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SOCIOLOGIA ECONÔMICA E 
POLÍTICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AULA 2 – 
 TEORIA SOCIOLÓGICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Olá, caro (a) aluno (a)! 
 
Na sociologia, a teoria é uma ferramenta essencial para compreender 
a realidade social. Quando tentamos fazer generalizações ou leis sobre uma 
realidade concreta, estamos utilizando uma teoria, uma forma de entender 
essa realidade. 
Considere a seguinte questão: por que há tanta violência no Brasil? 
Quantas respostas você já ouviu para essa pergunta? Certamente muitas! No 
entanto, nem todas as respostas possíveis podem estar baseadas em uma 
compreensão teórica rigorosa do assunto. 
Para melhor compreender a teoria por trás dos problemas sociais, 
como o exemplo acima, é importante concentrar-se nos autores clássicos 
mais importantes da sociologia. Eles são os criadores da prática e do 
pensamento sociológico, uma disciplina fundamental para os nossos tempos. 
 
 
Bosn estudos! 
2 TEORIAS DE ÉMILE DURKHEIM 
 
 
O pensamento social de Émile Durkheim foi influenciado por obras de escritores 
e pensadores, como Auguste Comte (1798-1857) e Herbert Spencer (1820-1903), que 
marcaram sua trajetória intelectual através da criação da perspectiva positivista 
(Comte) e valorização das ciências naturais como um caminho para desenvolver uma 
ciência da sociedade (Spencer). 
Nascido na França em 1858, Émile Durkheim afastou-se da tradição familiar 
judaica e optou pela carreira acadêmica. Licenciou-se em filosofia em 1882, mas nos 
anos seguintes o seu interesse voltou-se para os estudos sociais, pelos quais se 
mudou para a Alemanha, onde procurou aprofundar a sua compreensão da realidade 
social. Em 1887, voltou para a França como professor na Universidade de Bordeaux 
e depois na Universidade de Sorbonne, onde permaneceu até o final de sua carreira. 
Durkheim desempenhou um papel decisivo no reconhecimento da sociologia como 
disciplina acadêmica (NAUROSKI, 2018). 
O viés conservador da abordagem de Durkheim pode ser parcialmente 
explicado pelo contexto social e as circunstâncias históricas de sua obra. O sociólogo 
viveu durante o período histórico da Terceira República Francesa, caracterizado por 
muitos conflitos e instabilidade social e política. Diante de uma complexa e 
problemática sociedade industrial, caracterizada por divergências, contradições e 
desigualdades, Durkheim estava ciente dos perigos da desintegração social. É muito 
provável que a instabilidade social de sua época tenha influenciado e contribuído para 
seus estudos. Durkheim constatou que os desdobramentos da Primeira Guerra 
Mundial (1914-1918), as mudanças causadas pela Revolução Industrial, foram 
responsáveis por mudanças sociais que enfraqueceram os laços sociais, promoveram 
o declínio da moralidade religiosa e criaram um cenário de futuro incerto, não só para 
a França, mas para toda a Europa. Durkheim morreu em 1917, ano da Revolução 
Russa, tendo alcançado grande fama e credibilidade na nova ciência que ajudou a 
criar (NAUROSKI, 2018). 
Para este autor, a tarefa da sociologia como ciência deveria ser compreender 
o funcionamento da sociedade, seus princípios e regularidades, a fim de encontrar 
novas formas de criar vínculos de solidariedade social. Tendo as ciências naturais 
como seu escopo, ele propõe que sociologia deveria aprimorar seus métodos para 
compreensão dos princípios e regularidade da vida social, baseando-se em análises 
factuais, depurando, assim, a nova ciência da influência da filosofia social anterior à 
sua obra, inclusive do próprio August Comte, que, segundo Durkheim, não conseguiu 
se desvincular dessas influências (NAUROSKI, 2018). 
Sobre o modelo social, Durkheim assume uma posição conservadora e defende 
que os indivíduos devem se adaptar à sociedade e não o contrário. A preocupação de 
Durkheim é a futura ordem social que se desenvolveu na era moderna. Não podemos 
esquecer que o modelo epistêmico do qual Durkheim se baseia é a biologia. Deste 
ponto de vista, a sociedade é vista como um organismo social vivo em processo de 
desenvolvimento, como um todo que deve funcionar de forma integrada. A sociedade, 
portanto, precede o indivíduo: os fundamentos objetivos da sociedade forçam os 
indivíduos a se adaptarem às regras sociais, que ele definiu como um fato social, ou 
seja, os modos de ser, agir e pensar atribuídos aos indivíduos. Os fatos sociais 
tornam-se estruturas externas e objetivas, pois estão fora dos indivíduos; eles são 
comuns devido à sua massiva presença humana e territorial; e são coercivas porque 
há sanções para quem não se enquadra nos padrões e normas da vida social 
(NAUROSKI, 2018). 
 
