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TÉCNICAS DE TERAPIA ORTOMOLECULAR UNIDADE III CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR Elaboração Aline David Silva Atualização Claudia Ribeiro da Luz Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO UNIDADE III CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR ................................................................................................5 CAPÍTULO 1 VITAMINAS ...................................................................................................................................................................................... 5 CAPÍTULO 2 MINERAIS ...................................................................................................................................................................................... 14 CAPÍTULO 3 TOXICIDADE DE NUTRIENTES/MINERAIS ......................................................................................................................... 20 CAPÍTULO 4 FITOQUÍMICOS E FITOTERÁPICOS ...................................................................................................................................... 23 CAPÍTULO 5 ALIMENTOS ORGÂNICOS ....................................................................................................................................................... 29 CAPÍTULO 6 ALIMENTOS TRANSGÊNICOS ................................................................................................................................................ 31 REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................................34 5 UNIDADE III CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR CAPÍTULO 1 VITAMINAS 1.1. Vitamina A A vitamina A é um álcool primário e lipossolúvel. Pode ser encontrada no tecido animal sob a forma de retinoides ou como pró-vitamina em tecidos vegetais, sob a forma de carotenoide. Esta vitamina é instável aos processos oxidativos e à temperatura acima de 34ºC. » Fontes As fontes dietéticas de vitamina A podem ser a vitamina A pré-formada e a pró-vitamina A, representada pelos carotenoides. O retinol só pode ser encontrado em fontes animais (fígado, óleo de fígado de peixes, leite integral e derivados, ovos e aves). » Funções Dentre as funções da vitamina A, destacam-se a visão, o crescimento, o desenvolvimento e a manutenção do tecido epitelial, a função imunológica e a reprodução. » Deficiência A deficiência de vitamina A causa lesões da pele e infecções, porém a manifestação mais marcante é a cegueira noturna que aparece somente quando a deficiência é grave e pode evoluir para a cegueira definitiva. Ainda existe o desenvolvimento embriogênico anormal, espermatogênese deficiente, aborto espontâneo, reduzido número de osteoclastos, anemia e imunodepressão. http://pt.wikipedia.org/wiki/Carotenoide 6 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR » Excesso Visão turva, confusão mental, diminuição do apetite, tontura, sonolência, dor de cabeça, aumento da pressão intracraniana, irritabilidade, danos hepáticos, náusea, alterações dermatológicas, maior sensibilidade à luz solar, palidez, vômitos. 1.2. Vitamina D A vitamina D é lipossolúvel, pode ser obtida exogenamente e endogenamente. Necessita ser metabolizada até 1,25 (OH)2D3, que é sua forma ativa e age similarmente aos hormônios esteroides. » Fontes Provém de fontes naturais (alimentação) e a sintetizada na pele. Pode ser ingerida sob duas formas: D2 (calciferol) sintetizada em plantas a partir do precursor ergosterol e a D3 (colecalciferol) dos alimentos não vegetais. Ambas são metabolizadas para se tornarem ativas. » Funções A vitamina D mantém as concentrações de fósforo e cálcio no sangue, regula o metabolismo ósseo e faz a fixação de cálcio nos ossos e dentes. » Deficiência Em crianças, causa raquitismo, caracterizada por ossos fracos e moles, defeitos na dentição, crescimento físico retardado e deficiência na absorção de fósforo e cálcio. Nos adultos, osteomalácia, caracterizada por ossos fracos e moles. » Excesso Hipercalemia, dor óssea, enfraquecimento e falhas no desenvolvimento e depósito de cálcio no rim. 1.3. Vitamina K Dentre as vitaminas lipossolúveis encontra-se a vitamina K. As formas da vitamina K são: filoquinona (vitamina K1), dihidrofiloquinona (dK), menaquinona (vitamina K2), menadiona (vitamina K3). 7 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III » Fontes A filoquinona está presente nos vegetais, óleos vegetais e hortaliças. A dihidrofiloquinona é formada durante a hidrogenação comercial de óleos vegetais. A menaquinona é sintetizada por bactérias e está presente em produtos animais e alimentos fermentados.. A menadiona é um composto sintético convertido em menaquinona no intestino. » Funções O requerimento da vitamina K está relacionado com a sua função no processo de coagulação sanguínea. Ela é fundamental para síntese hepática de proteínas envolvidas neste processo, como os fatores II (pró-trombina), VII, IX e X (fatores de coagulação) e as proteínas C, S e Z (inibidoras da coagulação). » Deficiência Hemorragias, osteoporose, doença hemorrágica do recém-nato, alterações da absorção intestinal (síndrome de má absorção e obstrução biliar). » Excesso Dispneia e hiperbilirrubinemia. 