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SOCIOLOGIA ECONÔMICA E POLÍTICA AULA 2 – TEORIA SOCIOLÓGICA Olá, caro (a) aluno (a)! Na sociologia, a teoria é uma ferramenta essencial para compreender a realidade social. Quando tentamos fazer generalizações ou leis sobre uma realidade concreta, estamos utilizando uma teoria, uma forma de entender essa realidade. Considere a seguinte questão: por que há tanta violência no Brasil? Quantas respostas você já ouviu para essa pergunta? Certamente muitas! No entanto, nem todas as respostas possíveis podem estar baseadas em uma compreensão teórica rigorosa do assunto. Para melhor compreender a teoria por trás dos problemas sociais, como o exemplo acima, é importante concentrar-se nos autores clássicos mais importantes da sociologia. Eles são os criadores da prática e do pensamento sociológico, uma disciplina fundamental para os nossos tempos. Bosn estudos! 2 TEORIAS DE ÉMILE DURKHEIM O pensamento social de Émile Durkheim foi influenciado por obras de escritores e pensadores, como Auguste Comte (1798-1857) e Herbert Spencer (1820-1903), que marcaram sua trajetória intelectual através da criação da perspectiva positivista (Comte) e valorização das ciências naturais como um caminho para desenvolver uma ciência da sociedade (Spencer). Nascido na França em 1858, Émile Durkheim afastou-se da tradição familiar judaica e optou pela carreira acadêmica. Licenciou-se em filosofia em 1882, mas nos anos seguintes o seu interesse voltou-se para os estudos sociais, pelos quais se mudou para a Alemanha, onde procurou aprofundar a sua compreensão da realidade social. Em 1887, voltou para a França como professor na Universidade de Bordeaux e depois na Universidade de Sorbonne, onde permaneceu até o final de sua carreira. Durkheim desempenhou um papel decisivo no reconhecimento da sociologia como disciplina acadêmica (NAUROSKI, 2018). O viés conservador da abordagem de Durkheim pode ser parcialmente explicado pelo contexto social e as circunstâncias históricas de sua obra. O sociólogo viveu durante o período histórico da Terceira República Francesa, caracterizado por muitos conflitos e instabilidade social e política. Diante de uma complexa e problemática sociedade industrial, caracterizada por divergências, contradições e desigualdades, Durkheim estava ciente dos perigos da desintegração social. É muito provável que a instabilidade social de sua época tenha influenciado e contribuído para seus estudos. Durkheim constatou que os desdobramentos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), as mudanças causadas pela Revolução Industrial, foram responsáveis por mudanças sociais que enfraqueceram os laços sociais, promoveram o declínio da moralidade religiosa e criaram um cenário de futuro incerto, não só para a França, mas para toda a Europa. Durkheim morreu em 1917, ano da Revolução Russa, tendo alcançado grande fama e credibilidade na nova ciência que ajudou a criar (NAUROSKI, 2018). Para este autor, a tarefa da sociologia como ciência deveria ser compreender o funcionamento da sociedade, seus princípios e regularidades, a fim de encontrar novas formas de criar vínculos de solidariedade social. Tendo as ciências naturais como seu escopo, ele propõe que sociologia deveria aprimorar seus métodos para compreensão dos princípios e regularidade da vida social, baseando-se em análises factuais, depurando, assim, a nova ciência da influência da filosofia social anterior à sua obra, inclusive do próprio August Comte, que, segundo Durkheim, não conseguiu se desvincular dessas influências (NAUROSKI, 2018). Sobre o modelo social, Durkheim assume uma posição conservadora e defende que os indivíduos devem se adaptar à sociedade e não o contrário. A preocupação de Durkheim é a futura ordem social que se desenvolveu na era moderna. Não podemos esquecer que o modelo epistêmico do qual Durkheim se baseia é a biologia. Deste ponto de vista, a sociedade é vista como um organismo social vivo em processo de desenvolvimento, como um todo que deve funcionar de forma integrada. A sociedade, portanto, precede o indivíduo: os fundamentos objetivos da sociedade forçam os indivíduos a se adaptarem às regras sociais, que ele definiu como um fato social, ou seja, os modos de ser, agir e pensar atribuídos aos indivíduos. Os fatos sociais tornam-se estruturas externas e objetivas, pois estão fora dos indivíduos; eles são comuns devido à sua massiva presença humana e territorial; e são coercivas porque há sanções para quem não se enquadra nos padrões e normas da vida social (NAUROSKI, 2018). 