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AULA-01-GESTÃO-DA-INOVAÇÃO-E-LABORATÓRIO-DE-STARTUP

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GESTÃO DA INOVAÇÃO E 
LABORATÓRIO DE STARTUP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 1 - INOVAÇÃO 
 
Olá! 
A inovação é um tema cada vez mais relevante na gestão de empresas de todos 
os setores e tamanhos. Em um ambiente de negócios altamente competitivo e em 
constante mudança, a capacidade de inovar torna-se uma vantagem estratégica 
essencial para manter a relevância no mercado e sustentar o crescimento a longo 
prazo. A inovação pode ser definida como a introdução de novas ideias, produtos, 
processos ou modelos de negócios que agregam valor e atendam às necessidades 
dos clientes de forma mais eficaz do que as soluções existentes. Gerenciar a 
inovação envolve não apenas criar e desenvolver novas ideias, mas também 
implementá-las com sucesso no mercado e na organização. 
Nesse sentido, a inovação não é apenas uma questão de criatividade, mas 
também de liderança, estratégia e execução eficaz. Nesta unidade, estudaremos o 
conteúdo introdutório sobre a inovação. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
1 INOVAÇÃO: DEFINIÇÃO, IMPLEMENTAÇÃO E IMPACTO NO MERCADO 
O principal documento de referência sobre atividades de inovação é o Manual 
de Oslo. Conforme Carvalho, Reis e Cavalcante (2011), o manual foi publicado pela 
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo 
Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat). De acordo com as diretrizes 
estabelecidas no Manual de Oslo, a inovação é definida como a adoção de um produto 
(bem ou serviço) novo ou significativamente aprimorado, ou a implementação de um 
novo processo, método de marketing ou método organizacional nas práticas 
comerciais, na organização do local de trabalho ou nas relações externas (OCDE; 
FINEP, 2005). 
A inovação está relacionada à bem-sucedida introdução de um produto (ou 
serviço) no mercado, ou de um processo, método ou sistema na organização. Essa 
implementação pode se referir a algo que não existia anteriormente, ou que possua 
características novas e distintas em relação ao padrão existente (FINEP, 2011). 
Dessa forma, para ser considerada uma inovação, é necessário implementá-la 
e obter vantagens competitivas em relação aos concorrentes de mercado. Conforme 
ilustrado por Mattos, Stoffel e Teixeira (2010), a inovação pode ser representada da 
seguinte maneira: 
Inovação = Ideia + Implementação de ações + Resultado 
Quando se destaca o componente tecnológico, temos a inovação tecnológica 
em produtos e processos (TPP). Essas inovações abrangem a implementação de 
produtos e processos tecnologicamente novos, bem como melhorias significativas em 
produtos e processos. Uma inovação TPP é considerada implantada quando é 
lançada no mercado (inovação de produto) ou aplicada no processo de produção 
(inovação de processo). O Quadro 1, apresenta uma ilustração da diferença entre 
invenção e inovação: 
 
 
 
 
 
 
 
Quadro 1 - Invenção vs. Inovação 
 
Fonte: Fonte: Carvalho, Reis e Cavalcante, 2011. 
Segundo Carvalho, Reis e Cavalcante (2011), muitas vezes, a invenção é 
originária de uma ideia genial, entretanto, se não for absorvida pelo mercado nem 
comercializada e não trouxer resultados para a empresa, a excelente ideia se torna 
invenção, mas não inovação. Tanto a invenção como a inovação exigem criatividade. 
1.1 Exemplos de inovação empresarial e tecnológica 
No livro "Gestão da Inovação" de Tidd e Bessant (2015), são fornecidos vários 
exemplos de empresas que adotaram a inovação como base estratégica. A seguir, 
serão apresentadas algumas dessas empresas para ilustrar a importância da 
inovação. 
A Broens Industries é uma empresa de médio porte que opera em um mercado 
altamente competitivo, empregando cerca de 130 colaboradores. A empresa exporta 
mais de 70% de seus produtos e serviços, principalmente para setores avançados 
como aviação e medicina. Essa capacidade de enfrentar desafios aparentemente 
impossíveis é baseada em uma cultura de inovação de produtos e nos processos 
necessários para produzi-los. Essa mentalidade empreendedora é fundamental para 
o sucesso da Broens Industries. A empresa é capaz de superar obstáculos e se 
adaptar rapidamente às mudanças do mercado, graças a sua abordagem inovadora 
(TIDD; BESSANT, 2015). 
A Kumba Resources, uma grande empresa de mineração sul-africana, é 
conhecida por fazer uma afirmação dramática: "Nós movemos montanhas". No 
 
