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Aperfeiçoamento da 
Prática em Coordenação 
do Cuidado a partir da 
Atenção Primária à 
Saúde - APS 
Saúde Digital e 
Tecnologias Inovadoras 
na Atenção à Saúde
MÓDULO IV | USO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO 
NA GESTÃO CLÍNICA
DISCIPLINA 11
Brasília (DF) 
2026
Saúde Digital e 
Tecnologias Inovadoras 
na Atenção à Saúde
DISCIPLINA 11
Tiragem: 1ª edição – 2026 – versão eletrônica
2026 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C Camargo Câncer Center.
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não 
Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a 
reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
A coleção institucional da Oferta de Aperfeiçoamento da Prática em Coordenação do Cuidado a partir 
da Atenção Primária à Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do 
Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br
Elaboração, distribuição e 
informações:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção Primária à 
Saúde - SAPS
Esplanada dos Ministérios Bloco G, 
Edifício Sede
CEP: 70058-900 – Brasília/DF
CONSELHO NACIONAL DE 
SECRETARIAS
MUNICIPAIS DE SAÚDE - 
CONASEMS
Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 
Anexo B, Sala 144
Zona Cívico-Administrativo
CEP: 70058-900 – Brasília/DF
A.C CAMARGO CANCER CENTER
R. Prof. Antônio Prudente, 211 – 
Liberdade
CEP: 01509-010 - São Paulo/SP - 
Brasil
Colaboração:
Adélia Delfina da Motta Silva - SEIDIGI/MS
Adriana Mallet Toueg - SEIDIGI/MS
Anderson Sales Dia - SAPS/MS
Joselio Emar de Araújo Queiroz - 
SEIDIGI/MS
Julia Chaves do Nascimento - SAPS/MS
Kessia Pereira Duarte Lopes - SAPS/MS
Ricardo da Silva Kaminski - SEIDIGI/MS
Robson Willian de Melo Matos - 
SEIDIGI/MS
Tarssio Brito Barreto - SEIDIGI/MS
Wesley Sousa Moura - SAPS/MS
Designer educacional:
Fabiana Guimarães Coelho - CONASEMS
Samuel Rubens - CONASEMS
Coordenação de desenvolvimento gráfico:
Cristina Perrone - CONASEMS
Diagramação e projeto gráfico:
Luciana Monteiro Campello - CONASEMS
Júlia Gutierrez Souza Carmo - CONASEMS
Revisão Linguística:
Keylla Manfili Fioravante - CONASEMS
Fotografias e ilustrações:
Biblioteca do Banco de Imagens do 
Conasems
Imagens:
Fototeca do CONASEMS
Flickr Ministério da Saúde
Flickr CONASEMS
Flickr Secretaria de Saúde do Distrito 
Federal
Envato Elements
https://elements.envato.com
Freepik
https://br.freepik.com
Pexels
https://www.pexels.com/pt-br/
Coordenação-geral:
Ana Cláudia Cardozo Chaves - SAPS/MS
Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas - 
SAPS/MS
Ana Paula Neves Marques de Pinho - A.C. 
Camargo
Cristiane Martins Pantaleão - CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida - CONASEMS
Mauro Junqueira - CONASEMS
Patricia da Silva Campos - CONASEMS
Verônica Savatin Wottrich - CONASEMS
Organização:
Núcleo Pedagógico do CONASEMS
Coordenação técnica e pedagógica:
Beatriz Zocal da Silva - SAPS/MS
Danylo Santos Silva Vilaça - SAPS/MG
Jacirene Gonçalves Lima Franco - SAPS/MS
Kelly Cristina Santana - CONASEMS
Maria da Penha Marques Sapata - 
CONASEMS
Marta de Sousa Lima - CONASEMS 
Patricia da Silva Campos - CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos - 
CONASEMS
Thais Coutinho de Oliveira - SAPS/MS
Elaboração de conteúdo:
Alexandre Chater Taleb 
Revisão técnica de conteúdo:
Beatriz Zocal da Silva - SAPS/MS
Jacirene Gonçalves Lima Franco - SAPS/MS
Maria da Penha Marques Sapata - 
CONASEMS
Michael Luiz Diana de Oliveira - 
CONASEMS
Patricia da Silva Campos - CONASEMS
Soane Cristina Almeida dos Santos - 
CONASEMS
Thais Coutinho de Oliveira - SAPS/MS
Stanley Mendes Fonseca - CONASEMS
COMO NAVEGAR NESTE 
E-BOOK
Antes de iniciar a leitura do material, veja, 
aqui, algumas dicas para aproveitar ao 
máximo os recursos disponíveis.
SUMÁRIO: uma forma rápida de acessar 
facilmente as temáticas. 
Quer retornar à lista das temáticas? 
Basta clicar no ícone, no canto superior da página.
Sempre que surgir o QR CODE, 
aponte a câmera do seu celular 
para acessar o conteúdo. Você 
também pode clicar sobre ele, 
com o botão direito do mouse, 
para abrir em uma nova aba ou 
navegador. 
QR CODE
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visualizar os elementos visuais, 
utilize a função de zoom do 
PDF. 
ZOOM
 
Este é o e-book da Disciplina 11: Saúde Digital e Tecnologias 
Inovadoras na Atenção à Saúde, Módulo IV – Uso de Sistemas de 
Informação na Gestão Clínica.
Ao longo dos seus estudos, você vai compreender como as 
tecnologias digitais estão transformando a forma como os serviços 
de saúde são organizados e como o cuidado é oferecido na 
Atenção Primária à Saúde (APS). 
Veremos como ferramentas tecnológicas (como testes rápidos, 
prontuários eletrônicos, inteligência artificial e dispositivos 
vestíveis) ampliam as possibilidades de diagnóstico, 
acompanhamento e tomada de decisão clínica, contribuindo para 
uma assistência mais resolutiva, integrada e centrada nas 
necessidades das pessoas.
BEM-VINDO!
 
Entretanto, incorporar novas tecnologias ao cotidiano da APS vai 
muito além da adoção de equipamentos ou sistemas digitais. É 
fundamental compreender seus benefícios, limites e desafios, 
garantindo que seu uso esteja fundamentado em evidências 
científicas, princípios éticos, proteção de dados e respeito ao 
julgamento clínico dos profissionais de saúde. Nesse contexto, a 
tecnologia deve ser entendida como uma ferramenta de apoio ao 
cuidado, e não como um substituto da atuação humana.
Nesta disciplina conheceremos as principais tecnologias digitais 
aplicadas à APS, refletiremos sobre critérios para sua incorporação 
nos serviços de saúde e discutiremos aspectos relacionados à 
ética, à inteligência artificial, à interoperabilidade e à 
responsabilidade profissional. 
Ao final deste estudo, espera-se que você seja capaz de analisar 
criticamente essas ferramentas e utilizá-las de forma segura, ética 
e alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
AAS | Agentes de Ação Social
ACE | Agentes de Combate às Endemias 
ACS | Agente Comunitário de Saúde
APS | Atenção Primária à Saúde
CIAP | Classificação Internacional de Atenção Primária
CFM | Conselho Federal de Medicina
CFO | Conselho Federal de Odontologia
CFP | Conselho Federal de Psicologia
CFN | Conselho Federal de Nutrição
CID | Classificação Internacional de Doenças
CRM | Conselho Regional de Medicina
DPOC | Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
EBIA | Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial
ECG | Eletrocardiograma
eMulti | Equipes Multiprofissionais na APS
ESD28 | Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020–2028 
FM UFG | Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás 
HIPAA | Health Insurance Portability and Accountability Act (Lei de 
Portabilidade e Responsabilidade de Seguros de Saúde)
HIV | Vírus da Imunodeficiência Humana
HL7 FHIR | Fast Healthcare Interoperability Resources (Recursos de 
Interoperabilidade Rápida em Saúde)
IA | Inteligência Artificial 
IST | Infecção Sexualmente Transmissível
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
INMSD | Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital
IoT | Internet das Coisas
LGPD | Lei Geral de Proteção de Dados
LLM | Large Language Model (Grande Modelo de Linguagem)
MGI | Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
MS | Ministério da Saúde
NUTT | Núcleo de Telemedicina e Telessaúde
OMS | Organização Mundial da Saúde
OPAS | Organização Pan-Americana da Saúde
PA | Pressão Arterial
PEP | Prontuário Eletrônico do Paciente
POC | Point of Care (Ponto de cuidado)
RA | Realidade Aumentada
RNDS | Rede Nacional de Dados em Saúde
RV | Realidade Virtual
SAPS | Secretaria de Atenção Primária à Saúde 
SEIDIGI | Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da 
Saúde
SNOMED CT. | Nomenclatura Médica Sistematizada
SUS | Sistema Único de Saúde
TACS | Técnico em Agente Comunitário de Saúde
TDICs | Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
TRM-TB | Teste Rápido Molecular para Tuberculose
UBS | Unidade Básica de Saúde
VPN | Virtual Private Networknas amostras de treinamento, o julgamento do 
profissional de saúde que atende ao paciente é fundamental.
94
SA
IB
A
 M
A
IS
Atualmente, a incorporação de Inteligência Artificial 
(IA) no SUS ocorre, predominantemente, por meio de 
projetos-piloto, parcerias universitárias e soluções 
adotadas por secretarias municipais e estaduais de 
saúde.
Alguns exemplos:
IA Serena
Utilizada em Secretarias de Estado de 
Saúde (como no Rio de Janeiro), atua na 
triagem e na classificação de gravidade, 
para agilizar exames, internações e 
consultas, auxiliando o médico regulador 
sem substituir a decisão clínica. 
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, 
para conhecer a IA Serena.
1295
https://www.rj.gov.br/noticias/secretaria-de-estado-de-saude-apresenta-serena-assistente-virtual-do-sistema-estadual-de-regulacao-ser-em-evento-de-inovacao-tecnologica8848
https://www.rj.gov.br/noticias/secretaria-de-estado-de-saude-apresenta-serena-assistente-virtual-do-sistema-estadual-de-regulacao-ser-em-evento-de-inovacao-tecnologica8848
12
ChatBot da Ouvidoria-Geral do SUS
Geral do SUS: melhoram a resolução dos 
questionamentos feitos à Central 136 e 
colaboram para combater a disseminação 
de informações falsas
Clique aqui ou escaneie o QR Code, ao lado, 
para conhecer o ChatBot da Ouvidoria-Geral do 
SUS.
ACESSE O
QR CODE
SA
IB
A
 M
A
IS
96
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/agosto/whatsapp-e-chatbot-ja-atendem-usuarios-da-ouvidoria-geral-do-sus
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/agosto/whatsapp-e-chatbot-ja-atendem-usuarios-da-ouvidoria-geral-do-sus
VESTÍVEIS (WEARABLES) 
Para ser considerado um 
dispositivo médico, um vestível 
(wearable) precisa estar 
registrado como dispositivo 
médico na ANVISA, e, até o 
momento, não deve ser 
utilizado de forma isolada para 
a tomada de decisão clínica. 
Os wearables são dispositivos 
que podem ser vestidos (como 
relógios, faixas, luvas, 
camisetas), capazes de 
monitorar, de forma 
continuada, parâmetros 
fisiológicos, como frequência 
cardíaca, distância de 
caminhada, glicemia 
intersticial, gasto calórico, 
padrão de sono e armazenar e 
transmitir esses dados para 
sistemas de informação ou 
diretamente para profissionais 
de saúde.
Os usos mais frequentes dos 
smartwatches (relógios com 
sensores) são para 
monitoramento de frequência 
cardíaca, oxigenação 
sanguínea, atividade física, 
padrão de sono, e, até mesmo, 
eletrocardiograma.
97
12
Os sensores de glicemia intersticial são capazes de “realizar 
leituras frequentes, em intervalos de poucos minutos, e têm 
duração variável, conforme o modelo”, permitindo não só o 
monitoramento da variação glicêmica ao longo do dia, como a 
construção de padrões de variabilidade individual para cada 
paciente. 
Revisões sistemáticas mostram que os sensores de glicose 
funcionam, também, como educadores, uma vez que o paciente 
percebe as variações glicêmicas ocorridas após cada alimentação, 
atividade física, situações de estresse, e alterações de sono, 
contribuindo para uma melhor compreensão individual do papel do 
paciente no seu manejo clínico (Alfadli et at., 2025).