2.1 A divisão do trabalho social A perspectiva analítica de Durkheim, que foi aplicada à sociologia, é definida como funcionalismo positivista na história da disciplina. Isso significa que a sociedade atual é uma realidade complexa que busca equilibrar a relação entre o indivíduo e a sociedade, através de seus processos de integração. Em 1893, em sua obra Divisão social do trabalho, Durkheim tenta estudar diferentes tipos de sociedade e os mecanismos que operam nelas. Estes mecanismos podem contribuir para a coerência e o correto funcionamento destas sociedades, ou de outro modo fragilizar a sua integração e funcionalidade, cenário que favorece a criação de situações de anomia, ou seja, situações em que os laços de solidariedade se enfraquecem, causando todo tipo de problemas que podem ameaçar a integração e reprodução da vida social (NAUROSKI, 2018). Segundo Durkheim, as sociedades podem ser classificadas em tradicionais e complexas. Nas sociedades tradicionais, como as tribos indígenas ou comunidades quilombolas brasileiras, existe uma solidariedade mecânica, em que os indivíduos compartilham valores e crenças comuns e as tarefas são realizadas de forma coletiva e cooperativa. Nesse tipo de sociedade, a divisão do trabalho é simples e há poucas diferenças entre os indivíduos. Essa perspectiva de Durkheim se concentra na importância da coesão social e da solidariedade como fundamentos das sociedades. (NAUROSKI, 2018). Nas sociedades industriais complexas, além da moralidade, a manutenção dos vínculos interpessoais ocorre através da divisão social do trabalho. Isso equivale a dizer que essas sociedades possuem uma ampla gama de tarefas e atividades desempenhadas por um amplo corpo social constituído por profissionais, grupos, classes, indivíduos e instituições. Essa realidade representa um tipo de solidariedade que Durkheim chama de orgânica, ou seja, uma série de interdependências entre as pessoas, pois os indivíduos não conseguem prover tudo o que precisam sozinhos, por isso dependem uns dos outros. Durkheim acreditava que quanto mais pessoas estivessem envolvidas nesse processo, melhor seriam assegurados os processos integrativos e reprodutivos da vida social, se esses vínculos fossem fortalecidos (NAUROSKI, 2018). Nas sociedades simples ou tradicionais, a regulação do comportamento depende da consciência coletiva e da força dos padrões morais do grupo. Tanto que se algum membro do grupo descumprir essas normas, a punição é severa, às vezes fatal. Este é um conceito de punição onde o foco pedagógico da atividade é o reforço das normas do grupo (NAUROSKI, 2018). Desta forma, os custos da indisciplina são elevados, tornando a desobediência um tabu para a comunidade. Em sociedades complexas, no entanto, as normas surgem da educação e da divisão do trabalho. A lei é de natureza restaurativa e o desvio é punido para garantir o equilíbrio social e o ajustamento do infrator. assim, o direito assume um caráter ao mesmotempo coletivo e individual (NAUROSKI, 2018). É importante ressaltar que a preocupação de Durkheim era a preservação da ordem social, o que atraiu críticas por ser um escritor tradicionalista e conservador. Uma crítica radical à sociedade ou uma proposta de outra sociedade não faz parte do horizonte teórico deste pesquisador. A sua preocupação central não era a transformação da sociedade, mas a gestão da mudança social no sentido da melhoria lenta e gradual da vida social (NAUROSKI, 2018). Para Durkheim, considerando a realidade das sociedades complexas, a causa comum dos problemas sociais é a expansão dos processos anômalos. Segundo o autor, existem três soluções para evitar o estado geral de anomia que pode destruir a sociedade. A primeira consiste na educação moral de crianças e jovens de acordo com seu grupo social. A segunda está relacionada à função estratégica do Estado, ou seja, para Durkheim, o poder legislativo configura o cérebro da sociedade e seria responsável por receber, considerar e ponderar as diversas demandas da sociedade para preservar o todo social. A divisão do trabalho social forma o terceiro eixo da organização da vida coletiva; sua eficácia reside na capacidade de envolver os membros da sociedade em cooperação mútua baseada na diversificação e especialização de tarefas (SELL, 2009). 