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Vascularização do Encéfalo Prof. Guilherme Rocha Generalidades • O sistema nervoso apresenta-se formado por uma série de estruturas nobres e altamente especializadas que exigem, para seu metabolismo, um suprimento contínuo e elevado de glicose e oxigênio; • Quedas nas concentrações de glicose e oxigênio no sangue circulante ou, então a suspensão do fluxo sanguíneo ao encéfalo, não são toleradas além de um período muito curto. Generalidades • Assim, a perda da fluxo sanguíneo cerebral por mais de 10 segundos leva o indivíduo à perda da consciência e, após cerca de 5 minutos, começam a aparecer lesões irreversíveis, devido ao fato que, a maior parte das células nervosas não apresentam a capacidade de regenerar; • O fluxo sanguíneo cerebral é muito elevado, sendo superado apenas pelo do rim e coração. Embora o encéfalo represente apenas 2% da massa corporal, consome 20% do oxigênio disponível e recebe 15% do fluxo sanguíneo, refletindo a alta taxa metabólica do tecido nervoso. Vascularização Arterial do Encéfalo • A vascularização arterial do encéfalo se faz por meio das artérias carótidas internas e vertebrais, ambas originadas no pescoço, onde entretanto não emitem nenhum ramo importante, sendo pois, especializadas na irrigação do encéfalo; • Na base do cérebro, estas artérias formam uma rede anastomótica, denominada círculo arterial do encéfalo ou polígono de Willis, de onde se originam as principais artérias destinadas a vascularização encefálica; • Estas artérias, juntamente com a artéria basilar, constituem dois sistemas de irrigação, denominados sistema carotídeo interno e vértebro-basilar. Sistema Carotídeo Interno • O sistema carotídeo interno apresenta-se formando pelas artérias carótidas internas e seus ramos. a. carótida interna Sistema Carotídeo Interno • Artéria Carótida Interna: consiste em um dos ramos da bifurcação da artéria carótida comum, próximo ao nível da margem superior da cartilagem tireóidea; • A partir do seu ponto de origem, segue em direção superior em direção a base do crânio, o qual penetra por meio do canal carótico, situado na parte petrosa do osso temporal, adentrando a cavidade craniana. A seguir, atravessa o seio cavernoso, no interior do qual descreve, uma dupla curva, formando um ‘’S’’, denominado sifão carotídeo. sifão carotídeo a. carótida interna Sistema Carotídeo Interno • Por fim, perfura a dura-máter e a aracnoide e, no início do sulco lateral dos hemisférios, divide-se em seus dois ramos terminais, as artérias cerebrais média e anterior, que fazem parte do círculo arterial do cérebro; • Além de seus dois ramos terminais, a artéria carótida interna, emite ainda ao longo do seu trajeto, três importantes ramos, que são: artérias oftálmica, comunicante posterior e corióidea anterior. a. cerebral anterior a. cerebral média a. cerebral anterior a. carótida interna a. cerebral média Sistema Carotídeo Interno • Artéria Oftálmica: origina-se da artéria carótica interna, imediatamente abaixo do processo clinóide anterior. A seguir, segue anteriormente e adentra a órbita, através do canal óptico, em companhia do nervo óptico. Supre o bulbo do olho e estruturas anexas. a. oftálmica a. oftálmica a. carótida interna Sistema Carotídeo Interno • Artéria Comunicante Posterior: origina-se do contorno posterior da artéria carótida interna. A partir do seu ponto de origem, segue em direção posterior e se anastomosa com a artéria cerebral posterior, ramo da artéria basilar. Faz parte do círculo arterial do encéfalo. a. comunicante posterior a. carótida interna a. comunicante posterior Sistema Carotídeo Interno • Artéria Corióidea Anterior: consiste num pequeno ramo, originado da artéria carótida interna, lateralmente a artéria comunicante posterior. A partir do seu ponto de origem, segue em direção lateral, superior e posterior, entre o lobo temporal e o pedúnculo cerebral e, adentra o corno inferior do ventrículo lateral, através da fissura corióide. Supre os plexos corióides, parte da cápsula interna, os núcleos da base e o diencéfalo. a. carótida interna a. corióidea anterior a. carótida interna a. corióidea anterior a. corióidea anterior