98
No processo de tomada de decisão sobre a incorporação, ou não, 
de uma nova tecnologia ou de uma nova ferramenta digital, 
algumas questões devem ser levadas em consideração:
AVALIAÇÃO DA 
INCORPORAÇÃO DE NOVAS 
TECNOLOGIAS
Evidência clínica
Existem estudos publicados que validam essa tecnologia 
para a população e a condição clínica em que se 
pretende aplicar?
Registro regulatório
O dispositivo ou software está registrado na ANVISA 
para uso clínico no Brasil?
Acurácia
Quais são a sensibilidade, a especificidade e o valor 
preditivo para a tecnologia em avaliação?
99
Interoperabilidade
A ferramenta está integrada ao e-SUS APS, ao sistema 
ou ao PEP local? É possível exportar dados para a 
RNDS?
Responsabilidade clínica
Está claro que o responsável pela decisão final é o 
profissional de saúde e não o dispositivo ou o algoritmo? 
Suporte e manutenção
Existe suporte técnico disponível? Qual é a contingência 
para quando o sistema falhar?
Viés de dados (no caso de utilização de IA) 
O algoritmo foi treinado e validado em populações que 
incluem pessoas indígenas, negras e de baixa renda 
(similaridade territorial)? 
Proteção de dados
A ferramenta é compatível com a LGPD? Onde os dados 
dos pacientes serão armazenados? Quem terá acesso?
100
Toda vez que uma nova tecnologia for apresentada para adoção no 
serviço público, cabe ao profissional de saúde e/ou ao gestor fazer 
perguntas que possam nortear a identificação da real utilidade da 
aplicação dessa ferramenta. Em paralelo ao entusiasmo da 
incorporação de novas tecnologias, deve andar a responsabilidade 
da identificação da real necessidade e aplicabilidade no serviço 
proposto.
12
Equidade de acesso
Todos os pacientes do território conseguem usar ou se 
beneficiar dessa tecnologia ou ela amplia 
desigualdades?
Custo-efetividade
O benefício clínico justifica o custo, seja ele direto ou 
indireto (tempo de treinamento, adaptação de fluxo, 
manutenção)?
101
04
Ética Digital e 
Interoperabilidade 
em Saúde
Os princípios éticos da bioética clássica são autonomia, 
beneficência, não maleficência e justiça. Esses princípios 
continuam sendo o referencial, que devemos aplicar na utilização 
das tecnologias em saúde. Quando falamos de tecnologias digitais 
em saúde, algumas novas questões devem ser avaliadas. Vamos 
conhecer cada um dos princípios:
ÉTICA NO USO DAS 
TECNOLOGIAS EM SAÚDE
Refere-se à capacidade do paciente de tomar decisões informadas 
sobre a sua saúde. Essa autonomia pode ser violada por 
algoritmos, que tomam decisões pelos pacientes ou que usam 
dados sem consentimento informado. O ideal é que o 
consentimento digital seja uma descrição completa e 
compreensível da assistência que será oferecida, e que seja 
ofertado tempo para a leitura, a análise e a interpretação pelo 
paciente, ou seus responsáveis, quando for o caso, e não apenas 
um clique em "Aceito".
103
Autonomia
Beneficência
Beneficência está ligada à ação no melhor interesse do paciente. 
Ferramentas de inteligência artificial que funcionam bem para a 
maioria dos pacientes podem ser prejudiciais para pacientes que 
fogem ao perfil do treinamento do algoritmo.
Beneficência
Não maleficência significa, literalmente, não causar dano. 
Algoritmos treinados com dados pouco representativos ou que 
reproduzem desigualdades históricas podem apresentar vieses 
relacionados, por exemplo, a raça/cor, sexo, idade, deficiência, 
condição socioeconômica ou território. Esses vieses podem resultar 
em menor precisão diagnóstica, subdiagnóstico ou tratamento 
inadequado para determinados grupos populacionais. Por isso, é 
fundamental identificar, monitorar e corrigir possíveis vieses nos 
dados e nos algoritmos, pois os danos podem não ser percebidos 
inicialmente, mas podem se acumular e atingir muitas pessoas 
quando a tecnologia é utilizada em larga escala.
Justiça é o princípio da distribuição equitativa dos benefícios e 
riscos da medicina. Tecnologias digitais, que só funcionam em 
internet de alta qualidade, telefones modernos, ou em 
determinadas línguas, podem excluir populações vulneráveis, 
ampliando desigualdades em saúde.
104
Não maleficência 
Justiça
A seguir, vamos aplicar esses princípios éticos em uma situação 
hipotética.
N
A
 P
R
Á
TI
CA
Imagine a situação em que uma médica da APS de 
UBS localizada na região Nordeste recebe, da 
Secretaria Municipal de Saúde, a oferta da utilização 
de um algoritmo de IA. Esse algoritmo tem a 
capacidade de:
1. acessar dados do prontuário eletrônico; 
2. identificar automaticamente o paciente com 
risco de não aderir adequadamente ao 
tratamento de hipertensão arterial;
3. enviar uma mensagem automática para esses 
pacientes.
O sistema parece eficiente,mas a médica percebe que 
o algoritmo foi treinado com dados de municípios da 
região Sul do Brasil, muito diferentes do perfil da sua 
UBS, localizada na região Nordeste. Ela nota, também, 
que as mensagens enviadas não têm a assinatura de 
nenhum profissional. 
105
v
A autonomia não é garantida, uma vez que as 
mensagens automáticas não identificam quem é o 
profissional responsável. Assim, o paciente não sabe 
com quem está interagindo.
Beneficência e não maleficência podem ser 
comprometidas por um algoritmo treinado em 
população diferente daquela em que está sendo 
aplicado, o que pode gerar classificações de risco 
erradas, recomendando intervenções desnecessárias, 
ou excluindo pacientes que precisariam de suporte. 
Quanto à justiça, é importante observar que se o 
algoritmo funcionou bem no Sul, não quer dizer que irá 
funcionar bem no Nordeste, podendo distribuir 
benefícios de forma desigual, especialmente, para 
populações que podem necessitar de mais de cuidado 
equitativo.
01
02
03
Quais seriam os possíveis problemas 
éticos nessa situação?
106
E qual deve ser a conduta da médica 
frente a essa situação?
Como profissional de saúde responsável pela atenção da 
população, ela tem a responsabilidade ética de questionar a 
adoção do algoritmo antes da sua implementação. Para isso, ela 
pode solicitar a validação do algoritmo para a população local 
antes de aceitar a sua adoção, exigir que as mensagens 
automáticas sejam identificadas com o nome e o registro 
profissional do responsável.
Propor que casos classificados como de alto risco sejam revisados 
pela profissional antes de qualquer ação automatizada, e 
documentar as suas preocupações formalmente, encaminhando 
para a gestão local, e, se necessário, para o Conselho de Saúde.
ATENÇÃO
Nesse exemplo, não há nenhum intuito de 
evitar ou atrasar a aplicação de novas 
tecnologias em prol da população. A 
preocupação reside em termos a capacidade 
de escolher, de forma consciente e 
responsável, algoritmos e ferramentas que 
possam, efetivamente, trazer benefícios 
adequados à população que queremos 
atender.
107
Uma questão que se coloca com frequência e que passaremos a 
analisar, a seguir, é:
RESPONSABILIDADE ÉTICA
O profissional de saúde é o responsável final pela decisão clínica, 
independente da utilização de qualquer ferramenta que possa ter 
apoiado essa decisão. Isso é o que está determinado pelas 
resoluções dos conselhos profissinais sobre telemedicina e sobre 
inteligência artificial.
Não importa se for utilizado um algoritmo de inteligência artificial 
ligado ao prontuário eletrônico ou outra ferramenta de IA, 
acessada pela internet – a utilização de qualquer tecnologia não 
retira a responsabilidade do médico, enfermeiro, odontólogo ou 
qualquer outro profissional de saúde, transferindo-a para o 
algoritmo. 
Quando um algoritmo de apoio à decisão 
clínica comete um erro e um paciente é 
prejudicado, quem deve ser responsável? 
Quais são as responsabilidades de cada 
um dos atores envolvidos na saúde digital?
108
O fabricante de um equipamento ou o desenvolvedor de uma 
ferramenta responde pela precisão declarada, pela ausência de 
defeitos e pela adequação do produto ao uso determinado. Ambos 
estão sujeitos à regulamentação da Anvisa para dispositivos 
médicos com inteligência artificial.
O gestor, seja ele da rede pública ou da instituição, responde pela 
decisão de adotar a ferramenta, pelo treinamento adequado dos 
profissionais que irão utilizá-la e pela supervisão do seu uso. 
Adotar uma tecnologia sem validação adequada é uma decisão 
institucional que pode ter consequências éticas e legais.
Já o Estado, assim como órgãos reguladores, responde pelo 
marco regulatório, pela definição de quais tecnologias podem ser 
utilizadas, em quais condições e com quais garantias para o 
cidadão.
Vamos ver um caso prático!
109
N
A
 P
R
Á
TI
CA
Um paciente chega à UPA referindo dor torácica. Ao 
passar pela triagem automatizada, um algoritmo de 
apoio à decisão clínica, instalado no prontuário 
eletrônico, classifica esse paciente como baixo risco e 
sugere que ele seja conduzido ambulatorialmente. 
O médico segue a recomendação do algoritmo e dá 
alta para o paciente sem realizar eletrocardiograma 
(ECG). O paciente evolui para infarto.
Neste caso, o médico é responsável 
pela decisão tomada. A sugestão do 
sistema deve ser vista, sempre, como 
apoio, e não como substituição ao 
julgamento clínico.
O fato de o algoritmo ter recomendado uma conduta não exime o 
médico de realizar uma avaliação completa, que o caso clínico 
demanda. 
Ferramentas de apoio à decisão são suporte e podem ser de 
grande auxílio no cotidiano assistencial, mas não são 
responsáveis delegados.
110
Sempre que se for realizar qualquer ato ou procedimento com um 
paciente, é necessária a coleta de um Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido (TCLE). Esse documento pode ser coletado de 
forma física ou digital, e deve permanecer armazenado junto do 
prontuário eletrônico do paciente. 
O consentimento informado é um direito do paciente, que 
permanece e se torna um pouco mais complexo, quando estamos 
em um contexto digital. É fundamental, do ponto de vista ético, que 
os pontos, a seguir, sejam adequadamente compreendidos e 
seguidos:
CONSENTIMENTO INFORMADO
O paciente deve ser informado quando será atendido ou 
monitorado por sistema automatizado, seja de forma 
parcial ou total.
Termos de consentimento, que são muito longos ou em 
linguagem técnica, podem não ser considerados como 
consentimento informado real, especialmente, para 
populações com menor escolaridade.
111
O paciente tem o direito de recusar o uso de ferramentas 
digitais e ser atendido por outro meio, sem que isso 
penalize o seu acesso ao cuidado.
Consentimento não é burocracia, é respeito! 
Segurança digital não é detalhe técnico, é dever moral! 
Privacidade não é obstáculo à inovação, é condição para 
que a inovação seja legítima.
O consentimento deve ser assinado, de preferência pelo próprio 
paciente, ou, quando não possível, pelo responsável por ele.
Dados coletados para telemonitoramento não podem ser 
utilizados para qualquer outra finalidade, sem que haja 
um novo consentimento específico para isso.
112
Interoperabilidade é a capacidade de sistemas de informação 
diferentes se comunicarem e trocarem dados de forma segura, 
padronizada e compreensível, sem que o usuário precise fazer isso 
de forma manual. 
A interoperabilidade possibilita a troca de informações entre 
instituições diferentes, permitindo que dados do paciente (sejam 
eles de anotações clínicas, de imagem, de exames 
complementares) possam ser compartilhados e acessados por 
profissionais de diferentes instituições.
12
INTEROPERABILIDADE DE 
DADOS
113
O cenário mais comum, ainda hoje, na maioria dos municípios, é, 
por exemplo, um paciente ser atendido na UBS com diagnóstico de 
diabetes e ter os seus dados armazenados no Prontuário 
Eletrônico e-SUS APS. Quando, porventura, esse paciente precisa 
ser internado em um hospital, como o Hospital Municipal, o 
sistema hospitalar não acessa o prontuário daquela UBS. 
