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Slide 6 
 
 
Regime de bens é o conjunto de regras que organiza a vida econômica do casamento. Ele 
define como os bens são adquiridos, administrados, usados e partilhados pelos cônjuges, 
desde a celebração até a dissolução (por separação ou morte). Também estabelece a 
responsabilidade por dívidas e trata tanto dos bens comuns quanto dos bens particulares 
de cada cônjuge. 
 
 
EFICAĆIA DO REGIME DE BENS		
A eficácia do regime de bens, seja ele 
escolhido pelos nubentes ou imposto pela lei, 
tem início com a celebração do casamento, 
momento a partir do qual passa a produzir 
efeitos jurídicos, conforme o art. 1.639, §1º 
do Código Civil. Esse regime permanece 
vigente durante toda a constância da união, 
estendendo seus efeitos até a sua dissolução, 
que pode ocorrer pela morte de um dos 
cônjuges ou pelo divórcio. Em determinadas 
situações, admite-se também a consideração 
da separação de fato como marco final da 
eficácia do regime de bens, uma vez que ela 
representa o término da convivência e da 
colaboração recíproca entre o casal. 
Princípios do regime de bens 
O regime de bens do casamento está 
submetido a três princípios básicos, que 
estruturam os efeitos em relação aos 
cônjuges e aos terceiros: 
1. LIBERDADE DE ESTIPULAÇÃO. 
Com base na autonomia privada, é, em regra, 
permitido aos cônjuges escolher o regime de 
bens que regerá o casamento. Essa escolha 
deve ser realizada antes da celebração, 
durante a fase de habilitação, sendo 
necessária a formalização por meio de pacto 
antenupcial, lavrado por escritura pública em 
 tabelionato de notas. Conforme dispõe o art. 
1.639 do Código Civil, é lícito aos nubentes 
estipular livremente, antes do casamento, as 
regras que desejarem quanto aos seus bens. 
Exemplo: João e Maria decidem se casar e, 
antes da cerimônia, optam por adotar o 
regime de separação total de bens. Para isso, 
comparecem a um tabelionato de notas e 
lavram um pacto antenupcial por escritura 
pública, estabelecendo que cada um 
continuará sendo proprietário exclusivo dos 
bens que já possui e dos que vier a adquirir 
durante o casamento. Assim, caso o 
casamento termine, não haverá partilha de 
bens, pois o patrimônio de cada um 
permanece individual, conforme a escolha 
feita com base na autonomia privada. 
Se os nubentes não celebrarem pacto 
antenupcial, ou se ele for nulo ou ineficaz, 
aplica-se automaticamente o regime legal 
supletivo, que é o da comunhão parcial de 
bens, adotado no Brasil desde 1977. Nesse 
regime, comunicam-se os bens adquiridos 
durante o casamento. Ainda assim, durante 
o processo de habilitação, os nubentes podem 
escolher outro regime previsto em lei, 
devendo essa escolha ser formalizada: a 
comunhão parcial pode ser apenas 
registrada, enquanto os demais regimes 
exigem pacto antenupcial por escritura 
pública. 
 
Exemplo: Ana e Carlos decidem se casar, mas 
não fazem pacto antenupcial antes da 
cerimônia. Nesse caso, automaticamente passa 
a valer o regime da comunhão parcial de bens. 
Assim, tudo o que eles adquirirem durante o 
casamento será considerado comum ao casal, 
enquanto os bens que cada um já possuía antes 
de se casar permanecem individuais. 
Em regra, os nubentes podem escolher o regime 
de bens, mas o Código Civil limita essa liberdade 
em situações específicas de interesse público, 
impondo o regime de separação obrigatória de 
bens, também chamado de regime legal 
compulsório. Isso ocorre nos casos previstos 
taxativamente no art. 1.641, como quando há 
desrespeito a causas suspensivas do 
casamento, quando um dos cônjuges tem mais 
de 70 anos ou quando o casamento depende de 
suprimento judicial. Nesses casos, não há 
escolha: cada cônjuge mantém seu patrimônio 
separado. Contudo, se a causa que motivou essa 
obrigatoriedade deixar de existir, é possível 
solicitar judicialmente a alteração do regime de 
bens. 
