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SLIDE 4 HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO O casamento é um ato jurídico formal e solene, que precisa cumprir regras estabelecidas por lei. A habilitação para o casamento é o procedimento administrativo feito pelos próprios noivos no Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais. O objetivo é provar que os noivos têm capacidade para casar e que não existem impedimentos ou causas suspensivas. A habilitação não pode ser feita de ofício; os noivos devem solicitá-la por escrito. Quem se declarar pobre tem direito à habilitação gratuita, conforme a lei. Exemplo: João e Ana querem se casar. Eles vão ao cartório de registro civil e preenchem o requerimento de habilitação, entregando documentos que comprovam idade, estado civil e ausência de impedimentos. Durante a análise, o cartório verifica tudo e publica os editais. Como Ana se declarou pobre, ela não precisa pagar as taxas do procedimento. FASES DA HABILITAÇÃO PARA O CASAMENTO I. Fase de requerimento e apresentação da documentação Na fase de solicitação e entrega dos documentos, os noivos precisam ir pessoalmente ao cartório de registro civil ou enviar um procurador com poderes especiais, por meio de escritura pública, para fazer o pedido. Eles devem formalizar por escrito a intenção de se casar, iniciando o processo de habilitação. Devem apresentar os documentos do art. 1525 do Código Civil. I - certidão de nascimento ou documento equivalente; II - autorização por escrito das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou ato judicial que a supra; III - declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que atestem conhecê-los e afirmem não existir impedimento que os iniba de casar; IV - declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos contraentes e de seus pais, se forem conhecidos; V - certidão de óbito do cônjuge falecido, de sentença declaratória de nulidade ou de anulação de casamento, transitada em julgado, ou do registro da sentença de divórcio. É exigida a declaração de duas pessoas capazes, parentes ou não, que declarem conhecer os noivos e não conhecer qualquer impedimento que os impossibilite de casar. São as testemunhas. Os noivos devem informar seu estado civil, domicílio e os dados dos pais, para que o cartório verifique se cumprem os requisitos para casar e determine a circunscrição correta para a habilitação. A circunscrição é necessária para a publicação do edital de proclamas. Se um dos noivos já foi casado ou é viúvo, ele precisa apresentar a certidão de divórcio ou óbito e, quando necessário, a partilha de bens, para comprovar que não existe impedimento ou causa suspensiva. Exemplo: Maria é viúva e quer se casar com Pedro. No cartório, ela apresenta a certidão de óbito do ex-cônjuge e informa seu domicílio, estado civil e dados dos pais. Pedro fornece suas informações pessoais e familiares. O cartório verifica os dados e publica o edital de proclamas na circunscrição correta, confirmando que não há impedimentos ou causas suspensivas para o casamento. Nessa fase, os noivos podem solicitar a inclusão do sobrenome do outro, sendo essa escolha opcional e válida para ambos. A Lei nº 14.382 de 2022 permite que a alteração do nome também seja feita depois do casamento. O oficial do registro deve informar os noivos sobre situações que possam tornar o casamento inválido e explicar os diferentes regimes de bens. Impedimentos e causas suspensivas devem ser apresentados por escrito, com provas ou indicação de onde possam ser obtidas. Se o oficial do registro civil perceber que os documentos estão incompletos ou incorretos, ou identificar algum impedimento para o casamento, ele deve suspender a habilitação. Caso a exigência feita pelo oficial seja indevida ou ilegal, os noivos podem contestar essa decisão na Justiça. EXEMPLO: Maria e João desejam se casar, mas ao apresentarem a documentação no cartório, o oficial percebe que a certidão de nascimento de João está