPS). Ele opera de maneira autônoma, baseado na constituição de reservas que garantam os benefícios contratados. A filiação a esse regime é facultativa e decorre de um contrato civil estabelecido entre o participante e a entidade administradora. Vedação à Intervenção Estatal Indevida: O Supremo também se posicionou sobre a impossibilidade de intervenção estatal excessiva na administração das entidades de previdência complementar. Essa vedação decorre da necessidade de preservar a natureza privada e contratual do regime, garantindo a gestão eficiente e a segurança dos planos de benefício. Contribuições e Contratos: Em outra decisão importante, o STF definiu que as contribuições realizadas por empregadores e empregados para as entidades fechadas de previdência complementar não integram a remuneração para fins de cálculo de encargos trabalhistas ou previdenciários. Essa interpretação reforça o caráter específico e separado dessas contribuições em relação aos salários e à remuneração regular. 8.2. Principais jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Proteção dos Participantes: O STJ tem enfatizado a proteção dos participantes e assistidos nos planos de previdência complementar. Uma decisão recorrente envolve a obrigatoriedade de as entidades fornecerem informações claras e detalhadas sobre a gestão dos recursos e a situação atuarial dos planos. A transparência é vista como um direito fundamental dos participantes, sendo essencial para o acompanhamento e controle social das entidades. Resgate e Portabilidade: O tribunal também consolidou entendimentos sobre o direito ao resgate e à portabilidade dos recursos acumulados nos planos de previdência complementar. É garantido ao participante, ao se desligar da entidade patrocinadora, transferir seus recursos para outra entidade ou resgatar os valores acumulados, respeitando as condições contratuais previamente pactuadas. Competência para Julgar Conflitos: O STJ reafirmou que as disputas envolvendo entidades de previdência complementar devem ser processadas na Justiça Comum, e não na Justiça do Trabalho, salvo quando o conflito estiver relacionado diretamente ao contrato de trabalho. Essa posição é fundamental para a organização e especialização do julgamento dessas questões. 8.3.Impactos da jurisprudência no regime complementar Transparência e Governança: As decisões judiciais têm um impacto direto na governança das entidades de previdência complementar. A exigência de transparência e a garantia do acesso dos participantes às informações de gestão reforçam a confiança no sistema e incentivam boas práticas de administração. Equilíbrio Financeiro e Atuarial: Os julgados também fortalecem a preocupação com o equilíbrio financeiro e atuarial dos planos. Qualquer medida que comprometa a sustentabilidade dos planos de THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 108 benefícios pode gerar prejuízos irreparáveis aos participantes e assistidos, motivo pelo qual o Judiciário atua com rigor para prevenir e corrigir desvios. 9. QUESTÕES RELEVANTES EM DEBATE 9.1. Natureza jurídica das contribuições Embora a jurisprudência tenha consolidado a autonomia das contribuições no regime complementar, debates continuam a surgir sobre a sua natureza jurídica e as implicações tributárias. 9.2. Conflitos sobre benefícios Outro tema recorrente envolve disputas relacionadas ao cálculo dos benefícios nos planos de contribuição definida e benefício definido. A definição dos critérios para os valores a serem pagos é frequentemente questionada, exigindo intervenções judiciais para interpretação das regras contratuais. A jurisprudência desempenha um papel crucial na consolidação e funcionamento do regime de previdência complementar no Brasil. Decisões dos tribunais superiores não apenas solucionam conflitos individuais, mas também estabelecem diretrizes fundamentais para a administração das entidades e a proteção dos direitos dos participantes. Para acadêmicos e profissionais da área, o estudo contínuo desses entendimentos é indispensável, pois eles moldam o futuro do regime e sua adaptação às novas demandas sociais e econômicas. Logo, a jurisprudência previdenciária é o conjunto de decisões judiciais que interpretam e aplicam as normas do direito previdenciário. No Brasil, ela desempenhaum papel fundamental no desenvolvimento e uniformização das práticas jurídicas relacionadas à proteção social, influenciando diretamente a relação entre segurados, instituições previdenciárias e o próprio sistema judicial. Os tribunais superiores, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), assumem protagonismo ao consolidar entendimentos em matérias previdenciárias, como aposentadorias, pensões por morte, benefícios por incapacidade e aspectos contributivos. Com a evolução legislativa e jurisprudencial, questões como tempo especial, revisão de benefícios e incidência de contribuições sociais têm sido amplamente debatidas, gerando impacto significativo na vida dos segurados e no equilíbrio financeiro do sistema previdenciário. 10. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE JURISPRUDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA 10.1. A Importância da jurisprudência No direito previdenciário, a jurisprudência exerce um papel essencial ao interpretar normas de caráter público que afetam diretamente milhões de brasileiros. Essa área do direito lida com questões como proteção social, dignidade da pessoa humana e equilíbrio financeiro do sistema. Os conflitos, muitas vezes, envolvem a aplicação de regras complexas e lacunas legislativas, exigindo uma atuação decisiva dos tribunais para uniformizar entendimentos. 10.2. Fontes da jurisprudência A jurisprudência previdenciária brasileira tem como principais fontes as decisões do STF e do STJ: 1. STF: Atua como guardião da Constituição, analisando temas de repercussão geral e questões que envolvem direitos fundamentais. 2. STJ: Uniformiza a interpretação da legislação infraconstitucional, decidindo sobre aspectos técnicos e administrativos do direito previdenciário. THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 109 Além disso, tribunais regionais federais (TRFs) desempenham um papel relevante em conflitos previdenciários, especialmente em matéria de benefícios e revisões. 11. SÚMULAS E PRECEDENTES VINCULANTES 11.1. Súmulas vinculantes e Não vinculantes As súmulas são importantes instrumentos de uniformização jurisprudencial. No âmbito previdenciário, elas esclarecem pontos controversos e orientam juízes e advogados. Entre as súmulas vinculantes relevantes, destaca-se a Súmula Vinculante nº 8, que trata da decadência e prescrição de créditos tributários e previdenciários. Já as súmulas não vinculantes, editadas pelo STJ, possuem caráter orientador. Um exemplo relevante é a Súmula nº 85, que determina que as prestações vencidas em benefícios continuados são pagáveis somente nos últimos cinco anos antes da propositura da ação judicial. 11.2. Precedentes vinculantes Precedentes vinculantes, especialmente os oriundos do STF e STJ, têm impacto profundo na jurisprudência previdenciária. Decisões em repercussão geral e recursos repetitivos ajudam a reduzir a litigiosidade ao estabelecer parâmetros claros para casos futuros. Por exemplo: • O Tema 709 do STF decidiu que o segurado aposentado pode continuar trabalhando em atividades insalubres sem necessidade de renúncia ao benefício. Esses precedentes oferecem previsibilidade e estabilidade ao sistema previdenciário. 12. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS EM DEBATE 12.1. Aposentadorias As aposentadorias são o foco de inúmeros debates jurisprudenciais, sobretudo em relação a: • Conversão de tempo especial em comum: Decisões recentes reafirmaram o direito à conversão mesmo após alterações legislativas restritivas. • Aposentadoria especial: A jurisprudência reconhece a proteção ampliada a segurados expostos a agentes nocivos, consolidando o direito ao benefício quando comprovada a exposição habitual. 12.2. Pensão por morte O benefício de pensão por morte gera discussões sobre o conceito de dependência econômica e requisitos para concessão. Um caso emblemático foi o reconhecimento do direito ao benefício para companheiros(as) homoafetivos(as), refletindo uma evolução social e jurisprudencial. 