 
 
entanto, essa afirmação não deve ser interpretada literalmente, pois a empresa se 
refere ao fato de que suas operações envolvem a extração de minério de ferro de 
montanhas, bem como a restauração do meio ambiente após as escavações em larga 
escala. 
A Kumba Resources opera com maquinaria pesada altamente sofisticada e sua 
capacidade de manter o negócio operando e produtivo depende de uma mão de obra 
altamente qualificada e capaz de contribuir com ideias inovadoras continuamente. A 
empresa busca constantemente maneiras de melhorar sua eficiência e reduzir seu 
impacto ambiental. A restauração do meio ambiente é uma parte crítica do processo 
de mineração e a empresa está comprometida em minimizar o impacto de suas 
operações (TIDD; BESSANT, 2015). 
A habilidade de estabelecer relacionamentos, detectar oportunidades e 
aproveitá-las impulsiona a inovação. Um exemplo dessa habilidade foi a resposta de 
Robert Clifford quando a ponte Tasman ruiu em Hobart, na Tasmânia, em 1975. Na 
época, Clifford dirigia uma pequena empresa de transporte marítimo e rapidamente 
viu a oportunidade de aumentar sua receita com o aumento da demanda por balsas. 
Ele também decidiu diferenciar seu negócio vendendo bebidas para os passageiros 
(TIDD; BESSANT, 2015). 
O mesmo ímpeto empreendedor levou Clifford a fundar a Incat, uma empresa 
pioneira na construção de embarcações quebra-onda. Graças a essa inovação, a 
Incat dominou metade do mercado mundial de balsas velozes de travessia do tipo 
catamarã, ou balsa de quilha dupla. A empresa continuou investindo em inovação, o 
que permitiu que ela construísse um nicho-chave em mercados internacionais, 
militares e privados altamente competitivos, apesar de estar sediada em uma ilha 
relativamente isolada (TIDD; BESSANT, 2015). 
A inovação pode ser impulsionada pela habilidade de estabelecer relações, 
detectar oportunidades e aproveitá-las, bem como pela capacidade de encontrar 
novas maneiras de atender aos mercados já existentes e maduros. Um exemplo 
notável desse tipo de inovação é a empresa espanhola Inditex, que opera várias lojas, 
incluindo a famosa Zara, em mais de 2.000 pontos de venda em 52 países. Apesar da 
tendência global do setor têxtil e de vestuário de mudar para países em 
desenvolvimento, a Inditex foi pioneira em uma operação altamente flexível e de 
 
 
 
