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amor MULTIMODAIS, INTERMODAIS E TRANSPORTE INTERNACIONAL Me. Lucimara Acosta GUIA DA DISCIPLINA 1 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1. O SISTEMA DE TRANSPORTES Objetivo: Conhecer o sistema de transportes e sua importância para a Logística. Palavras-chaves: transporte, modais e sistemas de transporte. Introdução Neste Texto, você deverá ampliar seus conhecimentos sobre Sistema de Transportes, elemento vital para o ambiente logístico. Para começar é preciso compreender por quais razões o transporte é tão importante na atividade comercial e logística. Assim, nosso entendimento sobre transporte passa pela percepção de que essa é uma tarefa vital para uma cadeia logística, pois nenhuma empresa pode funcionar sem movimentar as matérias-primas ou os produtos acabados. Ou mesmo, sem o transporte, grande parte das pessoas também não conseguiria deslocar-se das suas casas até seus trabalhos. O transporte é um elemento de ligação entre empresa e clientes e seu objetivo é movimentar bens e pessoas. Do ponto de vista econômico, o foco do transporte é disponibilizar o produto necessário, no lugar correto e em quantidades adequadas às necessidades do cliente. 1.1. Sistema de Transporte Todas as ações, atividades, recursos e instalações que se relacionam e integram à capacidade de movimentar bens, pessoas e serviços em uma determinada economia são denominadas Sistema de Transporte. Assim, você terá um conjunto formado pelos seguintes elementos: I. Via de transporte – que é a trajetória do veículo transportador; II. Meio de transporte – que é a modalidade usada; III. Instalações de carregamento, descarga e armazenagem – são os terminais, centros de distribuição e armazéns; IV. Sistema de controle – são os meios de monitoramento dos veículos e cargas. Que o sistema de transportes é o componente logístico que tem, como objetivo, movimentar carga, passageiros e serviços, você já compreendeu, no entanto, você já 2 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância observou sua importância cresce ainda mais quando analisamos do ponto de vista dos gastos logísticos para executá-lo? O fato que os transportes absorvem percentuais significativos dos custos logísticos. Analisando estrategicamente o sistema de transporte, sua gestão possui forte influência na construção e/ou desenvolvimento da rede logística, pois pode determinar um aumento ou redução de custos, através do gerenciamento, por exemplo da localização de depósitos, de quem são os seus fornecedores e clientes, e principalmente, dos fluxos de materiais. Transporte como geração de soluções que possibilitam: • Rapidez de entrega; • Entregas sem erros; • Entregas pontuais; • Entregas completas; • Confiabilidade; • Qualidade; • Integridade. 1.2. Os modais de Transporte São os meios possíveis de se movimentar mercadorias e/ou pessoas de um ponto de origem a um ponto de destino (produção/consumo). Você precisa estar atento ao fato de que cada modal apresenta características próprias e particulares, além custos diferenciados pela sua utilização. Existem variadas maneiras de se apresentar o Sistema de Transportes. Didaticamente, adotaremos 3 subdivisões - subsistema terrestre, subsistema aquaviário e subsistema aéreo. 1) O Subsistema Terrestre: • Modal Rodoviário; • Modal Ferroviário; • Modal Dutoviário (combustíveis em geral.) 3 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2) O Subsistema Aquaviário: • Modal Fluvial (rios); • Modal Lacustre (lagos); • Modal Marítimo (mar): de longo curso (alto-mar) ou de cabotagem (sobre a costa). 3) O Subsistema Aéreo: • Modal aéreo de carga; • Modal aéreo de passageiros. 1.3. Vantagens e desvantagens das modalidades de transportes Cada modo de transporte possui características que o tornam mais adequado em determinadas circunstâncias. Os atributos mais utilizados como elementos comparativos entre as modalidades de transporte são: • Investimento em Infraestrutura; • Capacidade de Transporte; • Flexibilidade de Rotas e Horários; • Segurança; • Rapidez e Velocidade; • Consumo de Energia; • Conforto; • Custo Operacional; • Transporte Porta-a-Porta; • Poluição. Os percentuais de participação de cada um dos modais variam em razão de várias condicionantes, entre as quais podem ser citados o produto ou serviço a ser transportado, seu valor, sua perecibilidade, a relação custo-benefício, a disponibilidade geográfica do modal de transporte, do tempo de transporte porta a porta (da fábrica ao cliente), entre outros. 4 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1.4. Escolha do transporte: aspectos críticos De um modo geral, cada modo de transporte possui características que o tornam mais adequado em determinadas circunstâncias. Dificilmente, algum deles suprirá simultaneamente todas as qualidades exigidas para um bom desempenho. Assim, o uso coordenado dos modos de transporte tem por objetivo o aproveitamento de forma ótima das propriedades de cada modo de transporte com o intuito de possibilitar a sua integração. A integração de dois modos ou mais é necessária quando a situação é de intermodalidade. A escolha da modalidade de transporte dependerá de vários aspectos ou atributos, sendo resultado de uma análise de multicritérios, que busca a combinação ótima dentro de objetivos especificados. Existem simulações de modelos matemáticos e estatísticos para a análise de escolha modal. O sistema de transporte deve ser visto como ferramenta capaz de gerar soluções que possibilitam flexibilidade e velocidade de resposta ao cliente, ao menor custo possível, avaliando o sistema de transporte atual versus sistema de transporte desejado, conforme as necessidades de cada um dos seus clientes. Assim, o sistema de transporte deve ser suficientemente flexível para suportar o nível de serviço exigido; mas com flexibilidade suficiente para possíveis adaptações e antecipação às necessidades e expectativas dos clientes. BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1993. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. 5 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2. INTERMODALIDADE E MULTIMODALIDADE Objetivo: O objetivo desta Texto é esclarecer as características e diferenças entre os conceitos e práticas da inter e multimodalidade nos transportes. Palavras-chaves: intermodalidade, multimodalidade e operador de transporte multimodal. Introdução Existe diferença entre Intermodalidade e Multimodalidade? Esta é uma pergunta interessante, porque ainda constatamos muita confusão entre os dois termos. As duas significam transportes de cargas com mais de um modal. Isto quer dizer transportar uma mercadoria do ponto de origem até o ponto de entrega por modais diferentes. Então qual a diferença? A intermodalidade significa a emissão de documentos de transportes independentes, um de cada transportador, cada um assumindo a responsabilidade pelo seu transporte. Na multimodalidade, ao contrário, existe a emissão de apenas um documento de transporte, emitido pelo OTM – Operador de Transporte Multimodal, de ponta a ponta. Os tipos de produtos predominantemente transportados por mais de um modal são commodities, como minério de ferro, grãos e cimento, todos caracterizadosde outros modais de transporte. Neste sentido, se o Brasil deseja se tornar um competidor de peso no mercado internacional, obrigatoriamente, ele deverá aplicar adequadamente os processos logísticos, pois este é o campo a ser explorado de todas as formas, aproveitando o enorme potencial que o país possui. (KEEDI, 2001) 39 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância BALLOU, Ronald H. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 1995. BOWERSOX, Donald. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimentos. São Paulo: Atlas, 2001. KEEDI, Samir. Logística de Transporte Internacional: veículo prático de competitividade. São Paulo, Aduaneiras, 2001. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. SEGRE, German [et al]. Manual Prático de Comércio Exterior. 2 ed., São Paulo, Atlas, 2007, p.262 40 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 8. INCOTERMS 2010 E SEGUROS DE CARGAS Objetivo: Aprofundar o entendimento sobre os Incoterms e sua aplicação prática aos transportes de cargas. Palavras-chaves: Incoterms 2010. Seguros de cargas. 8.1. Incoterms – Termos Internacionais de Comércio Nas transações comerciais, sejam dentro de um mesmo país ou entre países, há necessidade de um conjunto de regras que possam responder às perguntas: De quem é a responsabilidade de contratar e pagar o transporte (frete) das mercadorias, de um ponto a outro? De quem é a responsabilidade pelos riscos, caso essas operações não possam ser efetivadas? De quem é a responsabilidade dos riscos de perda e/ou danos às mercadorias em trânsito? Estas perguntas são pertinentes à forma como será feito o transporte de mercadorias porta a porta e refere-se ao estabelecimento de divisão de responsabilidades e custos sobre os produtos transportados. Para cumprir esta função de definir responsabilidades, custos e riscos de transações, foi elaborado um conjunto de termos comerciais, com expressões sucintas, que definem os direitos e as obrigações de todas as partes intervenientes num contrato de transporte internacional, denominado International Commercial Terms (Incoterms). Assim, os Incoterms são termos internacionais publicados pela Câmara Internacional de Comércio (ICC), uma organização de caráter privado, sediada em Paris, França. A finalidade destes é definir, nos contratos de comércio internacional (importação e exportação), o estabelecimento dos custos, as responsabilidades no transporte, assim como serviços logísticos, além de cumprirem um papel de mediação na relação entre comprador e vendedor do comércio entre países. Além disto, também determinam parâmetros para apólice de seguro internacional. A primeira versão do documento dos Incoterms foi gerada e utilizada em 1936, constituía-se de 13 termos. Foram elaboradas revisões em média de dez em dez anos, 41 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância acompanhando a ocorrência e velocidade da evolução nas transações e infraestruturas de comércio exterior ao longo do mundo, e hoje adotamos 11 termos. 8.2. Tipos de Incoterms São explicados os Incoterms por sua divisão em grupos e seus significados, de maneira a compreender a sua adoção em cada transação de comércio exterior. Em sequência são explicados individualmente. Grupo E (Partida) EXW Ex Works Grupo F (Transporte principal não pago) FCA FAS FOB Free Carrier Free Alongside Ship Free on Bord Grupo C (Transporte principal pago) CFR CIF CPT CIP Cost and Freight Cost, Insurance and Freight Carriage Paid to Carriage and Insurance Paid to Grupo D (Chegada) DAT DAP DDP Delivered at Terminal Delivered at Place Delivered duty paid • EXW: Os bens são entregues nas dependências do vendedor (origem), sem o carregamento, e não desembaraçadas para a exportação. • FCA: Os bens são entregues ao transportador designado pelo comprador, no local por este indicado, desembaraçados para a exportação e carregados, se o local for o domicílio do vendedor. Caso a entrega ocorra em qualquer outro local, o vendedor não é o responsável pela descarga. • FAS: Os bens são entregues quando o vendedor coloca ao lado (ao longo do costado) do navio, no porto de embarque designado, desembaraçados para a exportação. • FOB: Os bens são entregues pelo vendedor no exato momento em que a carga cruza a amurada do navio, no porto de embarque designado, desembaraçados para exportação. 