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Revista Contemporânea, vol. 5, n°. 8, 2025. ISSN: 2447-0961 
 
 
Contemporânea 
Contemporary Journal 
Vol. 5 N°. 8: p. 01-18, 2025 
ISSN: 2447-0961 
 
Artigo 
 
TEORIA DO ELO: RELAÇÃO ENTRE A VIOLÊNCIA ANIMAL E 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHERES NA CIDADE 
DE MANAUS-AM 
 
LINK THEORY: RELATIONSHIP BETWEEN ANIMAL VIOLENCE AND 
DOMESTIC VIOLENCE WOMEN AGAINST IN THE CITY OF 
MANAUS-AM 
 
TEORÍA DEL VÍNCULO: RELACIÓN ENTRE LA VIOLENCIA ANIMAL 
Y LA VIOLENCIA DOMÉSTICA CONTRA LAS MUJERES EN LA 
CIUDAD DE MANAUS-AM 
 
DOI: 10.56083/RCV5N8-118 
Receipt of originals: 7/25/2025 
Acceptance for publication: 8/15/2025 
 
Marcella Souza dos Santos 
Graduada em Medicina Veterinária 
Instituição: Universidade Nilton Lins (UNL) 
Endereço: Manaus, Amazonas, Brasil 
E-mail: marcellass245@gmail.com 
 
Marcelo do Nascimento Alves 
Mestre em Ciências Veterinárias 
Instituição: Universidade Nilton Lins (UNL) 
Endereço: Manaus, Amazonas, Brasil 
E-mail: marcelo.alves@uniniltonlins.edu.br 
 
Pedro Zanata Lima dos Santos 
Mestre em Saúde Pública 
Instituição: Instituto Leônidas e Maria Deane - Fiocruz Amazônia 
Endereço: Rio Branco, Acre, Brasil 
E-mail: pedrozanatasantos@gmail.com 
 
Luana Rubim Fernandes 
Mestra em Ciência Animal 
Instituição: Universidade Nilton Lins 
Endereço: Manaus, Amazonas, Brasil 
E-mail: draluanarubim@gmail.com 
 
mailto:marcellass245@gmail.com
mailto:draluanarubim@gmail.com
 
 
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Revista Contemporânea, vol. 5, n°. 8, 2025. ISSN: 2447-0961 
 
Fabiana Leticia Schmitt 
Especialização em Vigilância em Saúde e Epidemiologia 
Instituição: Universidade Nilton Lins 
Endereço: Manaus, Amazonas, Brasil 
E-mail: fabianas.medvet@hotmail.com 
 
Samyly Coutinho de Aguiar Silva 
Mestra em Saúde Pública 
Instituição: Instituto Leônidas de Maria Deane (FIOCRUZ) 
Endereço: Manaus, Amazonas, Brasil 
E-mail: samylyvigep@gmail.com 
 
RESUMO: A Teoria do Elo postula a coocorrência entre maus-tratos a 
animais e violência interpessoal, podendo o abuso de animais operar como 
mecanismo de controle em relações abusivas. Este estudo teve por objetivo 
identificar a relação entre violência contra animais e violência doméstica 
contra mulheres em Manaus-AM. Realizou-se estudo observacional, 
descritivo e retrospectivo com dados secundários da Secretaria de Segurança 
Pública do Amazonas referentes a 2019–2023. No período analisado, 
registraram-se 135.624 denúncias de violência contra mulheres e 1.697 
denúncias de maus-tratos a animais. Agosto concentrou o maior número de 
denúncias contra mulheres (9,3%) e fevereiro, de maus-tratos a animais 
(9,5%). Os resultados indicaram maior concentração simultânea de casos de 
violência doméstica (33%) e maus-tratos a animais (28%) na zona Norte, 
seguida das zonas Leste (24% e 13%) e Sul (14% e 18%). O bairro Cidade 
Nova apresentou as maiores incidências em ambos os contextos. Entre os 
agressores identificados, predominou o sexo masculino e a faixa etária de 
35–64 anos, embora elevado percentual de informações “ignoradas” limite a 
precisão das estimativas. Os achados evidenciam áreas de sobreposição 
entre a violência contra animais e a violência doméstica contra mulheres, 
apontando para a utilidade da Teoria do Elo e ressaltando a relevância de 
abordagens intersetoriais, com participação ativa da Medicina Veterinária, 
para fortalecer políticas públicas e estratégias de prevenção. 
 