A equipe médica e de enfermagem não tem acesso aos 
medicamentos em uso, às alergias ou ao histórico prévio de 
complicações desse paciente. O paciente precisa relatar tudo 
novamente, de memória, se puder. 
Com a interoperabilidade ativa (através da RNDS – Rede Nacional 
de Dados em Saúde), qualquer ponto da rede de atenção do SUS 
pode ser capaz de acessar o histórico clínico relevante do paciente, 
respeitando a segurança dos dados e as autorizações adequadas. 
114
A RNDS é a plataforma do Ministério da Saúde, que 
conecta os diferentes sistemas de saúde do Brasil (veja a 
Figura 08, a seguir). 
Dados sobre sumários de alta, vacinas, atendimentos, resultados 
de exames e dispensação de medicamentos já podem serconsultados (e a cada dia, novas capacidades são acrescentadas à 
RNDS). 
Para que esses dados possam ser trocados entre sistemas 
diferentes, é crucial que seja utilizada uma linguagem padronizada. 
O HL7 FHIR é o padrão internacional para troca de dados em 
saúde. Esse padrão define como as informações clínicas, os sinais 
vitais, os diagnósticos, os medicamentos e os exames são 
estruturados e transmitidos entre os sistemas.
113115
Fonte: elaborada pelo autor com apoio de IA (ChatGPT, 2026). 
Figura 08 ─ Ilustração de como funciona a 
interoperabilidade mediada pela RNDS
RNDS
(Rede Nacional de Dados em Saúde)
RNDS
CENTRAL HUB
HOSPITAL PRIVADO
INTEROPERABILIDADE FHIR HL7
HEALTH TECHS & CONSULTORIA
FONTE PÚBLICA
FONTE PRIVADA
GESTÃO ESTADUAL & MUNICIPAL
REDUÇÃO DE CUSTOS & ERROS
MEU SUS DIGITAL (PACIENTE)
QUALIDADE DO DADO É FUNDAMENTAL
LABORATÓRIO DE EXAMES
UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS)
A interoperabilidade depende da utilização adequada de 
terminologia padronizada. São exemplos de terminologia 
padronizada o CID (Código Internacional de Doenças), o CIAP 
(Classificação Internacional de Assistência Primária) e o SNOMED 
(Nomenclatura Médica Sistematizada, do inglês: "Systematized 
Nomenclature of Medicine"). O CIAP e o SNOMED são mais 
aplicados na assistência ao paciente, enquanto o CID oferece uma 
classificação estatística, utilizada para agrupar doenças em 
categorias epidemiológicas.
A qualidade dos dados que o profissional registra no Prontuário 
Eletrônico e-SUS APS, quando do atendimento na UBS ou 
domiciliar, afeta diretamente a qualidade da informação disponível 
em toda a rede. Essa informação fica disponível tanto para os 
profissionais de saúde, quanto para os gestores e para o próprio 
cidadão, através do MEU SUS DIGITAL – plataforma que dá acesso 
ao próprio cidadão para acessar o seu histórico de saúde.
116
Governança de dados em saúde é o conjunto de políticas, 
processos e responsabilidades, que garantem que os dados de 
saúde sejam coletados, utilizados e compartilhados de forma 
segura, ética e útil. É um equívoco considerar que a governança de 
dados em saúde seja somente um assunto dos trabalhadores da TI. 
O profissional da APS tem um papel central em todo o processo, 
porque é ele quem produz a maior parte dos dados clínicos que 
precisam ser registrados nos sistemas do SUS.
Cada atendimento registrado no Prontuário Eletrônico e-SUS-APS, 
cada vacina notificada, cada diagnóstico corretamente codificado, 
contribui para um ecossistema de dados estruturado, que alimenta 
a vigilância epidemiológica, o planejamento em saúde, as 
pesquisas em saúde pública e, acima de tudo, o cuidado de cada 
indivíduo.
É por meio da coleta e registro adequado de dados estruturados, 
que a vigilância epidemiológica pode identificar surtos, monitorar 
doenças crônicas e avaliar as coberturas vacinais. São os mesmos 
dados que permitem aos gestores alocar corretamente os recursos, 
definir prioridades e avaliar programas no planejamento de saúde 
de cada município.
GOVERNANÇA DE DADOS
117
Uma base de dados bem estruturada permite estudos 
populacionais, geração de evidências e avaliação de intervenções 
através de pesquisas em saúde pública, visando à melhoria de 
todo o Sistema Único de Saúde.
Cabe ao profissional da saúde registrar os atendimentos com 
qualidade e de forma completa, uma vez que dados incompletos 
ou incorretos do prontuário vão gerar informações incorretas para 
toda a rede. Caso o CID não seja especificado, e isso for repetido 
em múltiplos prontuários, a vigilância epidemiológica do município 
será comprometida.
Deve-se utilizar a terminologia padronizada (CID, CIAP, SNOMED). 
A padronização é o fundamento da interoperabilidade. 
Diagnósticos que são registrados em linguagem livre não podem 
ser cruzados com dados de outros sistemas.
Caso os dados sejam registrados inicialmente em meios físicos, 
como papel, é fundamental que eles sejam digitados com a mesma 
qualidade. A ausência temporária de conectividade por internet 
não justifica registros incompletos.
118
05
Finalizando
Nesta disciplina, percorremos um caminho que vai do conceito à 
prática. Compreendemos o que é a Saúde Digital, identificamos 
quais são as modalidades de telessaúde e aprendemos a utilizá-las 
com segurança. 
Aqui também desenvolvemos um olhar crítico para as tecnologias 
emergentes, atentando para a importância das dimensões éticas e 
de governança que moldam o uso responsável de dados em saúde.
E agora?
120
PARA REFLETIR
Qual será o seu papel nessa transformação digital? 
Passivo ou ativo? 
Você será um espectador das tecnologias que chegam 
prontas, ou será um profissional capaz de questionar, 
avaliar e contribuir efetivamente com dados de qualidade, 
defendendo os direitos do seu paciente no mundo digital?
O convite que fazemos não é apenas para a adoção tecnológica, 
mas para o engajamento crítico. Seja um agente ativo na defesa 
dos direitos do paciente, na ética algorítmica e na construção de 
um SUS cada vez mais conectado, resolutivo e humano. 
121
06
Bibliografia
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123
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LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 01
As sete prioridades do plano de ação 
21
FIGURA 02
Rede Nacional de Dados em Saúde
25
FIGURA 03
Aplicativo Meu SUS Digital
27
FIGURA 04
Domínios do Índice Nacional de Maturidade Digital 
em Saúde Digital
38
FIGURA 05
Etapas de uma teleconsulta
81
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 06
Retinógrafo Portátil não midriático 
88
FIGURA 07
Ultrassom POC
89
FIGURA 08
Ilustração de como funciona a interoperabilidade 
mediada pela RNDS
115
QUADRO 01
Aplicações de alguns eixos do Plano de Ação ESD28 na 
APS
22
QUADRO 02
Permissões segundo a LGPD
30
QUADRO 03
Pontos principais da resolução nº 2.454
93
LISTA DE QUADROS E TABELAS
Saúde Digital
Telessaúde
SU
M
Á
R
IO
01
02
03
13
45
82Tecnologias Emergentes
SU
M
Á
R
IO
Ética Digital e Interoperabilidade 
em Saúde
Finalizando
04
05
06
102
119
122Bibliografia
01
Saúde Digital
A Saúde Digital é muito mais do que a simples adoção de novos 
equipamentos. Ela representa um campo amplo, que utiliza as 
Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) para 
transformar o cuidado, a gestão e a produção de informações em 
saúde. 
Diferentemente de termos mais restritos, como e-Saúde, a Saúde 
Digital incorpora avanços tecnológicos recentes e disruptivos, 
como a Inteligência Artificial (IA), a Internet das Coisas (IoT), a 
realidade aumentada e virtual, para conectar cidadãos, 
profissionais e gestores em um ecossistema de dados mais 
confiável e eficiente.
Para a Atenção Primária à Saúde (APS), essa transição é 
estratégica. Por ser a porta de entrada preferencial do Sistema 
Único de Saúde (SUS), a APS ocupa uma posição central na 
adoção dessas tecnologias, que facilitam desde o registro clínico e 
o acompanhamento longitudinal dos pacientes até o acesso a 
suporte especializado, sem a necessidade de encaminhamentos 
desnecessários. 
14
Quando bem utilizada, a tecnologia 
amplia o acesso, qualifica o 
monitoramento de condições crônicas 
e torna a gestão mais eficiente, 
liberando tempo para o que é 
essencial: o cuidado direto ao 
usuário.
Com o intuito de aprofundar o entendimento sobre o assunto, 
torna-se necessário definir e delimitar o alcance de outros 
conceitos frequentemente utilizados, tais como:
Telessaúde
Termo amplo, que engloba todas as áreas de saúde que podem ser 
exercidas a distância, através do uso das tecnologias de 
informação e comunicação para transferir informações de dados e 
serviços clínicos, administrativos e educacionais em saúde, por 
profissionais de saúde, respeitadas suas competências legais 
(Brasil, Ministério da Saúde, SEIDIGI, 2023).
Telemedicina
É o exercício remoto da medicina, mediado por Tecnologias Digitais 
de Informação e de Comunicação, para fins de assistência, 
educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões, gestão e 
promoção de saúde (Wen CL, 2022; CFM, 2022).
A Telemedicina, de acordo com o Prof. Alexandre Taleb (2022), 
apresenta-se como um novo modo de cuidar. O paciente pode ser 
cuidado clinicamente (na maioria dos casos), cirurgicamente (em 
quadros específicos) ou virtualmente (quando conveniente e 
seguro). 
15
A Atenção Primária à Saúde 
(APS) é a porta de entrada 
preferencial do SUS e o ponto 
mais frequente de contato entre 
os usuários com o Sistema Único 
de Saúde.
POR QUE É IMPORTANTE 
CONHECER A SAÚDE DIGITAL?
Isso faz com que os profissionais da APS atuem em uma posição 
central na adoção de tecnologias digitais, seja para registrar 
informações, coordenar o cuidado, monitorar o cuidado longitudinal 
de pacientes a distância, ou acessar suporte especializado sem, 
necessariamente, ter que encaminhar o paciente para outras 
Unidades.
16
E-saúde
É a utilização de ferramentas eletrônicas e internet para auxiliar os 
processos da saúde, oferecer serviços e divulgar informações sobre 
o setor. São exemplos de e-saúde: Prontuário eletrônico (e-SUS 
APS, e-SUS Território, e-SUS Vacinação, e-SUS Atividade Coletiva, 
e-SUS AD e Gestão, agendamento on-line) (Brasil, Ministério da 
Saúde, SEIDIGI, 2023).
M-saúde
É a utilização de dispositivos móveis (vestíveis, celulares, tablets) 
para a Saúde. São exemplos de m-saúde: relógios com sensores 
(smart watches), aplicativos de monitoramento de glicemia ou 
pressão arterial, lembretes de consultas ou agendamentos por 
mensagens eletrônicas. (Brasil, Ministério da Saúde, SEIDIGI, 
2023).
Aqui, usaremos com maior frequência o termo Saúde 
Digital.
17
Estudos indicam que o uso adequado das ferramentas digitais na 
APS pode:
reduzir encaminhamentos desnecessários para 
especialistas (Flodgren et al., 2015);
melhorar o monitoramento de condições crônicas 
(hipertensão arterial, diabetes, saúde mental etc.), (OMS, 
2021);
ampliar o acesso ao cuidado de populações em territórios 
remotos ou com dificuldade de locomoção (Katz et al. 
2020);
aumentar a eficiência da gestão, permitindo que haja mais 
tempo para o cuidado direto ao usuário.
Somente é possível aproveitar os benefícios da tecnologia 
se soubermos utilizá-la com segurança, conhecendo e 
respeitando os seus limites e entendendo o contexto 
regulatório, assunto que abordaremos, a seguir.
ATENÇÃO!
18
A transformação digital na saúde brasileira ganhou força nos 
últimos anos, especialmente, com a criação da Estratégia de 
Saúde Digital do Brasil 2020–2028 (ESD28). Instituída pelo 
Ministério da Saúde, por meio da Portaria GM/MS nº 3.632, de 21 
de dezembro de 2020. 