42 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • CFR: Os bens são entregues pelo vendedor no exato momento em que a carga cruza a amurada do navio, no porto de embarque, desembaraçados para exportação, com o transporte principal pago até o porto de destino designado. • CIF: Os bens são entregues pelo vendedor no exato momento em que a carga cruza a amurada do navio, no porto de embarque, desembaraçados para exportação, com o transporte principal e o seguro pagos até o porto de destino designado. • CPT: Os bens são entregues ao transportador designado pelo comprador, no local por este indicado, desembaraçados para exportação, com o transporte principal pago até o local de destino designado. • CIP: Os bens são entregues ao transportador designado pelo comprador, no local por este indicado, desembaraçados para exportação, com o transporte principal pago até o local de destino designado. • DAT: O vendedor encerra sua responsabilidade quando coloca a mercadoria à disposição do comprador, num local de destino indicado (terminal ou local designado), pronta para ser descarregada do veículo transportador e não desembaraçada para importação. • DAP: O vendedor encerra sua responsabilidade quando coloca a mercadoria à disposição do comprador, num local de destino indicado (terminal ou armazém), pronta para ser descarregada do veículo transportador e não desembaraçada para importação. • DDP: Os bens são entregues pelo vendedor no local de destino designado, desembaraçados para importação, com todos os direitos pagos, porém sem descarregá-los do veículo transportador. Esse local poderá ser o domicílio do comprador ou outro local designado. 8.3. Seguros de cargas O seguro internacional de cargas é uma modalidade de prevenção de riscos que aplica proteção especialmente em caso de avarias ou danos durante o processo de transporte, desde a partida até sua entrega. Existem alguns tipos de avarias (danos) que a carga pode sofrer durante a operação de transporte e que pode inviabilizar seu uso, sendo classificadas em dois tipos: 43 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Avaria Simples ou Avaria Particular: aquela suportada só pelo navio ou só pela coisa que sofreu o dano ou deu causa à despesa. Avaria Comum ou Avaria Grossa: constitui todo dano à carga ou à embarcação, ou toda despesa extraordinária, voluntariamente com resultado em benefício comum (armador e interessados na carga). Também se considera a avaria, involuntária, quando ocorrida por um simples acidente e afeita a todos os modais de transporte em que cada parte, dono da carga e transportador, assume os seus prejuízos e recorre ao seu segurador; ou voluntária, quando provocada pelo comandante da embarcação. O seguro é, em si, um contrato para uma relação contratual que envolve a seguradora (empresa que assume o risco), a corretora (intermediária da operação) e o contratante (proprietárioda carga ou empresa que assume a responsabilidade pela carga). Os seguros podem ser contratados para os mais variados tipos de riscos que podem envolver as cargas, devendo ser definido em contrato entre as partes intervenientes para determinação das coberturas e garantias a serem realizadas nas relações de transporte internacional. A responsabilidade pela contratação do seguro internacional de transporte de cargas é relacionada com o tipo de contrato firmado. O Decreto 61.867, de 07/12/67, regulamenta os seguros como obrigatórios no transporte de cargas, tanto para o proprietário da carga como o transportador. A modalidade de seguro de carga internacional é definida como “seguro all risks”, que significa “seguro contra todos os riscos”, que pode ser contratada pelo proprietário da carga ou pela empresa responsável pela carga. Embora seja cobertura de todos os riscos, existem alguns que não são cobertos, dentre eles prejuízos não relacionados no contrato de seguro. Existem seguros obrigatórios e de adesão voluntária para todos os tipos de modais adotados no transporte de cargas, sendo definida a contratação conforme o Incoterm, os 44 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância modais utilizados e as transações contratuais em cada processo de transporte internacional de cargas. BALLOU, Ronald H.. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4. ed. São Paulo: Bookman, 2001. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. NAZÁRIO, P.; WANKE, P.; FLEURY, P.F. O Papel do Transporte na Estratégia Logística. Disponível em: http://www.centrodelogistica.com.br/new/fs- public.htm. NOVAIS, Djalma. Guia de Consulta Rápida do INCOTERMS 2010/ 2011. Disponível em: http://dla.com.br/comexnews/2011/08/25/guia-de-consulta- rapida-do-incoterms-%E2%80%93-20102011. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. http://www.centrodelogistica.com.br/new/fs-public.htm http://www.centrodelogistica.com.br/new/fs-public.htm http://dla.com.br/comexnews/2011/08/25/guia-de-consulta-rapida-do-incoterms-%E2%80%93-20102011 http://dla.com.br/comexnews/2011/08/25/guia-de-consulta-rapida-do-incoterms-%E2%80%93-20102011 45 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 9. REVISÃO Objetivo: Revisar conceitos fundamentais para o entendimento dos Modais de Transporte, avaliando o posicionamento competitivo e as tendências para esse tema. Introdução Os modais de transporte representam a maior parcela dos custos logísticos na movimentação de cargas. Além disso, é um elemento significativo para o desempenho de alguns aspectos do serviço ao cliente. O transporte de cargas possui como funções principais oferecer utilidade de lugar e dimensão de tempo, sendo o custo um dos fatores influenciadores neste processo, pois se trata de tornar o produto disponível no local onde é demandado, com prazo adequado às exigências mercadológicas, portanto, o transporte é o elo para o alcance dos objetivos logísticos do comércio e, portanto, passou a receber tratamento de diferencial competitivo das empresas. Desta forma, a análise das operações de transporte requer um olhar mais aprofundado em relação ao conteúdo visto ao longo das Textos, pois aqui iremos relacionar as informações estudadas e como podem ser relacionadas nas operações de transporte para o seu posicionamento competitivo. 9.1. Incoterms: o início do posicionamento competitivo Relembrando o conceito, os Incoterms, ou Termos Internacionais de Comércio, são regras criadas para estabelecer responsabilidades, a partir de uma estrutura contratual, definindo direitos e obrigações no transporte de cargas, a partir de um padrão de regras e práticas mútuas. Estes direitos e obrigações são um consenso entre negociadores (comprador e vendedor de mercadorias) sobre modais adotados para movimentação da carga, f retes, seguro, documentos, etc. A definição do Incoterm depende da negociação realizada entre vendedor e comprador, mas a finalidade básica desta negociação é a redução de custo e tempo aliada 46 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância a satisfação do cliente a partir do transporte com qualidade e segurança. Por este motivo, pode ser adotada a escolha do Incoterm como uma função estratégica, sequencialmente à escolha modal que satisfaça as necessidades dos negociadores. Portanto, lembra-se que a escolha inicial é pelo modal de transporte, pois este é efetivamente o elemento competitivo na escolha do Incoterm, uma vez que existem termos específicos por tipo de modal, por exemplo, FAS, FOB, CFR, CIF, DES e DEQ tratam exclusivamente do modal aquaviário, enquanto EXW, FCA, CPT, CIP, DAF, DDU e DDP são Incoterms que podem ser adotados para qualquer modalidade de transporte internacional, incluindo o aquaviário. Resumindo, os Incoterms: A) Permitem manipulação e movimentação segura da carga ao definir responsabilidades por risco e transporte da carga. B) Requerem análise holística dos modais, seus custos, tempo e segurança. C) Passa a ser um elemento competitivo do transporte de cargas ao permitir a adoção de um contrato que visa à satisfação do cliente. 9.2. Relação Custo, Tempo e Distância: Inter e Multimodalidade Para análise sobre a melhor opção modal tendo em vista a intermodalidade, existe o Índice de Potencial de Intermodalidade (IPI), que contribui para uma avaliação mais aprofundada tomando como base a divisão entre mercado potencial e mercado real do transporte intermodal, considerando como elementos desta análise: • Preço de transferência de modal; • Custo e tempo de transporte porta a porta; • Frequência de demanda; • Rastreamento da informação; • Confiabilidade de cada modal; • Distância. Esta análise considera ainda custos logísticos e opções de modais disponíveis, oferecendo uma visão macro do processo de transporte, que inclui verificação de distância, custo e por fim, define a partir das opções de modais. 47 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Alguns países definem restrições governamentais e definem por estas que devem ser utilizados alguns Incoterms específicos e, normalmente, é utilizado um termo específico por empresas para a maior parte de suas transações de transporte de carga, por se tratar de um hábito na comercialização e entrega de mercadorias. Portanto, a decisão dos Incoterms define uma gama de opções para o transporte da carga que são limitados e influenciam a decisão a partir das características de cada modal. O posicionamento estratégico pode ser adotado como instrumento de análise da competitividade que possui relação com a infraestrutura adequada à definição do(s) modal (is) e da decisão de Inter ou Multimodalidade e sugere a adoção da troca modal. A decisão de troca de modal ocorre quando um tipo de transporte apresenta vantagem competitiva sobre outro, considerando demanda e mercado similares. Tais benefícios podem ocorrer em custos, capacidade de carga, tempo, flexibilidade e segurança, cada um destes aspectos analisados em função do tipo de produto a ser transportado. Assim, a troca modal representa a delimitação de um processo decisório que pondera as vantagens competitivas de um modal em função de outro. O seu resultado provém de uma série de decisões tomadas pelas empresas (para carga) ou individuais (por passageiros) na passagem para um modal mais conveniente apenas se as vantagens competitivas forem as mais significantes. 9.3. Análise Comparativa entre Modaisde Transporte A comparação entre os modais de transporte favorece a escolha na adoção de cada modal para o transporte de carga, sendo os influenciadores desta decisão: nível de serviço, custo e distâncias. Dentre os fatores que influenciam o nível de serviços prestados pelos transportadores de carga, destacam-se a tecnologia, estratégia operacional, requisitos institucionais/ restrições e comportamento da demanda. Estes aspectos são responsáveis pela escolha modal e de agente transportador. O segundo aspecto analisado em relação a composição modal refere-se aos custos para adoção, conforme comparação a seguir. 