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AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DISCIPULADO E 
EVANGELIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Merlise dos Santos 
 
 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Vamos descobrir juntos quais são os fundamentos da evangelização. 
Descobriremos que os discípulos eram homens comuns, e vamos conhecer 
quatro homens considerados os mais achegados de Jesus, além de destacar o 
apóstolo Paulo e sua conversão como o maior acontecimento da história da igreja, 
depois do Pentecostes. 
Nesta etapa vamos tratar da adoração, edificação e adoração como parte 
da missão da Igreja. Esses três pilares fundamentais refletem o mandato de Jesus 
Cristo para seus seguidores, inspirando a igreja a cumprir seu papel na 
transformação do mundo. Ao edificar uns aos outros, ensinar os crentes o que é 
a verdadeira adoração e anunciar a salvação, a igreja cumpre sua missão de ser 
luz e sal na sociedade. 
TEMA 1 – A IGREJA E SUA MISSÃO TRIPLA 
Ekklesia é a palavra grega usada no NT para Igreja e significa “uma 
congregação de cristãos, ficando implícita a interação entre os membros” (Louw; 
Nida, 2013, p. 115). A missão tripla da igreja é composta pela adoração, edificação 
e evangelização, e cada componente é essencial para a identidade e propósito da 
comunidade cristã. Cada um desses pilares desempenha um papel fundamental 
na vida da Igreja e em seu testemunho no mundo. 
1.1 Adoração 
É o coração pulsante da vida da igreja, o momento em que os crentes se 
reúnem para louvar, glorificar e honrar a Deus. A adoração é mais do que apenas 
cantar hinos e orar; é um ato de entrega total a Deus, reconhecendo Sua 
soberania, bondade e graça. Por meio da adoração, os crentes encontram 
renovação espiritual, intimidade com Deus e comunhão uns com os outros. 
1.2 Edificação 
A edificação refere-se ao processo contínuo de crescimento espiritual e 
fortalecimento mútuo dentro da comunidade cristã. Isso envolve ensino da Palavra 
de Deus, comunhão fraternal, encorajamento mútuo, discipulado e serviço uns 
aos outros. A edificação visa capacitar os crentes a crescerem em maturidade 
 
 
3 
espiritual, desenvolverem seus dons e talentos, e viverem de acordo com os 
princípios do Evangelho. 
1.3 Evangelização 
A evangelização é a missão de proclamar o Evangelho de Jesus Cristo ao 
mundo e fazer discípulos de todas as nações. É o chamado da Igreja para 
compartilhar o amor redentor de Deus com aqueles que ainda não conhecem a 
Cristo e convidá-los a se reconciliarem com Deus. Isso pode ser feito por meio de 
pregação, testemunho pessoal, ministério social, missões transculturais e outras 
formas de alcance evangelístico. Esses três aspectos da missão da Igreja estão 
interconectados e se complementam mutuamente. 
• A adoração prepara os crentes espiritualmente para o serviço e 
testemunho. O termo hebraico latreia, que significa serviço ou ministério, 
apresenta a responsabilidade de oferecer adoração (Milne, 2005, p. 229); 
• A edificação fortalece e capacita a comunidade para cumprir sua missão 
evangelística; 
• A evangelização traz novos crentes para a comunidade da fé, onde eles 
são nutridos, ensinados e fortalecidos na adoração e edificação contínuas; 
e leva a mensagem do Evangelho para os povos não alcançados. 
A evangelização, conforme Shedd (1996), é o privilégio de apresentar o 
evangelho aos que se encontram perdidos, a partir de um evangelho salvador, 
íntegro, capaz de modificar a vida de quem o recebe por completo, como uma 
semente de boa qualidade, plantada com o objetivo de germinar e ser capaz de 
se reproduzir. O autor afirma que a mensagem da evangelização que diz respeito 
ao sacrifício de Jesus na cruz é a única maneira do perdido pecador chegar até 
Deus (Shedd, 1996, p. 12). 
Juntas, adoração, edificação e evangelização formam uma tríade dinâmica 
que expressa a natureza multifacetada da missão da Igreja no mundo. Ao viver e 
compartilhar o Evangelho por meio dessas três dimensões, a Igreja cumpre seu 
chamado de ser uma luz para o mundo e um instrumento de transformação e 
redenção na sociedade. 
 
