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A Série Cadernos de Gestão se propõe a contribuir para que gestores educacionais, atuantes no âmbito de sistemas de ensino, e profissionais responsáveis pela gestão escolar diretores escolares, supervisores e ori- fessores possam refletir sobre aspectos básicos referentes à sua prática de trabalho, integrando temas básicos da gestão educacional com o avan- A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA A GESTÃO entadores educacionais, secretários escolares e, por que não dizer, pro- PARTICIPATIVA NA ço e a profissionalização dessa prática profissional que, muitas vezes, tem sido tratada a partir de um viés unilateral da sua expressão política, em esquecimento de suas múltiplas e importantes dimensões. ESCOLA Este terceiro volume da série trata da gestão participativa e se as- senta no entendimento de que 0 alcance dos objetivos educacionais, em vol. III seu sentido amplo, depende da canalização e do emprego adequado da energia dinâmica ocorrente no contexto de sistemas de ensino e escolas em relação a objetivos educacionais concebidos e assumidos por seus membros, de modo a constituir um empenho coletivo em torno da sua realização. HELOÍSA LÜCK www.vozes.com.br EDITORA ISBN 978-85-326-3295-1 HELOISA LÜCK VOZES SERIE CADERNOS DE GESTÃO Uma vida pelo bom livro vendas@vozes.com.br EDITORA VOZES Edição3 Promoção da gestão escolar participativa Sabemos que, dada a ainda vigente tendência burocrática e centralizadora da cultura organizacio- nal escolar, emanada desde as orientações e ações dos sistemas de ensino brasileiro que a reforçam, a parti- cipação, em seu sentido dinâmico de interapoio e in- tegração, visando construir uma realidade educacio- nal mais significativa, não se constitui em uma prática comum nas escolas. É recorrente a queixa de direto- res escolares⁸, no sentido de que "têm que fazer tudo 8. Em programas de capacitação orientados e conduzidos pela au- tora para diretores escolares e outros profissionais da gestão esco- lar, em vários estados, tendo como foco a gestão democrática e 73 participativa, chamou a atenção a expressão do entendimento de que a ideia de trabalho em equipe e colaborativo para a realização da gestão democrática e participativa é boa, mas impossível de realizar, porque os professores não colaboram: "isso tudo é válido, mas só existe no plano das ideias, na prática é impossível, pois os professores não colaboram". Esse depoimento, muito comum, su- gere que esta condição deve ser dada naturalmente na escola, e que nesses casos não ocorre entendimento claro do papel dos gestores que é, justamente, reverter tal situação, promover de- Série Cadernos de Gestão senvolvimento do espírito de equipe e do trabalho colaborativo, fundamentais para a qualidade do ensino.A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA sozinhos", que não encontram nem apoio nem eco percebem a situação da mesma forma, isto é, como para trabalho da escola como um todo, uma vez que isolados, e passam a agir como tal, fragmentando as- "os professores limitam-se a suas responsabilidades sim as ações de sala de aula" e que estes, muitas vezes, "nem mes- Cabe destacar caráter reativo nos comentários mo assumem responsabilidade por fazer bem seu tra- apresentados e a expectativa de que a participação balho de sala de aula, jogando para a direção as difi- colaborativa deveria ocorrer naturalmente no con- culdades que encontram com seus alunos". texto educacional e não como resultado de um es- Quanto à participação dos pais, ela é muitas ve- forço de gestão. Ressaltamos que tal participação é zes desejada para tratar de questões periféricas da resultado de muito esforço e competência e que é vida escolar, como, por exemplo, aspectos físicos e justamente para promovê-la que se propõe e se jus- materiais da escola ou ainda para acompanhar os fi- tifica a atuação de gestores. Esta, portanto, é efeti- lhos quando eles apresentam problemas de compor- va na medida em que se fundamenta em uma for- tamento e/ou aprendizagem: "os pais que deveriam mação, tanto inicial como em serviço, a respeito dos vir à escola são os que menos dizem diretores, diversos aspectos a ela relacionados, como, por exem- sugerindo, ao mesmo tempo, que não adianta reali- plo, a dinâmica de grupos, 0 processo de comunica- zar reunião de pais na escola, e que essas reuniões ção e 0 relacionamento interpessoal e seus efeitos são para pais de alunos com problema. A tradicio- sobre essa dinâmica; as condições que favorecem nal reunião para entrega de boletins está associada ou prejudicam a boa dinâmica e relacionamento in- a esta expectativa de que pais sejam associados, terpessoal; os efeitos da liderança na sua construção, junto com a escola, em uma ação de controle e co- dentre outros¹⁰. brança do desempenho de seus filhos, em vez de as- 74 sociados em um processo contínuo de orientação 75 da formação dos alunos. 9.