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INSUFICIÊNCIA CARDÍACA Isadora Mocelin 3° ano Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano REVISÃO DA FISIOLOGIA CARDIOVASCULAR : CICLO CARDÍACO: → é o ciclo de contração-relaxamento entre o início de um batimento e o início do próximo → sístole = contração dos ventrículos → “sangue sai” → diástole = relaxamento → “coração se enche de sangue” ★ duração do ciclo cardíaco = é a recíproca da FC (72bpm) - se há aumento da FC → duração de cada ciclo cardíaco diminui, duração do potencial de ação também diminui Câmaras esquerdas por serem responsáveis pela circulação sistêmica trabalham sob pressões 5x maiores. Isso faz com que o lado direito do coração embora receba estímulo elétrico no mesmo momento que o lado esquerdo do coração tenha um pequeno atraso em seus movimentos de contração e relaxamento, os sons então são mais perceptíveis um pouco depois na ausculta cardíaca ● Câmaras esquerdas = se contraem antes sob pressões mais elevadas ● Câmaras direitas = contram-se depois sob pressões mais baixas Isadora Mocelin - 3º ano → Atividade elétrica: Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano Qual a função dos músculos papilares e das cordas tendíneas? Qual a diferença entre pré-carga e pós-carga? ● pré-carga: grau de tensão do músculo cardíaco quando ele começa a se contrair (PRESSÃO DURANTE O ENCHIMENTO DO VENTRÍCULO). Considerada como a pressão diastólica final quando o ventrículo está cheio ● pós-carga: carga contra a qual o músculo exerce sua força contrátil. Pressão na aorta à saída do ventrículo. Considerada a pressão sistólica/resistência da circulação Como ocorre a regulação cardíaca? Em repouso o coração bombeia 4-6l de sangue/min, esta regulação ocorre: 1) regulação cardíaca intrínseca 2) controle da FC e da força de bombeamento pelo sistema nervoso autonômico → REGULAÇÃO INTRÍNSECA - MECANISMO DE FRANK STARLING ● na maioria das vezes a quantidade de sangue que o coração bombeia é determinada pelo volume de sangue que chega no coração pelas veias → retorno venoso ● Cada tecido periférico do corpo controla seu fluxo local de sangue e todos os fluxos locais se combinam e retornam pelas veias do átrio direito, compondo o retorno venoso. Assim o coração automaticamente bombeia esse sangue que chegou até ele nas artérias para que volte a circular no circuito. Ou seja, essa capacidade intrínseca do coração a se adaptar a volumes crescentes de afluxo sanguíneo é conhecido como mecanismo de frank starling: Isadora Mocelin - 3º ano ● outro mecanismo que amplifica o bombeamento além do aumento do volume do miocárdio é a distensão das paredes do átrio esquerdo que aumenta diretamente a frequência cardíaca 10-20% → CONTROLE AUTONÔMICO: ● a eficácia do bombeamento cardíaco é controlada pelos nervos simpáticos e parassimpáticos (vagos) ★ Nervos simpáticos: - Estímulos simpáticos potentes podem aumentar a frequência cardíaca em pessoas adultas jovens, desde seu valor normal de 70 batimentos/min até 180 a 200 e raramente até 250 batimentos/min. Além disso, estímulos simpáticos aumentam a força da contração cardíaca até o dobro da normal, aumentando, desse modo, o volume bombeado de sangue e elevando sua pressão de ejeção. Portanto, a estimulação simpática, com frequência, é capaz de aumentar o débito cardíaco até seu dobro ou triplo, além do aumento do débito, originado pelo mecanismo de Frank-Starling - A inibição dos nervos simpáticos pode diminuir moderadamente o bombeamento cardíaco: sob circunstâncias normais, as fibras nervosas simpáticas do coração têm descarga contínua, mas em baixa frequência suficiente para manter o bombeamento cerca de 30% acima do que seria sem a presença de estímulo simpático. Assim, quando a atividade do sistema nervoso simpático é deprimida até valores abaixo do normal, tanto a frequência cardíaca quanto a força de contração muscular ventricular diminuem, reduzindo, assim, o bombeamento cardíaco por até 30% abaixo do normal ★ Nervos parassimpáticos: - A forte estimulação das fibras nervosas parassimpáticas dos nervos vagos do coração pode chegar a parar os batimentos por alguns segundos, mas então o coração usualmente “escapa” e volta a bater entre 20 e 40 vezes por minuto, enquanto o estímulo parassimpático continuar. Ainda mais, um estímulo vagal forte pode diminuir a força de contração miocárdica por 20% a 30%. - As fibras vagais estão dispersas, em grande parte, pelos átrios e muito pouco nos ventrículos, onde realmente ocorre a geração da força de contração. Essa Isadora Mocelin - 3º ano distribuição explica o porquê do fato da estimulação vagal ocorrer principalmente sobre a redução da frequência cardíaca e não diminuir de modo acentuado a força de contração. Mesmo assim, a combinação dos efeitos da redução importante da frequência, com leve diminuição da força de contração, pode diminuir o bombeamento ventricular em 50% ou mais Débito cardíaco e retorno venoso: Isadora Mocelin - 3º ano → débito cardíaco médio: (depende do nível basal do metabolismo, exercícios, idade e dimensões do corpo) - homens: 5,6l/min - mulheres: 4,9l/min RESISTÊNCIA PERIFÉRICA X DÉBITO CARDÍACO Isadora Mocelin - 3º ano LIMITES DE DC QUE O CORAÇÃO PODE PRODUZIR: Isadora Mocelin - 3º ano INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DEFINIÇÃO : ● Insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, na qual o coração é incapaz de bombear sangue de forma a atender às necessidades metabólicas tissulares, ou pode fazê-lo somente com elevadas pressões de enchimento. Tal síndrome pode ser causada por alterações estruturais ou funcionais cardíacas e caracteriza-se por sinais e sintomas típicos, que resultam da redução no débito cardíaco e/ou das elevadas pressões de enchimento no repouso ou no esforço EPIDEMIOLOGIA : ● afeta no mundo, mais de 23 milhões de pessoas ● A sobrevida após 5 anos de diagnóstico pode ser de apenas 35%, com prevalência que aumenta conforme a faixa etária (aproximadamente de 1% em indivíduos com idade entre 55 e 64 anos, chegando a 17,4% naqueles com idade maior ou igual a 85 anos ● o perfil clínico da IC crônica envolve indivíduos idosos portadores de etiologias diversas, sendo a isquêmica a mais prevalente, com alta frequência de comorbidades associadas FATORES DE RISCO : ETIOLOGIA : ● qualquer condição que leve a alterações na estrutura ou função do VE pode predispor o paciente a evoluir com IC ● Doença arterial coronariana (DAC) → IAM, tornou-se a principal causa em homens e mulheres - 60-70% dos casos de IC Isadora Mocelin - 3º ano ● HAS → 75% dos pacientes ● causa não conhecida ou não identificada: portadores de miocardiopatia dilatada não isquêmica ou idiopática ● Vale lembrar que condições que levam ao aumento do DC na presença de cardiopatia subjacente podem desencadear IC franca CLASSIFICAÇÃO : → ic crônica x ic aguda: ● O termo “insuficiência cardíaca crônica” reflete a natureza progressiva e persistente da doença, enquanto o termo “insuficiência cardíaca aguda” fica reservado para alterações rápidas ou graduais de sinais e sintomas resultando em necessidade de terapia urgente → Classificação de acordo com a fração de ejeção: ● FEVE normal (≥ 50%), denominada IC com fração de ejeção preservada ● FEVE reduzida (é responsável por reabsorver a glicose filtrada no lúmen tubular dos rins. Ao inibir o SGLT2, estes fármacos diminuem a reabsorção de glicose, aumentam a sua excreção urinária e diminuem a glicemia. A inibição do SGLT2 também diminui a reabsorção do sódio e causa diurese osmótica. Por isso, os inibidores do SGLT2 podem reduzir a pressão arterial. Além disso, os inibidores do SGLT2 possuem propriedades pleiotrópicas, que interferem em importantes vias não-glicêmicas e promovem proteção a órgãos-alvo. Suas ações cardiovasculares positivas sugeriram possuírem atividade sobre o metabolismo do miocárdio, sobre transportadores de íons, fibrose, adipocinas e função vascular. Isadora Mocelin - 3º ano INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA : ● As principais etiologias foram isquêmica (30%), hipertensiva (20%), dilatada idiopática (15%), valvar (12%) e doença de Chagas (11%) ● A IC aguda é classificada de acordo com quatro aspectos: 1. síndrome clínica de apresentação (insuficiência ventricular esquerda, IC congestiva, choque cardiogênico e edema agudo de pulmão); 2. tempo de evolução da doença (IC aguda nova ou crônica agudizada); 3. tipo de disfunção ventricular (IC com ICFEp − considerada FEVE > 50%; IC com ICFEi − ou seja, com FEVE 40% e 50%; e ICFEr representada por FEVE 60 anos ou suspeita ou doença tireoidiana; glicemia; e gasometria venosa e lactato - O ECG permite suspeitar da etiologia da IC e da causa da descompensação - A radiografia de tórax deve ser realizada no leito e em pacientes de baixo risco, no gabinete em projeção posteroanterior e perfil. Permite avaliação da área cardíaca e da congestão pulmonar, e ajuda na diferenciação de causas torácicas e pulmonares da dispneia - O ecocardiograma deve ser realizado em todos os pacientes dentro das primeiras 48 horas da admissão. A realização precoce do ecocardiograma apresenta particular importância nos pacientes com choque cardiogênico e IC aguda nova, e as definições do fator etiológico, do grau da disfunção ventricular, da avaliação da congestão pulmonar e sistêmica, e da identificação de fator mecânico são importantes para o direcionamento precoce da terapêutica admissional. Isadora Mocelin - 3º ano IC aguda crônica descompensada x IC aguda nova : ● A IC aguda pode se instalar de forma progressiva ou aguda em pacientes com IC prévia, que caracteriza IC aguda crônica agudizada, ou em pacientes sem história prévia de IC ou doença cardíaca estrutural, que são caracterizados como IC aguda nova fatores de descompensação que levam ao quadro agudo : ● A detecção da presença de comorbidades descompensadas não cardiovasculares faz parte do fluxo diagnóstico admissional → Cerca de 75% dos pacientes apresentam ao menos uma comorbidade, sendo as mais comumente observadas diabetes, DPOC, asma brônquica, hipotireoidismo, insuficiência renal crônica agudizada, ansiedade e depressão perfil clínico hemodinâmico : ● A avaliação clínica de sinais de congestão pulmonar ou sistêmica, e da presença ou não de baixo débito cardíaco estabelece quatro modelos clínicos-hemodinâmicos, sendo o perfil de congestão associado à ausência de sinais de baixo débito cardíaco (quente-congesto) o mais frequentemente observado e de melhor prognóstico, e o manuseio terapêutico com diuréticos e vasodilatadores Isadora Mocelin - 3º ano DETECÇÃO DO DÉBITO CARDÍACO REDUZIDO E DA HIPOPERFUSÃO SISTÊMICA: → Embora os pacientes com diminuição da perfusão sistêmica tenham usualmente pressões sistólica baixas e pressões de pulso estreitas, assim como pulsos fracos, esta relação não é exata. Muitos pacientes com pressão arterial sistólica na ordem dos 80 mmHg (ou mesmo inferiores) podem ter perfusão adequada, enquanto outros, com débito cardíaco reduzido, podem manter a pressão sanguínea no intervalo normal às custas da perfusão tecidual, ao aumentarem bastante a resistência vascular sistêmica → Os achados sugestivos de diminuição do débito cardíaco incluem: ● alteração da atividade mental ● diminuição do débito urinário (oligúria) ● palidez, sudorese e extremidades frias. Destes, as extremidades frias são o achado mais amplamente útil ● hipotensão →A avaliação da congestão sistêmica, em conjunto com a avaliação da diminuição do débito cardíaco, pode ser útil para separar pacientes com IC nas categorias A: “secos/quentes” (não congestos com perfusão normal) B: “úmidos/quentes” (congestos com perfusão normal, a combinação mais comum encontrada na IC descompensada) C úmidos/frios” (choque cardiogênico) L “secos/frios” (não congestos, mas hipoperfundidos) Isadora Mocelin - 3º ano 3) perfil de risco prognóstico intra-hospitalar ● Aproximadamente 77% dos pacientes têm apresentação de baixo risco ou intermediário baixo, com ausência de comorbidades cardiovasculares descompensadas 4) Manejo/ abordagem terapêutica O tratamento da IC tem quatro etapas principais, que necessitam ser cumpridaspara o alcance dos benefícios clínicos: (1) diagnóstico precoce e tratamento intenso e precoce para descongestão da IC aguda; (2) monitorização clínica e laboratorial frequentes para detectar e corrigir precocemente o desenvolvimento de para-efeitos; (3) orientação terapêutica e de hábitos de vida pré-alta hospitalar; (4) reavaliação clínica e laboratorial em até 7 dias pós alta hospitalar. Isadora Mocelin - 3º ano ● O perfil hemodinâmico do paciente que define qual tratamento deve ser aplicado. Logo, o medicamento de escolha para determinado perfil irá estabilizar o quadro e tirar o paciente de uma agudização. Os principais medicamentos de escolha para tratamento de IC aguda tem por objetivo tratar a congestão (diuréticos) ou a hipoperfusão (inotrópicos + reposição de volume). Além de vasodilatadores e vasoconstritores que devem ser individualizados para cada caso e dependem da PA do paciente. Paciente frio, deve-se pensar na PA do paciente. Se hipotensão, usar dobutamina e se mantiver, associar noradrenalina 