Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

GESTÃO DA INOVAÇÃO E 
LABORATÓRIO DE STARTUP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá, 
Práticas de Estímulo à Inovação são estratégias e ações adotadas por uma 
organização para promover a inovação em seus processos, produtos, serviços ou 
modelos de negócio. Essas práticas criam um ambiente propício para o surgimento 
de ideias criativas, o desenvolvimento de soluções inovadoras e a implementação 
de mudanças que geram valor e vantagem competitiva. Elas envolvem diferentes 
áreas da organização e visam estimular a criatividade, a experimentação, a 
colaboração e o pensamento disruptivo. 
No processo de busca pela inovação, as organizações geralmente se 
enquadram em modelos mentais que simplificam a compreensão do ambiente em 
que atuam. Esses enquadramentos estabelecidos definem o espaço no qual a 
empresa busca oportunidades de inovação e são reforçados pelas estruturas, 
processos e parcerias existentes. 
Em resumo, as práticas de estímulo à inovação são fundamentais para criar 
um ambiente propício ao surgimento de ideias e soluções. 
 
Bons estudos! 
 
 
AULA 5 – PRÁTICAS 
DE ESTÍMULO À 
INOVAÇÃO 
 
 
 
 
5 PRÁTICAS DE ESTÍMULO A CRIATIVIDADE E O PROGRESSO 
Na aula anterior, foi possível compreender a relevância e aplicação das práticas 
de suporte à gestão da inovação. No entanto, apenas adotar práticas de gestão que 
envolvem métodos, técnicas e ferramentas não é suficiente se não for dada a devida 
atenção ao fator humano no processo de inovação. Algumas práticas de gestão, 
diretamente relacionadas ao papel do gestor, contribuem para criar um ambiente 
organizacional favorável, permitindo que as outras práticas relacionadas a 
ferramentas e técnicas operacionais funcionem de maneira eficiente. 
Nesta aula, vamos examinar as práticas que estimulam a inovação através do 
desenvolvimento de competências, comunicação, trabalho em equipe e liderança, 
discutidas por Carvalho, Reis e Calvante (2011) em seu livro intitulado "Gestão da 
Inovação". 
5.1 Capacitação: impulsionando a inovação organizacional 
De acordo com Carvalho, Reis e Calvante (2011), a obtenção da inovação 
depende do envolvimento das pessoas. O uso de metodologias, ferramentas e 
técnicas é ineficiente se não houver a participação ativa das pessoas no processo. 
Para isso, é essencial que as pessoas sejam capacitadas. Portanto, existe uma forte 
ligação entre a capacitação das pessoas e a capacidade de inovar. Conforme Oliveira 
(2014) capacitação é: 
A aprendizagem gradativa, acumulada e sustentada, ao longo do tempo, de 
um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, baseados em 
metodologias e técnicas administrativas, que se aplicam no desenvolvimento 
e consolidação de um empreendimento (OLIVEIRA, p. 61, 2014). 
Os seguintes passos devem ser seguidos para a implementação da 
capacitação (CARVALHO; CAVALCANTE; REIS, 2009): 
1) Identificar as habilidades técnicas e humanas a serem aprimoradas - As 
empresas precisam conhecer as competências dos colaboradores nas áreas de 
interesse da organização, a fim de direcioná-los para as funções adequadas. 
Isso também permite identificar as fraquezas da equipe e as áreas que 
necessitam de capacitação. 
 