12.3. Benefícios por incapacidade Os benefícios por incapacidade, como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, são frequentemente analisados sob a ótica do nexo causal e da incapacidade parcial ou total. O STJ decidiu que o segurado tem direito ao benefício mesmo quando sua incapacidade decorre de doença preexistente agravada durante a filiação ao RGPS. 13. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E O PAPEL DOS EMPREGADORES THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 110 Incidência sobre Verbas Trabalhistas: A jurisprudência tem papel central na definição das verbas trabalhistas que integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O Tema 20 do STF consolidou o entendimento de que a contribuição incide sobre todas as verbas habituais pagas ao empregado. Responsabilidade Solidária: O empregador é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias. A jurisprudência reforça a solidariedade do empregador no pagamento de valores devidos, mesmo quando não repassados ao INSS. 14. REVISÕES DE BENEFÍCIOS Revisão da Vida Toda: A "Revisão da Vida Toda" é um tema relevante e polêmico. Decisões recentes reconheceram o direito do segurado ao recálculo do benefício utilizando toda a sua vida contributiva, e não apenas os salários de contribuição posteriores a 1994. Reajustes e Correções: Outro aspecto frequentemente judicializado são os índices de reajuste aplicáveis aos benefícios previdenciários, como a atualização monetária de atrasados por índices oficiais. 15. QUESTÕES ESPECÍFICAS E DECISÕES RECENTES Tempo Rural e Tempo Especial: O reconhecimento do tempo de serviço rural, especialmente na condição de segurado especial, é objeto de análise frequente. Decisões destacam a importância de provas materiais e testemunhais para validar esses períodos. Impacto da Reforma da Previdência: A Emenda Constitucional nº 103/2019 trouxe mudanças significativas, gerando novos debates sobre a aplicabilidade de regras de transição e o impacto nos direitos adquiridos. THIAGO S. DIAS REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL • 11 111 THIAGO S. DIAS JURISPRUDÊNCIA EM ANÁLISE • 12 112 1. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF Súmulas Vinculantes: • Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. • Súmula Vinculante 33: Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral da previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica. • Súmula Vinculante 53: A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela homologados. Súmulas: • Súmula 207: As gratificações habituais, inclusive a de Natal, consideram-se tacitamente convencionadas, integrando o salário. • Súmula 241: A contribuição previdenciária incide sobre o abono incorporado ao salário. • Súmula 371: Ferroviário, que foi admitido como servidor autárquico, não tem direito a dupla aposentadoria. • Súmula 466: Não é inconstitucional a inclusão de sócios e administradores de sociedades e titulares de firmas individuais como contribuintes obrigatórios da previdência social. • Súmula 688: É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário. 2. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ • Súmula 15: Compete à Justiça Estadual processar e julgar os litígios decorrentes de acidente do trabalho • Súmula 44: A definição, em ato regulamentar, de grau mínimo de disacusia, não exclui, por si só, aconcessão do benefício previdenciário.• Súmula 89: A ação acidentária prescinde do exaurimento da via administrativa. • Súmula 111: Os honorários advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as prestações vencidas após a sentença. • Súmula 146: O segurado, vítima de novo infortúnio, faz jus a um único benefício somado ao salário de contribuição vigente no dia do acidente. • Súmula 148: Os débitos relativos a benefício previdenciário, vencidos e cobrados em juízo após a vigência da Lei nr. 6.899/81, devem ser corrigidos monetariamente na forma prevista nesse diploma legal. • Súmula 149: A prova exclusivamente testemunhal não basta a comprovação da atividade rurícola, para efeito da obtenção de benefício previdenciário. 12 JURISPRUDÊNCIA EM ANÁLISE THIAGO S. DIAS JURISPRUDÊNCIA EM ANÁLISE • 12 113 • Súmula 204: Os juros de mora nas ações relativas a benefícios previdenciários incidem a partir da citação válida. • Súmula 226: O Ministério Público tem legitimidade para recorrer na ação de acidente do trabalho, ainda que o segurado esteja assistido por advogado. • Súmula 242: Cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins previdenciários. • Súmula 272: O trabalhador rural, na condição de segurado especial, sujeito à contribuição obrigatória sobre a produção rural comercializada, somente faz jus à aposentadoria por tempo de serviço, se recolher contribuições facultativas. • Súmula 289: A restituição das parcelas pagas a plano de previdência privada deve ser objeto de correção plena, por índice que recomponha a efetiva desvalorização da moeda. • Súmula 290: Nos planos de previdência privada, não cabe ao beneficiário a devolução da contribuição efetuada pelo patrocinador. • Súmula 291: A ação de cobrança de parcelas de complementação de aposentadoria pela previdência privada prescreve em cinco anos. • Súmula 310: O auxílio-creche não integra o salário-de-contribuição. • Súmula 336: A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente. • Súmula 340: A lei aplicável à concessão de pensão previdenciária por morte é aquela vigente na data do óbito do segurado. • Súmula 351: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro • Súmula 416: É devida a pensão por morte aos dependentes do segurado que, apesar de ter perdido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para a obtenção de aposentadoria até a data do seu óbito. • Súmula 427: A ação de cobrança de diferenças de valores de complementação de aposentadoria prescreve em cinco anos contados da data do pagamento. • Súmula 456: É incabível a correção monetária dos salários de contribuição considerados no cálculo do salário de benefício de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, pensão ou auxílio-reclusão concedidos antes da vigência da CF/1988. • Súmula 505: A competência para processar e julgar as demandas que têm por objeto obrigações decorrentes dos contratos de planos de previdência privada firmados com a Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social - REFER é da Justiça estadual. • Súmula 507: A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a lesão incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, observado o critério do art. 23 da Lei n. 8.213/1991 para definição do momento da lesão nos casos de doença profissional ou do trabalho. • Súmula 557: A renda mensal inicial (RMI) alusiva ao benefício de aposentadoria por invalidez precedido de auxílio-doença será apurada na forma do art. 36, § 7º, do Decreto n. 3.048/1999, observando-se, porém, os critérios previstos no art. 29, § 5º, da Lei n. 8.213/1991, quando intercalados períodos de afastamento e de atividade laboral. • Súmula 563: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de previdência THIAGO S. DIAS JURISPRUDÊNCIA EM ANÁLISE • 12 114 complementar, não incidindo nos contratos previdenciários celebrados com entidades fechadas. • Súmula 576: Ausente requerimento administrativo no INSS, o termo inicial para a implantação da aposentadoria por invalidez concedida judicialmente será a data da citação válida. • Súmula 577: É possível reconhecer o tempo de serviço rural anterior ao documento mais antigo apresentado, desde que amparado em convincente prova testemunhal colhida sob o contraditório. • Súmula 657: Atendidos os requisitos de segurada especial no RGPS e do período de carência, a indígena menor de 16 anos faz jus ao salário-maternidade. 