1. fornecer suporte respiratório: → Oxigenoterapia está indicada em todos os pacientes com SaO2o débito cardíaco, se a pressão de enchimento ventricular esquerda sofrer uma redução abaixo de 15 mmHg. A redução do débito cardíaco, em consequência de disfunção ventricular esquerda ou direita, também leva finalmente à disfunção renal, devido à redução das pressões de perfusão. Isadora Mocelin - 3º ano ★ farmacocinética: ● provoca vasodilatação em 15 minutos diminuindo a pré carga do VD e VE, Este efeito vascular precoce parece ser mediado por prostaglandina e ativação do sistema renina-angiotensina. Além disso, devido ao seu efeito natriurético, da Furosemida reduz a reatividade vascular das catecolaminas, que é elevada em pacientes hipertensos. ● induz a diurese em 30 min com pico de 1-2hs ● pode levar a uma melhora da congestão, mas com aumento da resistência vascular periférica, o que torna obrigatória a associação com vasodilatadores e/ou ionotrópicos → alvos clínicos com a terapêutica diurética de descongestão: Como avaliar a resposta do diurético? Isadora Mocelin - 3º ano → Na ausência de resposta adequada aos diuréticos, os pacientes necessitam de métodos alternativos, para remoção de fluido e redução de escórias nitrogenadas. Dentre os métodos alternativos que podem ser utilizados nestes pacientes refratários ao tratamento clínico, destacamos a ultrafiltração e a diálise ★ efeitos adversos: ★ A alcalose metabólica induzida por diuréticos, exacerbada pela hipopotassemia, constitui outro efeito colateral passível de comprometer ainda mais a função cardíaca. Essa complicação pode ser tratada com reposição de K + e restauração do volume intravascular com soro fisiológico; entretanto, a presença de insuficiência cardíaca grave pode impedir o uso de soro fisiológico, até mesmo em pacientes que receberam terapia diurética em excesso. Nessas situações, o uso adjuvante de acetazolamida ajuda a corrigir a alcalose. ★ A hipopotassemia constitui outro efeito tóxico grave do uso de diuréticos no paciente cardíaco. Ela pode exacerbar arritmias cardíacas subjacentes e contribuir para a toxicidade digitálica. Esse problema pode ser evitado pela redução da ingestão de Na + do paciente durante o tratamento com diuréticos, diminuindo, assim, o aporte de Na + ao túbulo coletor secretor de K +. Os pacientes que não aderem a uma dieta com baixo teor de Na + devem tomar suplementos orais de KCl ou um diurético poupador de K +. ● VASODILATADORES → Os vasodilatadores estão indicados nos pacientes com perfil hemodinâmico quente-congesto, na ausência de hipotensão arterial ou choque cardiogênico, hipovolemia ou comorbidades como sepse Qual sua ação na ICA? → Os vasodilatadores endovenosos na IC aguda têm atuação na redução das pressões de enchimento ventricular esquerdo (pré-carga) e na redução da impedância da ejeção do ventrículo esquerdo, melhorando o desempenho da função ventricular e a redução da insuficiência mitral e aórtica. Estes efeitos também ocasionam aumento do débito cardíaco e melhoram a perfusão renal, com aumento do débito urinário → diminuem a tensão na parede do VE, como atuam na pré e pós carga atuam consumindo menos O2, reduzem o tônus arterial e reduzindo a pós carga → Os benefícios clínicos comprovados dos vasodilatadores na IC aguda são no controle da pressão arterial nos pacientes com hipertensão arterial sistêmica e melhora da dispneia ➢ Nitroglicerina: ➢ tridil ™ ➢ A dose inicial de nitroglicerina intravenosa é de 5 μg/min, podendo ser titulada a cada 3 a 5 minutos até a resposta desejada. ★ Mecanismo de ação: → Atua através da formação do NO, que induzirá a vasodilatação de arteríolas e veias por meio da geração de GMP cíclico. O mesmo causa desfosforilação das cadeias leves da miosina, sequestro de cálcio e o relaxamento do músculo liso → Causa venodilatação relativamente maior que a dilatação arteriolar, entretanto, causa dilatação de musculatura lisa em geral, incluindo a musculatura esofágica e biliar. Aumenta Isadora Mocelin - 3º ano a velocidade de relaxamento do músculo cardíaco. Diminui a demanda cardíaca de oxigênio, diminuindo a pré -carga (pressão diastólica final do ventrículo esquerdo); pode reduzir modestamente a pós-carga; dilatar as artérias coronárias e melhorar o fluxo colateral para as regiões isquêmicas) → Efeitos adversos: hipotensão postural e cefaleia, ocorre devido a vasodilatação direta. Taquicardia muito frequente, resultante da ativação simpática reflexa ➢ Nitroprussiato de sódio: ➢ É utilizado principalmente em pacientes com elevados níveis pressóricos e sem isquemia coronariana aguda. → este contém o íon ferroso o qual se liga a agrupamentos nos eritrócitos e em outros tecidos liberando óxido nítrico, também estimula o GMPc que desfosforila a cadeia leve de miosina relaxando o músculo liso → O nitroprusseto de sódio é um poderoso vasodilatador administrado por via parenteral, utilizado no tratamento de emergências hipertensivas, bem como na insuficiência cardíaca grave. O nitroprusseto dilata os vasos tanto arteriais como venosos, com consequente redução da resistência vascular periférica e do retorno venoso. A ação ocorre em consequência da ativação da guanililciclase, por meio da liberação de óxido nítrico, ou por estimulação direta da enzima. Em consequência, ocorre aumento do GMPc intracelular, relaxando o músculo liso vascular → o início da sua ação ocorre em 30s e o pico de efeito em 2min e desaparece 3min após a parada da infusão ★ efeitos adversos: → lembrar que pode fazer hipotensão → intoxicação por cianeto = manifesta-se na forma de fraqueza, desorientação, psicose, espasmos musculares e convulsões Isadora Mocelin - 3º ano ● IONOTRÓPICOS: - A utilização do suporte terapêutico com agentes inotrópicos ou vasoconstritores aplica-se para os pacientes com hipotensão arterial sintomática, baixo débito cardíaco com disfunção orgânica ou choque cardiogênico. Os inotrópicos têm como objetivos a melhora do débito cardíaco, a manutenção da pressão de perfusão e o fluxo adequado para os órgãos - Inotrópicos parenterais como a dobutamina e o milrinone podem ser úteis temporariamente em pacientes com síndrome de baixo débito e disfunção grave de VE. Mantêm a perfusão de órgãos até a terapia definitiva (que pode ser, por exemplo, a revascularização coronariana, valvoplastia, suporte mecânico circulatório, ou transplante cardíaco). - Deve-se lembrar que todos os pacientes que receberem inotrópicos precisam receber monitorização eletrocardiográfica contínua. ➢ dobutamina → Pode ser associada a noradrenalina em pacientes com choque