1.4. Vitamina E É uma vitamina lipossolúvel representada pelos tocoferóis e tocotrienóis, sendo a mais importante o “alfatocoferol”. » Fontes Verduras cor verde escuro (agrião, espinafre, couve), óleos vegetais (de algodão, milho, soja, azeite de dendê, óleo de semente de açafrão), ovos, germe de trigo, semente de girassol, soja, banana, manteiga, carnes, nozes, amendoim, gergelim, linhaça. » Funções Possui propriedade antioxidante, já que pode reagir com O2, OH e ROO. Desta forma, atua no combate aos radicais livres causadores de danos às células do corpo humano. Ainda atua inibindo a proliferação celular, agregação plaquetária e adesão de monócitos. O gama-tocoferol, possui ação anti-inflamatória e antineoplásica. Os tocotrienóis, além dessas funções, também são neuroprotetores. http://www.infoescola.com/plantas/couve/ http://www.infoescola.com/plantas/semente/ http://www.infoescola.com/plantas/acafrao/ http://www.infoescola.com/plantas/girassol/ http://www.infoescola.com/frutas/banana/ http://www.infoescola.com/frutas/nozes/ http://www.infoescola.com/alimentos/linhaca/ 8 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR » Deficiência Agregação plaquetária, anemia hemolítica, degeneração neuronal (por lesão na bainha de mielina), retinopatia pigmentar (problema que afeta a retina dos olhos, principalmente em bebês que nascem prematuros). A depleção prolongada causa lesões musculares e esqueléticas e alterações hepáticas. 1.5. Vitamina B1 1.5.1. Conhecida também como Tiamina, a vitamina B1 é hidrossolúvel » Fontes Vegetais de folhas (alface romana, espinafre), berinjela, cogumelos, grãos de cereais integrais, feijão, nozes, atum, carne bovina e de aves. » Funções A tiamina é essencial para o metabolismo dos hidratos de carbono por meio de suas funções coenzimáticas. A coenzima da tiamina é a chave para várias reações na transformação de glicose em ATP. A vitamina B1 também desempenha um papel na condução dos impulsos nervosos e no metabolismo aeróbico. » Deficiência Fadiga, irritabilidade e falta de concentração. As duas principais doenças relativas à deficiência em tiamina são o Beribéri (desordens dos sistemas nervoso e cardiovascular) e a Síndrome de Korsakoff (de confusão e depressão leve a psicose e coma). 1.6. Vitamina B2 1.6.1. A vitamina B2 também é conhecida como Riboflavina e é hidrossolúvel » Fontes Vegetais, grãos integrais, leite, carnes (fígado é uma grande fonte), levedura e ovos. » Funções A riboflavina é necessária na síntese do dinucleotídeode flavina-adenina (FAD) e do mononucleotídeo de flavina (FMN), dois cofactores enzimáticos essenciais na cadeia respiratória. http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinucle%C3%B3tido_de_flavina-adenina http://pt.wikipedia.org/wiki/Mononucle%C3%B3tido_de_flavina http://pt.wikipedia.org/wiki/Cofactores_enzim%C3%A1ticos 9 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III » Deficiência Nas crianças, isto pode levar a um crescimento inferior ao normal. Em adultos: glossite (língua vermelha, língua geográfica), estomatite angular (fissuras nos cantos da boca), prurido, escamação da pele e dermatite seborreica. 1.7. Vitamina B3 A Niacina, também conhecida como vitamina B3, é hidrossolúvel, e engloba duas substâncias ativas: a nicotinamida e o ácido nicotínico, sendo que o ácido nicotínico se converte facilmente em nicotinamida. » Fontes Levedura, carnes magras de bovinos e de aves, fígado, leite, gema de ovos, cereais integrais, vegetais de folhas (brócolis, espinafre), aspargos, cenoura, batata-doce, frutas secas, tomate e abacate. » Funções Seus derivados (NAD+, NADH, NADP+ e NADPH) desempenham importante papel no metabolismo energético celular e na reparação do DNA. Ainda, a vitamina B3, remove substâncias químicas tóxicas do organismo e auxilia a produção de hormônios esteroides pelas glândulas suprarrenais. » Deficiência Pelagra, erupções cutâneas, fraqueza muscular, falta de apetite e indigestão. 1.8. Vitamina B5 1.8.1. A vitamina B5, também conhecida como ácido pantatênico, é hidrossolúvel » Fontes Carnes, ovos, leite, grãos integrais e inteiros, amendoim, levedura, vegetais (brócolis), algumas frutas (abacate), ovário de peixes de água fria, geleia real. » Funções Auxilia na produção dos hormônios das suprarrenais, na formação de anticorpos, no metabolismo das proteínas, gorduras e açúcares, na conversão de lipídeos, carboidratos e proteínas em ATP. http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicotinamida_adenina_dinucle%C3%B3tido http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicotinamida_adenina_dinucle%C3%B3tido_fosfato http://pt.wikipedia.org/wiki/Metabolismo http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81cido_desoxirribonucleico http://pt.wikipedia.org/wiki/Horm%C3%B4nio http://pt.wikipedia.org/wiki/Esteroide http://pt.wikipedia.org/wiki/Gl%C3%A2ndula_supra-renal http://pt.wikipedia.org/wiki/Horm%C3%B4nio http://pt.wikipedia.org/wiki/Anticorpo http://pt.wikipedia.org/wiki/Lip%C3%ADdeo 10 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR » Deficiência Fadiga, redução na produção de anticorpos, câimbras musculares, dores e cólicas abdominais, insônia, fraqueza de unhas e cabelo. 1.9. Vitamina B6 1.9.1. A vitamina B6, também conhecida como Piridoxina, é hidrossolúvel A piridoxina é o nome dado a três substâncias: a piridoxina (um álcool), o piridoxal (um aldeído) e a piridoxamina (uma amina). » Fontes Cereais integrais, carnes (frango, fígado bovino, porco), semente de girassol, grãos (soja, amendoim, feijão), aves, peixes, frutas (banana, tomate, abacate) e vegetais (espinafre). » Funções Atua como coenzima, tem papel importante no metabolismo das proteínas, hidratos de carbono e lipídios. Ainda está envolvida com a produção de epinefrina, serotonina e outros neurotransmissores, a decomposição do glicogênio e o metabolismo dos aminoácidos. » Deficiência Anemia hipocrômica (redução da hemoglobina das hemácias). Prejuízo no crescimento, convulsões de origem cerebral, especialmente ataques convulsivos em bebês, redução na formação de anticorpos, lesões na pele, problemas abdominais, vômito, pedras no rim. 1.10. Vitamina B7 1.10.1. Também conhecida como Biotina, a vitamina B7 é hidrossolúvel » Fontes Carne de aves, fígado, rins, gema de ovo, couve-flor, ervilha. http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A3ibra http://pt.wikipedia.org/wiki/Dor http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3lica http://pt.wikipedia.org/wiki/Ins%C3%B4nia 11 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III » Funções Participa como coenzima das reações de carboxilação catalisadas pelas enzimas carboxilases, envolvidas em reações de gliconeogênese, síntese de ácidos graxos e do metabolismo dos aminoácidos. » Deficiência Fadiga, depressão, dores musculares, perda de cabelo e anemia, dermatite e perda de apetite. Em lactentes, podem ocorrer distúrbios neurológicos e de crescimento. 