PALAVRAS-CHAVE: teoria do elo, maus-tratos a animais, violência 
doméstica, vigilância em saúde. 
 
ABSTRACT: The Link Theory postulates the co-occurrence of animal abuse 
and interpersonal violence, with animal abuse potentially functioning as a 
mechanism of control in abusive relationships. This study aimed to identify 
the relationship between violence against animals and domestic violence 
against women in Manaus, Amazonas State, Brazil. An observational, 
descriptive, and retrospective study was conducted using secondary data 
from the Amazonas State Department of Public Safety for the years 2019–
2023. During the analyzed period, 135,624 reports of violence against 
women and 1,697 reports of animal abuse were recorded. August registered 
mailto:fabianas.medvet@hotmail.com
mailto:samylyvigep@gmail.com
 
 
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the highest number of reports of violence against women (9.3%), while 
February had the highest concentration of reports of animal abuse (9.5%). 
Results indicated the greatest simultaneous concentration of domestic 
violence (33%) and animal abuse (28%) in the Northern Zone, followed by 
the Eastern (24% and 13%) and Southern Zones (14% and 18%). The 
Cidade Nova neighborhood presented the highest incidence in both contexts. 
Among identified aggressors, males predominated, particularly in the 35–64 
age group, although the high proportion of missing data limited the accuracy 
of estimates. The findings highlight areas of overlap between violence 
against animals and domestic violence against women, underscoring the 
utility of the Link Theory and emphasizing the relevance of intersectoral 
approaches, with active participation of Veterinary Medicine, to strengthen 
public policies and prevention strategies. 
 
KEYWORDS: link theory, animal abuse, domestic violence, public health 
surveillance. 
 
RESUMEN: La Teoría del Vínculo postula la coexistencia del maltrato animal 
y la violencia interpersonal, donde el maltrato animal podría actuar como 
mecanismo de control en las relaciones abusivas. Este estudio tuvo como 
objetivo identificar la relación entre la violencia contra los animales y la 
violencia doméstica contra las mujeres en Manaus, Amazonas. Se realizó un 
estudio observacional, descriptivo y retrospectivo con datos secundarios de 
la Secretaría de Seguridad Pública del Estado de Amazonas para el período 
2019-2023. Durante el período analizado, se registraron 135.624 denuncias 
de violencia contra las mujeres y 1.697 denuncias de maltrato animal. Agosto 
registró el mayor número de denuncias contra mujeres (9,3%) y febrero el 
mayor número de denuncias de maltrato animal (9,5%). Los resultados 
indicaron una mayor concentración simultánea de casos de violencia 
doméstica (33%) y maltrato animal (28%) en la Zona Norte, seguida de la 
Zona Este (24% y 13%) y la Zona Sur (14% y 18%). El barrio Cidade Nova 
presentó la mayor incidencia en ambos contextos. Entre los agresores 
identificados, predominaron los hombres y el grupo de edad de 35 a 64 años, 
aunque un alto porcentaje de información "poco clara" limita la precisión de 
las estimaciones. Los hallazgos destacan áreas de coincidencia entre la 
violencia contra los animales y la violencia doméstica contra las mujeres, 
destacando la utilidad de la Teoría del Vínculo y la importancia de los 
enfoques intersectoriales, con la participación activa de la medicina 
veterinaria, para fortalecer las políticas públicas y las estrategias de 
prevención. 
 
PALABRAS CLAVE: Teoría del Vínculo, maltrato animal, violencia 
doméstica, vigilancia sanitaria. 
 
 
 
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Revista Contemporânea, vol. 5, n°. 8, 2025. ISSN: 2447-0961 
 
 
 