cardiogênico mecanismo de ação: → Ela é uma agonista do receptor b1 adrenérgico, atua aumentando o monofosfato cíclico de adenosina (AMPc) intracelular, o que resulta na ativação da proteinocinase. A proteinocinase então fosforila canais lentos de cálcio, aumentando a entrada de íons cálcio nas células do miocárdio aumentando a contratilidade miocárdica → Os β-agonistas adrenérgicos, como a dobutamina, melhoram a performance cardíaca, causando efeitos inotrópicos positivos, aumento do DC e vasodilatação periférica → Alguns dados de estudos randomizados controlados sugerem que a medicação aumenta a mortalidade em longo prazo, assim deve ser utilizada apenas quando indicada. ➢ milrinone → é um inibidor da fosfodiesterase que aumenta a concentração intracelular de AMPc. Como os β-agonistas adrenérgicos, isso resulta em um aumento do cálcio intracelular e, assim, em contratilidade cardíaca. O tratamento crônico com milrinona está associado com aumento substancial do risco de morte. Contudo, o uso IV por curto período não está associado com aumento da mortalidade em pacientes sem histórico de doença coronariana arterial, e pode ser obtido algum benefício sintomático em pacientes com IC refratária. → O milrinone intravenoso é uma outra opção de inotrópico; é um inibidor da fosfodiesterase, associado a mais hipotensão, arritmias e inclusive piora desfechos como mortalidade e reinternação, de forma que deve ser evitado,especialmente em pacientes com miocardiopatia isquêmica ➢ levosinmendan → age sensibilizando a troponina C ao cálcio, melhorando o efeito do cálcio sobre os miofilamentos durante a sístole, e consequentemente a contratilidade, com baixo gasto de energia. Também causa vasodilatação através da abertura de canais de potássio. Devido a essas ações inotrópicas e vasodilatadoras, o levosimendan aumenta o débito cardíaco sem aumentar o consumo miocárdico de oxigênio. → pouco utilizado = alto custo e pouca disponibilidade Isadora Mocelin - 3º ano ★ efeitos adversos - São associados a taquiarritmias, hipotensão, isquemia e até aumento da mortalidade em longo prazo; assim, usar pelo menor período necessário ● VASOCONSTRITOR: → Pacientes com hipotensão significativa têm necessidade do uso de drogas vasopressoras, com a preferência do uso de noradrenalina, pois têm melhores desfechos em pacientes com choque cardiogênico. A indicação usual é em pacientes com PASde fração de ejeção intermediária (mid-range ou ICFEi) → Classificação de acordo com a gravidade dos sintomas: ● A NYHA continua sendo a classificação usada para descrever e classificar a gravidade dos sintomas ● Esta classificação se baseia no grau de tolerância ao exercício e varia desde a ausência de sintomas até a presença de sintomas mesmo em repouso ● Ela permite avaliar o paciente clinicamente, auxilia no manejo terapêutico e tem relação com o prognóstico ● Pacientes em classe funcional da NYHA III a IV apresentam condições clínicas progressivamente piores, internações hospitalares mais frequentes e maior risco de mortalidade. Por outro lado, embora pacientes em NYHA II apresentem sintomas mais estáveis e internações menos frequentes, o processo da doença nem sempre é estável, e estes pacientes podem apresentar morte súbita sem piora dos sintomas.Tal risco pode ser reduzido pela otimização terapêutica, de modo que o tratamento clínico deve ser otimizado da mesma forma que em pacientes com sintomas mais graves Isadora Mocelin - 3º ano → Classificação de acordo com a progressão da doença: ● Enquanto a classificação segundo a NYHA valoriza a capacidade para o exercício e a gravidade dos sintomas da doença, a classificação por estágios da IC proposta pela American College of Cardiology/American Heart Association ACC/AHA 8 enfatiza o desenvolvimento e a progressão da doença ● Esta classificação inclui desde o paciente com risco de desenvolver IC, cuja abordagem deve ser feita no sentido de prevenir seu desenvolvimento, quanto o paciente em estágio avançado da doença, que requer terapias específicas, como transplante cardíaco e/ou dispositivos de assistência ventricular → Classificação: disfunção sistólica x diastólica ★ sistólica ● a contratilidade miocárdica é prejudicada → Fe menor que 40% → com a diminuição da fração de ejeção ocorre aumento do volume diastólico final (pré-carga), da dilatação ventricular, da tensão da parede ventricular e da pressão diastólica final do ventrículo. O aumento do volume, juntamente com o retorno venoso normal acarreta num aumento da pré-carga, mesmo acreditando que esse mecanismo seja compensatório, pode haver uma consequência maior que é o acúmulo de sangue nos átrios e sistema venoso causando edema pulmonar ou edema periférico. ● a disfunção sistólica é resultado das condições que comprometem o desempenho contrátil do coração (doença cardíaca isquêmica e miocardiopatia), ou doenças que geram uma sobrecarga de pressão (hipertensão e estenose valvar) Isadora Mocelin - 3º ano ● grau de disfunção: avaliar manifestações clínicas do lado esquerdo → congestão pulmonar, medição do débito cardíaco e da fração de ejeção ★ diastólica ● coração consegue se contrair normalmente mas o relaxamento é ANORMAL ● – o enchimento anormal do ventrículo compromete o débito cardíaco. Para qualquer volume ventricular determinado, as pressões ventriculares se mostraram aumentadas, conduzindo a sinais de congestão venosa e pulmonar sistêmica. ● Entre as causas estão aquelas que impedem a expansão do ventrículo, as que aumentam a espessura da parede e reduzem o tamanho da câmara e que retardam o relaxamento diastólico (envelhecimento, doença isquêmica) ● Nos casos de disfunção diastólica, o sangue é incapaz de se mover livremente no interior do ventrículo esquerdo, causando aumento da pressão intraventricular em qualquer volume determinado. As pressões elevadas são transferidas do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo e para o sistema venoso pulmonar, causando uma diminuição da complacência pulmonar, o que aumenta o trabalho da respiração e evoca sintomas de dispneia ● O débito cardíaco se apresenta reduzido não por causa de uma redução na fração de ejeção ventricular, como acontece com a disfunção sistólica, mas devido a uma diminuição do volume (pré- carga) disponível para proporcionar um débito cardíaco adequado → Classificação: disfunção ventricular direita x esquerda A IC foi classificada de acordo com o lado acometido. Embora o evento inicial possa acometer um lado apenas do coração, a longo prazo os dois lados estarão comprometidos. ★ direita ● A IC do lado direito afeta a capacidade