1.11. Vitamina B9 O ácido fólico ou vitamina B9 é hidrossolúvel. Também é conhecida como folacina ou folato. » Fontes Vísceras de animais, verduras de folha verde, legumes, frutos secos, grãos integrais e levedura de cerveja. No Brasil, a farinha de trigo é enriquecida com ferro e ácido fólico para diminuir a ocorrência de anemia. » Funções Participa da síntese de purinas e pirimidina, compostos utilizados na formação do DNA. É essencial para maturação das hemácias e dos leucócitos na medula óssea. » Deficiência Anemia megaloblástica, leucopenia, anorexia, enjoos, diarreia, glossite. A deficiência de ácido fólico pode levar à hiper-homocisteinemia, que é reconhecida como importante fator de risco cardiovascular. 1.12. Vitamina B12 Também conhecida como Cobalamina, a vitamina B12 é hidrossolúvel. Engloba as substâncias: cianocobalamina, hidroxicobalamina e aquocobalamina, sendo que as três são biologicamente ativas. » Fontes Fígado, ostras, carne de porco, ovos e derivados, leite e derivados, peixes, manteiga. http://pt.wikipedia.org/wiki/Verdura http://pt.wikipedia.org/wiki/Legume http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Alimento_integral 12 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR » Funções Atua como coenzima no metabolismo dos carboidratos, gorduras e proteínas. Participa na formação dos ácidos nucleicos, na formação da bainha de mielina dos neurônios e é responsável pela maturação das hemácias. » Deficiência Anemia perniciosa ou megaloblástica. Podem aparecer sintomas neurológicos associados como: perda da memória, parestesias e diminuição da sensibilidade em membros inferiores. Ainda pode haver anorexia e perda do apetite. 1.13. Vitamina C 1.13.1. Também conhecida como ácido ascórbico, é hidrossolúvel » Fontes Frutas (abacaxi, acerola, goiaba, laranja, limão, tangerina, kiwi, caju, morangos), legumes e verduras (pimentão, rúcula, alho, cebola, repolho, espinafre, tomate, brotos de verduras, agrião, alface). » Funções A vitamina C é necessária para a produção de colágeno; contribui para a saúde dos dentes e gengivas e auxilia na absorção do ferro a partir da dieta. Ainda é necessária para a síntese dos ácidos biliares e atua como antioxidante. » Deficiência Fadiga, perda de apetite, sonolência e insônia, exaustão, irritabilidade, baixa resistência às infecções e petéquia (pequeno sangramento capilar). Quadro-Resumo das vitaminas: Quadro 7. Funções, efeitos da deficiência e principais fontes de vitaminas. Funções, efeitos da deficiência e principais fontes de vitaminas Função Bioquímica Sintomas de Deficiência Fontes Principais Vitamina A Acuidade visual Crescimento e diferenciação de tecidos Antioxidante Xeroftalmia Cegueira noturna Cenoura, mamão Óleo de peixe, fígado, gema de ovo 13 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III Funções, efeitos da deficiência e principais fontes de vitaminas Função Bioquímica Sintomas de Deficiência Fontes Principais Vitamina D Absorção de cálcio Imunidade Raquitismo Deficiência imunológica Carnes, peixes, frutos do mar, ovo, leite, fígado, queijos Vitamina E Antioxidante Anemia hemolítica Neuropatia central ou periférica Miopatia Aterosclerose e algumas neoplasias Óleos vegetais, semente de girassol, azeite de oliva, vegetais de folhas verdes Vitamina K Coagulação Distúrbios hemorrágicos Calcificação óssea Vegetais folhosos verde escuro B1 (tiamina) Metabolismo dos carboidratos e gordura Beribéri, miocardiopatia, neuropatia Deficiência imunológica Germesde cereais Leveduras B2 (riboflavina) Metabolismo oxidativo Lesões em lábios, língua e pele Deficiência imunológica Fígado, leite, ovos Vegetais B6 (piridoxina) Metabolismo dos aminoácidos Síndrome do túnel do carpo Anemia Deficiência imunológica Fígado Cereais integrais Niacina Síntese de NAD/NADP Pelagra, rash, adinamia, diarréia Carne, peixe, cereais Leveduras B12 Metabolismo do DNA Anemia megaloblástica, desmielinização de neurônios Produtos de origem animal, leite Folato Metabolismo de purina e pirimidinas Anemia megaloblástica Retardo de crescimento Pancitopenia Metaplasia de brônquio e cólon Defeitos do tubo neural no feto Fígado Vegetais verdes Biotina Lipogênese e gliconeogênese Dermatite esfoliativa, alopecia Nozes, cereais, leite Abacate, banana Vitamina C Síntese de colágeno Absorção de ferro Antioxidante Escorbuto Retardo na cicatrização de feridas Frutas cítricas Fonte: Ruiz (2012). 14 CAPÍTULO 2 MINERAIS 2.1. Cálcio É um dos elementos mais abundantes do organismo e 99% deste mineral encontra-se nos ossos e dentes e apenas 1% está no sangue. A ingestão de cálcio tem grande relevância para a saúde óssea. Existem fatores que influenciam na sua absorção e utilização. A absorção intestinal de Ca pode ser dividida em duas partes: uma ativa saturável, a qual é mediada pela vitamina D, e uma passiva, que pode corresponder à difusão simples ou facilitada (carreador-mediada). » Fontes Alga hijiki, gergelim, semente de chia, tofu, salsa, grão-de-bico, leite e derivados, hortaliças (brócolis, couve-flor, couve, repolho), algas marinhas, amêndoas, feijões, verduras verde escuras. » Funções Formação de ossos e dentes, coagulação sanguínea, ativação de enzimas, respiração celular, condução de impulsos nervosos e contração muscular. » Deficiência Retardo do crescimento, dentes e ossos frágeis, raquitismo, osteopenia e osteoporose. Ainda pode haver unhas quebradiças, propensão a cáries, depressão, hipertensão, insônia, irritabilidade, dormência no corpo e palpitações. 