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FACULDADE BATISTA DO RIO DE JANEIRO
PÓS-GRADUAÇÃO EM EXEGESE DO AT E DO NT
DISCIPLINA: EXEGESE DOS EVANGELHOS
PÁGINA 1
MÓDULO 1
APONTAMENTOS EXEGÉTICOS EM LUCAS 4.38-39
Leonardo Silveira1
Introdução
O Evangelho de Lucas dá uma ênfase maior no papel profético de Jesus como porta-voz de 
Deus que é rejeitado pelo seu próprio povo. Essa ênfase pode ser vista não apenas no relato 
inaugural do ministério de Jesus, o sermão em Nazaré (Lc 4.16-30), mas também em várias outras 
histórias que ocorrem em Lucas, e em nenhum dos outros Evangelhos. Quando Jesus começa seu 
ministério público, ele explicitamente afirma ser ungido como um profeta que vai proclamar a 
mensagem de Deus para o seu povo. Como consequência, Jesus não só prega como profeta, ele 
também faz milagres como profeta.
A cura da sogra de Simão (Pedro) é um dos relatos mais conhecidos dos Evangelhos 
Sinóticos, e está presente no Evangelho de Mateus (Mt 8.14-15), no de Marcos (Mc 1.29-31) e no 
de Lucas (Lc 4.38-39). Este último será objeto de investigação deste módulo, onde vamos nos 
dedicar ao estudo exegético de Lc 4.38-39 destacando os principais passos para sua interpretação. 
Esses passos são: a tradução do texto; a delimitação da perícope; principais palavras, verbos e 
expressões (neste ponto também ressaltamos o gênero e estrutura) e; aplicação do texto. 
1. Tradução e segmentação de Lc 4.38-39
Na tradução realizamos antes a segmentação do texto, que consiste em dividir os versículos 
em linhas, onde cada nova linha só se inicia depois de cada frase completa, mas também depois de 
cada frase secundária. A regra aqui é que cada frase, principal ou secundária que seja, tenha um só 
verbo conjugado (explícito ou implícito).
1 Doutor e Mestre em Teologia (Teologia Bíblica) pela PUC-Rio. Currículo Lattes: 
.
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Texto Grego Seg. Tradução Literal
Ἀναστὰς δὲ ἀπὸ τῆς συναγωγῆς 38a E levantando-se da sinagoga, 
εἰσῆλθεν εἰς τὴν οἰκίαν Σίμωνος. 38b entrou na casa de Simão. 
πενθερὰ δὲ τοῦ Σίμωνος ἦν 
συνεχομένη πυρετῷ μεγάλῳ
38c E a sogra de Simão estava atormentada com 
febre grande 
καὶ ἠρώτησαν αὐτὸν περὶ αὐτῆς. 38d e pediram a ele acerca dela.
καὶ ἐπιστὰς ἐπάνω αὐτῆς 39a E inclinando-se sobre ela
ἐπετίμησεν τῷ πυρετῷ 39b repreendeu a febre 
καὶ ἀφῆκεν αὐτήν· 39c e deixou a ela; 
παραχρῆμα δὲ ἀναστᾶσα 39d e imediatamente levantando-se 
διηκόνει αὐτοῖς. 39e servia a eles.
Tabela 1 – Tradução e segmentação de Lc 4.38-39.
2. Delimitação
O texto de Lc 4.38 e 39 está dentro do segundo grande bloco do Evangelho de Lucas, 
denominado comumente de “Jesus na Galileia” (Lc 4.14–9.50). Depois de Jesus iniciar seu 
ministério, quando lê e aplica a si mesmo o texto de Isaías a sua atividade (Lc 4.16-30), começam 
os relatos de pregações e curas em Cafarnaum (Lc 4.31-44). Tendo apresentado a obra de Jesus em 
Nazaré em termos de libertação de poderes opressores, Lucas agora aborda algumas curas e 
exorcismos. Eles demonstram a presença do reino de Deus em Jesus. Sendo assim, Lc 4.33-37 é a 
perícope anterior ao texto que escolhemos, que traz a cura de um endemoninhado.