2.2 Karl Marx e a sociedade capitalista A educação de Marx foi variada e interdisciplinar, incluindo filosofia, história, economia e sociologia. O contexto de sua vida política e intelectual foi marcado pelas grandes mudanças sociais ocorridas na Europa no século XIX. Karl Marx nasceu em 1818 em Tréveris, parte da Confederação Alemã, e morreu em Londres em 1883 com a idade de 65 anos. Em Berlim, estudou filosofia e aproximou-se do círculo dos críticos de Hegel, a chamada esquerda hegeliana. Este grupo recebeu esse nome porque se opôs à interpretação determinista da filosofia política de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, da direita hegeliana. Esse grupo de direita era formado por estudantes e professores proeminentes que argumentavam que o atual momento social e político da Prússia representava a síntese histórica a que se referia Hegel (NAUROSKI, 2018). Para os hegelianos de esquerda, o Estado prussiano estava longe de representar a esfera final do desenvolvimento social e político da sociedade. Nesse contexto, o uso da religião como forma de controle social das massas foi um dos pontos centrais da crítica de Marx aos defensores do modelo de Estado de Hegel (NAUROSKI, 2018). Por causa dessa oposição, Marx teve que fugir para Colônia e desistir da carreira de professor universitário, mas descobriu um gosto especial pela escrita militante quando se tornou repórter e editor-chefe da Gazeta Renana. Sua análise crítica e perspicaz dos problemas sociais da época levou à sua perseguição e ao fechamento do jornal (NAUROSKI, 2018). Antes de se mudar para Paris em 1843, Marx se casou com a jovem aristocrata Jenny von Westphalen. Morando na capital francesa, Marx entrou em contato com o movimento socialista e iniciou uma amizade duradoura com seu fiel amigo e colaborador Friedrich Engels, como resultado de suas ideias e atividades revolucionárias, Marx foi expulso de Paris, transferido para Bruxelas. Nesse período esteve intensamente envolvido na luta operária, o que o levou a escrever seu famoso texto, “O Manifesto do Partido Comunista”, obra cujo objetivo claro era ajudar a conscientizar e organizar a classe trabalhadora da época (NAUROSKI, 2018). Apesar de seu extenso trabalho, ele dividia seu tempo entre o escritório e a rua, ele contribuiu para os levantes em Paris e participou ativamente da revolução na Alemanha em 1849. Após o fracasso dessas iniciativas, Marx refugiou-se na Inglaterra e mudou-se para Londres. Convencido de que precisava entender as razões do fracasso dos levantes revolucionários, iniciou um estudo aprofundado do capitalismo, culminando em seu livro “O Capital”. A análise de Marx do modelo econômico capitalista desenvolveu-se em um trabalho complexo e original sobre a própria sociedade capitalista. Mais do que um exame dos preconceitos econômicos de sua época, “O Capital” se tornaria um tratado sobre o funcionamento de uma sociedade baseada na economia de mercado (NAUROSKI, 2018). Marx ajudou a construir a Primeira Internacional, uma organização trabalhista global, e produziu um grande corpo de trabalhos em assuntos tão diversos quanto política, história e economia. Como escritor e ativista, dedicou sua vida à construção de um sonho, um projeto que visava mudar a realidade social para que as pessoas vivessem em uma sociedade livre: livre da exploração e da opressão, ou seja, para viver uma vida digna, plena e de significados (NAUROSKI, 2018). Posicionando-se sobre a filosofia da história, Marx reconheceu a contribuição de Hegel, mas o criticou, argumentando que sua dialética era idealista e precisava ser posta de pé. Com sua doutrina do materialismo histórico, Marx acreditava ter salvado a inspiração de Hegel da dialética da ideologia idealista ao mostrar que a realidade social e as lutas históricas produzem ideias e promovem a consciência humana (NAUROSKI, 2018). Para Marx, o modo de vida das pessoas determina seu modo de pensar e sua representação da realidade. Isso equivale a dizer que a natureza humana não é inata, mas que as pessoas constroem sua humanidade no processo histórico das relações sociais mediadas pelo trabalho. O que Marx quer dizer é que quando o trabalho é tratado em termos de dominação e