É importante destacar, a respeito, que 0 desenvolvimento de uma prática efetivamente participativa está associada a uma mu- Tais diretores sentem-se, por certo, em condi- dança de paradigma, pela qual se adota uma ótica interativa, que Série Cadernos de Gestão ções como estas, sozinhos em seu trabalho vale di- vê a realidade globalmente em vez de mediante olhar fragmenta- dor e dicotomizador. Essa ótica procura vivenciar a realidade como zer, isolados e, portanto, centralizadores. Partindo-se uma experiência mutável e passível de melhoria, a partir de ações do princípio de que toda expectativa negativa gera conscientes de seus múltiplos aspectos e da interação entre os mesmos. uma condição recíproca, é possível indicar que os Série Cadernos de Gestão 10. Os Cadernos de Gestão IV, V e VI desta série abordarão essas professores, sentindo-se "parte de um outro grupo", questões.A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA Evidencia-se que as situações apontadas não po- condicionam e reforçam, de seus resultados, e as- dem ser mudadas apenas a partir da mera vontade sim por diante. O alargamento dessa consciência, as- de dirigentes ou de exortações dos mesmos para que sociado ao desenvolvimento de competência téc- professores ou pais de alunos participem da cons- nica para colocá-la em prática, são condições fun- trução de uma escola mais ativa e competente, ou do damentais para que se possa construir uma cultura desenvolvimento de algum projeto específico. Os fa- de participação efetiva na escola. Vale destacar que tos indicam que orientações com tais características uma cultura não é mudada por desejo, mas a partir não promovem resultados desejados. É comum, de ação competente e bem orientada de acordo com por exemplo, afirmarem que OS professo- os propósitos definidos. O alargamento da consciên- res reclamam por não poderem participar da deter- cia está associado à amplitude e ao aprofundamento minação do currículo escolar, mas que, quando lhes é da ação e vice-versa. Assim, na conscientização, a dado espaço para isso, não colaboram e omitem sua consciência e a ação são componentes inerentes e contribuição. O processo de resistência a mudanças, indissociáveis à participação social efetiva. mesmo as desejadas, constitui-se em uma expressão É importante reconhecer que mesmo que as pes- comum em qualquer contexto social. Determinação, soas desejem participar da formulação e constru- competência e perseverança são condições fundamen- ção dos destinos de uma unidade social, não desejam tais para a promoção de mudança, associados a uma aceitar, rapidamente, O ônus de fazê-lo, daí por que, grande sensibilidade às expressões comportamen- após manifestarem esse interesse, manifestam tam- tais e seu significado. bém, por meio de comportamentos evasivos, resis- Podemos sugerir que a ocorrência daquelas situa- tência ao envolvimento nas ações necessárias à mu- ções está associada a uma falta de clareza do signifi- dança desejada. Trata-se, portanto, de um nível de 76 cado de participação, tanto por parte dos professo- consciência elementar pelo qual querem os bônus 77 res ou pais, como também dos dirigentes escolares. sem desejar OS ônus para sua realização. Série Cadernos de Gestão Portanto, nos casos em que se registra tal ocorrên- Esse processo de resistência se explica porque cia, é fundamental que entendimento mantido so- mudanças promovem desestabilização da ordem vi- bre a questão seja examinado e que se alargue ho- gente e de nichos de poder estabelecidos, instauran- rizontes sobre a mesma, a partir de observação, re- do desacomodação geral, despertando reações con- flexão e estudo objetivo dos processos sociais vigen- trárias. É muito comum se observar que gestores Série Cadernos de Gestão tes, das diferentes manifestações, dos fatores que as que reclamam da incapacidade de professores em mu-A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA dar sua percepção sobre seu trabalho resistem tal natureza e nem sempre está orientado para desen- às novas ideias; esses diretores fazem, porém, ex- volver a devida inteligência emocional e social que pressando forte conotação reativa e de fixação em torna capaz de obter melhores proveitos e melhor atu- ideias preconcebidas a respeito dos professores. Essa, ar nessa expressão. Em vista disso, em cada contexto no entanto, é uma condição que pode ser superada a de trabalho esta dimensão canaliza muita energia e partir de ação perspicaz de gestores, de sua reflexão demanda muito cuidado e atenção. Na escola, a ques- sobre seu próprio modo de pensar e de agir. tão é comumente identificada por diretores e super- Aos responsáveis pela gestão escolar compete, por- visores como sendo ao mesmo tempo crucial e pro- tanto, promover a criação e a sustentação de um am- blemática, conforme se pode depreender, como ilus- biente propício à participação plena no processo so- tração, do seguinte depoimento de uma diretora: "os cial escolar de seus profissionais, bem como de alu- maiores problemas que tenho na escola são com- nos e de seus pais, uma vez que se entende que é por portamentos e atitudes de algumas professoras que essa participação que mesmos desenvolvem cons- ficam criando fofocas e de outras que ficam reforçan- ciência social crítica e sentido de cidadania, condi- do, por darem ouvidos e passarem adiante que ou- ções