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SUMÁRIO 1. Introdução ..................................................................... 3 2. Irrigação Arterial ......................................................... 3 3. Irrigação Venosa .......................................................10 Referências Bibliográficas ........................................15 3VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO 01. INTRODUÇÃO Embora represente apenas cerca de 2,5% do peso do corpo, o encéfalo re- cebe aproximadamente um sexto do débito cardíaco e um quinto do oxigê- nio consumido pelo corpo em repou- so. Isto acontece pois o sistema ner- voso é formado de estruturas nobres e altamente especializadas, as quais exigem para o seu metabolismo, um suprimento permanente e elevado de glicose e oxigênio. A vascularização arterial encefálica provém das artérias carótida interna e vertebral (Figura 1), cujos ramos ter- minais estão situados no espaço su- baracnóideo. A drenagem venosa en- cefálica ocorre pelas veias cerebrais e cerebelares que drenam para os seios venosos durais adjacentes. Os processos patológicos que aco- metem os vasos cerebrais ocorrem com frequência cada vez maior com o aumento da vida média do homem moderno. Estes são os acidentes vas- culares cerebrais (AVC) hemorrágicos ou oclusivos, também denominados isquêmicos (tromboses e embolias). Eles interrompem a circulação de determinadas áreas en- cefálicas, causando necrose do te- cido nervoso, e são acompanhados de alterações motoras, sensoriais ou psíquicas, que podem de ser caracte- rísticas para a área e a artéria lesada. A prevenção, o diagnóstico e o trata- mento de todos esses processos exi- gem um estudo da vascularização do sistema nervoso central, o que será feito a seguir. 02. IRRIGAÇÃO ARTERIAL 2.1 Artéria Caródita Interna As artérias carótidas internas origi- nam-se no pescoço, a partir das ar- térias carótidas comuns (Figura 1). A parte cervical de cada artéria ascen- de verticalmente através do pesco- ço, sem ramificações, até a base do crânio. Cada artéria carótida interna entra na cavidade do crânio através do canal carótico na parte petrosa do temporal. 4VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO PARTE INTRACRANIANA DA ARTÉRIA VERTEBRAL PARTE ATLÂNTICA DA ARTÉRIA VERTEBRAL PARTE CERVICAL DA ARTÉRIA VERTEBRAL ARTÉRIA VERTEBRAL ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA FIGURA 1 – Suprimento arterial do encéfalo. Fonte: Netter, 2008. As artérias carótidas internas seguem através dos seios cavernosos, no in- terior dos quais descrevem no plano vertical um “S”, denominado de sifão carotídeo (Figura 2). No seio caverno- so, a artéria carótida interna caminha próximo aos nervos abducentes (NC VI) e muito próxima aos nervos oculo- motor (NC III), troclear (NC IV) e ramo oftálmico do nervo trigêmeo (NC V), passando no sulco carótico na lateral do corpo do esfenoide. 5VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA SIFÃO CAROTÍDEO ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA Os ramos terminais das artérias caró- tidas internas são as artérias cerebrais anterior e média. Tais artérias se sub- dividem em ramos menores superfi- FIGURA 2 – Trajeto da artéria carótida interna. Fonte: Netter, 2008 FIGURA 3 – Vista lateral das artérias cerebral média e anterior. Fonte: Netter, 2008. ciais e profundos, rumo as estruturas internas que podem ser identificados em exames de arteriografia cerebral (Figura 3). 6VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA FIGURA 4 – Vista medial da artéria cerebral anterior. Fonte: Netter, 2008. FIGURA 5 – Arteriografia da artéria carótida interna direita em visão póstero-anterior Fonte: ANATPAT Unicamp 2.2 Artérias Vertebral e Basilar As artérias vertebrais direita e es- querda destacam-se das artérias subclávias correspondentes. Elas so- bem no pescoço dentro dos forames transversos das vértebras cervicais e perfuram a membrana atlanto-occipi- tal, a dura-máter e a aracnoide, pene- trando no crânio pelo forame magno. Elas percorrem, a seguir, a face ven- tral do bulbo e, aproximadamente no