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AULA 6 DISCIPULADO E EVANGELIZAÇÃO Prof.ª Merlise dos Santos 2 INTRODUÇÃO Vamos descobrir juntos quais são os fundamentos da evangelização. Descobriremos que os discípulos eram homens comuns, e vamos conhecer quatro homens considerados os mais achegados de Jesus, além de destacar o apóstolo Paulo e sua conversão como o maior acontecimento da história da igreja, depois do Pentecostes. Nesta etapa vamos tratar da adoração, edificação e adoração como parte da missão da Igreja. Esses três pilares fundamentais refletem o mandato de Jesus Cristo para seus seguidores, inspirando a igreja a cumprir seu papel na transformação do mundo. Ao edificar uns aos outros, ensinar os crentes o que é a verdadeira adoração e anunciar a salvação, a igreja cumpre sua missão de ser luz e sal na sociedade. TEMA 1 – A IGREJA E SUA MISSÃO TRIPLA Ekklesia é a palavra grega usada no NT para Igreja e significa “uma congregação de cristãos, ficando implícita a interação entre os membros” (Louw; Nida, 2013, p. 115). A missão tripla da igreja é composta pela adoração, edificação e evangelização, e cada componente é essencial para a identidade e propósito da comunidade cristã. Cada um desses pilares desempenha um papel fundamental na vida da Igreja e em seu testemunho no mundo. 1.1 Adoração É o coração pulsante da vida da igreja, o momento em que os crentes se reúnem para louvar, glorificar e honrar a Deus. A adoração é mais do que apenas cantar hinos e orar; é um ato de entrega total a Deus, reconhecendo Sua soberania, bondade e graça. Por meio da adoração, os crentes encontram renovação espiritual, intimidade com Deus e comunhão uns com os outros. 1.2 Edificação A edificação refere-se ao processo contínuo de crescimento espiritual e fortalecimento mútuo dentro da comunidade cristã. Isso envolve ensino da Palavra de Deus, comunhão fraternal, encorajamento mútuo, discipulado e serviço uns aos outros. A edificação visa capacitar os crentes a crescerem em maturidade 3 espiritual, desenvolverem seus dons e talentos, e viverem de acordo com os princípios do Evangelho. 1.3 Evangelização A evangelização é a missão de proclamar o Evangelho de Jesus Cristo ao mundo e fazer discípulos de todas as nações. É o chamado da Igreja para compartilhar o amor redentor de Deus com aqueles que ainda não conhecem a Cristo e convidá-los a se reconciliarem com Deus. Isso pode ser feito por meio de pregação, testemunho pessoal, ministério social, missões transculturais e outras formas de alcance evangelístico. Esses três aspectos da missão da Igreja estão interconectados e se complementam mutuamente. • A adoração prepara os crentes espiritualmente para o serviço e testemunho. O termo hebraico latreia, que significa serviço ou ministério, apresenta a responsabilidade de oferecer adoração (Milne, 2005, p. 229); • A edificação fortalece e capacita a comunidade para cumprir sua missão evangelística; • A evangelização traz novos crentes para a comunidade da fé, onde eles são nutridos, ensinados e fortalecidos na adoração e edificação contínuas; e leva a mensagem do Evangelho para os povos não alcançados. A evangelização, conforme Shedd (1996), é o privilégio de apresentar o evangelho aos que se encontram perdidos, a partir de um evangelho salvador, íntegro, capaz de modificar a vida de quem o recebe por completo, como uma semente de boa qualidade, plantada com o objetivo de germinar e ser capaz de se reproduzir. O autor afirma que a mensagem da evangelização que diz respeito ao sacrifício de Jesus na cruz é a única maneira do perdido pecador chegar até Deus (Shedd, 1996, p. 12). Juntas, adoração, edificação e evangelização formam uma tríade dinâmica que expressa a natureza multifacetada da missão da Igreja no mundo. Ao viver e compartilhar o Evangelho por meio dessas três dimensões, a Igreja cumpre seu chamado de ser uma luz para o mundo e um instrumento de transformação e redenção na sociedade. 