 
 
 
4 
1.4 Missão 
A palavra missão é envolve uma ação, significa o que Jesus ordenou que 
seu povo fizesse, e isso abrange a responsabilidade e o evangelismo. Stott (2010) 
define evangelismo como “o anúncio das boas novas” (Stott, 2010, p. 47). Seu 
significado nada tem a ver com resultados ou métodos, mas com arrependimento, 
fé, mudança de vida e consciência de uma necessidade de perdão. O autor 
defende que o evangelismo é para todos aqueles que já ouviram falar de Jesus e 
para aqueles que nunca ouviram falar dele. Ele sustenta que, para experimentar 
essa nova vida, existe um custo, que é chamado de sacrifício, ou algo que precisa 
ser deixado de lado para estar em sintonia com Deus (Stott, 2010, p. 46). 
Evangelismo vem da palavra grega Euangelizomai, que significa trazer ou 
anunciar o euangelion, as boas novas (Stott, 2010, p. 46). 
1.4.1 Proclamação das boas Novas 
No Novo Testamento, o evangelismo é visto como a proclamação das boas 
novas do Reino de Deus através da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. 
Jesus mesmo começou seu ministério público proclamando o evangelho, dizendo: 
“O tempo é cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede 
no evangelho” (Marcos 1.15). Ele anunciou a chegada do Reino de Deus, 
oferecendo salvação, perdão e libertação para todos os que nele creem. 
1.4.2 Testemunho pessoal 
Além da proclamação verbal, o evangelismo no Novo Testamento é 
frequentemente acompanhado pelo testemunho pessoal dos seguidores de 
Jesus. Os discípulos foram chamados a serem testemunhas de Cristo “até os 
confins da terra” (Atos 1.8), compartilhando suas experiências pessoais de como 
Jesus transformou suas vidas e oferece salvação a todos. O testemunho pessoal 
é uma forma poderosa de comunicar o evangelho de maneira autêntica e 
relevante. 
1.4.3 Missão universal 
O evangelismo no Novo Testamento é uma missão universal, destinada a 
alcançar todas as nações e pessoas de todas as esferas da vida. Jesus instruiu 
 
 
5 
seus discípulos a irem e fazerem discípulos de todas as nações (Mateus 28.19-
20), levando a mensagem do evangelho além das fronteiras étnicas, culturais e 
sociais. O livro de Atos relata como os primeiros cristãos foram fiéis a essa missão, 
levando o evangelho para além de Jerusalém, até os confins da terra. 
1.4.4 Poder do Espírito Santo 
O evangelismo no Novo Testamento é capacitado pelo poder do Espírito 
Santo. Jesus prometeu aos seus discípulos que receberiam poder quando o 
Espírito Santo viesse sobre eles, capacitando-os a serem suas testemunhas (Atos 
1.8). O Espírito Santo dá aos crentes coragem, sabedoria, discernimento e 
ousadia para proclamar o evangelho com eficácia e autoridade. 
Assim, o evangelismo no Novo Testamento é o cumprimento da missão de 
Jesus Cristo, que chamou seus seguidores para proclamar as boas novas do 
Reino de Deus, testemunhando pessoalmente do seu poder transformador, 
alcançando todas as nações e pessoas com o poder do Espírito Santo. É uma 
missão sagrada e urgente que continua até os dias de hoje, desafiando os crentes 
a compartilharem o amor de Cristo com o mundo ao seu redor (Stott, 2010, p. 66-
67). 
TEMA 2– FUNDAMENTOS DA EVANGELIZAÇÃO 
A evangelização, como conceito fundamental no Cristianismo, é 
enraizada em diversos princípios bíblicos que orientam os crentes a compartilhar 
a mensagem do Evangelho com o mundo. A Bíblia é repleta de passagens que 
destacam a importância e o mandamento de evangelizar, fornecendo diretrizes e 
motivos para os cristãos se engajarem nessa missão sagrada. 
2.1 Plantando sementes 
A Grande Comissão, encontrada em Mateus 28.19-20, é uma das bases 
bíblicas mais sólidas para a evangelização. Nessa passagem, Jesus instrui seus 
discípulos a irem e fazerem discípulos de todas as nações, batizando-os em nome 
do Pai, do Filho e doEspírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que Ele 
ordenou. Essa comissão é vista como um chamado universal para todos os 
cristãos, não apenas para líderes religiosos, a proclamar o Evangelho e fazer 
discípulos em todas as esferas da vida. 
 