necessárias para que a gestão escolar democrá- vem. Outras são ciumentas e invejosas e não podemos tica e práticas escolares sejam efetivas na promoção destacar 0 trabalho de ninguém sem que alguém deixe da formação de seus alunos. Ao fazê-lo, no entanto, de comentar que estou promovendo peixinhos". Ou- cabe-lhes estar atentos a resistências e saber traba- tra indicou, ainda: "tudo funcionaria bem se as profes- lhar com elas. Daí por que uma importante dimen- soras não fossem tão 'cheias de dedos' e melindrosas, são da gestão participativa seja trabalho com com- prejudicando 0 bom andamento da portamento de resistência, tensões e conflitos, que Portanto, 0 trabalho de articulação e desenvolvi- demandam do dirigente desenvolvimento de co- mento de habilidades e atitudes de participação cons- nhecimentos, habilidades e atitudes específicos. 78 titui-se em uma condição fundamental do papel do 79 gestor. Analisar a cultura escolar¹¹, seu modo de ser e 3.1. espaço da participação de professores na de fazer, constitui-se em ação constante de gestores Série Cadernos de Gestão vida da escola para orientá-la adequadamente. Para essa análise, de- Em que pese entendimento da importância e ve-se examinar, dentre outros aspectos: Como ocorre a dos princípios da participação coletiva de pessoas na construção da realidade de que fazem parte, essa ideia Série Cadernos de Gestão não se traduz facilmente na prática. Apesar da nature- 11. O livro A cultura e clima organizacional da escola, a ser fu- za social do ser humano, nem sempre reconhece turamente lançado nesta série, expandirá a questão.A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA Lück participação dos professores na determinação do cur- exemplo, como as ações do sistema interferem em rículo, na determinação dos destinos da escola, na pro- sua dinâmica, muitas vezes demandando atenção e posição e desenvolvimento do projeto pedagógico? Qual energia em sentido diferente daquele da proposta a natureza de sua participação? Quem participa desse pedagógica da escola, daí resultando a demanda para processo, como e por quê? Qual a frequência dessa a promoção, nesse nível, de abertura para partici- participação? Qual a estrutura e a dinâmica do proces- pação na tomada de decisões e, logo, alteração de participativo? Quais seus aspectos mais positivos e seu relacionamento com a escola pela diminuição quais suas limitações? Como ocorrem as relações e da verticalização. Cabe, portanto, reconhecer que a comunicações interpessoais? Que motivações as ori- participação na gestão, como princípio, não se cir- entam? Essas são apenas algumas questões que se cunscreve ao ambiente escolar¹². pode propor e cujas expressões devem ser analisadas em cada escola, como forma de entender sua dinâmi- ca e superar suas limitações. 12. Mediante ação de consultoria e capacitação profissional, a au- tora deste livro foi contratada para coordenar e orientar a integra- O processo participativo na gestão educacional ção de direção, supervisão e orientação educacional em sistema se realiza em vários contextos e ambientes que ma- municipal de ensino de uma capital brasileira. Esse trabalho se desenvolveu durante vários meses, mediante desempenho parti- nifestam sua peculiaridade e seus efeitos específi- cipativo de análise da problemática escolar, a partir do princípio cos, e que se espraiam também para outros espaços da atuação conjunta da equipe de gestão da escola com seus pro- e ambientes, demandando que todos sejam igual- fessores. Tendo em vista que no horário de trabalho das escolas não havia tempo específico livre para realizar reuniões, em cada mente envolvidos nesse processo. Não fazê-lo im- estabelecimento de ensino, de acordo com a disponibilidade de plica inadequações, como a seguir alertado. suas equipes, foi viabilizado um horário diferente como, por exemplo, antes do início das aulas, ao término das aulas, nos inter- a) Promover na escola um ambiente de partici- valos de recreio, a partir da utilização de tempo livre dos profissio- pação pelos professores, em conjunto e espírito de nais. A partir desse grande esforço, estabeleceu-se tal nível de equipe, no sentido de transformar sua prática peda- compreensão conjunta da problemática educacional que se pas- 80 sou a demandar naturalmente, pelo novo estado de consciência, 81 gógica, a elevação de seu nível de consciência e trans- um relacionamento de maior abertura e espaço de participação formação da realidade de trabalho sem alteração junto à Diretoria de Educação do município. Esta, no entanto, es- das práticas de relacionamento do sistema de ensino tava apenas preparada e orientada para promover mudanças na Série Cadernos de Gestão escola, mas não para mudar as próprias práticas. Em vista disso, ao com a escola, cria mudanças apenas temporárias nas final do ano letivo, programa foi suspenso, sem algumas medidas ações escolares. Isso porque essa prática, quando efe- no âmbito do sistema, para sustentar os avanços promovidos pelas tiva, promove a necessidade de participação nas de- escolas. Os manuscritos do livro Ação integrada: administração, supervisão e orientação educacional, da