4 1.4 Missão A palavra missão é envolve uma ação, significa o que Jesus ordenou que seu povo fizesse, e isso abrange a responsabilidade e o evangelismo. Stott (2010) define evangelismo como “o anúncio das boas novas” (Stott, 2010, p. 47). Seu significado nada tem a ver com resultados ou métodos, mas com arrependimento, fé, mudança de vida e consciência de uma necessidade de perdão. O autor defende que o evangelismo é para todos aqueles que já ouviram falar de Jesus e para aqueles que nunca ouviram falar dele. Ele sustenta que, para experimentar essa nova vida, existe um custo, que é chamado de sacrifício, ou algo que precisa ser deixado de lado para estar em sintonia com Deus (Stott, 2010, p. 46). Evangelismo vem da palavra grega Euangelizomai, que significa trazer ou anunciar o euangelion, as boas novas (Stott, 2010, p. 46). 1.4.1 Proclamação das boas Novas No Novo Testamento, o evangelismo é visto como a proclamação das boas novas do Reino de Deus através da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Jesus mesmo começou seu ministério público proclamando o evangelho, dizendo: “O tempo é cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15). Ele anunciou a chegada do Reino de Deus, oferecendo salvação, perdão e libertação para todos os que nele creem. 1.4.2 Testemunho pessoal Além da proclamação verbal, o evangelismo no Novo Testamento é frequentemente acompanhado pelo testemunho pessoal dos seguidores de Jesus. Os discípulos foram chamados a serem testemunhas de Cristo “até os confins da terra” (Atos 1.8), compartilhando suas experiências pessoais de como Jesus transformou suas vidas e oferece salvação a todos. O testemunho pessoal é uma forma poderosa de comunicar o evangelho de maneira autêntica e relevante. 1.4.3 Missão universal O evangelismo no Novo Testamento é uma missão universal, destinada a alcançar todas as nações e pessoas de todas as esferas da vida. Jesus instruiu 5 seus discípulos a irem e fazerem discípulos de todas as nações (Mateus 28.19- 20), levando a mensagem do evangelho além das fronteiras étnicas, culturais e sociais. O livro de Atos relata como os primeiros cristãos foram fiéis a essa missão, levando o evangelho para além de Jerusalém, até os confins da terra. 1.4.4 Poder do Espírito Santo O evangelismo no Novo Testamento é capacitado pelo poder do Espírito Santo. Jesus prometeu aos seus discípulos que receberiam poder quando o Espírito Santo viesse sobre eles, capacitando-os a serem suas testemunhas (Atos 1.8). O Espírito Santo dá aos crentes coragem, sabedoria, discernimento e ousadia para proclamar o evangelho com eficácia e autoridade. Assim, o evangelismo no Novo Testamento é o cumprimento da missão de Jesus Cristo, que chamou seus seguidores para proclamar as boas novas do Reino de Deus, testemunhando pessoalmente do seu poder transformador, alcançando todas as nações e pessoas com o poder do Espírito Santo. É uma missão sagrada e urgente que continua até os dias de hoje, desafiando os crentes a compartilharem o amor de Cristo com o mundo ao seu redor (Stott, 2010, p. 66- 67). TEMA 2– FUNDAMENTOS DA EVANGELIZAÇÃO A evangelização, como conceito fundamental no Cristianismo, é enraizada em diversos princípios bíblicos que orientam os crentes a compartilhar a mensagem do Evangelho com o mundo. A Bíblia é repleta de passagens que destacam a importância e o mandamento de evangelizar, fornecendo diretrizes e motivos para os cristãos se engajarem nessa missão sagrada. 