com data de emissão antiga e exige que ele providencie uma nova certidão atualizada. Maria e João apresentam a certidão antiga e tentam explicar que ela ainda é válida, mas o oficial insiste em suspender a habilitação. Eles recorrem à Justiça, que analisa o caso e determina que a certidão apresentada é suficiente, liberando a habilitação para o casamento. II. FASE DOS EDITAIS DE PROCLAMAS Após a entrega dos documentos, o oficial inicia a segunda fase, publicando os editais de proclamas no cartório e na imprensa oficial, com prazo de 15 dias para apresentação de impedimentos, garantindo a publicidade da habilitação para o casamento. Em casos de urgência, o juiz pode dispensar a publicação dos proclamas, como em parto iminente, viagem longa ou risco de vida de um dos cônjuges. Nesses casos, a habilitação pode ser realizada posteriormente, configurando casamento nuncupativo (art. 1.540 CC). EXEMPLO: Maria e João estão grávidos, e Maria apresenta risco de parto prematuro. Como o tempo de espera dos proclamas poderia colocar a vida dela e do bebê em perigo, eles recorrem ao juiz. O juiz, reconhecendo a urgência, autoriza o casamento imediato no hospital, sem a publicação dos editais. Após o nascimento do bebê, Maria e João regularizam a habilitação no cartório, completando todos os trâmites legais e garantindo a validade formal do casamento. Após a publicação dos editais, o Ministério Público atua como fiscal da lei, analisando o cumprimento das exigências legais. Em situações normais, não é necessária a homologação judicial do casamento; o juiz só intervém se houver contestação ou impugnação por algum interessado. III. FASE DE REGISTRO DA HABILITAÇÃO E EXPEDIÇÃO DE CERTIDÃO Se não houver impugnação por terceiros ou pelo Ministério Público, o oficial de registro civil deve efetuar o registro regular, emitindo a certidão de habilitação, válida por 90 dias para a realização do casamento. Esse prazo é decadencial, ou seja, não pode ser suspenso ou interrompido. Após os 90 dias, será necessário reiniciar a habilitação. CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO Depois de concluída a habilitação e obtida a certidão de habilitação, válida por 90 dias, os nubentes devem solicitar à autoridade competente a marcação do dia, hora e local da cerimônia de casamento. O casamento pode ocorrer: • No cartório de registro civil ou fórum, presidido por juiz de paz ou juiz de direito. • Em templo religioso, no caso de casamento civil com cerimônia religiosa, presidido pelo líder religioso. • Em local particular, se autorizado pela autoridade celebrante, seja para cerimônia civil ou religiosa. O local deve estar aberto ao público como forma de publicidade do ato. O casamento também pode ser realizado por videoconferência, desde que seja possível verificar a livre manifestação de vontade dos nubentes. EXEMPLO: João e Maria concluíram toda a habilitação no cartório, receberam a certidão habilitatória e, dentro do prazo de 90 dias, solicitaram ao cartório a marcação do casamento. Eles decidiram realizar a cerimônia no próprio cartório, com o juiz de paz presidindo o ato. A cerimônia foi aberta a familiares e amigos, garantindo a publicidade do casamento. Para iniciar a cerimônia de casamento, é necessária a presença dos nubentes ou seus procuradores, da autoridade celebrante e de duas testemunhas. Se uma das partes não souber escrever ou a cerimônia ocorrer em local particular, o número de testemunhas aumenta para quatro. Na cerimônia civil, é obrigatória a presença do oficial do cartório para lavrar o registro. Na cerimônia religiosa, a presença do oficial não é necessária, sendo o registro feito posteriormente, em até 90 dias. Se os nubentes forem representados por procuradores, estes precisam de poderes especiais por instrumento público e não pode haver um único procurador para ambos. Durante a cerimônia, a autoridadeperguntará aos nubentes, separadamente, se querem casar de forma livre e espontânea. Se algum se recusar ou demonstrar