a. carótida interna Sistema Vértebro-basilar • O sistema vértebro-basilar apresenta-se formado pelas artérias vertebrais e pela artéria basilar, originada da união das artérias vertebrais, bem como pelos ramos emitidos por estas artérias. a. vertebral a. basilar Sistema Vértebro-basilar • Artéria Vertebral: origina-se do contorno ântero-superior da 1ª parte da artéria subclávia, medialmente ao músculo escaleno anterior; • A partir do seu ponto de origem, segue em direção superior ao longo do pescoço, através dos forames transversos das seis vértebras cervicais superiores, estende-se sob um sulco no arco posterior do atlas e então, perfura a membrana atlantoccipital posterior, a dura-máter e a aracnoide, para penetrar na cavidade craniana pelo forame magno do osso occipital. a. vertebral a. subclávia a. vertebral Sistema Vértebro-basilar • A seguir, percorre a face ventral do bulbo e, próximo ao nível do sulco bulbo- pontino, funde-se com a artéria vertebral do lado oposto, dando origem a artéria basilar; • Ao longo do seu trajeto, a artéria vertebral emite três importantes ramos, que são: artérias espinais anterior e posteriores, destinadas a irrigação da medula espinal e, artéria cerebelar inferior posterior, destinada a irrigação da porção inferior e posterior do cerebelo. a. espinal anterior aa. vertebrais a. basilar a. cerebelar inferior posterior a. espinal posterior Sistema Vértebro-basilar • Artéria Basilar: a partir do seu ponto de origem, estende-se ao longo do sulco basilar, na face ventral da ponte e, termina-se anteriormente ao nível do sulco ponto-peduncular se bifurcando, dando origem as chamadas artérias cerebrais posteriores, que fazem parte do círculo arterial do cérebro; • Ao longo do seu trajeto, a artéria basilar emite uma série de ramos importantes, que são: artérias cerebelar superior, cerebelar inferior anterior e do labirinto, além das artérias pontinas. a. cerebral posterior a. basilar a. cerebelar superior a. pontinas a. do labirinto a. cerebelar inferior anterior Sistema Vértebro-basilar • Artéria Cerebelar Superior: origina-se da porção anterior da artéria basilar, posteriormente a artéria cerebral posterior. Supre o mesencéfalo e a porção superior do cerebelo; • Artéria Cerebelar Inferior Anterior: origina-se da porção posterior da artéria basilar. Supre a porção anterior da face inferior do cerebelo. a. basilar a. cerebelar superior a. cerebelar inferior anterior a. basilar a. cerebelar superior a. cerebelar inferior anterior Sistema Vértebro-basilar • Artéria do Labirinto: origina-se da porção posterior da artéria basilar, anteriormente a origem da artéria cerebelar inferior anterior. Penetra no meato acústico interno, juntamente com os nervos facial e vestibulococlear, para irrigar as estruturas da orelha interna; • Artérias Pontinas: consistem numa série de pequenas artérias, que se originam em ângulo reto do terço médio da artéria basilar. Suprem a ponte e as partes adjacentes do cérebro. aa. pontinas a. do labirinto a. do labirinto Círculo Arterial do Encéfalo • O círculo arterial do cérebro ou também chamado de polígono de Willis, consiste em uma importante rede anastomótica, de formato poligonal, situada na base do cérebro, onde circunda o quiasma óptico e o túber cinéreo e se relaciona ainda com a fossa interpeduncular. Polígono de Willis Círculo Arterial do Encéfalo • O circulo arterial do cérebro conecta o sistema carotídeo interno, anteriormente, ao vértebro-basilar, posteriormente; • Dado importante é que esta anastomose é apenas potencial pois, em condições normais, não há passagem significativa de sangue entre estes dois sistemas, bem como praticamente não existe troca de sangue entre as metades esquerda e direita do círculo arterial. Polígono de Willis CírculoArterial do Encéfalo • Assim, em casos favoráveis, a rede arterial do cérebro permite a manutenção de fluxo sanguíneo adequado em todo o cérebro, sobretudo em casos de obstrução de uma ou mais artérias que o irrigam; • Entretanto, essa rede anastomótica é sede de muitas variações, que tornam imprevisível o seu comportamento diante de um determinado quadro de obstrução vascular. Ademais, o estabelecimento de uma circulação