2.1.1. Magnésio Depois do potássio, é o segundo mineral mais abundante encontrado nos fluidos intracelulares. Encontrado nos ossos, músculos, tecidos moles e líquidos extracelulares. » Fontes Gérmen de trigo, nozes, damasco, tofu, água de coco, camarão, cereais integrais, soja, acelga, quiabo. » Funções Necessário para a atividade normal das enzimas e para o uso de energia. Importante para a contração muscular e fundamental para a função normal do cálcio. http://pt.wikipedia.org/wiki/Chia http://pt.wikipedia.org/wiki/Br%C3%B3colis http://pt.wikipedia.org/wiki/Couve-flor http://pt.wikipedia.org/wiki/Couve http://pt.wikipedia.org/wiki/Repolho http://pt.wikipedia.org/wiki/Osteopenia 15 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III » Deficiência Irritabilidade, função nervosa anormal, perda de apetite, náuseas, vômitos, sonolência e espasmos musculares. 2.1.2. Sódio O sódio representa 1% do peso corporal, é um elemento facilmente encontrado na natureza. O sódio é um elemento de origem mineral que, juntamente com o cloro, forma o cloreto de sódio, ou sal de cozinha. » Fontes Sal de cozinha, carnes e embutidos, queijos, bacon, vegetais enlatados, pães e cereais matinais. » Funções Equilibra os líquidos corporais, juntamente com o potássio e cloreto, manutenção da pressão osmótica, equilíbrio de fluidos e ácido-básico e excitabilidade de músculos. » Deficiência A falta de sódio pode levar à hiponatremia, que é a redução de sódio no sangue devido a um desequilíbrio eletrolítico que pode causar convulsões, fraqueza e letargia. 2.1.3. Potássio O potássio é um metal alcalino abundante na natureza, encontrado principalmente nas águas salgadas. Cerca de 85% do potássio ingerido pela dieta são absorvidos. » Fontes Frutas secas, frutas frescas, banana, cítricas, vegetais crus ou cozidos, vegetais verdes folhosos e batata. » Funções Manutenção do líquido intracelular, contração muscular, condução nervosa, frequência cardíaca, produção de energia, e síntese de proteínas e ácidos nucleicos. O íon potássio está presente nos telômeros, estabilizando a estrutura. A bomba sódio-potássio permite o fluxo destes íons para dentro e para fora da célula; as http://pt.wikipedia.org/wiki/Tel%C3%B4mero http://pt.wikipedia.org/wiki/Bomba_de_s%C3%B3dio http://pt.wikipedia.org/wiki/Bomba_de_s%C3%B3dio 16 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR concentrações de íons potássio mais altas dentro da célula do que no exterior permitem a transmissão do impulso nervoso. » Deficiência A deficiência de potássio causa hipopotassemia, caracterizada por depressão, cansaço, problemas de crescimento, insônia, fraqueza muscular, nervosismo, dificuldades respiratórias, câimbras, batimentos cardíacos fracos. 2.1.4. Fósforo O fósforo está em grandes quantidades em nosso organismo, e em segundo lugar depois do cálcio nos tecidos humanos. » Fontes Leite, peixe, fígado, ovos, carne bovina, aves, peixes, cereais, leguminosas, frutas. » Funções O fósforo está presente em todas as membranas celulares do organismo, integra a estrutura dos ossos e dentes (confere rigidez); participa no metabolismo dos glicídios; atua na contração muscular. Participa de sistemas enzimáticos. » Deficiência Dor nos ossos, osteomalácia, miopatias, acidose metabólica, taquicardia, resistência à insulina e perda de memória. 2.1.5. Ferro O ferro é um importante mineral que participa de vários processos em nosso organismo. Sua deficiência tem ainda alta prevalência, ocorrendo em várias fases da vida. » Fontes Gema de ovo, fígado, carnes e vísceras de cor vermelha, leguminosas, vegetais verdes e folhosos. » Funções O ferro é um mineral vital para a homeostase celular, ele se liga com o oxigênio na hemoglobina para transportar oxigênio para os tecidos. Transporta oxigênio para a síntese de DNA e metabolismo energético. É um cofator importante para enzimas da cadeia respiratória mitocondrial e na fixação do nitrogênio. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipopotassemia http://pt.wikipedia.org/wiki/Depress%C3%A3o_nervosa http://pt.wikipedia.org/wiki/Cansa%C3%A7o http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Problemas_de_crescimento&action=edit&redlink=1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Ins%C3%B4nia http://pt.wikipedia.org/wiki/Fraqueza_muscular http://pt.wikipedia.org/wiki/Nervosismo http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Dificuldades_respirat%C3%B3rias&action=edit&redlink=1 http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Dificuldades_respirat%C3%B3rias&action=edit&redlink=1 17 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III » Deficiência A anemia é a manifestação mais relevante, mas também pode ocorrer diminuição dos glóbulos vermelhos, fraqueza, fadiga, falta de ar e cefaleia. 2.1.6. Cobre Em nosso organismo, as maiores concentrações de cobre são encontradas no fígado, cérebro, coração e rim. » Fontes Frutos do mar, cereais integrais, curry, fígado e gérmen de trigo. » Funções O cobre atua como cofator para a enzima antioxidante superóxido dismutase (SOD). Ainda é um agente catalisador de espécies reativas de oxigênio. » Deficiência A deficiência de cobre em seres humanos é muito rara, mas causa depleção da atividade antioxidante. Desta forma, sugere-se que a depleção de cobre contribua para uma maior suscetibilidade a infecções. Além disso, devido à redução da SOD, pode levar ao excesso da produção de radicais livres, ocasionando danos no DNA nuclear e mitocondrial. 2.1.7. Iodo O iodo é absorvido na forma de iodeto. Na circulação é encontrado livre e ligado à proteína transportadora, sendo que o iodo ligado predomina. » Fontes Os alimentos mais ricos em iodo são os de origem marinha. Mas ele também está presente no sal iodado, leite e ovos. » Funções O iodo é utilizado na síntese dos hormônios tireoidianos: tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4). Estes hormônios atuam no crescimento físico e neurológico e tambémno metabolismo, principalmente na manutenção do calor corporal, com importância no funcionamento de vários órgãos, como coração, fígado, rins, ovários e outros. 