115 ÍNDEX ADIs ADI 4878 ADI 5083 CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS Constituição Federal de 1988 DECRETOS Decreto nº 3.724/1919 Decreto nº 4.682/1923 Decreto nº 3.048/1999 Decreto nº 7.054/2009 Decreto nº 10.410/2020 EMENDAS CONSTITUCIONAIS EC nº 103/2019 EC nº 108/2020 LEIS Lei nº 6.439/1977 Lei nº 7.418/1985 Lei nº 8.029/1990 Lei nº 8.080/1990 Lei nº 8.212/1991 Lei nº 8.213/1991 Lei nº 8.742/1993 (LOAS) Lei nº 9.528/1997 Lei nº 9.711/1998 Lei nº 9.717/1998 Lei nº 9.876/1999 Lei nº 10.101/2000 Lei Complementar nº 108/2001 Lei Complementar nº 109/2001 Lei nº 10.522/2002 Lei nº 10.891/2004 Lei nº 11.788/2008 Lei nº 12.618/2012 Lei nº 12.869/2013 Lei nº 12.871/2013 Lei Complementar nº 150/2015 Lei nº 13.146/2015 Lei nº 13.467/2017 Lei nº 13.958/2019 Lei nº 14.020/2020 Lei nº 14.176/2021 RECURSO ESPECIAL REsp 1112552/SP REsp 1112557/RS REsp 1355052/SP REsp 1417520/SP RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 569441 RE 576967 (Tema 72) TEMA Tema 609 Tema 709 SÚMULAS JURISPRUDÊNCIAS DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO (TNU) Súmulas 48 Súmula 73 Súmula 78 Súmula 79 Súmula 80 SÚMULAS VINCULANTES (STF) Súmula Vinculante nº 8 Súmula Vinculante nº 33 Súmula Vinculante nº 53 116 SÚMULAS (STF) Súmula nº 207 Súmula nº 241 Súmula nº 371 Súmula nº 466 Súmula nº 688 Súmulas (STJ) Súmula nº 15 Súmula nº 44 Súmula nº 89 Súmula nº 111 Súmula nº 146 Súmula nº 148 Súmula nº 149 Súmula nº 204 Súmula nº 226 Súmula nº 242 Súmula nº 272 Súmula nº 289 Súmula nº 290 Súmula nº 291 Súmula nº 310 Súmula nº 336 Súmula nº 340 Súmula nº 351 Súmula nº 416 Súmula nº 427 Súmula nº 456 Súmula nº 505 Súmula nº 507 Súmula nº 557 Súmula nº 563 Súmula nº 576 Súmula nº 577 Súmula nº 657 THIAGO S. DIAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • 117 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMADO, Frederico. Curso de direito e Processo Previdenciário. 18. ed. rev., atual e ampl. São Paulo: Editora JusPodivm, 2024. AMADO, Ivan Frederico Kertzman. Estudos Aprofundados sobre a Reforma da Previdência. Salvador: JusPodium, 2020. BARROSO, Luís Roberto. Curso de direito constitucional contemporâneo: os conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. 5. ed. São Paulo: Saraiva 2015. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, [1988]. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 11 dez. 2024. BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1991. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em 11 dez. 2024. BRASIL. Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. Brasília, Presidência da República, 1999. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048.htm. Acesso em 08 dez. 2024. BRASIL. Decreto n° 10.410 de 10 de junho de 2020. Altera o Regulamentoda Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019- 2022/2020/decreto/d10410.htm#:~:text=D10410&text=Altera%20o%20Regulamento%20da%20Previd%C3 %AAncia,que%20lhe%20confere%20o%20art. Acesso em 02 dez. 2024. CASTRO, Carlos Alberto Pereira de. LAZZARI, João Batista. 16. ed. Manual de Direito Previdenciário. Rio de Janeiro: Forense, 2014 IBRAHIM, Fabio Zambitte. Curso de direito previdenciário. 23. ed. Rio de Janeiro. Impetus, 2018. MARTINEZ, Luciano. Reforma da Previdência: Emenda constitucional n. 103 de 12 de novembro de 2019. Entenda o que mudou. São Paulo: Saraiva, 2020. PISCITELLI, T. Direito financeiro esquematizado. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014 SAVARIS, José Antônio. Direito Processual Previdenciário. 3. ed. Curitiba: Juruá, 2011.1.2. Evento determinante ....................................................................................................................... 89 1.3. Beneficiários .................................................................................................................................... 89 1.4. Carência .......................................................................................................................................... 89 1.5. Cálculo e Renda mensal ................................................................................................................... 89 1.6. Data de início do pagamento ........................................................................................................... 90 1.7. Cessação e Condições ...................................................................................................................... 90 2. SALÁRIO-FAMÍLIA .................................................................................................................................... 90 2.1. Conceito e Importância .................................................................................................................... 90 2.2. Evento Determinante ....................................................................................................................... 90 2.3. Carência .......................................................................................................................................... 90 2.4. Cálculo e Pagamento ....................................................................................................................... 90 2.5. Condições para Manutenção ........................................................................................................... 91 2.6. Cessação .......................................................................................................................................... 91 3. SALÁRIO-MATERNIDADE ......................................................................................................................... 91 3.1. Conceito e Propósito ........................................................................................................................ 91 3.2. Evento Determinante ....................................................................................................................... 91 3.3. Beneficiários .................................................................................................................................... 91 3.4. Carência .......................................................................................................................................... 91 3.5. Cálculo e Duração ............................................................................................................................ 91 3.6. Condições ........................................................................................................................................ 92 4. PENSÃO POR MORTE ............................................................................................................................... 92 4.1. Finalidade ........................................................................................................................................ 92 4.2. Beneficiários .................................................................................................................................... 92 4.3. Renda Mensal .................................................................................................................................. 92 4.4. Duração ........................................................................................................................................... 92 5. CONCLUSÃO............................................................................................................................................ 92 6. RESUMO ESQUEMATIZADO ..................................................................................................................... 92 6.1. Demais benefícios do RGPS .............................................................................................................. 92 CAPÍTULO 10 - OUTRAS QUESTÕES RELATIVAS AOS BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS ..................................... 97 1. RECONHECIMENTO DO TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO ................................................................................. 97 1.1. Conceito .......................................................................................................................................... 97 1.2. Indenização ..................................................................................................................................... 97 1.3. Retroação da data de início das contribuições (DIC) ......................................................................... 97 2. CONTAGEM RECÍPROCA DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO ........................................................................... 97 2.1. Regras para Contagem Recíproca .................................................................................................... 