2.1 A divisão do trabalho social 
 
A perspectiva analítica de Durkheim, que foi aplicada à sociologia, é definida 
como funcionalismo positivista na história da disciplina. Isso significa que a sociedade 
atual é uma realidade complexa que busca equilibrar a relação entre o indivíduo e a 
sociedade, através de seus processos de integração. Em 1893, em sua obra Divisão 
social do trabalho, Durkheim tenta estudar diferentes tipos de sociedade e os 
mecanismos que operam nelas. Estes mecanismos podem contribuir para a coerência 
e o correto funcionamento destas sociedades, ou de outro modo fragilizar a sua 
integração e funcionalidade, cenário que favorece a criação de situações de anomia, 
ou seja, situações em que os laços de solidariedade se enfraquecem, causando todo 
tipo de problemas que podem ameaçar a integração e reprodução da vida social 
(NAUROSKI, 2018). 
Segundo Durkheim, as sociedades podem ser classificadas em tradicionais e 
complexas. Nas sociedades tradicionais, como as tribos indígenas ou comunidades 
quilombolas brasileiras, existe uma solidariedade mecânica, em que os indivíduos 
compartilham valores e crenças comuns e as tarefas são realizadas de forma coletiva 
e cooperativa. Nesse tipo de sociedade, a divisão do trabalho é simples e há poucas 
diferenças entre os indivíduos. Essa perspectiva de Durkheim se concentra na 
importância da coesão social e da solidariedade como fundamentos das sociedades. 
(NAUROSKI, 2018). 
Nas sociedades industriais complexas, além da moralidade, a manutenção dos 
vínculos interpessoais ocorre através da divisão social do trabalho. Isso equivale a 
dizer que essas sociedades possuem uma ampla gama de tarefas e atividades 
desempenhadas por um amplo corpo social constituído por profissionais, grupos, 
classes, indivíduos e instituições. Essa realidade representa um tipo de solidariedade 
que Durkheim chama de orgânica, ou seja, uma série de interdependências entre as 
pessoas, pois os indivíduos não conseguem prover tudo o que precisam sozinhos, por 
isso dependem uns dos outros. Durkheim acreditava que quanto mais pessoas 
estivessem envolvidas nesse processo, melhor seriam assegurados os processos 
integrativos e reprodutivos da vida social, se esses vínculos fossem fortalecidos 
(NAUROSKI, 2018). 
Nas sociedades simples ou tradicionais, a regulação do comportamento 
depende da consciência coletiva e da força dos padrões morais do grupo. Tanto que 
se algum membro do grupo descumprir essas normas, a punição é severa, às vezes 
fatal. Este é um conceito de punição onde o foco pedagógico da atividade é o reforço 
das normas do grupo (NAUROSKI, 2018). 
Desta forma, os custos da indisciplina são elevados, tornando a desobediência 
um tabu para a comunidade. Em sociedades complexas, no entanto, as normas 
surgem da educação e da divisão do trabalho. A lei é de natureza restaurativa e o 
desvio é punido para garantir o equilíbrio social e o ajustamento do infrator. assim, o 
direito assume um caráter ao mesmotempo coletivo e individual (NAUROSKI, 2018). 
É importante ressaltar que a preocupação de Durkheim era a preservação da 
ordem social, o que atraiu críticas por ser um escritor tradicionalista e conservador. 
Uma crítica radical à sociedade ou uma proposta de outra sociedade não faz parte do 
horizonte teórico deste pesquisador. A sua preocupação central não era a 
transformação da sociedade, mas a gestão da mudança social no sentido da melhoria 
lenta e gradual da vida social (NAUROSKI, 2018). 
Para Durkheim, considerando a realidade das sociedades complexas, a causa 
comum dos problemas sociais é a expansão dos processos anômalos. Segundo o 
autor, existem três soluções para evitar o estado geral de anomia que pode destruir a 
sociedade. A primeira consiste na educação moral de crianças e jovens de acordo 
com seu grupo social. A segunda está relacionada à função estratégica do Estado, ou 
seja, para Durkheim, o poder legislativo configura o cérebro da sociedade e seria 
responsável por receber, considerar e ponderar as diversas demandas da sociedade 
para preservar o todo social. A divisão do trabalho social forma o terceiro eixo da 
organização da vida coletiva; sua eficácia reside na capacidade de envolver os 
membros da sociedade em cooperação mútua baseada na diversificação e 
especialização de tarefas (SELL, 2009). 
 