18 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR » Deficiência A deficiência de iodo pode causar cretinismo em crianças (retardo mental grave e irreversível), surdo-mudez, anomalias congênitas, bócio (hipertrofia da glândula tireoide). O mais preocupante é o retardo mental, que atinge o feto e o recém-nascido, prolongando-se pela fase escolar, adolescência e idade adulta. Ainda a falta de iodo pode causar natimortos e nascimento de crianças com baixo peso. 2.1.8. Manganês A concentração de manganês no organismo humano normalmente é alta em tecidos ricos em mitocôndrias. O ferro e o cobalto competem com o manganês pelos mesmos sítios de ligação para a absorção. » Fontes Cereais integrais, castanhas, nozes, chás, avelã, soja, tofu e vegetais verdes folhosos. » Funções O manganês faz parte de diversas enzimas e estimula a atividade de muitas outras, incluindo antioxidantes e processos de produção de energia. » Deficiência A falta de manganês resulta em dermatite, perda de peso, náusea, vômito, prejudica a capacidade reprodutiva e o metabolismo dos carboidratos. 2.1.9. Zinco O zinco é necessário ao organismo em quantidades muito pequenas, tais como o ferro e outros microelementos. » Fontes Frutos do mar, feijão, carne magra, semente de abóbora, nozes, leite, iogurte e queijo. » Funções O zinco é importante para a diferenciação celular, metabolismo, reprodução, crescimento, desenvolvimento, reparação tecidual e defesa imunológica constituinte de várias enzimas que participam da síntese e degradação dos ácidos nucleicos e também do metabolismo de carboidratos, lipídios e proteínas. 19 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III » Deficiência A deficiência de zinco é considerada um problema nutricional mundial. Em conjunto com o cobre, o zinco participa da estrutura da enzima SOD, sendo sua atividade reduzida pela deficiência deste mineral. Além disso, a deficiência de zinco pode ocasionar atrofia do timo e de outros órgãos linfoides, o que diminui a proliferação de linfócitos, levando ao desequilíbrio do sistema imunológico. 2.1.9.1. Selênio O selênio é um mineral com alto poder antioxidante e é facilmente absorvido pelo organismo. » Fontes Cereais integrais, castanha do Pará, frutos do mar, semente de girassol, carne e algas. » Funções O selênio tem potencial antioxidante, anti-inflamatório, quimiopreventivas e antivirais. Participa no metabolismo da glicose e tireoide, da imunidade e função reprodutiva. » Deficiência A carência de selênio causa mialgia, degeneração pancreática, sensibilidade muscular e maior suscetibilidade ao câncer. 20 CAPÍTULO 3 TOXICIDADE DE NUTRIENTES/MINERAIS 3.1. Vitamina A O excesso de vitamina A pode ser tóxico, quer seja tomada em uma única dose (aguda), quer durante um longo período (crônica). Os sintomas agudos se manifestam na forma de sonolência, irritabilidade, dor de cabeça e vômitos. Os primeiros sintomas da intoxicação crônica são: queda de pelos, lábios rachados, pele seca e rugosa. Posteriormente, surgem cefaleias intensas, hipertensão craniana e fraqueza. Protuberâncias ósseas e dores articulares são frequentes, especialmente nas crianças. O fígado e o baço podem aumentar de tamanho. Pode ser observado o aparecimento de um tom ocre nas palmas das mãos e plantas dos pés. 3.2. Vitamina D O consumo crônico (vários meses) de uma dose semelhante a 10 vezes a quantidade diária recomendada de vitamina D pode causar intoxicação e contribuir para aumento da concentração de cálcio no sangue. Desta forma, pode existir o enfraquecimento ósseo e falhas no desenvolvimento. Os primeiros sintomas de intoxicação com vitamina D são perda do apetite, náuseas e vômitos, seguidos por sede excessiva, aumento da diurese, fraqueza, nervosismo e hipertensão arterial. O cálcio elevado pode depositar-se em todo o organismo, especialmente nos rins, onde pode provocar lesões permanentes. 3.3. Vitamina B1 Excesso: pode interferir na absorção de outras vitaminas do complexo B. 3.4. Vitamina B6 Excesso: ataxia e neuropatia sensorial. 3.5. Vitamina C Excesso: indigestão, náusea, vômito, dor de cabeça, fadiga e sonolência. 21 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III 3.6. Cálcio Excesso: calcificação dos ossos e tecidos moles, comprometimento renal e prejuízo na absorção do ferro. 3.7. Magnésio Excesso: problemas respiratórios, pressão baixa, ritmo cardíaco alterado e redução da calcificação óssea. 3.8. Sódio Excesso: hipertensão, cefaleia, parada respiratória e eritema da pele. 3.9. Potássio Excesso: distúrbios cardíacos, confusão mental e paralisia muscular. 3.10. Fósforo Excesso: confusão mental, hipertensão, derrame e ataque cardíaco. 3.11. Ferro Excesso: o excesso de ferro é extremamente nocivo para os tecidos, já que promove a síntese de espécies reativas de oxigênio que lesam proteínas, lípideos e DNA. Convulsões, náuseas, vômito, hipotensão e paladar metálico. 3.12. Cobre Excesso: hemorragia gastrintestinal, anemia hemolítica, icterícia, náusea e vômito. 3.13. Iodo Excesso: suprimir a atividade tireoidiana. 3.14. Manganês Excesso: acumula-se no fígado e no sistema nervoso central, podendo levar ao Parkinson. 22 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR 3.15. Zinco Excesso: anemia, febre e distúrbios do sistema nervoso central. 3.16. Selênio Excesso: fadiga muscular, unhas fracas, congestão vascular, dermatite e vômito. 23 CAPÍTULO 4 FITOQUÍMICOS E FITOTERÁPICOS 4.1. Fitoquímicos “Fito” vem do grego Phyto, que significa planta, e corresponde a um grupo de compostos produzidos pelas plantas, para protegê-las contra vírus, bactérias e fungos. Muitos desses compostos possuem atividades biológicas potentes em nosso organismo, e alguns podem apresentar efeitos tóxicos quando ingeridos em altas doses. Alguns dos fitoquímicos estão listados a seguir. 