Essa estratégia passou a orientar a modernização do sistema de 
saúde em todo o país, organizando-a em três eixos principais e 
sete prioridades, que estruturam o avanço da saúde digital.
ESTRATÉGIA DE SAÚDE DIGITAL BRASIL 
2020-2028 (ESD28)
MARCOS REGULATÓRIOS 
DE SAÚDE DIGITAL
19
01 Ações do Ministério da Saúde para o SUS.
02
03
Definição de critérios e diretrizes regulatórias de 
cooperação.
Implantação de um ecossistema propício para a 
colaboração integrada.
A Figura 01, a seguir, ilustra, detalhadamente, o conjunto de sete 
prioridades que orientam o desenvolvimento da saúde digital no 
país e têm impacto prático na Atenção Primária à Saúde (APS):
A ESD28 veio para sistematizar e consolidar o trabalho realizado 
na década anterior pela Política Nacional de Informação e 
Informática em Saúde, PNIIS (Brasil, 2015), que já propunha as 
bases da saúde digital integradas às diretrizes do Plano Nacional 
de Saúde (Brasil, 2016). 
A visão estratégica que orienta a ESD28 estabelece que, até 2028, 
a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) estará consolidada 
e amplamente reconhecida como a principal plataforma nacional 
de inovação, informação e serviços de saúde. Essa plataforma 
deverá beneficiar diretamente cidadãos, pacientes, comunidades, 
equipes de saúde, gestores e instituições, ao permitir que dados 
circulem de maneira segura, padronizada e integrada em toda a 
rede do SUS. 
A atuação está organizada sob três grandes eixos:
20
Fonte: Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028.
Figura 01 ─ As sete prioridades do plano de ação 
Garantir que a ESD28 seja desenvolvida sob a liderança do 
Ministério da Saúde, mas que, ao mesmo tempo, seja capaz 
de incorporar a contribuição ativa dos atores externos que 
participem das plataformas de colaboração.
Induzir a implementação de políticas de informatização dos 
sistemas de saúde, acelerando a adoção de sistemas de 
prontuários eletrônicos e de gestão hospitalar como parte 
integradora dos serviços e processos de saúde.
Fazer com que a RNDS ofereça suporte às melhores práticas 
clínicas, por meio de serviços, como telessaúde, e Apps 
desenvolvidos no MS, e, também, outras aplicações que sejam 
desenvolvidos pela plataforma de colaboração.
Engajamento de pacientes e cidadãos, para promover a 
adoção de hábitos saudáveis e o gerenciamento de sua saúde, 
da sua família e da sua comunidade, além de auxiliarna 
construção dos sistemas de informação que irão utilizar.
Capacitar profissionais de saúde em Informática em Saúde e 
garantir o reconhecimento da Informática em Saúde como 
área de pesquisa e o especialista em Informática em Saúde.
Permitir que a Rede Nacional de Dados em Saúde 
potencialize o trabalho colaborativo em todos os setores da 
saúde para que tecnologias, conceitos, padrões, modelos de 
serviços, políticas e regulações sejam postos em prática.
Garantir que exista um Ecossistema de Inovação, que 
aproveite ao máximo o Ambiente de Interconectividade em 
Saúde, estabelecendo-se como um grande laboratório de 
inovação aberta, sujeito às diretrizes, normas e políticas 
estabelecidas na da prioridade 1.
21
Destacamos algumas das sete prioridades do Plano de ação (cf. 
Quadro 01), que possuem relevância e aplicação prática direta no 
cenário da Atenção Primária à Saúde:
Fonte: elaborado pelo autor, 2026. 
Quadro 01 ─ Aplicações de alguns eixos do Plano de 
Ação ESD28 na APS
Saúde Digital para 
o Cidadão
Portais, aplicativos e serviços digitais 
para o usuário. 
Exemplo: Meu SUS Digital.
Saúde Digital para 
Profissionais
Ferramentas de apoio ao trabalho clínico 
e apoio à decisão. 
Exemplo: Prontuário eletrônico (e-SUS 
APS), telessaúde, Meu SUS Digital 
Profissional.
Governança e Análise 
de Dados
Uso de dados para vigilância, gestão e 
pesquisa, com privacidade e segurança. 
Exemplo: painéis epidemiológicos do 
CONASS/CONASEMS, SUS Digital 
Gestor, Painéis do DEMAS, Projeto de 
Federalização da RNDS. 
Infraestrutura e 
Conectividade
Computadores, equipamentos de 
telediagnóstico, garantia de acesso à 
internet e sistemas nas Unidades de 
Saúde (especialmente, em regiões 
vulneráveis).
EIXO APLICAÇÃO NA APS
22
A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) não se configura 
como um sistema de informação isolado, mas, sim, como uma 
plataforma nacional com plena capacidade de interoperar dados 
de saúde de diversas origens. Por meio dela, é possível receber e 
disponibilizar informações clínicas desde que sejam seguidos os 
padrões e modelos estabelecidos.
Essa estrutura permite superar barreiras históricas, como limites 
geográficos, fragmentação de setores e a falta de integração entre 
sistemas informatizados. 
REDE NACIONAL DE DADOS EM SAÚDE (RNDS)
23
De forma prática, assegura-se a cidadãos, profissionais e gestores 
o acesso integral a dados de saúde, o que fomenta a continuidade 
do cuidado e o engajamento da população. 
Interoperar dados significa viabilizar informações oportunas e 
completas, para fundamentar decisões e promover um cuidado 
centrado no cidadão. Instituída pelo Ministério da Saúde, com foco 
em segurança e padronização, a RNDS viabiliza o 
compartilhamento de registros clínicos para que possam ser 
consultados em qualquer ponto da rede do SUS. Adicionalmente, a 
plataforma atua mitigando assimetrias, inequidades e divisões 
geradas por processos desiguais de digitalização nos variados 
territórios do país.
Isso significa, na prática, que se um paciente realizar exames, 
receber vacinas ou passar por internações em municípios distintos, 
todo o seu histórico estará acessível para o médico na Unidade 
Básica de Saúde (UBS), sem que o cidadão precise carregar 
documentos físicos. Esses fluxos ocorrem sob estrito respeito a 
diretrizes legais e de segurança da informação, como as dispostas 
na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
24
Figura 02 ─ Rede Nacional de Dados em Saúde
Fonte: Brasil, 2020, p. 21.
Nesta figura, relembre a representação gráfica da Rede Nacional 
de Dados em Saúde:
25
O SuperAPP Meu SUS Digital é a interface da RNDS para o 
cidadão, agregando todos os dados de saúde do usuário 
disponíveis na RNDS. Dessa maneira, o cidadão tem acesso a todo 
o seu histórico vacinal, atendimentos clínicos, prescrições e 
dispensações de medicamentos, atestados médico-odontológicos, 
entre outros. Além disso, oferece uma série de serviços voltados 
para o cidadão, tais como: emissão de autorizações para obtenção 
de absorventes no Programa Farmácia Popular do Brasil, alteração 
de dados cadastrais no SUS, consultas georreferenciadas à rede 
assistencial e inclusão de informações pessoais (alergias e 
contatos).
PLATAFORMAS DE ACESSO E ECOSSISTEMA 
DIGITAL
Meu SUS Digital
26
Constituído por mini aplicativos integrados, aproxima-se das 
necessidades cotidianas do cidadão em áreas como doação de 
sangue, informações específicas para a primeira infância, 
gestantes, adolescentes e idosos, serviços de transplante de 
órgãos, entre outros. 
O Meu SUS Digital é uma plataforma de comunicação direta com o 
cidadão, por meio da publicação contínua de conteúdos atualizados 
sobre o SUS e envio de notificações com conteúdos informativos 
de interesse do cidadão. Está disponível tanto na internet quanto 
para download nas lojas de aplicativos. Ele reúne todas as suas 
informações de saúde em um único lugar.
Fonte: Meu SUS Digital, 2026. Disponível em: https://meususdigital.saude.gov.br. Acesso em: 21 jul. 
2026.
Figura 03 ─ Aplicativo Meu SUS Digital
27
https://meususdigital.saude.gov.br/
Para os profissionais de saúde, o Sistema SUS Digital Profissional 
permite o acesso ao histórico clínico dos pacientes proveniente da 
RNDS (atendimentos, exames, vacinas, prescrições, dispensação, 
atestados, regulação assistencial e internações) diretamente, no 
momento da assistência. 
Integrado a prontuários eletrônicos como o e-SUS APS, garante a 
visão longitudinal da saúde independentemente do sistema de 
coleta utilizado.
SUS Digital Profissional
SUS Digital Gestor
No âmbito da gestão, o SUS Digital Gestor consome os dados da 
RNDS para fornecer visões consolidadas, integradas e executivas 
do território. Disponível para gestores federais, estaduais, 
municipais e de estabelecimentos de saúde, a plataforma oferece 
um conjunto de informações robusto, a fim de subsidiar a tomada 
de decisão baseada em evidências.
28
12
IMPORTANTE
104
29
Para assegurar a plena interoperabilidade e permitir que 
dados gerados em diferentes ecossistemas conversem 
entre si, as informações inseridas nos sistemas de saúde 
precisam ser estruturadas conforme padrões 
internacionais reconhecidos, a exemplo do HL7 FHIR, 
adotado pelo Ministério da Saúde no escopo da RNDS. 
Esses referenciais padronizam globalmente a organização 
de dados de diagnósticos, medicamentos e exames. 
No dia a dia da Atenção Primária à Saúde (APS), isso 
significa que um registro bem preenchido e qualificado no 
e‑SUS APS não fica restrito à unidade onde foi realizado. 
Ele passa a estar imediatamente disponível para outros 
pontos da rede assistencial, contribuindo para a 
continuidade do cuidado, e para que cada profissional 
tenha acesso às informações necessárias para atender o 
cidadão de forma integral. 
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), regulamentada pela Lei 
nº 13.709/2018, dita as normas para o tratamento, 
armazenamento, coleta e compartilhamento de informações 
pessoais, com rigor especial sobre os dados sensíveis da área da 
saúde. Para os profissionais que atuam na Atenção Primária à 
Saúde, é indispensável compreender os limites e as autorizações 
regulamentares estabelecidos por essa legislação.
LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS (LGPD) 
NO ÂMBITO DA SAÚDE
Fonte: elaborado pelo autor, 2026. 
Quadro 02 ─ Permissões segundo a LGPD
● Usar dados do paciente para 
o seu cuidado direto.
● Compartilhar dados com a 
equipe responsável pelo 
cuidado, resguardados os 
princípios éticos de cada 
categoria profissional.
● Enviar dados à RNDS, 
conforme regras normativas.
● Fotografar prontuário e 
enviar por WhatsApp.
● Compartilhar dados com 
terceiros sem consentimento 
do paciente.
● Usar dados de pacientes em 
redes sociais.
É PERMITIDO NÃO É PERMITIDO
30
Adverte-se que o uso de ferramentas de mensagens instantâneas 
comuns (como o WhatsApp) em dispositivosparticulares configura 
um canal de vulnerabilidade e potencial violação dos preceitos 
da LGPD, apesar de sua ampla adoção cotidiana. Por se tratar de 
informações sensíveis, os dados assistenciais requerem rigorosos 
mecanismos de proteção digital, tais como controle de acessos, 
criptografia robusta e ferramentas antivírus de padrão institucional. 
Recomenda-se evitar esses canais informais para o 
manuseio de dados de pacientes. 
Para a articulação e comunicação entre a equipe de saúde, o e-SUS 
APS disponibiliza o módulo dedicado de compartilhamento de 
cuidado. O protocolo ideal exige a utilização contínua de 
plataformas institucionais devidamente homologadas e 
protegidas por camadas complementares de segurança, incluindo 
auditoria de acessos (logs), antivírus corporativo e o uso de redes 
virtuais privadas (VPN).
31
Além da LGPD, o país avança na estruturação de marcos 
regulatórios específicos para a incorporação de soluções de 
Inteligência Artificial no setor público. Destacam-se, nesse cenário, 
a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA) e o 
Framework de Autoavaliação de Impacto Ético em Inteligência 
Artificial no Setor Público Federal, sob coordenação do Ministério 
da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Esses dispositivos legais preconizam que qualquer tecnologia 
baseada em IA aplicada ao setor de saúde incorpore, desde sua 
modelagem inicial, a proteção irrestrita de dados pessoais, a 
transparência dos algoritmos e o princípio da equidade. Para a 
APS, isso significa que ferramentas de IA, sejam de apoio à decisão 
clínica ou de gestão, devem ser usadas com consciência de seus 
limites e do contexto regulatório em formação. 