rápido retorno financeiro. Fundada por Amâncio Ortega Gaona em uma região sem 
tradição no ramo têxtil, a primeira loja foi inaugurada em 1975. 
Atualmente, a Inditex é uma empresa com mais de 5 mil lojas em todo o mundo 
e é a maior varejista de vestuário do planeta. Além disso, é a única fabricante que 
oferece coleções específicas para os mercados do hemisfério norte e sul. A filosofia 
da empresa é baseada na estreita relação entre design, fabricação e venda, onde sua 
rede de distribuidores fornece constantemente feedback com informações sobre 
novas tendências, usadas para criar novos designs. A Inditex também realiza 
experimentos diretamente com seus consumidores, testando amostras de tecidos ou 
designs e obtendo respostas rápidas sobre novas tendências. Apesar da orientação 
globalizada, a maior parte da fabricação da Inditex está concentrada na Espanha, o 
que permitiu que a empresa reduzisse o tempo de resposta para lançar uma inovação 
a cerca de 15 dias (TIDD; BESSANT, 2015). 
A inovação tecnológica frequentemente é um elemento chave na criação de 
novas possibilidades. A Magink, fundada em 2000 porengenheiros israelenses, 
tornou-se parte da operação global da Mitsubishi. Sua atividade está focada no 
desenvolvimento da tecnologia emergente de tinta digital, permitindo a criação de 
telas eletrônicas que imitam o aspecto do papel para uso em displays internos e 
externos. Com essa inovação, a Magink oferece novas possibilidades de design e 
criação de interfaces, com um produto assemelhado ao papel e permite uma 
experiência de leitura mais confortável para o usuário (TIDD; BESSANT, 2015). 
As telas desenvolvidas pela Magink apresentam diversas vantagens em 
relação aos displays de cristal líquido, tais como menor custo, ângulos de visão mais 
amplos e alta visibilidade mesmo sob luz solar. 
Uma das principais áreas de atuação da Magink é a produção de painéis de 
propaganda, um mercado avaliado em cerca de 5 bilhões de dólares somente nos 
Estados Unidos. Com a capacidade de criar imagens de alta resolução e mudá-las 
com mais facilidade do que a propaganda impressa convencional, esses painéis 
programáveis permitem que os proprietários ofereçam espaços de tempo a preços 
variáveis, similar ao espaço pago em televisão (TIDD; BESSANT, 2015). 
Conforme Tidd e Bessant (2015), é possível aprimorar tecnologias antigas, 
dando novas formas a elas. A necessidade de membros artificiais é antiga e 
infelizmente se intensificou com o uso de armamentos avançados, como minas. Esse 
 
 
 
problema é agravado pelo fato de que muitos necessitados vivem em regiões mais 
pobres e não têm condições de pagar por próteses caras. 
Em um hospital em Jaipur, na Índia, o encontro casual entre o cirurgião Dr. 
Pramod Karan Sethi e o escultor Ram Chandra levou à criação de uma solução para 
esse problema: o Pé de Jaipur. Esse membro artificial foi desenvolvido pela habilidade 
de Chandra como escultor e pela especialidade cirúrgica de Sethi. O Pé de Jaipur é 
tão eficiente que permite que seus usuários corram, subam em árvores e pedalem 
bicicletas. O pé de Jaipur é uma prótese de baixa tecnologia, projetada para ser 
facilmente montada utilizando materiais simples. Em países como o Afeganistão, os 
construtores usam projéteis de artilharia usados, enquanto no Camboja parte dos 
componentes de borracha são extraídos de pneus de caminhão. A grande realização 
do projeto é que ele é acessível, custando apenas $28 na Índia. Desde 1975, cerca 
de 1 milhão de pessoas em todo o mundo foram equipadas com a prótese e o projeto 
continua a ser aprimorado com o uso de novos materiais avançados (TIDD; 
BESSANT, 2015). 
Existem muitos exemplos de crescimento por meio da inovação no setor de 
serviços, não se limitando apenas aos bens manufaturados. A empresa de catering J. 
Lyons and Co, do Reino Unido, foi a primeira a usar um computador empresarial para 
auxiliar no planejamento e logística de seus produtos panificados. O banco First Direct, 
também do Reino Unido, se tornou o mais competitivo ao oferecer um serviço bancário 
telefônico baseado em tecnologia da informação avançada, atraindo cerca de 10 mil 
novos clientes por mês. 
Essa abordagem revolucionou o setor financeiro e se tornou um modelo 
padrão. No setor de seguros, a Direct Line também implementou uma abordagem 
semelhante, transformando radicalmente as bases desse mercado e levando a uma 
imitação generalizada pelos principais participantes do setor. Empresas como a 
Amazon.com mudaram a maneira como produtos como música, livros e viagens são 
vendidos no varejo online, enquanto a e-Bay trouxe o leilão para dentro da casa das 
pessoas (TIDD; BESSANT, 2015). 
Os serviços públicos, como assistência à saúde, educação e seguridade social, 
são de grande importância para a qualidade de vida de milhões de pessoas, mesmo 
que não gerem lucros. A implementação de ideias inovadoras pode levar à criação de 
novos serviços valiosos e ao aprimoramento dos serviços existentes, o que é crucial 
 