nível do sulco bulbo-pontino, fundem- -se para constituir um tronco único, a artéria basilar (Figura 4). As artérias vertebrais dão origem às duas arté- rias espinhais posteriores e à artéria espinhal anterior que vascularizam a medula (Figura 4). Originam ainda as artérias cerebelares inferiores poste- riores, que irrigam a porção inferior posterior do cerebelo. A artéria basilar percorre geralmen- te o sulco basilar da ponte e termina bifurcando-se para formar as arté- rias cerebrais posteriores direita e es- querda. Neste trajeto, a artéria basilar emite a artéria cerebelar superior que vasculariza o mesencéfalo e a parte superior do cerebelo; emite também a artéria cerebelar inferior anterior que se distribui à parte anterior da face in- ferior do cerebelo. 7VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO FIGURA 6 – Território de irrigação das artérias encefálicas Fonte: Moore (2014) Clinicamente, as artérias carótidas internas e seus ramos costumam ser chamados de circulação anterior do encéfalo. Já o sistema arterial verte- brobasilar é denominado clinicamen- te muitas vezes de circulação poste- rior do encéfalo. 2.3 Polígono de Willis As artérias cerebrais anteriores são unidas pela artéria comunicante an- terior. Perto de seu término, as arté- rias carótidas internas são unidas às artérias cerebrais posteriores pelas artérias comunicantes posteriores, completando o círculo arterial do cé- rebro. O círculo arterial do cérebro, ou po- ligono de Willis, é uma anastomose arterial de forma poligonal e está situ- ado na base do cérebro, onde circun- da o quiasma óptico, relacionando-se ainda com a fossa interpeduncular. É formado pelas porções proximais das artérias cerebrais anterior, média e posterior, pela artéria comunicante anterior e pelas artérias comunican- tes posteriores, direita e esquerda. 8VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO ARTÉRIA COMUNICANTE ANTERIOR ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR ARTÉRIA OFTÁLMICA ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA ARTÉRIA COMUNICANTE POSTERIOR ARTÉRIA CEREBRAL POSTERIOR ARTÉRIA CEREBELAR SUPERIOR ARTÉRIA BASILAR ARTÉRIA DO LABIRINTO (RAMO DO MEATO ACÚSTICO INTERNO) ARTÉRIA CEREBELAR INFERIOR ANTERIOR ARTÉRIA VERTEBRAL FIGURA 7 – Polígono de Willis. Fonte: Netter, 2008. 9VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO A artéria comunicante anterior é pe- quena e anastomosa as duas artérias cerebrais anteriores adiante do quias- ma optico. As artérias comunicantes posteriores unem, de cada lado, as carótidas internas com as cerebrais posteriores correspondentes (Figura 5). Deste modo, elas anastomosam o sistema carotideo interno ao siste- ma vertebrobasilar. Entretanto, esta anastomose é apenas potencial pois, em condições normais, não há passa- gem significativa de sangue do siste- ma vertebrobasilar para o carotideo interno ou vice-versa. Do mesmo modo, praticamente não existe troca de sangue entre as me- tades esquerda e direita do círculo ar- terial. O círculo arterial do cérebro, em casos favoráveis, permite a manu- tenção de fluxo sanguíneo adequa- do em todo o cérebro, em casos de obstrução de uma ou mais das quatro artérias que o irrigam. É fácil enten- der que a obstrução, por exemplo, da carótida direita, determina queda de pressão em seu território, o que faz com que o sangue flua para através da artéria comunicante anterior e da artéria comunicante posterior direita. Entretanto, o círculo arterial do cére- bro é sede de muitas variações, que tornam imprevisível o seu compor- tamento diante de um determinado quadro de obstrução vascular. 