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SOCIOLOGIA ECONÔMICA E POLÍTICA AULA 05 - HISTÓRICO DA DAS CIÊNCIAS HUMANAS NA EMPRESA Olá, caro (a) aluno (a)! Falar do desenvolvimento das ciências humanas no âmbito empresarial é também falar do trabalho na sociedade. Deste ponto de vista, neste capítulo, estudaremos o desenvolvimento do trabalho e da humanidade na história. Além disso, compreenderemos o trabalho como categoria sociológica e a construção das instituições sociais do trabalho; além disso, identificaremos a importância da empresa na sociedade. Bons estudos! 5 O DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO E DA HUMANIDADE NA HISTÓRIA Um dos intelectuais mais importantes no campo das ciências sociais e da política, é o alemão Friedrich Engels, que escreveu um excelente livro em 1876, cuja primeira versão foi publicada em 1896, intitulado "O papel do trabalho na transformação do macaco em homem". Neste livro, o cientista descreve a importância do trabalho no desenvolvimento da humanidade desde os seus primordios. A tese central do estudo de Engels é que o trabalho determinou e detemina o desenvovlimento do ser humano enquanto ser que se afasta da ‘natureza’ e constrói um mundo humano através do trabalho (CARVALHO, 2019). O livro de Engels, que utiliza da teoria da evolução de Charles Darwin, investiga sobre as relações entre o trabalho humano e a evolução. Embora Engels não tenha se concentrado especificamente na teoria da evolução de Darwin em seu ensaio, ele usou a ideia da evolução para argumentar que o trabalho humano é a força motriz da evolução humana. Engels argumenta que, ao contrário de outras espécies animais, os seres humanos são capazes de produzir as próprias ferramentas e modificá-las para atender às suas necessidades. Ele afirma que o trabalho é a atividade humana que mais influencia a evolução, uma vez que é o que permite aos seres humanos modificar e adaptar seu ambiente para atender às suas necessidades. Adaptação e transformação das condições de existência, através de atividades e cada vez mais complexas possibilitaram, na pespectiva de Engels, mudanças biológicas nos seres humanos, resultado de milhares de anos de evolução (CARVALHO, 2019). Engels (1990) está interessado no progresso da evolução humana na história do ponto de vista científico, compreendendo as contradições relacionadas ao desenvolvimento histórico e ao processo evolutivo humano. Segundo um pensador alemão, por exemplo, o desenvolvimento das mãos é essencial no percurso de desenvolvimento da especie humana: As mãos são usadas basicamente para apanhar e segurar os alimentos, à semelhança do que fazem alguns mamíferos inferiores com suas patas dianteiras. Certa variedade de macacos constrói seus ninhos nas árvores com as mãos; outros tipos, como o chipanzé, vão mais longe e constroem verdadeiros telhados sobre os galhos para e protegerem do mau tempo. É com a mão que eles empunham um pedaço de pau para se defenderem dos inimigos e lançam frutas e pedras. Quando aprisionados, conseguem realizar com as mãos muita coisa que aprendem dos homens. Mas é justamente aqui que podemos perceber a enorme diferença entre a mão primitiva do macaco, inclusive antropoide mais evoluído, e a mão do homem, desenvolvida através de milhares de anos de trabalho. Quanto ao número e à disposição dos ossos e músculos, não há diferença entre a mão do homem e do macaco; mas se tomarmos o mais primitivo dos selvagens, ele executará com suas mãos centenas de operações que nenhum dos macacos consegue realizar. Nenhum macaco conseguiu, por exemplo, construir um machado de pedra por mais rudimentar que fosse (ENGELS, 1990, p. 20-21). Este processo de mudanças físicas passou por transformações através das necessidades da sobrevivência; pouco a pouco o corpo humano modificou a estrutura da mão possibilitando que polegar opositor desenvolvesse poder e precisão no manuseio de ferramentas. O ser humano possuí músculos e um longo flexor no polegar, que outros animais não possuem, este músculo nos permite usar a força necessária para manipular objetos e nos dá a precisão que necessitamos para cortes ou lançamentos em longa distância, os nossos ancestrais há milhares de anos usavam essas funções corporais para confecção de pedras para proteção ou caça (CARVALHO, 2019). É preciso