97 3. JURISPRUDÊNCIA .................................................................................................................................... 98 4. JUSTIFICAÇÃO ADMINISTRATIVA ............................................................................................................. 98 4.1. Conceito e Finalidade ....................................................................................................................... 98 4.2. Regras para admissibilidade ............................................................................................................ 98 5. ACUMULAÇÃO DE BENEFÍCIOS ................................................................................................................ 98 5.1. Regras Gerais .................................................................................................................................. 98 5.2. Exceções .......................................................................................................................................... 98 6. RESUMO ESQUEMATIZADO PARA RELEMBRAR OS ÚLTIMOS TÓPICOS ESSENCIAS AO CONCURSEIRO ...... 98 CAPÍTULO 11 - REGIMES PRÓPRIOS DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS) .......................................................... 104 1. A LEI Nº 9.717/1998 E OS FUNDAMENTOS DO RPPS ............................................................................... 104 1.1. Modalidades .................................................................................................................................. 104 1.2. Regras gerais ................................................................................................................................. 105 2. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS NO RPPS................................................................................................ 105 2.1. Aposentadoria no RPPS .................................................................................................................. 105 2.2. Aposentadorias diferenciadas ........................................................................................................ 105 3. ESTRUTURA DE CUSTEIO E GOVERNANÇA DOS RPPS .............................................................................. 105 4. REGRAS DE TRANSIÇÃO E IMPACTOS ATUAIS ......................................................................................... 105 5. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DOS SERVIDORES PÚBLICOS................................................................. 106 5.1. Funpresp e a Lei nº 12.618/2012.................................................................................................... 106 5.2. Contribuição e Adesão ...................................................................................................................106 5.3. Entidades abertas e fechadas ........................................................................................................ 106 6. INSTITUTOS DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR .................................................................................... 106 7. INTERVENÇÃO E LIQUIDAÇÃO ............................................................................................................... 106 8. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O REGIME DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ................................................ 107 8.1. Principais jurisprudências do Supremo Tribunal Federal (STF) ........................................................ 107 8.2. Principais jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ...................................................... 107 8.3.Impactos da jurisprudência no regime complementar .................................................................... 107 9. QUESTÕES RELEVANTES EM DEBATE ..................................................................................................... 108 9.1. Natureza jurídica das contribuições ............................................................................................... 108 9.2. Conflitos sobre benefícios .............................................................................................................. 108 10. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE JURISPRUDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA ................................................... 108 10.1. A Importância da jurisprudência .................................................................................................. 108 10.2. Fontes da jurisprudência .............................................................................................................. 108 11. SÚMULAS E PRECEDENTES VINCULANTES ............................................................................................ 109 11.1. Súmulas vinculantes e Não vinculantes ........................................................................................ 109 11.2. Precedentes vinculantes............................................................................................................... 109 12. BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS EM DEBATE ......................................................................................... 109 12.1. Aposentadorias ............................................................................................................................ 109 12.2. Pensão por morte ........................................................................................................................ 109 12.3. Benefícios por incapacidade ......................................................................................................... 109 13. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E O PAPEL DOS EMPREGADORES .................................................. 109 14. REVISÕES DE BENEFÍCIOS .................................................................................................................... 110 15. QUESTÕES ESPECÍFICAS E DECISÕES RECENTES.................................................................................... 110 CAPÍTULO 12 - JURISPRUDÊNCIA EM ANÁLISE ............................................................................................. 112 1. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF .............................................................................................................. 112 2. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ ............................................................................................................ 112 ÍNDEX ........................................................................................................................................................... 115 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................... 117 THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 9 1. ORIGEM E CONCEITO DO DIREITO PREVIDENCIÁRIO O Direito Previdenciário é uma das disciplinas mais dinâmicas do ordenamento jurídico brasileiro, especialmente devido às constantes atualizações legais e normativas. Para uma preparação eficiente, é essencial compreender as normas que estruturam essa área, sua hierarquia e como elas se inter-relacionam. 1.1 Hierarquia das normas no direito previdenciário O estudo dessa disciplina começa pela análise das normas jurídicas que regem a matéria. Elas são hierarquicamente organizadas da seguinte forma: 1) Constituição Federal de 1988 (CF/1988): é a base do ordenamento jurídico, onde estão definidos os princípios fundamentais da seguridade social, incluindo saúde, assistência e previdência social. 2) Lei nº 8.212/1991 (Plano de Custeio da Seguridade Social): regula a arrecadação de recursos para financiar a seguridade social. 3) Lei nº 8.213/1991 (Plano de Benefícios da Previdência Social): estabelece as regras para concessão dos benefícios previdenciários. 4) Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social): detalha a aplicação das leis previdenciárias e serve como guia prático para administradores e operadores do direito. Essas normas possuem três características essenciais: Abstração: tratam de situações hipotéticas ou generalizadas, que só se concretizam mediante a ocorrência de fatos específicos. Generalidade: aplicam-se a destinatários indeterminados, abrangendo todos os sujeitos enquadrados nas hipóteses normativas. Imperatividade: possuem caráter coercitivo, exigindo seu cumprimento por todos os cidadãos e entes públicos. Uma das maiores dificuldades para os concurseiros está na constante mutabilidade do Direito Previdenciário, intensificada pela Reforma da Previdência (EC nº 103/2019). Essa emenda trouxe mudanças estruturais significativas, como: • Alterações nos requisitos para aposentadoria; • Criação de novas alíquotas de contribuição; • Revisão de benefícios como pensão por morte e auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença). Além disso, a reforma gerou incompatibilidades materiais entre normas infraconstitucionais (como as Leis nº 8.212/1991 e nº 8.213/1991) e a CF/1988, resultando na revogação implícita de dispositivos que não foram recepcionados pelo texto constitucional. Isso reforça a necessidade de estudar com materiais atualizados e fundamentados. Antes da publicação do Decreto nº 10.410/2020, o Decreto nº 3.048/1999, que regulamenta as leis previdenciárias, encontrava-se desatualizado. Isso criava insegurança jurídica, pois o regulamento não 1 SEGURIDADE SOCIAL PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 10 refletia as alterações legislativas recentes. Com o Decreto nº 10.410/2020, o Regulamento da Previdência Social foi ajustado às mudanças da EC nº 103/2019 e às leis básicas. Isso tornou o regulamento uma das fontes normativas mais confiáveis para o estudo, pois ele sintetiza e organiza as normas vigentes de forma prática. Qual a razão de um decreto regulamentar tal norma? Isso ocorre devido às disposições transitórias da EC nº 103/2019, que garantem validade às normas do decreto enquanto as leis básicas não são alteradas para incorporar integralmente as mudanças constitucionais. Esse uso de disposições transitórias demonstra a flexibilidade do sistema normativo para lidar com transições legislativas. ATENÇÃO Dicas de Estudo para Concurseiros 1. Foque na hierarquia normativa: compreenda como cada norma se relaciona e priorize o estudo da CF/1988, pois ela orienta todo o ordenamento. 2. Estude por temas: organize seu estudo em tópicos, como seguridade social, contribuições, benefícios e organização administrativa, para facilitar a assimilação do conteúdo. 3. Utilize o Regulamento atualizado: o Decreto nº 3.048/1999, revisado pelo Decreto nº 10.410/2020, é uma ferramenta prática e segura paracompreender as normas em vigor. O Direito Previdenciário exige uma abordagem metódica e atenção às atualizações legislativas. Com a EC nº 103/2019 e o Decreto nº 10.410/2020, o cenário tornou-se mais complexo, mas também mais acessível para quem utiliza materiais consolidados e fidedignos. Com um planejamento de estudos adequado e foco na hierarquia normativa, você estará preparado para enfrentar as questões dessa disciplina nos concursos públicos. 1.2. Seguridade social – histórico 1.2.1. Evolução histórica da seguridade social no brasil e no mundo A evolução da seguridade social reflete o progresso histórico das políticas de proteção ao trabalhador e assistência social, inicialmente impulsionada por iniciativas internacionais e, posteriormente, adaptada à realidade brasileira. 1.2.2 Contexto mundial A Poor Law, na Inglaterra, foi um marco inicial ao estabelecer uma contribuição obrigatória para assistência social. Na Alemanha, entre 1883 e 1889, surgiram os seguros de doença, acidentes de trabalho, invalidez e velhice, promovidos pelo Estado como agente arrecadador e garantidor dos benefícios. Esses eventos consolidaram dois pilares dos regimes previdenciários modernos: organização estatal e compulsoriedade. As primeiras Constituições a contemplarem direitos sociais foram a do México (1917) e a de Weimar, na Alemanha (1919). Em 1935, o Social Security Act dos Estados Unidos criou a previdência social americana e o seguro-desemprego. Já o Relatório Beveridge (1942), na Inglaterra, expandiu a ideia de seguridade social para abranger saúde, previdência e assistência social. 1.2.3 Primeiros passos no Brasil A proteção social no Brasil começou por meio de instituições privadas, como as obras religiosas. Um exemplo marcante é a Santa Casa de Misericórdia de Santos, fundada em 1543. A Constituição de 1824 mencionou os "socorros públicos" como medida de saúde pública, e, em PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 11 1835, foi criado o Montepio Geral dos Servidores do Estado (MONGERAL), destinado a proteger as famílias de servidores públicos. A Constituição de 1891 previu a aposentadoria para funcionários públicos em casos de invalidez a serviço da Nação. Em 1919, o Decreto-Legislativo nº 3.724 instituiu o seguro de acidentes de trabalho, considerado por muitos o marco inicial da previdência social brasileira, embora esse título seja geralmente atribuído à Lei Eloy Chaves (1923). Esta última autorizou a criação das Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP) para empregados de empresas ferroviárias, inaugurando a previdência social organizada por empresas. 1.2.4 Fases da previdência no Brasil 1. Organização por Empresas (CAP) A previdência era restrita aos trabalhadores vinculados às empresas que criavam as CAP, deixando milhões de brasileiros desassistidos. 2. Organização por Categorias Profissionais (IAP) A partir da década de 1930, os Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAP) passaram a amparar trabalhadores por categoria, como os marítimos (IAPM), comerciários (IAPC) e bancários (IAPB). 3. Unificação Parcial e Expansão dos Benefícios A Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), de 1960, uniformizou a legislação previdenciária, ampliando os benefícios e incluindo empregadores, religiosos e domésticos. No entanto, a unificação total dos IAP ocorreu apenas em 1966, com a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). 4. Reestruturação Administrativa (SINPAS) Em 1977, foi criado o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS), que integrou diversas instituições, como o INPS, o IAPAS (arrecadação), o INAMPS (assistência médica) e a DATAPREV (processamento de dados). 1.2.5 Constituição de 1988 e avanços recentes A Constituição Federal de 1988 representou um divisor de águas ao tratar da seguridade social como um conjunto integrado de ações nas áreas de saúde, previdência e assistência social. Posteriormente, em 1990, o INSS foi criado pela fusão do INPS e do IAPAS, consolidando a administração previdenciária no Brasil. Além disso, o Sistema Único de Saúde (SUS) assumiu a responsabilidade pela assistência médica, substituindo o INAMPS, enquanto a LBA e a CEME foram extintas. Considerações Importantes para Concursos • A Lei Eloy Chaves (1923) é amplamente reconhecida como marco inicial da previdência social brasileira, mas não foi a primeira norma previdenciária. • A LOPS (1960) é considerada o início da terceira fase da previdência no Brasil, promovendo uniformização legislativa, mas não institucional. • O SINPAS (1977) marcou a quarta fase da previdência social brasileira, buscando maior eficiência administrativa e integração. • O INSS, criado em 1990, centralizou a gestão previdenciária e é fruto da fusão do INPS e do IAPAS. Compreender essa trajetória é fundamental para interpretar as políticas de seguridade e previdência no Brasil, contextualizando os desafios e avanços que moldaram o sistema atual. Vejamos as seguintes linhas do tempo de: Evolução Histórica e Legislativa da Seguridade Social no Brasil e no Mundo PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 12 1.3 Evolução histórica no mundo 1601 1883 1884 1889 1917 1919 1935 1942 Lei dos Pobres (Poor Law) na Inglaterra: estabeleceu a responsabilidade comunitária pela assistência social (Poor Tax). Criação do seguro- doença na Alemanha. Criação do seguro contra acidentes na Alemanha. Criação do seguro de invalidez e velhice na Alemanha. Constituição do México: uma das primeiras a prever direitos sociais. Constituição de Weimar na Alemanha: também previu direitos sociais. Social Security Act nos EUA: criou a previdência social americana e o seguro-desemprego. Plano Beveridge na Inglaterra: marco da seguridade social abrangendo seguro social, saúde e assistência social. THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 13 1.4 Evolução histórica no Brasil Fundação da Santa Casa de Misericórdia de Santos, a instituição assistencial mais antiga do Brasil. Criação do MONGERAL: garantia benefícios às famílias de empregados públicos falecidos. Primeira previsão de aposentadoria, restrita a funcionários públicos e invalidez em serviço à Nação. Decreto nº 3.724: regulamentação das indenizações por acidente de trabalho, responsabilidade do empregador. Lei Eloy Chaves (Decreto nº 4.682): marco inicial da previdência social com criação das Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAP). Instituição do IAPM: previdência organizada pelo Estado e por categoria profissional. Primeira utilização do termo “previdência social” na Constituição. 