autora, pela Editora Vo- terminações realizadas no âmbito da gestão do siste- zes, foram desenvolvidos como apoio para a realização daquele Série Cadernos de Gestão ma A partir dela, torna-se evidente, por trabalho, tendo sido testado como um instrumento importante no desenvolvimento da integração pretendida.A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA b) Conceder aos professores 0 espaço à partici- A participação, assim, não é um fim e sim um meio, pação na determinação do desenvolvimento do pro- em vista do que não é importante por si mesma, isto é, cesso escolar e não envolver nesse processo os alu- a participação pela participação, mas, sim, pelos resul- nos e pais corresponde a conceder àqueles profis- tados que propicia e pelo desenvolvimento da rede de sionais poder de dominação, que em vez de promo- relações em vários âmbitos, que reforça trabalho edu- ver a conscientização dos professores, sobre seu pa- cacional e promove a vivência democrática. Participa- pel social, concede-lhes 0 reforço da prática de auto- ção implica não desenterrar conflitos e desestabilizar ritarismo, embora repartido. Isto é, eles passam a poderes individuais estabelecidos. Implica, sim, criar construir vínculos com níveis hierárquicos superio- uma cultura de troca, reciprocidade e compartilha- res da burocracia, ea se desvincular de seu contexto mento de responsabilidades. Conforme proposto por mais próximo. É comum nessas condições resgate Demo (1988: 20), "participação supõe compromisso, en- de práticas de Conselhos Escolares como meros le- volvimento, presença em ações por vezes arriscadas e gitimadores das determinações implícitas dos edú- até Estas, mediante esse compromisso, são cadores. A respeito, Cunha (1995) identifica situa- assumidas de maneira natural e com entusiasmo, re- ções de Conselhos Escolares nos quais ocorre ape- sultando em desenvolvimento da cultura organizacio- nas uma participação formal de pais, sucumbindo es- nal da escola, e consequente melhoria de seus proces- tes ao "poder profissional" dos professores, isto é, SOS sociais e educacionais. atuam como meros seguidores daquilo que perce- bem como 0 desejado pelos professores. 3.2. 0 espaço da participação dos pais na vida da c) Estabelecer vínculos de liderança e tomada escola de decisão compartilhada entre os membros da equi- Sabe-se que, em geral, os pais pouca participa- pe de gestão escolar inclui funcionários da secreta- ção exercem na determinação do que acontece na 82 ria da escola e também operacionais sobre questões escola¹³. Algumas vezes teme-se a participação de 83 que afetam sua atuação. Não fazê-lo representa criar bolsões de ineficácia na escola e situações de des- Série Cadernos de Gestão gaste e até mesmo de atrito intergrupais. Sabe-se, a 13. Em pesquisa do IPEA (2003) sobre a realização de programas de respeito, que toda pessoa que de alguma forma par- correção da distorção idade-série realizados pelas unidades federati- ticipa do ambiente escolar exerce poder de influên- vas brasileiras, da qual a autora deste livro participou como consulto- ra e pesquisadora, verificou-se, em relação àquele programa, que cia em seu processo, podendo, portanto, caso devi- embora a sua efetivação nas escolas dependesse em grande parte do damente canalizados suas energias e seus talentos, apoio dos pais, estes não foram envolvidos nas discussões, no plane- Série Cadernos de Gestão muito contribuir para apoiá-lo e construí-lo. jamento ou na execução das programações, e muito menos na discus- são de seu significado para a vida de seus filhos.A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA certos pais que, sendo muito eloquentes e de tem- Exemplificando esforços de mudança dessa situ- peramento forte, tentam impor sua vontade sobre ação, em um dos municípios dirigentes decidiram procedimentos escolares e que muitas vezes funcio- assumir a realização de trabalho para promover a su- nariam mais para "facilitar" sua própria vida, ou de peração dessa dificuldade, e tomaram a iniciativa de seus filhos, do que para melhorar a qualidade do en- promover encontros, realizar reuniões e palestras com sino, conforme percebido por gestores e professo- res. Em vista disso, muitas vezes, os dirigentes esco- pais de alunos de suas escolas, abrindo-se para apoi- lares não apenas deixam de ouvir pais, como até ar as famílias como forma de promover a integração evitam fazê-lo, e de dar espaço para a participação dos mesmos ao seu trabalho. Após cinco meses do familiar. É possível que ajam dessa forma também início desse processo, foi realizada eleição de direto- por terem receio de perder espaço e autoridade. res de escola no município e observou-se que hou- ve, em média, 95% de participação dos pais na vota- Foi registrado pela autora deste trabalho, em de- zenas de municípios paranaenses em que realizou ção escolar, O que pode ser considerado como um estudos sobre gestão escolar envolvendo dirigentes índice de participação elevadíssimo, dado ser esta de escolas municipais¹⁴, que estes indicaram a falta voluntária e considerando compromissos de tra- de integração entre escola e família como