2.2 Karl Marx e a sociedade capitalista 
 
 
 
A educação de Marx foi variada e interdisciplinar, incluindo filosofia, história, 
economia e sociologia. O contexto de sua vida política e intelectual foi marcado pelas 
grandes mudanças sociais ocorridas na Europa no século XIX. 
Karl Marx nasceu em 1818 em Tréveris, parte da Confederação Alemã, e 
morreu em Londres em 1883 com a idade de 65 anos. Em Berlim, estudou filosofia e 
aproximou-se do círculo dos críticos de Hegel, a chamada esquerda hegeliana. Este 
grupo recebeu esse nome porque se opôs à interpretação determinista da filosofia 
política de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, da direita hegeliana. Esse grupo de direita 
era formado por estudantes e professores proeminentes que argumentavam que o 
atual momento social e político da Prússia representava a síntese histórica a que se 
referia Hegel (NAUROSKI, 2018). 
Para os hegelianos de esquerda, o Estado prussiano estava longe de 
representar a esfera final do desenvolvimento social e político da sociedade. Nesse 
contexto, o uso da religião como forma de controle social das massas foi um dos 
pontos centrais da crítica de Marx aos defensores do modelo de Estado de Hegel 
(NAUROSKI, 2018). 
Por causa dessa oposição, Marx teve que fugir para Colônia e desistir da 
carreira de professor universitário, mas descobriu um gosto especial pela escrita 
militante quando se tornou repórter e editor-chefe da Gazeta Renana. Sua análise 
crítica e perspicaz dos problemas sociais da época levou à sua perseguição e ao 
fechamento do jornal (NAUROSKI, 2018). 
Antes de se mudar para Paris em 1843, Marx se casou com a jovem aristocrata 
Jenny von Westphalen. Morando na capital francesa, Marx entrou em contato com o 
movimento socialista e iniciou uma amizade duradoura com seu fiel amigo e 
colaborador Friedrich Engels, como resultado de suas ideias e atividades 
revolucionárias, Marx foi expulso de Paris, transferido para Bruxelas. Nesse período 
esteve intensamente envolvido na luta operária, o que o levou a escrever seu famoso 
texto, “O Manifesto do Partido Comunista”, obra cujo objetivo claro era ajudar a 
conscientizar e organizar a classe trabalhadora da época (NAUROSKI, 2018). 
Apesar de seu extenso trabalho, ele dividia seu tempo entre o escritório e a rua, 
ele contribuiu para os levantes em Paris e participou ativamente da revolução na 
Alemanha em 1849. Após o fracasso dessas iniciativas, Marx refugiou-se na Inglaterra 
e mudou-se para Londres. Convencido de que precisava entender as razões do 
fracasso dos levantes revolucionários, iniciou um estudo aprofundado do capitalismo, 
culminando em seu livro “O Capital”. A análise de Marx do modelo econômico 
capitalista desenvolveu-se em um trabalho complexo e original sobre a própria 
sociedade capitalista. Mais do que um exame dos preconceitos econômicos de sua 
época, “O Capital” se tornaria um tratado sobre o funcionamento de uma sociedade 
baseada na economia de mercado (NAUROSKI, 2018). 
Marx ajudou a construir a Primeira Internacional, uma organização trabalhista 
global, e produziu um grande corpo de trabalhos em assuntos tão diversos quanto 
política, história e economia. Como escritor e ativista, dedicou sua vida à construção 
de um sonho, um projeto que visava mudar a realidade social para que as pessoas 
vivessem em uma sociedade livre: livre da exploração e da opressão, ou seja, para 
viver uma vida digna, plena e de significados (NAUROSKI, 2018). 
Posicionando-se sobre a filosofia da história, Marx reconheceu a contribuição 
de Hegel, mas o criticou, argumentando que sua dialética era idealista e precisava ser 
posta de pé. Com sua doutrina do materialismo histórico, Marx acreditava ter salvado 
a inspiração de Hegel da dialética da ideologia idealista ao mostrar que a realidade 
social e as lutas históricas produzem ideias e promovem a consciência humana 
(NAUROSKI, 2018). 
Para Marx, o modo de vida das pessoas determina seu modo de pensar e sua 
representação da realidade. Isso equivale a dizer que a natureza humana não é inata, 
mas que as pessoas constroem sua humanidade no processo histórico das relações 
sociais mediadas pelo trabalho. O que Marx quer dizer é que quando o trabalho é 
tratado em termos de dominação e exploração, como no capitalismo, a realidade 
social é em parte um reflexo dessa condição (NAUROSKI, 2018). 
Se para Hegel a história é uma projeção do espírito humano, que transforma a 
natureza à sua imagem e semelhança, para Marx a história é movida pela luta de 
classes. Assim, segundo Marx, a mudança social e histórica ocorre por causa dos 
conflitos e confrontos entre dominantes e governados, senhores e escravos, oprimidos 
e opressores, no caso das sociedades modernas, por causa das relações conflituosas 
entre trabalhadores e burgueses. Direitos adquiridos ou injustiças impostas são o 
resultado dessa luta (NAUROSKI, 2018). 
Assim, segundo Marx, a compreensão da realidade social deve estar 
fundamentada na vida concreta e nas condições materiais da existência humana. A 
teoria deve fazer e demostrar a realidade e até mudá-la. É inútil que os filósofos e 
intelectuais interpretem a realidade uma a uma, é preciso modificá-la para construir 
uma sociedade onde a ostentação da minoria compense e não resulte na morte 
precoce de milhares de pessoas marginalizadas, o centro do pensamento social de 
Marx é judaico, ético e profundamente humano, inspirado no Iluminismo (NAUROSKI, 
2018). 
Outras influências vieram de teóricos econômicos clássicos como Adam Smith 
(1723-1790) e David Ricardo (1772-1823), que ajudaram Marx a refletir sobre os 
processos de geração da riqueza. No entanto, ao contrário desses autores, Marx 
percebeu que a riqueza vem do trabalho excedente que não é pago. O lucro, que não 
é questionado pelos economistas clássicos, representa, portanto, aquela parte do 
trabalho não pago, que Marx chamou de mais-valia. O lucro só é possível através da 
usurpação privada dos frutos do trabalho social e coletivo, que Marx via como um 
enfraquecimento do sentido ontológico do trabalho, que deveria ser fator de 
humanização das pessoas, não de sua miséria e degradação (NAUROSKI, 2018). 
Do ponto de vista de Marx, sendo a alienação religiosa consequência da 
alienação econômica, a superação das condições materiais de miséria e opressão 
levaria à vitória da religião como forma infantilizada de cultura e vida social. A 
superação da exclusão econômica por meio da transformação da sociedade 
capitalista levaria à emancipação humana e à superação de diversas formas de 
alienação emistificação (NAUROSKI, 2018). 
 
