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AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DISCIPULADO E 
EVANGELIZAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Merlise dos Santos 
 
 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Nesta etapa vamos tratar do discipulado no Novo Testamento, 
conheceremos os Talmidim, passaremos pelo papel do discípulo no cumprimento 
da sua missão, bordaremos os perigos do etnocentrismo no desenvolvimento da 
evangelização e falaremos do preço do discipulado e do papel do discípulo no 
desenvolvimento da missão. 
A palavra discípulo vem da raiz grega e significa aprendiz, estudante, aluno, 
seguidor, aquele que ensina e instrui (posterior ao aprendido). Não está 
necessariamente relacionada ao fato de ser um simples seguidor de algo ou 
alguma coisa, mas refere-se àquele que toma como exemplo os preceitos do seu 
mestre. Para entendermos melhor o discípulo no NT, convido-o a olhar 
brevemente para o original grego. 
TEMA 1 – DISCÍPULO NO NOVO TESTAMENTO 
O Novo Testamento traduz a palavra discípulo do grego Mathetês: 
24 Então Jesus disse aos discípulos: Se alguém quiser vir após mim, 
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 
25 Pois quem quiser preservar sua vida, irá perdê-la; mas quem perder 
a vida por minha causa, este a preservará. 
26 Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a vida? 
Ou, que dará o homem em troca da sua vida? 
27 Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus 
anjos, e então retribuirá a cada um segundo suas obras. 
28 Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui de modo nenhum 
provarão a morte até que vejam o Filho do homem vindo no seu reino. 
(Mateus 16.24-28/ Bíblia Almeida Século XXI) 
1.1 Estudo indutivo 
Citação Texto Significado 
 
 
Mateus 16.24 
 
Então Jesus disse aos discípulos: Se 
alguém quiser vir após mim, negue-se a si 
mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 
 
 
Aprendiz, pupilo, 
aluno, discípulo. 
 
 
João 8.31 
 
 
Jesus dizia aos judeus que haviam crido 
nele: Se permanecerdes na minha palavra, 
sereis verdadeiramente meus discípulos; 
 
 
Aprendiz, pupilo, 
aluno, discípulo. 
 
 
 
Mateus 27.57 
 
 
 
Ser discípulo de alguém, 
seguir seus preceitos e 
 
 
3 
Ao cair da tarde, um homem rico chamado 
José, que também era discípulo de Jesus, 
veio de Arimateia. 
instruções, tornar 
discípulo, ensinar, instruir. 
 
1.2 Descrição provisória 
No Novo Testamento a palavra discípulo é a tradução do grego mathetes, 
(μαθητής), que está relacionada com a palavra manthano (“aprender”) e significa 
“aprendiz, aluno, adepto”, traz a ideia de pupilo, ser instruído e ensinado. A palavra 
aparece aproximadamente 80 vezes só no Evangelho de Mateus, e tanto nas 
versões NTLH, NVI e Almeida sec. XXI a palavra é traduzida como “como aqueles 
que seguiam a Jesus”, A única exceção é Mt 10.24,25, que é um ensino sobre a 
relação de grandeza entre discípulo e mestre (Martins, 2017, p. 20). 
1.3 Consulta em outras fontes 
1.3.1 Dicionário VINE 
Mathetes (μαθητής), literalmente, “aprendiz” (derivado de manthanõ, 
“aprender”, proveniente de uma raiz math-, que indica pensamento 
acompanhado por esforço). Um “discípulo” não era somente um aluno, 
mas um partidário; por conseguinte, falava-se que eles eram imitadores 
do mestre (cf. Jo 8.31; 15.8). O verbo matheteuõ é usado na voz ativa, 
no intransitivo, em alguns manuscritos, em (Mt 27.57), no sentido de ser 
o “discípulo” de uma pessoa; porém, aqui os melhores manuscritos têm 
a voz passiva, literalmente, “tinha sido discípulo”, como em (Mt 13.52) 
(“escriba”), “aquele que tinha sido discípulo”. É usado neste sentido 
transitivo, na voz ativa, em (Mt 28.19 e At 14.21) (Vine; Unger; William 
Jr. 2002, p. 569). 
1.3.2 Concordância fiel do Novo Testamento 
Discípulo – cf. Embaixador (Concordância..., 1994, p. 187). 
1.3.3 Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento 
O verbo manthanõ ocorre apenas 25 vezes no NT, e apenas 6 vezes nos 
Evangelhos, onde se poderia esperar que ocorresse mais frequentemente como 
marca do discipulado. (3 vezes em Mateus, 1 vez em Marcos, 2 vezes em João; 
Lucas o emprega uma só vez, em Atos). O substantivo mathetês ocorre 264 vezes 
no NT, exclusivamente nos Evangelhos e Atos. Emprega-se para indicar total 
devoção a alguém, no discipulado (Coenen; Brown, 2000, p. 583-584). 
 