 
1. Introdução 
 
O vínculo entre o ser humano e os animais foram datados há 
aproximadamente 10 a 20 mil anos atrás (Taylor, 2013). Desse modo, os 
animais domésticos, principalmente cães e gatos, estão cada vez mais 
ganhando espaço dentro dos lares, trazendo um novo conceito, de família 
multiespécie (Sant´Ana; Reis, 2020). Embora alguns animais tenham a 
possibilidade de receber e compartilhar interações positivas com os 
humanos, outros acabam tendo interações negativas, sendo inclusive vítimas 
da violência (Hammerschmidt et al., 2012). 
O abuso de animais vem sendo associado a atos violentos contra seres 
humanos, dentro de famílias ou comunidades (Monsalve et al., 2017). 
Destacando que os maus-tratos aos animais não ocorre isoladamente, 
podendo ser empregado como precursor de outras formas deviolência 
dentro do âmbito familiar, afetando grupos vulneráveis principalmente as 
mulheres. 
Tendo em vista que a violência doméstica começa, frequentemente, 
com o abuso de animais, é de total relevância mencionar que um ponto 
comum entre ambas é a vulnerabilidade das vítimas. Tal qual o fato de que 
os animais são vistos como meio de controle e intimidação, fazendo com 
que o agressor possa explorar e silenciar as vítimas humanas ou impedi-las 
de se retirarem do âmbito familiar, devido ameaças contra seus animais de 
estimação (Ascione; Arkow, 1999). 
Por sua parte, a legislação brasileira desde 2020 começou a reconhecer 
os maus-tratos aos animais e crueldade animal, através da Lei de Crimes 
Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e a Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), como 
um crime contra a sociedade, tanto por ser infrações penais, quanto por sua 
 
 
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possível associação com outros crimes violentos. Vale ressaltar, que a 
violência animal inclui qualquer prática que intervenha nas cinco liberdades 
do bem-estar animal. 
Pesquisas conduzidas nos Estados Unidos apontaram uma correlação 
entre maus-tratos aos animais e a violência contra pessoas, assim dando 
origem ao termo The link (Barrero et al., 2017). Esta teoria sugere que existe 
uma relação significativa entre esses dois tipos de violência, indicando que o 
abuso de animais muitas vezes coexiste com outras formas de agressão. 
Além do fato ora proposto, o abuso de animais serve como um indicativo 
notável e precoce de comportamento violento potencialmente direcionados 
a humanos (Lookwood, 2000; Monsalve et al., 2017). 
No Brasil, a disseminação da teoria do elo teve origem, em estudos 
conduzidos por Padilha (2011) com mulheres vítimas de violência, residentes 
no estado de Pernambuco. Sua pesquisa revelou que metade das 
entrevistadas declararam que seus agressores já haviam exercido alguma 
forma de violência contra seus animais de estimação, sendo a forma física a 
mais comumente relatada (Padilha, 2011). 
Nesse contexto, o médico veterinário atua diretamente na saúde única 
e coletiva. Logo o profissional desempenha um papel fundamental, sendo 
considerado um dos únicos profissionais que poderá estabelecer a ligação 
entre ambas as violências, pois a partir do momento que há reconhecimento 
de maus-tratos naquele ambiente, o médico veterinário poderá estar 
prevenindo e diagnosticando possíveis agressões direcionadas a seres 
humanos no seio familiar (D´Aprile et al., 2017). Diante disso, a presente 
pesquisa buscou analisar a relação entre a violência doméstica contra 
mulheres e maus-tratos a animais na cidade de Manaus-AM. 
 
 
 
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2. Metodologia 
 
2.1 Tipo de pesquisa 
 
Foi desenvolvido um estudo observacional, descritivo e retrospectivo, 
com o intuito de identificação de padrões de ocorrência e distribuição de 
casos de violência doméstica contra mulheres e de maus-tratos a animais no 
município de Manaus-AM, no período de 2019 a 2023. 
 
2.2 Coleta de dados 
 
Os dados foram obtidos junto à Secretaria de Segurança Pública do 
Estado do Amazonas (SSP-AM), por meio de registros policiais e denúncias 
encaminhadas pelos canais oficiais de notificação do órgão. Foram incluídas 
no estudo todas as ocorrências registradas no município de Manaus-AM 
durante o período de janeiro de 2019 a dezembro de 2023, referentes 
especificamente a denúncias de violência doméstica contra mulheres e 
denúncias de maus-tratos a animais. As variáveis contempladas englobaram 
o ano e mês de ocorrência, zona geográfica e bairro de registro, sexo e faixa 
etária dos agressores, além da faixa etária das vítimas de violência 
doméstica. 
 
2.3 Análise de dados 
 
Os dados foram organizados e tabulados em planilhas do Microsoft 
Excel® 2021. Foi realizada análise descritiva, com apresentação em 
frequências absolutas e relativas, buscando identificar a magnitude e a 
distribuição dos casos no período avaliado. Para a análise espacial, foi 
utilizado o software QGIS® versão 3.28, para possibilitar a visualização da 
 
 
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distribuição territorial das ocorrências e verificar possíveis sobreposições 
entre os dois tipos de violência. 
 