1543 1835 1891 1919 1923 1933 1934 PAULO Realce THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 14 Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS): uniformizou a legislação, mas manteve os IAPs separados. Decreto-Lei nº 72: unificou os IAPs e criou o INPS, efetivado em 1967. Lei nº 6.439: criação do SINPAS, reorganizando a previdência social. Constituição Federal: introduziu a seguridade social como um conjunto de ações de saúde, previdência e assistência social. Lei nº 8.029: criação do INSS pela fusão do INPS e IAPAS. Leis nº 8.212 e nº 8.213: regulamentação do custeio e benefícios da seguridade social. Decreto nº 3.048: aprovação do Regulamento da Previdência Social (RPS). 1960 1966 1977 1988 1990 1991 1999 THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 15 Este quadroé um excelente resumo para concursos, proporcionando uma visão estruturada e cronológica dos principais marcos históricos e legislativos da seguridade social. 2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS A Seguridade Social, conforme prevista na Constituição Federal de 1988 (CF/1988), ocupa um papel central na ordem social do Brasil, conforme disposto no Capítulo II do Título VIII. Este título trata das questões sociais fundamentais do país, destacando a importância de garantir os direitos dos cidadãos, com um foco no bem-estar e na justiça sociais. O artigo 193 da CF/1988 estabelece que a base da ordem social é a primazia do trabalho, visando à justiça e ao bem-estar de todos. A ideia central é que, ao garantir o trabalho, as pessoas podem conquistar sua autonomia, assegurando a saúde, a educação, a previdência e outros direitos essenciais para si e seus familiares. Entretanto, em um cenário de crises econômicas frequentes, nem todos conseguem acesso ao mercado de trabalho, o que leva à necessidade da intervenção estatal. O Estado, então, assume a responsabilidade de garantir direitos sociais mínimos para os cidadãos, como forma de assegurar um padrão básico de dignidade e qualidade de vida. Esse modelo reflete a transição de um Estado liberal, onde o governo tinha um papel mais restrito, para um Estado de bem-estar social, onde o Estado assume a responsabilidade pela promoção dos direitos sociais essenciais, incluindo saúde, assistência social e previdência. O conceito de justiça social, que é um dos objetivos principais da ordem social, busca promover o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover a distribuição da riqueza. A justiça social está diretamente ligada a princípios fundamentais do sistema de seguridade social, como a seletividade e a distributividade na prestação de serviços e benefícios, de modo a atender às necessidades daqueles que mais precisam. A Seguridade Social no Brasil é um sistema integrado, conforme o artigo 194 da CF/1988, que a define como um conjunto de ações interligadas, realizadas tanto pelo poder público quanto pela sociedade. Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Essas ações visam garantir os direitos relacionados à saúde, previdência e assistência social. A participação ativa da sociedade no planejamento, monitoramento, controle e avaliação das políticas sociais foi reforçada pela Emenda Constitucional nº 108/2020, que incluiu o parágrafo único ao artigo 193 da CF/1988. Isso garante a colaboração entre o governo e a sociedade civil para o sucesso das políticas públicas voltadas para a seguridade social. Um exemplo prático dessa integração entre governo e sociedade pode ser observado na área da saúde. A política de saúde no Brasil não só se concentra no atendimento aos doentes, mas também na prevenção de doenças, como é o caso das campanhas de vacinação. O Programa de Vacinação contra a paralisia infantil é um exemplo de sucesso dessa colaboração. O programa "Zé Gotinha", com o fornecimento de vacinas pelo governo e o engajamento da população para levar as crianças aos postos de saúde, resultou na erradicação da paralisia infantil no país, demonstrando a eficácia do modelo de seguridade social. Portanto, a seguridade social é um conceito que implica a colaboração entre o poder público e a sociedade, com o objetivo de garantir direitos essenciais de saúde, previdência e assistência social a todos os cidadãos, buscando promover a solidariedade e a justiça social. A atuação conjunta é crucial para o êxito das políticas públicas nessa área, refletindo o papel do Estado no bem-estar coletivo e no combate às desigualdades sociais. 3. SAÚDE O tema da saúde está amplamente abordado na Constituição Federal de 1988, especialmente nos artigos 196 a 200. A análise desses artigos revela uma estrutura lógica que deve ser seguida para compreendê-los: começa-se pelo art. 196, que trata do direito à saúde, depois passa-se para o art. 198, em PAULO Realce PAULO Realce THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 16 seguida ao art. 197, retorna-se ao art. 199 e, por fim, ao art. 200. O art. 199 reforça os conceitos estabelecidos no art. 197, por isso ambos devem ser estudados em conjunto. O art. 196 da CF estabelece três pontos fundamentais sobre a saúde no Brasil: primeiro, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, garantindo que qualquer pessoa tenha acesso à rede pública de saúde, independentemente de sua capacidade de pagamento. Ou seja, um hospital público não pode negar atendimento a alguém por motivos econômicos, como a posse de um plano de saúde. Em segundo lugar, a saúde é regida por uma política social e econômica, focada na redução do risco de doenças e outros agravos. Para que essa política seja eficaz, a prioridade deve ser dada às ações preventivas, com a participação ativa da população, refletindo o conceito de seguridade social. Por fim, o art. 196 assegura o acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde, ou seja, todos devem ter os mesmos direitos no atendimento, independentemente de sua condição social. O art. 198 detalha as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que são: descentralização, atendimento integral, e a participação da comunidade. A descentralização implica que a gestão do SUS é dividida entre União, Estados e Municípios, com cada um tendo uma secretaria ou órgão responsável pela saúde. O atendimento integral deve priorizar as atividades preventivas, buscando evitar doenças antes que se tornem graves. A participação da comunidade, embora óbvia pela natureza da seguridade social, é novamente ressaltada, destacando a importância da sociedade na formulação e acompanhamento das políticas de saúde. O financiamento do SUS é tripartite, envolvendo recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes, como doações e ajudas. A União deve aplicar no mínimo 15% da sua receita corrente líquida em saúde, conforme o art. 198, § 3º da CF. Além disso, a Lei Complementar nº 141/2012 regula a aplicação de recursos pela União, Estados e Municípios, buscando reduzir as desigualdades regionais. A execução das ações de saúde pode ser feita diretamente pelo Poder Público ou por meio de terceiros, seja pessoa física ou jurídica. O art. 199 reforça que a assistência à saúde pode ser realizada por empresas privadas, mas sempre de forma complementar ao SUS, e apenas quando este não puder atender adequadamente a demanda. As entidades privadas envolvidas devem, preferencialmente, ser filantrópicas ou sem fins lucrativos. A participação direta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde é proibida, salvo exceções previstas por lei, como as doações de organismos internacionais. O SUS também tem diversas atribuições, como o controle e fiscalização de produtos e serviços de saúde, a execução de ações de vigilância sanitária e epidemiológica, a formação de recursos humanos na área de saúde, o controle de alimentos e bebidas e a colaboração na proteção ambiental. A Lei nº 8.080/1990 regulamenta o SUS, estabelecendo a estrutura e as normas para a gestão da saúde no Brasil, com foco em garantir o acesso universal e integral aos serviços de saúde, sempre com a participação do Estado e da sociedade. 