 
 
4 
1.3.4 Dicionário Ilustrado da Bíblia 
Estudante, aprendiz ou pupilo. Na Bíblia, a palavra é muitas vezes usada 
para se referir a um seguidor de Jesus. A palavra é raramente usada no Antigo 
Testamento. Isaías usou o termo discípulos para se referir àqueles que eram 
ensinados ou instruídos (Is 5.16). Essa palavra é, por vezes, usada de maneira 
mais específica para indicar os doze discípulos (Mt 10.1; 11.1; 20.17; Lc 9.1; os 
doze, ARA). De modo geral, os apóstolos correspondem a um grupo mais íntimo 
dos seguidores de Jesus: os discípulos referem-se a um grupo maior de 
seguidores do Mestre, tais como as mulheres que observavam Jesus na cruz e 
que descobriram o sepulcro vazio (Youngblood, 2004, p. 424). 
TEMA 2 – MENINOS EM ISRAEL 
Os meninos em Israel iniciavam os estudos bem cedo: o primeiro estágio 
era chamado de Beit Sefer. Essa é uma expressão em hebraico que se refere a 
uma escola ou casa de estudos, e tem grande relevância no contexto educacional 
judaico. Conforme as tradições judaicas, Beit Sefer é um espaço onde crianças e 
jovens estudam os princípios da fé judaica, as escrituras sagradas, e aprendem 
sobre a cultura judaica. Segundo Kivitz (2016, p. 7) nesse primeiro estágio: 
6 anos 10 anos 14 anos 
os meninos decoravam a 
Torá, os cinco primeiros 
livros da Bíblia: 
Gênesis, 
Êxodo, 
Levítico, 
Números e 
Deuteronômio 
Aos dez anos quando 
iniciavam o segundo 
estágio, chamado de Beit 
Talmud, já haviam 
decorado toda a lei de 
Moisés. Passavam então 
a estudar e decorar os 
livros históricos, 
poéticos, de sabedoria e 
os profetas de Israel 
Aos 14 anos, os meninos 
já haviam decorado o 
que hoje chamamos de 
Antigo Testamento, a 
Bíblia Hebraica” 
A preservação da língua hebraica, a leitura das escrituras sagradas, o 
estudo dos textos religiosos e a discussão de princípios éticos são algumas das 
atividades típicas realizadas em um Beit Sefer. O ambiente informal e acolhedor 
dessas instituições visa criar uma comunidade de aprendizado onde os 
 