2.4 Aspectos éticos 
 
Os dados foram fornecidos através de requerimentos enviados para o 
órgão competente. Foram seguidas todas as diretrizes éticas estabelecidas 
pela Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, garantindo a 
confidencialidade e a integridade das informações utilizadas. O projeto foi 
submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o parecer nº 
7.115.580. 
 
3. Resultados e discussão 
 
Entre os anos de 2019 e 2023, foram registrados no município de 
Manaus-AM 135.624 denúncias de violência doméstica contra mulheres e 
1.697 denúncias de maus-tratos a animais (Tabela 1). Observa-se que o 
número de registros relacionados a maus-tratos animais é significativamente 
inferior quando comparado às notificações de violência doméstica. Segundo 
Alencar et al. (2021), tal discrepância pode estar associada ao receio da 
população em denunciar esse tipo de ocorrência ou à percepção de que a 
fiscalização de crimes contra animais possui menor relevância social. 
Ademais, Hammerschmidt et al. (2012) destacam que, em muitos casos, a 
violência contra animais é reduzida à dimensão física, desconsiderando 
outras formas de sofrimento. Nesse sentido, o conceito das Cinco Liberdades 
constitui a principal ferramenta de avaliação do bem-estar animal, 
permitindo identificar violações que extrapolam a agressão física e abrangem 
aspectos nutricionais, ambientais, comportamentais e psicológicos. 
 
 
 
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Revista Contemporânea, vol. 5, n°. 8, 2025. ISSN: 2447-0961 
 
Tabela 1. Comparativo dos casos registrados de maus-tratos aos animais e violência 
contra as mulheres por ano na cidade de Manaus-Am, no período de 2019 a 2023. 
 
Ano 
Registros de Violência 
Doméstica 
Contra Mulher 
 
 % 
Registros de Maus-tratos 
a animais 
 
% 
2019 25.336 18,5 105 6,2 
2020 24.584 18,1 155 9,2 
2021 23.773 17,5 384 22,8 
2022 30.066 22,2 596 35,3 
2023 31.865 23,5 457 26,5 
Total 135.624 100 1.697 100 
Fonte: Autores. 
 
Na análise comparativa da distribuição mensal dos registros, foi 
possível observar que o mês de agosto, apresentou a maior concentração de 
denúncias de violência contra mulheres, sendo contabilizados 13.001 
registros (9,3%), achado que pode estar relacionado às campanhas de 
sensibilização e enfrentamento promovidas no período, como o Agosto Lilás 
(BRASIL,2006). Quanto aos maus-tratos a animais, o maior número de 
registros, que foram 162 (9,5%), ocorreram em fevereiro. Ressalta-se, 
entretanto, que até o momento não foi possível estabelecer um parâmetro 
etiológico ou fator explicativo específico para justificar o aumento dos 
registros nesse mês. 
No que se refere a distribuição espacial dos casos, a Figura 1 evidencia 
que a zona Norte concentrou o maior número de registros tanto de violência 
doméstica contra mulheres (33%) quanto de maus-tratos a animais (28%). 
Na sequência, destacaram-se a zona Leste (24% e 13%), a zona Sul (14% 
e 18%) e a zona Oeste (13% e 19%). A menor frequência de notificações foi 
observada na região Centro-Oeste, o que mantém proporcionalidade 
semelhante àquela encontrada para os casos de maus-tratos a animais. 
 
 
 
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Figura 1. Mapa comparativo do número de casos registrados da violência contra as 
mulheres e animais nas zonas da Cidade de Manaus-Am, no período de 2019 a 2023. 
 
Fonte: Autores. 
 
Tais achados corroboram com a literatura que descreve a inter-relação 
entre violênciainterpessoal e atos de crueldade contra animais. Freitas et al. 
(2021) apontam que agressões a animais podem coexistir com episódios de 
violência contra humanos, sugerindo uma ligação direta entre ambas as 
manifestações. Nesse mesmo sentido, D’Aprile et al. (2017) destacam que a 
comprovação de maus-tratos animais deve ser considerada como um 
indicador sentinela para a identificação de outras formas de violência no 
âmbito familiar. 
Uma hipótese adicional para a maior concentração de registros na zona 
Norte refere-se ao fator demográfico. Essa região representa a área de maior 
densidade populacional do município, o que pode contribuir para o maior 
volume absoluto de ocorrências. De acordo com dados da Secretaria de 
Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI, 2021), bairros 
como Cidade Nova e Novo Aleixo, situados na zona Norte, concentram juntos 
mais de 120 mil habitantes, configurando-se como territórios prioritários 
para o monitoramento e a intervenção intersetorial. 
 