4. ASSISTÊNCIA SOCIAL A assistência social no Brasil é destinada a todos os cidadãos que dela necessitarem, independentemente de contribuições prévias à seguridade social. O único requisito para o recebimento dos benefícios assistenciais é a comprovação da necessidade do assistido, o que difere de outros setores, como a saúde, onde a assistência está atrelada a contribuições. O Ministério do Desenvolvimento Social e Assistência Social é o responsável pela organização e execuçãodessas políticas, tendo como objetivo assegurar os direitos básicos àqueles que enfrentam dificuldades financeiras ou sociais. De acordo com a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), a assistência social busca atender idosos e pessoas com deficiência que não têm meios de prover sua própria manutenção ou que não podem ser mantidos por suas famílias. Esse auxílio mensal é pago a essas pessoas desde que se enquadrem nas condições estabelecidas pela lei, com a ausência de condições financeiras sendo um requisito fundamental. A execução da assistência social no Brasil segue diretrizes de descentralização administrativa, permitindo que PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce PAULO Realce THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 17 a União coordene as normas gerais e que Estados e Municípios sejam responsáveis pela implementação dos programas. No âmbito do financiamento, a assistência social é sustentada principalmente por recursos do orçamento da seguridade social, mas também conta com outras fontes, como doações e recursos de alienações patrimoniais. A principal diferença em relação ao financiamento de saúde é que a assistência social é financiada de forma bipartite, com a participação do governo federal, estadual e municipal, mas sem a contribuição direta da população como no sistema de saúde. O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) organiza as políticas assistenciais no Brasil, funcionando de forma descentralizada e com participação da sociedade civil. O SUAS inclui unidades como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados (CREAS), que prestam os serviços diretamente às famílias e indivíduos em situação de risco social ou violação de direitos. Além disso, a Lei nº 8.742/1993 estabelece que os entes federados podem vincular até 0,5% da sua receita tributária líquida a programas de assistência social, com a condição de que esses recursos não sejam usados para despesas correntes, como salários ou pagamento da dívida pública. O Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Constituição e regulamentado pela LOAS, é um benefício destinado a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência, que não possuem meios de garantir sua própria subsistência. O valor do BPC é de um salário mínimo mensal, condicionado à comprovação da situação de vulnerabilidade social, com a exigência de que a renda per capita familiar seja inferior a 1/4 do salário mínimo. O conceito de deficiência abrange aqueles com impedimentos de longo prazo, que dificultam sua participação plena na sociedade. O regulamento da LOAS ainda permite que o limite de renda familiar seja ampliado até 1/2 salário mínimo em situações excepcionais. Essas medidas visam garantir a dignidade e os direitos básicos dos cidadãos em situação de vulnerabilidade, por meio de uma rede de apoio social que deve ser acessível, inclusiva e eficaz. A JURISPRUDÊNCIA DO STF SOBRE O BPC ASSIM APONTA: Benefício assistencial de prestação continuada ao idoso e ao deficiente. Art. 203, V, da Constituição. A Lei de Organização da Assistência Social (LOAS), ao regulamentar o art. 203, V, da Constituição da República, estabeleceu os critérios para que o benefício mensal de um salário mínimo seja concedido aos portadores de deficiência e aos idosos que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. 2. Art. 20, § 3º, da Lei 8.742/1993 e a declaração de constitucionalidade da norma pelo SupremoTribunal Federal na ADI 1.232. Dispõe o art. 20, § 3º, da Lei 8.742/93 que: “considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário mínimo”. O requisito financeiro estabelecido pela Lei teve sua constitucionalidade contestada, ao fundamento de que permitiria que situações de patente miserabilidade social fossem consideradas fora do alcance do benefício assistencial previsto constitucionalmente. Ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.232-1/DF, o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do art. 20, § 3º, da LOAS. 3. Decisões judiciais contrárias aos critérios objetivos preestabelecidos e processo de inconstitucionalização dos critérios definidos pela Lei 8.742/1993. A decisão do Supremo Tribunal Federal, entretanto, não pôs termo à controvérsia quanto à aplicação em concreto do critério da renda familiar per capita estabelecido pela LOAS. Como a Lei permaneceu inalterada, elaboraram- se maneiras de contornar o critério objetivo e único estipulado pela LOAS e de avaliar o real estado de miserabilidade social das famílias com entes idosos ou deficientes. Paralelamente, foram editadas leis que estabeleceram critérios mais elásticos para concessão de outros benefícios assistenciais, tais como: a Lei 10.836/2004, que criou o Bolsa Família; a Lei 10.689/2003, que instituiu o Programa Nacional de Acesso à Alimentação; a Lei 10.219/01, que criou o Bolsa Escola; a Lei 9.533/97, que autoriza o Poder Executivo a conceder apoio financeiro a municípios que instituírem programas de garantia de renda mínima associados a ações socioeducativas. O Supremo Tribunal Federal, em decisões monocráticas, passou a rever anteriores posicionamentos acerca da intransponibilidade dos critérios objetivos. Verificou-se a ocorrência do processo de inconstitucionalização decorrente de notórias mudanças fáticas (políticas, econômicas e sociais) e jurídicas (sucessivas modificações legislativas dos patamares econômicos utilizados como critérios de THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 18 concessão de outros benefícios assistenciais por parte do Estado brasileiro). 4. A inconstitucionalidade por omissão parcial do art. 34, parágrafo único, da Lei 10.741/2003. O Estatuto do Idoso dispõe, no art. 34, parágrafo único, que o benefício assistencial já concedido a qualquer membro da família não será computado para fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a LOAS. Não exclusão dos benefícios assistenciais recebidos por deficientes e de previdenciários, no valor de até um salário mínimo, percebido por idosos. Inexistência de justificativa plausível para discriminação dos portadores de deficiência em relação aos idosos, bem como dos idosos beneficiários da assistência social em relação aos idosos titulares de benefícios previdenciários no valor de até um salário mínimo. Omissão parcial inconstitucional. 5. Declaração de inconstitucionalidade parcial, sem pronúncia de nulidade, do art. 34, parágrafo único, da Lei 10.741/2003. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 580963, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/04/2013, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-225 DIVULG 13- 11-13 PUBLIC 14-11-13) ASSISTÊNCIA SOCIAL – ESTRANGEIROS RESIDENTES NO PAÍS – ARTIGO 203, INCISO V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – ALCANCE. A assistência social prevista no artigo 203, inciso V, da Constituição Federal beneficia brasileiros natos, naturalizados e estrangeiros residentes no País, atendidos os requisitos constitucionais e legais. (RE 587970, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 20/04/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-215 DIVULG 21-09-2017 PUBLIC 22-09-2017). A JURISPRUDÊNCIA DO STJ ACERCA DO BPC TAMBÉM DISCORRE: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO ASSISTENCIAL PREVISTO NA LEI N. 8.742/93 A PESSOA COM DEFICIÊNCIA. AFERIÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA DO NÚCLEO FAMILIAR. RENDA PER CAPITA. IMPOSSIBILIDADE DE SE COMPUTAR PARA ESSE FIM O BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO, NO VALOR DE UM SALÁRIO MÍNIMO, RECEBIDO POR IDOSO. 