 
6 
Espalhar as sementes do evangelho implica o privilégio de apresentá-lo aos 
que se encontram perdidos, a partir de uma mensagem salvadora, íntegra, capaz 
de modificar a vida de quem o recebe por completo, como uma semente de boa 
qualidade, plantada com o objetivo de germinar e ser capaz de se reproduzir. A 
mensagem da evangelização diz respeito ao sacrifício de Jesus na cruz, e essa é 
a única maneira de chegar até Deus. 
2.2 Compaixão 
A compaixão de Jesus pelos perdidos e marginalizados o levou a buscar e 
salvar os perdidos (Lucas 19.10), e os cristãos são chamados a seguir seu 
exemplo, compartilhando a mensagem de esperança e redenção com aqueles 
que estão espiritualmente perdidos. 
O texto de Lucas 19.10 demonstra o tipo de amor que brota do coração de 
Deus, que todos tenham a possibilidade de salvação. O texto conta a história de 
Zaqueu, um homem rico de bens, mas pobre porque precisava da salvação. Um 
homem de posses que precisava do amor de Deus. Zaqueu não foi salvo porque 
fez promessas de fazer boas obras, mas foi salvo por sua fé, em resposta ao 
convite de Jesus. A evangelização brota do coração de Deus, porque Ele sabe 
que a partir disso o pecador tem a possibilidade de “uma relação viva com Cristo, 
e como resultado, uma mudança radical de vida” (Wiersbe, 2006, p. 327). 
Wiersbe afirma que, 
de acordo com a Lei mosaica, se um ladrão confessava voluntariamente 
seu crime, deveria restituir o que havia roubado com um acréscimo de 
20% e levar uma oferta pela culpa ao Senhor (Lv.6.1-7). Se havia 
roubado algo que não pudesse restituir, deveria ressarcir quatro vezes o 
valor (Êx. 22.1); e se havia sido encontrado com os bens em questão, 
deveria ressarcir duas vezes o valor (Êx. 22.4) (Wiersbe, 2006, p. 327). 
Zaqueu havia se encontrado com o próprio Jesus, o Salvador que se 
compadece de todos, e não teve dúvidas do que deveria fazer, tão grande foi o 
impacto que as palavras de Jesus fizeram com o coração dele. 
2.3 Amor ao próximo 
Outro princípio bíblico importante para a evangelização é o amor ao 
próximo. Jesus ensinou que devemos amar nosso próximo como a nós mesmos 
(Mateus 22.39), e esse amor nos motiva a desejar que outros experimentem a 
salvação e o perdão que encontramos em Cristo. 
 