4.1.1. Sulfetos alílicos Substância antioxidante que auxilia o sistema imune, diminui o colesterol plasmático e aumenta a produção de enzimas protetoras contra o câncer. » Fontes Podem ser encontradas nos vegetais da família Allium, como alho, cebola, cebolinha e alho-poró. Figura 9. Alho. Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/garlic-cloves-bulb-vintage-wooden-bowl-552242461. Acesso em: 15 mar. 2022. 4.1.2. Indol-3-Carbinol O indol-3-carbinol mostrou-se muito eficaz na prevenção contra o câncer em modelos animais, que reduziu em 50% o aparecimento de câncer de mama em camundongos fêmeas. Em humanos, foram comprovados seus efeitos benéficos clínicos nas neoplasias de câncer de mama, vulvar intraepitelial, displasia cervical e outros tipos de câncer. 24 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR » Fontes O indol-3-Carbinol é encontrado nas espécies brassica ou vegetais crucíferos como a couve, brócolis, couve-flor e couve de bruxelas. Figura 10. Brócolis. Fonte: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/05/05/brocolis-fazem-bem-ao-cerebro-confira-9-beneficios- desse-vegetal.htm. Acesso em: 25 fev. 2022. 4.1.3. Flavonoides Os flavonoides são substâncias de origem natural, cuja síntese não ocorre na espécie humana. Estes compostos têm ação antioxidante (principal efeito demonstrado até o momento), anti-inflamatória, vasodilatadora, antialérgica, atividade contra o desenvolvimento de tumores, anti-hepatotóxica, antiplaquetária, antimicrobianas e antivirais. Alguns flavonoides inibem a replicação viral do agente causador da Síndrome da Imunodeficiência Humana (HIV). Os flavonoides podem prevenir a aterosclerose, inibindo estágios da formação das placas dela: ativação de leucócitos, adesão, agregação e secreção de plaquetas e aumentando a atividade de receptores de LDL. » Fontes Os flavonoides são encontradosem frutas (uva, cereja, maçã, frutas cítricas, entre outros), hortaliças (pimenta, espinafre, couve, cebola, alho, brócolis, dentre outras folhosas), condimentos (alecrim, canela, cravo-da-índia, sálvia, manjericão), vinho tinto, suco de uva, cacau, chás de ervas (verde, preto), soja e linhaça. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/05/05/brocolis-fazem-bem-ao-cerebro-confira-9-beneficios-desse-vegetal.htm https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/05/05/brocolis-fazem-bem-ao-cerebro-confira-9-beneficios-desse-vegetal.htm 25 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III Figura 11. Linhaça. Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/flaxseed-oil-glass-bottle-flour-flaxseeds-1906021615. Acesso em: 15 mar. 2022. 4.1.4. Isoflavonas As isoflavonas (também chamadas isoflavonoides) são compostos químicos fenólicos. As isoflavonas comportam-se como estrógenos na maioria dos sistemas biológicos e podem prevenir a perda óssea pós-menopausa e a osteoporose. Estudos em humanos mostram maior incidência de alguns tipos comuns de câncer (mama, próstata e cólon) e doenças cardiovasculares nas populações ocidentais que consomem pouca quantidade de soja (que possui as isoflavonas daidzeína e genisteína) na dieta. Efeitos da genisteína na regulação da secreção de insulina também foram demonstrados, sugerindo que a genisteína pode ser uma alternativa no tratamento do diabetes, principalmente do tipo 2. » Fontes Soja, repolho, couve-flor, couve-manteiga, brócolis, couve-de-bruxelas, couve-rábano, couve-chinesa, mostarda, nabo, agrião, rabanete, rábano e rúcula. Figura 12. Soja. Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/soybean-on-wooden-table-735952738. Acesso em: 15 mar. 2022. 26 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR 4.1.5. Carotenoides Os carotenoides são divididos em dois grupos: carotenos e xantofilas. Entre esses se encontram o alfacaroteno, a luteína, a zeaxantina, a betacriptoxantina, a fucoxantina, a astaxantina, a crocetina, a capsantina, o fitoeno, e, em especial, os mais descritos na literatura: o betacaroteno e o licopeno, descritos a seguir. 4.1.5.1. Betacaroteno É um composto carotenoide responsável pelo pigmento alaranjado de frutas e vegetais. Atua como antioxidante, e ajuda na proteção do organismo contra o câncer e o envelhecimento celular. No organismo transforma-se na vitamina A. » Fontes As principais fontes de betacaroteno são: damasco, cenoura, abóbora, beterraba, mamão, manga e a batata-doce. Em quantidades menores, pode ser encontrado nos vegetais folhosos como couve, repolho, espinafre, agrião e brócolis. 4.1.5.2. Licopenos O licopeno é um carotenoide, potente antioxidante que pode sequestrar o oxigênio singlete, previne a carcinogênese e aterogênese por proteger moléculas como lipídios, proteínas e DNA. O consumo de licopeno foi associado a menor risco de câncer, principalmente de próstata. Ele protege as membranas celulares contra as lesões causadas pelo radical dióxido de nitrogênio (encontrado no fumo), prevenindo o câncer de pulmão. » Fontes O licopeno pode ser encontrado em alguns alimentos de cor vermelha, como tomates e seus produtos, goiaba, melancia, mamão e pitanga. Figura 13. Licopeno. Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/red-tomatoes-background-group-518940097. Acesso em: 15 mar. 2022.. http://pt.wikipedia.org/wiki/Damasco http://pt.wikipedia.org/wiki/Cenoura http://pt.wikipedia.org/wiki/Ab%C3%B3bora http://pt.wikipedia.org/wiki/Beterraba http://pt.wikipedia.org/wiki/Mam%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Manga http://pt.wikipedia.org/wiki/Batata_doce http://pt.wikipedia.org/wiki/Couve http://pt.wikipedia.org/wiki/Repolho http://pt.wikipedia.org/wiki/Espinafre http://pt.wikipedia.org/wiki/Agri%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Br%C3%B3colis 27 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III 4.1.6. Saponinas As saponinas são muito comuns nas plantas medicinais e são caracterizadas por reduzir fortemente a tensão superficial da água, proporcionar a hemólise das hemácias (efeito tóxico), irritar as mucosas e relaxar a musculatura lisa intestinal, são usadas na produção de cortisona e de hormônios sexuais e ainda são usadas como diuréticos. » Fontes Caule folhoso da herniária, folha de bétula, raiz de resta-boi, Panax ginseng. 