2.3 Max Weber, economia e religião 
 
Karl Emil Maximilian Weber nasceu em 1864 na cidade de Erfurt, Alemanha. 
Ele estudou em Heidelberg e depois em Berlim. Ele era um homem de muitos 
interesses e estudou filosofia, economia, história e teologia. Em 1891 obteve o 
doutorado em Direito e dois anos depois casou-se com Marianne Schnitger. Trabalhou 
como professor por vários anos em Freiburg, Berlim e Heidelberg. Anos depois, ele 
ajudou a fundar uma das principais publicações de ciências sociais da Alemanha, 
Arquivo para a Ciência Social e a Ciência Política. 
Viajando para os Estados Unidos, Weber teve contato direto com o país mais 
capitalista do mundo, o que despertou seu interesse pelo estudo da economia e da 
sociedade capitalista. Em 1918 aceita um convite para lecionar na Universidade de 
Viena e, talvez por ter testemunhado o rescaldo da Primeira Guerra Mundial, os seus 
estudos procuram explicar as ligações entre a economia, a política e a organização 
jurídica dos Estados. Esses estudos destacam os aspectos culturais de sua obra: 
 
[...] existe um ponto decisivo [...] com que somos conduzidos para uma 
peculiaridade decisiva do método nas ciências da cultura; ou seja, nas 
disciplinas que; aspiram a conhecer os fenômenos da vida segundo a sua 
significação cultural. 
A significação da configuração de um fenômeno cultural e a causa dessa 
significação não podem, contudo, deduzir-se de qualquer sistema de 
conceitos de leis [...] dado que pressupõe a relação dos fenômenos culturais 
com ideias de valor (Weber, 1982, p. 92). 
 
