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SLIDE 5 EXISTÊNCIA DO CASAMENTO O matrimônio só é considerado existente quando reúne todos os elementos essenciais exigidos por sua natureza. Caso esses elementos não estejam presentes, o casamento é inexistente e, portanto, não gera efeitos jurídicos. Elementos existenciais do casamento: I) Manifestação de vontade - Existência de consentimento dos nubentes No casamento, a manifestação de vontade deve ser expressa e recíproca. Se houver silêncio ou manifestação negativa, o casamento será inexistente. A vontade deve se manifestar tanto na habilitação quanto na celebração, sendo cada etapa independente. II) Celebração do matrimônio com a presença de autoridade apta a realizar Casamento O casamento deve ser celebrado por pessoa a quem o sistema jurídico confere autoridade para tal, sendo chamada de presidente do ato, podendo ser o juiz de direito, juiz de paz ou autoridade religiosa, e, no caso de brasileiros no exterior, a autoridade consular. A celebração por pessoa que não é autoridade reconhecida para celebrar casamento é causa de inexistência do casamento, enquanto a celebração por autoridade incompetente é causa de anulabilidade. III) Observação das formalidades do art. 1.535 e 1.536 do Código Civil. São a presença das partes ou procuradores, testemunhas, oficial do registro e presidente do ato, junto com a leitura da fórmula nupcial, além do registro da celebração. Art. 1.535. Presentes os contraentes, em pessoa ou por procurador especial, juntamente com as testemunhas e o oficial do registro, o presidente do ato, ouvida aos nubentes a afirmação de que pretendem casar por livre e espontânea vontade, declarará efetuado o casamento, nestes termos:"De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados." Art. 1.536. Do casamento, logo depois de celebrado, lavrar-se-á o assento no livro de registro. No assento, assinado pelo presidente do ato, pelos cônjuges, as testemunhas, e o oficial do registro, serão exarados: I - os prenomes, sobrenomes, datas de nascimento, profissão, domicílio e residência atual dos cônjuges; II - os prenomes, sobrenomes, datas de nascimento ou de morte, domicílio e residência atual dos pais; III - o prenome e sobrenome do cônjuge precedente e a data da dissolução do casamento anterior; IV - a data da publicação dos proclamas e da celebração do casamento; V - a relação dos documentos apresentados ao oficial do registro; VI - o prenome, sobrenome, profissão, domicílio e residência atual das testemunhas; VII - o regime do casamento, com a declaração da data e do cartório em cujas notas foi lavrada a escritura antenupcial, quando o regime não for o da comunhão parcial, ou obrigatoriamente estabelecido. VALIDADE DO CASAMENTO Existente o casamento, será possível avaliar a sua validade; nesse plano, quando o casamento não estiver em conformidade com o ordenamento jurídico, analisam-se as hipóteses de nulidade (art. 1.548) e anulabilidade (art. 1.550) do casamento. CASAMENTO NULO A nulidade do casamento decorre da violação de normas de ordem pública, resultando na ausência de efeitos entre os nubentes e na impossibilidade de confirmação ou convalidação. Deve ser reconhecida por decisão judicial declaratória, com efeitos retroativos (ex tunc), podendo ser arguida por qualquer interessado ou pelo Ministério Público. Se constatada durante a habilitação, impede a realização do casamento. Embora seja nulo e não produza efeitos jurídicos entre as partes, o casamento é considerado existente, podendo gerar efeitos em relação a terceiros de boa-fé, conforme o art. 1.563, bem como no tocante ao regime de bens. Exemplo: Duas pessoas se casam, mas são irmãos. Esse casamento existe formalmente (foi celebrado), porém é nulo, pois viola norma de ordem pública (impedimento absoluto). Assim, não produz efeitos entre os cônjuges, mas pode gerar efeitos em relação a terceiros de boa-fé, como no caso de filhos ou questões patrimoniais. A única hipótese de nulidade do casamento ocorre quando há violação dos impedimentos matrimoniais previstos no art. 1.521 do Código Civil, como nos casos de bigamia, incesto ou casamento entre viúvo(a) e o autor (ou tentante) do homicídio do cônjuge. Já o casamento celebrado por pessoa sem o necessário discernimento para os atos da vida civil não é mais considerado hipótese de nulidade, pois essa previsão foi expressamente revogada pelo art. 123, IV, do Estatuto da Pessoa com Deficiência. CASAMENTO ANULÁVEL O casamento anulável é aquele que apresenta vício de natureza privada, admitindo confirmação, seja de forma expressa ou tácita, e produzindo efeitos até que seja anulado por sentença judicial. Apenas o interessado pode alegar a anulabilidade, não podendo o juiz reconhecê-la de ofício nem o Ministério Público suscitá-la. A desconstituição por sentença anulatória gera efeitos retroativos (ex tunc), e as hipóteses de anulabilidade estão previstas no art. 1.550 do Código Civil. Caso prático: Maria foi pressionada por sua família a se casar com João, sob ameaça de ser expulsa de casa. Mesmo sem vontade livre, ela aceitou e o casamento foi celebrado regularmente perante autoridade competente. Após algum tempo, Maria decide procurar o Judiciário para desfazer o vínculo. Nesse caso, o casamento é existente e válido até o momento da decisão, porém anulável, pois houve coação, um vício de natureza privada. Somente Maria pode pedir a anulação, e, se o juiz reconhecer o vício, a sentença produzirá efeitos ex tunc (retroativos). Caso Maria não questione, o casamento pode ser confirmado tacitamente com o tempo. i) Defeito de idade A lei reputa como anulável o casamento contraído por quem ainda não atingiu a idade mínima de 16 anos. Art. 1.552. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: I - pelo próprio cônjuge menor; II - por seus representantes legais; III - por seus ascendentes. Art. 1.553. O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de completá-la, confirmar seu casamento, com a autorização de seus representantes legais, se necessária, ou com suprimento judicial. II) Falta de consentimento dos assistentes O casamento de pessoa entre 16 e 18 anos realizado sem a autorização dos pais, tutores ou curadores é anulável. Contudo, se esses assistentes comparecerem e participarem da celebração, considera-se que houve convalidação tácita, afastando a possibilidade de anulação do casamento. iii) Erro essencial ou coação O erro no casamento ocorre quando há uma falsa percepção sobre a pessoa com quem se está casando, sem que haja interferência de terceiros ou do outro nubente. Apenas o erro essencial (substancial) é capaz de gerar a anulabilidade do casamento. Além disso, esse erro deve existir antes da celebração e ser descoberto somente após o casamento, de modo que torne a vida conjugal insuportável. Caso prático: João se casa com Carla acreditando que ela não tem antecedentes criminais. Após o casamento, descobre-se que Carla já havia cumprido pena por crime grave antes da união. Esse erro essencial sobre um fato determinante da personalidade e da vida do cônjuge torna o casamento anulável, pois a descoberta posterior torna a convivência conjugal insuportável para João. ● São as hipóteses do art. 1557 do Código Civil: Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado; II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal; III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterizedeficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência; ((Redação dada pela Lei no 13.146, de 2015) A coação ocorre quando alguém é pressionado moralmente a se casar contra sua vontade, tornando o casamento anulável. Por exemplo, uma pessoa que aceita se casar com medo de ter segredos revelados. Já a coação física, caracterizada pelo uso de força que impede os movimentos do agente, é causa de inexistência do casamento. Caso o casal passe a coabitar, considera-se que o casamento foi convalidado. iv) incapacidade relativa psíquica comprometendo a declaração de vontade No caso dos relativamente incapazes por razão psicológica (art. 4 do Código Civil), a pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia pode contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por intermédio de seu responsável ou curador, conforme o §2º do art. 1.550, inserido pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência no Código Civil. Exemplo: Lucas, jovem com deficiência intelectual, deseja se casar com Sofia. Ele expressa sua vontade claramente e, com a autorização de seu curador, o casamento é celebrado regularmente. Nesse caso, o casamento é válido, pois seguiu as normas do Código Civil e do Estatuto da Pessoa com Deficiência, permitindo que a manifestação de vontade do relativamente incapaz seja respeitada. v) revogação de mandato A anulabilidade do casamento pode ocorrer quando este é realizado por um mandatário após a revogação do mandatoou quando o mandato é declarado inválido por decisão judicial. A hipótese aplica-se mesmo que o mandatário ou o outro cônjuge desconheçam a revogação (boa-fé subjetiva). A invalidade do mandato reconhecida judicialmente é tratada como revogação (art. 1.550, §1º). Caso ocorra coabitação entre os cônjuges, o casamento será convalidado tacitamente. Exemplo: Paula outorga procuração a seu primo para casar-se em seu nome com Ricardo. Antes da celebração, Paula revoga a procuração, mas o primo desconhece a revogação e realiza o casamento. O casamento é anulável, pois foi celebrado por mandatário sem validade de mandato. Se, após isso, Paula e Ricardo passam a conviver maritalmente, o casamento será convalidado tacitamente. vi) incompetência da autoridade celebrante Trata-se da autoridade que, embora possa celebrar casamento, não tem competência conferida pelas leis de organização judiciária estadual para tal ato. Por exemplo, um juiz de direito da vara de falências sem competência para casamentos ou um juiz de família de comarca diversa, sem competência territorial. Nos casos em que não há autoridade válida para celebrar o casamento, a consequência é a inexistência do casamento, como ocorre quando o casamento é realizado por juiz do trabalho, delegado de polícia ou defensor público. Exemplo: Um casal realiza o casamento perante um delegado de polícia, acreditando que ele tem autoridade para tal. Como o delegado não possui competência legal para celebrar casamentos, o ato é considerado inexistente, não produzindo