48 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Ferroviário Altos custos fixos em equipamentos, terminais, vias férreas etc. Custo variável baixo. Rodoviário Custos fixos baixos (rodovias estabelecidas e construídas com fundos públicos). Custo variável médio (combustível, manutenção etc.). Aquaviário Custo fixo médio (navios e equipamentos). Custo variável baixo (capacidade para transportar grande quantidade de tonelagem). Dutoviário Custo fixo mais elevado (direitos de acesso, construção. Requisitos para controles das estações e capacidade de bombeamento). Custo variável mais baixo (nenhum custo com mão-de-obra de grande importância). Aéreo Custo fixo alto (aeronaves e manuseio. e sistemas de carga). Alto custo variável (combustível, mão-de-obra, manutenção etc.). A comparação entre distâncias pode ser feita pela análise de rotas de acesso e tráfego, sendo as mais limitantes atualmente as ferroviárias em alguns países ou trechos, como, por exemplo, no Brasil com a diferença de bitolas. Para o modal rodoviário, o fator limitante é a qualidade das estradas, embora possua ampla malha rodoviária para acesso aos mais remotos locais. Os modais Aquaviário (marítimo) e Aéreo possuem vantagens quanto à amplitude de rotas e capacidade de atingirem longas distâncias. Podemos analisar os aspectos operacionais relativos com a opção de cada modal, com critérios que vão do custo, disponibilidade, agilidade, confiabilidade, capacidade de carga e frequência. O mapeamento para comparação entre vantagens e desvantagens modais auxilia na tomada de decisões e inclui uma análise sobre a infraestrutura para a função de cada modal, pois esta influência nos aspectos de competitividade de cada modal. Se considerarmos uma pontuação de 1 a 5, sendo: 1 – excelente; 2 – ótimo; 3 – bom; 4 – ruim; 5 – péssimo e classificarmos os aspectos principais dos modais conforme suas vantagens e desvantagens ressaltados nas Textos anteriores, podemos obter o seguinte resultado: 49 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Características operacionais Aquaviário Rodoviário Ferroviário Aéreo Dutoviário Custo 2 4 1 5 3 Agilidade 4 2 3 1 5 Disponibilidade 4 1 2 3 5 Confiabilidade 4 2 3 5 1 Capacidade de carga 1 3 2 4 5 Frequência 5 2 4 3 1 Ecoeficiência 2 4 1 5 3 O custo inclui adoção do modal, manutenção e necessidade de infraestrutura de apoio, a agilidade é relativa ao tempo de transporte da carga, a disponibilidade aborda a facilidade de contratação daquele tipo de modal em relação a demanda, confiabilidade refere-se a segurança do transporte, capacidade de carga é a quantidade/ peso de carga que cada modal pode suportar no transporte (por unidade modal), a frequência é o hábito de uso do modal para finalidades e/ ou produtos específicos e a ecoeficiência é a quantidade de poluição emitida por modal. A busca da ecoeficiência é uma tendência na escolha modal e pode representar redução de custo por considerar o tipo e custo do combustível por modal em relação a quantidade de emissão de poluentes. Estes aspectos são considerados críticos pela comparação entre infraestrutura e distâncias a ser percorridas para o transporte internacional de cargas. Sendo assim, o modal mais vantajoso nesta análise, sob um ponto de vista geral, é o ferroviário, seguido pelo rodoviário. E o com maior desvantagem é o aéreo. É importante ressaltar que as vantagens e desvantagens por avaliação geral não definem o uso do modal, pois cada tipo de produto possui necessidades específicas para o transporte, o que é o primeiro critério de escolha por modal. 9.4. Em resumo: vantagens e desvantagens principais por modal • Transporte Aquaviário: suas vantagens são custo, capacidade de carga e ecoeficiência. Desvantagem é o tempo de transporte. 50 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • Transporte Rodoviário: apresenta como vantagens a disponibilidade, agilidade, frequência e confiabilidade. Desvantagem: custo e baixa ecoeficiência. • Transporte Ferroviário: vantagens com custo, ecoeficiência, disponibilidade e capacidade de carga. Desvantagem por frequência, agilidade e infraestrutura. • Transporte Aéreo: vantagem pela agilidade e desvantagens pelo custo e ecoeficiência, faz-se também uma observação quanto a confiabilidade, pois considera-se um transporte seguro, porém que apresenta variabilidade pela dependência de condições climáticas. • Transporte Dutoviário: suas vantagens são a confiabilidade e a frequência e como desvantagens apresenta agilidade, disponibilidade e capacidade de carga. A análise dos modais é essencial e complexa para o posicionamento competitivo do transporte de cargas. Deve-se comparar o desempenho de cada modal na matriz de transportes tendo em vista o produto a ser deslocado, em que condições de qualidade, tempo, custo e segurança. Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT. Multimodal. Disponível em: . BALLOU, Ronald H.. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4. ed. São Paulo: Bookman, 2001. FLEURY, Paulo F. Logística empresarial: A perspectiva brasileira / (org.) Peter Wake, Kleber Fossati Figueredo. São Paulo:Atlas, 2000. (Coleção COPPEAD de Administração). KEEDI, Samir. Logística de transporte internacional: veículo prático de competitividade. São Paulo: Aduaneiras, 2001. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. NAZÁRIO, P.; WANKE, P.; FLEURY, P.F. O Papel do Transporte na Estratégia Logística. Disponível em: http://www.centrodelogistica.com.br/new/fs- public.htm. NOVAIS, Djalma. Guia de Consulta Rápida do INCOTERMS 2010/ 2011. Disponível em: http://dla.com.br/comexnews/2011/08/25/guia-de-consulta- rapida-do-incoterms-%E2%80%93-20102011. RODRIGUES, Rui. Intermodalidade. Disponível em: http://maquinistas.org/pdfs_ruirodrigues/TRANSINT.pdf>. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. 51 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância LEITURA COMPLEMENTAR 3 http://blocos-economicos.info/comercio-internacional.html (Recorte de artigo) O comércio internacional é um dos responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento da economia dos países. Comércio signif ica a troca de bens e serviços por capital. Já o comércio internacional é caracterizado por essa troca a nível internacional, que acontece entre nações e não de forma interna dentro do país. Em grande parte dos países esse ramo representa uma fatia considerável do seu PIB. A história desse tipo de comércio é antiga. Na antiguidade, por exemplo, os egípcios exportavam e importavam artigos de luxo e também compravam madeira para construir palácios. Outro exemplo, são as expansões marítimas do século XV, que proporcionou um grande crescimento do comércio. Mas foi a partir do século XX que houve um destaqueespecial, ainda mais com a intensif icação da globalização onde houve um crescimento da população mundial, da produção industrial, o avanço dos meios de transporte e das telecomunicações, etc. Outro fato foi o desenvolvimento das empresas e, portanto, a necessidade de expansão. À medida que ocorreu esta evolução, a participação dos países se tornou cada vez mais intensa, principalmente no pós-guerra. Esse crescimento trouxe transações que envolveram atividades de exportação e importação, investimentos, empréstimos e transações diversas. O comércio internacional provocou o aumento das barreiras comerciais, que foram impostas para proteger o desenvolvimento das empresas locais. Essas barreiras inseridas pelos desenvolvidos afetaram as exportações dos países emergentes. Dentre elas, pode-se citar a barreira tarifária, onde são adicionadas alíquotas de impostos sob produtos estrangeiros; e a barreira não tarifária que seria impor cotas, controle de preços, normas, regras, regulamentações sanitárias aos produtos estrangeiros. A f im de reduzir essas barreiras e privilegiar os mercados regionais foram criados os blocos econômicos. Exportação e Importação O comércio internacional está baseado no intercâmbio de mercadorias e seu crescimento irá depender do volume de importação e exportação dos produtos de determinados países. Deve ser considerado também o nível de desenvolvimento da nação, pois se ela for po uco desenvolvida, seus produtos terão baixo valor e eles terão que importar mais do que exportar. O contrário também acontece, pois quanto mais são desenvolvidos, mais aumenta o valor das exportações de seus produtos. Importar signif ica adquirir bens e serviços de fora do país. Já exportar é vender produtos e serviços para outros países. Mas é importante ressaltar que o comércio internacional não acontece de modo igual em todos os países. Alguns contribuem mais, outros menos. Essas operações são f iscalizadas e normatizadas pelas aduanas dos países, por meio de regras, normas e termos nacionais que regem essas relações, esse processo é chamado de comércio exterior. A troca de mercadorias entre países auxilia no desenvolvimento econômico e também de diversas áreas. Existe diferença entre Comércio Exterior e Comércio Internacional? O comércio exterior é caracterizado pelas atividades de compra e venda de mercadorias e serviços de um país ou empresa que operam sob uma legislação nacional. É como um país organiza leis, políticas, normas e regulamentos com relação as operações de importação e exportação. Já o comércio internacional trata das relações entre os países em suas transações comerciais, além de intercâmbio político e cultural. http://blocos-economicos.info/comercio-internacional.html 52 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Declaração de autoria e uso de Inteligência Artificial (IA) Este Guia da Disciplina foi elaborado pelo Prof(a). Lucimara Acosta, responsável pela disciplina, no âmbito das atividades acadêmicas da Universidade Santa Cecília para os cursos no formato de Educação a Distância e Semipresenciais. O(a) autor(a) declara que o conteúdo apresentado é resultado de sua produção intelectual, fundamentado em referenciais teóricos, científicos e pedagógicos pertinentes à área do conhecimento da disciplina. Para fins de apoio ao processo, poderão ter sido utilizadas ferramentas de Inteligência Artificial (IA) como recurso auxiliar na organização, revisão textual e sistematização de informações, não se configurando substituição da autoria ou da responsabilidade acadêmica pelo conteúdo produzido. A curadoria, validação, adequação pedagógica e responsabilidade final sobre o material são integralmente do(a) docente autor(a). 1. O SISTEMA DE TRANSPORTES 1.1. Sistema de Transporte 1.2. Os modais de Transporte 1.3. Vantagens e desvantagens das modalidades de transportes 1.4. Escolha do transporte: aspectos críticos 2. INTERMODALIDADE E MULTIMODALIDADE 2.1. Conceito: Intermodalidade e Multimodalidade 2.2. Análise da INTERMODALIDADE E MULTIMODALIDADE 2.3. Síntese: 2.4. Outras Definições 2.5. Qual sua utilidade? 3. O MODAL RODOVIÁRIO 3.1. Transporte Rodoviário - Características 3.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Rodoviário 3.3. Quando usar o Modal Rodoviário? 3.4. Decisões de Transporte Rodoviário 3.5. Veículos Utilizados 3.6. Transporte Rodoviário - Resumo LEITURA COMPLEMENTAR 1 4. OUTROS MODAIS TERRESTRES: FERROVIÁRIO E DUTOVIÁRIO 4.1. Transporte Ferroviário – Características 4.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Ferroviário 4.3. Quando usar o Modal Ferroviário? 4.4. Veículos Ferroviários: 4.5. Transporte Dutoviário - Características 4.6. Vantagens e Desvantagens do Transporte Dutoviário 4.7. Modo Dutoviário - Produtos 5. O TRANSPORTE AQUAVIÁRIO 5.1. Transporte Aquaviário - Características 5.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Aquaviário 5.3. Tipos de modais aquaviários 5.4. Conceito de Armador 5.5. Agente Marítimo 5.6. NVOCC 6. O TRANSPORTE AÉREO 6.1. Transporte Aéreo - Características 6.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Aéreo 6.3. Quando usar o Modal Aéreo? 6.4. Cálculo do Frete no Transporte Aéreo 6.5. Veículos Utilizados 6.6. Tipo de Cargas do Transporte Aéreo LEITURA COMPLEMENTAR 2 7. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS 7.1. Comércio internacional e o transporte de mercadorias 7.2. A logística e o transporte internacional 7.3. Logística Brasileira 8. INCOTERMS 2010 E SEGUROS DE CARGAS 8.1. Incoterms – Termos Internacionais de Comércio 8.2. Tipos de Incoterms 8.3. Seguros de cargas 9. REVISÃO 9.1. Incoterms: o início do posicionamento competitivo 9.2. Relação Custo, Tempo e Distância: Inter e Multimodalidade 9.3. Análise Comparativa entre Modais de Transporte 9.4. Em resumo: vantagens e desvantagens principais por modal LEITURA COMPLEMENTAR 3como produtos de baixo valor agregado. Portanto, para que estes produtos sejam competitivos é indispensável um sistema de transporte eficiente, pois como você já viu anteriormente, o custo de transporte é uma parcela considerável do valor destes produtos. 