 
7 
O amor ao próximo é a melhor maneira de entender e missão da Igreja e 
sua obra evangelizadora. A Igreja, vinda do amor dos Três (Igreja da Trindade), é 
a imagem da comunhão trinitária e tende para a Trindade ao longo do tempo. Tudo 
na Igreja vem do amor do três vezes Santo Deus: Pai, Filho e Espírito Santo 
(Forte, 2018, p. 140-142). 
O coração pulsante da Igreja é o agápe, o amor que vem de cima e tende 
a voltar de cima. O agápe é a regra da vida adotada pelos discípulos de Jesus, 
que acreditam no poder de Sua revelação no amor infinito do Pai: o agápe é a 
fonte inesgotável do ímpeto missionário da Igreja ao serviço da evangelização 
mundial para os cantos mais distantes da terra e do coração. 
Pode-se, portanto, afirmar que desde o início a Igreja se incluiu nas missões 
divinas, como um sinal e um instrumento de sua realização no tempo, totalmente 
imersa na história trinitária de Deus com o mundo. “Pessoas reunidas pela 
unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Lumen Gentium 4, 1964). Originário 
da Trindade e organizado à imagem da Trindade, a Igreja – Ícone da Trindade – 
não tem outro objetivo a não ser a glorificação do Pai, por meio do Filho e no 
Espírito Santo. Esforçando-se para esse destino, ignorando a si mesma e sua 
própria glória, a Igreja alcança sua missão evangelização – uma verdadeira 
missão da Trindade – acima de tudo como uma kènose de glória divina: a Trindade 
coloca suas tendas no tempo através da Igreja, que carrega o fardo das limitações 
que derivam dessa dimensão histórica e mundana. O Espírito é o principal autor 
desta kènose, que historiciza a missão divina, tornando-a a missão da Igreja. 
TEMA 3 – HOMENS COMUNS 
Os Doze Apóstolos são figuras comuns, mas também centrais no 
cristianismo primitivo, escolhidos pessoalmente por Jesus Cristo para serem seus 
discípulos mais próximos e para liderar a expansão do seu ministério após a sua 
ascensão. Este grupo seleto desempenhou um papel crucial na fundação e na 
disseminação da fé cristã, e suas vidas são uma fonte de inspiração e 
ensinamento para os cristãos até os dias de hoje. 
Mas, como afirma MacArthur (2019), “os doze eram como o resto de nós; 
foram selecionados dentre os indignos e inaptos” (MacArthur, 2019, p. 29). 
 
 
 
8 
3.1 Apóstolo 
O ministério dos Apóstolos formado pelos 12 discípulos escolhidos por 
Jesus terminou. Conforme o teólogo Wiersbe (2006) ninguém pode se intitular um 
Apóstolo nos dias de hoje, pois para ser considerado um Apóstolo, eram 
necessárias qualificações especiais. 
3.1.1 Testemunha ocular 
Conforme o teólogo, “Uma das qualificações de um apóstolo era que 
tivesse visto o Cristo ressuscitado (At 1.22; 1 Co 9.1); uma vez que hoje ninguém 
pode dizer que teve essa experiência, a igreja não possui mais apóstolos” 
(Wiersbe, 2006, p. 548). 
3.1.2 Enviado em missão 
A palavra apóstolo significa “enviado”, em missão, e tem origem na palavra 
grega apostolos, tendo sido usada cerca de 80 vezes no Novo Testamento 
(Bühner, 2004, p. 379-380). Algo interessante de frisar é que, conforme Rengstorf 
(1965), “o enviado não é o importante”, e sim a missão (Rengstorf, 1965, p. 1069-
1071). O apóstolo é o mensageiro, um instrumento, encarregado de uma 
incumbência ou missão (Mounce, 2013, p. 113). 
A palavra apóstolo foi usada nas origens do cristianismo dentro do contexto 
missionário e foi usada também fora da totalidade dos 12 escolhidos, como 
acrescenta Walls (2007), sobre os intitulados apóstolos: 
Há instâncias no NT onde, [...], parece que o título foi dado a outros além 
dos doze. Tiago, irmão do Senhor, aparece como tal em Gl 1, 19; 2,9, e, 
embora não tivesse sido discípulo (cf. Jo 7,5), recebeu uma aparição do 
ressuscitado só para si (1Co 15,7). Barnabé é chamado de apóstolo em 
At 14,4.14, e é introduzido por Paulo num argumento que nega qualquer 
diferença qualitativa entre seu próprio apostolado e o dos doze (1Co 9,1-
6). Os desconhecidos Andrônico e Júnias são com toda a probabilidade 
chamados apóstolos em Rm 16,7, e Paulo, sempre cuidando do 
emprego dos pronomes pessoais, pode ter assim chamado a Silas, em 
1Ts 2,6 (Walls, 2007, p. 68). 
E o próprio Paulo, que extrapola o número dos 12, considerado um apóstolo 
por vocação (Rm 1.1). fica claro que a palavra apóstolo, no início do cristianismo, 
não era um privilégio, do ponto de vista do status, mas um serviço missionário. 
 