 
 
em um momento em que a pressão financeira sobre as contas nacionais é cada vez 
maior. É necessário buscar soluções criativas e eficientes para atender às demandas 
crescentes desses setores essenciais. 
Conforme Tidd e Bessant (2015), novas ideias podem ter um impacto 
significativo na qualidade de vida e no acesso a oportunidades para pessoas em 
regiões mais pobres do mundo. Alguns exemplos incluem o rádio movido a corda na 
Tanzânia e os esquemas de financiamento de microcrédito em Bangladesh. Há uma 
grande oportunidade para inovação e empreendedorismo, e em alguns casos, 
estamos literalmente falando sobre assuntos de vida ou morte. O Hospital Karolinska 
em Estocolmo é um exemplo disso, tendo promovido melhorias radicais na presteza, 
qualidade e eficácia de seus serviços de atendimento. Eles conseguiram reduzir as 
listas de espera em 75% e os cancelamentos em 80% por meio da inovação (TIDD; 
BESSANT, 2015). 
Ganhos similares foram obtidos em uma variedade de operações no serviço de 
saúde da Índia. Inovações no setor público incluem o selo postal, o Serviço Nacional 
de Saúde no Reino Unido e muitos dos primeiros trabalhos no desenvolvimento de 
tecnologias como a fibra ótica, o radar e a Internet. 
1.2 Importância da inovação 
Tidd e Bessant (2015), evidenciam que empresas bem-sucedidas devem, em 
grande parte, à inovação. Embora a vantagem competitiva possa derivar de fatores 
como tamanho ou patrimônio, o cenário tem gradualmente mudado em favor das 
organizações que mobilizam conhecimento e avanços tecnológicos para criar 
novidades em suas ofertas de produtos/serviços e formas de criá-los e lançá-los. 
A inovação é importante não apenas em empreendimentos individuais, mas 
cada vez mais como fonte principal do crescimento econômico em proporções 
nacionais. O economista William Baumol (p. 17, 2002) afirma que "praticamente todo 
o crescimento econômico que ocorreu desde o século XVIII pode ser atribuído à 
inovação". 
A empresa de consultoria Innovaro realiza pesquisas regulares para identificar 
os "líderes da inovação" em 25 setores da economia. De acordo com seus relatórios, 
essas empresas não apenas superam seus concorrentes anualmente, mas isso 
 
 
 
também tem um impacto significativo no preço de suas ações. Ao longo dos últimos 
10 anos, elas têm superado consistentemente o índice médio de preços das ações na 
NASDAQ, Dow Jones e FTSE. 
É válido ressaltar que a capacidade de inovação e sucesso competitivo não 
está restrita às empresas que investem em alta tecnologia. A empresa alemã Wurth, 
por exemplo, é líder mundial na produção de parafusos e outras peças, com um 
faturamento de 7,5 bilhões de libras. Apesar da crescente concorrência da China, a 
empresa conseguiu se manter à frente devido à ênfase em inovação de produtos e 
processos, utilizando uma rede de fornecimento semelhante ao modelo da Dell para 
computadores (TIDD; BESSANT, 2015). 
De maneira semelhante, a empresa britânica Dairy Crest, alcançou um volume 
de negócios de cerca de 250 milhões de libras, oferecendo inovações em seus 
produtos, tais como embalagens resseláveis, novos formatos e variedades de queijo 
e outros derivados do leite, através da implementação de inovações em seus 
processos de produção e logística. 
A política econômica nacional destaca a inovação como um elemento central. 
Conforme Aghion (p. 325, 1992) “o Escritório de Ciência e Inovação do Reino Unido, 
por exemplo, enxerga a inovação como o motor da economia moderna, transformando 
ideias e conhecimento em produtos e serviços". 
Existem fatores que caracterizam empreendimentos de pequeno e médio porte 
bem-sucedidos: 
• A inovação é frequentemente considerada como o elemento fundamental 
para alcançar o sucesso. 
• Empresas que se destacam por sua capacidade inovadora geralmente 
experimentam um crescimento mais significativo e são mais bem-sucedidas 
do que aquelas que não investem em inovação. 
• São as empresas que priorizam a inovação que conseguem conquistar maior 
participaçãode mercado e obter lucros em constante crescimento. 
Conforme Tidd e Bessant (2015), existem várias maneiras pelas quais a 
inovação pode contribuir para o sucesso empresarial. Dentre elas, as pesquisas 
sugerem haver uma forte correlação entre novos produtos e o desempenho de 
mercado, uma vez que a introdução de novos produtos pode ajudar a conquistar e 
 