de mover o sangue desoxigenado para a circulação pulmonar. Assim, pouco sangue também retorna para o lado esquerdo, gerando até um baixo débito cardíaco. Além disso, se o ventrículo direito não mover o sangue para frente, ocorre acúmulo ou congestão no sistema venoso sistêmico,provocando elevação das pressões diastólica final do ventrículo direito, do átrio direito e venosa sistêmica ● As causas dessa disfunção são provindas de problemas que impedem o fluxo para ou pulmão ou deficiência na contração do VD ★ esquerda ● O débito cardíaco diminui, consequentemente o sangue acumula no VE, AE e circulação pulmonar, causando uma elevação da pressão venosa pulmonar. ● As causas mais comuns são HAS e IAM. E à medida que a pressão pulmonar aumenta como resultado da congestão, isso pode levar a uma disfunção do lado direito Isadora Mocelin - 3º ano → Classificação: IC de alto débito x IC de baixo débito ★ alto débito ● É uma condição rara causada por uma excessiva carga de volume cardíaco. Assim, a função do coração está maior do que deveria, porém inadequada devido às necessidades metabólicas. ● É causada por anemia grave, tireotoxicose, doença de Paget ★ baixo débito ● É causada por distúrbios que prejudicam a capacidade de bombeamento do coração, como acontece com a doença cardíaca isquêmica e miocardiopatia. ● É caracterizada pela manifestação clínica de vasoconstrição sistêmica com extremidades frias, pálidas e, às vezes, cianóticas. ● Nas formas avançadas de insuficiência de baixo débito, as reduções no volume sistólico são comprovadas por um estreitamento da pressão diferencial. Nos casos de insuficiência de alto débito, as extremidades geralmente se apresentam quentes e com rubor e a pressão diferencial é ampliada ou, no mínimo, mantida no normal. Isadora Mocelin - 3º ano FISIOPATOLOGIA : Isadora Mocelin - 3º ano Como e por que ocorrem esses mecanismos de compensação? Isadora Mocelin - 3º ano ★ Mecanismos de Frank-starling ● opera por meio de um aumento na pré-carga ● com a expansão do enchimento diastólico ocorre um aumento do estiramento das fibras miocárdicas e aproximação das cabeças de miosina ao sítios de ligação com a actina, resultando na ampliação da força de contração subsequente ● Em condições normais, o mecanismo de Frank-Starling serve para combinar as saídas dos dois ventrículos. Com o aumento da contratilidade ou do inotropismo, tem-se o aumento do débito cardíaco. ● Na IC, o inotropismo está reduzido e, assim, o volume sistólico não será tão elevado, independente do aumento da pré-carga. ● A diminuição do débito cardíaco e no o fluxo sanguíneo renal gera uma maior retenção de sódio e de água, ou sequente ampliação do volume vascular e do retorno venoso para o coração, assim como aumento do volume diastólico final ventricular. ● O aumento do estiramento muscular aumenta a tensão da parede ventricular, com consequente aumento no consumo de oxigênio pelo miocárdio, o que pode produzir isquemia e contribui para maior comprometimento do inotropismo ★ Atividade do sistema nervoso simpático A ativação do sistema nervoso simpático (SNS / adrenérgico) na IC ocorre de modo precoce e é acompanhada, concomitantemente, de redução do tônus parassimpático. Apesar de essas alterações serem atribuídas inicialmente à perda do impulso inibitório dos reflexos dos barorreceptores arteriais ou cardiopulmonares há, também, reexos excitatórios atuando nesse desequilíbrio → tenta compensar a diminuição do débito cardíaco e do volume sistólico (→ Os barorreceptores e quimiorreceptores percebem uma diminuição do débito cardíaco → assim, ativamo SNS (adrenalina e noradrenalina), o que reduz o tônus parassimpático. O SNS vai agir dos receptores B1, consequentemente haverá aumento da FC e do inotropismo, levando a uma aumento do débito cardíaco. Age também nos receptores alfa periféricos gerando vasoconstrição) Em pessoas saudáveis e sob condições normais, os barorreceptores de alta pressão do seio carotídeo e arco aórtico e mecanorreceptores cardiopulmonares de baixa pressão fornecem sinais inibitórios ao sistema nervoso central (SNC) que reprimem o fluxo simpático ao coração e a circulação periférica. Contrário a isso, porém ainda em condições normais, a descarga realizada por quimiorreceptores periféricos não barorreflexos e por mecanorreceptores musculares são os principais impulsos excitatórios para o uxo simpático. Além disso, ramo vagal do reflexo barorreceptor de frequência cardíaca é também responsivo ao impulso inibitório aferente do barorreceptor arterial. Em pessoas saudáveis, há baixa descarga simpática em repouso e elevada variabilidade da frequência cardíaca. Isadora Mocelin - 3º ano Já em pacientes com IC, o estímulo dos barorreceptores e mecanorreceptores diminui e o estímulo excitatórios aumenta, resultando em aumento do uxo simpático e redução parassimpática, levando à perda de variabilidade da frequência cardíaca e ao aumento da resistência vascular periférica. Com isso, há o aumento de NE (2 a 3x mais altas que em indivíduos normais) e de epinefrina na circulação, a partir de uma combinação do aumento de sua liberação pelas terminações nervosas adrenérgicas e do seu extravasamento no plasma com a captação reduzida de NE pelas terminações nervosas adrenérgicas subsequentes. Enquanto corações normais extraem NE do sangue arterial, em pacientes com IC moderada a concentração de NE no seio coronário é maior que a concentração arterial, o que indica aumento do estímulo adrenérgico no coração. Em contrapartida, conforme o avanço da IC, a concentração de NE miocárdica regride, talvez devido à exaustão em razão da ativação adrenérgica prolongada dos nervos adrenérgicos cardíacos na IC. Além disso, ocorre diminuição da atividade da tirosina hidroxilase cardíaca, que atua na síntese de NE e, também, redução da recaptação de NE. A ativação simpática aumentada dos receptores ß1-adrenérgicos promove a elevação da FC e da força contrátil do miocárdio e, assim, o aumento do débito cardíaco. Ademais, a atividade aumentada do sistema adrenérgico leva a estimulação dos receptores a1-adrenérgicos miocárdicos, induzindo um leve efeito inotrópico positivo (aumento da força de contração do coração), bem como a vasoconstrição arterial periférica. Como a ativação desse sistema pode levar a taquicardia ventricular ou até morte súbita, a ativação do sistema nervoso simpático produz um mecanismo compensatório a curto prazo, capaz de tornar-se mal-adaptativo a longo prazo. Também, a ausência da atuação parassimpática pode contribuir para a patogênese da IC, devido a menores níveis de