Exemplo: Carlos, com 72 anos, decide se casar 
com Ana, de 60. Mesmo que ambos queiram 
adotar o regime de comunhão parcial ou outro 
qualquer, a lei impõe automaticamente o 
regime de separação obrigatória de bens, em 
razão da idade de Carlos. Assim, cada um 
permanecerá com seu patrimônio próprio, 
tanto o adquirido antes quanto durante o 
casamento. 
2. VARIEDADE DO REGIME DE BENS 
Os nubentes podem criar um regime de bens 
próprio, diferente dos previstos no Código Civil, 
conforme sua vontade, desde que não viole a lei. 
Essa escolha deve ser feita por meio de pacto 
antenupcial com regras específicas para o 
casal. Segundo o Enunciado 331 do CJF, é 
possível adotar regime diverso dos tipificados, 
desde que isso seja devidamente registrado e 
certificado no processo de habilitação do 
casamento. 
Exemplo: João e Maria decidem que 
querem um regime de bens diferente dos 
previstos em lei. Eles fazem um pacto 
antenupcial estabelecendo que todos os 
bens adquiridos durante o casamento serão 
comuns, mas que os bens recebidos por 
herança ou doação também serão 
partilhados entre eles. Esse regime 
personalizado só é válido porque foi 
formalizado por escritura pública e não 
contraria a lei. 
3. MUTABILIDADE MOTIVADA DO 
REGIME DE BENS 
No direito brasileiro, a regra geral é a 
imutabilidade do regime de bens após a 
celebração do casamento. Contudo, o Código 
Civil de 2002 passou a admitir a alteração 
desse regime posteriormente, desde que 
haja pedido judicial e sejam preenchidos os 
requisitos legais, caracterizando a 
chamada mutabilidade motivada (art. 
1.639, §2º). Há ainda entendimento 
doutrinário de que essa possibilidade 
também se aplica aos casamentos 
realizados sob a vigência do Código Civil de 
1916. 
Exemplo: João e Maria se casam adotando 
o regime de comunhão parcial de bens. 
Anos depois, percebem que desejam 
organizar melhor seu patrimônio e decidem 
mudar para o regime de separação total. 
Eles entram com um pedido na Justiça, 
comprovam os motivos da mudança e, se o 
juiz autorizar, o regime de bens passa a ser 
alterado, deixando de valer a comunhão 
parcial e passando a vigorar a separação de 
bens. 
Requisitos: 
i) Pedido formulado por ambos os cônjuges, 
por meio de petição inicial elaborada por 
advogado. 
ii) Autorização judicial, em procedimento 
de jurisdição voluntária. 
iii) Indicação de motivo relevante. 
iv) Inexistência de prejuízo de terceiros e dos 
próprios cônjuges. 
O STJ entende que, para alterar o regime de 
bens do casamento, não se pode exigir dos 
cônjuges justificativas excessivas ou provas 
detalhadas de prejuízo na manutenção do 
regime anterior, pois isso violaria a 
intimidade e a vida privada do casal. Assim, 
embora a mudança de regime dependa de 
decisão judicial, o controle do juiz deve ser 
razoável, sem invadir indevidamente a esfera 
pessoal dos consortes. 
Exemplo: João e Maria são casados sob o 
regime de comunhão parcial de bens e 
decidem pedir a alteração para separação 
total. No processo judicial, o juiz não pode 
exigir que eles provem detalhadamente 
conflitos pessoais, motivos íntimos ou 
prejuízos específicos na manutenção do 
regime atual. Basta que o pedido seja 
conjunto, livre de vícios e não prejudique 
terceiros, sem necessidade de exposição 
excessiva da vida privada do casal. 
A alteração do regime de bens no casamento 
produz efeitos ex nunc, ou seja, apenas a 
partir da decisão judicial que a homologa. 
Assim, tudo o que ocorreu antes da mudança 
permanece regido pelo regime anterior, 
enquanto os efeitos futuros passam a seguir o 
novo regime escolhido pelo casal. 
Exemplo: João e Maria eram casados sob o 
regime de comunhão parcial de bens e, após 
decisão judicial, passaram a adotar a 
separação total de bens. Nesse caso, todos os 
bens adquiridos antes da alteração continuam 
sujeitos às regras da comunhão parcial, sendo 
partilháveis conforme esse regime. Já os bens 
adquiridos depois da decisão passam a 
pertencer exclusivamente a cada um, 
seguindo as regras da separação total. 