arrependimento, a cerimônia será suspensa e não poderá continuar no mesmo dia, sob risco de o casamento não existir. A manifestação de vontade na habilitação não substitui esta etapa. Após a confirmação da vontade, ocorre a leitura da fórmula do art. 1.535 do Código Civil, momento em que o casamento se consuma legalmente. Exemplo: João e Maria vão se casar no cartório. O juiz pergunta a João se ele deseja casar de forma livre e espontânea, e ele responde que sim. Depois, pergunta a Maria, que também confirma sua vontade. Em seguida, o juiz lê a fórmula legal do casamento (art. 1.535 do Código Civil) e declara oficialmente que João e Maria estão casados. Nesse instante, o casamento passa a existir legalmente. Se Maria tivesse dito que não queria casar ou que estava sendo pressionada, a cerimônia seria suspensa e só poderia ser realizada em outro dia, garantindo que o casamento só ocorra com consentimento livre de ambos. Após o casamento, é feito o registro no livro próprio, assinado pelo celebrante, pelos cônjuges, pelas testemunhas e pelo oficial do cartório. O registro contém informações sobre os cônjuges, pais, testemunhas, eventuais casamentos anteriores, proclamas, documentos apresentados, data da cerimônia e regime de bens escolhido. O objetivo desse registro é dar publicidade ao casamento. CASAMENTO RELIGIOSO COM EFEITOS CIVIS POSTERIORES Mesmo sendo possível o casamento religioso com efeitos civis mediante prévia habilitação, muitas pessoas se casam apenas religiosamente, o que não gera efeitos civis. Para contornar isso, o Código Civil (art. 1.516) permite o “casamento religioso com efeitos civis posteriores”, ou seja, obter efeitos civis depois da cerimônia religiosa. Nesse caso, os interessados devem solicitar ao cartório a habilitação, comprovando que já se casaram religiosamente e pedindo que não seja necessária nova cerimônia, garantindo efeitos civis retroativos. EXEMPLO: Um casal realizou apenas o casamento religioso em sua igreja em 1º de março. Após perceberem que não tinham efeitos civis, foram ao cartório e solicitaram a habilitação do casamento, apresentando a certidão religiosa e pedindo a dispensa de nova cerimônia. O cartório registrou o casamento civil com efeitos retroativos à data da cerimônia religiosa, garantindo validade legal perante o Estado. CONVERSÃO DA UNIÃO ESTÁVEL EM CASAMENTO A lei permite que uma união estável seja transformada em casamento se os companheiros fizerem o pedido. Para isso, é necessário passar por todo o processo de habilitação (documentos, ausência de impedimentos, testemunhas e proclamas), mas a cerimônia de casamento não é obrigatória. Ao converter a união estável em casamento, o regime de bens que existia na união se mantém, a menos que seja escolhido outro regime por meio de pacto antenupcial. Mudanças no regime de bens passam a valer somente a partir da conversão, sem alterar o que já existia antes. EXEMPLO: João e Maria vivem em união estável há cinco anos, período em que adquiriram juntos um apartamento e móveis. Decidem transformar a união estável em casamento e vão ao cartório apresentar a documentação necessária, comprovando a união e solicitando a conversão. Não é necessária cerimônia de casamento, apenas o registro formal. O regime de bens que vigorava na união estável, a comunhão parcial, se mantém, salvo se optarem por outro regime mediante pacto antenupcial. Todos os bens adquiridos antes da conversão continuam pertencendo a ambos conforme as regras da união estável, e a partir da data da conversão passa a vigorar o regime escolhido para os bens futuros. CASAMENTO EM CASO DE MOLÉSTIA GRAVE O casamento em caso de moléstia grave é uma forma excepcional de celebrar o matrimônio prevista no art. 1.539 do Código Civil. Ele ocorre quando um dos nubentes está gravemente doente e não pode se deslocar até o cartório para a cerimônia normal. Nesse caso, a lei permite que o casamento seja realizado de maneira adaptada, garantindo que a vontade de casar seja respeitada