óxido nítrico (NO), aumento da inamação, elevação da atividade simpática e agravamento do remodelamento do VE. Isadora Mocelin - 3º ano ★ Ativação do SRAA → A renina cliva o angiotensinogênio em angiotensina I. A enzima conversor da angiotensina (ECA) cliva a angiotensina I em angiotensina II. A angiotensina II age ligando-se por meio de uma proteína G a dois receptores AT1 e AT2. A angiotensina é um potente vasoconstritor e promove a reabsorção de sódio pelo aumento da secreção de aldosterona e por um efeito direto sobre os túbulos. Com a redução do DC há uma redução no fluxo sanguíneo renal e na taxa de filtração glomerular → conduz a retenção de água e sódio → aumento progressivo da secreção de renina pelos rins paralelamente à subida dos níveis de angiotensina II circulantes → vasoconstrição generalizada e excessiva, também facilita a liberação de NE e a inibição da recaptação de NE pelo SN simpático ● A angiotensina II também fornece um estímulo potente para produção pelo córtex suprarrenal de aldosterona, intensificando a reabsorção de sódio e causando maior retenção de água ● A angiotensina II aumenta também o nível do hormônio antidiurético (ADH), que funciona como um vasoconstritor e como inibidor da excreção de água. Na insuficiência cardíaca, o acúmulo progressivo de líquido leva à dilatação ventricular e à intensificação da tensão da parede do ventrículo. O aumento da demanda de oxigênio que acompanha a intensificação da tensão da parede eventualmente supera a capacidade de compensação do mecanismo de Frank Starling, reduzindo o inotropismo e evoluindo para insuficiência cardíaca. ● Além dos efeitos individuais no equilíbrio entre sódio e água, a angiotensina II e a aldosterona também estão envolvidas na regulação dos processos inflamatórios e de reparação que acompanham a lesão tissular. Neste cenário, elas estimulam a produção de citocinas inflamatórias (p. ex., fator de necrose tumoral [TNF] e interleucina 6), atraem células inflamatórias (p. ex., neutrófilos e macrófagos), ativam macrófagos nos sítios de lesão e reparação, igualmente estimulam o crescimento de fibroblastos e a síntese de fibras colágenas. A deposição de fibroblastos e de colágeno resulta na hipertrofia ventricular e em fibrose da parede miocárdica, o que reduz a complacência (i. e., aumenta a rigidez), causando finalmente a remodelação inadequada do coração e a progressão tanto da disfunção ventricular sistólica como diastólica.Desse modo, a progressão da insuficiência cardíaca pode ser aumentada por efeitos mediados por aldosterona, tanto sobre a vasculatura quanto sobre o miocárdio. Isadora Mocelin - 3º ano ● A aldosterona promove estresse oxidativo no sistema cardiovascular, com consequente inflamação nos tecidos-alvo. O estresse oxidativo (EO) caracteriza-se pelo excesso da produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) (ex:mitocôndria, xantina oxidase e fosfato de nicotinamida adenina dinucleotídeo (NADPH) oxidase). O EO pode ocorrer de modo secundário ao esforço mecânico do miocárdio, à estimulação neuro-hormonal (angiotensina II, agonistas a-adrenérgicos, endotelina 1, citocinas inamatorias (TNF e IL-1). Esse aumento de EROs induzem a hipertrofia do miócito e apoptose, além de modular a atividade de broblastos e síntese de colágeno e desencadear metaloproteinases de matriz. (MMP) em abundância e com ativação aumentada; e pode afetar a vasculatura periférica na IC por diminuir a disponibilidade de NO. ★ Alterações neuro-hormonais da função renal A IC avançada é demarcada pelo aumento da retenção de água e sódio pelos rins. Isso se explica pelo conceito de volume reduzido de sangue efetivo arterial, caracterizando que apesar da expansão volêmica de sangue na IC, o débito cardíaco inadequado (falho) ou a redistribuição do volume sanguíneo circulante são detectados pelos barorreceptores no ventrículo esquerdo, arco aórtico, seio carotídeo e artérias aferentes renais, o que estimula uma série de adaptações neuro-hormonais compensatórias. A perda do impulso inibitórios dos reexos dos barorreceptores cardiopulmonares e vasculares ocasiona a ação sustentada do SNS e SRA. A sobrecarga volêmica, apesar de ser multifatorial, é potencializada por alterações secundárias no rim, como por fatores que podem causar aumento da reabsorção de sódio, como ativação do SNS e do SRA, redução das pressões renais de perfusão e da perda de responsividade renal. O estímulo simpático promove a vasoconstrição renal, o que leva a redução ainda maior do uxo sanguíneo renal já reduzido, bem como o aumento da reabsorção tubular de água e sódio. Também, a estimulação simpática renal causa liberação de arginina-vasopressina (AVP), que aumenta a retenção de água e contribui para a piora da vasoconstrição periférica, bem como para um pouca aumentada de endotelina (ET). A elevação da pressão venosa renal também pode levar à hipertensão intersticial renal, com desenvolvimento de lesão tubular e brose renal.A AVP circulante encontra-se aumentada em pacientes com IC, o que pode contribuir para a hiponatremia que ocorre na IC. Além disso, a atividade simpática renal causa a produção aumentada de renina pelos rins, com consequente ativação do SRA, apesar da expansão do volume extracelular. Há a ativação de sistemas neuro-hormonais contraregulatórios na tentativa de compensar os efeitos deletérios dos neuro-hormônios vasoconstritores. A prostaglandina E2 (PGE2) está elevada na IC, de maneira que aumenta a excreção renal de sódio e modula a ação antidiurética da AVP; a prostaciclina (PGI2) também encontra-se levada na IC. Dentre os sistemas contrarregulatórios mais importantes estão os peptídeos natriuréticos atrial (ANP) e peptídeo natriuréticos do tipo B (BNP). O ANP é liberado em resposta a mudanças de pressão atrial, estiramento e sobrecarga de líquidos e o BNP em resposta ao aumento crônico na pressão atrial/ventricular ou sobrecarga de líquidos. Em condições normais, o ANP e BNP funcionam em resposta ao aumento do estiramento atrial ou miocárdico. Quando são liberados, atuam no rim e na circulação periférica, inibindo a liberação de renina e aldosterona, e consequentemente, o aumento da excreção de sódio e água, o que resulta na diminuição da carga ao coração. Assim, os peptídeos natriuréticos e Isadora Mocelin - 3º ano o SRA atuam na regulação da hemostasia de sódio e água. Em contrapartida, a atuação desses peptídeos encontra-se reduzida na IC progressiva devido a baixa perfusão renal, deficiência ou forma alterada dos peptídeos natriuréticos e níveis reduzidos de seus receptores, o que gera a ausência