exploração, como no capitalismo, a realidade social é em parte um reflexo dessa condição (NAUROSKI, 2018). Se para Hegel a história é uma projeção do espírito humano, que transforma a natureza à sua imagem e semelhança, para Marx a história é movida pela luta de classes. Assim, segundo Marx, a mudança social e histórica ocorre por causa dos conflitos e confrontos entre dominantes e governados, senhores e escravos, oprimidos e opressores, no caso das sociedades modernas, por causa das relações conflituosas entre trabalhadores e burgueses. Direitos adquiridos ou injustiças impostas são o resultado dessa luta (NAUROSKI, 2018). Assim, segundo Marx, a compreensão da realidade social deve estar fundamentada na vida concreta e nas condições materiais da existência humana. A teoria deve fazer e demostrar a realidade e até mudá-la. É inútil que os filósofos e intelectuais interpretem a realidade uma a uma, é preciso modificá-la para construir uma sociedade onde a ostentação da minoria compense e não resulte na morte precoce de milhares de pessoas marginalizadas, o centro do pensamento social de Marx é judaico, ético e profundamente humano, inspirado no Iluminismo (NAUROSKI, 2018). Outras influências vieram de teóricos econômicos clássicos como Adam Smith (1723-1790) e David Ricardo (1772-1823), que ajudaram Marx a refletir sobre os processos de geração da riqueza. No entanto, ao contrário desses autores, Marx percebeu que a riqueza vem do trabalho excedente que não é pago. O lucro, que não é questionado pelos economistas clássicos, representa, portanto, aquela parte do trabalho não pago, que Marx chamou de mais-valia. O lucro só é possível através da usurpação privada dos frutos do trabalho social e coletivo, que Marx via como um enfraquecimento do sentido ontológico do trabalho, que deveria ser fator de humanização das pessoas, não de sua miséria e degradação (NAUROSKI, 2018). Do ponto de vista de Marx, sendo a alienação religiosa consequência da alienação econômica, a superação das condições materiais de miséria e opressão levaria à vitória da religião como forma infantilizada de cultura e vida social. A superação da exclusão econômica por meio da transformação da sociedade capitalista levaria à emancipação humana e à superação de diversas formas de alienação emistificação (NAUROSKI, 2018). 2.3 Max Weber, economia e religião Karl Emil Maximilian Weber nasceu em 1864 na cidade de Erfurt, Alemanha. Ele estudou em Heidelberg e depois em Berlim. Ele era um homem de muitos interesses e estudou filosofia, economia, história e teologia. Em 1891 obteve o doutorado em Direito e dois anos depois casou-se com Marianne Schnitger. Trabalhou como professor por vários anos em Freiburg, Berlim e Heidelberg. Anos depois, ele ajudou a fundar uma das principais publicações de ciências sociais da Alemanha, Arquivo para a Ciência Social e a Ciência Política. Viajando para os Estados Unidos, Weber teve contato direto com o país mais capitalista do mundo, o que despertou seu interesse pelo estudo da economia e da sociedade capitalista. Em 1918 aceita um convite para lecionar na Universidade de Viena e, talvez por ter testemunhado o rescaldo da Primeira Guerra Mundial, os seus estudos procuram explicar as ligações entre a economia, a política e a organização jurídica dos Estados. Esses estudos destacam os aspectos culturais de sua obra: [...] existe um ponto decisivo [...] com que somos conduzidos para uma peculiaridade decisiva do método nas ciências da cultura; ou seja, nas disciplinas que; aspiram a conhecer os fenômenos da vida segundo a sua significação cultural. A significação da configuração de um fenômeno cultural e a causa dessa significação não podem, contudo, deduzir-se de qualquer sistema de conceitos de leis [...] dado que pressupõe a relação dos fenômenos culturais com ideias de valor (Weber, 1982, p. 92). Dessa forma, Weber estabeleceu sua premissa epistemológica central, mostrando a importante diferença entre as ciências naturais, que explicam o mundo natural em termos de causalidade, e as ciências espirituais ou culturais, como no caso da sociologia, que busca compreender as relações entre fatores humanos e fenômenos sociais. 