Na sinagoga de Cafarnaum, suas ordens são com autoridade e isso é comprovado por seu 
poder sobre um espírito imundo. No confronto, o demônio (ou demônios, pois o v.34 tem o plural) 
usa o nome de Jesus e menciona sua condição em um esforço real para desmascará-lo e, assim, 
restringir seu poder. Mas a autoridade de Jesus – a do “Santo de Deus” – o subjuga. Somente Lucas 
acrescenta que o homem é liberto “sem lhe fazer mal algum”, pois o poder libertador de Deus é 
realmente redentor. As testemunhas reconhecem a maravilha e perguntam: “Que palavra é esta?”. A 
expressão ὁ λόγος (a palavra) é um termo favorito que Lucas usa (como nos vs. 32 e 36) para 
apontar para o poder eficaz do evangelho.
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Já em Lc 4.38-39 temos uma nova perícope que começa com a indicação de uma mudança 
de lugar com a expressão “E levantando-se da sinagoga”, pois agora Jesus está na “casa de Simão”. 
A interação de Jesus não é mais com um homem possuído com o espírito imundo, que já saiu de 
cena, mas agora com novos personagens, a sogra de Simão, o próprio Simão e as pessoas que 
estavam na casa. Com isso, o assunto agora é a cura dela. O trecho final do v. 39 “e imediatamente 
levantando-se servia a eles” indica o término do relato, com o mesmo chegando ao seu repouso 
natural. 
Ao amanhecer, Jesus deixa aquele lugar para seguir seu caminho. Temos uma mudança 
temporal com a expressão “ao pôr-do-sol” em Lc 4.40. Na verdade, Lc 4.40-41 é uma espécie de 
sumário, que resume e conclui a descrição de um dia típico de Jesus em Cafarnaum. Multidões 
tentam impedi-lo, mas Jesus resiste. Seus exorcismos devem ser inseridos em um contexto mais 
amplo, o de proclamar e, portanto, possibilitar o Reino de Deus (Lc 4.43). A atividade libertadora 
de Jesus, revelada por esta obra preliminar, deve ser vista à luz de seu ensinamento sobre a natureza 
do Deus que realiza isso e de seu relacionamento com a humanidade. Só então revela a vida do 
Reino. Jesus deve prosseguir e proclamar o Reino, mesmo que, por vivê-lo ele mesmo, isso o leve à 
cruz. Foi por essa razão que ele foi enviado. Assim, diz Lucas, “ele continuou a proclamar a 
mensagem nas sinagogas da Judeia” (Lc 4.44). 
Assim, a cura da sogra de Simão em Lc 4.38-39 está dentro do ministério geral de cura e 
expulsão de demônios e pode ser lida como uma unidade autônoma. Lucas enfatiza, no bloco onde 
o texto está inserido, mais uma vez que os demônios reconhecem sua filiação divina e reconhecem 
seu poder. Jesus, no entanto, não os permitiu falar “porque sabiam que ele era o Cristo” (Lc 4.41). 
Isso representa mais do que um exercício de poder; proíbe-os de dar uma falsa impressão dele. O 
que o torna “Cristo” para as pessoas será a aceitação de seu caminho da cruz. Sem essa aceitação, 
qualquer atribuição de messianismo seria inútil.
3. Principais palavras, verbos e expressões.
O texto é claramente um relato de milagre, pois apresenta as características formais desse 
tipo de gênero menor, são elas:
 Na introdução é narrada a chegada do taumaturgo (Lc 4.38ab).
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 Na exposição temos a caracterização da necessidade (Lc 4.38c), bem como a menção de 
representantes da adoecida (Lc 4.38d).
 No centro temos a apresentação da ação milagrosa que, neste caso, efetua-se através da 
palavra (Lc 4.39ab) e a constatação do milagre (Lc 4.39cde)2.
Nas tabelas abaixo temos as classes gramaticas de Lc 4.38-39, que possui um total de 38 
palavras.
v. Conjunção Verbos Substantivos Adjetivos Pronome
38 δέ (2x, e), καί 
(e).
Ἀναστάς 
(levantando-se), 
εἰσῆλθεν (entrou), 
ἦν (estava), 
συνεχομένη 
(atormentada), 
ἠρώτησαν 
(pediram). 