 
5 
estudantes se sintam conectados e engajados com sua herança cultural e 
religiosa. 
Assim, ao atingir os 14 anos de idade, os meninos mais notáveis eram 
selecionados e designados para dar continuidade aos estudos sob os cuidados 
de algum rabino, para que aprendessem aos seus pés. Os meninos escolhidos 
eram chamados de Talmidim, conceito que o Novo Testamento traduz por 
discípulos. No singular, talmid (Kivitz, 2016, p. 7). 
O menino Jesus foi um desses meninos, capaz de maravilhar os rabinos: 
aos 12 anos de idade, além de decorar, compreender, citar, Jesus interpretava a 
Lei. Conforme o relato de Lc 2.46,47, “depois de três dias o encontraram no 
templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos 
os que ouviam ficavam maravilhados com o seu entendimento e com as suas 
respostas”. 
Mas Jesus também passou a ser chamado de mestre, rabi, rabino, e 
assim, começou a ter discípulos, condição essa que começou a incomodar os 
rabinos, pois os talmidim seguiam um ditado da época: “deixem-se cobrir pela 
poeira dos pés do seu rabino”. Kivitz explica que, ao andar tão próximos do seu 
mestre, ao final do dia estariam cobertos pela poeira dos pés do rabino. Dessa 
forma, os meninos talmidim deviam seguir, observar, ouvir o seu rabino com o 
objetivo de se tornarem iguais a eles (Kivitz, 2016, p. 8). 
TEMA 3 – DISCIPULADO 
Se sua escolha for pelo discipulado, é porque algo mais encantador que 
o espelho cativou sua alma. Por isso, o discipulado começa com a 
admiração por Cristo e se transforma na imitação diária de Cristo, a 
ponto desermos admirados por outras pessoas, não, obviamente, por 
quem somos, mas por quem imitamos. (FILHO, In: O custo do 
discipulado, 2019, p. 10). 
A palavra discipulado possui dois sentidos: o primeiro refere-se ao ato de 
seguir a Jesus, e o outro refere-se ao ato de ajudar alguém a seguir a Jesus. No 
primeiro caso, imito a Cristo, no segundo ajudo outras pessoas a imitarem Cristo. 
Diante dessa afirmativa, podemos concluir que quem não segue a Jesus não pode 
ajudar pessoas a seguirem a Jesus. Todo o discipulado gera uma decisão, e toda 
decisão implica um custo. Seguir a Jesus é uma decisão, logo tem um custo. 
Jesus responde sobre o custo de segui-lo em Lucas 14.25-35: 
²⁵ Uma grande multidão ia acompanhando Jesus; este, voltando-se para 
ela, disse: 
 
 
6 
²⁶ "Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus 
filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, 
não pode ser meu discípulo. 
²⁷ E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser 
meu discípulo. 
²⁸ "Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta 
e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? 
²⁹ Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que 
a virem rirão dele, 
³⁰ dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de 
terminar’. 
³¹ "Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, 
primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de 
enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? 
³² Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está 
longe, e pedirá um acordo de paz. 
³³ Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que 
possui não pode ser meu discípulo. 
³⁴ "O sal é bom, mas se ele perder o sabor, como restaurá-lo? 
³⁵ Não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora. "Aquele 
que tem ouvidos para ouvir, ouça". Lucas 14:25-35 
Conforme Madureira (2019), os motivos pelos quais há impedimentos para 
seguir a Jesus, estão destacados no texto. 
Quem não pode ser um discípulo de Jesus? 
1. Quem amar a própria vida 
2. Quem não levar a sua cruz 
3. Quem não renunciar 
3.1 Quem ama mais a própria vida 
Já entendemos que um discípulo é um aprendiz, alguém que está perto do 
mestre a fim de aprender. O discipulado é uma decisão diferenciada, porque se 
refere a pessoas que estão dispostas a pagar um preço. O verdadeiro discípulo 
de Jesus ama. Qual é o seu time de futebol preferido? Como você o ama? 
Podemos amar determinadas coisas como se elas fossem algo que elas não são. 
E o que isso tem a ver com o discipulado? 
No discipulado de Jesus, Ele exige que nos tornemos semelhante a Ele. “A 
ideia não é que o discípulo que ama, reflete as características ou atributos do 
objeto da adoração” (Beale, 2014, p. 12). 
3.2 Quem não levar a sua cruz 
O que significa carregar a cruz, nos dias de hoje? Significa dia a dia 
aproximar-se de Cristo, entregando as suas dores, seus sofrimentos, suas 
vontades, aos seus pés. Significa morrer para si mesmo, para os planos e 
 