qualquer efeito jurídico entre os nubentes. CASAMENTO PUTATIVO O casamento putativo é aquele inválido (nulo ou anulável) que foi celebrado de boa-fé subjetiva por um ou ambos os cônjuges, permitindo o aproveitamento de seus efeitos jurídicos mediante autorização judicial (art. 1.561). Seus requisitos são: i) invalidade do casamento; ii) boa-fé subjetiva de um ou ambos os nubentes; iii) erro desculpável; iv) declaração judicial. Exemplo: Ana se casa com Pedro, sem saber que ele ainda era legalmente casado com outra pessoa. O casamento é nulo por impedimento legal, mas Ana agiu de boa-fé, desconhecendo a situação. Com autorização judicial, esse casamento pode ser reconhecido como putativo, permitindo que Ana aproveite efeitos jurídicos como regime de bens e direitos patrimoniais, enquanto persistir sua boa-fé. A putatividade do casamento pode ser declarada na própria sentença que declarou o casamento nulo ou o anulou, se as partes solicitarem durante o procedimento. Caso não tenha sido feita, a declaração pode ser requerida em ação autônoma. Entre os efeitos da putatividade estão: manutenção do uso do sobrenome de casado, fixação de alimentos para o cônjuge de boa-fé, produção de efeitos do regime de bens em favor do cônjuge de boa-fé e emancipação do cônjuge menor à época do casamento. Exemplo: João se casa com Marta, sem saber que ela já era casada, tornando o casamento nulo. Como João agiu de boa-fé, ele solicita ao juiz a declaração de putatividade. Com a decisão judicial, João mantém o uso do sobrenome de Marta, tem direito a alimentos, usufrui dos efeitos do regime de bens e, se fosse menor à época do casamento, poderia ter sua emancipação reconhecida. EFEITOS JURÍDICOS DO CASAMENTO Efeitos sociais O casamento promove a constituição de uma entidade familiar (art. 226, §§1º e 2º da Constituição Federal), podendo resultar na emancipação do cônjuge incapaz (art. 5º, parágrafo único, II, do Código Civil). Também estabelece o vínculo de parentesco por afinidade entre o cônjuge e os parentes do outro (art. 1.595 do Código Civil), atribui o estado de casado, alterando o estado civil e garantindo publicidade perante terceiros, e cria a presunção de paternidade dos filhos nascidos durante a constância do casamento (art. 1.597 do Código Civil). Efeitos pessoais Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família, conforme o art. 1.565 do Código Civil. Os cônjuges têm a obrigação de contribuir, na proporção de seus bens e rendimentos do trabalho, para o sustento da família e a educação dos filhos, independentemente do regime patrimonial adotado, conforme o art. 1.568 do Código Civil. A lei permite que um cônjuge acrescente o sobrenome do outro, conforme o art. 1.565, §1º do Código Civil, normalmente escolhido durante a habilitação do casamento. Esse acréscimo é facultativo e pode ser feito pelo homem, pela mulher ou por ambos, inclusive simultaneamente. Após o divórcio, é possível voltar ao nome original ou permanecer com o sobrenome de casado, a critério do divorciando. A lei também permite alterar o nome em razão do casamento mesmo após a habilitação, seja para acrescentar ou retirar o sobrenome. Exemplo: Carlos e Ana se casam e decidem que Ana acrescente o sobrenome de Carlos, passando a se chamar Ana Silva Costa. Após o divórcio, Ana pode optar por voltar a usar apenas Ana Silva ou continuar com Ana Silva Costa, conforme sua vontade. Além disso, se quiser, ainda poderia alterar o nome posteriormente, acrescentando ou retirando sobrenomes relacionados ao casamento. O casamento estabelece o domicílio do casal, escolhido por ambos os cônjuges. No entanto, cada um pode ausentar-se do domicílio conjugal para atender a encargos públicos, exercer sua profissão ou cumprir interesses particulares relevantes. Diferentemente do Código de 1916, em que o domicílio era sempre o do marido, atualmente não há obrigatoriedade nesse sentido. Também é permitido que os cônjuges não residam juntos o tempo todo, sem que isso prejudique a validade do casamento. O art. 1566 do CC prevê os deveres de ambos os cônjuges, que não são taxativos, obrigando somente os cônjuges. ● São deveres de ambos os cônjuges: I - fidelidade recíproca - expressão da monogamia; II - vida em comum, no domicílio conjugal (coabitação); III - mútua assistência; IV - sustento, guarda e educação dos filhos; V - respeito e consideração mútuos. Não fluência do prazo prescricional entre cônjuges Não corre a prescrição entre os cônjuges durante a constância da sociedade conjugal, conforme disposição expressa do art. 197, I, do Código Civil. Efeitos patrimoniais O casamento gera, como efeito, a existência de umregime de bens entre os cônjuges. Em regra, presume-se a colaboração recíproca para a aquisição do patrimônio comum, podendo essa presunção ser afastada por disposição expressa em pacto antenupcial. Exemplo: João e Maria se casam sob o regime de comunhão parcial de bens, presumindo-se que ambos contribuíram para a aquisição dos bens do casal durante o casamento. No entanto, antes da união, eles assinaram um pacto antenupcial estabelecendo que certos bens adquiridos por João seriam exclusivos dele, afastando a presunção de colaboração recíproca sobre esses bens.