 
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A análise da distribuição das ocorrências por bairros (Figura 2) 
demonstrou que o bairro Cidade Nova concentrou o maior número de 
registros tanto de violência doméstica contra mulheres quanto de maus-
tratos a animais, configurando-se como o principal ponto de convergência 
entre os dois contextos de violência. Observou-se ainda que a 
proporcionalidade dos casos apresentou um padrão relativamente linear 
quando comparada a outros bairros da capital, destacando-se Jorge Teixeira, 
Novo Aleixo, Flores e Cidade de Deus, que também apresentaram 
frequências expressivas em ambas as categorias. 
 
Figura 2. Mapa comparativo do número de casos registrados de violência contra as 
mulheres e animais nos bairros da Cidade de Manaus-Am, no período de 2019 a 2023. 
 
Fonte: Autores. 
 
De acordo com Santiago (2016), esses bairros apresentam perfis 
semelhantes de vulnerabilidade, refletidos em proporções equivalentes de 
registros de violência doméstica e maus-tratos a animais, além de figurarem 
entre as áreas com maiores índices de criminalidade em Manaus. Em 
consonância, Pinto et al. (2018) identificaram que 88% dos lares onde se 
 
 
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investigavam episódios de violência física e psicológica contra mulheres 
também apresentavam evidências de abuso contra animais, reforçando a 
existência de um elo consistente entre as duas formas de violência e a 
importância de considerá-las no âmbito de políticas públicas integradas de 
vigilância e prevenção. 
 
Tabela 2. Comparativo do sexo do agressor em ambos os casos de violências registradas na 
cidade de Manaus- Am. 
Sexo do 
Agressor 
Violência Doméstica 
Contra Mulher 
% Maus-tratos aos 
animais 
% 
Ignorado 98.377 72,5 934 54,7 
Masculino 36.696 27 468 27,8 
Feminino 551 0,4 295 17,5 
Total 135.624 100 1.697 100 
Fonte: Autores. 
 
Com relação ao perfil dos agressores, em ambos os contextos de 
violência, revelou-se uma elevada proporção de registros de variáveis 
sociodemográficas classificados como “não informados” ou “ignorados”, o 
que representa limitação importante para a caracterização epidemiológica. 
Ainda assim, entre os casos com identificação disponível, verificou-se 
predominância do sexo masculino, com 36.696 (27%) ocorrências de 
violência doméstica e 468 (27,8%) casos de maus-tratos a animais. Esses 
achados corroboram com o estudo de Fornari et al. (2021), no qual destacam 
que a violência familiar é majoritariamente perpetrada por homens contra 
mulheres e crianças em contextos domésticos, enquanto Scheffer (2017) 
identificou perfil semelhante entre agressores de animais. 
Embora menos frequentes, as agressões praticadas por mulheres 
também foram registradas, com 551 (0,4%) em casos de violência 
doméstica. De acordo com Lemos et al. (2021), esses episódios ocorrem, na 
maioria das vezes, em situações de autodefesa, o que indica padrões 
distintos na motivação da violência. Ademais, ressalta-se que homens 
 
 
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também podem ser vítimas, sobretudo quando se encontram em fases de 
maior vulnerabilidade, como a infância ou a velhice. 
 
Tabela 3. Comparativo da faixa etária do agressor de ambas as violências registradas na 
cidade de Manaus- Am. 
Faixa Etária do 
Agressor 
Violência 
Doméstica 
Contra Mulher 
% Maus-tratos aos 
animais 
% 
10 a 17 anos 81 0,1 4 0,2 
18 a 24 anos 1.210 0,9 23 1,4 
25 a 29 anos 1.594 1,2 39 2,3 
30 a 34 anos 1.758 1,3 37 2,2 
35 a 64 anos 5.681 4,2 249 14,8 
65 anos ou mais 240 0,2 21 1,2 
Ignorado 125.060 92,2 1.324 77,9 
Total 135.624 100 1.697 100 
Fonte: Autores. 
 