συναγωγῆς 
(sinagoga), οἰκίαν 
(casa), Σίμωνος 
(2x, de Simão), 
πενθερά (sogra), 
πυρετῷ (com 
febre). 
μεγάλῳ (grande) αὐτόν (a ele), αὐτῆς (dela).
39 καί (2x, e), δέ 
(e).
ἐπιστάς 
(inclinando-se), 
ἐπετίμησεν 
(repreendeu), 
ἀφῆκεν (deixou), 
ἀναστᾶσα 
(levantando-se), 
διηκόνει (servia).
πυρετῷ (a febre). ------------------- αὐτῆς (ela), αὐτήν (a ela), 
αὐτοῖς (a eles).
6 conjunções 10 verbos 7 substantivos 1 adjetivo 5 pronomes
Tabela 2 – Conjunção, verbos, substantivos, adjetivos e pronomes de Lucas 4.38-39.
v. Preposições Interjeições Advérbios Artigos
38 ἀπό (de), εἰς (em), 
περί (acerca de).
----------------------- ---------------------- τῆς (a), τήν (a), τοῦ (-).
39 ἐπάνω (sobre). ----------------------- παραχρῆμα 
(imediatamente)τῷ (a).
4 preposições 0 interjeição. 1 advérbio 4 artigos
2 WEGNER, U. Exegese do Novo Testamento. p. 234.
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Tabela 3 – Preposições, partículas, advérbios e artigos de Lucas 4.38-39.
Observando as tabelas acima, há algumas expressões que se destacam no texto e termos 
característicos de Lucas. Temos duas vezes o verbo ἀνίστημι (levantou). Duas vezes o nome de 
Σίμωνος (Simão). Duas vezes a palavra πυρετός (febre). Há pelo menos dois termos característicos 
de Lucas, o uso do verbo ἐπιτιμάω (repreendeu) e do o advérbio παραχρῆμα (imediatamente).
A tradução – “E levantando-se da sinagoga” (Lc 4.38a) – revela uma das construções 
características de Lucas: o uso do particípio ἀναστάς com a preposição ἀπό, que também pode ser 
vista em Lc 22.45. Mas, neste caso, a construção é elíptica, visto que um verbo indicativo 
subsequente seria esperado, por exemplo, ἐξελθόντες (saindo). A formulação sincopada pode ser 
devida à presença do verbo imediato εἰσῆλθεν (entrou).
O verbo ἀνίστημι (Lc 4.38a,39d) pode ter vários sentidos, dentre eles, está o de, na voz 
ativa: levantar, fazer levantar; fazer subir, apresentar; despertar, reavivar, levantar para a ação; 
restabelecer; ressuscitar; erigir, colocar de pé; fazer sair, fazer emigrar, afastar; pôr-se em pé, 
levantar-se; retirar-se e recobrar-se de. Já na voz média o de fazer aparecer e erguer3. 
Já em Lc 4.38b temos pela primeira vez que o nome Σίμωνος (Simão) no Evangelho. O texto 
nos traz a informação de que ele possui uma casa em Cafarnaum. A formulação da frase: “na casa 
de Simão” sugere naturalmente que Simão é o proprietário. O nome grego Simão era geralmente 
usado como abreviação de Simeão, que traduz a forma hebraica Simeão. Em At 15.14, a forma 
grega Συμεών é usada para se referir a Simão Pedro. No decorrer da narrativa de Lucas, 
especificamente em Lc 6.14, há referência explícita à mudança de nome: Σίμωνα ὃν καὶ ὠνόμασεν 
Πέτρον (Simão, o qual também chamou de Pedro)4. 
Na obra de Lucas, o nome Pedro assume uma ampla variedade de variantes. Por exemplo, o 
apóstolo principal aparece como Σίμωνος (Simão) em Lc 5.3,4,5,10; 22.31; 24.34; simplesmente 
como Πέτρος (Pedro) em Lc 8.45,51; 9.20,28,32,33; 12.41; 18.28; 22.34,54,58,60,61, e é a forma 
mais frequente no Livro de Atos (At 1–15), um total de 56 vezes; o nome composto Σίμων Πέτρος 
(Simão Pedro) aparece apenas em Lc 5.8, mas a forma “Simão, chamado Pedro”, como vimos 
acima, além de Lc 6.14, aparece também em At 10.5,18,32; 11.13. Lucas nunca usa o nome 
aramaico Cefas5.