 
2) Estabelecer grupos de capacitação como parte de um programa de 
educação contínua - Com base nas fragilidades identificadas, a organização 
pode formalmente criar grupos de colaboradores para desenvolver um programa 
de educação contínua, com o objetivo de capacitar as pessoas nas áreas de 
interesse da empresa. É importante haver uma sinergia entre os interesses 
organizacionais e os dos colaboradores no planejamento dos programas de 
capacitação. 
3) Envolver os colaboradores na escolha dos fornecedores de capacitação - 
Muitas vezes, os empresários decidem escolher um fornecedor para a 
capacitação sem consultar os colaboradores que serão capacitados. Os 
funcionários, motivados por interesses pessoais, podem ter contatos e 
informações importantes sobre fornecedores de capacitação. 
4) Avaliar se a capacitação atendeu às necessidades - Investir na capacitação 
dos colaboradores requer recursos financeiros. Portanto, é importante que o 
empresário avalie se o investimento realmente supriu as necessidades que 
motivaram a capacitação. Medir os resultados da capacitação, como o aumento 
do faturamento ou das vendas, por exemplo, e divulgá-los pode reduzir a 
resistência tanto por parte dos empresários quanto dos colaboradores em 
relação a futuras capacitações. É comum o empresário se questionar se vale a 
pena investir em capacitação e se há o risco de o colaborador, após ser 
capacitado, deixar a empresa e abrir um negócio concorrente. A resposta é 
simples. Ao capacitar o colaborador, de fato há o risco de perdê-lo. No entanto, 
ao não o capacitar, já o perdemos, pois, trabalhar com colaboradores não 
capacitados resulta em redução da produtividade e qualidade, aumento dos 
prazos e dos custos, entre outros. Além disso, vários estudos já demonstraram 
que existem diversas formas de reter os colaboradores, como oferecer um 
ambiente de trabalho agradável, planos de carreira, remuneração adequada, 
estímulos e recompensas, entre outros fatores. 
5) Estimular a aplicação do conhecimento nos negócios - Muitas empresas 
investem na capacitação de seus colaboradores, mas, curiosamente, não 
permitem que esses conhecimentos sejam aplicados. Isso reflete uma cultura de 
resistência à mudança. O empresário deve estar disposto a adotar novas 
técnicas, ferramentas e formas de fazer o que sempre fez. 
 
 
6) Estimular o compartilhamento de conhecimento - Criar grupos de troca de 
conhecimento é uma prática muito interessante. Existem empresas que 
incentivam reuniões em que os participantes compartilham o que aprenderam 
em determinados cursos, leituras de livros ou participação em palestras. O 
conhecimento a ser compartilhado não precisa se restringir apenas à 
capacitação, mas também pode ser proveniente da experiência de trabalho de 
cada colaborador. 
7) Desenvolver o hábito de aprendizado - Tão importante quanto oferecer 
programas de capacitação para os colaboradores é estimulá-los a buscar 
aprendizado contínuo e conhecimento na área em que atuam. Em suma, tornar 
a busca por conhecimento uma atividade rotineira e agradável que os 
colaboradores realizem por prazer. 
5.2 Estratégias e práticas para um diálogo eficaz 
De acordo com Carvalho, Reis e Calvante (2011), as organizações devem 
reconhecer a importância de uma comunicação interna eficiente, pois quanto mais 
eficaz for o diálogo entre os líderes e os colaboradores, menor será a resistência às 
mudanças. Quando os colaboradores recebem informações, as processam e 
fornecem feedback, confirmando o entendimento, eles se tornam participantes ativos 
do processo de inovação e, consequentemente, corresponsáveis por ele. 
Da mesma forma, de acordo com os autores, um processo de comunicação 
externa eficaz é fundamental para que a inovação ocorra de fato. Afinal, de que 
adianta uma empresa criar um novo produto/serviço se os clientes não tiverem 
conhecimento disso? Muitos casos de lançamento malsucedido de novos produtos ou 
serviços ocorreram devido à fragilidade na comunicação externa. 
Algumas premissas para garantir a eficácia da comunicação são apresentadas 
por Carvalho, Reis e Calvante (2011): 
• A comunicação deve ser clara - É essencial que a mensagem a ser 
transmitida seja compreensível e inequívoca. A clareza é um elemento 
fundamental na comunicação bilateral, na qual alguém emite uma informação 
e outra pessoa confirma ter recebido e compreendido a mensagem. No entanto, 
em algumas empresas, a comunicação ocorre apenas em uma direção, ou seja, 
 