4.2. Fitoterápicos Um fitoterápico pode ser definido como um medicamento de origem vegetal que possui substâncias químicas (fitoquímicos) e características terapêuticas. Assim como outros medicamentos, os fitoterápicos, quando utilizados de forma incorreta, podem levar a efeitos colaterais e problemas de saúde. Por isso, uma resolução da Anvisa, RDC n. 14, entrou em vigor em 10 de março de 2010. Essa RDC tem como objetivo padronizar os produtos e indicar os efeitos e os possíveis efeitos colaterais. As principais plantas medicinais comercializadas na forma de medicamentos fitoterápicos são: 4.2.1. Passiflora incarnata Popularmente conhecida como maracujá-vermelho, possui propriedades sedativas, antiespasmódicas e ansiolíticas. Os flavonoides são os fitoquímicos mais abundantes encontrados nesta espécie. 4.2.2. Ginkgo biloba O extrato de ginkgo biloba é obtido a partir das folhas da árvore do Ginkgo, entre seus efeitos, podem-se incluir: aumento da irrigação sanguínea por dilatação dos vasos e redução da viscosidade do sangue, aumentando a perfusão de sangue no cérebro. Estudos em animais e humanos demonstraram sua ação de proteção aos neurônios, tem ação antioxidante, provoca vasodilatação dos vasos sanguíneos cerebrais. Suas indicações são para tratamento de problemas de memória, concentração e prevenção de mal de Alzheimer e outros tipos de demência. http://pt.wikipedia.org/wiki/Medicamento http://pt.wikipedia.org/wiki/Anvisa http://pt.wikipedia.org/wiki/10_de_mar%C3%A7o http://pt.wikipedia.org/wiki/2010 28 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR 4.2.3. Aesculus hippocastanum As sementes da castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum) são utilizadas para o tratamento de varizes e hemorroidas. Estudos realizados em modelos animais evidenciaram que a aescina, substância presente na castanha-da-índia, favorece o transporte de íons nos canais de cálcio, diminuindo a tensão venosa. Outro mecanismo de ação pode ser a liberação de prostaglandina pelas veias, antagonista da serotonina e histamina. 4.2.4. Panax ginseng O Panax ginseng melhora a performance física, psicomotora e cognitiva, e também age como imunomodulador. Tem ação antidepressiva, anti-inflamatória, antioxidante, diurética, revitalizante. Os seus constituintes químicos ativos são as saponinas. 4.2.5. Hypericum perforatum Conhecido como erva-de-são-joão é uma planta herbácea, indicada para o tratamento da ansiedade, da depressão, nas disquinesias biliares, nos espasmos gastrintestinais, na gastrite, na síndrome do cólon irritável, na asma, nas varizes, nas hemorroidas e na fragilidade capilar. Topicamenteé utilizada para a cura de feridas, queimaduras, eczemas, contusões e acne. Os estudos comparativos com outras drogas antidepressivas (imipramina e maprotilina) promoveram resultados iguais ou levemente superiores e com muito menos efeitos colaterais. 4.2.6. Cimicifuga racemosa Atua na melhora global da qualidade de vida em períodos de menopausa, incluindo o bem-estar psíquico, e diminuição dos desconfortos do período pós-menopausa em mulheres de peso corporal elevado. Os extratos dessa planta também são usados como anti-inflamatórios, antipiréticos e analgésicos e para tratamento das cólicas menstruais. 4.2.7. Rhamnus purshiana Conhecida como cáscara-sagrada é uma erva medicinal utilizada para fins de efeito laxativo. Ela provoca irritação intestinal que leva ao aumento dos movimentos peristálticos, promovendo, assim, a evacuação. Porém, o emprego abusivo das substâncias laxantes tornou-se preocupante, sendo apenas recomendadas para casos deconstipação mais grave. http://pt.wikipedia.org/wiki/Plantae http://pt.wikipedia.org/wiki/Herb%C3%A1cea 29 CAPÍTULO 5 ALIMENTOS ORGÂNICOS 5.1. Agrotóxicos No Brasil, o uso de produtos químicos na agricultura depende do registro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), condicionado à autorização do Ministério da Saúde (MS) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) (2015), agrotóxico caracteriza-se como substância ou mistura de substâncias remanescentes ou existentes em alimentos ou no meio ambiente, decorrente do uso ou da presença de agrotóxicos e afins, inclusive quaisquer derivados específicos, tais como: produtos de conversão e de degradação, metabólitos, produtos de reação e impurezas, consideradas tóxicas e ambientalmente importantes. O aumento do uso de produtos químicos na agricultura preocupa quanto aos riscos à saúde e ao meio ambiente, Os agrotóxicos podem causar efeitos adversos ao ambiente, já que os organismos vivos podem absorver agrotóxicos, por isto, o consumo de alimentos orgânicos é uma boa alternativa para a saúde do ambiente, dos organismos vivos e do ser humano. 5.2. O que é alimento orgânico? “Orgânico” é um termo que indica que o alimento é produzido sem o uso de agroquímicos e que estão certificados por uma autoridade. No Brasil, existem cerca de 15 certificadoras, porém um pequeno número destas agências obteve autorização da International Federation of Organic Agricultural Movements (IFOAM), Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica (traduzido para o Português), é a organização mundial do movimento de agricultura orgânica, que representa cerca de 800 afiliadas em 117 países. No Brasil, o sistema orgânico de produção está regulamentado pela Lei Federal n. 10.831, de 23 de dezembro de 2003, segundo a qual, considera-se orgânico todo aquele processo em que são adotadas técnicas específicas, otimizando o uso dos recursos naturais para manter a sustentabilidade ecológica e econômica. (BRASIL, 2003) 30 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR O crescimento do consumo está relacionado à busca por uma alimentação mais saudável, de melhor qualidade e sabor, incluindo a preocupação em preservar o meio ambiente. Porém, o preço dos alimentos orgânicos é considerado fator limitante para o consumo deles; em seguida, podemos destacar como razão para o baixo consumo: oferta insuficiente e dúvida em relação à procedência do produto. Os produtos orgânicos têm preço 40% maior quando comparados aos produtos convencionais, porém, alguns produtos, como o trigo e o açúcar, chegam a custar respectivamente, 200% e 170% acima do convencional. Foi demonstrado que os alimentos orgânicos, comparados aos não orgânicos, apresentam concentrações superiores para os seguintes minerais: cálcio (63%), ferro (59%), magnésio (138%), fósforo (91%), potássio (125%), zinco (72,5%), sódio (159%) e selênio (390%). Inversamente, foi verificado menor conteúdo de alumínio (40%), chumbo (29%) e mercúrio (25%). O uso de fertilizantes afeta a composição do produto, e existe superioridade do valor nutricional nos produtos orgânicos. Foi verificado maior conteúdo de ácido ascórbico em tomates orgânicos, assim como maior conteúdo (1,3 a 10,4 vezes superiores, respectivamente) de flavonoides e ácido cafeico em hortaliças (couve, repolho chinês, espinafre, alho e pimentão verde). Sobre a produção de carne (aves, suínos e bovinos), existem pontos positivos sobre a carne orgânica: baixo teor de gordura, maior teor de gordura intramuscular e melhor perfil de ácidos graxos. Entre os pontos negativos da carne orgânica: menor peso total das carcaças e tempo menor de armazenamento. O sistema de produção orgânico está regulamentado pela Lei Federal n. 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/2003/l10.831.htm. 31 CAPÍTULO 6 ALIMENTOS TRANSGÊNICOS Segundo a União das Nações Unidas (2019), a população mundial em 2050 será de 9,3 bilhões de pessoas. Para alimentar esta população, deverão ser produzidos 50% de alimentos a mais para que o aumento da qualidade e quantidade de alimentos possa ser uma solução para o problema da fome no mundo. O melhoramento genético de plantas permite o desenvolvimento de espécies com características agronômicas ou nutricionais importantes: resistência a pestes, doenças, herbicidas e estresses ambientais, melhoramento de estocagem pós-colheita, melhoria nas características de sabor, aroma e cor dos alimentos, aumento no valor nutricional. Todavia, a existência de riscos associados aos organismos geneticamente modificados tem sido questionada. 6.1. Agricultura geneticamente modificada Quadro 8. Principais alimentos geneticamente modificados. Culturas Melhoramentos Arroz Tolerância à salinidade e escassez de água; Resistência a pragas; Aumento no teor de ferro. Trigo Aumento na produção e adaptação; Resistência a pragas. Milho Aumento na produção e adaptação; Resistência a pragas. Algodão Resistência a pragas; Aumento na produção e na qualidade da fibra. Batata Mais resistente a pragas e a variações climáticas. Cana-de-açúcar Maturidade precoce. Feijão Resistente ao mosaico dourado, principal vírus que ataca a plantação. Melão Maior durabilidade. Tomate Com sabor e cor mais acentuados e maior durabilidade. Fonte: adaptado de Sharma et al. (2002). Os alimentos transgênicos são modificados para incorporar novas qualidades a eles. Para isto, insere-se um ou dois genes externos (inserir sequência de genes à sequência de DNA do alimento), que irá aumentar a produção de proteínas que conferem características como: 32 UNIDADE III | CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR » resistência a herbicidas e insetos; » esterilidade masculina, facilitando o cruzamento híbrido; » introdução de fatores abióticos (confere tolerância à salinidade, solos com muito alumínio); » alteração da senescência; » incorporação de fatores nutricionais. 6.1.1. Animais geneticamente modificados Além dos produtos agrícolas, também há animais geneticamente modificados. Os animais são geneticamente modificados com finalidade de crescimento (aumento da expressão de genes do hormônio de crescimento, somatotropina, fator do Crescimento do Tipo Insulina 1). No caso de peixes, pode-se acrescentar tolerância ao frio, resistência às doenças e esterilidade. A modificação genética nesses animais é feita por meio de uma microinjeção do DNA exógeno no pronúcleo do zigoto em mamíferos ou no citoplasma do zigoto em peixes. 6.1.2. Riscos do consumo dos alimentos geneticamente modificados A expressão de genes e proteínas, assim como os efeitos não intencionais decorrentes da modificação genética podem causar danos à saúde humana. Apesar de ocorrer em baixa frequência, a avaliação da segurança é extremamente importante. Para avaliação da segurança alimentar, são analisados: » o potencial alergênico; » a termoestabilidade e a digestibilidade no trato gastrintestinal; » a análise bioquímica e toxicológica; » a análise de sequências de aminoácidos da nova proteína formada; » os efeitos secundários da inserção do gene; » o risco de mutagênese. » a ativação de genes silenciosos ou pouco expressos. 33 CONCEITOS AVANÇADOS EM TERAPIA ORTOMOLECULAR | UNIDADE III Para evitar estes riscos, em 1993, a Organização for Economic Cooperation and Development (OECD) criou o termo “equivalência substancial” como ferramenta na avaliação dos alimentos geneticamente modificados, sendo baseados na: » descrição da planta transgênica e finalidade da transformação, informações sobre toxicidade e alergenicidade; » segurança do organismo que originou o gene; » descrição e caracterização da modificação genética; » descrição molecular dos vetores e técnicas usadas; » composição química do produto; » verificaçãode mudanças no valor nutricional ou para observação toxicológica; » avaliação do perigo à alergenicidade com base nas características químicas da proteína expressa. 34 REFERÊNCIAS ALBERTS, B. et al. 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