entender que foram inúmeros os processos evolutivos, mais de mil anos de desenvolvimento, alteração da laringe primata à laringe humana, por exemplo, que possibilitou desenvolver a comunicação entre aqueles que viviam em grandes grupos e exigiam troca e partilha informações sobre sua sobrevivência diária, ou seja, uma responsabilidade imposta às pessoas conforme sua realidade. Embora alguns animais tivesse alguma forma de comunicação, esta não ocorre através da palavra articulada, que é muito mais complexa (CARVALHO, 2019). Aqui devemos fazer uma reserva para os processos organizacionais nas sociedades humanas. Ao longo dos séculos, esses grupos desenvolveram métodos de comunicação que se tornaram cada vez mais complexos e isso deu origem a fala articulada, capacidade que trouxe aos humanos vantagens organizacionais e de sobrevivência, especialmente no que diz respeito a caçar e lutar contra predadores (CARVALHO, 2019). Segundo Engels (1990), o trabalho e a palavra articulada são, portanto, elementos chaves para a evolução do “macaco” para “homem”. Nas palavras do autor: O trabalho, primeiro, depois a palavra articulada, constituíram-se nos dois principais fatores que atuaram na transformação gradual do cérebro do macaco em cérebro humano que, não obstante sua semelhança, é consideravelmente superior a ele quanto ao tamanho e à perfeição. Ao desenvolvimento do cérebro correspondeu o desenvolvimento de seus instrumentos imediatos: os órgãos sensoriais. Da mesma forma que a evolução paulatina da linguagem foi seguida da respectiva evolução do ouvido, o desenvolvimento geral do cérebro está intimamente relacionado com o aperfeiçoamento de todos os órgãos do sentido (ENGELS, p. 25, 1990) Para Engels (1990) entretanto, todo o processo de mudança física humana e suas tarefas ainda não podem ser considerado trabalho no sentido estrito da palavra. Os animais podem se alimentar de plantas ou por outros animais e esse processo não pode ser considerado trabalho. Os vegetais usam luz solar, água e minerais da terra para seu desenvolvimento e isso também não é considerado trabalho. Ao usar esses exemplos, devemos destacar as diferenças entre as atividades humanas e animais que perfazem a distância entre o que é atividade e o que é trabalho. Em um processo animal, a ação é puramente instintiva, não é planejada nem idealizada. Ao contrário do trabalho humano, ele é criado e idealizado. Entende-se, assim, que o trabalho ultrapassa o campo da natureza e se direciona ao campo do simbólico e da cultura. Enquanto os comportamentos instintivos ajudam os animais a lidar com as demandas e pressões de seu ambiente, o trabalho é a maneira pela qual os seres humanos transformam a natureza, criando e reproduzindo a forma de ser do mundo humano. Diferentemente dos instintos, o trabalho é aprendido e desenvolvido através da experiência pessoal, da aprendizagem social e da cultura. Por meio do trabalho, os seres humanos são capazes de criar, inovar e transformar o ambiente em que vivem, desenvolvendo novas formas de tecnologia e organização social. Portanto, enquanto os instintos são comportamentos automáticos e inatos que ajudam os animais a sobreviver, o trabalhohumano é uma atividade consciente e intencional que permite a criação e reprodução da sociedade humana. A fabricação de ferramentas e outros instrumentos, a conservação, a caça e a pesca contribuíram ainda mais para o desenvolvimento humano, tornando-se o emblema das primeiras formas de existência tipicamente humanas. O homem analisou a realidade e produziu ferramentas para ela, permitindo aumentar a sua intervenção na natureza. À medida que a comunidade cresce, aumentam também as necessidades relacionadas com alimentação e segurança, levando ao desenvolvimento de equipamentos de caça e pesca mais eficientes. A real necessidade de maior produção de alimentos levou, portanto, à elaboração de ferramentas que permitiam mais caça e pesca (CARVALHO, 2019). Com a caça e a pesca, o “homem” não concentrava sua alimentação apenas nos vegetais e passou a consumir carne, que contém substâncias importantes para o desenvolvimento e mudança metabolismo. A combinação de carne e legumes permitiu um fortalecimento físico importante para o ser humano, distinguindo-o de outros animais. Devido ao consumo de carne, se exigia mais domínio