2.1. Conceito: Intermodalidade e Multimodalidade Intermodalidade - É o transporte de carga através de vários meios de transporte onde um único transportador organiza todo o transporte desde o ponto de origem, via um ou mais pontos de interligação até o ponto ou porto final. Dependendo de como a responsabilidade pelo transporte total foi dividida, diferentes tipos de documentos são usados. 6 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Multimodalidade - Quando um transportador que organiza o transporte assume inteira responsabilidade pelo transporte “porta-a-porta” e emite um único documento fiscal, ou seja, a responsabilidade das atividades de transporte é de um único operador (OTM – operador de transporte multimodal), o qual gerencia e coordena o processo todo desde o embarcador até o importador, assegurando o trânsito contínuo da carga pela melhor rota e pelo mais eficiente e efetivo custo de forma a atender aos requisitos de entrega. O transporte multimodal é disciplinado pela Lei 9611/98 de 20/02/98. 1. Permite manipulação e movimentação mais rápida da carga. 2. Garante maior proteção à carga, reduzindo riscos de danificação 3. Diminui os custos de transporte a partir da utilização e consolidação da carga. 2.2. Análise da INTERMODALIDADE E MULTIMODALIDADE Intermodalidade (inter = intersecção): (modalidade = modos de transporte) A responsabilidade pela carga cessa na transferência da carga de um modal para outro, isto é, a intermodalidade ocorre nos portos ou terminais de carga e descarga. Multimodalidade (multi = vários): (modalidade = modos de transporte) Movimentação de carga por vários modais, isto é, com um único documento fiscal. A movimentação da carga é realizada com a intermediação do OTM – Operador de Transporte Multimodal que emite um único documento fiscal entre a origem e o destino apesar de existirem paradas intermediárias para troca de modal. 2.3. Síntese: MULTIMODALIDADE o OTM organiza o transporte e emite um único documento fiscal. INTERMODALIDADE o dono da carga contrata as diversas etapas de movimentação, portanto emite vários conhecimentos de transporte e vários documentos fiscais. 7 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Figura 1 – Multimodalidade Figura 2 – Intermodalidade Fonte: http://shippingandfreightresource.com/dif ference-between-intermodal-and-multimodal/ 2.4. Outras Definições Transporte Unimodal: É o transporte através de um único meio de transporte, onde cada transportador emite seu próprio documento de transporte (B/L, AWB, etc…) Transporte Sucessivos: Quando a mercadoria, para alcançar o destino final, necessita ser transbordada para prosseguimento em veículo da mesma modalidade de transporte e regido por um único contrato. Um único contrato para toda operação. Exemplo com 3 contratos separados (contracts) http://shippingandfreightresource.com/difference-between-intermodal-and-multimodal/ 8 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Neste caso ocorre a figura do OTM – Operador de Transporte Multimodal 2.5. Qual sua utilidade? Ambas as modalidades de contrato logístico passaram a existir com a necessidade de operações de transporte mais complexas, cobrindo maiores distâncias e atingindo regiões que não necessariamente dispunham de todo o tipo de meios de transporte. Especialmente no Brasil, um país de vasto litoral e bacia hidrográfica, porém portos lotados e limitação no uso de corredores fluviais, a grande maioria do transporte aquaviário só vai até determinados pontos do mapa. A partir deles, é necessária a moção da mercadoria para vagões ferroviários (cuja malha de linhas também é escassa) e principalmente carretas e caminhões. Muitas grandes empresas organizam sozinhas; esse “leva-e-traz”, seja por intermédio de seus departamentos de logística ou supply chain ou mesmo por meio de subsidiárias especializadas no transporte de cargas. Outras empresas, contudo, precisam delegar a tarefa a operadores logísticos que cuidem do manuseio dessa carga até seu destino, não importando quais os modais que serão utilizados nessas operações. Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT. Multimodal. Disponível em: . BALLOU, Ronald H.. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4. ed. São Paulo: Bookman, 2001. FLEURY, Paulo F. Logística empresarial: A perspectiva brasileira / (org.) Peter Wake, Kleber Fossati Figueredo. São Paulo:Atlas, 2000. (Coleção COPPEAD de Administração). KEEDI, Samir. Logística de transporte internacional: veículo prático de competitividade. São Paulo: Aduaneiras, 2001. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. RODRIGUES, Rui. Intermodalidade. Disponível em: http://maquinistas.org/pdfs_ruirodrigues/TRANSINT.pdf>. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. 9 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 3. O MODAL RODOVIÁRIO Objetivo: Veremos, nesta Texto, o transporte rodoviário de carga no Brasil, vantagens e desvantagens, características do transporte rodoviário e tipos de caminhões. Palavras-chaves: rodovias, caminhões e transporte rodoviário. Até aqui, estudamos o sistema de transportes e suas possibilidades de contratação por multimodalidade ou intermodalidade. Nesta Texto, vamos iniciar nosso entendimento sobre as características dos modais, suas vantagens, restrições e usos. Mas, antes de começar, vamos relembrar as funções do transporte: FUNÇÕES DO TRANSPORTE • Responsável por ligar a produção ao mercado consumidor; • Responsável pelo acesso das pessoas a suas atividades diárias; • Fundamental para o bem-estar da população e competitividade do país TODOS os segmentos da sociedade devem colaborar para seu aperfeiçoamento. Introdução Segundo o Ministério dos transportes o Transporte Rodoviário é o realizado sobre rodas nas vias de rodagem pavimentadas ou não para transporte de mercadorias e pessoas, sendo na maioria das vezes realizados por veículos automotores (ônibus, caminhões, veículos de passeio, etc.). Como possui, na maioria dos casos, preço de frete superior ao hidroviário e ferroviário, é adequado para o transporte de mercadorias de alto valor ou perecíveis, produtos acabados ou semiacabados. O transporte de carga é exercido predominante com veículos rodoviários denominados caminhões e carretas, ambos podendo ter características especiais denominações especificas. 3.1. Transporte Rodoviário - Características Entre todos os modais de transporte, o rodoviário, seja o mais adequado para o transporte de mercadorias, quer seja internacionalmente na exportação ou na importação, 10 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância quer seja no transporte nacional, bem como, nos deslocamentos de curtas e médias distâncias. O transporte rodoviário é bastante recomendado para o transporte de mercadorias de alto valor agregado ou perecível. Este modal perde em muito sua competitividade para produtos agrícolas a granel, visto que seu valor é muito baixo, onde acaba encarecendo o seu custo final. No modal rodoviário o espaço no veículopode ser fretado em sua totalidade (carga completa) ou apenas frações de sua totalidade (carga fracionada). O fracionamento do espaço de carga do veículo possibilita a diversificação de embarcadores num mesmo embarque, diluindo desta forma, o custo entre os clientes na fração de sua utilização. 3.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Rodoviário Ele é o mais flexível e o mais ágil no acesso às cargas, permite integrar regiões, mesmo as mais afastadas, bem como o interior dos países. Nesses casos, principalmente quando não há outros modais disponíveis. A simplicidade do funcionamento do transporte rodoviário é o seu ponto forte, pois não apresenta qualquer dificuldade e está sempre disponível para atendimentos urgentes. Este transporte pode oferecer algumas vantagens e desvantagens as empresas demandantes, conforme quadro abaixo: VANTAGENS DESVANTAGENS Capacidade de tráfego por qualquer rodovia. (flexibilidade). Limite do tamanho da carga/veículo Usado em qualquer tipo de carga. Alto custo de operação. Rapidez no transporte. Alto risco de roubo/acidentes. Não necessita de armazéns especializados. Vias com gargalos gerando gastos extras e maior tempo para entrega Amplamente disponível. O modal mais poluidor que há. Fácil adaptação a outros modais Alto valor de transporte. Fácil contratação e gerenciamento. 11 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 3.3. Quando usar o Modal Rodoviário? O modal rodoviário é indicado para mercadorias perecíveis, mercadorias de alto valor agregado, pequenas distâncias (até 400Km), trajetos exclusivos onde não há vias para outros modais, quando o tempo de trânsito for valor agregado. Como vantagem, sabe-se que o modal rodoviário é facilmente adaptável, pois: • Reboques que podem trafegar sobre trilhos e rodovias. • Complementam outros modais. • Flexibilidade nos tipos de reboque. • Extensíveis. 3.4. Decisões de Transporte Rodoviário • Modal mais utilizado no Brasil; • Vantagem de oferecer um serviço porta-a-porta; • Alta disponibilidade de empresas transportadoras e operadores logísticos; • Alta disponibilidade de estradas; • Utilização de pallets, containers para agilizar a movimentação. 3.5. Veículos Utilizados A variabilidade de mercadorias e sua necessidade de transporte, fez com que as unidades de transporte rodoviário também variassem. Neste passo, mostram-se inúmeros os tipos de veículos utilizados no deslocamento de mercadorias. Os veículos denominados de caminhões podem ter de dois eixos até três, já as carretas, podem ter de três eixos até um número bem maior dependendo do peso da carga que for transportada. 12 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Em resumo os veículos (unidades de carga) podem ser: Caminhões: são veículos fixos, monoblocos, são constituídos em uma única parte que traz a cabine junto com o motor e a unidade de carga (carroceria). Pode variar o tamanho e a capacidade de tração, chegando a transportar até 23 toneladas. Carretas: são veículos articulados, onde possuem unidades de tração e de carga separadas. A parte encarregada da tração denomina-se cavalo mecânico e a de carga semirreboque. Os conjuntos (cavalos e semirreboques) de 05 eixos podem carregar até 30 toneladas de mercadorias e este é o modelo mais utilizado. Chassis: são as carretas de plataforma, antes citadas, apropriadas ao carregamento de containers de 20 ou 40 pés. Este tipo de veículo pode possuir acoplado um guincho hidráulico que possibilita movimentar os containers por meios próprios. Bi-trens: também são veículos articulados só que especiais, sendo composto de dois semirreboques. Podem carregar até 40 toneladas de mercadorias. Treminhões: assim como as carretas, os bi-trens são veículos articulados e especiais, sendo composto de um semirreboque e um reboque. Podem carregar até 50 toneladas de mercadorias. É uma ótima alternativa para carregar containers para ova, já que podem ser estacionados de forma independente. 3.6. Transporte Rodoviário - Resumo O transporte rodoviário tem sua faixa de competitividade, seja em áreas pioneiras de produção agrícola, seja em comunidades pequenas e médias, seja na distribuição fracionada, mas não é uma panaceia. Pelo contrário, na atual conjuntura é componente significativo do “Custo Brasil”. 13 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância É o mais expressivo no transporte de cargas no Brasil, atingindo praticamente todos os pontos do território nacional, pois desde a década de 50 com a implantação da indústria automobilística e a pavimentação das rodovias, esse modo se expandiu de tal forma que hoje é o mais procurado. O transporte rodoviário apresenta custos fixos baixos (rodovias estabelecidas e construídas com fundos públicos), porém seu custo variável (combustível, manutenção, etc.) é médio. As vantagens deste modal estão na possibilidade de transporte integrado porta a porta e de adequação aos tempos pedidos, assim como frequência e disponibilidade dos serviços. Apresenta como desvantagem a possibilidade de transportar somente pequenas cargas. FLEURY, P.F., FIGUEIREDO, K., WANKE, P. (org.). Logística Empresarial: A Perspectivas Brasileira. Coleção COPPEAD de Administração. São Paulo: Atlas, 2000. KEEDI, Samir. Logística de Transporte Internacional – São Paulo, Ed. Aduaneiras, 2001. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. LEITURA COMPLEMENTAR 1 Logística de Transportes (recorte de artigo) - https://portogente.com.br/portopedia/73441-logistica-de-transportes Papel do Transporte na Logística O transporte é uma das principais funções logísticas. Além de representar a maior parcela dos custos logísticos na maioria das organizações, tem papel fundamental no desempenho de diversas dimensões do Serviço ao Cliente. Do ponto de vista de custos, representa, em média, cerca de 60% das despesas logísticas, o que em alguns casos pode signif icar duas ou três vezes o lucro de uma companhia, como é o caso, por exemplo, do setor de distribuição de combustíveis As principais funções do transporte na Logística estão ligadas basicamente às dimensões de tempo e utilidade de lugar. Desde os primórdios o transporte de mercadorias tem sido utilizado para disponibilizar https://portogente.com.br/portopedia/73441-logistica-de-transportes https://portogente.com.br/portopedia/como-reduzir-custos-logisticos-78884 https://portogente.com.br/portopedia/como-reduzir-custos-logisticos-78884 https://portogente.com.br/portopedia/servico-ao-cliente-74750 https://portogente.com.br/portopedia/custos-73752 https://portogente.com.br/portopedia/73472-administracao-logistica https://portogente.com.br/portopedia/lucro-74118/74118 14 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância produtos onde existe demanda potencial, dentro do prazo adequado às necessidades do comprador. Mesmo com o avanço de tecnologias que permitem a troca de informações em tempo real, o transporte continua sendo fundamental para que seja atingido o objetivo logístico, que é o produto certo, na quantidade certa, na hora certa, no lugar certo ao menor custo possível. Muitas empresas brasileiras vêm buscando atingir tal objetivo em suas operações. Com isso, vislumbram na Logística, e mais especif icamente na função transporte, uma forma de obter diferencial competitivo. Dentre as iniciativas para aprimorar as atividades de transporte, destacam-se os investimentos realizadosem tecnologia de informação que objetivam fornecer às empresas melhor planejamento e controle da operação, assim como a busca por soluções intermodais que possibilitem uma redução signif icativa nos custos. São inúmeros os exemplos de empresas com iniciativas deste tipo, destacando -se entre elas a Souza Cruz, Coca-Cola, Alcoa, OPP-Trikem, Brahma, Martins, Dow Química, entre outras. Transporte x Serviço ao Cliente O Serviço ao Cliente é um componente fundamental da Logística Integrada. Todas as funções logísticas contribuem para o nível de serviço que uma empresa presta aos seus clientes. O impacto do transporte no Serviço ao Cliente é um dos mais signif icativos e as principais exigências do mercado geralmente estão ligadas à pontualidade do serviço (além do próprio tempo de viagem), à capacidade de prover um serviço porta-a-porta; à f llexibilidade, no que diz respeito ao manuseio de uma grande variedade de produtos; ao gerenciamento dos riscos associados a roubos, danos e avarias e à capacidade do transportador oferecer mais que um serviço básico de transporte, tornando -se capaz de executar outras funções logísticas. As repostas para cada uma destas exigências estão vinculadas ao desempenho e às características de cada modal de transporte, tanto no que diz respeito às suas dimensões estruturais, quanto à sua estrutura de custos. Escolha do Modal de Transporte Os cinco modais de transporte são o ferroviário, o rodoviário, o aquaviário (que também pode ser denominado de hidroviário), o dutoviário e o aéreo. A importância relativa de cada modal pode ser medida em termos da quilometragem do sistema, volume, receita e natureza da composição do tráfego. Existem diferenças no desempenho entre os modais relativos a custos f ixos e variáveis, velocidade, disponibil idade, conf iabilidade, capacidade e f reqüência. Estes fatores são considerados na escolha do modal a ser utilizado, dependendo também das características do nível de serviço a ser realizado. A escolha do tipo de transporte se dá entre o custo de transporte de um determinado produto (ef iciência) e a velocidade com que o produto é transportado (responsividade) (CHOPRA & MEINDL, 2003). Para Lambert et al. (1998), os fatores que inf luenciam os custos/preços de transporte estão relacionados com o produto e com o mercado. Os fatores relacionados com o produto englobam a densidade ou peso/volume do produto, a facilidade de armazenagem e manuseio do produto e o risco envolvido, ou seja, produtos que podem ser facilmente danif icados ou sujeitos a roubos e furtos. Os fatores relacionados com o mercado incluem grau de concorrência entre cada meio de transporte, localização dos mercados, natureza e ex tensão da regulamentação governamental dos transportadores, equilíbrio ou desequilíbrio do tráfego de f retes em um território, sazonalidade das movimentações de produtos e se o produto está sendo transportado dentro do país ou internacionalmente. Reduzir o custo dos transportes e também melhorar o serviço ao cliente são objetivos esperados do serviço logístico. https://portogente.com.br/portopedia/prazo-75582 https://portogente.com.br/portopedia/78878-o-valor-da-terceirizacao-na-logistica https://portogente.com.br/portopedia/produto-74456 https://portogente.com.br/portopedia/ti-tecnologia-de-informacao-74868/74868 https://portogente.com.br/portopedia/servico-ao-cliente-74750 https://portogente.com.br/portopedia/logistica-integrada-74108 https://portogente.com.br/portopedia/door-to-door-entrega-porta-a-porta-72987 https://portogente.com.br/portopedia/modais-de-transporte-74189 https://portogente.com.br/portopedia/modais-de-transporte-74189 https://portogente.com.br/portopedia/transporte-ferroviario-73385/73385 https://portogente.com.br/portopedia/transporte-rodoviario-73414/73414 https://portogente.com.br/portopedia/transporte-aquaviario-76574 https://portogente.com.br/portopedia/transporte-dutoviario-74920 https://portogente.com.br/portopedia/transporte-aereo-73376/73376 https://portogente.com.br/portopedia/nr-11-transporte-movimentacao-armazenagem-e-manuseio-de-materiais-77917 https://portogente.com.br/portopedia/procurar?q=Reduzir+o+custo 15 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 4. OUTROS MODAIS TERRESTRES: FERROVIÁRIO E DUTOVIÁRIO Objetivo: O objetivo desta Texto é fazer com que você compreenda os conceitos dos outros modais de transporte terrestre: ferroviário e dutoviário, características, vantagens e desvantagens. Palavras-chaves: modais terrestres, transporte ferroviário, transporte dutoviário. Introdução Um grande contraste entre os países desenvolvidos e os demais países do mundo é a intensidade que as ferrovias e dutos são utilizados para movimentação de cargas e pessoas, no transporte ferroviário; e a movimentação de cargas par o transporte por dutos. Nesta Texto, vamos estudar as características dos modais ferroviário e dutoviário, suas vantagens, restrições e usos. 4.1. Transporte Ferroviário – Características O Transporte Ferroviário é em si um modal terrestre, que circula em trilhos em aço, chamado de via permanente, havendo uma composição em locomotiva e vagões; podendo ser por meio de propulsão elétrica e a diesel. Segundo o Ministério dos Transportes o transporte ferroviário é o realizado sobre linhas férreas para transportar pessoas e produtos. Os produtos transportados neste modal são de baixo valor agregado e em grandes quantidades como: minério, produtos agrícolas, fertilizantes, carvão, derivados de petróleo, etc. Uma característica importante da linha férrea é a bitola que tem como definição a distância entre os trilhos de uma ferrovia. No Brasil, existem 3 tipos de bitola: larga (1,60m), métrica (1,00m) e a mista. Destaca-se que grande parte da malha ferroviária do Brasil está concentrada nas regiões sul e sudeste com predominância para o transporte de cargas. Características do transporte ferroviário de carga no Brasil: • Grande capacidade de carga; • Adequado para grandes distâncias; • Elevada eficiência energética; 16 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância • Alto custo de implantação; • Baixo custo de transporte; • Baixo custo de manutenção; • Possui maior segurança em relação ao modal rodoviário, visto que ocorrem poucos acidentes, furtos e roubos. • Transporte lento devido às suas operações de carga e descarga; • Baixa flexibilidade com pequena extensão da malha; • Baixa integração entre os estados; e • Pouco poluente. 4.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Ferroviário No transporte ferroviário, os investimentos em infraestrutura são bastante elevados, devido à necessidade de grande resistência e qualidade da via permanente, principalmente, em função do peso dos trens. Além disso, as ferrovias exigem implantação total, ou seja, não podendo ser construídas por etapas. Também, são necessários investimentos em material rodante e de tração; instalações fixas; terminais e equipamentos de carga e descarga. Possui grande capacidade de transporte, dependendo das características técnicas de vias, veículos e terminais. A flexibilidade de rotas e horários é muito pequena, e há também pouca disponibilidade de malhas ferroviárias. Por outro lado, este modo é muito seguro, devido à existência de esquemas rígidos de controle operacional. A velocidade operacional é elevada, gozando da vantagem de trafegar em vias exclusivas. O custo operacional é baixo em relação ao peso total transportado, pelo fato de ser econômico energeticamente. Há ainda a desvantagem de não haver a possibilidade de efetuar o transporte tipo porta-a-porta, pela dificuldade de os trens pararem em qualquer lugar da via férrea e de não existirem vias disponíveis para os pontos de origeme destino das viagens. Não é um modal muito poluente, sendo uma restrição onde as ferrovias são eletrificadas. 17 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Quadro 1 – Vantagens e Desvantagens do Modal Ferroviário Vantagens Desvantagens Alta eficiência energética. Tráfego limitado aos trilhos. Grandes quantidades transportadas. Sistemas de bitolas inconsistentes. Inexistência de pedágios. Malha ferroviária insuficiente. Baixíssimo nível de acidentes. Malha ferroviária sucateada. Melhores condições de segurança da carga. Menor poluição do meio ambiente. Nem sempre chega no destino final, dependendo de outros modais. Pouca flexibilidade de equipamentos Necessita de entrepostos especializados. 4.3. Quando usar o Modal Ferroviário? • Grandes volumes de cargas. • Grandes distâncias a transportar (800 Km). • Trajetos exclusivos (não há vias para outros modais) 4.4. Veículos Ferroviários: Locomotivas e vagões são os veículos ferroviários. Em resumo as unidades de carga ferroviária podem ser: Figura 1 – Tipos de Vagões Fechado - para granéis sólidos, ensacados, caixarias, cargas unitizadas e transporte de produtos em geral que não podem ser expostos as intempéries. Hopper - fechados para granéis corrosivos e granéis sólidos que não podem ser expostos ao tempo e abertos para os granéis que podem ser expostos ao tempo. Tanque - cimento a granel, derivados de petróleo claros e líquidos não corrosivos em geral. 