 
7 
ganâncias desse mundo, e estar dispostos a aprender com a vida do mestre. 
Quando Jesus usou essas afirmações, ele estava a caminho de Jerusalém, ou 
seja, estamos falando aqui de alguém que sabe o que é verdadeiramente o 
significado de carregar uma cruz. A cruz era sinônimo de humilhação e rejeição, 
só os banidos pela sociedade carregavam uma cruz. 
3.3 Quem não renunciar 
A ideia de renúncia está ligada à disposição de abrir mão, das prioridades 
mundanas, como riquezas materiais, ambições egoístas e até mesmo laços 
familiares, em prol de um relacionamento mais profundo com Deus. Essa renúncia 
representa um compromisso de priorizar os valores espirituais sobre os temporais. 
Renunciar tudo para seguir a Jesus é um princípio fundamental no 
ensinamento cristão, refletindo a chamada à entrega total ao serviço divino. Ao 
longo dos séculos, muitos indivíduos exemplificaram essa renúncia em suas 
vidas, dedicando-se ao serviço, à caridade e à propagação do Evangelho. O 
exemplo mais marcante é encontrado nos próprios apóstolos de Jesus, que 
deixaram suas carreiras, famílias e seguranças para segui-Lo. Esse ato de 
renúncia não apenas os transformou como indivíduos, mas também impactou 
profundamente a disseminação da mensagem cristã. 
A renúncia para seguir a Jesus também traz consigo a promessa de uma 
vida plena e significativa, enraizada na comunhão com Deus e na participação 
ativa na construção do Seu Reino na Terra. Jesus, ao falar sobre a renúncia, 
promete recompensas espirituais e uma vida abundante, sugerindo que o que se 
perde neste mundo é superado pelo que é ganho na esfera espiritual. 
Assim, renunciar tudo para seguir a Jesus é um desafio radical, mas 
também uma jornada de transformação e plenitude espiritual. É uma resposta ao 
chamado divino para uma vida de fé, serviço e amor, moldada pela convicção de 
que seguir a Jesus é o caminho para a verdadeira realização e propósito. 
TEMA 4 – DISCÍPULO – QUEM É ELE AFINAL? 
No sentido real da palavra, discípulo é um aluno ou seguidor, aquele que 
se submete aos ensinos de alguém, que trilha o mesmo caminho, que usa das 
mesmas ideias do seu mestre. Ele procura conhecer, praticar e aplicar o mesmo 
modo de vida e a filosofia de vida do seu mestre. 
 
 
8 
Solonca (1993, p. 27) descreve o discípulo como alguém “disposto a deixar-
se moldar tanto por seus pensamentos quanto por suas ações”. É seguindo essa 
linha de pensamento, buscando o envolvimento e o desenvolvimento das relações 
entre si, que os “doze” amigos de Jesus foram um a um sendo convocados, 
tomados de um espírito profundo de amor, obediência e respeito: “Jesus chamou 
os doze discípulos e lhes deu poder e autoridade para expulsar todos os demônios 
e curar doenças. Então os enviou para anunciarem o Reino de Deus e curarem 
os doentes” (Lucas 9.1,2). Em Mateus 10.2-4, Jesus os chama: “Estes são os 
nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; 
Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, 
o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o zelote, e Judas Iscariotes, 
que o traiu”. 
Esses homens foram ensinados, treinados para alcançar outras pessoas, 
em conformidade com a ordem de Jesus em Mateus 28.18-20. Ali, Jesus, sabendo 
que seria a última vez que estaria junto com seus discípulos, deixa a sua ordem 
final, ordem que implicaria todas as energias de seus seguidores no trabalho a ser 
realizado dia após dia, por onde andassem: “portanto, vão e façam discípulos de 
todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 
ensinando-os a obedecer a tudo que eu lhes ordenei”. 
O mandamento é claro: “vão e façam discípulos”. Isto é, ensinem outras 
pessoas a obedecer às ordens de Jesus, andem com elas, acompanhem suas 
vidas, até o amadurecimento de seu caráter, a fim de que sejam capazes de gerar 
mais seguidores, visando o fortalecimento do corpo de Cristo, a Igreja. 
4.1 O que faz um discípulo? 
4.1.1 Ele faz uma escolha 
O discípulo faz uma escolha, que envolve uma disponibilidade para pagar 
um preço alto, por um objetivo mais alto ainda. Sua escolha o torna uma pessoa 
voluntária. Tal escolha, em momento algum lembra uma obrigação ou peso, mas 
com alegria em seu coração deseja seguir seu mestre. Cristo chama e o discípulo 
simplesmente escolhe segui-lo. 
 