de oposição ao SRA Isadora Mocelin - 3º ano ★ Alterações neuro-hormonais da função renal Em pacientes com IC, a complexa interação entre o SNA e os mecanismos autorregulatórios locais tende a preservar a preservar a circulação para o cérebro e coração, enquanto diminui o fluxo sanguíneo para a pele, músculos esqueléticos, órgãos esplâncnicos e rins. A vasoconstrição é causada pela NE, angiotensina II, ET, NPY, urotensina II, tromboxano A2 e AVP. O aumento da estimulação adrenérgica das artérias periféricas e das concentrações de vasoconstritores circulantes contribuem para a vasoconstrição e a manutenção da pressão arterial. ● As endotelinas são potentes peptídeos vasoconstritores liberados por células endoteliais. As endotelinas induzem a proliferação de células do músculo liso vascular e causam hipertrofia de miócitos cardíacos; aumentam a liberação de ANP, aldosterona e catecolaminas; e exercem efeitos antinatriuréticos sobre os rins. Há pelo menos dois tipos de receptores de endotelina: tipo A e tipo B.14 O receptor do tipo A está associado à constrição do músculo liso e à hipertrofia, enquanto o receptor do tipo B está associado à vasodilatação. A estimulação simpática venosa favorece o aumento do tônus venoso, que ajuda a manter o retorno venoso e o enchimento ventricular e eleva o desempenho cardíaco pela lei de Starling do coração. Com os neuro-hormônios vasoconstritores, tem-se a ativação de uma resposta contrarregulatória vasodilatadora , com liberação de peptídeos natriuréticos, NO, bradicinina, adrenomedulina, Adelina e PGI2 e PGE2. Em situações normais, a liberação do NO pelo endotélio consegue contrabalançar a vasoconstrição, permitindo uma resposta vasodilatadora adequada durante o exercício. Em contrapartida, com a progressão da IC, ocorre perda da responsividade vasodilatadora dependente do endotélio, que contribui para a vasoconstrição arterial periférica excessiva na IC avançada. A ação vasodilatadora pode ser restabelecida pela administração de L-arginina. ★ REMODELAMENTO DO VENTRÍCULO ESQUERDO → O remodelamento do VE relaciona-se com a deterioração de sua performance e uma evolução clínica menos favorável em pacientes com IC, sendo influenciado por fatores hemodinâmicos, neuro-hormonais, epigenéticos e genéticos e por comorbidades. Esse processo afeta o cardiomiócito, causando alterações no volume dos componentes miocitários e não miocitários do miocárdio e a geometria e arquitetura da câmara VE ● alterações na biologia do miócito Os cardiomiócitos em falência passam por mudanças que resultam na perda progressiva da função contrátil, tais quais a diminuição e aumento na expressão de genes, perda progressiva de miolamento nos cardiomiócitos, alterações nas proteínas do citoesqueleto, alterações do acoplamento na excitação-contração e do metabolismo energético, e dessensibilização da sinalização ß-adrenérgica. ● hipertrofia do miócito cardíaco A hipertrofia do miocárdio é um dos principais mecanismos pelos quais o coração compensa o aumento da carga. Há dois padrões básicos de hipertrofia, a hipertroxa concêntrica e hipertrofia excêntrica. Na hipertroa concêntrica, causada por sobrecarga de pressão (ex: estenose aórtica ou hipertensão), caracterizando IC diastólica, o aumento do Isadora Mocelin - 3º ano estresse à parede durante a sístole leva à adição de sarcômero em paralelo ao aumento da área do miócito e da espessura do VE. Na hipertroa excêntrica, causada por sobrecarga volêmica (ex: regurgitação mitral ou aórtica), caracterizando a IC sistólica, o aumento do estresse da parede durante a diástole leva à uma expansão do estiramento no miócito com adição de sarcômero em série, o que resulta em dilatação do VE. Também, há a hipertrofia simétrica, caracterizada tanto pelo aumento no comprimento quanto na espessura do VE. Pacientes com IC geralmente apresentam dilatação do VE com ou sem adelgaçamento de sua parede. A hipertrofia dos miócitos também causa mudanças em seu fenótipo, secundárias a reativação de genes que não foram expressos após o nascimento. Essas alterações na expressão de genes são estimuladas pelo estiramento/força mecânico do miócito, neuro-hormônios (AT II e NE), citocinas inamatórias (TNF e IL-6),outros peptídeos e fatores de crescimento (ET) e ERRO (superóxido e NO); e podem contribuir com a disfunção contrátil que se desenvolve no miócito. O estágio inicial da hipertrofia miocárdica é representado pelo aumento no número de miobrilas, assim como pelo aumento do tamanho das mitocôndrias e do núcleo. Nesse estágio, os cardiomiócitos estão maiores porém possuem organização celular preservada. Conforme a hipertrofia progride, tem-se aumento no número de mitocôndrias, assim como adição de novos elementos contráteis. No estágio tardio, ocorre perda dos elementos contráteis (miocitólise), grave ruptura do arranjo dos sarcômero em paralelo, acompanhado de dilatação e aumento da tortuosidade dos túbulos T. Isadora Mocelin - 3º ano ● alterações de acoplamento de excitação-contração Com a frequência elevada, há falha na contração e relaxamento do coração com insuficiência, o que piora a relação força frequência. Normalmente, frequências de contração maiores causam melhora do desempenho cardíaco pois há aumento de Ca+2 temporário intracelular dependente de frequência. Em contrapartida, com IC, ocorre uma diminuição da produção de força em frequências elevadas, sendo secundária a uma diminuição na amplitude do Ca+2 intracelular, um declínio prolongado do Ca+2 temporário e aumento dos níveis de cálcio diastólicos. Essa redução de ca+2 ocorre devido a diminuição de cálcio do RS ● aumento do extravasamento de ca +2 O cálcio entra na célula durante o potencial de ação por canais de cálcio do tipo L e induz a liberação de mais cálcio do RS pelos RyRs. Na IC, o extravasamento diastólico de Ca+2 é resultante da abertura dos RyRs durante a diástole, através o aumento da fosforilação do RyR pela PKA, a proteinoquinase dependente do Ca+2/calmodulina (CaMKII) e a diminuição da ligação da proteína estabilizadora do RyR calstabina2 (FKBP1). Além disso, o aumento do extravasamento de Ca+2 é relevante para arritmias na IC, devido a ativação da NCX pelo extravasamento de Ca+2 do RS. Na medida em que o NCX é eletrogênico (3 Na+ x 1Ca+2), isso resulta em uma corrente de entrada nal,que produz as pós-despolarização tardias (DADs) com gatilho das arritmias. ● reentrada de ca+2 no rs e eliminação sarcolêmica de ca+2 O cálcio é removido do citosol pela bomba de Ca+2 SERCA2, que lança o cálcio de volta ao RS, e pelo trocador NCX para fora da célula. Com a