No que se refere à faixa etária dos agressores, os resultados 
evidenciaram maior concentração entre 35 a 64 anos, tanto nos casos de 
violência doméstica quanto nos de maus-tratos a animais. Esses resultados 
dialogam com os achados de Padilha (2011), onde observou que 79% dos 
agressores de mulheres possuíam mais de 30 anos, evidenciando correlação 
entre a maturidade etária dos agressores e a vitimização feminina. 
No presente estudo foi observado registros de agressores na faixa 
entre 10 a 17 anos. Esse padrão sugere a possibilidade de um ciclo 
intergeracional de violência, no qual experiências de vitimização na infância 
podem predispor indivíduos à reprodução de comportamentos violentos na 
vida adulta. Ascione et al. (1997) evidenciam que cerca de 32% das crianças 
expostas à violência doméstica reproduziam condutas agressivas contra 
animais de estimação, fenômeno também discutido por Nassaro (2013), ao 
demonstrar que a exposição precoce a situações de violência favorece sua 
perpetuação ao longo da vida. Complementarmente, Ricotta (2016) aponta 
que tais comportamentos derivam da interação entre predisposições 
individuais e fatores sociais, enquanto Friedman et al. (2004) ressaltam que 
 
 
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uma predisposição genética isolada dificilmente se manifesta sem a 
influência de um ambiente hostil, violento ou marcado por carências afetivas. 
 
Tabela 4- Quantitativo referente a faixa etária da vítima do sexo feminino a respeito da 
violência doméstica na cidade de Manaus-Am. 
Faixa Etária da 
Vítima 
Número de Vítimas de 
Violência Doméstica 
Contra Mulher 
% 
10 a 17 anos 2.164 1,60 
18 a 24 anos 25.545 18,84 
25 a 29 anos 23.318 17,19 
30 a 34 anos 21.911 16,16 
35 a 64 anos 59.744 44,05 
65 anos ou mais 2.860 2,11 
Ignorado 82 0,06 
Total 135.624 100,00 
Fonte: Autores. 
 
Ao comparar a faixa etária das vítimas mulheres, verificou-se que a 
maior prevalência de violência doméstica ocorreu na faixa etária de 35 a 64 
anos, totalizando 59.744 casos (44%). Esses resultados podem ser 
corroborados aos registros do Ligue 180 e do RASEAM onde há 
predominância na faixa etária de vítimas entre 40 a 59 anos (Ministério das 
Mulheres, 2025). Porém, em contrapartida, o Atlas da Violência 2024 (IPEA; 
FBSP, 2024) registrou a faixa etária com maior predominância entre 15 a 39 
anos, sendo um perfil etário dissemelhante do presente estudo. 
Os dados apresentados reforçam a existência de elos consistentes 
entre violência doméstica contra mulheres e maus-tratos a animais. Pereira 
et al. (2020) demonstraram que 89% das mulheres que possuíam animais 
de companhia em relacionamentos abusivos relataram ameaças, ferimentos 
ou morte de seus animais por parte do parceiro, confirmando a sobreposição 
entre as formas de violência. 
No cenário nacional, a relevância da temática tem sido amplificada por 
campanhas de conscientização, como “Quebre o Elo”, promovida pelo 
Instituto Ampara Animal (AMPARA, 2024), e “Um Elo pela Vida” lançada no 
mesmo ano pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária(CFMV, 2024). 
 
 
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Ambas as iniciativas buscam sensibilizar a sociedade sobre a gravidade dos 
maus-tratos a animais e reforçar a inter-relação com a violência doméstica, 
contribuindo para a disseminação da Teoria do Elo e para a promoção de 
estratégias de prevenção integradas. 
 
4. Considerações finais 
 
O presente estudo evidenciou que os casos de violência doméstica 
contra mulheres e de maus-tratos a animais em Manaus-AM apresentam 
padrões de distribuição que sugerem sobreposição territorial e 
sociodemográfica, em especial na zona Norte e em bairros de maior 
densidade populacional, como Cidade Nova e Novo Aleixo. 
A elevada proporção de registros com informações classificadas como 
“não informadas” ou “ignoradas” aponta, contudo, para fragilidades nos 
sistemas de informação, comprometendo a completude e a acurácia da 
análise epidemiológica. Tal limitação ressalta a necessidade de 
aprimoramento na coleta e padronização dos dados, bem como da 
capacitação de profissionais que atuam na linha de frente das notificações. 
Os achados corroboram com a Teoria do Elo, ao indicar que a violência 
contra animais não ocorre de forma isolada, mas frequentemente coexiste 
com a violência doméstica, sobretudo contra mulheres. Esse entendimento 
reforça a importância de estratégias intersetoriais e integradas, envolvendo 
a Saúde, a Segurança Pública, a Assistência Social e a Medicina Veterinária, 
no fortalecimento da vigilância, na prevenção e na resposta a essas formas 
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