colateral adequada, depende de vários fatores, tais como a rapidez com que se instala o processo obstrutivo e o estado da parede arterial, o qual, por sua vez, depende da idade do paciente. Polígono de Willis Círculo Arterial do Encéfalo • O círculo arterial do cérebro apresenta-se formado pela artéria comunicante anterior, pelas artérias comunicantes posteriores e, pelas porções proximais das artérias cerebrais anteriores, médias e posteriores. Sistema Vértebro- Basilar Sistema Carotídeo Interno a. cerebral média a. cerebral posterior a. comunicante posterior a. basilar aa. vertebrais a. carótida interna a. cerebral anterior a. comunicante anterior Círculo Arterial do Encéfalo • Artéria Comunicante Anterior: consiste em um pequeno ramo, que une as duas artérias cerebrais anteriores, anteriormente ao quiasma óptico; • Artérias Comunicantes Posteriores: consistem em dois importantes ramos, relacionados medialmente com a fossa interpeduncular, que unem, de cada lado, as artérias carótidas internas com as artérias cerebrais posteriores correspondentes e, deste modo conectam o sistema carotídeo interno ao sistema vértebro-basilar. a. comunicante anterior a. comunicante posterior a. comunicante anterior a. comunicante posterior Círculo Arterial do Encéfalo • Artérias Cerebrais Anteriores, Médias e Posteriores: consistem nas principais artérias do círculo arterial do encéfalo e, devido seus territórios de distribuição, emitem ramos que se dividem em centrais e corticais; • Os ramos centrais destinam-se à vascularização do diencéfalo, núcleos da base e cápsula interna; enquanto os ramos corticais, do córtex cerebral e substância branca subjacente. a. cerebral média a. cerebral média a. cerebral posterior a. cerebral anterior a. cerebral posterior a. cerebral anterior Círculo Arterial do Encéfalo • Ramos Corticais das Artérias Cerebrais: • Os ramos corticais das artérias cerebrais anteriores, médias e posteriores, consistem em um conjunto de pequenas artérias, originadas das porções proximais de cada uma das artérias, ou seja, no ponto em que formam o círculo arterial do cérebro; • Estes ramos podem ser originados também das artérias comunicantes. ramos centrais ramos centrais Círculo Arterial do Encéfalo • Os ramos corticais recebem a denominação de artérias estriadas, as quais a partir dos seus pontos de origem, penetram perpendicularmente na base do cérebro, por meio das chamadas substâncias perfuradas anterior e posterior; • A substância perfurada anterior situa-se de cada lado, entre o trato óptico e o trígono olfatório; enquanto a substância perfurada posterior, no fundo da fossa interpeduncular. artérias estriadas substância perfurada anterior substância perfurada posterior Círculo Arterial do Encéfalo • Ramos Corticais das Artérias Cerebrais: • Artéria Cerebral Anterior: consiste em um dos ramos de bifurcação da artéria carótida interna. A partir do seu ponto de origem, segue em direção anterior e superior, curva-se em torno do joelho do corpo caloso e distribui-se pela face medial de cada hemisfério cerebral, desde o lobo frontal até o sulco parietoccipital. Distribui-se também a porção mais superior da face dorsolateral, onde se limita com o território da artéria cerebral média. a. cerebral anterior a. cerebral anterior a. cerebral anterior Círculo Arterial do Encéfalo • Obstruções da artéria cerebral anterior causam entre outros sintomas, paralisia e diminuição da sensibilidade no membro inferior do lado oposto, decorrente da lesão de partes das áreas corticais motora e sensitiva, que correspondem aos MMIII, localizada na porção superior dos giros pré e pós-central (lóbulo paracentral). a. cerebral anterior a. cerebral anterior a. cerebral anterior Círculo Arterial do Encéfalo • Artéria Cerebral Média: consiste no ramo principal da artéria carótida interna. A partir do seu ponto de origem, percorre toda a extensão do sulco lateral e distribui-se por grande parte da face dorsolateral de cada hemisfério; • Este território compreende áreas corticais importantes, como a área motora, a área somestésica e, áreas de linguagem. a. cerebral média a. cerebral média a. cerebral média Círculo Arterial do Encéfalo • Obstruções