 
 
PACTO ANTENUPCIAL 
O pacto antenupcial é um negócio jurídico 
celebrado antes do casamento queserve 
para definir o regime de bens do casal, 
especialmente quando diferente do regime 
legal supletivo. Trata-se de um ato de 
conteúdo patrimonial, no qual os nubentes 
podem estabelecer regras sobre a 
administração dos bens, a circulação de 
riquezas entre eles e até efeitos perante 
terceiros, desde que respeitem a lei. 
Conforme o art. 1.639 do Código Civil, é 
permitido aos nubentes estipular 
livremente, antes do casamento, o que 
desejarem quanto aos seus bens. 
Exemplo: João e Maria, antes de se casarem, 
decidem que querem um regime diferente do 
padrão da lei. Eles fazem um pacto 
antenupcial em escritura pública, 
estabelecendo que todos os bens adquiridos 
durante o casamento serão administrados 
em conjunto, mas que cada um poderá 
vender sua parte apenas com autorização do 
outro. Assim, o pacto organiza a vida 
econômica do casal, definindo regras sobre 
administração e circulação dos bens durante 
o casamento. 
LIBERDADE DE ESCOLHA DO REGIME 
DE BENS 
O pacto antenupcial somente será 
obrigatório quando o interesse dos nubentes 
for adotar regime de bens diverso da 
comunhão parcial ou estabelecer outras 
avenças, sendo, em regra, um negócio 
facultativo. 
Exemplo: João e Maria vão se casar e não 
querem fazer nenhuma regra especial sobre 
os bens. Como não fizeram pacto 
antenupcial, automaticamente se aplica o 
regime da comunhão parcial de bens. Já se 
eles quisessem adotar separação total de 
bens ou criar regras próprias sobre 
administração do patrimônio, aí sim seria 
obrigatório fazer o pacto antenupcial. 
O pacto antenupcial pode ir além da escolha do 
regime de bens, incluindo outros negócios 
jurídicos (como doações, compra e venda, 
permuta e cessão de direitos), desde que não 
violem normas de ordem pública. Também 
admite cláusulas de caráter pessoal e 
existencial, como regras sobre encargos 
domésticos e aspectos espirituais. Contudo, 
conforme o art. 1.655 do Código Civil, será nula 
qualquer cláusula que contrarie disposição 
legal absoluta. 
FORMALIDADES 
O pacto antenupcial deve ser feito por 
escritura pública, sob pena de nulidade. Exige 
capacidade das partes, consentimento livre e 
objeto lícito, sendo inválidas cláusulas 
contrárias à ordem pública. Se for nulo, 
aplica-se o regime de comunhão parcial de 
bens. Além disso, como é acessório, a 
invalidade do casamento também invalida o 
pacto. 
O pacto antenupcial só passa a produzir 
efeitos após a celebração do casamento, sendo 
considerado ineficaz até que o matrimônio 
ocorra, conforme o art. 1.653 do Código Civil. 
Assim, mesmo que seja válido e feito por 
escritura pública, não gera efeitos antes do 
casamento. A escritura do pacto deve ser 
anexada aos documentos do processo de 
habilitação matrimonial. Além disso, não há 
prazo para a realização do casamento após a 
celebração do pacto, que permanece válido, 
porém com sua eficácia condicionada à 
efetiva celebração do matrimônio. 
Exemplo: João e Maria lavram um pacto 
antenupcial em cartório, escolhendo o regime 
de separação total de bens. Embora o pacto 
seja válido desde a sua elaboração, ele ainda 
não produz efeitos, pois o casamento não foi 
celebrado. Mesmo assim, o documento é 
anexado ao processo de habilitação. Após 
alguns anos, o casal finalmente se casa, e 
somente a partir desse momento o pacto 
passa a ter eficácia. Caso eles nunca venham 
a se casar, o pacto permanecerá sem efeitos 
jurídicos, sendo considerado ineficaz. 
Para que o pacto antenupcial produza efeitos 
em relação a terceiros, é necessário seu 
registro no Cartório de Registro de Imóveis 
do domicílio dos cônjuges, conforme o art. 
1.657 do Código Civil. Para isso, os cônjuges 
devem apresentar a escritura pública do 
pacto e a certidão de casamento ao cartório 
competente. Caso não seja feito esse registro, 
o pacto continuará válido, porém terá 
eficácia apenas entre as partes, não podendo 
ser oposto a terceiros. 