 
 
9 
4.1.2 Ele visualiza as coisas do alto 
O discípulo visualiza as coisas do alto e aplica em primeiro lugar na sua 
vida e depois usa desse mesmo método para atingir e fazer outros discípulos, 
seus atos são o resultado de um andar corajoso com Cristo, produzindo frutos, 
multiplicando, compartilhando com persistência a visão de Jesus. O que torna sua 
missão comprometida com os propósitos do coração do mestre. 
4.1.3 Ele segue os passos do mestre 
Ao contrário da multidãoe dos curiosos que seguiam a Jesus porque 
desejavam algo que Ele poderia dar, os discípulos escolheram segui-lo movidos 
pelo amor. Essa relação discípulo/mestre deixava claro o tipo de relacionamento 
que eles teriam. Ao seguir os passos do mestre, o discípulo deveria se deixar 
cobrir pela poeira dos seus pés. Essa era a proposta ousada de Jesus, que foi 
adotada por alguns discípulos relevantes do NT, como Timóteo, por exemplo. 
Timóteo foi discipulado por Paulo, conforme 2 Tm 3.10,11: “você tem seguido de 
perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha 
paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos 
que enfrentei”. 
4.1.4 Ele aceita as instruções 
 Uma das principais características do discípulo é que ele aceita as 
instruções. Ao fazer isso, ele decide não ditar as regras de como as coisas 
deveriam funcionar, mas acredita com confiança absoluta nos ensinos de Jesus, 
como afirma Michael Horton, “o primeiro sinal do discipulado era a aceitação dos 
ensinos de Jesus a respeito de si mesmo” (Martins, 2017, p. 22). 
4.1.5 Ele é comprometido 
O discípulo está totalmente comprometido com Jesus Cristo, ele foge do 
legalismo e da religiosidade e tem convicção que o silêncio não é mais uma opção, 
mas sim mergulhar no discipulado com fé, coragem e obediência. 
 
 
 
10 
TEMA 5 – DISCÍPULO E MISSÃO 
Missão é a razão da existência de algo, ou papel desempenhado por 
alguém. Seguindo um ponto de vista tradicional, há uma tendência de igualar os 
papéis, quando se fala de: 
• Missão e evangelismo 
• Missionários e evangelistas 
• Missão e programas evangelísticos 
Esses conceitos foram fixados pelo senso comum como sendo a mesma 
coisa. Mas Jesus apresenta algumas peculiaridades quando se trata da missão e 
afirma que ela também é coletiva, mas ao definir a missão, Ele o faz mais de uma 
vez de maneira individual, para cada um que o chama de Senhor. 
Stott (2010, p. 27) nos ajuda a entender que “Jesus fez mais do que traçar 
um paralelo vago entre sua missão e a missão do cristão. Precisa e 
deliberadamente, ele fez de sua missão um modelo para a nossa, dizendo: ‘assim 
como o Pai me enviou, eu também vos envio’”. 
Assim, missão diz respeito ao povo de Deus redimido, que aceita cumprir 
a ordem de ir e fazer discípulos e tornar Jesus conhecido entre as nações. Essa 
ordem é encontrada no evangelho de Mateus: “Portanto, vão e façam discípulos 
de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 
ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt 28.19,20). 
5.1 Teologia de Missões 
A grande comissão foi a última ordem dada por Jesus Cristo a sua igreja 
de ir e fazer discípulos. 
• Atos 1.8 = IDE VOluntário 
• Atos 8.1 = IDE INvoluntário (foram porque estavam sendo perseguidos, 
mas enquanto iam, pregaram a Palavra). 
Conotações da palavra “MISSÃO”: ENVIO: 
Pai → Filho → Espírito Santo → EU 
a. Alguém que envia: é superior e tem autoridade para isso; 
b. Alguém que é enviado em missão: investido de autoridade para realizar 
algo pelos destinatários ou mesmo pelos próprios enviadores; 
c. Objeto da missão. 
 