2.1 Plantando sementes A Grande Comissão, encontrada em Mateus 28.19-20, é uma das bases bíblicas mais sólidas para a evangelização. Nessa passagem, Jesus instrui seus discípulos a irem e fazerem discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e doEspírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que Ele ordenou. Essa comissão é vista como um chamado universal para todos os cristãos, não apenas para líderes religiosos, a proclamar o Evangelho e fazer discípulos em todas as esferas da vida. 6 Espalhar as sementes do evangelho implica o privilégio de apresentá-lo aos que se encontram perdidos, a partir de uma mensagem salvadora, íntegra, capaz de modificar a vida de quem o recebe por completo, como uma semente de boa qualidade, plantada com o objetivo de germinar e ser capaz de se reproduzir. A mensagem da evangelização diz respeito ao sacrifício de Jesus na cruz, e essa é a única maneira de chegar até Deus. 2.2 Compaixão A compaixão de Jesus pelos perdidos e marginalizados o levou a buscar e salvar os perdidos (Lucas 19.10), e os cristãos são chamados a seguir seu exemplo, compartilhando a mensagem de esperança e redenção com aqueles que estão espiritualmente perdidos. O texto de Lucas 19.10 demonstra o tipo de amor que brota do coração de Deus, que todos tenham a possibilidade de salvação. O texto conta a história de Zaqueu, um homem rico de bens, mas pobre porque precisava da salvação. Um homem de posses que precisava do amor de Deus. Zaqueu não foi salvo porque fez promessas de fazer boas obras, mas foi salvo por sua fé, em resposta ao convite de Jesus. A evangelização brota do coração de Deus, porque Ele sabe que a partir disso o pecador tem a possibilidade de “uma relação viva com Cristo, e como resultado, uma mudança radical de vida” (Wiersbe, 2006, p. 327). Wiersbe afirma que, de acordo com a Lei mosaica, se um ladrão confessava voluntariamente seu crime, deveria restituir o que havia roubado com um acréscimo de 20% e levar uma oferta pela culpa ao Senhor (Lv.6.1-7). Se havia roubado algo que não pudesse restituir, deveria ressarcir quatro vezes o valor (Êx. 22.1); e se havia sido encontrado com os bens em questão, deveria ressarcir duas vezes o valor (Êx. 22.4) (Wiersbe, 2006, p. 327). Zaqueu havia se encontrado com o próprio Jesus, o Salvador que se compadece de todos, e não teve dúvidas do que deveria fazer, tão grande foi o impacto que as palavras de Jesus fizeram com o coração dele. 2.3 Amor ao próximo Outro princípio bíblico importante para a evangelização é o amor ao próximo. Jesus ensinou que devemos amar nosso próximo como a nós mesmos (Mateus 22.39), e esse amor nos motiva a desejar que outros experimentem a salvação e o perdão que encontramos em Cristo. 7 O amor ao próximo é a melhor maneira de entender e missão da Igreja e sua obra evangelizadora. A Igreja, vinda do amor dos Três (Igreja da Trindade), é a imagem da comunhão trinitária e tende para a Trindade ao longo do tempo. Tudo na Igreja vem do amor do três vezes Santo Deus: Pai, Filho e Espírito Santo (Forte, 2018, p. 140-142). O coração pulsante da Igreja é o agápe, o amor que vem de cima e tende a voltar de cima. O agápe é a regra da vida adotada pelos discípulos de Jesus, que acreditam no poder de Sua revelação no amor infinito do Pai: o agápe é a fonte inesgotável do ímpeto missionário da Igreja ao serviço da evangelização mundial para os cantos mais distantes da terra e do coração. Pode-se, portanto, afirmar que desde o início a Igreja se incluiu nas missões divinas, como um sinal e um instrumento de sua realização no tempo, totalmente imersa na história trinitária de Deus com o mundo. “Pessoas reunidas pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Lumen Gentium 4, 1964). Originário da Trindade e organizado à imagem da Trindade, a Igreja – Ícone da Trindade – não tem outro objetivo a não ser a glorificação do Pai, por meio do Filho e no Espírito Santo. Esforçando-se para esse destino, ignorando a si mesma e sua própria glória, a Igreja alcança sua missão evangelização – uma verdadeira missão da Trindade – acima de tudo como uma kènose de glória divina: a Trindade coloca suas tendas no tempo através da Igreja, que carrega o fardo das limitações que derivam dessa dimensão histórica e mundana. O Espírito é o principal autor desta kènose, que historiciza a missão divina, tornando-a a missão da Igreja. TEMA 3 – HOMENS COMUNS Os Doze Apóstolos são figuras comuns, mas também centrais no cristianismo primitivo, escolhidos pessoalmente por Jesus Cristo para serem seus discípulos mais próximos e para liderar a expansão do seu ministério após a sua ascensão. Este grupo seleto desempenhou um papel crucial na fundação e na disseminação da fé cristã, e suas vidas são uma fonte de inspiração e ensinamento para os cristãos até os dias de hoje. Mas, como afirma MacArthur (2019), “os doze eram como o resto de nós; foram selecionados dentre os indignos e inaptos” (MacArthur, 2019, p. 29). 