2.3.1 Individualismo metodológico Essa abordagem weberiana da realidade social e humana foi chamada de individualismo metodológico, perspectiva que permite identificar as diferenças e peculiaridades da realidade estudada. Pesquisar é olhar para a realidade caótica e descobrir que ela é fonte inesgotável de problemas e objetos a serem pesquisados. A tarefa do cientista social é identificar seu tópico e fazer um corte para enquadrar o problema sob investigação. Assim, é óbvio que o cientista social deve procurar realizar sua pesquisa com rigor e com a consciência de que a pura imparcialidade é impossível, percebendo que ao formar o objeto de pesquisa ele está de alguma forma inventando (WEBER, 1994). A sociologia abrangente de Weber adota uma abordagem metodológica para compreender os fenômenos coletivos que começam com o indivíduo, as ações dos atores sociais. Conforme declarado em Weber: A Sociologia interpretativa considera o indivíduo e seu ato como unidade básica, como seu átomo — senos permitirem pelo menos uma vez a compreensão discutível. Nessa abordagem, o indivíduo é também o limite superior e o único portador de conduta significativa [...] Em geral, para a Sociologia conceitos como Estado, associação, feudalismo, e outros semelhantes designam certas categorias de interação humana. Daí ser tarefa da Sociologia reduzir esses conceitos em ação compreensível, isto é, sem exceção, aos atos dos indivíduos participantes (WEBER, p. 70, 1982). Weber abre um novo caminho metodológico, rompendo com o positivismo de Auguste Comte e oferecendo um contraponto ao funcionalismo de Émile Durkheim. Há um forte viés interpretativo em seus pensamentos. O método de Weber refere-se à construção de tipos ideais, um conceito macro capaz de fornecer parâmetros para pensar o objeto de estudo. Assim, por meio da formação de um referencial de nível básico, haveria uma aproximação da realidade investigada em relação à correspondência do objeto e seu conceito ou não, o que possibilitaria observar as diversas características do fenômeno investigado. Essa ideia é mais fácil de entender se observarmos como Weber entende a ação social. Ele define quatro tipos de atividades como forma de identificar os diferentes motivos que orientam as ações sociais dos indivíduos. A primeira delas é a ação racional e intencional. Por exemplo, um profissional que faz um curso de atualização para conseguir novos clientes ou aumentar sua renda. Existem também atividades baseadas em valores racionais onde o objetivo desejado não é material, como no caso da participação no culto religioso. Outro tipo é uma ação motivada por sentimentos ou emoções, como oferecer flores a um ente querido. Por fim, há uma atividade movida pela tradição, como fazer um curso de direito para ocupar um cargo em uma família de advogados. Em outras palavras, qualquer ação em que um ator considera a possível reação de outros atores é uma ação social. Dessa forma, a sociedade seria o resultado das ações e reações que os atores sociais formam entre si. 2.4 Teorias de Adam Smith A teoria histórica e social de Smith incluiu uma análise da origem e desenvolvimento da luta de classes na sociedade e uma análise de como o poder é exercido na luta de classes. Há sempre um tema nessas teorias, que Smith desenvolve com mais detalhes em sua teoria econômica: embora os indivíduos possam agir de forma egoísta e rígida em interesse próprio ou no interesse da classe a que pertencem, apesar dos conflitos pessoais e de classe, ele considerava haver uma regra, uma lei ou princípio que excede o conflito enquanto tal, encaminhando os sujeitos humanos para uma experiência de harmonia. . Segundo Hunt e Lautzenheiser (2012), vê-se como resultado dessa compreensão, que existe uma "mão invisível", como Smith a chamou, nas "leis da natureza" ou " divina providência", que conduz essas ações aparentemente conflitantes na direção da gentileza e da harmonia. A "mão invisível" não é um produto de propósito de qualquer pessoa. É simplesmente um tratamento sistemático das leis da natureza. Esta é indiscutivelmente a maior, inconsistência no trabalho de Smith, mas também dos pontos a partir dos quais seu texto será fundamental para Marx e mesmo para Weber. Por esta razão também, que as duas correntes opostas do pensamento econômico dos séculos XIX e XX – uma enfatizando a harmonia social capitalista e a outra enfatizando o conflito social capitalista, podem traçar suas raízes intelectuais nos escritos de Smith (HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). A