 
 
manter fatias de mercado e aumentar a lucratividade. Além disso, em produtos mais 
maduros e estabelecidos, a capacidade de oferecer preços baixos é complementada 
por fatores como design, customização e qualidade. Em um mundo onde a vida útil 
dos produtos é cada vez menor, é cada vez mais importante que as empresas sejam 
capazes de substituir frequentemente produtos por versões mais modernas. Essa 
capacidade de competir contra o tempo reflete uma crescente pressão sobre as 
empresas para não apenas introduzir novos produtos no mercado, mas também fazê-
lo mais rapidamente que seus concorrentes. 
A habilidade de desenvolver novos produtos é crucial devido à constante 
evolução do ambiente. As mudanças no campo socioeconômico, como crenças, 
expectativas, desejos e renda das pessoas, criam oportunidades e desafios. A 
legislação pode impulsionar o surgimento de novos mercados e limitar outros, como 
exigências ambientais mais rígidas. Os concorrentes podem lançar produtos 
inovadores que ameaçam a posição da empresa no mercado. Em todos esses casos, 
a empresa precisa estar preparada para responder com inovação de produtos. 
Embora a inovação de produtos seja frequentemente vista como a principal 
forma de inovação no mercado, a inovação de processos também desempenha um 
papel estratégico importante. Ter a capacidade de fazer algo que ninguém mais pode 
fazer, ou fazê-lo de maneira melhor que os concorrentes, é uma vantagem 
significativa. Um exemplo disso é o domínio japonês em vários setores, incluindo 
automóveis, motocicletas, construção naval e produtos eletrônicos no final do século 
XX, que foi em grande parte, resultado de um padrão consistente de inovação de 
processos. 
A Toyota, a Honda e a Nissan, por exemplo, desenvolveram sistemas de 
produção altamente eficientes que levaram a vantagens significativas de desempenho 
em relação à fabricantes médios de veículos. De fato, em muitos indicadores de 
qualidade e produtividade, essas empresas superaram seus concorrentes em uma 
escala de dois para um (TIDD; BESSANT, 2015). 
Empresas relativamente pequenas como a Oxford Instruments ou a Incat 
conseguem sobreviver em mercados globalizados altamente competitivos por conta 
do alto grau de complexidade dos seus produtos e tecnologias. 
De maneira similar, a habilidade de prestar serviços superiores, que sejam mais 
rápidos, acessíveis e de qualidade superior, tem sido considerada uma importante 
 
 
 
fonte de vantagem competitiva. Como exemplo, o Citibank liderou a inovação ao 
oferecer serviços de caixa eletrônico, estabelecendo-se como pioneiro em tecnologia 
e conquistando uma posição de liderança de mercado. A Benetton, por sua vez, é 
uma das mais importantes e bem-sucedidas empresas de varejo do mundo, devido, 
em grande parte, à sua sofisticada rede de produção automatizada que tem sido 
inovadora por cerca de uma década (TIDD; BESSANT, 2015). 
A Southwest Airlines conseguiu se destacar como a companhia aérea mais 
eficiente dos Estados Unidos, apesar de ser menor do que as suas concorrentes. Esse 
sucesso foi alcançado por meio da inovação de processos, como a redução dos 
tempos de espera em aeroportos. A adoção desse modelo pela Southwest Airlines, 
que prioriza a redução de custos e de tempo em seus processos, serviu como 
referência para outras companhias aéreas de baixo custo. Como resultado, ocorreu 
uma verdadeira revolução no mercado das viagens aéreas, antes conhecido pela 
inércia e pelos altos preços. 
Segundo Tidd e Bessant (2015), é essencial destacar que as vantagens 
competitivas resultantes de medidas inovadoras perdem seu poder à medida que 
outras empresas as imitam. Se a organização não conseguir avançar para uma 
inovação ainda maior, arrisca ficar para trás, enquanto outras empresas lideram 
mudando suas ofertas, processos operacionais ou modelos de negócios. Por 
exemplo, a liderança no setor financeiro mudou de mãos, especialmente para aquelas 
empresas que capitalizaram primeiro o avanço da informatização e das tecnologias 
de comunicação. Muitos serviços financeiros lucrativos, como corretagem de seguros 
e valores, foram dominados por concorrentes com modelos radicalmente novos, como 
Charles Schwab. A empresa britânica Marshalls já existe há mais de cem anos e 
mostra como a inovação constante tem sido central para seu crescimento e sua 
sobrevivência. 
1.3 Inovação, empreendedorismo e mudança: desafios e oportunidades 
De acordo com Tidd e Bessant (2015), a questão da sobrevivência e 
crescimento apresenta um desafio para os participantes já estabelecidos, mas 
também uma grande oportunidade para os recém-chegados reescreverem as regras 
do jogo. O que pode ser um problema para uma pessoa, pode ser uma oportunidade 
 