8 3.1 Apóstolo O ministério dos Apóstolos formado pelos 12 discípulos escolhidos por Jesus terminou. Conforme o teólogo Wiersbe (2006) ninguém pode se intitular um Apóstolo nos dias de hoje, pois para ser considerado um Apóstolo, eram necessárias qualificações especiais. 3.1.1 Testemunha ocular Conforme o teólogo, “Uma das qualificações de um apóstolo era que tivesse visto o Cristo ressuscitado (At 1.22; 1 Co 9.1); uma vez que hoje ninguém pode dizer que teve essa experiência, a igreja não possui mais apóstolos” (Wiersbe, 2006, p. 548). 3.1.2 Enviado em missão A palavra apóstolo significa “enviado”, em missão, e tem origem na palavra grega apostolos, tendo sido usada cerca de 80 vezes no Novo Testamento (Bühner, 2004, p. 379-380). Algo interessante de frisar é que, conforme Rengstorf (1965), “o enviado não é o importante”, e sim a missão (Rengstorf, 1965, p. 1069- 1071). O apóstolo é o mensageiro, um instrumento, encarregado de uma incumbência ou missão (Mounce, 2013, p. 113). A palavra apóstolo foi usada nas origens do cristianismo dentro do contexto missionário e foi usada também fora da totalidade dos 12 escolhidos, como acrescenta Walls (2007), sobre os intitulados apóstolos: Há instâncias no NT onde, [...], parece que o título foi dado a outros além dos doze. Tiago, irmão do Senhor, aparece como tal em Gl 1, 19; 2,9, e, embora não tivesse sido discípulo (cf. Jo 7,5), recebeu uma aparição do ressuscitado só para si (1Co 15,7). Barnabé é chamado de apóstolo em At 14,4.14, e é introduzido por Paulo num argumento que nega qualquer diferença qualitativa entre seu próprio apostolado e o dos doze (1Co 9,1- 6). Os desconhecidos Andrônico e Júnias são com toda a probabilidade chamados apóstolos em Rm 16,7, e Paulo, sempre cuidando do emprego dos pronomes pessoais, pode ter assim chamado a Silas, em 1Ts 2,6 (Walls, 2007, p. 68). E o próprio Paulo, que extrapola o número dos 12, considerado um apóstolo por vocação (Rm 1.1). fica claro que a palavra apóstolo, no início do cristianismo, não era um privilégio, do ponto de vista do status, mas um serviço missionário. 9 3.2 A lista O Novo Testamento nos oferece quatro listas com os nomes dos escolhidos: Mateus 10.2-4 Marcos 3.16-19 Lucas 6.13-16 Atos 1.13 Grupo 1 Pedro, André, Tiago, João Pedro, Tiago, João, André Pedro, André, Tiago, João Pedro, Tiago, João, André Grupo 2 Filipe, Bartolomeu (mais conhecido como Natanael), Tomé, Mateus Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus Grupo 3 Tiago (filho de Alfeu), Tadeu, Simão, Judas Iscariotes Tiago (filho de Alfeu), Tadeu, Simão, Judas Iscariotes Tiago (filho de Alfeu), Simão, Judas (filho de Tiago), Judas Iscariotes Tiago (filho de Alfeu), Simão, Judas (filho de Tiago) Algo que se destaca nas quatro listas é o nome de Pedro, que aparece como o primeiro nome escolhido em todas elas. Pedro é o líder e também o porta- voz do grupo dos doze. O segundo grupo é sempre formado por “Filipe em primeiro lugar. O terceiro grupotem Tiago (filho de Alfeu), no começo da lista. Nas três listas em que o nome de Judas Iscariotes aparece, sempre vem por último com o comentário que o identifica como traídor. Seu nome não aparece na lista de Atos, pois nessa época já estava morto” (MacArthur, 2019, p. 47,48). TEMA 4 – PEDRO, ANDRÉ, TIAGO, JOÃO John MacArthur (2019) afirma que a lista parece estar em ordem decrescente, baseado no nível de intimidade com Jesus (MacArthur, 2019, p. 48). E que Pedro, André, Tiago e João formam uma espécie de círculo ainda mais íntimo, “esses três veem-se com Jesus nos principais acontecimentos de seu ministério, quando os outros apóstolos não estão presentes ou não se encontram tão próximos. Os membros desse grupo estavam, por exemplo, no monte da 10 Transfiguração e no lugar mais interior do Getsêmani” (Mateus 17.1; Marcos 5.37; 13.3; 14.33) (MacArthur, 2019, p. 48,49). O mesmo autor também sugere que, esse grupo parece ser mais ligado entre si, pois todos eram pescadores, Pedro e André eram irmãos (Mt 4.18) e Tiago e João filhos de Zebedeu também eram irmãos (Mt 4. 