18 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 4.5. Transporte Dutoviário - Características Entende-se por transporte dutoviário aquele efetuado no interior de uma linha de tubos ou dutos realizado por gravidade ou pressão sobre o produto a ser transportado ou ainda por arraste deste produto por meio de um elemento transportador. Os dutos utilizados para o transporte são de aço especial de grande resistência e durabilidade, totalmente soldado para evitar vazamentos, sendo revestido com uma fita plástica colada para evitar corrosão, o que o torna bastante seguro. Neste modal, a diferença dos demais é que o veículo que efetua o transporte é fixo enquanto que o produto a ser transportado é o que se desloca, não necessitando assim, na maior parte dos casos, de embalagens para o transporte. Esta modalidade de transporte vem se revelando como uma das formas mais econômicas de transporte para grandes volumes, especialmente quando comparados com os modais rodoviário e ferroviário. 4.6. Vantagens e Desvantagens do Transporte Dutoviário No Brasil, a participação das dutovias na matriz de transportes ainda é pequena, visto que os dutos são monopólio da Petrobrás e diferem da realidade mundial. No resto do mundo o transporte dutoviário é o modal mais econômico, mas no Brasil ele costuma ser mais caro do que a ferrovia. Quadro 2 – Vantagens do Modal Dutoviário Vantagens • É uma alternativa de transporte não poluente com reduzido impacto ambiental; • Devido ao serviço ininterrupto (24h todos os dias) e à possibilidade restrita de interferência pelas condições de tempo e de congestionamento, ocupam lugar de destaque no item confiabilidade e frequência; • Custo reduzido de transporte; facilidade de carga e descarga; baixo custo de manutenção e operação; • Menor possibilidade de perdas e roubos. 19 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Quadro 3 – Desvantagens do Modal Dutoviário Desvantagens • Alto custo de implantação • Devido aos direitos de acesso e servidão • Construção • Requisitos para controle das estações • Transporte lento (2 a 8 km/h) • Risco de acidentes ambientais • Pouca flexibilidade de destinos e de produtos • Mão de obra bastante especializada 4.7. Modo Dutoviário - Produtos • Gasodutos: transporte de gases; destaca-se o gasoduto Brasil-Bolívia. • Minerodutos: aproveita a força da gravidade para transportar minérios. Esses são impulsionados por um forte jato de água. • Oleodutos: utiliza-se de sistema de bombeamento para o transporte de petróleos brutos e derivados aos terminais portuários ou centros de distribuição. • Emissários e Adutoras • Resíduos Sólidos – Granéis – Outros. Fique atento - Para ampliar seus conhecimentos sobre o transporte ferroviário, acesse o site: http://www.revistaferroviaria.com.br/ http://www.revistaferroviaria.com.br/ 20 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância DAVID, P., STEWART, R. Logística Internacional. São Paulo: Cengage Learning, 2010. FLEURY, P.F., FIGUEIREDO, K., WANKE, P. (org.). Logística Empresarial: A Perspectiva Brasileira. Coleção COPPEAD de Administração. São Paulo: Atlas, 2000. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/ferro.html http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/ferro.html 21 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5. O TRANSPORTE AQUAVIÁRIO Objetivo: O objetivo desta Texto é demonstrar o transporte aquaviário, dividido entre marítimo, hidroviário e lacustre; suas vantagens e desvantagens, características do transporte e tipos de navios; além de conceitos de: armador, agente marítimo e NVOCC. Palavras-chaves: transporte marítimo, transporte hidroviário e transporte lacustre. Armador, Agente marítimo e NVOCC. Introdução O modal aquaviário é o mais utilizado atualmente no transporte de cargas e apresenta evolução constante após o fenômeno de conteinerização, pela grande capacidade de movimentação de mercadorias, bem como quanto ao tamanho e porte que os navios que transportam carga geral comportam. Sua atividade ocorre por meio dos portos. Nesta Texto, vamos estudar as características do modal aquaviário, suas vantagens e desvantagens. 5.1. Transporte Aquaviário - Características O Transporte Aquaviário é um modal aquático, caracteriza-se a partir do movimento de mercadorias ou pessoas através de mares, rios ou lagos utilizando como meio de transporte embarcações ou navios. Divide-se em marítimo, hidroviário e lacustre. Marítimo é realizado no mar, hidroviário nos rios e lacustre em lagos. Segundo o Decreto n. 87.648 de 1982, Lei n. 2.180 de 05.02.1954, e Decreto nº 15.788 de 1922, ambos reguladores do Tribunal Marítimo, são definidos e diferenciados os termos embarcação e navio. O termo embarcação significa qualquer construção, capaz de transportar pessoas ou coisas, suscetível de se locomover na água por meios próprios ou não (Decreto n. 87.648 de 24.09.1982, art.10). Considera-se embarcação mercante toda construção utilizada como meio de transporte por água, e destinada à indústria de navegação, quaisquer que sejam as suas características e lugar de tráfego (Lei n. 2.180 de 05.02.1954, art.11). Navio é uma construção náutica destinada à navegação de longo curso, de grande e pequena 22 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância cabotagem, apropriada ao transporte marítimo ou fluvial (Decreto nº 15.788/22, art. 3º). A atividade de viagem sobre as águas é conceituada como navegação, e esta divide-se em: • Navegação interior: navegação realizada em canais, rios, lagoas, enseadas, baías e angras. • Navegação de cabotagem: realizada entre portos de território nacional, por via marítima ou combinação de via marítima com vias interiores. • Navegação de longo curso: entreportos brasileiros e estrangeiros, ou entre estes, por via marítima ou combinação entre via marítima e vias interiores navegáveis. • Navegação fluvial e lacustre: realizada em rios e canais – fluvial, e em lagos ou lagoas - lacustre, entre portos nacionais e/ ou portos estrangeiros em vias navegáveis. • Navegação de apoio marítimo: realizada para atendimento das atividades de apoio, bem como exploração de hidrocarbonetos e outros minerais dispersos na água. • Navegação de apoio portuário: ocorre em áreas portuárias marítimas, fluviais e lacustres, a fim de suporte às operações dos portos e terminais, bem como às embarcações que navegam nestes locais. 5.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Aquaviário O transporte aquaviário é o modal de maior porte para movimentação de grandes quantidades de mercadoria em uma única viagem. A disposição de mercadorias em contêineres para facilitar o transporte de cargas foi um marco no uso do transporte aquaviário do ponto de vista de redução de custos e ofereceu maior agilidade no embarque e desembarque nos navios. Este modal depende de infraestrutura portuária e de interação com outros modais de transporte para ofertar serviço porta-a-porta, sendo o mais comum o transporte rodoviário para cumprir esta finalidade, portanto requer investimentos elevados para efetuar sua operação, especialmente em material rodante e de tração; instalações fixas; terminais e equipamentos de carga e descarga. 23 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Sua importância é derivada da facilidade de programação de entrega de carga em grandes quantidades, porém possui a desvantagem de necessitar de maior quantidade de tempo para o transporte. Quadro 1 – Vantagens e Desvantagens do Modal Aquaviário Vantagens Desvantagens Maior capacidade de carga. Requer estrutura portuária. Possibilidade de transporte de qualquer tipo de carga. Depende de outros modais para levar o produto ao destino final. Uso de contêiner para unitização da carga. Maior tempo de transporte. Baixo custo. Necessidade de transbordo. Transporte para grandes distâncias Menor quantidade de serviços agregados. Alta ecoeficiência Maior cuidado com a carga. 5.3. Tipos de modais aquaviários Existem diversos tipos de embarcações conforme as mais variadas finalidades de transporte de cargas, pessoas e animais, sendo os navios comerciais direcionados para o transporte de cargas. São navios destinados ao comércio os de passageiro e de carga, dividido em graneleiro, carga unitizada e carga geral. Os navios de carga geral subdividem-se em: • Handysize: pequenos navios de carga, com porte de até 40 mil ton. Apresenta flexibilidade para qualquer tipo de porto. Pode possuir guindaste próprio. • Seawaymax: subcategoria dos handysize, indica o tamanho máximo do navio que pode entrar no Canal do rio São Lourenço (Canadá), com acesso aos Grandes Lagos norte-americanos. • Handymax (ou Supramax): evolução do handysize, com dimensões normalmente entre 150 e 200 m de comprimento, com 4 guindastes próprios em média e porte máximo de 50 mil ton. • Panamax: nomenclatura derivada do Canal do Panamá, por indica o tamanho máximo do navio com capacidade para entrar nas eclusas e cruzar o lago do Panamá, cujas dimensões são definidas pela capacidade das eclusas: 289 m de 24 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância comprimento, 32,3 m de largura e 12 m de profundidade. Navios que excedam estas dimensões são chamados de Pós-Panamax. • Suezmax: nome derivado do Canal de Suez (que faz ligação entre Mar Mediterrâneo e Mar Vermelho). Como o Canal de Suez não tem eclusas, os limites são apenas pelo calado dos navios, limitados a 16,1 m. • Capesize: maiores navios de carga atualmente. É necessário que contornem os continentes pelo sul (o Cabo Horn) para atravessar o sul da América do Sul ou o Cabo da Boa Esperança para cruzar o sul da África, de onde deriva o nome Capesize. Capacidade de carga até 220 mil toneladas. Figura 1 – Tipos de Navios Comerciais Graneleiro petroleiro/ líquido – destinado ao transporte de petróleo refinado entre portos nacionais, porte de 25.000 a 500.000 toneladas. Graneleiro Sólido – transporte de grãos e commodities. Graneleiro químico – Navios tipo I – substancias perigosas com efeitos graves para além da vizinhança imediata do navio; Navios tipo II – substancias perigosas que não têm efeitos graves para além da vizinhança imediata do navio; Navios Tipo III – substancias menos perigosas para o meio ambiente. Porta contentor ou porta contêiner – Transporte de carga unitizada em contêiner, porte de 1700 a 19000 TEUs (Twenty-foot Equivalent Unit/ Unidade Equivalente de 20 pés), tamanho padrão de contêiner de 20 pés com capacidade de 24 toneladas. Ro Ro (Roll On – Roll Off/ Rolar para dentro/ Rolar para fora) – Navio para transporte de veículos. 25 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5.4. Conceito de Armador Faz-se distinção entre os conceitos de armador, agente marítimo e NVOCC, que comumente são confundidos em relação às suas atividades. Armador é a pessoa física ou jurídica constituída e registrada que realiza transporte marítimo. Pode ser o proprietário do navio que transportará a carga, seja em âmbito nacional ou internacional, ou também pode arrendar de terceiros, portanto sua responsabilidade é relativa a operação dos navios destinados ao transporte de cargas. 5.5. Agente Marítimo A agência marítima, ou agente marítimo é responsável por representar o armador em um país, estado, cidade ou porto estabelecidos, cuja função é a ligação entre usuário do navio e o armador. O agente marítimo tem competência para realizar atendimento operacional ao armador ou apenas atuar como agente comercial. Normalmente, suas atividades incluem angariar carga para espaços disponíveis no navio, controle de embarque e desembarque da carga, administração do navio, recepção e repasse de frete ao armador, representar o navio perante autoridades portuárias e atendimento a clientes. 5.6. NVOCC NVOCC é a sigla para Non-Vessel Operating Common Carrier (Transportador Comum Não Proprietário de Navio). É um prestador de serviços como armador, porém realiza transporte marítimo de cargas em navios de armadores, não podendo ser confundido com estes. É uma forma de angariar cargas para partes do navio sem a necessidade de administração ou prestação de serviços. Direciona-se a pequenos lotes de cargas que ainda irão ser unitizadas. 