2.4 Território cortical das artérias cerebrais e repercussões clínicas de suas obstruções Em casos de obstrução de uma des- tas artérias ou de seus ramos mais calibrosos, lesões de áreas mais ou menos extensas do córtex cerebral podem acontecer, manifestando-secomo quadro sintomatológico carac- terístico. Desta forma, pode-se de- senvolver síndromes específicas das artérias cerebrais anterior, média e posterior. O estudo minucioso destas síndro- mes, objeto dos cursos de neurologia, exige conhecimento dos territórios corticais irrigados pelas três artérias cerebrais, o que será feito a seguir. a) artéria cerebral anterior - Um dos ramos de bifurcação da carótida interna, a artéria cerebral anterior di- rige-se para diante e para cima (Fi- gura 4), curva-se em torno do joelho do corpo caloso e ramifica-se na face medial de cada hemisfério, desde o lobo frontal até o sulco parietoccipital. Distribui-se também à parte mais alta da face dorsolateral de cada hemisfé- rio, onde se limita com o território da artéria cerebral média. SE LIGA! A obstrução de uma das arté- rias cerebrais anteriores causa, entre ou- tros sintomas, paralisia e diminuição da sensibilidade no membro inferior do lado oposto, decorrente da lesão de partes 10VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO das áreas corticais motora e sensitiva, que correspondem ao membro inferior e se localizam na porção alta dos giros pré e pós-central (lóbulo paracentral). b) artéria cerebral média - Ramo principal da carótida interna, a arté- ria cerebral média percorre o sulco lateral em toda a sua extensão, dis- tribuindo ramos que vascularizam a maior parte da face dorsolateral de cada hemisfério (Figura 4). Este terri- tório compreende áreas corticais im- portantes, como a área motora, a área somestésica, o centro da palavra fala- da e outras. c) artéria cerebral posterior - Ra- mos de bifurcação da artéria basilar (Figuras 4), as artérias cerebrais pos- teriores dirigem-se para trás, contor- SE LIGA! Obstruções da artéria cerebral média, quando não são fatais, deter- minam sintomatologia muito rica, com paralisia e diminuição da sensibilida- de do lado oposto do corpo (exceto no membro inferior), podendo haver ainda graves distúrbios da linguagem. Para distinguir acometimentos medulares de lesões decorrentes da obstrução da ar- téria cerebral média, temos que lembrar que a obstrução da mesma resulta em comprometimento cognitivo cortical. SE LIGA! A artéria cerebral posterior irri- ga, pois, a área visual situada nos lábios do sulco calcarino e sua obstrução causa cegueira em uma parte do campo visual. nam o pedúnculo cerebral e, percor- rendo a face inferior do lobo temporal, ganham o lobo occipital. 03. IRRIGAÇÃO VENOSA Para falarmos sobre a irrigação ve- nosa, devemos falar sobre algumas estruturas formadas pelas menin- ges do encéfalo, mais especifica- mente sobre os seios da dura-má- ter. 3.1 Seios da dura-máter Em determinadas áreas, os dois folhetos da dura-máter do encéfalo se separam, delimitando cavidades. Algumas destas cavidades são re- vestidas de endotélio e contêm san- gue venoso, constituindo os seios da dura-máter, que se dispõem, em sua maioria, ao longo da inserção das pregas da dura-máter (Figura 6). A maioria dos seios tem secção triangular e suas paredes não se colabam; o sangue proveniente das veias do encéfalo e do globo ocular é drenado para eles e destes para as veias jugulares internas. temporal. 11VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO Podemos dividir os seios em dois grupos: seios da abóboda craniana e seios da base do crânio: Seios venosos da abóboda. a) seio sagital superior – Impar e mediano, percorre a margem de inserção superior da foice do cérebro, que é um septo vertical mediano que ocupa a fissura longitudinal do cére- bro, separando os dois hemisférios cerebrais (Figura 7). O seio sagital superior termina próximo à protube- rância occipital interna, na chamada confluência dos seios, formada pela confluência dos seios sagital supe- rior, reto e occipital e, desta estrutura, se dá o início dos seios transversos esquerdo e direito; b) seio sagital inferior – Situa-se na margem livre da foice do cérebro, terminando no seio reto; c) seio reto – Localiza-se ao lon- go da linha de união entre a foice do cérebro e a tenda do cerebelo. A tenda do cerebelo projeta-se para diante como um septo transversal entre os lobos occipitais e o cerebelo, de modo a separar a fossa posterior da fossa média do crânio. O seio reto recebe, em sua extremidade anterior, o seio sagital inferior e a veia cerebral magna (também chamada de veia de