21), e possivelmente sócios da empresa de pesca que possuiam, e os quatro eram da mesma comunidade, sendo assim, amigos há mais tempo (MacArthur, 2019, p. 49). 4.1 Pedro – gente como a gente Entre os Doze Apóstolos, Pedro emerge como uma figura proeminente. Conhecido por sua impulsividade, zelo e obediência, Pedro foi escolhido por Jesus para ser o líder do grupo. Apesar de suas falhas, como negar Jesus três vezes antes da crucificação, Pedro se tornou um poderoso pregador e líder da igreja primitiva em Jerusalém. Também conhecido como Simão Pedro (Lc 6. 14). Simão era um nome conhecido na época e a Bíblia traz pelo menos “sete Simões”, apenas nos evangelhos. No próprio grupo dos doze, havia dois Simão (Simão Pedro e Simão o Zelote). O Simão Pedro era também chamado de Simão Barjonas, que significa “filho de Jonas” (Mt 16.17) (Macarthur, 2019, p. 51). Lucas apresenta Pedro da seguinte forma: “Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro” (Lc 6. 14). Aqui Jesus não lhe deu o novo nome para usar, mas acrescentou ao nome de Pedro. ‘Pedro’ era uma espécie de apelido que significa rocha” (Macarthur, 2019, p. 51). Pedro, inicialmente conhecido como Simão, era um pescador de Betsaida, na Galileia (Jo 1.44), quando foi chamado por Jesus para se tornar um de seus discípulos. Em um encontro transformador às margens do Mar da Galileia, Jesus disse a Simão: “Venha comigo, e eu farei de você pescadores de homens” (Mt 4.19), indicando sua futura importância na igreja de Cristo. Sua confissão de fé em Cesareia de Filipe, quando ele proclamou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16), é um momento crucial que demonstra sua compreensão da verdadeira identidade de Jesus. No entanto, a vida de Pedro também é marcada por momentos de fraqueza e falha. Ele é conhecido por ter negado Jesus três vezes durante a prisão de Jesus, apesar de suas promessas anteriores de lealdade. Essa experiência dolorosa é um lembrete da fragilidade humana, mas também da graça e do perdão de Jesus, 11 que restaurou Pedro e o comissionou para apascentar suas ovelhas (Jo 21.15- 19). Após a ascensão de Jesus, Pedro desempenhou um papel vital na liderança da igreja primitiva. Ele pregou corajosamente o Evangelho no Dia de Pentecostes, resultando na conversão de milhares de pessoas, e desempenhou um papel fundamental na aceitação dos gentios na comunidade cristã, conforme registrado em Atos 10. A tradição cristã afirma que Pedro foi martirizado em Roma durante o reinado do imperador Nero, sofrendo a crucificação de cabeça para baixo por se considerar indigno de morrer da mesma maneira que seu Senhor. Simão Pedro havia sido preso e estava aguardando julgamento sob o governo de Nero, em Roma, “A tradição da Igreja Cristã, [...], declara reiteradas vezes, que o apóstolo Pedro sofreu martírio na cidade de Roma durante a perseguição desencadeada pelo terrível e sanguinário imperador Nero, provavelmente entre 65 e 67 d.C.” (Castro, 2020, p. 43). Em suma, a vida de Simão Pedro é uma história de transformação, redenção e serviço fiel a Jesus Cristo. Seus sucessos e falhas o tornam uma figura profundamente humana e inspiradora, lembrando-nos da graça abundante de Deus e do poder transformador do Evangelho. 4.2 André Dos quatro apóstolos, André é o menos conhecido, mas foi o primeiro de todos os discípulos a ser chamado (Jo 1.40-42), ele era discípulo de João Batista, antes de ser discípulo de Jesus, e foi ele que apresentou seu irmão Pedro a Cristo, apesar de ser o que menos aparece (MacArthur, 2019, p. 81). Segundo a tradição cristã, André foi crucificado numa cruz em formato de “’X’ chamada de Crux decussata, popularmente conhecida como ‘cruz de santo André’” (Moreira, 2023, p. 14). 