32
ESTRATÉGIAS GLOBAIS DE SAÚDE DIGITAL
Haddad e Lima (2024) apontam que, no cenário internacional, a 
Estratégia Global de Saúde Digital da Organização Mundial da 
Saúde (OMS) consolida-se em apoio aos esforços dos sistemas de 
saúde voltados ao alcance da cobertura universal de saúde. 
Sob essa perspectiva, a saúde digital é definida como o campo do 
conhecimento e da prática associado ao desenvolvimento e ao 
uso de tecnologias digitais para melhorar a saúde.
Em consonância, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) 
lançou, em 2019, o Plano de Ação para o Fortalecimento dos 
Sistemas de Informação para a Saúde, estruturado por meio de 
metas e indicadores, que respondem a quatro linhas principais:
01 Gestão e governança dos sistemas de saúde.
02 Gestão de dados e tecnologias de informação.
03 Informação e gestão de conhecimentos.
04 Inovação, integração e convergência.
33
Essas ações internacionais somam-se às iniciativas do Ministério 
da Saúde (MS) do Brasil, como a Estratégia de Saúde Digital 
2020-2028 e as ações de telemedicina e telessaúde, iniciadas em 
2007, com o Programa Nacional Telemática em Apoio à Atenção 
Primária à Saúde no Brasil, conduzido pelo MS em conjunto com 
nove universidades públicas brasileiras, que evoluíram para o 
Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes, e que, atualmente, 
está integrado ao Programa SUS Digital e a ação estratégica SUS 
Digital – Telessaúde.
A criação da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), 
no Ministério da Saúde, em 2023, formalizou o reconhecimento 
institucional da Saúde Digital como política pública de Estado para 
a população brasileira. A Secretaria de Atenção Primária à Saúde 
(SAPS), também, atua no fortalecimento das ações de saúde 
digital na APS, a partir de coordenações técnicas e estratégias 
ampliadas. 
A seguir, trataremos sobre a Saúde Digital na UBS.
34
O Brasil é um país continental, no qual convivemos com 
acentuadas disparidades econômicas, sociais e educacionais que 
repercutem diretamente no acesso à infraestrutura tecnológica. 
Essa realidade varia enormemente entre as grandes regiões do 
país, no interior dos municípios, e, até mesmo, entre diferentes 
Unidades de Saúde de uma mesma localidade. 
Enquanto determinados serviços já operam com recursos 
avançados de saúde digital, como prontuário eletrônico 
plenamente integrado, teleconsultoria estruturada, suporte por 
telediagnóstico e monitoramento clínico remoto, outras localidades 
ainda enfrentam barreiras básicas, como a falta de conectividade, a 
insuficiência de computadores e a necessidade de capacitação de 
recursos humanos, trabalhando, essencialmente, com registros em 
papel.
SAÚDE DIGITAL NA UBS
35
É importante reconhecer o estado de maturidade digital de cada 
município e de suas respectivas Unidades Básicas de Saúde. 
MATURIDADE DIGITAL EM SAÚDE
O conceito de maturidade digital em saúde reconhece essas 
diferenças e propõe que cada serviço evolua de maneira 
gradual e contínua, respeitando a realidade local e evitando 
tanto a estagnação quanto a imposição de metas 
incompatíveis com a infraestrutura disponível.
Em 2024, por meio da Portaria GM/MS 3.727 (21/05/2024), o 
Ministério da Saúde criou o Índice Nacional de Maturidade em 
Saúde Digital (INMSD). Vinculada ao programa SUS Digital, essa 
ferramenta visa diagnosticar o estágio da transformação digital 
dos municípios, estados e do Distrito Federal. 
A sua aplicação se dá por meio de um questionário, com 42 
questões, focado em 7 domínios: 
01 Gestão e governança em saúde digital.
02 Formação e desenvolvimento profissional.
36
03 Sistemas e plataformas de interoperabilidade.
04 Telessaúde e serviços digitais.
A partir dos resultados obtidos por meio desse índice (INMSD), 
foram elaborados planos de ação para melhoria da transformação 
digital em saúde pública, que serão acompanhados e monitorados 
pelo Ministério da Saúde, buscando equidade e ampliação de 
acesso (cf. Figura 04, a seguir).
05 Infoestrutura.
06 Monitoramento, avaliação e disseminação de 
informações.
07 Infraestrutura e segurança.
Para acessar a Portaria GM/MS nº 
3.727/2024, clique aqui ou escaneie o 
QR Code.
37
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2024/prt3727_22_05_2024.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2024/prt3727_22_05_2024.html
Fonte: Haddad, 2024.
Figura 04 ─ Domínios do Índice Nacional de 
Maturidade Digital em Saúde Digital
38
Antes de avançarmos para as ferramentas e modalidades de 
saúde digital, é de suma importância mapear os recursos 
tecnológicos já implantados e avaliar sua efetividade no cotidiano 
da Unidade Básica de Saúde em que você trabalha.
Acompanhe exemplos de ferramentas digitais, que já estão 
incorporadas à rotina de trabalho de muitas UBSs:
MAPEANDO A REALIDADE DO TEU SERVIÇO
Ecossistema digital voltado para o registro estruturado das 
informações clínicas dos cidadãos atendidos no âmbito da APS. 
Disponibiliza tecnologias seguras, que apoiam a atuação das 
equipes profissionais e qualificam a gestão assistencial, 
fornecendo recursos como o prontuário eletrônico do cidadão, 
fichas de atendimento individualizado e o registro eletrônico das 
visitas domiciliares efetuadas por ACS e TACS.
Para conhecer o e-SUS APS, clique aqui 
ou escaneie o QR Code.
e-SUS APS
39
https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/
https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/
Aplicativo móvel destinado à gestão e monitoramento do território. 
Otimiza as atividades práticas dos ACS, ACE e AAS, assegurando 
um registro rápido e confiável das ações diretamente em campo, 
com capacidade de funcionamento off-line durante as coletas de 
dados.
Aplicativo que auxilia no registro de dados de imunizações 
realizadas em ações de vacinação fora do estabelecimento de 
saúde.
Aplicativo para documentar de forma centralizada as ações 
coletivas realizadas pelas equipes de profissionais da APS.
e-SUS Território
e-SUS Vacinação
e-SUS Atividade Coletiva
40
Ferramenta analítica para aperfeiçoar o acompanhamento dos 
dados gerados pelos serviços de saúde. Permite um acesso rápido 
e prático às informações, fortalecendo a tomada de decisão 
estratégica de gestores locaise municipais.
Aplicativo projetado para auxiliar os Serviços de Atenção 
Domiciliar, viabilizando o preenchimento de dados assistenciais no 
próprio local do atendimento ao paciente.
Para acessar essas ferramentas, clique 
aqui ou escaneie o QR Code.
e-SUS AD
Gestão SUS APS
41
https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/
https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/
https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/esusaps/
Plataforma eletrônica direcionada ao cidadão, permitindo acesso 
direto a: cartão de vacinação, resultado de exames, medicamentos 
retirados, carteira do idoso e caderneta do recém-nascido. Oferece 
a todo cidadão brasileiro um “espelho” do trabalho registrado 
pelas equipes de saúde.
Ambientes digitais voltados para teleconsultorias e 
telediagnósticos, englobando os sistemas operados pelos núcleos 
estaduais de telessaúde e soluções privadas. Adicionalmente, o 
e-SUS APS conta com recursos nativos integrados para suporte 
em telessaúde.
Meu SUS Digital, sistemas municipais ou estaduais, integrados ou 
não ao e-SUS.
Meu SUS digital
Plataformas de telessaúde
Sistemas de agendamento eletrônico
42
Utilização institucional de canais (como WhatsApp ou Telegram) 
para o envio de lembretes de consultas, avisos gerais e orientações 
posteriores ao atendimento. Devem possuir uso rigorosamente 
restrito e administrativo, exigindo vigilância máxima, para evitar o 
compartilhamento de dados sensíveis ou informações clínicas dos 
usuários, visando garantir a segurança da informação e a 
conformidade com a LGPD.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre essas 
ferramentas, assista à teleaula da disciplina em nosso 
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)! 
DICA!
39
Aplicativos de Mensagens Instantâneas
43
A
G
O
R
A
 É
 S
U
A
 V
EZ
Considerando o contexto específico da sua Unidade 
de Saúde, faça uma análise crítica e reflita:
Vamos refletir!
Quais ferramentas digitais você usa na sua 
prática profissional diária?
Quais soluções digitais apresentam um 
desempenho satisfatório?
Quais são os contratempos técnicos 
enfrentados com maior frequência?
Em quais situações práticas a tecnologia 
acaba gerando entraves, ou atrasando a 
assistência direta ao usuário?
Em quais momentos os recursos 
tecnológicos otimizam ou agilizam as 
linhas de cuidado do usuário?
ATENÇÃO
Anote suas respostas. 
Voltaremos a elas, em breve!
44
02
Telessaúde
42
MARCOS REGULATÓRIOS DE 
TELESSAÚDE 
A Telessaúde consiste na utilização de tecnologias digitais de 
informação e comunicação para a prestação de serviços de 
saúde de forma remota. 
No Brasil, a Telessaúde dispõe de marcos normativos 
consolidados. Foi regulamentada, inicialmente, em 2002, com 
limitações, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), e, 
posteriormente, pelo Ministério da Saúde, desde 2007, com a 
criação do Projeto Piloto de Telemática em apoio à Atenção 
Primária à Saúde. Foi durante a pandemia de COVID-19 que 
novos marcos regulatórios foram editados, e posteriormente 
consolidados, gerando o atual arcabouço legal da telessaúde.
46
Atualmente, os principais instrumentos são:
Lei n˚ 14.510, de 27 de Dezembro de 2022
Regulamenta a telemedicina em caráter permanente, 
no Brasil.
Resolução CFM n˚ 2314/2022 
Regulamenta a telemedicina 
Portaria GM/MS n˚ 3.232/2024 
Institui o Programa SUS Digital.
Portaria GM/MS n˚ 3.691/2024 
Institui a Ação Estratégica SUS Digital, Telessaúde.
59
Há, ainda, as resoluções dos conselhos profissionais (CFM, COFEN, 
CFO, CFP, CFN etc.) sobre as permissões e limitações de cada 
profissional de saúde quanto à telessaúde e à saúde digital.
47
Agora, saiba quais são os principais 
pontos da Lei 14.510/2022, que 
permite a prática da telemedicina 
e da telessaúde em todo o 
território nacional: 
A teleconsulta é permitida para qualquer situação 
clínica em que o profissional julgue que o atendimento 
remoto é adequado. 
O paciente deve sempre consentir e esse consentimento 
deve ser documentado (preferencialmente, por escrito 
ou meio eletrônico registrável). 
O profissional deve registrar o atendimento em 
prontuário. 
A telessaúde não elimina a responsabilidade clínica - o 
vínculo e a responsabilidade pelo cuidado continuam 
sendo do profissional que atende.
Os atendimentos devem respeitar a privacidade, 
confidencialidade dos dados e as normas da Lei Geral 
de Proteção de Dados (LGPD).
A seguir, trataremos sobre as modalidades de telessaúde.
48
A Portaria GM/MS nº 3.691/2024 estruturou a Ação Estratégica 
SUS Digital e definiu suas modalidades. Abaixo, apresentamos 
essas modalidades, com destaque para as cinco que são 
consideradas centrais para a organização da telessaúde no 
contexto do SUS: 
MODALIDADES DE 
TELESSAÚDE
Cada uma possui objetivos específicos, públicos envolvidos e 
regras próprias. Conhecer e saber distinguir essas modalidades é 
fundamental, para evitar erros comuns, com sérias consequências 
práticas. 