mesmo diante da enfermidade. São exemplos de moléstias graves: ○ Internação hospitalar por: câncer em fase terminal, acidente vascular cerebral (AVC) com debilidade motora, ou infecção grave (como sepse) ○ Doenças neurodegenerativas (como ELA), quando ainda houver lucidez ○ Estado de saúde que exija cuidados paliativos, mas com plena consciência do ato Em caso de moléstia grave de um dos nubentes, o casamento deve ser celebrado no local onde se encontra o impedido, mesmo à noite, na presença de duas testemunhas alfabetizadas (art. 1.539). A doutrina diverge quanto à necessidade prévia de habilitação, mas o entendimento predominante é que os nubentes já devem estar habilitados; apenas não podem esperar a cerimônia no dia e hora previamente marcados devido à doença grave. O oficial do cartório deve acompanhar o ato, e, se não puder, será substituído por uma pessoa nomeada pelo celebrante. O termo avulso lavrado pelo substituto deve ser registrado no cartório em até cinco dias, na presença de duas testemunhas, e arquivado. A ausência ou impedimento da autoridade competente é suprida por qualquer substituto legal. Exemplo prático: Maria está gravemente doente e internada em um hospital da cidade. Ela e João já haviam realizado toda a habilitação para o casamento, mas não podem comparecer ao cartório na data marcada. O juiz ou juiz de paz se desloca até o hospital, acompanhado de duas testemunhas alfabetizadas. O oficial do cartório não pode ir, então é substituído por um oficial ad hoc. No local, o celebrante confirma a vontade de Maria e João de se casar, realiza a cerimônia e lavra o termo avulso. Esse termo é levado ao cartório e registrado dentro de cinco dias, garantindo validade legal ao casamento mesmo diante da moléstia grave. CASAMENTO NUNCUPATIVO O casamento nuncupativo, ou em risco de vida iminente, ocorre quando um ou ambos os nubentes estão prestes a morrer, permitindo que se casem imediatamente na presença de seis testemunhas, dispensando o Oficial do Registro Civil e flexibilizando todas as formalidades legais usuais. O nubente fora do risco de vida pode se fazer representar por procuração com poderes específicos. As testemunhas não podem ser parentes em linha reta ou até segundo grau na colateral. Após o casamento nuncupativo, as testemunhas devem solicitar a homologação judicial em até 10 dias. Deverão provar: ○ a situação emergencial pela qual passava um dos nubentes. ○ que foram convocadas pelos nubentes para presenciar o casamento, naquelas condições de informalidade. ○ que houve livre manifestação da vontade de casar por ambos. No casamento nuncupativo, após os depoimentos das testemunhas, o juiz verifica se há impedimentos matrimoniais e, confirmada a idoneidade dos cônjuges, homologa o casamento, produzindo efeitos retroativos e determinando o registro. Se o nubente se recuperar, pode ratificar a vontade de casar presencialmente, dispensando o procedimento pelas testemunhas. Caso elas não solicitem a homologação no prazo legal, qualquer interessado pode fazê-lo. Exemplo; João está gravemente doente e corre risco de morte iminente. Ele deseja se casar com Maria, mas não consegue se deslocar até o cartório. As partes celebram o casamento na casa de João, na presença de seis testemunhas, conforme permitido pelo art. 1.540 do Código Civil. Como João não consegue assinar os documentos, Maria o representa por procuração com poderes específicos. As testemunhas, que não são parentes próximos de nenhum dos dois, registram os fatos e, dentro de 10 dias, solicitam ao juiz a homologação judicial do casamento nuncupativo, comprovando a situação de urgência e que ambos manifestaram livremente a vontade de casar.Se João se recuperar antes da homologação, ele poderá comparecer ao cartório e ratificar pessoalmente o casamento, dispensando o procedimento pelas testemunhas. O regime de bens será o da separação obrigatória, conforme art. 1.641. Sobreviventes ambos os cônjuges, poderá ser requerida a alteração do regime de bens.