proble- balho dos pais. Em outro município, OS pais passa- ram a ser participantes ativos das reuniões e encon- ma maior e O mais comum em suas escolas. Esse re- sultado revela não apenas uma carência, mas 0 seu tros realizados. Esses são exemplos que demons- entendimento da importância dessa participação. Po- tram que pais, quando aceitos, compreendidos e estimulados¹⁵, participam da vida escolar e muito rém, ao mesmo tempo, registra um imobilismo ou podem contribuir para a melhoria da qualidade do incapacidade da escola em superar essa limitação: muito difícil trazer os pais para a foi um ensino de fato, registrou-se também maior compro- 84 metimento dos pais com a realização das transforma- 85 depoimento comum, caracterizado pelo desânimo e pela falta de vontade em mudar a situação. ções propostas pelos diretores eleitos. Além disso, de- ve-se considerar como um direito dos mesmos influ- Série Cadernos de Gestão 15. A revista Gestão em Rede tem publicado casos de sucesso de 14. Procad Programa Ensino Nota 10, da Pontifícia Universida- escolas, em tais experiências, a partir de sua autoavaliação, utili- de Católica do Paraná, para capacitação de profissionais da educa- zando como instrumento as orientações do Prêmio Nacional de Série Cadernos de Gestão ção de municípios paranaenses, levado a efeito em mais de cem Referência em Gestão Escolar, coordenado pelo Consed em par- municípios no período de 1992 a 2002. ceria com Unesco, Undime e Fundação Roberto Marinho.A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA enciar a determinação do sentido do ensino que seus constitui, segundo Demo (2001), em uma forma de filhos irão receber. desequilíbrio da participação institucional, marcada Essa participação dos pais na vida da escola tem por participações caracterizadas pela falta de orienta- sido observada, em pesquisas internacionais, como um ção para resultados institucionais e sociais, assim co- dos indicadores mais significativos na determinação mo pelo corporativismo e individualismo travestidos da qualidade do ensino, isto é, aprendem mais os alu- de "consciência crítica e social". Conforme indicado nos cujos pais participam mais da vida da escola. por Cunha (1995: 59), nos regimes democráticos pou- maduros decide-se participativamente muitas ques- 3.3. Limitações gerais da participação e tões apenas para diluir responsabilidades, gerando condições para sua superação uma situação "de desresponsabilização generalizada Observa-se que, quanto mais formalizados são os onde a ninguém se pode imputar papéis e funções de pessoas na organização, quanto É claramente evidente que, embora a literatura mais rigidamente os mesmos forem definidos, isto é, educacional e até mesmo a empresarial estejam pre- quanto maior a sua burocratização, menor é 0 nível conizando 0 desenvolvimento de espaço de partici- de participação e envolvimento efetivo de seus mem- pação no interior das organizações, essa participação bros com relação à organização do trabalho como um tem sido extremamente limitada em seu contexto. todo. Essa situação está também relacionada com Justificar-se-ia tal condição também pela natureza tamanho da escola, uma vez que, quanto maior é a autoritária e centralizadora de nossa cultura, associ- instituição, maior é a formalização das relações entre ada a uma fraca consciência de cidadania, conforme seus profissionais, maior a segmentação de seu traba- indicado por Ênio Resende (1992), características 86 lho, maior a impessoalidade e distanciamento entre que exercem uma forte resistência à introdução de 87 eles, e, portanto, menor seu nível de participação na ações participativas democráticas, apesar de as ideias determinação dos destinos da escola como um todo e correspondentes a esse processo serem facilmente Série Cadernos de Gestão maior nível de alienação. aceitas e cultivadas como um valor. que ocorre Por outro lado, no entanto, é possível identificar mais comumente é 0 entendimento de que a vivên- o oposto dessa situação, mediante o exagero da di- cia democrática se dê mediante voto, ou a emissão mensão participativa que ocorre em detrimento de de opinião a respeito de aspectos relacionados a Série Cadernos de Gestão seus resultados. Trata-se "democratismo" que se uma decisão a ser tomada que, apesar de importan-A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA te, constitui-se em forma incompleta e limitada de nificativos na formação dos alunos. Sem uma orien- expressão democrática. tação participativa compartilhada desde a fase de Essa condição, por si só, revela a importância de elaboração, capaz de construir a clareza do ideário e a escola rever sua atuação como agência de forma- das necessárias ações educacionais, projeto peda- ção, conforme se propõe na promoção do desenvol- gógico se transforma em um simples documento for- vimento de consciência social de seus alunos, que, mal, deixando de ser O que deveria: um verdadeiro no entanto, somente pode fazer mediante cultivo das mapa de viagem a ser continuamente consultado para características que se propõe formar. se chegar aonde se pretende. Em todas as escolas Aquela prática