Dessa forma, Weber estabeleceu sua premissa epistemológica central, 
mostrando a importante diferença entre as ciências naturais, que explicam o mundo 
natural em termos de causalidade, e as ciências espirituais ou culturais, como no caso 
da sociologia, que busca compreender as relações entre fatores humanos e 
fenômenos sociais. 
 
2.3.1 Individualismo metodológico 
Essa abordagem weberiana da realidade social e humana foi chamada de 
individualismo metodológico, perspectiva que permite identificar as diferenças e 
peculiaridades da realidade estudada. Pesquisar é olhar para a realidade caótica e 
descobrir que ela é fonte inesgotável de problemas e objetos a serem pesquisados. A 
tarefa do cientista social é identificar seu tópico e fazer um corte para enquadrar o 
problema sob investigação. Assim, é óbvio que o cientista social deve procurar realizar 
sua pesquisa com rigor e com a consciência de que a pura imparcialidade é 
impossível, percebendo que ao formar o objeto de pesquisa ele está de alguma forma 
inventando (WEBER, 1994). 
A sociologia abrangente de Weber adota uma abordagem metodológica para 
compreender os fenômenos coletivos que começam com o indivíduo, as ações dos 
atores sociais. Conforme declarado em Weber: 
A Sociologia interpretativa considera o indivíduo e seu ato como unidade 
básica, como seu átomo — senos permitirem pelo menos uma vez a 
compreensão discutível. Nessa abordagem, o indivíduo é também o limite 
superior e o único portador de conduta significativa [...] Em geral, para a 
Sociologia conceitos como Estado, associação, feudalismo, e outros 
semelhantes designam certas categorias de interação humana. Daí ser tarefa 
da Sociologia reduzir esses conceitos em ação compreensível, isto é, sem 
exceção, aos atos dos indivíduos participantes (WEBER, p. 70, 1982). 
 
Weber abre um novo caminho metodológico, rompendo com o positivismo de 
Auguste Comte e oferecendo um contraponto ao funcionalismo de Émile Durkheim. 
Há um forte viés interpretativo em seus pensamentos. 
O método de Weber refere-se à construção de tipos ideais, um conceito macro 
capaz de fornecer parâmetros para pensar o objeto de estudo. Assim, por meio da 
formação de um referencial de nível básico, haveria uma aproximação da realidade 
investigada em relação à correspondência do objeto e seu conceito ou não, o que 
possibilitaria observar as diversas características do fenômeno investigado. 
Essa ideia é mais fácil de entender se observarmos como Weber entende a 
ação social. Ele define quatro tipos de atividades como forma de identificar os 
diferentes motivos que orientam as ações sociais dos indivíduos. A primeira delas é a 
ação racional e intencional. Por exemplo, um profissional que faz um curso de 
atualização para conseguir novos clientes ou aumentar sua renda. Existem também 
atividades baseadas em valores racionais onde o objetivo desejado não é material, 
como no caso da participação no culto religioso. Outro tipo é uma ação motivada por 
sentimentos ou emoções, como oferecer flores a um ente querido. Por fim, há uma 
atividade movida pela tradição, como fazer um curso de direito para ocupar um cargo 
em uma família de advogados. Em outras palavras, qualquer ação em que um ator 
considera a possível reação de outros atores é uma ação social. Dessa forma, a 
sociedade seria o resultado das ações e reações que os atores sociais formam entre 
si. 
 