 
é unidirecional, sem a devida retroalimentação da recepção e do entendimento 
da mensagem. 
• Diferentes abordagens de comunicação devem ser adotadas - Como 
avanço das tecnologias de informação e comunicação, conhecidas como 
"TICs", a comunicação dentro da empresa tornou-se mais rápida e abrangente. 
É responsabilidade do empresário escolher as formas de comunicação mais 
adequadas ao perfil de seus colaboradores. 
• Informações críticas devem ser protegidas - Ao mesmo tempo em que a 
comunicação deve ser ampla, é necessário ter cuidado com informações 
críticas. É importante definir os grupos de colaboradores que terão acesso a 
determinados tipos de informação. 
Ainda, os autores afirmam que para implementar a comunicação em um 
processo de inovação, podem ser seguidos os seguintes passos: 
• Definir informações importantes a serem comunicadas no processo de 
inovação - Com o uso das TICs, a informação se tornou massificada. Isso 
resultou em uma grande quantidade de e-mails indesejados, conhecidos como 
spam, que sobrecarregam as caixas de entrada. Esse excesso de mensagens 
pode fazer com que informações realmente importantes não sejam percebidas 
rapidamente. Recomenda-se que os colaboradores e empresários tenham pelo 
menos dois endereços de e-mail, um para assuntos relacionados ao trabalho e 
outro para assuntos pessoais. Dessa forma, o uso do e-mail corporativo fica 
limitado aos assuntos de trabalho. 
• Escolher os meios de divulgação das informações - Algumas informações 
podem ser enviadas por e-mail, outras podem ser fixadas em murais de avisos 
ou transmitidas por telefone, entre outros meios. Independentemente do meio 
escolhido, é crucial garantir que haja um feedback do receptor confirmando o 
entendimento da mensagem. 
• Estabelecer períodos de atualização - Nem todos os colaboradores têm 
acesso constante a um computador. Nesses casos, é necessário acordar com 
eles que acessem o e-mail ou verifiquem o mural de avisos em intervalos 
regulares, pois as informações serão atualizadas periodicamente. É importante 
ajustar os períodos de atualização de acordo com o tipo de trabalho realizado. 
 
 
• Definir a validade da informação - Muitas vezes nos deparamos com placas 
na estrada que alertam para "obras à frente" e, ao chegar lá, não encontramos 
nenhuma obra. Isso ocorre quando a informação estava desatualizada. Nas 
empresas, situações semelhantes podem ocorrer. Ao transmitir uma 
informação, é essencial definir o seu prazo de validade, ou seja, por quanto 
tempo ela será válida. Será permanente? Terá validade por apenas uma 
semana? 
• Garantir que os receptores tenham compreendido as mensagens - Esse é 
o princípio básico da comunicação. Sem essa garantia, não há comunicação 
efetiva. No ambiente interno da empresa, muitas vezes são enviados e-mails 
para pessoas que estão atrás de uma divisória. Embora isso possa fornecer 
uma forma de registro formal, o ideal é perguntar diretamente: se houve 
recebimento, entendimento e assim solicitar uma resposta. 
• É essencial avaliar a eficácia dos meios de comunicação utilizados - Após 
a implementação do processo de comunicação, é importante refletir sobre sua 
efetividade. Os meios escolhidos possibilitaram obter feedback sobre o 
recebimento e a compreensão das mensagens? Essa avaliação permite 
selecionar os meios mais adequados para futuras iniciativas de comunicação. 
5.3 Equipes de sucesso 
Conforme Carvalho, Reis e Calvante (2011), gestores geralmente trabalham 
em equipe, visando obter maior produtividade ao permitir que os colaboradores 
desenvolvam plenamente seu potencial e se enxerguem não apenas como um grupo, 
mas como uma equipe coesa. 
Ainda segundo os autores, existem características comuns às equipes de 
sucesso, nelas os membros reconhecem que a colaboração mútua facilita a conquista 
tanto dos objetivos pessoais como dos objetivos do grupo. Não há competição 
prejudicial, mas sim uma mentalidade de interdependência e colaboração. Além disso, 
os membros da equipe se sentem corresponsáveis pelo trabalho e pelo sucesso da 
empresa, pois estão comprometidos com os objetivos estabelecidos. 
Em um ambiente de confiança, todos são encorajados a expressar livremente 
suas ideias, opiniões e sentimentos, valorizando o questionamento. A comunicação é 
 