evidencia-se, todavia, como uma em que 0 projeto pedagógico não está na mesa de distorção do sentido pleno de democracia e como trabalho do diretor, do supervisor pedagógico e dos uma imitação de participação, conforme indicado an- professores, para ser continuamente consultado na teriormente, quando a mesma vem associada a uma orientação efetiva de seu trabalho, aquela condição atitude de omissão, por parte das pessoas, quanto à de formalidade é a vigente. Por outro lado, tem-se responsabilidade de transformar decisão em ação, identificado como escolas eficazes aquelas em que assim como de entender que votar em alguém (para projeto pedagógico é um instrumento vivo de orien- diretor de escola, por exemplo) representa votar não tação do trabalho cotidiano, continuamente refleti- na pessoa em si, mas no conjunto de ideias e propos- do e enriquecido. tas que a pessoa indica possuir e manter para a me- lhoria do projeto comum. Também por entender 3.4. Promoção de ambiente participativo que mediante esse voto, portanto, votados e votan- A criação de um ambiente e de uma cultura parti- tes estabelecem um compromisso, pelo voto rece- 88 cipativos constituem-se, em consequência das ques- bido e dado, de trabalhar pelas ideias articuladas no 89 tões analisadas, em importante foco de atenção e ob- processo de campanha. jeto de liderança pelo gestor escolar, pelo qual, gra- Série Cadernos de Gestão De importante destaque à participação na escola dualmente, tem-se promovido mudanças significati- é a elaboração do projeto pedagógico, que se consti- vas na organização e orientação de nossas escolas. tui em uma abordagem sistêmica de orientação e co- Essa promoção, de forma que a participação seja ordenação do processo educacional, mediante ação efetiva, tem recebido dos dirigentes escolares cui- conjunta, articulada, unitária e consistente da comu- Série Cadernos de Gestão dado, em seu estabelecimento de ensino, no sentido nidade escolar, dirigida à promoção de resultados sig-A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA do desenvolvimento de um ambiente estimulador des- Reconhece-se que a prática da participação efe- sa participação, a partir de certas atenções básicas. tiva gera um sentimento de compartilhamento que, Dentre elas, destacam-se: a criação de uma visão de por si só, estimula O enfrentamento de dificuldades, conjunto associada a uma ação cooperativa; a pro- promove revigoramento de energias e cria um sen- moção de um clima de confiança e reciprocidade; a timento de envolvimento com a realidade e seus de- valorização da capacidade e aptidões dos participan- safios e, consequentemente, a descoberta do signi- tes; a associação e integração de esforços, quebra de ficado do caráter social do trabalho (MARQUES, arestas e eliminação de divisões; estabelecimento 1987). Essa prática se constitui a partir do entendi- de demanda de trabalho centrado nas ideias e não mento, por parte dos membros da comunidade es- em indivíduos; O desenvolvimento da prática da as- colar, dos objetivos educacionais da escola, dos de- sunção de responsabilidades em conjunto. Esses safios institucionais para realizá-los e da responsabi- aspectos são a seguir comentados. lidade de cada um em relação a esses aspectos, me- diante uma visão de conjunto que promove associa- 3.4.1. Criação de uma visão de conjunto ção e integração de esforços. associada a uma ação cooperativa Destaca-se que trabalho de qualquer profissio- Como todos que fazem parte da escola influenciam nal da educação só ganha significado e valor na me- sua cultura ou interferem sobre seus resultados, di- dida em que esteja integrado com dos demais pro- reta ou indiretamente, positiva ou negativamente, de fissionais da escola em torno da realização dos obje- acordo com modo como nela agem, é fundamental tivos educacionais, cabendo aos gestores escolares, que desenvolvam consciência sobre como atuam no em seu trabalho de gestão sobre processo pedagó- conjunto e como suas ações se relacionam, se inte- gico, dar unidade aos esforços pela interação de seg- 90 rinfluenciam e se interdependem. mentos e construção de uma ótica comum, a partir 91 É importante, portanto, promover na escola uma de valores e princípios educacionais sólidos e objeti- cultura de reflexão e de crítica e assimilação de Série Cadernos de Gestão vos bem entendidos. ideias, associadas à ação, pelo conjunto dos que fazem a realidade escolar por seu trabalho. Essa A contínua referência à filosofia e concepção da reflexão tem papel primordial de qualificar a educação, à missão da escola e sua visão de futuro participação e dar-lhe conotações de orientação constituem aspectos importantes na construção de para sua contínua melhoria e alargamento de sig- um ideário comum formador de uma visão de con- Série Cadernos de Gestão nificado social. junto, que se constitui na base da ação cooperativa.A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA 3.4.2. Promoção de um clima de confiança e tal mobilização e espírito, a escola progride e todos reciprocidade se realizam. A confiança e a reciprocidade entre os membros de uma equipe constituem condição essencial para 