 
 
9 
3.2 A lista 
O Novo Testamento nos oferece quatro listas com os nomes dos 
escolhidos: 
 Mateus 10.2-4 Marcos 3.16-19 Lucas 6.13-16 Atos 1.13 
Grupo 1 Pedro, André, 
Tiago, João 
Pedro, Tiago, 
João, André 
Pedro, André, 
Tiago, João 
Pedro, Tiago, 
João, André 
Grupo 2 Filipe, 
Bartolomeu 
(mais 
conhecido 
como 
Natanael), 
Tomé, Mateus 
Filipe, 
Bartolomeu, 
Mateus, Tomé 
Filipe, 
Bartolomeu, 
Mateus, Tomé 
Filipe, Tomé, 
Bartolomeu, 
Mateus 
Grupo 3 Tiago (filho de 
Alfeu), Tadeu, 
Simão, Judas 
Iscariotes 
Tiago (filho de 
Alfeu), Tadeu, 
Simão, Judas 
Iscariotes 
Tiago (filho de 
Alfeu), Simão, 
Judas (filho de 
Tiago), Judas 
Iscariotes 
Tiago (filho de 
Alfeu), Simão, 
Judas (filho de 
Tiago) 
Algo que se destaca nas quatro listas é o nome de Pedro, que aparece 
como o primeiro nome escolhido em todas elas. Pedro é o líder e também o porta-
voz do grupo dos doze. O segundo grupo é sempre formado por “Filipe em 
primeiro lugar. O terceiro grupotem Tiago (filho de Alfeu), no começo da lista. Nas 
três listas em que o nome de Judas Iscariotes aparece, sempre vem por último 
com o comentário que o identifica como traídor. Seu nome não aparece na lista 
de Atos, pois nessa época já estava morto” (MacArthur, 2019, p. 47,48). 
TEMA 4 – PEDRO, ANDRÉ, TIAGO, JOÃO 
John MacArthur (2019) afirma que a lista parece estar em ordem 
decrescente, baseado no nível de intimidade com Jesus (MacArthur, 2019, p. 48). 
E que Pedro, André, Tiago e João formam uma espécie de círculo ainda mais 
íntimo, “esses três veem-se com Jesus nos principais acontecimentos de seu 
ministério, quando os outros apóstolos não estão presentes ou não se encontram 
tão próximos. Os membros desse grupo estavam, por exemplo, no monte da 
 