1. Teleconsultoria 
2. Teletriagem 
3. Teleconsulta
4. Telediagnóstico 
5. Telemonitoramento
6. Teleinterconsulta
7. Teleducação
8. Telerregulação
9. Teleorientação 
SUS
49
A partir desse conhecimento somos capazes de escolher a 
adequada modalidade de atendimento, evitando situações como 
estas: 
● realizar uma teleconsultoria quando o paciente necessita de 
uma teleconsulta;
● tentar fazer o telemonitoramento em resposta a valores de 
exames alterados sem um protocolo definido, quando a real 
necessidade é um telediagnóstico. 
Também é imprescindível saber identificar as 
limitações dessas ferramentas digitais e indicar a 
consulta presencial sempre que a situação exigir.
Agora, vamos aprofundar nas cinco modalidades mais usadas no 
contexto do SUS: 
1. Teleconsultoria 
2. Teleconsulta
3. Telediagnóstico 
4. Telemonitoramento
5. Telerregulação
SUS
50
TELECONSULTA
O QUE É
Atendimento clínico direto ao paciente realizado à 
distância, por profissional de saúde, por meio de 
tecnologia digital.
QUEM PARTICIPA?
Profissional de saúde habilitado, paciente com ou 
sem cuidador.
QUANDO USAR?
Queixas sem necessidade de exame físico 
presencial, segmento de condições já 
diagnosticadas, retorno de exames solicitados, 
Renovação de receitas com a avaliação do 
profissional.
51
QUANDO NÃO USAR
Usuários com condições crônicas, que requeiram 
acompanhamento de longo prazo, devem ser 
avaliados de forma presencial, a cada 180 dias. 
Quando o paciente demandar uma consulta 
presencial (Resolução CFM nº 2.314/2022).
São exemplos de quando não realizar uma teleconsulta:
EXEMPLOS NA APS
● Paciente com hipertensão se queixa de cefaleia para 
o ACS, em visita domiciliar. O ACS aciona a UBS e 
oportuniza uma consulta com a médica da equipe 
que avalia, por vídeo chamada, e decide se há 
urgência.
● Seguimento pós-parto de puérperas por enfermeira.
52
● Presença de sinais de urgência e emergência, como dor 
torácica aguda, déficit neurológico súbito ou dificuldade 
respiratória intensa.
44
A teleconsulta não é um substituto à consulta presencial. Ela 
deve ser inserida de forma organizada na agenda de 
atendimento da equipe, com pactuação e treinamento prévios. 
Não deve ser usada em urgência, quadros de dor aguda com 
dor intensa ou necessidade de exame físico detalhado.
LIMITE IMPORTANTE
● Necessidade de exame físico detalhado para o 
diagnóstico.
● Necessidade de realização de procedimentos, como 
curativos suturas ou coleta de material.
● Situações em que o paciente não tem habilidade para 
acesso, nem condições para lidar com a tecnologia 
necessária para uma teleconsulta. 
53
N
A
 P
R
Á
TI
CA
Teleconsulta na prática
Dona Teresa, 62 anos, hipertensa, em 
acompanhamento na UBS, há 6 anos, liga para a 
Unidade, às 11h, de uma segunda-feira, relatando 
cefaleia, iniciada 2 horas antes, com intensidade 6/10, 
sem déficit neurológico, sem alterações visuais e sem 
vômitos. Havia aferido sua pressão arterialem casa, 
que estava em 148x92 mmHg. Pergunta se precisaria 
ir à Unidade de Saúde ou se poderia continuar em 
casa. 
A enfermeira Carla passa o 
caso para o Dr. César, 
médico de família e 
comunidade, que decide 
realizar uma teleconsulta 
com dona Teresa, via o 
módulo integrado de 
videochamada do Prontuário 
Eletrônico e-SUS APS.
54
Na condução do caso, o Dr. César seguiu o roteiro preconizado:
01
Confirmou a identidade da paciente e obteve 
consentimento verbal (que ele registrou no prontuário 
eletrônico).
02
Explorou a queixa da paciente, identificando o início, 
intensidade, irradiação, fatores de melhora ou piora e 
sintomas associados.
03
Verificou se sinais de alerta estavam presentes: déficit 
motor, alteração visual, confusão, intensidade da dor, 
forma de início. Como o início não havia sido súbito, a 
dor não era de máxima intensidade e os outros sinais de 
alerta não estavam presentes, não havia necessidade 
de encaminhamento para a urgência.
04
Orientou a aferição da Pressão Arterial (PA) no 
domicílio, ou em uma farmácia próxima, caso a paciente 
não pudesse vir aferir na UBS, pedindo que o resultado 
fosse informado.
05
Decidiu-se pela orientação domiciliar, ajustou-se a 
medicação por teleconsulta e solicitou retorno 
presencial, que já foi agendado no momento do término 
do atendimento.
55
06
Registrou a teleconsulta, preenchendo adequadamente 
o SOAP no Prontuário Eletrônico e-SUS APS. 
Registrando as orientações, prescrições e demais 
informações pertinentes ao atendimento. 
Se Dona Teresa houvesse relatado cefaleia súbita, de 
máxima intensidade, acompanhada de confusão 
mental, e/ou alteração visual como perda de campo 
visual ou de acuidade, presença de algum déficit 
neurológico focal, como redução da força de um 
membro ou dificuldade de fala, somente a 
teleconsulta não seria suficiente. Seriam necessários 
o acionamento do SAMU e a orientação para 
atendimento de urgência presencial imediato.
ATENÇÃO
56
TELECONSULTORIA
O QUE É
Consulta entre profissionais, na qual o profissional 
da APS busca orientação de uma especialista sem 
encaminhar o paciente. Pode ser utilizada para 
sanar dúvidas clínicas e questões relacionadas à 
organização dos processos de trabalho.
QUEM PARTICIPA?
Profissional solicitante (APS) e especialista ou 
equipe de referência. 
QUANDO USAR?
Segunda opinião em casos de dúvidas diagnósticas 
ou terapêuticas complexas, a fim de qualificar a 
avaliação, evitando encaminhamentos 
desnecessários.
57
EXEMPLOS NA APS
Um especialista orienta o profissional da APS sem atender o 
paciente diretamente. A teleconsultoria fortalece o papel da 
APS como coordenadora do cuidado e ordenadora da Rede de 
Atenção à Saúde, preservando a longitudinalidade do cuidado 
e o vínculo entre a equipe e o usuário. 
LIMITE IMPORTANTE
● Enfermeiro discute caso de condução de ferida com 
enfermeiro estomaterapeuta de referência.
● Médico aciona dermatologista, via plataforma de 
dermatologia para lesão de pele suspeita.
● Médico discute conduta em criança com febre 
prolongada com o pediatra da referência.
● Enfermeira tem dúvidas sobre a organização de 
grupo para cessação de tabagismo. 
● ACS tem dúvida sobre uso do e-SUS Território.
58
N
A
 P
R
Á
TI
CA
Teleconsultoria na prática
Daniel, 7 anos, é trazido pela mãe à UBS com 
manchas avermelhadas no tronco, iniciadas há 5 dias. 
A Dra. Débora identifica lesões papuloeritematosas 
de bordos irregulares, sem febre e sem relato de 
prurido. 
Na dúvida se o caso se tratava de uma dermatite, ou de 
hanseníase em estágio inicial, ou outra condição, e sabendo que o 
encaminhamento ao dermatologista levaria, na estimativa da 
médica, entre 4 e 6 meses, a Dra. Débora decide acionar a 
plataforma de teleconsultoria em teledermatologia disponível na 
sua UBS. 
Ao optar pela modalidade de teleconsultoria a Dra. Débora 
permite que sua dúvida clínica possa ser resolvida com orientação 
especializada, sem a necessidade de encaminhamento imediato do 
paciente. 
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Para otimizar a teleconsultoria, a Dra. Débora seguiu um roteiro 
pré-estabelecido:
fotografou as lesões, com boa iluminação, em diferentes 
ângulos (visão geral, foto com zoom, luz lateral).
preencheu o formulário com descrição clínica completa, 
suas hipóteses diagnósticas, tratamentos já tentados e a 
pergunta específica, que gostaria de resposta do 
especialista.
registrou no prontuário de Daniel qual matéria de 
consultoria foi solicitada, citando a data e a plataforma.
informou à mãe que o caso seria avaliado por 
especialista e que ela seria contactada assim que a 
resposta fosse dada.
ao receber a resposta, analisou a conduta orientada, e, 
tendo concordado, chamou a mãe e o Daniel, prescreveu 
os medicamentos orientados e registrou, no prontuário 
eletrônico, o desfecho.
enquanto aguardava, optou por não prescrever 
tratamento empírico que pudesse mascarar a lesão.
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52
ATENÇÃO
O Especialista que responde à teleconsultoria não faz 
atendimento direto ao Daniel. Ele orienta a Dra. 
Débora, que é quem mantém o vínculo e a 
responsabilidade pelo cuidado e pelo paciente. 
Caso a teleconsultoria indique a necessidade de 
avaliação presencial com especialista, caberá à Dra. 
Débora realizar os procedimentos para a regulação da 
consulta especializada, porém, agora, com mais dados 
e informações, que possam auxiliar na priorização, ou 
não, do atendimento.
61
O QUE É
Acompanhamento contínuo de sinais e dados 
clínicos do paciente a distância.
QUEM PARTICIPA?
Equipe de saúde, paciente e/ou cuidador. Pode 
incluir o ACS.
QUANDO USAR?
Pessoas com condições crônicas, como hipertensão 
arterial e diabetes mellitus, saúde mental, gestação 
de risco, pacientes com dificuldade de locomoção 
ou em territórios remotos.
TELEMONITORAMENTO
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44
EXEMPLOS NA APS
Não substitui a consulta. Valores alterados exigem 
protocolos com precisão de resposta – quem aciona, quem 
deve ser acionado, com que prazo e com qual conduta.
LIMITE IMPORTANTE
● O ACS registra glicemia semanal de paciente diabético 
em aplicativo e a equipe acompanha a tendência.
● O usuário com hipertensão informa os valores aferidos 
em sua casa por telefone, aplicativo institucional ou 
durante contato de telemonitoramento. 
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Telemonitoramento na prática
Durante a pandemia de COVID-19, o Núcleo de 
Telemedicina e Telessaúde (NUTTs), da Faculdade de 
Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM UFG), 
realizou telemonitoramento de pacientes com 
diagnóstico de COVID-19. Os pacientes que haviam 
testado positivo para COVID 19, em algum ponto de 
testagem da SMS de Goiânia, eram notificados por 
meio do VigiSUS. O NUTTs recebia, diariamente, os 
casos notificados e entrava em contato telefônico 
com os pacientes. 
Para cada paciente era enviado 
um oxímetro de pulso (através 
de motoboy). Os pacientes eram 
orientados a monitorar sua 
frequência cardíaca e oximetria 
ao longo do dia. Os pacientes 
eram contactados, diariamente, 
por 5 a 10 dias, a depender dos 
sintomas relatados, até receber 
alta do telemonitoramento. 
64
Os dados coletados pelos oxímetros eram utilizados como 
parâmetros ( junto com os dados clínicos), para definir quem 
deveria ir para uma avaliação médica nas UPA ou Hospitais – que 
eram previamente contactados e recebiam os dados clínicos do 
paciente que estava a caminho. Ao longo dos anos de 2021 e 2022 
foram telemonitorados mais de 220 mil pacientes em Goiânia. 
(Rezende et al., 2023).
O Sr. João, 65 anos, morador da periferia de uma grande cidade, 
possui diabetes do tipo 2 e está sendo acompanhado pela equipe 
de saúde da família. Ele recebe, regularmente, a visita domiciliar 
da ACS Lúcia, que monitora, semanalmente, sua glicemia capilar. 
Agora, propomos uma situação de telemonitoramento que ainda 
não é uma realidade no SUS: 
65
ORIGINALComo o Sr. João vinha apresentando irregularidade nas medidas da 
glicemia capilar, recebeu um dispositivo de monitoramento de 
glicemia (adesivo colado no braço), que capta dados de glicemia 
intersticial, a cada 5 minutos, e envia para um aplicativo instalado 
em seu celular.
Na quinta-feira, às 18h, o sistema emitiu 
um alerta que a glicemia registrada do 
paciente estava em 380 mg/dl. Como o 
aplicativo permite que mais de uma 
pessoa possa ser cadastrada para receber 
alertas, esse alerta foi enviado, também, 
para o celular institucional da ACS Lúcia.
Neste cenário, o que a ACS deveria fazer?