3.4.3. Valorização das capacidades e aptidões dos participantes bom funcionamento de uma unidade social de tra- balho, caracterizada a partir do desenvolvimento da O trabalho de uma equipe é tão potente quanto a ética entre OS companheiros de trabalho e do espíri- articulação das capacidades e aptidões de seus parti- to de credibilidade. Sem tais condições, que se tem cipantes, isto é, da faculdade e poder de intervir com é um grupo de pessoas que atua desarticuladamen- competência sobre uma situação, de maneira inte- te, sem maximizar e integrar seus esforços. Portan- grada, transformando-a. Logo, 0 desenvolvimento de to, sem serem efetivas na ação educacional. capacidades e aptidões para atuações específicas Verifica-se comumente que as pessoas trabalham constitui um foco importante do trabalho do diri- à vontade e se empenham com afinco quando sabem gente escolar. Porém, esse desenvolvimento se tor- que terão apoio nos momentos de dificuldades e na efetivamente útil quando realizado de forma con- que, caso falhem, a falta não será transformada em junta e como patrimônio da escola e não como prer- objeto de comentários negativos e recriminações. rogativa de certos indivíduos. Como esse comportamento reativo é, no entanto, Uma forma de promover tal desenvolvimento é comum em muitos ambientes de trabalho, provo- reconhecê-lo e valorizá-lo quando ocorre, de modo a cando desgastes muito grandes e enfraquecimento transformá-lo em referência positiva para todos, e tam- de resultados, é importante estar alerta a respeito e bém para reforçá-lo. Destaca-se, no entanto, que não 92 atuar de modo competente e proativo. se deve esperar que tais capacidades e aptidões des- 93 Quando os gestores escolares estão atentos a pontem naturalmente, como resultado da boa vonta- tais situações e atuam como formadores e mobiliza- de das pessoas. Aos gestores compete criar condições Série Cadernos de Gestão dores de equipe, no sentido de canalizar as energias estimulantes para exercício de capacidades e apti- de todos para a expressão de comportamentos de dões necessárias ao bom desempenho profissional e discrição, apoio, respeito e confiabilidade, a escola maior e melhor aprendizagem pelos alunos. Em vista funciona mais efetivamente. Na medida em que se disso, no desenvolvimento dessas capacidades e ap- Série Cadernos de Gestão esteja atento a manifestações que possam perturbar tidões é importante a de conhecimentosA GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA HELOÍSA Lück pedagógicos e sua sistematização para constituir 0 conforme já indicado. Muitas vezes, trabalho isola- ideário teórico-metodológico da escola. do é tido como condição de liberdade e autonomia funcional, como é O caso do professor, que não raro 3.4.4. Quebra de arestas e eliminação de divisões julga ser critério de qualidade profissional a autono- Observa-se que a ocorrência de dificuldades de mia plena de sua atuação em sala de aula. No entan- comunicação e relacionamento interpessoal é gera- to, conceito de autonomia necessita ser melhor en- dora de tensões, conflitos e enfraquecedora da ener- tendido e caracterizado, de modo que se compreen- gia coletiva na construção de realizações conjuntas. da seu caráter relativo e a relação de interdependên- Embora essas situações sejam naturais em todo am- cia entre pessoas e suas responsabilidades profissio- biente de trabalho, não devem ser deixadas a si mes- nais, assim como entre diferentes áreas e instâncias mas, sobretudo no ambiente escolar. Estar atento à de atuação, como condição para diminuir idiossin- ocorrência de tais situações e à discordância exage- crasias que conduzem ao estabelecimento de arestas rada de ideias é fundamental para que não se trans- e enfraquecimento organizacional. formem em fatores de imobilização ou desvirtuamen- to de energia. É importante conversar sobre elas, es- 3.4.5. Estabelecimento de demanda de trabalho centrada em ideias e não em indivíduos clarecer seus significados, controlar suas manifesta- ções emocionais, como condição para a associação Ideias constituem concepções que norteiam com- de esforços conjuntos¹⁶. portamento e as ações de pessoas. São elas que pro- No entanto, é fácil observar que grande parte do movem a mobilização das pessoas para as ações e trabalho escolar é realizado de modo dissociado. A dão unidade e continuidade ao seu trabalho. Portan- 94 fragmentação do trabalho e a dissociação de ações to, estabelecem uma orientação conjunta, integram constituem, todavia, uma realidade reconhecida co- as pessoas e motivam a construção do espírito coleti- 95 vo, de modo a constituir uma equipe empreendedo- mo insatisfatória pelos próprios educadores, porém, ra. É fundamental, porém, que em sua expressão se- Série Cadernos de Gestão e ao mesmo tempo, mantida por eles mesmos como jam valorizadas e evidenciadas como resultado de forma de garantir espaços e direitos conquistados, um processo de grupo e não como prerrogativa ou mérito de indivíduos. É importante observar que quando se eviden- Série Cadernos de Gestão 16. O volume VI desta série Cadernos de Gestão enfocará a ques- tão da comunicação no ambiente