3 MALHADAS, D; DEZZOTI; M. C. C.; NEVES, M. H. M. Dicionário Grego-Português. p. 79.
4 FITZMYER, J. A. El Evangelio según Lucas II. p. 464. 
5 FITZMYER, J. A. El Evangelio según Lucas II. p. 464.
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Tem-se então a menção da situação da πενθερὰ τοῦ Σίμωνος (sogra de Simão) em Lc 4.38c. 
O verbo συνέχομαι é usado por Lucas em outras ocasiões (6x em Atos, 3x em Mt., 4:24; nenhuma 
em Mc.) e é o termo correto a ser usado para “ser afligido” por doença (Mt. 4.24; Atos 28.8) e 
enfatiza a gravidade do caso6.
Com relação ao uso da palavra πυρετῷ (febre), enquanto o relato de Marcos (Mc 1.30) se 
limita a descrever a condição da sogra de Simão como κατέκειτο πυρέσσουσα (estava deitada 
febril), Lucas intensifica a descrição: ἦν συνεχομένη πυρετῷ μεγάλῳ (estava atormentada com 
febre grande). A expressão também reflete o estilo elegante de Lucas, mas também destaca a 
gravidade do caso. Poderia também traduzir como “tomada [ou possuída] pela febre”. Lucas 
provavelmente descreve essa febre como μέγας (grande) para fazer seus leitores compreenderem 
que curá-la requer uma ação poderosa por parte de Jesus7.
Em Lc 4.38d temos o uso de ἐρωτάω revela o pedido implícito de cura e sugere que os que 
estavam na casa já tinham fé no que Jesus poderia fazer como resultado do incidente anterior8. 
Importante mencionar que até o momento no Evangelho de Lucas, Jesus está desenvolvendo seu 
ministério sozinho, no poder do Espírito, o que aponta que os que pediram ou intercederam estavam 
dentro da casa.
Em Lc 4.39, o autor sente a necessidade de indicar a atitude de Jesus quando ele empreende 
o exorcismo: καὶ ἐπιστὰς ἐπάνω αὐτῆς (e inclinando-se sobre ela). Isso aponta que Jesus está de pé 
sobre ela, visto que, provavelmente, ela está deitada em um leito no chão. Temos o uso do verbo 
ἐφίστημι que, dentre os sentidos temos os de: (i) ficar em ou perto de um lugar específico, ficar 
em/perto de, de entidades vivas e frequentemente com conotação de rapidez; (ii) estar presente em 
prontidão para executar uma tarefa, fixar a mente em, estar atento a, ficar de prontidão e; (iii) estar 
diante de alguém como um evento prestes a ocorrer, ser iminente9. Portanto, não há um toque de 
Jesus, pois a ênfase está na palavra. 
É possível entender essa expressão de duas maneiras que não excluem uma a outra. Em 
primeiro lugar, Jesus está na posição dominadora e, portanto, de força: está por cima da sogra de 
Simão possuída pela febre. Em segundo lugar e, sobretudo, estar por cima dela se traduz em uma 
6 MARSHALL, I. H. The Gospel in the Luke. p. 327.
7 MARSHALL, I. H. The Gospel in the Luke. p. 327.
8 MARSHALL, I. H. The Gospel in the Luke. p. 327.
9 BAUER, W. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature. p. 369.
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característica de Jesus que Lucas destaca de maneira insistente em toda a sua obra para mostrar a 
benevolência e como Jesus encarna a bondade e a misericórdia de Deus (como Lc 15)10. 
A outra vez que a palavra febre aparece se encontra em Lc 4.39b ἐπετίμησεν τῷ πυρετῷ 
(repreendeu a febre). O verbo ἐπιτιμάω (repreendo) tem pelo menos dois significados inler-
relacionados: (i) repreender, exprimindo forte desaprovação pelo agir de alguém e; (ii) ordenar, com 
implicação de ameaça.