4.3 Tiago Conhecido como “Tiago Maior” ou Tiago mais velho, devido ao outro apóstolo Tiago, filho de Alfeu. Era irmão de João e apelidados por Jesus como “Filhos do Trovão” (Mc 3.17; Lc 9.54) (Moreira, 2023, p. 11). Esteve presente em muitos acontecimentos, como na ressurreição da filha de Jairo (Mc 5.37), na 12 transfiguração (Mt 17.1,2), no Getsêmani (Mt 26,37). Conforme Moreira (2023), “Tiago foi o primeiro apóstolo a ser martirizado e o único a ter um registro bíblico. O apóstolo foi decapitado a mando de Herodes Agripa I, por volta do ano 44 d.C. (At 12.1,2) (Moreira, 2023, p. 11). 4.4 João João, conhecido como o apóstolo do amor, irmão de Tiago, é o mais jovem entre todos do grupo dos doze. Escreveu um dos evangelhos, três epístolas e o livro de Apocalipse (MacArthur, 2019, p. 113). Conforme Moreira (2023), João foi o único apóstolo que acompanhou Cristo até a sua crucificação. No caminho da cruz, Cristo, ao vê-lo, deu-lhe a responsabilidade de cuidar de Maria sua mãe (Jo 19.26,27). Depois de receber o Espírito Santo em Pentecostes (At 1.8), o apóstolo pregou com autoridade e ao lado de Pedro alcançaram milhares de almas. (Moreira, 2023, p. 10) João viveu mais do que todos os apóstolos, segundo os relatos de estudiosos foi durante o reinado do imperador Trajano, por volta de 98 d.C., com quase 100 anos. O amor tornou-se o centro e o fundamento da verdade da vida e da história desse apóstolo tão extraordinário (MacArthur, 2019. p. 134). TEMA 5 – APÓSTOLO PAULO Paulo nasceu no início da era cristã, sabemos disso pelo texto de Atos 7.58, onde a narrativa apresenta (Saulo, significa “o desejado”) como um jovem expectador da morte de Estêvão. Nascido em Tarso na Cilícia, de família judia e rica, a ponto de Paulo ter conseguido comprar a cidadania romana. Na cidade de Tarso aprende a língua grega, como sua língua própria, mas sua formação é judaica (Forte, 2005, p. 167). Aos 13,14 anos seus pais o enviam para Jerusalém, pois o menino judeu deveria apresentar-se no templo judaico, a partir daí, entrou para a famosa escola de Gamaliel, um dos mais importantes mestres da Torá (Forte, 2005, p. 168). De Jerusalém ele volta provavelmente para Tarso e aprende o ofício de fazedor de tendas, mas isso não o deixa totalmente satisfeito, e assim “voltou para Jerusalém, onde entra no partido dos fariseus, e assim começa a travar a sua luta contra o cristianismo (Forte, 2005, p. 168). 13 5.1 Perseguidor Paulo talvez tenha sido o mais rigoroso perseguidor da Igreja (1 Tm 1.13). A narrativa de At 9.1,2 diz: “Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém”. Damasco, uma cidade importante no Oriente, é mencionada no AT como a capital do reino da Síria. Não temos informações da relação entre os judeus de Damasco e de Jerusalém,mas para Paulo, já era motivo suficiente para uma suspeita (Boor, 2003, p. 82). A reação de Ananias, um morador de Damasco sugere que o cristianismo “se infiltrou”, sem ter acesso por meio de uma evangelização por parte de homens notáveis. Não sabemos por que Saulo, depois de destruir a igreja em Jerusalém, dirige seu olhar precisamente para Damasco. Mas, Saulo está disposto a levar o caso do extermínio dos “cristãos” terrivelmente a sério. Por isso ele planeja deter tanto as mulheres como os homens (Boor, 2003, p. 82). 