de técnicas para uso do fogo e adestramento dos animais (CARVALHO, 2019). À medida que os humanos evoluem, sua existência se torna mais complexa. Novas formas de trabalho são criadas, por exemplo, a produção de roupas que resistam às condições climáticas, agricultura que priva dos meios de subsistência, a necessidade de peregrinação para outros lugares em busca de comida. O manuseio de metais e o surgimento da olaria também são fatos que marcaram a evolução da vida humana nos primórdios. Com melhores condições de suportar a diversidade climática, foi possível conhecer novas terras, novos ambientes e, naturalmente, entrar em contato com novas espécies vegetais e animais. Ao desenvolverem técnicas de sobrevivência, seja para suportar o clima, seja para enfrentar outros animais, os seres humanos criaram condições para o aumento de sua comunidade (CARVALHO, 2019). O surgimento de grupos cada vez mais organizados e complexos deu origem às cidades. Paralelamente, formou-se a política e a religião, produto de um cérebro consciente e organizado que compreende a realidade, projeta, dirige, controla e aprimora as tecnologias. Por consequência, o ser humano desenvolveu cada vez mais ferramentas e instrumentos que alteraram a sua ação na natureza e transformaram a realidade e a própria vida (CARVALHO, 2019). O trabalho que o ser humano executa é pensado e planejado com base em uma necessidade real em um primeiro momento por sobrevivência imediata individual e de sua prole; posteriormente, de comunidades inteiras. O pensado ou idealizado é um importante elemento para a noção de ação consciente do trabalho humano (CARVALHO, 2019). 5.1 Instituições sociológicas e mundo do trabalho Quando falamos de uma instituição, nos referimos à família, escola, faculdade, universidade, igreja, estado (com toda a sua maquinaria administrativa, incluindo judiciário, legislativo, os bancos etc.), democracia, propriedade privada, mídia, movimentos sociais, instituições econômicas, etc. A sociologia argumenta que as instituições são centrais para o funcionamento da sociedade porque formam seus "novos membros". Como estudado na unidade anterior, as instituições como a família, a religião ou o Estado não são apenas uma ideia, conceito ou interesse, mas também uma estrutura porque assumem uma forma concreta sendo implementadas para atender às necessidades da sociedade (KOENIG, 1970). Segundo Koenig (1970), as instituições são meios de controlar e utilizar a energia social, ou mesmo agrupamentos aceitos e reconhecidos pela sociedade, ou simplesmente costumes sociais sistematizados. Contudo Mészáros (2011) adverte que as ciências sociais não podem tomar as instituições e ver suas estruturas como "simplesmente dadas", como a economia liberal tende a fazer com as instituições capitalistas, o que seria "apenas um discurso aparente", não ciência. Feita esta reserva em sua análise, reafirmamos que as instituições sociais funcionam na estrutura e regulação da sociedade. Elas são de natureza normativa, ou seja, estabelecem regras e práticas que devem ser seguidas porque os mores (costumes) da sociedade estão voltados para eles. Para participar dessas instituições, é preciso aceitar sua padronização. Segundo Durkheim (1983), as instituições são objetivas e externas aos indivíduos, o que significa que as instituições não são criadas pelo indivíduo, elas estão presentes desde o nascimento, sendo usadas para forçar o individuo a funcionar conforme as normas estabelecidas. Por exemplo, se um funcionário não se comportar conforme as regras da empresa, ele pode ser punido ou até demitido. 5.2 O trabalho como categoria sociológica O trabalho é um importante mecanismo de análise social porque ajuda a compreender o funcionamento da sociedade, incluindo as relações sociais e de produção. Portanto, a categoria trabalho tornou-se a posição central do pensamento social, porque ocupou um lugar importante após o surgimento da sociologia e até mesmo antes dela, dando a ciência oportunidade de compreender e classificar as complexas manifestações da sociologia na esfera social (CARDOSO, 2008). Através da revolução industrial e do capitalismo o trabalho se tornou “a principal mercadoria e o mecanismo de geração de valor e de alavanca para o processo de acumulação capitalista, pois se impôs como categoria central