 
10 
Transfiguração e no lugar mais interior do Getsêmani” (Mateus 17.1; Marcos 5.37; 
13.3; 14.33) (MacArthur, 2019, p. 48,49). 
O mesmo autor também sugere que, esse grupo parece ser mais ligado 
entre si, pois todos eram pescadores, Pedro e André eram irmãos (Mt 4.18) e 
Tiago e João filhos de Zebedeu também eram irmãos (Mt 4. 21), e possivelmente 
sócios da empresa de pesca que possuiam, e os quatro eram da mesma 
comunidade, sendo assim, amigos há mais tempo (MacArthur, 2019, p. 49). 
4.1 Pedro – gente como a gente 
Entre os Doze Apóstolos, Pedro emerge como uma figura proeminente. 
Conhecido por sua impulsividade, zelo e obediência, Pedro foi escolhido por Jesus 
para ser o líder do grupo. Apesar de suas falhas, como negar Jesus três vezes 
antes da crucificação, Pedro se tornou um poderoso pregador e líder da igreja 
primitiva em Jerusalém. 
Também conhecido como Simão Pedro (Lc 6. 14). Simão era um nome 
conhecido na época e a Bíblia traz pelo menos “sete Simões”, apenas nos 
evangelhos. No próprio grupo dos doze, havia dois Simão (Simão Pedro e Simão 
o Zelote). O Simão Pedro era também chamado de Simão Barjonas, que significa 
“filho de Jonas” (Mt 16.17) (Macarthur, 2019, p. 51). 
Lucas apresenta Pedro da seguinte forma: “Simão, a quem acrescentou o 
nome de Pedro” (Lc 6. 14). Aqui Jesus não lhe deu o novo nome para usar, mas 
acrescentou ao nome de Pedro. ‘Pedro’ era uma espécie de apelido que significa 
rocha” (Macarthur, 2019, p. 51). 
Pedro, inicialmente conhecido como Simão, era um pescador de Betsaida, 
na Galileia (Jo 1.44), quando foi chamado por Jesus para se tornar um de seus 
discípulos. Em um encontro transformador às margens do Mar da Galileia, Jesus 
disse a Simão: “Venha comigo, e eu farei de você pescadores de homens” (Mt 
4.19), indicando sua futura importância na igreja de Cristo. 
Sua confissão de fé em Cesareia de Filipe, quando ele proclamou: “Tu és 
o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16), é um momento crucial que demonstra 
sua compreensão da verdadeira identidade de Jesus. No entanto, a vida de Pedro 
também é marcada por momentos de fraqueza e falha. 
Ele é conhecido por ter negado Jesus três vezes durante a prisão de Jesus, 
apesar de suas promessas anteriores de lealdade. Essa experiência dolorosa é 
um lembrete da fragilidade humana, mas também da graça e do perdão de Jesus, 
 
 
11 
que restaurou Pedro e o comissionou para apascentar suas ovelhas (Jo 21.15-
19). 
Após a ascensão de Jesus, Pedro desempenhou um papel vital na 
liderança da igreja primitiva. Ele pregou corajosamente o Evangelho no Dia de 
Pentecostes, resultando na conversão de milhares de pessoas, e desempenhou 
um papel fundamental na aceitação dos gentios na comunidade cristã, conforme 
registrado em Atos 10. 
A tradição cristã afirma que Pedro foi martirizado em Roma durante o 
reinado do imperador Nero, sofrendo a crucificação de cabeça para baixo por se 
considerar indigno de morrer da mesma maneira que seu Senhor. Simão Pedro 
havia sido preso e estava aguardando julgamento sob o governo de Nero, em 
Roma, “A tradição da Igreja Cristã, [...], declara reiteradas vezes, que o apóstolo 
Pedro sofreu martírio na cidade de Roma durante a perseguição desencadeada 
pelo terrível e sanguinário imperador Nero, provavelmente entre 65 e 67 d.C.” 
(Castro, 2020, p. 43). 
Em suma, a vida de Simão Pedro é uma história de transformação, 
redenção e serviço fiel a Jesus Cristo. Seus sucessos e falhas o tornam uma figura 
profundamente humana e inspiradora, lembrando-nos da graça abundante de 
Deus e do poder transformador do Evangelho. 
4.2 André 
Dos quatro apóstolos, André é o menos conhecido, mas foi o primeiro de 
todos os discípulos a ser chamado (Jo 1.40-42), ele era discípulo de João Batista, 
antes de ser discípulo de Jesus, e foi ele que apresentou seu irmão Pedro a Cristo, 
apesar de ser o que menos aparece (MacArthur, 2019, p. 81). 
Segundo a tradição cristã, André foi crucificado numa cruz em formato de 
“’X’ chamada de Crux decussata, popularmente conhecida como ‘cruz de santo 
André’” (Moreira, 2023, p. 14). 
4.3 Tiago 
Conhecido como “Tiago Maior” ou Tiago mais velho, devido ao outro 
apóstolo Tiago, filho de Alfeu. Era irmão de João e apelidados por Jesus como 
“Filhos do Trovão” (Mc 3.17; Lc 9.54) (Moreira, 2023, p. 11). Esteve presente em 
muitos acontecimentos, como na ressurreição da filha de Jairo (Mc 5.37), na 
 