 
11 
Até o século 16, afirma Nascimento (2015), “o termo missão era usado para 
se referir a doutrina da Trindade. Segundo ela, os jesuítas foram os primeiros a 
utilizar o termo para se referir à difusão da fé entre pessoas, incluindo 
protestantes, que não eram membros da Igreja Católica” (Nascimento, 2015, p. 
34). 
As missões do século 16 também foram intrinsecamente ligadas aos 
interesses políticos e econômicos das potências coloniais europeias. A 
disseminação do cristianismo frequentemente acompanhava a expansão do poder 
colonial, e as missões desempenhavam um papel na consolidação do domínio 
europeu sobre terras recém-descobertas. Os jesuítas, em particular, destacaram-
se como uma ordem missionária influente durante esse período (Nascimento, 
2015, p. 34). 
O período colonial foi o grande responsável pelo avanço das missões, mas 
também por conflitos entre culturas. A imposição de crenças religiosas, práticas 
culturais e estruturas sociais europeias nem sempre foi bem recebida pelas 
comunidades locais, resultando em tensões e resistência, tornando o evangelho 
um instrumento reducionista (Nascimento, 2015, p. 50). 
5.2 Contextualização missionária 
Na obsessão de evangelizar, muitas vezes o outro é tratado como o objeto 
da missão, numa prática missionária colonialista, reforçada por uma negação da 
identidade e alteridade do outro. Forte (1991) nos ajuda a entender quem é o 
outro: o outro é sujeito e nunca será objeto da missão. E sendo o sujeito, ele é 
passível de um encontro, onde o coração do homem se abre à verdade, e a 
verdade ao coração do homem (Forte, 1991, p. 12). 
5.3 Etnocentrismo missionário 
De acordo com John Wesley, “A Igreja não muda o mundo ao gerar novos 
membros, mas muda o mundo ao gerar novos discípulos de Jesus”. 
Menezes (1999, p. 19) propõe uma definição de etnocentrismo: “é um 
preconceito que cada sociedade ou cada cultura produz, ao mesmo tempo que 
procura incutir em seus membros normas e valores peculiares. Se sua maneira 
de ser e de proceder é a certa, então as outras estão erradas, e as sociedades 
que as adotam constituem ‘aberrações’”. 
 
 
12 
O etnocentrismo missiológico se manifesta quando uma cultura ou grupo 
religioso julga as práticas e crenças de outros com base em seus próprios padrões 
culturais. Este pode ser um obstáculo significativo para a eficácia das missões, 
pois carrega consigo vários perigos que podem comprometer o propósito 
fundamental da missão, que é compartilhar a mensagem de amor e alteridade 
(Menezes, 1999, p. 19). 
5.3.1 Perigos 
5.3.1.1 Imposição cultural 
Um dos perigos mais evidentes do etnocentrismo missiológico é a 
imposição cultural. Quando missionários tentam impor suas próprias tradições, 
formas de culto e estruturas eclesiásticas sobre uma comunidade diferente, isso 
não apenas mina a riqueza da diversidade cultural, mas também pode ser 
percebido como uma forma de colonização cultural. Isso pode levar a resistência 
e, em última instância, ao fracasso da missão (Nascimento, 2015, p. 7). 
5.3.1.2 Falta de sensibilidade cultural 
Outro perigo é a falta de sensibilidade cultural. O etnocentrismo pode levar 
a uma compreensão inadequada das práticas locais, crenças e valores, 
resultando em esforços missionários que não respeitam a identidade cultural da 
comunidade. Isso pode gerar conflitos, mal-entendidos e uma recepção negativa 
à mensagem que está sendo compartilhada (Menezes, 1999, p. 19). 
5.3.1.3 Marginalização cultural 
O etnocentrismo missiológico pode contribuir para a marginalização de 
culturas consideradas “diferentes” ou tidas como inferiores. Isso contradiz a 
essência da mensagem cristã, que prega a igualdade e o amor para com todos. 
O desrespeito à diversidade pode criar barreiras, prejudicar relações e perpetuar 
estereótipos prejudiciais a missão (Meneses, 1999, p. 19). Conforme Menezes 
(1999, p. 19), “a identificação de um indivíduo com sua sociedade induz à rejeição 
das outras”. 
 