Exemplo: João e Maria fizeram um pacto 
antenupcial em cartório escolhendo a 
separação total de bens, mas não 
registraram esse pacto no Cartório de 
Registro de Imóveis depois do casamento. 
Mais tarde, João fez uma dívida, e o credor 
achou que os bens do casal eram comuns. 
Como o pacto não foi registrado, ele vale só 
entre João e Maria e não pode ser usado 
contra o credor. Se tivesse sido registrado, o 
credor teria que respeitar a separação de 
bens. 
PACTO ANTENUPCIAL POR MENOR DE 
IDADE 
A capacidade para celebrar o pacto 
antenupcial é a mesma exigida para o 
casamento. No caso de menores entre 16 e 
18 anos, é necessário o consentimento dos 
pais para casar e a assistência deles para que 
o pacto seja válido. Se o pacto for feito por 
menor, sua eficácia depende da aprovação do 
representante legal, salvo nas hipóteses de 
separação obrigatória de bens. Quando o 
casamento ocorre com suprimento judicial 
da autorização dos pais, não é possível fazer 
pacto antenupcial, pois o regime será 
obrigatoriamente o da separação de bens; se 
ainda assim for celebrado, o pacto será nulo 
por violar a ordem pública. 
Exemplo: João, com 17 anos, decide se casar 
com Maria e conta com a autorização dos 
pais. Antes do casamento, ele faz um pacto 
antenupcial com a assistência deles, 
escolhendo o regime de separação total de 
bens; nesse caso, o pacto é válido. Em outra 
situação, se João também tiver 17 anos, mas 
seus pais se recusarem a autorizar o casamento 
e ele conseguir essa autorização por decisão 
judicial, o regime de bens será 
obrigatoriamente o da separação de bens. 
Assim, não poderá fazer pacto antenupcial e, se 
fizer, esse pacto será considerado nulo por 
violar a lei. 
ADMINISTRAÇÃO DOS BENS 
O Código Civil estabelece que, em certas 
situações, um cônjuge precisa do 
consentimento do outro para praticar 
determinados atos, como forma de proteger o 
patrimônio do casal (art. 1.647). Ao mesmo 
tempo, a lei também prevê hipóteses em que 
cada cônjuge pode agir de forma independente, 
sem necessidade de autorização do outro, 
permitindo maior autonomia na administração 
de seus próprios interesses (art. 1.642). 
Exemplo: João e Maria são casados. Em uma 
situação, João quer vender um imóvel do casal; 
nesse caso, ele precisa da autorização de Maria, 
pois a lei exige a outorga conjugal para esse tipo 
de ato. Já em outra situação, João precisa 
ingressar com uma ação judicial para cobrar 
uma dívida de um cliente; aqui, ele pode agir 
sozinho, sem precisar da autorização de Maria, 
pois esse é um ato que a lei permite praticar 
independentemente do consentimento do outro 
cônjuge. 
ATOS QUE DEPENDEM DO 
CONSENTIMENTO DO CÔNJUGE 
Determinados atos são tão relevantes para o 
patrimônio do casal que exigem a autorização 
do outro cônjuge, conforme o art. 1.647 do 
Código Civil, que traz um rol taxativo dessas 
situações. Essa exigência não se aplica aos 
casados sob o regime de separação 
convencional (absoluta) de bens, em que cada 
cônjuge administra livremente seu patrimônio. 
Por outro lado, nos casos de separação 
obrigatória (legal) de bens, bem como nos 
regimes de comunhão parcial, comunhão 
universal e participação final nos aquestos, a 
outorga conjugal continua sendo necessária. 
I - alienar ou gravar de ônus real os bens 
imóveis; 
A exigência de outorga conjugal recai apenas 
sobre bens imóveis, não se aplicando aos bens 
móveis. Assim, para vender ou gravar um 
imóvel, é necessário o consentimento do outro 
cônjuge, mesmo que esse bem seja particular, 
pois seus frutos podem integrar a comunhão. 
No entanto, no regime de participação final nos 
aquestos, é possível dispensar essa 
autorização, desde que isso esteja 
expressamente previsto no pacto antenupcial, 
conforme o art. 1.656 do Código Civil. 
Exemplo: João e Maria são casados pelo regime 
de comunhão parcial de bens. João possui um 
apartamento que adquiriu antes do casamento, 
ou seja, é um bem particular. Mesmo assim, se 
ele quiser vender esse imóvel, precisará da 
autorização de Maria, pois se trata de bem 
imóvel e a lei exige a outorgaconjugal, ainda 
que o bem não seja comum. 