5.2 A experiência de um encontro Por volta do ano 35-36 d.C. a caminho de Damasco, com o objetivo de refrear a evangelização dos discípulos de Jesus, ocorre a experiência que mudará a sua vida (At 9.1-9). Saulo acreditava verdadeiramente que estava servindo a Deus ao perseguir a Igreja. O capítulo 9 de Atos, mostra que Saulo simplesmente caiu, não foi derrubado, ou teve um mal súbito, o motivo da sua queda foi um encontro pessoal com o próprio Cristo (At 9.4,5). Nesse encontro, Saulo descobriu que Jesus estava vivo, motivo pelo qual ele perseguia os cristãos (ele não acreditava que o Cristo morto na cruz era o Messias prometido). Agora se Jesus Cristo estava vivo suas convicções estavam equivocadas. Ao invés de um servo de Deus, havia se tornado um perseguidor da Igreja de Cristo, mas como Cristo escolhe as coisas loucas desse mundo (1 Co 1.27), Saulo se tornaria o apóstolo dos gentios, um dos maiores pregadores e dono de um dos mais eloquentes discursos da história (Wiersbe, 2006, p. 568). 14 5.3 De perseguidor a perseguido “Depois que as escamas caíram dos olhos de Saulo, ele passou a ver novamente. Levantando-se, foi batizado e, depois de comer, recuperou as forças” (At 9. 18). A partir de agora veremos a mudança na história de Paulo: de perseguidor a perseguido. Sem demora ele começou a proclamar as boas novas do Jesus que ele perseguia, declarando que Jesus Cristo é o filho de Deus (At 9. 20). Tudo isso era tão espantoso aos olhos de todos que ninguém em Damasco podia acreditar, mas Saulo se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que viviam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo (Wiersbe, 2006, p. 571). O perseguidor agora respirava ameaças de morte, pois os judeus haviam decidido matá-lo, razão pela qual teve que fugir as escondidas para, através de uma abertura na muralha (At 9.25,26). O livro de Gálatas 1.7 mostra para onde Saulo foi e quanto tempo permaneceu ali. Ele foi para a região da Arábia, e ficou ali por três anos. Wiersbe (2006) afirma que, “ao voltar a Damasco, Saulo começou a testemunhar novamente, mas os judeus tentaram calá-lo” (Wiersbe, 2006, p. 571). O texto de Atos 9.27-28 diz que foi Barnabé quem ajudou a igreja de Jerusalém a aceitar Saulo: Então Barnabé veio ajudá-lo e o apresentou aos apóstolos. E lhes contou como Saulo tinha visto o Senhor no caminho e como o Senhor havia falado com ele. Barnabé também contou como, em Damasco, Saulo, pelo poder do nome de Jesus, havia anunciado corajosamente o evangelho. Depois disso Saulo ficou com eles, andando por toda parte em Jerusalém; e, pelo poder do nome do Senhor, ele anunciava corajosamente o evangelho. Saulo faz uma passagem interessante de Perseguidor para perseguido e agora para um seguidor, um discípulo de Barnabé. A vida de Paulo nos ensina que bons discípulos podem se tornar grandes discipuladores (Wiersbe, 2006, p. 572). FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa e entendemos a missão tripla da igreja, firmamos os pés nos fundamentos da evangelização, conhecemos mais a fundo os quatro apóstolos mais chegados de Jesus e presenciamos a transformação de Paulo de perseguidor a apóstolo é um poderoso testemunho do poder redentor de 15 Cristo. Sua vida exemplifica a verdade do Evangelho, que pode transformar os corações mais endurecidos e levá-los a uma nova vida em Cristo. Paulo se tornou um modelo de fé, coragem e compromisso para os cristãos de todas as gerações, lembrando-nos de que nenhuma pessoa está além do alcance da graça transformadora de Deus. 16 REFERÊNCIAS BÜHNER, J.-A. ἀπόστολος. In: BALZ, H; SCHNEIDER, G. Dizionario Exegetico del Nuovo Testamento. Brescia: Paideia Editrice, 2004. CASTRO, A. São Pedro: apóstolo de Jesus. Joinville: Clube dos Autores. 2020. FORTE, Bruno. A transmissão da fé. Trad. Silva Debetto. São Paulo: Edições Loyola, 2018. _____. Exercícios espirituais no Vaticano: seguindo a ti, luz da vida. Trad. Francisco Morás. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. LOUW, J. P.; NIDA, E. A. Léxico grego-português do Novo Testamento baseado em domínios semânticos. Trad. Vilson Scholz. Barueri, SP: SBB, 2013. MACARTHUR, J. Doze homens extraordinariamente comuns: como os apóstolos foram moldados para alcançar o sucesso em sua missão. Trad. Suzana Klassen. 2. ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2019. MILNE, BRUCE. Estudando as doutrinas da Bíblia. 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