 
12 
transfiguração (Mt 17.1,2), no Getsêmani (Mt 26,37). Conforme Moreira (2023), 
“Tiago foi o primeiro apóstolo a ser martirizado e o único a ter um registro bíblico. 
O apóstolo foi decapitado a mando de Herodes Agripa I, por volta do ano 44 d.C. 
(At 12.1,2) (Moreira, 2023, p. 11). 
4.4 João 
João, conhecido como o apóstolo do amor, irmão de Tiago, é o mais jovem 
entre todos do grupo dos doze. Escreveu um dos evangelhos, três epístolas e o 
livro de Apocalipse (MacArthur, 2019, p. 113). 
Conforme Moreira (2023), 
João foi o único apóstolo que acompanhou Cristo até a sua crucificação. 
No caminho da cruz, Cristo, ao vê-lo, deu-lhe a responsabilidade de 
cuidar de Maria sua mãe (Jo 19.26,27). Depois de receber o Espírito 
Santo em Pentecostes (At 1.8), o apóstolo pregou com autoridade e ao 
lado de Pedro alcançaram milhares de almas. (Moreira, 2023, p. 10) 
João viveu mais do que todos os apóstolos, segundo os relatos de 
estudiosos foi durante o reinado do imperador Trajano, por volta de 98 d.C., com 
quase 100 anos. O amor tornou-se o centro e o fundamento da verdade da vida e 
da história desse apóstolo tão extraordinário (MacArthur, 2019. p. 134). 
TEMA 5 – APÓSTOLO PAULO 
Paulo nasceu no início da era cristã, sabemos disso pelo texto de Atos 7.58, 
onde a narrativa apresenta (Saulo, significa “o desejado”) como um jovem 
expectador da morte de Estêvão. Nascido em Tarso na Cilícia, de família judia e 
rica, a ponto de Paulo ter conseguido comprar a cidadania romana. Na cidade de 
Tarso aprende a língua grega, como sua língua própria, mas sua formação é 
judaica (Forte, 2005, p. 167). 
Aos 13,14 anos seus pais o enviam para Jerusalém, pois o menino judeu 
deveria apresentar-se no templo judaico, a partir daí, entrou para a famosa escola 
de Gamaliel, um dos mais importantes mestres da Torá (Forte, 2005, p. 168). De 
Jerusalém ele volta provavelmente para Tarso e aprende o ofício de fazedor de 
tendas, mas isso não o deixa totalmente satisfeito, e assim “voltou para Jerusalém, 
onde entra no partido dos fariseus, e assim começa a travar a sua luta contra o 
cristianismo (Forte, 2005, p. 168). 
 
 
 
13 
5.1 Perseguidor 
Paulo talvez tenha sido o mais rigoroso perseguidor da Igreja (1 Tm 1.13). 
A narrativa de At 9.1,2 diz: “Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os 
discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as 
sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, 
assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém”. 
Damasco, uma cidade importante no Oriente, é mencionada no AT como a 
capital do reino da Síria. Não temos informações da relação entre os judeus de 
Damasco e de Jerusalém,mas para Paulo, já era motivo suficiente para uma 
suspeita (Boor, 2003, p. 82). A reação de Ananias, um morador de Damasco 
sugere que o cristianismo “se infiltrou”, sem ter acesso por meio de uma 
evangelização por parte de homens notáveis. Não sabemos por que Saulo, depois 
de destruir a igreja em Jerusalém, dirige seu olhar precisamente para Damasco. 
Mas, Saulo está disposto a levar o caso do extermínio dos “cristãos” terrivelmente 
a sério. Por isso ele planeja deter tanto as mulheres como os homens (Boor, 2003, 
p. 82). 
5.2 A experiência de um encontro 
Por volta do ano 35-36 d.C. a caminho de Damasco, com o objetivo de 
refrear a evangelização dos discípulos de Jesus, ocorre a experiência que mudará 
a sua vida (At 9.1-9). Saulo acreditava verdadeiramente que estava servindo a 
Deus ao perseguir a Igreja. O capítulo 9 de Atos, mostra que Saulo simplesmente 
caiu, não foi derrubado, ou teve um mal súbito, o motivo da sua queda foi um 
encontro pessoal com o próprio Cristo (At 9.4,5). 
Nesse encontro, Saulo descobriu que Jesus estava vivo, motivo pelo qual 
ele perseguia os cristãos (ele não acreditava que o Cristo morto na cruz era o 
Messias prometido). Agora se Jesus Cristo estava vivo suas convicções estavam 
equivocadas. Ao invés de um servo de Deus, havia se tornado um perseguidor da 
Igreja de Cristo, mas como Cristo escolhe as coisas loucas desse mundo (1 Co 
1.27), Saulo se tornaria o apóstolo dos gentios, um dos maiores pregadores e 
dono de um dos mais eloquentes discursos da história (Wiersbe, 2006, p. 568). 
 