 
 
13 
5.4 Ressignificando a missão 
Para superar esses perigos, é crucial adotar uma abordagem mais inclusiva 
e contextualizada nas missões: a inculturação. De acordo com Menezes (1999), 
“missionários católicos foram muito influenciados pela Antropologia para corrigir o 
tradicional proselitismo que identificava evangelização com destruição radical das 
culturas diferentes, e adotaram a linha da assim chamada ‘inculturação’” 
(Menezes, 1999, p. 23). 
 Os missionários precisam dedicar tempo para compreender 
profundamente a cultura local, ouvir atentamente as histórias e perspectivas dos 
habitantes, e reconhecer que diferentes contextos exigem abordagens adaptadas, 
pois a prática de uma missiologia contextual respeita a autonomia e a riqueza 
cultural dascomunidades locais. Isso promove uma abordagem colaborativa, em 
que a troca de experiências e aprendizados é valorizada, criando uma base mais 
sólida para o entendimento e aceitação mútua. 
Em resumo, ao se libertar de perspectivas exclusivistas, os missionários 
podem contribuir para a construção de pontes culturais, abrindo espaço para um 
diálogo autêntico e uma comunicação eficaz da mensagem que desejam 
compartilhar: 
As missões não representam o alvo principal da Igreja, a adoração sim. 
As missões existem porque muitas vezes a adoração foi deixada de lado. 
Quando esta era se encerrar e os incontáveis milhões de redimidos 
estiverem perante o trono de Deus, não haverá mais missões. Elas 
representam uma necessidade temporária, mas a adoração é 
permanente (John Piper) 
FINALIZANDO 
Chegamos ao final desta etapa e vimos que o NT oferece um retrato 
profundo e abrangente do que significa ser um discípulo de Jesus Cristo. Nos 
relatos dos Evangelhos e nos ensinamentos dos apóstolos, somos convidados a 
seguir os passos de Jesus, comprometendo-nos com uma vida de fé, amor e 
serviço. Ser um discípulo no Novo Testamento implica uma entrega total a Cristo, 
buscando imitar seu caráter, obedecer a seus ensinamentos e compartilhar seu 
amor redentor com o mundo ao nosso redor. É um chamado não apenas para 
uma crença intelectual, mas para uma transformação radical da vida, respeito 
mútuo e um novo olhar moldado pela graça e pelo poder de Jesus. 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
BEALE, G. K. Você se torna aquilo que adora: uma teologia bíblica da idolatria. 
Trad. Marcos Throup. São Paulo: Vida Nova, 2014. 
COENEN, L.; BROWN, C. Dicionário Internacional de Teologia do Novo 
Testamento. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 2000. v. 1. 
CONCORDÂNCIA fiel do Novo Testamento Grego – Português. São José dos 
Campos: Fiel, 1994. v. 1. 
FORTE, B. A Teologia, como companhia, memória e profecia: introdução ao 
sentido e ao método da teologia como história. São Paulo: Paulinas, 1991. 
KIVITZ, E. R. Talmidim 52: o passo a passo de Jesus em meditações semanais. 
São Paulo: Mundo Cristão, 2016. 
MARTINS, Y. Faça discípulos ou morra tentando – o significado, a extensão e 
o selo do discipulado. Niterói: Concílio, 2017. 
MENEZES, P. Etnocentrismo e relativismo cultural: algumas reflexões. Revista 
Synposium, ano 3, n. esp., dez./1999. Disponível em: 
. Acesso em: 22 fev. 2024. 
NASCIMENTO, A. Evangelização ou colonização?: o risco de fazer missões 
sem se importar com o outro. Viçosa: Ultimato, 2015. 
SOLONCA, P. Manual do discípulo. Florianópolis: Discípulo, 1993. 
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