 
aberta, honesta e baseada na compreensão e aceitação dos pontos de vista dos 
outros membros. As pessoas buscam oportunidades de capacitação e aplicam o que 
aprendem. Também reconhecem que o conflito é natural nas interações humanas e 
os veem como uma chance de gerar novas ideias e explorar a criatividade 
(CARVALHO; REIS; CALVANTE, 2011). 
Para melhorar o desempenho das equipes, os líderes devem adotar algumas 
atitudes, selecionando membros da equipe que atendam aos requisitos da função e 
possuam habilidades sólidas de relacionamento interpessoal. Além disso, não devem 
hesitar em substituir aqueles que não conseguem alcançar um desempenho 
adequado, mesmo após receberem acompanhamento. Os líderes também devem 
envolver os colaboradores no estabelecimento de metas e na busca por soluções, 
despertando um senso de corresponsabilidade, construindo um sistema de 
comunicação interna aberto e transparente, que incentive a participação ativa de todos 
os membros. Além disso, é importante incentivar a equipe a se conhecer, desenvolver 
confiança mútua e respeitar as diferenças individuais. 
5.4 Atitudes essenciais para liderança e inovação empresarial 
Na busca pela inovação nas empresas, a liderança desempenha um papel 
fundamental. Para os empreendedores que desejam transformar suas empresas em 
ambientes inovadores, as seguintes sugestões de atitudes e comportamentos são 
importantes (REIS; CARVALHO, 2010): 
▪ Promover continuamente a colaboração entre todos - Estimular o 
desenvolvimento de um espírito de colaboração entre os membros da equipe, 
pois a ajuda mútua leva ao sucesso coletivo. 
▪ Criar um ambiente de corresponsabilidade - É essencial que todos os 
departamentos compreendam que o desempenho de um setor afeta o 
desempenho dos demais. Cada setor tem a responsabilidade de agir de forma a 
contribuir para o sucesso geral da organização. 
▪ Formar alianças estratégicas - É importante construir uma coalizão de 
apoiadores que compartilhem da visão de inovação. No entanto, esse aspecto 
costuma ser negligenciado. 
▪ Ter uma visão ampla - Ir além dos limites estabelecidos e buscar descobrir 
 
 
novas abordagens e possibilidades. 
▪ Reconhecer e compartilhar os méritos - Mesmo que a ideia inicial seja do 
empresário, é essencial compartilhar os créditos com a equipe. É importante que 
as pessoas saibam que seu trabalho e contribuições são valorizados. 
▪ Ser um motivador e estar motivado - Um líder inovador não apenas é 
motivado, mas também motiva e inspira aqueles ao seu redor. 
▪ Priorizar o tratamento das pessoas - Um empresário inovador deve ser justo 
e sensível, auxiliando os colaboradores a alcançarem o sucesso. 
▪ Persistir - Diante dos problemas e das dificuldades que surgem durante a 
realização de um projeto, o empresário não deve desistir. É necessário buscar 
soluções alternativas e contar com o apoio de outras pessoas para alcançar o 
sucesso. 
▪ Delegar com eficiência - É importante atribuir tarefas, responsabilidades e 
autoridade, seguindo uma ordem adequada. 
▪ Ter integridade - O caráter é uma fonte poderosa de credibilidade. A base 
fundamental da liderança reside na clareza dos valores pessoais. 
▪ Assumir riscos - Um empresário que almeja criar um ambiente propício à 
inovação está disposto a correr riscos. Ele está aberto a assumir riscos maiores 
quando percebe a possibilidade de obter êxito. 
▪ Tomar decisões - Se houver indecisão no grupo, é responsabilidade do 
empresário tomar decisões e assumir as consequências. 
▪ Compromisso com a mudança - Acreditar que o futuro da organização 
depende de uma mudança bem-sucedida. Encarar a mudança como algo 
estimulante e gratificante. 
▪ Transmitir empatia e bom humor - Antipatia e mau humor nunca foram 
característicasde liderança. Pelo contrário, denotam insegurança e falta de 
confiança em si mesmo. 
▪ Estimular a contribuição de ideias - O empresário inovador reconhece que não 
é o único detentor de conhecimento dentro da empresa. Os colaboradores são 
uma das principais fontes de inovação, especialmente nos processos de 
fabricação. 
▪ Não punir erros ou fracassos decorrentes da tentativa de inovar - Se o 
empresário punir um colaborador que tenha tentado inovar, nunca conseguirá o 
 
 
apoio dos demais colaboradores. 
▪ Inovar mesmo em momentos favoráveis na empresa - É importante adotar as 
práticas mencionadas anteriormente quando os clientes estão comprando, os 
fornecedores estão cumprindo com suas obrigações, os colaboradores estão 
satisfeitos e o clima organizacional é positivo. Se o empresário esperar até 
perceber a necessidade de inovar, pode ser tarde demais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CARVALHO, Hélio Gomes de et al. Inovação como estratégia competitiva da micro 
e pequena empresa. Brasília: Sebrae, 2009. 
CARVALHO, Hélio Gomes de; REIS, Dálcio Roberto dos; CAVALCANTE, Márcia 
Beatriz. Gestão da inovação. Curitiba: Aymará, 2011. 
 
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Empreendedorismo: vocação, 
capacitação e atuação direcionadas para o plano de negócios. São Paulo: Atlas, 2014.

Mais conteúdos dessa disciplina