1. Recurso especial no qual se discute se o benefício previdenciário, recebido por idoso, no valor de um salário mínimo, deve compor a renda familiar para fins de concessão ou não do benefício de prestação mensal continuadaa pessoa deficiente. 2. Com a finalidade para a qual é destinado o recurso especial submetido a julgamento pelo rito do artigo 543-C do CPC, define-se: Aplica-se o parágrafo único do artigo 34 do Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741/03), por analogia, a pedido de benefício assistencial feito por pessoa com deficiência a fim de que benefício previdenciário recebido por idoso, no valor de um salário mínimo, não seja computado no cálculo da renda per capita prevista no artigo 20, § 3º, da Lei n. 8.742/93. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido à sistemática do § 7º do art. 543-C do Código de Processo Civil e dos arts. 5º, II, e 6º, da Resolução STJ n. 08/2008. (REsp 1355052/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/02/2015, DJe 05/11/2015) POSSIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CONDIÇÃO DE MISERABILIDADE DO BENEFICIÁRIO POR OUTROS MEIOS DE PROVA, QUANDO A RENDA PER CAPITA DO NÚCLEO FAMILIAR FOR SUPERIOR A 1/4 DO SALÁRIO MÍNIMO. 1. A CF/1988 prevê em seu art. 203, caput e inciso V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal, independente de contribuição à Seguridade Social, à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. 2. Regulamentando o comando constitucional, a Lei 8.742/93, alterada pela Lei 9.720/98, dispõe que será devida a concessão de benefício assistencial aos idosos e às pessoas portadoras de deficiência que não possuam meios de prover à própria manutenção, ou cuja família possua renda mensal per capita inferior a 1/4 (um quarto) do salário mínimo. 3. O egrégio Supremo Tribunal Federal, já declarou, por maioria de votos, a constitucionalidade dessa limitação legal relativa ao requisito econômico, no julgamento da ADI 1.232/DF (Rel. para o acórdão Min. NELSON JOBIM, DJU 1.6.2001). 4. Entretanto, diante do compromisso constitucional com a dignidade da pessoa humana, especialmente no que se refere à garantia das condições básicas de subsistência física, esse dispositivo deve ser interpretado de modo a amparar irrestritamente a o cidadão social e economicamente vulnerável. 5. A limitação do valor da renda per capita familiar não deve ser considerada a única forma de se comprovar que a pessoa não possui outros meios para prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, pois é apenas um elemento objetivo para se aferir a necessidade, ou seja, presume-se absolutamente a miserabilidade quando comprovada a renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo. 6. Além disso, em âmbito judicial vige o princípio do livre convencimento motivado do Juiz (art. 131 do CPC) e não o sistema de tarifação legal de provas, motivo pelo qual essa delimitação do valor da renda familiar per capita não deve ser tida como único meio de prova da condição de miserabilidade do beneficiado. De fato, não se pode THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 19 admitir a vinculação do Magistrado a determinado elemento probatório, sob pena de cercear o seu direito de julgar. (REsp 1112557 RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 20/11/2009) A TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO - TNU, ADEMAIS, TAMBÉM SE MANIFESTA: TNU, Súmula 48. Para fins de concessão do benefício assistencial de prestação continuada, o conceito de pessoa com deficiência, que não se confunde necessariamente com situação de incapacidade laborativa, exige a configuração de impedimento de longo prazo com duração mínima de 2 (dois) anos, a ser aferido no caso concreto, desde o início do impedimento até a data prevista para a sua cessação. TNU, Súmula 78. Comprovado que o requerente de benefício é portador do vírus HIV, cabe ao julgador verificar as condições pessoais, sociais, econômicas e culturais, de forma a analisar a incapacidade em sentido amplo, em face da elevada estigmatização social da doença. TNU, Súmula 79. Nas ações em que se postula benefício assistencial, é necessária a comprovação das condições socioeconômicas do autor por laudo de assistente social, por auto de constatação lavrado por oficial de justiça ou, sendo inviabilizados os referidos meios, por prova testemunhal. TNU, Súmula 80. Nos pedidos de benefício de prestação continuada (LOAS), tendo em vista o advento da Lei 12.470/11, para adequada valoração dos fatores ambientais, sociais, econômicos e pessoais que impactam na participação da pessoa com deficiência na sociedade, é necessária a realização de avaliação social por assistente social ou outras providências aptas a revelar a efetiva condição vivida no meio social pelo requerente. Tema 34. Tese fixada – Para a concessão do benefício previsto no art. 203, V, da Constituição Federal, nos casos de incapacidade parcial e temporária, deve-se examinar as condições pessoais do requerente. Tema 70. Tese fixada – Na concessão do benefício de prestação continuada ao portador do vírus HIV assintomático, devem ser observadas, além da incapacidade de prover a própria subsistência, as condições socioculturais estigmatizantes da doença. Vide Súmula 78 da TNU. Tema 73. Tese fixada – O grupo familiar deve ser definido a partir da interpretação restrita do disposto no art. 16 da Lei n. 8.213/91 e no art. 20 da Lei n. 8.742/93, esta última na sua redação original. Tema 122. Tese fixada – O critério objetivo consubstanciado na exigência de renda familiar per capita inferior a ¼ do salário-mínimo gera uma presunção relativa de miserabilidade, que pode, portanto, ser afastada por outros elementos de prova. Tema 173. Tese fixada – Para fins de concessão do benefício assistencial de prestação continuada, o conceito de pessoa com deficiência, que não se confunde necessariamente com situação de incapacidade laborativa, exige a configuração de impedimento de longo prazo com duração mínima de 2 (dois) anos, a ser aferido no caso concreto, desde o início do impedimento até a data prevista para a sua cessação (tese alterada em sede de embargos de declaração). Tema 217. Tese fixada – Em relação ao benefício assistencial e aos benefícios por incapacidade, é possível conhecer de um deles em juízo, ainda que não seja o especificamente requerido na via administrativa, desde que preenchidos os requisitos legais, observando-se o contraditório e o disposto no artigo 9º e 10 do CPC. Tema 225. Tese fixada – É possível a concessão de pensão por morte quando o instituidor, apesar de titular de benefício assistencial, tinha direito adquirido a benefício previdenciário não concedido pela Administração. Tema 253. Tese fixada – É inacumulável o benefício de prestação continuada – BPC/ LOAS com o auxílio-acidente, na forma do art. 20, §4º, da Lei n. 8.742/1993, sendo facultado ao beneficiário, quando preenchidos os requisitos legais de ambos os benefícios, a opção pelo mais vantajoso. THIAGO S. DIAS SEGURIDADE SOCIAL • 1 20 Tema 284. Tese fixada – Os dependentes que recebem ou que têm direito à cota de pensão por morte podem renunciar a esse direito para o fim de receber benefício assistencial de prestação continuada, uma vez preenchidos os requisitos da Lei 8.742/1993. 4.1. Auxílio-Inclusão Fundamento Legal • Art. 94 da Lei 13.146/2015: Previa o auxílio-inclusão. • Lei 14.176/2021: Criou o auxílio-inclusão, regulamentando seu pagamento a partir de outubro de 2021. Objetivo • Incentivar a pessoa com deficiência a exercer atividade remunerada. • Substitui o Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas pode ser acumulado com a remuneração da atividade. Requisitos para Concessão • Deficiência moderada ou grave. • Receber o BPC e começar a exercer atividade remunerada com: • Remuneração de até 2 salários-mínimos. • Segurado do Regime Geral ou de Previdência dos Estados, DF ou Municípios. • Inscrição atualizada no CadÚnico. • Inscrição regular no CPF. • Critérios de renda familiar para BPC mantidos.