teoria da história de Smith começou com a proposição de que a maneira como as pessoas produziam e distribuíam as necessidades materiais da vida era o fator mais importante nas instituições sociais de qualquer sociedade e nas relações pessoais e de classe entre elas. Os tipos de relações de propriedade foram particularmente importantes na determinação da forma de governo em cada sociedade. Smith acreditava que o desenvolvimento econômico e social tinha quatro estágios distintos: caça, pastoreio, agricultura e comércio. Em cada estágio, entender os métodos de produção e distribuição das necessidades econômicas da sociedade era fundamental para entender as instituições sociais e os governos da sociedade. No entanto, a relação entre a base econômica e a superestrutura social e política não é estritamente determinística (HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). Smith presta-se a diferenças locais e regionais por razões geográficas e culturais. Essencialmente todas as sociedades estão em uma dessas fases, embora possam passar por uma fase de transição em que existem algumas características de ambas as fases. No entanto, não se assume que a sociedade progrida necessariamente de um estágio para outro. O desenvolvimento social progressivo só pode ocorrer se houver uma combinação adequada de condições geográficas, econômicas e culturais. Smith define a fase de caça como "o estado mais baixo e sujo dasociedade, como encontramos entre as tribos indígenas da América do Norte". Poder ou privilégio, porque esses privilégios e a base econômica necessária para esse poder não existem. Portanto, “não há soberania ou interesse comum neste caso”. (HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). A teoria econômica de Smith era principalmente uma teoria normativa ou política. Sua principal preocupação é identificar as forças sociais e econômicas que melhoram o contentamento humano e, com base nisso, recomendar políticas que melhorem a satisfação humana. A definição de Smith de bem-estar econômico é muito simples e direta, depende de quanto "o produto do trabalho" e "quantas pessoas têm que consumi-lo" a cada ano. Outro critério de felicidade não claramente definido por Smith, mas importante em muitas de suas discussões, é que a felicidade pode aumentar porque a composição do produto a ser consumido está mais alinhada com as necessidades e desejos de quem compra e usa o produto (HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). Ao analisar as forças que tendem a aumentar o bem-estar econômico, Smith desenvolveu um modelo que descreve os principais componentes sociais e econômicos do capitalismo e explica os principais fatores que impulsionam o sistema. O capitalismo é dividido em dois principais ramos de produção: agricultura e indústria. A produção de bens requer três conjuntos diferentes de insumos: terra (incluindo recursos naturais), trabalho e capital. As três principais classes sociais do capitalismo – proprietários, trabalhadores e capitalistas – correspondem a esses três grupos. A base legal e social dessa estratificação é a lei relativa à distribuição de bens e imóveis entre as pessoas. Cada uma das três classes sociais recebe diferentes formas de compensação monetária: aluguéis, salários e dividendos. Como vimos, essas formas de renda correspondem aos três componentes dos custos de produção e preços fixos das matérias-primas. Smith assumiu que todo comportamento econômico é caracterizado por motivos egoístas e possessivos (embora tenha admitido que as pessoas têm outros motivos em seu comportamento não econômico, incluindo motivos altruístas). A suposição de que todo comportamento econômico é baseado em motivos egoístas e possessivos foi a base da economia neoclássica no final do século XIX e início do século XX (HUNT; LAUTZENHEISER, 2012). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: HUNT, E K.; LAUTZENHEISER, Mark. História do Pensamento Econômico: Uma Perspectiva Crítica. São Paulo: Grupo GEN, 2012. NAUROSKI, Everson Araújo. Teorias sociológicas e temas sociais contemporâneos. Curitiba: Inter Saberes, 2018. SELL, C. E. Sociologia clássica: Marx, Durkheim e Weber. Petrópolis: Vozes, 2009. WEBER, M. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: Editora da UnB, 1994. WEBER, M. Ensaios de sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.