e fundamental para o entendimento da sociedade” (CARDOSO, 2008, p. 12). É por isso que o trabalho cria ordem social, porque é uma atividade central em termos de vida e desenvolvimento humano. Desta forma, o trabalho não poderia deixar de refletir sobre as diversas dimensões interdependentes da vida em sociedade, que, por sua vez, tornam-se interdependentes à vida privada, social e profissional, pois embora o trabalho seja importante na esfera pessoal, sua importância ultrapassa a vida cotidiana e pessoal. O trabalho está ligado a outras instituições sociais, processos sociais e, principalmente, à desigualdade social. O trabalho é talvez a maneira mais importante pela qual a sociedade afeta nossas experiências sociais e oportunidades na vida. Entende-se, assim, que o trabalho é uma atividade fundamental na vida de cada indivíduo, ocupando grande parte do tempo e influenciando as relações sociais e a organização da produção. Por essa razão, tornou-se uma categoria central para a análise sociológica e foi objeto de estudo de autores clássicos da sociologia. Marx, por exemplo, concentrou-se na análise das relações de trabalho e do impacto do modo de produção capitalista na sociedade. Segundo Marx (2013), o trabalho é responsável pela divisão social do trabalho, que é uma das principais características do sistema capitalista. Essa divisão é marcada pela separação das atividades produtivas em tarefas específicas, cada vez mais fragmentadas e especializadas, que são executadas por diferentes grupos sociais, gerando desigualdades econômicas e sociais. Ao discutir o trabalho, Marx discute, entre outras coisas, a exploração capitalista, as classes sociais, o Estado como instrumento da classe dominante, a luta de classes, a ideologia, a alienação, a formação de valores, o capital. Ele explicou como “o trabalho, além de pano de fundo de todas essas questões, constitui-se como uma eterna necessidade natural da vida social, isto é, o meio pelo qual permitiu ao ser social se impor sobre a natureza que o cerca, exercer seu reconhecimento sobre ela, e transformá-la, transformando-se a si próprio” (CARDOSO, 2008, p. 14). Por outro lado, Durkheim (1995) enfatizou a importância da divisão do trabalho como um mecanismo que organiza a sociedade e permite que ela funcione adequadamente. Para ele, a divisão do trabalho social é uma forma de cooperaçãosocial, que garante a interdependência e a solidariedade entre os membros da sociedade. Em ambos os casos, o trabalho é uma atividade social que está intrinsecamente ligada às relações sociais e à organização da sociedade. A análise sociológica do trabalho permite compreender as formas de organização da produção, as desigualdades sociais e as relações de poder que emergem nesse contexto Portanto, o trabalho deve ser entendido como a capacidade do homem de modificar a natureza para promover seu próprio sustento e conforto. É uma atividade social e racional porque é humana e transformadora de matérias-primas. Assim, homem, trabalho e natureza estão indissociavelmente ligados. O trabalho também tem dois significados na vida dos seres humanos: ele pode degradar ou elevar o ser humano. Etimologicamente, o termo trabalho vem da palavra latina tripalium, que significa objeto de tortura. Na antiguidade greco-romana, o trabalho era considerado degradante, indigno de um cidadão livre. Os gregos reservavam o trabalho manual e as atividades repetitivas para os escravos. Os homens livres guardavam para si tanto a organização do trabalho quanto as atividades gerenciais, bem como discutiam o destino do povo, ou seja, planejamento e atividades estratégicas. A defesa da cidade/país e as atividades bélicas eram consideradas mais nobres do que as atividades dos escravos (MARTINS, 2017). Na época clássica, os gregos não tinham apenas uma palavra para trabalho, como os romanos, mas três palavras: significavam trabalho como atividade laboral, apenas física (trabalho braçal); a poiesis típica dos artesãos para fazer ou criar; as práxis destinadas aos políticos e professores para se engajar em atividades típicas de conversação baseadas no raciocínio e na inteligência (MARTINS, 2017). Na Idade Média, os servos (que não eram escravos, mas também homens livres) trabalhavam para seus senhores, enquanto os livres trabalhavam como artesãos. Embora os