26 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Fique atento - Para ampliar seus conhecimentos sobre o processo de conteinerização e sua influência no transporte de cargas, acesse o site: http://www.guiamaritimo.com/gm_wp/ KEEDI, S. Logística de transporte internacional: veículo prático de competitividade. São Paulo: Aduaneiras, 2001. LACERDA, S.M. Navegação e Portos no Transporte de Contêineres. Revista do BNDES. Rio de Janeiro, n. 22, p. 215-243, 2004. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. RODRIGUES, P.R.A. Introdução aos Sistemas de Transporte no Brasil e à Logística Internacional. 3 ed. São Paulo: Aduaneiras, 2005. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. http://www.guiamaritimo.com/gm_wp/ 27 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6. O TRANSPORTE AÉREO Objetivo: Nesta Texto, será visto as razões para transportar no modal aéreo, o freteaéreo, tipos de aviões e normas de embalagem de acordo com as especificações. Palavras-chaves: modal aéreo, o frete aéreo, tipos de aviões e normas de embalagem. Introdução O Transporte Aéreo é o modal para transporte de mercadorias de maior agilidade na entrega, portanto, é indicado para o transporte de produtos perecíveis e outros que requerem tempo reduzido na transação. O Ministério dos Transportes considera que este modal é adequado para movimentação de produtos de alto valor agregado, perecíveis, pequenos volumes ou com urgência na entrega. É considerado um tipo de transporte misto, pois pode transportar pessoas e cargas ao mesmo tempo, embora existam empresas de transporte aéreo especializadas no transporte de cargas. 6.1. Transporte Aéreo - Características Entre todos os modais de transporte, o aéreo é considerado o mais adequado para o transporte de mercadorias que necessitam de tempo reduzido de transporte, quer seja internacionalmente na exportação ou na importação, quer seja no transporte nacional, bem como, nos deslocamentos de longas distâncias. O transporte aéreo é realizado em aeronaves e pode ser dividido em Nacional e Internacional. Todas as aeronaves possuem estrutura para transporte de bagagens e/ ou cargas. Tais compartimentos podem ser mistos (carga e passageiro) ou individuais (somente carga ou somente passageiro). 6.2. Vantagens e Desvantagens do Transporte Aéreo O transporte aéreo é o de maior agilidade para longas distâncias em curto tempo, porém necessita de interação com o modal rodoviário para entrega no destino final da 28 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância carga. Não é um modal representativo na matriz de transportes, devido à sua especificidade de transporte e alto custo de uso e manutenção. Este modal não apresenta grandes vantagens em relação aos demais modais estudados, por apresentar o maior custo, sendo este bastante elevado em relação aos demais e que compromete sua utilização. Acredita-se também que este modal apresenta certa variabilidade na entrega, pois é o mais suscetível às condições climáticas. Este transporte pode oferecer algumas vantagens e desvantagens às empresas demandantes, conforme quadro abaixo: VANTAGENS DESVANTAGENS Agilidade no transporte. Alto Custo para operação do modal. Organização e facilidade no rastreio da carga. Variabilidade de tempo. Disponibilidade de serviços. Baixa ecoeficiência. Confiabilidade. Requer integração com outros modais. Segurança. Menor capacidade de carga. Transporte misto. Frete elevado. Não requer embalagem reforçada. Baixo impacto na matriz de transporte de carga. Permite unitização da carga. 6.3. Quando usar o Modal Aéreo? O modal aéreo é indicado para mercadorias perecíveis, mercadorias de alto valor agregado e carga expressa. É recomendado para longas distâncias (mais de 1000Km), e quando o tempo de trânsito for valor agregado. Normalmente, o modal aéreo é utilizado para transporte de bagagem, peças de reposição, produtos eletrônicos, alimentos, brindes, medicamentos, amostras, documentos, dentre outros que necessitam de curto tempo de transporte. 29 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6.4. Cálculo do Frete no Transporte Aéreo O frete deste modal é calculado pela relação entre peso e volume da mercadoria, porém será considerado aquele que obtiver o maior valor. Esta base de cálculo foi proposta pela International Air Transport Association (IATA) e ocorre da seguinte forma: 1 Kg = 6000 cm³ ou 1 ton = 6 m³ As tarifas são baseadas em rotas, tráfegos e custos, podendo ser cobradas de forma uniforme pelas companhias aéreas, conforme segue: • Tarifa geral de carga: normal para transportes de até 45 kg; de quantidade para superiores a 45 kg; classificada para percentual adicionado ou deduzido da tarifa geral, no caso de transporte de cargas específicas, consideradas também aquelas acima de 1000 kg. • Tarifas específicas de carga: reduzidas e aplicáveis a mercadorias específicas, com peso mínimo, entre dois pontos determinados (transporte regular); • Tarifas ULD (Unit Load Device): transporte de unidade domicílio a domicílio para cargas unitizadas, desde que o carregamento e o descarregamento são custeados pelo remetente e destinatário, respectivamente. 6.5. Veículos Utilizados A variabilidade de cargas e sua periculosidade para o transporte requer alguns cuidados no modal aéreo, portanto, existem alguns tipos de aeronaves utilizadas no deslocamento de produtos. Os modelos de aeronaves utilizados são variados, assim como seus fabricantes, mas podem ser classificadas em três tipos conforme configuração e utilização. A definição pela categoria da aeronave segue o critério de deck superior. Em resumo as aeronaves podem ser: All Cargo ou Full Cargo: Especificamente usada para transporte de carga, pois utiliza deck superior e inferior para compartimento de mercadorias, apresenta maior capacidade de deslocamento de carga. 30 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Combi: tipo de aeronave utilizada para transporte misto (cargas e passageiros). A carga pode ser deslocada tanto em parte superior quanto inferior da aeronave. Full Pax: Aeronave destinada ao transporte de passageiros, sendo o deck superior específico para os passageiros e o deck inferior para bagagens, porém quando há sobra de espaço, pode ser preenchido com carga no deck inferior. Para avaliar a capacidade de carga de uma aeronave é preciso considerar seu tamanho, potência, configuração, distância a ser percorrida e tipo de utilidade que possuirá. A classificação All cargo é a de maior capacidade no transporte aéreo. 6.6. Tipo de Cargas do Transporte Aéreo Existem alguns tipos de carga que são transportadas pelo modal aéreo com maior frequência. São elas: • Cargas gerais: podem ser transportadas por pallets ou contêineres específicos para navegação aérea. • Carga expressa: cargas transportadas com urgência, normalmente relacionadas a medicamentos ou produtos de saúde. • Carga perecível: cargas que podem sofrer danos ou alterações inviabilizando seu uso após algum tempo, produtos alimentícios e remédios são exemplos comuns. • Carga perigosa: cargas que possuem substâncias capazes de gerar risco à saúde ou segurança, como gases, material explosivo. • Cargas restritas: restritas a imposições de autoridades alfandegárias e governamentais, por exemplo, armamento. • Cargas vivas: transporte de animais com equipamentos e procedimentos específicos. 31 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Normas de embalagem para transporte aéreo Qualquer tipo de carga pode ser transportado, desde que não gere risco à aeronave, passageiros, operadores, ou à própria carga. Mas existem regras específicas de embalagem para cada tipo de material: Cargas Perigosas: precisam de autorização da empresa aérea e precisam de correta e completa identificação, além de agente de carga específico para orientar o embarque. Sua documentação deve conter ficha de emergência, com todas as informações sobre o produto para o correto manuseio e para atendimento na eventualidade de alguma ocorrência. As embalagens e condições de transporte são devidamente regulamentadas pela IATA. No embarque de produtos perigosos deve ser considerada a quantidade máxima por embalagem, bem como mercadorias incompatíveis. Alguns produtos são perigosos para transporte em aeronave, portanto alguns podem ser embarcados em aviões mistos, e outros somente em aviões cargueiros. Os produtos perigosos são classificadospela Organização das Nações Unidas (ONU), por classes de riscos. Os seguintes documentos devem acompanhar o conhecimento de embarque: declaração do embarcador, cópia do Atestado de Produto Aeronáutico Aprovado (APAA), emitido pelo Centro Aeroespacial para Embalagem; e certificado de conformidade da empresa produtora da embalagem. Os produtos devem ser embalados segundo sua classificação, com menção das suas características como o ponto de fulgor e periculosidade, o ano de fabricação e país de origem, entre outros. Perecíveis: garantia de que chegarão ao destino em bom estado e etiqueta especial de identificação. Animais Vivos: o embarque de animais vivos está condicionado às normas da IATA, que descrevem minuciosamente qual o tipo de animal, tipo de aeronave, temperatura a ser observada durante a viagem, condições de saúde e estado do animal. 32 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Fique atento - Para ampliar seus conhecimentos sobre o transporte aéreo de cargas e sua operação, assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=6hl5HNdgok0 FLEURY, P.F., FIGUEIREDO, K., WANKE, P. (org.). Logística Empresarial: A Perspectivas Brasileira. Coleção COPPEAD de Administração. São Paulo: Atlas, 2000. KEEDI, S. Logística de Transporte Internacional. São Paulo: Aduaneiras, 2001. LUMARE JR, Giuseppe. Valor econômico do cliente no transporte. São Paulo: Pearson, 2006. RODRIGUES, P.R.A. Introdução aos Sistemas de Transporte no Brasil e à Logística Internacional. 3 ed. São Paulo: Aduaneiras, 2005. SCHLÜTER, Mauro Roberto. Sistemas logísticos de transportes. São Paulo, Intersaberes, 2012. LEITURA COMPLEMENTAR 2 Globalização - https://www.todamateria.com.br/globalizacao/ A Globalização é um processo de aprofundamento das relações econômicas, sociais, culturais e políticas entre os povos espalhados pelo mundo. Origem A origem da globalização remonta ao século XV durante o período mercantilista. Várias nações europeias lançaram-se ao mar em busca de novas terras e riquezas. O século XVIII caracterizou-se por um aumento ainda maior no f luxo de força de trabalho entre os países e continentes, especialmente nas novas colônias europeias na África e na Ásia. O homem europeu entrou em contato com povos de outros continentes e estabeleceu relações comerciais e culturais em níveis sem precedentes. No século XIX, com a invenção da eletricidade, das ferrovias e dos navios a vapor, as distâncias encurtaram e os produtos puderam chegar nos lugares mais remotos. Esse conjunto de transformações, de ordem política e econômica, intensif icou-se, sobretudo, no f inal do século XX, com destaque para o período pós Segunda Guerra Mundial. Após o fim da União Soviética, o mundo já não estava mais dividido por uma barreira ideológica. Os países que pertenceram ao bloco comunista iriam adotar o liberalismo e o capitalismo como forma de governo e política econômica. https://www.youtube.com/watch?v=6hl5HNdgok0 https://www.todamateria.com.br/globalizacao/ https://www.todamateria.com.br/fim-da-urss/ 33 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Surge o neoliberalismo que ganhará força e impulsionar o processo de globalização econômica pelos quatro cantos do mundo. Características da Globalização • Integração social, econômica e política; • União de mercado mundial (relações