Por outro lado, se João quiser vender um carro 
que está apenas em seu nome, ele pode fazer 
isso sozinho, sem precisar da autorização de 
Maria, já que se trata de bem móvel. 
II - pleitear, como autor ou réu, acerca bens 
imóveis ou direitos reais; 
Quando se trata de ações judiciais envolvendo 
pessoas casadas, a lei exige, em alguns casos, a 
outorga conjugal para que um dos cônjuges 
possa atuar sozinho no polo ativo (ou seja, como 
autor da ação). Já no polo passivo (como réu), 
a depender da situação, é obrigatório que 
ambos os cônjuges participem do processo, 
formando um litisconsórcio passivo necessário. 
Exemplo: João, casado com Maria, quer entrar 
com uma ação para vender um imóvel do casal; 
nesse caso, ele precisa da autorização de Maria. 
Por outro lado, se houver uma ação contra o 
casal envolvendo esse imóvel, tanto João 
quanto Maria deverão figurar como réus no 
processo obrigatoriamente. 
 
III - prestar fiança ou aval; 
Se uma pessoa casada quiser prestar fiança ou 
aval para garantir a dívida de outra pessoa, ela 
precisa da autorização do cônjuge. 
Exemplo: João é casado com Maria e quer ser 
fiador de um amigo em um contrato de aluguel. 
Para isso, ele precisa do consentimento de 
Maria. Se ele fizer a fiança sem essa 
autorização, o ato pode ser considerado 
inválido em relação ao cônjuge, protegendo o 
patrimônio do casal. 
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, 
de bens comuns, ou dos que possam integrar 
futura meação. 
A pessoa casada não pode doar bens comuns, ou 
que possam integrar a comunhão, sem o 
consentimento do outro cônjuge, exceto no 
regime de separação convencional de bens. 
Como exceção, a lei permite as doações 
remuneratórias, feitas como forma de 
retribuição por um serviço prestado. Além 
disso, também são válidas as doações feitas aos 
filhos por ocasião do casamento ou quando 
passam a viver de forma independente, mesmo 
sem a autorização do outro cônjuge. 
Exemplo: João e Maria são casados em 
comunhão parcial de bens. João decide doar um 
carro do casal ao irmão sem avisar Maria; essa 
doação é inválida, pois faltou o consentimento 
dela. Em outra situação, João paga um pedreiro 
que reformou sua casa doando um bem como 
forma de retribuição pelo serviço; nesse caso, a 
doação é válida mesmo sem autorização. Além 
disso, se João doar um valor ou bem ao filho 
quando ele se casar ou passar a viver sozinho, 
essa doação também será válida, ainda que 
Maria não tenha consentido. 
A autorização do cônjuge deve ser comprovada 
pela mesma forma exigida para o ato principal. 
Ou seja, se o ato precisar ser feito por escritura 
pública, a autorização também deverá constar 
em escritura pública, preferencialmente no 
mesmo documento. 
Exemplo: se João quiser vender um imóvel, a 
venda exige escritura pública; assim, a 
autorização de Maria deve estar na própria 
escritura. Se essa autorização não estiver na 
forma correta, o ato pode ser considerado 
inválido. 
SUPRIMENTO JUDICIAL DO 
CONSENTIMENTO 
O Código Civil permite que, quando um cônjuge 
se recusa injustificadamente ou não pode dar 
autorização para determinado ato, o outro 
peça ao juiz o suprimento dessa outorga. 
Assim, o juiz analisa se a recusa é razoável e, 
se não for, pode autorizar a prática do ato, 
garantindo sua validade. 
Exemplo: João quer vender um imóvel, mas 
Maria se recusa sem apresentar motivo 
justificável. Diante disso, João pode recorrer 
ao juiz, que, entendendo a recusa como 
injusta, pode autorizar a venda mesmo sem o 
consentimento de Maria. 
ANULABILIDADE DO ATO PRATICADO 
SEM AUTORIZAÇÃO 
Quando a lei exige autorização do cônjuge e ela 
não é dada nem suprida pelo juiz, o ato não é 
nulo, mas anulável. Isso significa que ele 
produz efeitos normalmente até que seja 
anulado judicialmente. O outro cônjuge pode 
pedir a anulação em até dois anos após o fim 
da sociedade conjugal. Além disso, somente o 
cônjuge que deveria ter dado a autorização, ou 
seus herdeiros, têm legitimidade para pedir 
essa anulação. 