O verbo ἐπιτιμάω (repreendo, ameaço) é utilizado em 16 ocasiões nos Evangelhos Sinóticos 
em que Jesus é o sujeito. Ele se dirige aos demônios (Mt 17.18; Mc 1.25), à febre (Lc 4.39), ao 
vento (Mc 4.39), aos seus discípulos (Mc 8.33; Lc 9.21) e a quem acaba de receber um milagre (Mt 
12.16; Mc 3.12). Com essas referências constatamos que é um verbo muito importante, em geral 
usado para descrever exorcismos, aplicado aos demônios e às forças adversas. Logo, com a mesma 
indignação com que Jesus repreende/ameaça o demônio (Mt 17.18; Mc 1.25; 9.25; Lc 4.35,41; Lc 
9.42), repreende/ameaça também o vento (Mc 4.35) e Pedro (Mc 8.30,33) – e por este é repreendido 
(Mt 16.22; Mc 8.32)11.
Temos então, no caso específico de Lucas, Jesus repreende: (i) os demônios (Lc 4.35,41; 
9.42); (ii) a febre (Lc 4.39); (iii) o vento e as ondas (Lc 8.24); (iv) os discípulos (Lc 9.21,55). Isso 
demonstra sua autoridade e poder. Se Jesus repreende à febre é porque está empreendendo um 
exorcismo contra ela. Por isso, não é necessário nenhum gesto. Basta sua palavra, que tem um efeito 
imediato: καὶ ἀφῆκεν αὐτήν (e deixou a ela) (Lc 4.39c). Jesus não ataca a mulher, mas sim a força 
demoníaca que a possui. 
Disso tudo, concluímos que o verbo ἐπιτιμάω (repreendo, ameaço) exprime uma tomada de 
posição: esse repreender/ameaçar não é uma atitude neutra, mas a consequência de uma opção. Em 
outras palavras, a autoridade e o poder de Deus vêm em socorro do fiel, a onipotente Palavra de 
Deus, capaz de criar ou destruir, está à disposição de seus frágeis e limitados amigos12.
Com uma curta frase um Lc 4.39c καὶ ἀφῆκεν αὐτήν (e deixou a ela) o evangelista nos 
informação sobre a ação milagrosade Jesus, que é completada pela frase seguinte, em Lc 4.39d: 
παραχρῆμα δὲ ἀναστᾶσα (e imediatamente levantando-se). O efeito da ordem é instantâneo e 
completo, pois Lucas inseriu παραχρῆμα (imediatamente), que ele frequentemente usa para 
10 BAUDOZ, J.-P. Lectura Sinóptica de los Evangelios. p. 13.
11 SILVA, C. M. D. Metodologia de Exegese Bíblica. p. 130.
12 SILVA, C. M. D. Metodologia de Exegese Bíblica. p. 132.
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substituir εὐθύς de Marcos (como em Mc 5.25 e 8.44, 55)13. Mais uma vez temos o uso do verbo 
ἀνίστημι que se refere agora a mulher e pode enfatizar a completude da cura. 
Por fim, temos a última frase do relato, em Lc 4.39e. O termo insiste na prontidão da sogra 
de Simão em servir. Logo, essa atitude tem um caráter exemplar. Lucas emprega o verbo servir 
(διακονέω, sirvo) no imperfeito (διηκόνει, servia). O significado do verbo é difícil de precisar; no 
sentido absoluto pode significar “servir a mesa” ou simplesmente “servir” de um modo genérico. 
No primeiro caso, a mulher agora pode ajudar nos preparativos da refeição. Sua ajuda também pode 
ser considerada um sinal de gratidão por sua cura. Já no segundo caso, διακονέω (sirvo) pretende 
indicar que esta é a forma apropriada de serviço cristão para mulheres, já que o mesmo verbo é 
empregado em Lucas para falar do serviço de homens, que se tornaram discípulos. De qualquer 
forma, o verbo servir sublinha o caráter prodigioso do acontecimento por causa da ligação com o 
advérbio da frase anterior14.
4. Aplicação.
A perícope de Lc 4.38 e 39 é um texto extremamente curto, mas repleto de lições que 
dialogam com outras partes do Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos. Temos o cuidado de Jesus 
com uma única pessoa, o tema da libertação e, por conseguinte, da autoridade de Jesus e, ainda, o 
tema do serviço.