 
 
para outra. A natureza da inovação está fundamentalmente ligada ao 
empreendedorismo, uma combinação poderosa de visão, paixão, energia, 
entusiasmo, discernimento e muito trabalho, que possibilita que boas ideias sejam 
concretizadas. Peter Drucker (1985), um famoso escritor de gestão, já afirmou que: 
Inovação é a ferramenta específica dos empreendedores, o meio pelo qual 
exploram as mudanças como oportunidades para um negócio ou serviço 
diferente. Pode ser considerada uma disciplina, pode ser aprendida e 
praticada (DRUCKER, 1985, p. 29). 
O empreendedorismo é uma característica humana que combina estrutura e 
paixão, planejamento e visão, ferramentas e sabedoria no uso delas, estratégia e 
energia na execução, e bom senso e disposição para assumir riscos. Embora seja 
possível criar estruturas dentro das empresas, como departamentos, equipes, grupos 
de especialistas, entre outros, que possuam recursos e responsabilidade para 
impulsionar a inovação, a mudança efetiva não ocorrerá sem o "espírito animal" do 
empreendedor (TIDD; BESSANT, 2015). 
De acordo com Tidd e Bessant (2015), o empreendedorismo pode ser aplicado 
em diversas situações práticas. Um exemplo é o empreendedorismo solitário em que 
um empreendedor assume um risco calculado para introduzir algo novo no mercado. 
No entanto, o empreendedorismo é igualmente importante para empresas já 
estabelecidas que precisam renovar seus produtos e processos de entrega. 
Empreendedores internos, também conhecidos como intraempreendedores, 
que trabalham em departamentos de empreendedorismo corporativo ou risco 
corporativo, fornecem a iniciativa, energia e visão para implementar ideias novas e 
arriscadas em tais contextos. Além disso, a paixão por mudar as coisas pode estar 
relacionada à melhoria das condições sociais ou à busca pela sustentabilidade 
ambiental, áreas conhecidas como empreendedorismo social (TIDD; BESSANT, 
2015). 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
AGHION, P., & Howitt, P. A Model of Growth Through Creative Destruction. 
Econometrica: Journal of the Econometric Society. 1992. 
 
BAUMOL, W. J. The Free-Market Innovation Machine: Analyzing the Growth Miracle 
of Capitalism. Princeton University Press. 2002. 
CARVALHO, Hélio Gomes de; REIS, Dálcio Roberto dos; CAVALCANTE, Márcia 
Beatriz. Gestão da inovação. Curitiba: Aymará, 2011. 
 
DRUCKER, P. F. Innovation and Entrepreneurship: Practice and Principles. Harper 
& Row. 1985 
 
TIDD; BESSANT, Joe; BESSANT, Joe. Gestão da inovação. Porto Alegre – RS: 
Grupo A, 2015. 
 
OCDE; FINEP. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre 
inovação. 3. ed., 2005. Disponível em: http://www.finep.gov.br/images/apoio-e-
financiamento/manualoslo.pdf. Acesso em: 26 jun. 2023. 
 
FINEP. Glossário de termos e conceitos. Disponívelem: http://www.finep.gov.br/a-
finep-externo/sobre-a-finep. Acesso em: 26 jun. 2023.

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