Galeno), terminando na confluência dos seios. d) seio transverso – É par e dispõe- -se de cada lado ao longo da inser- ção da tenda do cerebelo no osso oc- cipital, desde a confluência dos seios até a parte petrosa do osso temporal, onde passa a ser denominado seio sigmoide; e) seio sigmoide – Em forma de “S”, é uma continuação do seio transver- so até o forame jugular, onde conti- nua diretamente com a veia jugular interna. O seio sigmoide drena a quase totalidade do sangue venoso da cavidade craniana. f) seio occipital – Dispõe-se ao lon- go da margem de inserção da foice do cerebelo no osso occipital, como se fosse o “seio sagital do cerebelo”. A foice do cerebelo é um pequeno septo vertical mediano, situado abai- xo da tenda do cerebelo, entre os dois hemisférios cerebelares. 12VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO CONFLUÊNCIA DOS SEIOS SEIO RETO VEIA CEREBRAL MAGNA SEIO SAGITAL SUPERIOR FOICE DO CÉREBRO SEIO SAGITAL INFERIOR TENDA DO CEREBELO SEIO TRANSVERSO SEIO SIGMOIDE SEIO OCCIPITAL FIGURA 8 – Seios da dura-máter em corte sagital. Fonte: Netter, 2008 Seios venosos da base: a) seio cavernoso – Situa-se de cada lado do corpo do esfenoide e da sela túrcica. Recebe sangue proveniente das veias oftálmica su- perior e central da retina, além de algumas veias do cérebro (Figura 8). Drena através dos seios petroso superior e petroso inferior, além de comunicar-se com o seio cavernoso contralateral, através do seio inter- cavernoso. Como dito anteriormente, o seio cavernoso é atravessado pela artéria carótida interna, pelo nervo abducente e, já próximo à sua pa- rede lateral, pelos nervos troclear, oculomotor e pelo ramo oftálmico do nervo trigêmeo. b) seio intercavernoso – Unem os dois seios cavernosos, envolvendo a hipófise c) seio petroso superior – Dispõe- -se de cada lado, ao longo da inser- ção da tenda do cerebelo na porção petrosa do osso temporal. Drena sangue do seio cavernoso para o seio sigmoide, terminando próximo à continuação deste com a veia jugular interna; 13VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO d) seio petroso inferior – Percorre o sulco petroso inferior entre o seio cavernoso e o forame jugular, onde termina lançando-se na veia jugular interna; e) seio esfenoparietal – Percorre a face interior da pequena asa do esfe- noide desemboca no seio cavernoso; f) plexo basilar – Ímpar, ocupa a porção basilar do occipital. Comuni- ca-se com os seios petroso inferior e cavernoso, liga-se ao plexo do forame occipital e, através deste, ao plexo venoso vertebral interno. PLEXO BASILAR SEIO ESFENOPARIETAL SEIO INTERCAVERNOSO SEIO CAVERNOSO SEIO PETROSO SUPERIOR SEIO PETROSO INFERIOR 14VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO 3.2 Drenagem venosa do encéfalo As veias de paredes finas, sem vál- vulas, que drenam o encéfalo perfu- ram a aracnoide e as lâminas menín- geas da dura-máter e terminam nos seios venosos da dura-máter mais próximos (Figura 6), que drenam, em sua maior parte, para as veias ju- gulares internas. As veias cerebrais superiores na face superolateral do encéfalo drenam para o seio sagital superior; as veias cerebrais inferiores e a veia cerebral superficial média, oriundas das faces inferior, poste- roinferior e profunda dos hemisférios cerebrais, drenam para os seios reto, transverso e petroso superior. A veia cerebral magna (de Galeno) é uma veia única, mediana, que se forma no encéfalo pela união de duas veias cerebrais internas; termina fundindo- -se ao seio sagital inferior para for- mar o seio reto. O cerebelo é drenado pelas veias cerebelares superiores e inferiores, que drenam a respectivaface do cerebelo para os seios trans- verso e sigmoide. 15VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Machado A, Haertel LM. Neuroanatomia funcional. 3ª ed. São Paulo: Atheneu, 2006. 2. Moore KL. Anatomia orientada para a clínica. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. 3. Rubin M, Safdieh JE. Netter neuroanatomia essencial. 1ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2008. 16VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO 16VASCULARIZAÇÃO DO ENCÉFALO