artesãos trabalhassem manualmente, eles estavam envolvidos em todo o processo de trabalho, planejamento, organização e execução e assim podiam usar a criatividade em sua produção (MARTINS, 2017). A tradição cristã medieval não incentivava o trabalho, exceto para subsistência ou no contexto de arrependimento, porque é um dos castigos de Adão e Eva segundo a história bíblica, bem como a expulsão do paraíso do pecado original (MARTINS, 2017). No capitalismo, o trabalho passou a ter uma visão positiva quando amparado pela ética protestante (explorada na obra-prima de Max Weber: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo), que combina as necessidades do capitalismo com o dever cristão, como veremos mais adiante. Além disso, os ideais da Revolução Francesa, especialmente os ideais de igualdade, trabalharam juntos para "corroborar" o trabalho e torná-lo necessário e normal na vida de alguém. Com a revolução industrial, o trabalhador teve que vender sua força de trabalho por salário, sem outra opção de sobrevivência. Assim, o trabalho, como visto antes, tornou-se uma mercadoria como tudo que pode ser comprado e vendido no mercado de trabalho, o que ainda sua forma de existência nas sociedades contemporâneas. Apesar de o mercado de trabalho estar em crise por não poder mais aceitar toda a força de trabalho, esse trabalho não perde sua centralidade como categoria sociológica (MARTINS, 2017). 5.3 Ciências sociais e relações empresariais. Até a década de 1980, as ciências sociais não estavam muito próximas dos negócios, seja tomá-los como objeto de estudo ou tentar intervir no mundo social de empresas. Em meados da década de 1980, a situação se inverteu. A sociedade começa a visualizar o conjunto empresarial, de forma mais acessível e favorável e não é mais mencionada apenas como um local de exploração do trabalho para obtenção de capital. Na década de 1990, associações comerciais e fóruns, bem como empresários individuais, discutiam a empresa e sua missão social e responsabilidade social (KIRSCHNER, 2006). A função social da empresa pode ser analisada a partir de dois eixos: o primeiro, privilegia a relação empresa/sociedade, estudando o tipo de interação estabelecido com a dinâmica da sociedade; o segundo enfatiza o que a empresa faz de fato para assegurar a coesão e mobilização de seus funcionários (KIRSCHNER, 2006). O olhar sociológico sobre a empresa desvela dos fenômenos consideráveis para a compreensão de seu futuro. De um lado, a empresa é uma entidade em si que hoje em dia encontra sua força e sua eficiência não mais nas virtudes e nas possibilidades de seus dirigentes, mas no valor criador de seu próprio sistema de funcionamento. De outro lado, autônoma porque se tornou social em seu âmago, a empresa não pode mais limitar sua eficiência unicamente ao lucro econômico, ela 'fabrica’ também emprego, tecnologia, solidariedades, modos de vida, cultura (SAINSAULIEU, p. 421-422, 1997). A empresa tem uma função identificadora na sociedade, por isso, revela uma verdadeira instituição social capaz de criar conjunto de relações sociais e culturais, assim, produzir novas identidades. Nela se desenvolvem relações e alianças de opostos, e o ator vivencia isso relações de trabalho de forma interativa e estratégica (KIRSCHNER, 2006). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CARDOSO, L. A. A centralidade da categoria trabalho: uma análise crítica do debate sociológico contemporâneo. Confluências, Niterói, v. 10, n. 1, p. 11-41, 2008. CARVALHO, Marcio Bernardes de. Trabalho e sociabilidade. Curitiba: InterSaberes, 2019. DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Coleção Os Pensadores). DURKHEIM, E. Da divisão do trabalho social. Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: M. Fontes, 1995. ENGELS, F. O papel do trabalho na transformação do macaco em homem. 4. ed. Rio de Janeiro: Global, 1990. KIRSCHNER, Ana Maria. A sociologia da empresa e responsabilidade social das empresas. Revista Nueva Sociedad, n. 202, 2006. KOGNIG, S. Elementos de sociologia. 2. ed. Tradução de Vera Borda. Rio de Janeiro: Zahar, 1970. MARTINS, José Ricardo. Introdução à sociologia do trabalho. Curitiba: InterSaberes, 2017. MÉSZÁROS, 1. Filosofia, ideologia e ciência social: ensaios de negação e afirmação. Tradução de Ester Vaisman. São Paulo: Boitempo, 2011.