comerciais e f inanceiras); • Fortalecimento das relações internacionais; • Aumento da produção e do consumo de bens e serviços; • Avanço tecnológico e dos meios de comunicação; • Instantaneidade e velocidade das informações (por exemplo, via internet); • Surgimento de multinacionais e transnacionais; • Aumento da concorrência econômica e do nível de competição; • Surgimento dos blocos econômicos e desaparição das f ronteiras comerciais; • Ampliação do uso de máquinas na execução de tarefas; • Crescimento da economia informal; • Valorização de mão-de-obra qualif icada; • Privatização de empresas estatais. Globalização no Brasil Da mesma maneira que nos países colonizados por outros europeus, a globalização no Brasil tem início com a chegada dos portugueses no País. Isso porque começam as relações econômicas, sociais, culturais e políticas entre os povos que aqui viviam e os colonizadores. No entanto, foi somente no século XX que esse processo teve maior impacto na economia do Brasil. Destacam-se a implementação do neoliberalismo através do Plano Collor e as privatizações das empresas estatais. Além disso, a expansão das indústrias e das empresas multinacionais foram essenciais para reforçar o processo de globalização no País. Globalização Econômica Um fato notável da globalização é o acúmulo de conhecimentos. Isso provoca aumento no compasso das transformações nos meios de produção e tem como consequência o barateamento do método produtivo das indústrias. Assim, desde os primórdios, notamos uma dispersão da cadeia de produção, através da qual fabricarão suas mercadorias em vários países. O objetivo principal é reduzir os custos pela exploração da mão -de-obra, matéria-prima e energia nos países em desenvolvimento. Podemos também imaginar a globalização como um processo que visa constituir e aperfeiçoar uma rede de conexões. O intuito é encurtar as distâncias, facilitando as af inidades culturais e econômicas, posto que estabelece a conexão entre os países e as pessoas de todo mundo. Nesse sentido, as instituições f inanceiras (bancos, casas de câmbio) criaram um sistema ef icaz para benef iciar a transferência de capital e comercializar ações em escala mundial. A criação de blocos econômicos, cujo objetivo principal é aumentar as relações comerciais entre os membros, é outra consequência da globalização. Com este propósito, surgem a União Europeia, o Mercosul, o NAFTA, o Pacto Andino e a APEC. https://www.todamateria.com.br/neoliberalismo/ https://www.todamateria.com.br/plano-collor/ https://www.todamateria.com.br/empresas-multinacionais/ https://www.todamateria.com.br/uniao-europeia/ https://www.todamateria.com.br/mercosul/ https://www.todamateria.com.br/nafta/ https://www.todamateria.com.br/comunidade-andina-de-nacoes-pacto-andino/ https://www.todamateria.com.br/apec/ 34 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Estas relações entre os países gerou a necessidade de expandir seus mercados e conduziu as nações à abertura econômica para produtos de outros países. Isso fortaleceu a implementação de uma ideologia de origem iluminista conhecida como Liberalismo. Globalização Cultural Com a abertura de mercados, o consumidor (que passa a ser uma nova categoria de cidadão) tem acesso a produtos importados de qualidade a baixo custo. Este processo contribui ainda para a universalização do acesso aos meios de comunicação pelo barateamento das tecnologias e dos métodos de produção. A globalização tem como seu ícone mais notável a Internet, a rede planetária de computadores. Ela tornou-se possível graças a pactos entre diferentes entidades públicas e privadas por todo mundo. Deste modo, a língua inglesa torna-se fundamental na Internet, como uma forma rápida ef iciente e totalmente nova para se relacionar com pessoas de outros países. Conheça o termo Sociedade da Informação. Um mundo conectado pela Tecnologia de Informação Vantagens e Desvantagens Como principal ponto positivo da globalização podemos citar os avanços tecnológicos que tornam mais fácil a vida das pessoas. Assim, ela facilita o f luxo de informação e de capitais mediante inovações nas áreas das Telecomunicações e da Informática. Com ponto negativo, é preciso af irmar que a maior parcela dodinheiro f ica entre os países mais desenvolvidos. Estes investem o capital numa relação desproporcional, o que gera uma brutal concentração da riqueza. https://www.todamateria.com.br/liberalismo/ https://www.todamateria.com.br/meios-de-comunicacao/ https://www.todamateria.com.br/sociedade-da-informacao/ 35 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 7. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS Objetivo: Estudar e analisar os custos, rotas, serviços de cada modal visando encontrar melhores alternativas para o transporte internacional de cargas. Palavras-chaves: Custos, rotas, serviços internacionais de cargas. Introdução Após a análise sobre os tipos de modais utilizados no transporte de cargas, é possível traçarmos um panorama sobre a contribuição de cada modal e suas características principais, permitindo uma tomada de decisão eficiente quanto à escolha de alternativas para o transporte internacional de cargas. Considera-se nessa análise as vantagens e desvantagens de cada modal para uma composição competitiva no transporte de mercadorias, a partir dos custos, rotas e serviços oferecidos por cada modal. A comparação entre os modais permite uma melhor visualização dos conceitos de inter e multimodalidade e pode influenciar na composição de transporte em cada caso em que se faça necessário o uso de mais de um modal para o transporte. Considerando que alguns modais por si só dependem de integração com outro modal para o porta a porta, esta análise é indispensável ao estudo do transporte internacional. 7.1. Comércio internacional e o transporte de mercadorias O comércio internacional está estruturado sobre muitas variáveis, sendo também uma importante área na formulação das políticas econômicas dos países. Uma delas, de valor fundamental, é a locomoção de bens de seu ponto de origem até seu ponto de destino, a ligação entre a zona de produção da mercadoria e sua respectiva zona de consumo. A gestão de transportes, parte essencial de um sistema logístico é a atividade responsável por esses fluxos de matéria prima e produto acabado entre todos os elos da cadeia logística, os quais se encontram dispersos geograficamente, o que torna a gestão de transportes ainda mais complexa. Pelo seu peso e valor relativo na transação, o 36 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância transporte é componente decisivo no custo final da mercadoria, atendimento de prazos e condições de entrega pré-estabelecida. Assim, uma logística de transporte montada adequadamente pode representar a lucratividade ou prejuízo na atividade exportadora ou importadora e, consequentemente, a sua manutenção, incremento ou retirada do jogo das trocas internacionais. 7.2. A logística e o transporte internacional Com a globalização as empresas passaram a competir em nível mundial, mesmo estando em seu território local e forçadas às substituições de moldes multinacionais de operações para moldes mundiais de operações. Hoje, se transporta tudo para qualquer lugar do mundo, e nosso papel é viabilizar o comércio de mercadoria despachando a carga com custo e qualidade, no tempo correto e na quantidade apropriada as exigências do cliente. No comércio internacional, o transporte de bens exportados e importados têm valor fundamental, por meio dos modais de transportes, aliados dentre outras variáveis como armazenagem, tempo, movimentação, qualidade e preço realizam-se a transferência dos bens, desde o ponto de origem até o de destino, atividade essa, denominada atualmente, de logística de transporte. (KEEDI, 2001) Keedi (2001) aposta que na logística de transporte, deve-se a transferência de mercadorias de um ponto a outro, no melhor custo, tempo e qualidade, entre outros quesitos, sempre foi um desejo palpável e perseguido na busca constante da melhoria dos preços e serviços e, por consequência, da competitividade. Os movimentos atuais exigem maior agilidade e flexibilidade por parte das empresas para que possam suprir adequadamente seus mercados, pois as empresas são cada vez mais pressionadas pela necessidade de redução de custos aliada às mudanças nos desejos, necessidades e/ou expectativas dos clientes. A empresa torna-se mais competitiva quando consegue realizar suas atividades a um custo baixo ou obter mais eficiência frente a seus concorrentes. 37 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Quando se trata de operações globais, há o aumento de custo e complexidade do sistema por se tratar de muitas incertezas e redução da capacidade de controle. Estas incertezas estão associadas por fatores, como: distância, demanda, diversidade, culturas, idiomas, moedas, legislação. Nas operações globais há muita incerteza que resulta de distâncias maiores, um maior tempo de fornecimento (lead time), pouca informação e menor conhecimento e domínio de um mercado, muitas vezes, pouco conhecido. A partir de 1980 houve a incorporação dos avanços da tecnologia de informação e das telecomunicações acarretando ao conceito de Supply Chain Management (SCM) ou Gestão das Cadeias de Suprimentos. A integração da cadeia de suprimentos é um processo orientado pelo gerenciamento de dados compartilhados entre fornecedores e clientes, uma evolução logística resultante do uso de técnicas sofisticadas de programação matemática e a aplicação da pesquisa operacional no controle de procedimentos de produção, transferência e entrega de produtos e serviços a clientes, incorporando ainda o gerenciamento financeiro do processo. O SCM compreende o conjunto de processos e organizações desde a fonte de matéria-prima até o cliente final. É um modelo administrativo recente adotado pelas empresas para evitar os desperdícios, reduzir custos e oferecer um melhor serviço aos clientes. 7.3. Logística Brasileira A logística no Brasil encontra-se em fase de transição, percebe-se, que a aplicação dos conceitos gerenciais da logística é dada por parte de alguns setores, porém, de maneira geral é pouco utilizada. (ROCHA, 2001) A indústria automobilística é um exemplo de aplicação da logística empresarial, utilizando-se do sistema Just in time, a fim de integrar as atividades de produção com a de compra, venda e distribuição, proporcionando mais eficiência e sofisticada logística. (ROCHA, 2001) 38 Multimodais, Intermodais e Transporte Internacional Universidade Santa Cecília - Educação a Distância É fato que a logística brasileira de forma geral, é pouco desenvolvida, as empresas começam a reestruturar suas atividades logísticas utilizando as novas perspectivas de integração. Conforme Segre (2007) na logística brasileira: O rápido crescimento do comércio internacional gerou uma enorme demanda por logística internacional, uma área para a qual alguns países, especialmente o Brasil, nunca haviam se preparado adequadamente tanto em termos burocráticos quanto de infra- estrutura e práticas empresarias. (SEGRE, 2007, p.122). No Brasil o transporte de carga tem como característica principal custos muito altos para os usuários. O modal rodoviário apresenta uma infraestrutura inadequada e deteriorada, um baixo nível de manutenção da frota. Nas ferrovias, constata-se baixa eficiência, inadequação operacional, malha insuficiente, obsoleta e em péssimo estado de conservação, falta de investimentos no setor, com o agravante da dificuldade de integração entre as malhas, consequência do uso de bitolas diferentes ao longo das malhas. (SAGRE, 2007, p.123). O sistema de transporte brasileiro apresenta forte dependência do modal rodoviário por grande parte dos setores do país, indicando ora ociosidade ora o mau aproveitamento