Exemplo: João vende um imóvel sem a 
autorização de Maria. A venda é válida 
inicialmente e produz efeitos, mas Maria pode 
entrar na Justiça para anular o ato. Se o 
casamento terminar, ela ainda terá até dois 
anos para fazer esse pedido. 
 
ATOS QUE INDEPENDEM DO 
CONSENTIMENTO DO CÔNJUGE 
Apesar de existir um interesse patrimonial 
comum no casamento, cada cônjuge mantém 
sua autonomia individual, podendo praticar 
certos atos sem precisar da autorização do 
outro. O Código Civil prevê essas situações no 
art. 1.642, estabelecendo que, 
independentemente do regime de bens, há atos 
que podem ser realizados livremente por cada 
cônjuge. 
Art. 1.642. Qualquer que seja o regime de 
bens, tanto o marido quanto a mulher podem 
livremente: 
I - praticar todos os atos de disposição e de 
administração necessários ao desempenho 
de sua profissão, com as limitações 
estabelecida no inciso I do art. 1.647; 
II - administrar os bens próprios; 
III - desobrigar ou reivindicar os imóveis que 
tenham sido gravados ou alienados sem o seu 
consentimento ou sem suprimento judicial; 
IV - demandar a rescisão dos contratos de 
fiança e doação, ou a invalidação do aval, 
realizados pelo outro cônjuge com infração do 
disposto nos incisos III e IV do art. 1.647 ; 
V - reivindicar os bens comuns, móveis ou 
imóveis, doados ou transferidos pelo outro 
cônjuge ao concubino, desde que provado que 
os bens não foram adquiridos pelo esforço 
comum destes, se o casal estiver separado de 
fato por mais de cinco anos; 
VI - praticar todos os atos que não lhes forem 
vedados expressamente. 
 
 
 
DÍVIDAS CONTRAÍDAS AO LONGO DO 
CASAMENTO 
Nem toda dívida feita por um dos cônjuges 
será dividida com o outro. Isso depende de 
alguns fatores: se a dívida trouxe benefício 
para o casal, qual é o regime de bens adotado 
e se ela foi contraída antes ou durante o 
casamento. 
Exemplo: João, casado com Maria em 
comunhão parcial, faz um empréstimo para 
reformar a casa onde ambos moram; essa 
dívida pode ser compartilhada, pois 
beneficiou o casal. Já se João faz um 
empréstimo para fins pessoais, sem relação 
com a vida em comum, a dívida tende a ser 
apenas dele, não atingindo Maria. 
A proteção dos terceiros de boa-fé 
O Código Civil prevê que, quando um cônjuge 
pratica sozinho um ato permitido por lei, mas 
isso acaba prejudicando um terceiro de boa-
fé, esse terceiro pode ter direito de regresso 
contra o cônjuge que realizou o negócio. 
Nesses casos, a responsabilidade recai 
apenas sobre os bens particulares do cônjuge 
que agiu de forma indevida. 
Exemplo: João, casado com Maria, presta 
fiança para um amigo sem a autorização 
dela. Posteriormente, a fiança é questionada 
e o terceiro é prejudicado. Nessa situação, 
esse terceiro pode cobrar o prejuízo 
diretamente de João, mas apenas sobre os 
bens particulares dele, sem atingir o 
patrimônio de Maria. 
Impossibilidade de gestão patrimonial por 
um dos cônjuges 
Quando um dos cônjuges não puder 
administrar seus bens (por ausência, 
incapacidade, etc.), o outro pode assumir 
essa administração. Nessa situação, ele pode 
gerir os bens comuns e também os do outro 
cônjuge, podendo inclusive vender os bens 
móveis comuns sem precisar de autorização 
judicial. 
 
Porém, se quiser vender bens imóveis comuns 
ou bens (móveis ou imóveis) que pertencem 
exclusivamente ao outro cônjuge, será 
necessária autorização do juiz. 
Exemplo: Maria fica hospitalizada por longo 
período e não consegue administrar seus bens. 
João passa a cuidar do patrimônio do casal e 
pode vender um carro comum sem autorização 
judicial. No entanto, se quiser vender um 
imóvel do casal ou um bem particular de Maria, 
precisará de autorização judicial.

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