 
 
14 
5.3 De perseguidor a perseguido 
“Depois que as escamas caíram dos olhos de Saulo, ele passou a ver 
novamente. Levantando-se, foi batizado e, depois de comer, recuperou as forças” 
(At 9. 18). A partir de agora veremos a mudança na história de Paulo: de 
perseguidor a perseguido. Sem demora ele começou a proclamar as boas novas 
do Jesus que ele perseguia, declarando que Jesus Cristo é o filho de Deus (At 9. 
20). 
Tudo isso era tão espantoso aos olhos de todos que ninguém em Damasco 
podia acreditar, mas Saulo se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que 
viviam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo (Wiersbe, 2006, p. 571). 
O perseguidor agora respirava ameaças de morte, pois os judeus haviam decidido 
matá-lo, razão pela qual teve que fugir as escondidas para, através de uma 
abertura na muralha (At 9.25,26). O livro de Gálatas 1.7 mostra para onde Saulo 
foi e quanto tempo permaneceu ali. Ele foi para a região da Arábia, e ficou ali por 
três anos. 
Wiersbe (2006) afirma que, “ao voltar a Damasco, Saulo começou a 
testemunhar novamente, mas os judeus tentaram calá-lo” (Wiersbe, 2006, p. 571). 
O texto de Atos 9.27-28 diz que foi Barnabé quem ajudou a igreja de Jerusalém a 
aceitar Saulo: 
Então Barnabé veio ajudá-lo e o apresentou aos apóstolos. E lhes contou 
como Saulo tinha visto o Senhor no caminho e como o Senhor havia 
falado com ele. Barnabé também contou como, em Damasco, Saulo, 
pelo poder do nome de Jesus, havia anunciado corajosamente o 
evangelho. Depois disso Saulo ficou com eles, andando por toda parte 
em Jerusalém; e, pelo poder do nome do Senhor, ele anunciava 
corajosamente o evangelho. 
Saulo faz uma passagem interessante de Perseguidor para perseguido e 
agora para um seguidor, um discípulo de Barnabé. A vida de Paulo nos ensina 
que bons discípulos podem se tornar grandes discipuladores (Wiersbe, 2006, p. 
572). 
FINALIZANDO 
Chegamos ao final desta etapa e entendemos a missão tripla da igreja, 
firmamos os pés nos fundamentos da evangelização, conhecemos mais a fundo 
os quatro apóstolos mais chegados de Jesus e presenciamos a transformação de 
Paulo de perseguidor a apóstolo é um poderoso testemunho do poder redentor de 
 
 
15 
Cristo. Sua vida exemplifica a verdade do Evangelho, que pode transformar os 
corações mais endurecidos e levá-los a uma nova vida em Cristo. Paulo se tornou 
um modelo de fé, coragem e compromisso para os cristãos de todas as gerações, 
lembrando-nos de que nenhuma pessoa está além do alcance da graça 
transformadora de Deus. 
 
 
 
16 
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Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica editora, 2006. v. 1.

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