O que aconteceria se um alerta chegasse, mas quem o 
recebeu não tivesse segurança de um protocolo 
preestabelecido ou não soubesse o que fazer?
Esse caso nos mostra que todo telemonitoramento deve ser 
estabelecido a partir de um protocolo clínico validado, e com 
treinamento adequado de toda a equipe. Assim, a conduta correta 
depende de um fluxo preestabelecido, acordado e treinado. 
Vejamos, a seguir:
66
Um exemplo de conduta para o caso do Sr. João seria:
A ACS Lúcia entra em contato com o paciente, para 
verificar seus sintomas. 
Caso sejam identificados sinais e sintomas, que 
indiquem necessidade de atenção de urgência 
(dificuldade respiratória, alteração do nível de 
consciência ou vômitos), o SAMU deve ser acionado 
imediatamente.
O enfermeiro e/ou médico da equipe de saúde da 
família devem ser avisados, para acompanharem o 
andamento do caso. 
Deve-se registrar, no prontuário eletrônico, o alerta 
recebido e a ação tomada.
A enfermeira da equipe pode ficar como responsável 
em acompanhar a evolução clínica do paciente e 
orientar nova avaliação médica com a médica da 
equipe, para redefinir conduta clínica, ajustar a dose de 
medicamentos, e demais orientações pertinentes.
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52
ATENÇÃO
Telemonitoramento sem protocolo de resposta pode ser 
um risco para todos os envolvidos: paciente, equipe de 
saúde e gestão municipal. 
Antes de implantar qualquer sistema de monitoramento 
remoto, é fundamental que todos os protocolos e 
fluxos estejam definidos, considerando diferentes 
cenários. 
Saber quem recebe o alerta, qual o prazo de resposta, 
quais as condutas a serem tomadas e qual a 
responsabilidade de cada trabalhador e de cada Unidade 
de Saúde são itens que precisam estar previamente 
estabelecidos.
68
TELEDIAGNÓSTICO
O QUE É
Realização de laudos remotos para exames 
capturados na APS.
QUEM PARTICIPA?
Equipe de saúde, previamente capacitada, capta o 
exame de paciente sob cuidado da APS.
QUANDO USAR?
Realização mais rápida e cômoda de exames 
rotineiros sem que o paciente tenha que ser 
encaminhado para Unidade de referência.
69
EXEMPLOS NA APS
Devem ser evitados exames de urgência, nos quais o 
atendimento presencial deve ocorrer de forma imediata. É 
fundamental que a utilização do telediagnóstico esteja 
alinhada a protocolos e fluxos previamente pactuados entre a 
APS, os serviços de telessaúde e os demais pontos da Rede 
de Atenção à Saúde, garantindo o encaminhamento oportuno 
dos usuários, conforme suas necessidades.
LIMITE IMPORTANTE
● Telecardiologia: realização de exame de ECG na UBS, 
com o laudo pela equipe de cardiologia referência.
● Teleoftalmologia: realização de exame de 
retinografia, com o laudo pela equipe de oftalmologia 
de referência.
● Teledermatologia: captura de fotos de lesões de pele 
suspeitas, com o laudo pela equipe de dermatologia 
de referência.
● Telepneumologia: realização de exame de 
espirometria, com o laudo pela equipe de referência.
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Telediagnóstico na prática
O Sr. Raimundo, 46 anos, diabético 
insulinodependente há 25 anos, vem para a reunião 
mensal do grupo de hipertensos e diabéticos 
relatando que tem notado um embaçamento visual 
progressivo. A enfermeira Solange solicita ao Sr. 
Raimundo que compareça na semana seguinte, para 
a realização de uma retinografia, uma vez que a 
Unidade será contemplada com a presença de um 
retinógrafo portátil do Combo de Equipamentos para 
a triagem das principais causas de cegueira.
Ao optar pela modalidade de 
telediagnóstico, a enfermeira 
Solange possibilita ao Sr. 
Raimundo a oportunidade de 
ter uma avaliação do fundo de 
olho para o rastreamento de 
retinopatia diabética, sem que 
ele precise aguardar a 
regulação e a fila de 
encaminhamento para 
oftalmologia. 
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Durante a semana de prevenção à cegueira, realizada na UBS, o Sr. 
Raimundo passa por avaliação de acuidade visual e retinografia 
(fotografia do fundo do olho), realizada em retinógrafo digital, sem 
a necessidade de dilatação de pupila. 
O resultado da retinografia evidencia a presença de retinopatia 
diabética não proliferativa de grau moderado, que necessita de 
tratamento especializado, mas que apresenta bom prognóstico 
visual. 
O Sr. Raimundo é, então, encaminhado para a clínica de olhos de 
referência em seu município, podendo ser tratado em um quadro 
mais precoce, com melhor prognóstico visual. 
São agendadas, também, revisões nutricionais e consulta com o 
médico de família e comunidade, para melhorar o controle 
glicêmico.
As imagens são automaticamente enviadas para 
o Telessaúde Goiás (núcleo de referência do 
Ministério da Saúde para a teleoftalmologia).
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52
ATENÇÃO
O telediagnóstico oportuniza o diagnóstico precoce de 
doenças cardiovasculares, pulmonares, dermatológicas 
e oftalmológicas, estando disponível através do 
componente Telessaúde do Programa SUS Digital, para 
todas as Unidades Básicas de Saúde do Brasil.
Apesar de não substituir a avaliação presencial do 
médico especialista, o telediagnóstico permite a 
identificação precoce de doenças crônicas não 
transmissíveis, antecipando a oportunidade de 
tratamento adequado para os pacientes que 
necessitarem.
73
TELERREGULAÇÃO
O QUE É
Uso de tecnologia digital para apoiar o processo de 
regulação do acesso, organizando, classificando e 
priorizando solicitações de encaminhamentos, 
exames ou procedimentos entre a APS e os 
serviços especializados. 
QUEM PARTICIPA?
Profissional regulador (médico regulador ou 
equipe da central de regulação) e profissional da 
APS solicitante. O paciente não participa 
diretamente do ato regulatório. Pode haver a 
participação de médico especialista na qualificação 
da fila (por teleconsulta ou teleinterconsulta).
QUANDO USAR?
Encaminhamento para especialidades, exames ou 
procedimentos. Classificação de risco e definição 
de prioridades das solicitações. Qualificação de 
pedidos ou devolução de pedidos incompletos ou 
inadequados. Organização das filas de espera de 
forma transparente e baseada em critérios clínicos. 
74
EXEMPLOS NA APS
A telerregulação organiza e prioriza o acesso, mas não 
substitui a avaliação clínica, nem a decisão terapêutica do 
profissional assistente. O regulador atua sobre a solicitação 
e os critérios de acesso, não sobre o atendimento direto do 
paciente. O vínculo e a responsabilidade pelo cuidado 
permanecem com a equipe da APS.
LIMITE IMPORTANTE
● Médico da APS encaminha paciente com nódulo de 
tireoide, e o regulador classifica a prioridade a 
partir dos dados clínicos enviados. 
● Regulador prioriza criança com sopro cardíaco para 
avaliação mais rápida pela cardiologia pediátrica. 
● Solicitação de exame de imagem devolvida ao 
solicitante, para complementação de informações 
antes de ser autorizada.
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SA
IB
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 M
A
IS
Por iniciativa do Ministério da Saúde, Unidades 
Básicas de Saúde de todo o Brasil estão recebendo 
Kits de Multimídia de Telessaúde, com a finalidade 
de estruturar Pontos de Telessaúde no âmbito do 
SUS Digital.
Cada Kit é composto por um notebook, uma smart 
TV de 43 polegadas e uma câmera de 
videoconferência. São fornecidos materiais de 
identidade visual para profissionalizar o ambiente 
de atendimento. É uma iniciativa que buscaampliar 
a capacidade de atendimento remoto no Sistema 
Único de Saúde (SUS), reduzir filas e otimizar os 
encaminhamentos para a atenção especializada. 
76
Outras 10.000 UBSs receberão, ainda, um combo com até 17 
equipamentos importantes para ampliar a capacidade de 
atendimento, modernizar a Atenção Primária e contribuir para 
reduzir filas de consultas e exames no Sistema Único de Saúde 
(SUS), incluindo Retinógrafo portátil, Espirômetro digital, 
Dermatoscópio, Eletrocardiógrafo digital, entre outros. 
Além disso, a iniciativa amplia a capacidade resolutiva das equipes 
da Estratégia Saúde da Família e das equipes multiprofissionais na 
Atenção Primária à Saúde (eMulti), contribuindo para reduzir 
desigualdades e democratizar o acesso ao cuidado de qualidade 
por meio da incorporação do Combo de Equipamentos nas UBS.
77
Independentemente da modalidade de telessaúde, existem boas 
práticas comuns a todas elas. Confira algumas:
12
Garanta um ambiente adequado e silencioso, com boa 
iluminação e conexão estável.
Confirme, sempre, a identidade do paciente, realizando o 
devido registro do atendimento no prontuário eletrônico.
Obtenha o consentimento do paciente (ou responsável) 
antes de iniciar qualquer modalidade de telessaúde, 
garantindo que esteja documentado. Lembre-se: 
consentimento não é burocracia, é respeito!
Priorize o atendimento presencial, em caso de qualquer 
dúvida sobre a gravidade da situação.
Assegure que imagens, áudios, mensagens e demais 
registros produzidos durante o atendimento remoto, 
sejam integrados ao prontuário do usuário e protegidos 
em conformidade com as normas institucionais e a 
LGPD.
78
Muitos profissionais de saúde simplificam erroneamente a 
realização de uma teleconsulta, acreditando, de forma equivocada, 
que o processo se resume apenas ao ato de efetuar uma 
videochamada. 
Porém, para que uma teleconsulta ocorra em conformidade com as 
boas práticas e garanta a segurança necessária, ela depende de 
múltiplos fatores indispensáveis. O passo inicial desse 
procedimento consiste na identificação rigorosa dos envolvidos.
Por um lado, o paciente 
necessita da certeza de estar se 
comunicando com um 
profissional de saúde habilitado, 
como um médico, que possua 
seu diploma devidamente 
registrado no Conselho 
Regional de Medicina (CRM), e 
esteja autorizado a exercer a 
profissão no Brasil. 
Por outro lado, o médico deve certificar-se de que está atendendo 
o paciente real, evitando situações de falsa identidade. Logo após 
essa validação correta, inicia-se a etapa da comunicação segura.
79
Nesse contexto, as videochamadas não devem ocorrer por meio de 
plataformas genéricas. É indispensável a utilização de aplicativos 
que estejam em estrita conformidade com a LGPD (Lei Geral de 
Proteção de Dados Pessoais), e que atendam, quando couber, a 
normativas internacionais de segurança em saúde, a exemplo do 
HIPAA (Health Insurance Portability and Accountability Act), 
requisitos esses que não são preenchidos, por exemplo, pelo 
WhatsApp. Essa conformidade é crucial para resguardar a 
inviolabilidade da transmissão. 
Adicionalmente, todos os procedimentos clínicos realizados como 
anamnese, histórico de saúde, monitoramento de dados por 
dispositivos domiciliares, análise de exames e emissão de receitas 
ou pedidos, devem ser minuciosamente documentados no 
prontuário eletrônico.
80
Fonte: Taleb A. C., 2022.
Figura 05 ─ Etapas de uma teleconsulta
O prontuário eletrônico deve estar protegido por diversas camadas 
de segurança de dados, incluindo autenticação biométrica ou por 
senhas, firewalls, antivírus atualizados e VPN (Virtual Private 
Network). Por fim, todas as movimentações e acessos aos dados 
precisam ser devidamente mapeados e rastreados via logs.