Conforme a sequência de relatos do início do ministério de Jesus na Galileia, em um dia 
típico, Jesus entra na casa de um desconhecido chamado Simão (em Lucas vimos que é a primeira 
vez que Simão aparece em cena) que depois em Lc 5 se tornará um dos discípulos. O texto enfatiza 
que Jesus não só anda no meio da multidão curando e praticando exorcismos, mas também faz isso 
com apenas uma pessoa, que no caso do texto é a sogra de Simão. Muitas vezes na caminhada cristã 
nos preocupamos em alcançar muitos com gestos de misericórdia e nos esquecemos que em uma 
casa alguém precisa de uma palavra de autoridade. O Jesus dos Evangelhos dosava bem o contato 
com a multidão e o contato com pessoas que realmente necessitavam de auxílio.
A perícope também ressalta a autoridade e a libertação que Jesus produz. Para Lucas, Jesus 
é aquele “a quem Deus ungiu com o Espírito Santo e com poder. Ele andou fazendo o bem e 
curando todos os oprimidos pelo [poder do] diabo, porque Deus estava com ele” (At 10.38). Nesse 
13 MARSHALL, I. H. The Gospel in the Luke. p. 327.
14 EDWARDS, J. R. The Gospel according to Luke. p. 306.
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versículo, devemos destacar o contraste entre o poder (δύναμις) de Jesus voltado para o bem, e o do 
diabo, que escraviza. Desde o começo do Evangelho, Jesus veio com o “poder do Espírito” (Lc 
4.14). Podemos considerar a cura da sogra de Simão como uma ilustração dessa passagem de Atos. 
O texto nos conclama a fazermos o mesmo, por onde que que venhamos a andar, façamos o bem, 
debaixo da direção do Espírito Santo. 
Por sim, o trecho final, quando diz que a mulher διηκόνει αὐτοῖς (servia a eles) em Lc 4.39e, 
destaca uma consequência da cura: o serviço. Como agradecimento pela reabilitação adquirida, a 
pessoa curada se colocava à disposição de quem a havia curado. O serviço caminha junto com o 
compromisso de propagar o nome daquele que agiu poderosamente em nosso favor. 
Considerações Finais 
Para Lucas, o fato de o sujeito da cura ser uma mulher era certamente significativo; temos 
aqui um excelente exemplo de como suas fontes lhe forneceram o material necessário para alcançar 
sua própria ênfase teológica deliberada, sem qualquer manipulação ou mesmo criação de material 
novo. Assim, a preocupação de Jesus tanto por homens quanto por mulheres, por endemoninhados e 
doentes, é evidenciada nestas narrativas (Lc 4.33-37, Lc 4.38-39 e Lc 4.40,41). No máximo, Lucas 
sublinhou o paralelismo entre as narrativas pelo uso comum de ἐπιτιμάω (repreendo).
Assim, no primeiro módulo de nossa disciplina, estudamos a perícope de Lc 4.38-39 que 
pode ser denominada de “a cura da sogra de Simão”. Nela aplicamos os principais passos para a 
exegese do texto. É importante salientar que esses passos devem caminhar diretamente com o 
conhecimento da história e da teologia do Evangelho de Lucas, pois quanto mais conhecermos essas 
informações mais enxergaremos elementos na perícope que conversam com o restante do escrito. 
Referências
BAUDOZ, J.-P. Lectura Sinóptica de los Evangelios. Estella, Navarra: Editorial Verbo Divino, 
2000.
BAUER, W. et. al. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian 
Literature. Chicago and London: The University of Chicago Press, 2021.
EDWARDS, J. R. The Gospel according to Luke. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 2015.
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FITZMYER, J. A. El Evangelio según Lucas II. Traduccion y Comentarios, Capitulos 1-8,21. 
Madrid: Edicionoes Cristandad, 1987.
MARSHALL, I. H. The Gospel in the Luke. A Commentary on the Greek Text. Grand Rapids, 
Michigan: Eerdmans, 1978.
SILVA, C. M. D. Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000.
WEGNER, U. Exegese do Novo Testamento. Manual de Metodologia. 8. ed. Revista e Ampliada. 
São Paulo: Sinodal, 2015.

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