2.4 Teorias de Adam Smith 
 
A teoria histórica e social de Smith incluiu uma análise da origem e 
desenvolvimento da luta de classes na sociedade e uma análise de como o poder é 
exercido na luta de classes. Há sempre um tema nessas teorias, que Smith 
desenvolve com mais detalhes em sua teoria econômica: embora os indivíduos 
possam agir de forma egoísta e rígida em interesse próprio ou no interesse da classe 
a que pertencem, apesar dos conflitos pessoais e de classe, ele considerava haver 
uma regra, uma lei ou princípio que excede o conflito enquanto tal, encaminhando os 
sujeitos humanos para uma experiência de harmonia. . 
Segundo Hunt e Lautzenheiser (2012), vê-se como resultado dessa 
compreensão, que existe uma "mão invisível", como Smith a chamou, nas "leis da 
natureza" ou " divina providência", que conduz essas ações aparentemente 
conflitantes na direção da gentileza e da harmonia. A "mão invisível" não é um produto 
de propósito de qualquer pessoa. É simplesmente um tratamento sistemático das leis 
da natureza. Esta é indiscutivelmente a maior, inconsistência no trabalho de Smith, 
mas também dos pontos a partir dos quais seu texto será fundamental para Marx e 
mesmo para Weber. Por esta razão também, que as duas correntes opostas do 
pensamento econômico dos séculos XIX e XX – uma enfatizando a harmonia social 
capitalista e a outra enfatizando o conflito social capitalista, podem traçar suas raízes 
intelectuais nos escritos de Smith (HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). 
A teoria da história de Smith começou com a proposição de que a maneira 
como as pessoas produziam e distribuíam as necessidades materiais da vida era o 
fator mais importante nas instituições sociais de qualquer sociedade e nas relações 
pessoais e de classe entre elas. Os tipos de relações de propriedade foram 
particularmente importantes na determinação da forma de governo em cada 
sociedade. Smith acreditava que o desenvolvimento econômico e social tinha quatro 
estágios distintos: caça, pastoreio, agricultura e comércio. Em cada estágio, entender 
os métodos de produção e distribuição das necessidades econômicas da sociedade 
era fundamental para entender as instituições sociais e os governos da sociedade. No 
entanto, a relação entre a base econômica e a superestrutura social e política não é 
estritamente determinística (HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). 
Smith presta-se a diferenças locais e regionais por razões geográficas e 
culturais. Essencialmente todas as sociedades estão em uma dessas fases, embora 
possam passar por uma fase de transição em que existem algumas características de 
ambas as fases. No entanto, não se assume que a sociedade progrida 
necessariamente de um estágio para outro. O desenvolvimento social progressivo só 
pode ocorrer se houver uma combinação adequada de condições geográficas, 
econômicas e culturais. Smith define a fase de caça como "o estado mais baixo e sujo 
dasociedade, como encontramos entre as tribos indígenas da América do Norte". 
Poder ou privilégio, porque esses privilégios e a base econômica necessária para esse 
poder não existem. Portanto, “não há soberania ou interesse comum neste caso”. 
(HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). 
A teoria econômica de Smith era principalmente uma teoria normativa ou 
política. Sua principal preocupação é identificar as forças sociais e econômicas que 
melhoram o contentamento humano e, com base nisso, recomendar políticas que 
melhorem a satisfação humana. A definição de Smith de bem-estar econômico é muito 
simples e direta, depende de quanto "o produto do trabalho" e "quantas pessoas têm 
que consumi-lo" a cada ano. Outro critério de felicidade não claramente definido por 
Smith, mas importante em muitas de suas discussões, é que a felicidade pode 
aumentar porque a composição do produto a ser consumido está mais alinhada com 
as necessidades e desejos de quem compra e usa o produto (HUNT; 
LAUTZENHEISER, 2012). 
Ao analisar as forças que tendem a aumentar o bem-estar econômico, Smith 
desenvolveu um modelo que descreve os principais componentes sociais e 
econômicos do capitalismo e explica os principais fatores que impulsionam o sistema. 
O capitalismo é dividido em dois principais ramos de produção: agricultura e indústria. 
A produção de bens requer três conjuntos diferentes de insumos: terra (incluindo 
recursos naturais), trabalho e capital. 
As três principais classes sociais do capitalismo – proprietários, trabalhadores 
e capitalistas – correspondem a esses três grupos. A base legal e social dessa 
estratificação é a lei relativa à distribuição de bens e imóveis entre as pessoas. Cada 
uma das três classes sociais recebe diferentes formas de compensação monetária: 
aluguéis, salários e dividendos. Como vimos, essas formas de renda correspondem 
aos três componentes dos custos de produção e preços fixos das matérias-primas. 
Smith assumiu que todo comportamento econômico é caracterizado por motivos 
egoístas e possessivos (embora tenha admitido que as pessoas têm outros motivos 
em seu comportamento não econômico, incluindo motivos altruístas). A suposição de 
que todo comportamento econômico é baseado em motivos egoístas e possessivos 
foi a base da economia neoclássica no final do século XIX e início do século XX 
(HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
 
HUNT, E K.; LAUTZENHEISER, Mark. História do Pensamento Econômico: Uma 
Perspectiva Crítica. São Paulo: Grupo GEN, 2012. 
 
NAUROSKI, Everson Araújo. Teorias sociológicas e temas sociais 
contemporâneos. Curitiba: Inter Saberes, 2018. 
 
SELL, C. E. Sociologia clássica: Marx, Durkheim e Weber. Petrópolis: Vozes, 2009. 
 
WEBER, M. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. 
Brasília: Editora da UnB, 1994. 
 
WEBER, M. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

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