da artéria cerebral média, quando não são fatais, causam alterações bastante graves, sobretudo paralisia e diminuição da sensibilidade do lado oposto do corpo (com exceção do membro inferior), podendo haver ainda graves distúrbios da linguagem. a. cerebral média a. cerebral média a. cerebral média Círculo Arterial do Encéfalo • Artéria Cerebral Posterior: consiste no ramo de bifurcação da artéria basilar. A partir do seu ponto de origem, segue em direção posterior, contorna o pedúnculo cerebral e, se distribui por toda a face inferior do lobo temporal, até ocupar o lobo occipital; • Obstruções da artéria cerebral posterior, causam entre outros sintomas, cegueira em uma parte do campo visual, decorrente da lesão da área visual, localizada nos lábios do sulco calcarino. a. cerebral posterior a. cerebral posterior a. cerebral posterior Vascularização Venosa da Encéfalo • As veias do encéfalo, de modo geral, não acompanham as artérias e, apresentam-se maiores e mais calibrosas quando comparadas a elas. Além disso, suas paredes são muito finas e praticamente desprovidas de musculatura e são avalvuladas; • Estas veias drenam para os seios venosos da dura-máter, de onde o sangue converge em ultima instância, para as veias jugulares internas, as quais recebem praticamente todo o sangue venoso do encéfalo; • De acordo com suas localizações, as veias encefálicas podem ser divididas nos sistemas venosos superficial e profundo. Vascularização Venosa da Encéfalo • Sistema Venoso Superficial: • Este sistema apresenta-se constituído por uma série veias situadas profundamente a aracnoide-máter, sendo responsáveis pela drenagem do córtex cerebral e da substância branca subjacente; • Anastomosam-se amplamente na superfície do cérebro, formando grandes troncos venosos, denominados veias cerebrais superficiais, que perfuram as lâminas meníngeas (aracnoide e dura- máter) para desembocar nos seios venosos da dura-máter. veias cerebrais superficiais, perfurando a aracnoide e a dura-máter para desembocar no seio sagital superior Vascularização Venosa da Encéfalo • De acordo com suas localizações e territórios de distribuição, as veias cerebrais superficiais dividem-se ainda em veias cerebrais superficiais superiores e inferiores; • Veias Cerebrais Superficiais Superiores: são responsáveis pela drenagem de sangue da face medial e porção superior da face dorsolateral de cada hemisfério e, o conduzem ao seio sagital superior. veia anastomótica superior (de Trolard) Vascularização Venosa da Encéfalo • Veias Cerebrais Superficiais Inferiores: são responsáveis por sua vez, pela drenagem de sangue da porção inferior da face dorsolateral e face inferior de cada hemisfério e, o conduzem aos seios da base (petrosos superiores e cavernosos) e seios transversos; • Dentre as veias superficiais inferiores, destaca-se a veia cerebral média superficial, que percorre o sulco lateral e se termina, no seio cavernoso. veia anastomótica inferior (de Labbé) veia cerebral média superficial veia cerebral média superficial Vascularização Venosa da Encéfalo • Sistema Venoso Profundo: • Este sistema por sua vez, apresenta-se constituído por uma série de veias situadas na porção interna do cérebro, sendo responsáveis pela drenagem do sangue de regiões profundas, como diencéfalo,núcleos da base, cápsula interna e grande parte do centro branco medular do cérebro e, o conduzem em última instância ao seio reto; • Dentre as principais veias, destaca-se a veia cerebral magna, também conhecida como veia de Galeno. Vascularização Venosa da Encéfalo • Veia Cerebral Magna: consiste em um curto e calibroso tronco venoso, situado em posição mediana, formado pela confluência das veias cerebrais internas, imediatamente abaixo do esplênio do corpo caloso; • A partir do seu ponto de origem, segue em direção superior e posterior e, termina-se no ponto de confluência dos seios sagital inferior e reto; • Recebe ao longo do seu trajeto, uma série de veias tributárias, responsáveis pela drenagem do sangue das regiões profundas do cérebro e, o conduz ao seio reto. vv. cerebrais internas v. cerebral magna seio reto seio reto seio sagital inferiorv. cerebral magna vv. cerebrais internas