escolar. ciam e enaltecem indivíduos, em vez de ideias, oA GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA que acontece comumente é enfraquecimento das vel (CARVALHO, 1979). A gestão está centrada na ideias e fortalecimento de expressões de competi- mobilização da energia de equipe para a realização das ção e luta pelo poder. Portanto, caso indivíduos responsabilidades da escola, que são responsabilida- que as expressam sejam evidenciados, no lugar das des de todos, em conjunto diferentemente da lógi- ideias em si, destrói-se, indiretamente, espírito de ca de administração que se centra na divisão de tare- grupo. Esse resultado é comumente identificado em fas e funções, fragmentadora da ação educacional. reuniões em que se tomam decisões para a adoção A fim de que a gestão escolar seja desenvolvida de uma determinada linha de ação, em que, quando de acordo com princípios e ações participativos, da definição de responsáveis pela sua implementa- torna-se necessário que gestores escolares, em sua ção, cria-se um impasse recaindo, de forma inade- atuação, adotem ações voltadas para a difusão contí- quada, em quem deu a ideia, a responsabilidade por nua de informações, para a adequação entre a gera- essa implementação. Aos gestores escolares, ao li- ção e a disseminação de informações, com as linhas derar reuniões com esse fim, cabe, portanto, estar de ação pedagógica da escola e de desenvolvimento cultural e profissional de professores voltadas para a atentos às possibilidades de canalizar para 0 grupo participação na gestão escolar. Tais ações são a se- as ideias e energias individuais. guir destacadas: a) Difusão contínua de informações claras e pre- 3.4.6. Desenvolvimento da prática da assunção cisas a respeito das questões fundamentais da vida de responsabilidades em conjunto escolar. Somente pela realização de atividade coletiva, me- Na falta de informações, que se observa como diante espírito de equipe, emana toda a energia cria- consequência é desenvolvimento de ondas de boa- dora dos elementos componentes de um grupo so- tos, que, ao surgirem e se desenvolverem, parecem 96 cial. A esse respeito, cabe destacar que conjunto é servir para suprir essa falta. Conjecturas e hipóteses 97 muito mais do que a soma das partes, conforme pro- gerados passam a ter 0 sentido de veracidade e criam Série Cadernos de Gestão posto por Kurt Lewin (in GAHAGAN, 1980). Portan- situações muitas vezes problemáticas. É importante to, é mediante desenvolvimento, pelos profissionais reconhecer que, quando não se tem informação, há da escola, da visão de conjunto e respectiva prática da necessidade de criá-las. capacidade de participar no processo de coordenação da unidade social escolar que se justifica e se qualifi- b) Estabelecimento de adequação entre a gera- Série Cadernos de Gestão ca a possibilidade de alcançar autodireção responsá- ção e a disseminação de informações no contextoA GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA escolar e as linhas de ação pedagógicas necessárias para promover objetivos da escola. Nem sempre as informações que são produzidas 4 e disseminadas na escola estão em acordo com a de- manda de informações necessárias para fundamen- jogo de poder na construção da tar as ações pedagógicas. Algumas vezes elas são pro- cultura escolar duzidas a partir de impressões passageiras, de visão limitada e até mesmo distorcida da realidade. Em Qualquer poder só é admissível como fun- vista disso, é sempre fundamental questionar a ade- ção social. quação das informações obtidas. Pietro Ubaldi, 1986: 35 c) Desenvolvimento cultural e capacitação téc- nico-operacional dos professores, para que possam Descentralização, tomada de decisão comparti- atuar em dimensão profissional, segundo princí- lhada, construção da autonomia e participação são pios da gestão participativa. facetas múltiplas da gestão democrática, diretamen- A gestão é um conceito associado à democratiza- te associadas entre si e que têm a ver com as estru- ção das instituições e reconhecimento de que to- turas e expressões de poder na escola, tal como in- dos são responsáveis pelo conjunto de ações realiza- dicado por Martins (2002). Em vista disso, ao se exa- das e seus resultados. Em vista disso, na escola, os minar a gestão democrática e todos os demais as- professores são membros importantes da equipe de pectos a ela relacionados, aponta-se para a necessi- gestão. dade de rompimento de estruturas de poder vigen- tes, de modo a propor uma expressão condizente 98 99 com a nova orientação pretendida. No entanto, ao A participação pressupõe: se entender a questão como paradigmática, cremos Compreensão sobre processos e dinâmica social e habi- Série Cadernos de Gestão lidades de atuação nessa dinâmica que importante, antes e acima de tudo, é romper Espírito de troca e reciprocidade com entendimento de que se tem uma estrutura Comprometimento com causas sociais como uma entidade fixa a ser dividida, de modo que Solidariedade e ética ao se dar poder a um tira-se de outro. Esse entendi- Série Cadernos de Gestão Discernimento e perseverança mento se ajusta ao paradigma positivista, fragmenta-