Só assim, com identificação adequada, comunicação segura, 
registro adequado, segurança de dados e rastreabilidade podemos 
dizer que estamos realmente fazendo uma teleconsulta (Taleb, 
2022), conforme esquematizado, abaixo, na Figura 05:
Identificação (paciente e médico)
Comunicação segura 
(videochamada)
Registro adequado (prontuário 
eletrônico, arquivo, documentos 
digitais)
Segurança de dados (senhas, VPN, 
firewall, antivírus…)
Rastreabilidade (registro de logins)
Identificação
(paciente e médico)
Comunicação segura
(videochamada)
Registro adequado
(prontuário eletrônico, arquivo, 
documentos digitais)
Segurança de dados
(senhas, VPN, Firewall,
Antivírus)
Rastreabilidade
(registro de logins)
81
03
Tecnologias 
Emergentes
O “adensamento tecnológico na APS” precisa ser compreendido 
como a ampliação da capacidade clínica, diagnóstica, terapêutica 
e assistencial das equipes, por meio da incorporação racional de 
tecnologias, equipamentos, dispositivos digitais e ferramentas 
de apoio à decisão. Essa incorporação de tecnologias:
● tem papel estratégico na ampliação da resolutividade;
● contribui para coordenação do cuidado; 
● impacta na ordenação da Rede de Atenção à Saúde (RAS);
● incide na redução de filas e encaminhamentos 
especializados; 
● amplia o acesso em territórios vulneráveis; 
● qualifica do cuidado longitudinal.
O fortalecimento tecnológico da APS contribui, diretamente, para 
consolidá-la como porta de entrada preferencial e coordenadora do 
cuidado no SUS.
É importante compreender, 
que a tecnologia não é 
apenas um equipamento, e 
que o uso qualificado 
dessas ferramentas 
modifica a capacidade de 
resposta clínica da APS. 
83
O avanço tecnológico na área da saúde vai muito além da 
comunicação remota convencional. Nesta abordagem, 
analisaremos como inovações do ecossistema digital, incluindo a 
Inteligência Artificial, os dispositivos vestíveis (wearables) e as 
tecnologias de Ponto de Cuidado (Point of Care), estão 
transformando a prática clínica e a capacidade de diagnóstico no 
âmbito da Atenção Primária à Saúde. 
Para compreender a dinâmica prática dessas inovações no 
cotidiano da APS, bem como seu impacto na melhoria da qualidade 
da assistência oferecida à população, é fundamental conhecer mais 
de perto as especificidades e aplicações de cada uma dessas 
tecnologias. 
Abordaremos, a seguir, a tecnologia de Ponto de Cuidado (Point of 
Care).
Quais estratégias utilizar para incorporar tais recursos 
à rotina de trabalho das equipes, de maneira resolutiva, 
ética e segura, mantendo uma postura analítica sobre a 
real necessidade e a aplicabilidade dessas ferramentas 
no contexto do SUS?
84
As tecnologias ponto de cuidado, ou Point of Care (POC), são 
tecnologias de monitoramento e diagnóstico que podem ser 
utilizadas no local onde o paciente está sendo atendido, sem que o 
paciente ou o material coletado precisem ser encaminhados para 
um centro especializado. O resultado, geralmente, é obtido, 
instantaneamente, em minutos ou poucas horas. 
Na perspectiva do “adensamento tecnológico da APS”, abordado 
anteriormente, as tecnologias ponto de contato são um exemplo de 
como este adensamento tecnológico pode ser alcançado, 
especialmente, ampliando o acesso à saúde para populações em 
territórios de alta vulnerabilidade.
São grandes as implicações da utilização das “tecnologias ponto de 
cuidado” na APS, contribuindo para uma melhor coordenação do 
cuidado, uma vez que torna possível reduzir o tempo entre a 
suspeita clínica e o início do tratamento, permitindo ao médico da 
Unidade Básica de Saúde tomar a decisão clínica necessária, 
reduzindo ou qualificando encaminhamentos e exames, 
especialmente, em áreas de acesso limitado. 
TECNOLOGIA PONTO DE 
CUIDADO (POINT OF CARE)
85
Além de reduzir os encaminhamentos, mantendo o cuidado do 
paciente na APS, quando ainda for necessário encaminhar, a 
qualificação desses encaminhamentos tem impacto positivo na 
ordenação da Rede de Assistência à Saúde (RAS), permitindo 
priorizar os casos mais relevantes.
Entre os exemplos práticos de tecnologiasPOC atualmente 
incorporadas e disponíveis no âmbito do SUS, encontram-se:
Glicemia capilar
Permite o acompanhamento sistemático de pacientes com diabetes 
e a triagem de quadros hiperglicêmicos, sendo comumente 
encontrado na maioria das UBSs.
Teste de gravidez 
através da urina
Permite a confirmação rápida de gravidez, permitindo a instauração 
imediata do acompanhamento pré-natal regular na própria 
Unidade.
86
Oximetria de pulso
Permite a avaliação da saturação de oxigênio e da frequência 
cardíaca, melhorando a avaliação de pacientes com dispneia, 
especialmente, portadores de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva 
Crônica), pneumopatias e síndrome respiratória aguda.
Testes rápidos para HIV, 
sífilis e hepatites B e C
Permitem a realização de triagem de ISTs, podendo ser utilizado 
em consultas de pré-natal e populações vulneráveis. 
Teste rápido molecular 
(TRM-TB) 
Para o diagnóstico de tuberculose pulmonar: esse teste é 
distribuído pelo Ministério da Saúde para a UBS e permite o 
diagnóstico de tuberculose pulmonar, em menos de 2 horas.
87
ECG portátil
Permite a realização de eletrocardiograma, para a triagem de 
precordialgia, arritmias e síndrome coronariana. Laudos remotos 
são disponibilizados pelo Telessaúde Brasil (o núcleo de referência 
é o da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG).
Retinógrafo portátil
Permite a realização de fotografias de fundo de olho, para a 
detecção precoce das principais causas de cegueira (catarata, 
glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada 
à idade). Laudos remotos são disponibilizados pelo Telessaúde 
Brasil (o núcleo de referência é o da Universidade Federal de Goiás 
- UFG).
Figura 06 ─ Retinógrafo Portátil não midriático
Fonte: Medical Expo, 2026.
88
https://www.medicalexpo.com/pt/pr
od/medimaging-integrated-solution/
product-91117-1054932.html 
@lucianamonteirocampello@gmail.com, foi 
necessário alterar a figura. Pode aplicá-la aqui, 
sem fundo, por 
favor?https://drive.google.com/file/d/1TdFty3
CKQbQu0fjOXbsfbBjT90H1ohn7/view?usp=sha
ring 
https://www.medicalexpo.com/pt/prod/medimaging-integrated-solution/product-91117-1054932.html
https://www.medicalexpo.com/pt/prod/medimaging-integrated-solution/product-91117-1054932.html
https://www.medicalexpo.com/pt/prod/medimaging-integrated-solution/product-91117-1054932.html
https://drive.google.com/file/d/1TdFty3CKQbQu0fjOXbsfbBjT90H1ohn7/view?usp=sharing
https://drive.google.com/file/d/1TdFty3CKQbQu0fjOXbsfbBjT90H1ohn7/view?usp=sharing
https://drive.google.com/file/d/1TdFty3CKQbQu0fjOXbsfbBjT90H1ohn7/view?usp=sharing
Ultrassonografia POC
Permite a realização de ultrassom, através de sonda conectada 
sem fio a um celular ou tablet, com transmissão de imagens para 
um centro de referência. Propicia o acompanhamento de gestantes 
em pré-natal, alterações cardiovasculares e abdominais. Ainda 
pouco disseminado nas UBSs.
Figura 07 ─ Ultrassom POC
Fonte: Butterfly Network, 2026.
89
82
IMPORTANTE
As soluções tecnológicas de ponto de cuidado 
possuem limitações técnicas intrínsecas. Desse modo, 
a obtenção de um resultado laboratorial negativo em 
pacientes que manifestem uma suspeita clínica robusta 
não deve ser interpretada como motivo para descartar 
a hipótese diagnóstica. 
A continuidade da investigação médica, incluindo a 
eventual solicitação de exames repetidos ou 
complementares, permanece integralmente sob o 
julgamento e a responsabilidade do profissional de 
saúde assistente.
90
12
A inteligência artificial aplicada à saúde pode ser definida como a 
utilização de qualquer inovação tecnológica, através de métodos 
e dispositivos que utilizem algoritmos de análise de dados, com 
o objetivo de interpretação diagnóstica ou exploração preditiva 
de uma condição de saúde. 
A popularização da utilização da IA contribuiu para criar-se a ideia 
de que ela seria capaz de resolver qualquer problema. Há, 
entretanto, limites e desafios que não podem ser ignorados 
(Oliveira Junior et al, 2026).
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA 
APS
8591
As formas mais frequentes de utilização da inteligência artificial na 
APS são por meio de consulta direta de uma dúvida a um grande 
modelo de linguagem (LLM), como, por exemplo, o ChatGPT, o 
Gemini, o Claude, o OpenEvidence, o Perplexity, ou através de 
acesso a softwares de leitura de exames de imagem (radiologia, 
oftalmologia, dermatologia). 
O grande problema nesse tipo de consulta é garantir a privacidade 
dos dados (que não podem ser compartilhados), ao mesmo tempo 
em que se avalia a pertinência e a aplicabilidade das respostas 
obtidas no caso e na situação em particular.
Nesse sentido, o Conselho Federal de Medicina publicou a 
Resolução nº 2.454, em 11 de fevereiro de 2026, que normatiza o 
uso da IA na medicina. A regra de ouro da resolução é que a 
Inteligência Artificial apoia, mas não deve tomar decisão, 
devendo ser avaliada, com critério, pelo profissional de saúde. 
Ao utilizar dados de saúde provenientes de múltiplas 
fontes (dados clínicos, imagens de exames, resultados 
laboratoriais, perfis genéticos, dados fisiológicos), a 
inteligência artificial tem o potencial de contribuir de forma 
definitiva para a melhoria das condições de saúde do 
indivíduo e da população em geral. Ao mesmo tempo, seu 
uso traz riscos que precisam ser conhecidos e evitados.
92
A IA deve ser sempre tratada como apoio técnico auxiliar. Pode 
ajudar a organizar informações, resumir literatura, sugerir 
hipóteses diagnósticas, alertar interações medicamentosas, apoiar 
a leitura de exames e gerar minutas de documentos. 
Entretanto, a resolução reafirma que o ato médico continua 
submetido ao julgamento clínico humano, às normas éticas do 
CFM e à responsabilidade profissional.
Os pontos principais dessa resolução podem ser vistos no Quadro 
03, a seguir:
Fonte: elaborado pelo autor, 2026.
Quadro 03 ─ Pontos principais da resolução nº 2.454 
Usar IA para resumir 
literatura médica Permitida
Verificar fontes, 
atualidade e 
aplicabilidade ao caso 
concreto.
Usar IA para sugerir 
hipóteses diagnósticas Permitida como apoio
Confrontar com quadro 
clínico e evidências antes 
de qualquer conduta.
Seguir recomendação 
sem análise própria Inadequada
Revisar criticamente; se 
não puder revisar, não 
usar para decisão 
relevante.
Delegar comunicação de 
diagnóstico grave à IA
Vedada na prática 
assistencial 
Comunicação sensível 
deve ter mediação 
humana, empatia e 
responsabilidade médica.
Rejeitar recomendação 
da IA
Permitida e esperada 
quando necessário
Registrar a justificativa, 
quando a recomendação 
tiver sido relevante.
CONDUTA COMO PROCEDERAVALIAÇÃO 
PRÁTICA
93
Outras formas frequentes de utilização da inteligência artificial são 
no apoio à decisão clínica, na interpretação de exames 
complementares laboratoriais, na avaliação de interações 
medicamentosas e no apoio à gestão local como ferramenta de 
otimização de processos.
Uma das habilidades mais importantes, ao se usar a inteligência 
artificial, é poder discernir se a resposta recebida está correta e 
pode ser aplicada ao caso clínico ou ao cenário específico daquela 
realidade. Chamada de critical thinking (ou pensamento crítico), o 
desenvolvimento dessa habilidade deve ser estimulado.
Na utilização da inteligência artificial para a prática de cuidados à 
saúde dos pacientes, é importante que o profissional de saúde 
saiba para qual população um determinado algoritmo foi 
validado (mesmo que ele não entenda como o algoritmo funciona), 
pois precisa avaliar se a resposta recebida funciona para a 
população que ele atende.
A inteligência artificial bem utilizada como ferramenta de apoio à 
decisão clínica, pode identificar padrões, auxiliando na definição 
diagnóstica, nunca como substituta aos médicos e enfermeiros. 
Sabendo que os algoritmos de inteligência artificial cometem erros, 
especialmente, quando analisam dados de populações 
sub-representadas

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