eliminação de cálcio, as proteínas contráteis relaxam. Em condições normais, cerca de 75% do Ca+2 é lançado de volta para o RS e 25% para fora da célula. Entretanto, na IC, tem-se diminuição da captação de Ca+2 no RS secundária à diminuição dos níveis de SERCA2a e de sua função. Com a diminuição da captação de Ca+2 pelo RS no coração insuficiente, ocorre uma elevação relativa da eliminação transarcolêmica do Ca+2 pela NCX. Isadora Mocelin - 3º ano Apesar do aumento da eliminação de cálcio pelo NCX possa prevenir a disfunção diastólica, o aumento da atividade dessa proteína pode reduzir mais o acúmulo ou o conteúdo de Ca+2 no RS e, assim, diminuir a ativação das proteínas contráteis média das pelo Ca+2 ● duração do potencial de ação e manejo do sódio O prolongamento da duração do potencial de ação é um achado onipresente na IC. A corrente rápida de K+ para fora e para dentro da célula está reduzida na IC, o aumento da corrente de Na+ pelo NCX para dentro da célula e a atividade persistente do canal de sódio (corrente tardia de sódio, tem importância na patogênese das arritmias na IC), igualmente, têm capacidade de contribuir para o prolongamento da duração do potencial de ação. Em condições normais, os canais de Na + dependentes de voltagem, ativados pela despolarização, logo se inativam. Porém, alguns canais se mantêm abertos, o que resulta em um pequeno, mas persistente inuxo de Na + durante o platô do potencial de ação, gerando uma corrente tardia de sódio (Ina). A Ina é suficiente para levar a um influxo substancial de NA+ para a célula na IC, com consequente prolongamento do potencial de ação e pós-despolarizações precoces (EADs), contribuindo com o aumento de arritmias na IC. Se a expressão de. SERCA2a estiver diminuída e o sódio intracelular aumentado, tanto a função sistólica como a diastólica estarão alteradas; porém, a maior expressão de NCX com aumento moderado de NA+ intracelular, resultara em uma eliminação excessiva de cálcio, preservando a função diastólica. Isso pode estar associado ao aumento de arritmias secundárias e à elevação da ativada e do NCX. ● anormalidades nas proteínas contráteis e regulatórias e miosina (MHC) para a isomorfa fetal na hipertrofia e falência cardíacas. Outra alteração que contribui para a disfunção contrátil é a proteólise dos miolamentos (miocitólise), sendo mostrada, grande diminuição em seus volumes em IC avançadas, o que favorece a descompensação cardíaca. Além disso, alterações na expressão e/ou atividade das proteínas miolamentares reguladoras diminuem a função cardíaca contrátil na IC, como nas cadeias leves de miosina, o complexo troponina-tropomiosina e a titina. As alterações nas isomorfas das cadeias leves de miosina ocorrem nos átrios e ventrículos devido a sobrecarga mecânica. Em pacientes com IC no estágio nal, foram apresentadas formas isomórcas da troponina elevadas como cTnT1 fetal e cTnT4, o que leva a uma leve diminuição da tensão ativa máxima. Alterações isomórcas da titina de N2B, expressa no período pós natal e mais rígida, para N2BA, sendo mais distensível, também ocorre, o que aumenta a complacência em corações de pacientes com IC. ● anormalidades nas proteínas do citoesqueleto O citoesqueleto dos cardiomiócitos consiste em actina, lamento intermediário desmina, proteína sarcomérica titina e tubulinas alfa e beta, que formam microtúbulos pela polimerização. Em pacientes com CDM, a titina apresenta Dow-regulation, enquanto a proteína citoesquelética desmina (vinculina e distrona) tem up-regulation. A proteólise da distrona foi identificada como causa reversível de IC. A perda da integridade do citoesqueleto e a ligação do sarcômero ao sarcolema e matriz extracelular podem causar disfunção contrátil do miócito e miocárdio. ● diminuição da sensibilidade beta-adrenérgica Isadora Mocelin - 3º ano Ventrículos de pacientes com IC demonstram redução na densidade de receptores beta-adrenérgico e na resposta contrátil a agonistas beta-adrenérgicos. Essa redução, em pacientes com CDM, envolve o mRNA e a proteína do receptor e beta1, sendo proporcional à gravidade da IC. Também, na IC, ha a atividade aumentada do receptor beta-adrenérgico quinas e 1 (ßARK1), que fosforila as alças citoplasma ticas dos receptores beta1 e beta2, e aumenta a anidade dos mesmos em relação a beta-arrestina (proteína arcabouço). Essa atividade aumentada contribui para a perda de sensibilidade dos receptores beta1 e beta2, que podem ter efeitos benéficos e deletérios na IC. Pela redução da contratilidade do VE, a redução da sensibilidade pode ser deletéria. Contudo, por reduzir a energia gasta do miocárdio ávido por energia, e proteger o miócito dos efeitos deletérios da estimulação adrenérgica prolongada, essa resposta é benéfica ● alterações no miocárdio As alterações no miocárdio em falência ocorrem no volume dos cardiomiócitos, através de morte celular necrótica, apoptótica ou autofagia, e além de alterações no volume e na composição da matriz extracelular. Essas alterações contribuem para a disfunção cardíaca progressiva e o remodelamento do VE. As concentrações elevadas de NE no tecido miocárdico na IC, bem como elevados níveis circulantes, a estimulação excessiva de angiotensina II, ET ou TNF são suficientes para provocar necrose miocítica. A apoptose dos cardiomiócitos está relacionada à atuação de catecolaminas, por meio dos receptores beta1-adrenérgico, angiotensina II, EROs (NO), citocinas inamatórias (TNF) e tensão mecânica. No miocárdio hipertroado, hibernante e insuficiente ocorre morte celular autofágica. Na IC, ocorre a continuidade das respostas de morte celular que contribuem para a perda progressiva dos miócitos e progressão da doença. A segunda adaptação que ocorre no remodelamento cardíaco são alterações no MEC. A MEC miocárdica consiste em membrana basal, rede de colágeno brilar (tipo I e III) que circunda os miócitos, proteoglicanos e glicosaminoglicanos, além de proteínas especializadas, com matricelulares. Ainda, está presente a osteopontina (OPN), uma proteína matricelular, que está envolvida na comunicação nutre a MEC e os miócitos cardíacos, o que implica um papel no remodelamento cardíaco após a sobrecarga hemodinâmica. A OPN está elevada na circulação periférica de pacientes em relação direita com a gravidade da doença da IC. As alterações na MEC incluem alteração na síntese e na degradação de colágeno, e no grau de ligações cruzados de colágeno e perda do suporte de colágeno que conecta os cardiomiócitos individuais. Em resposta ao estresse mecânico e à ativação hormonal, broblastos são convertidos em miobroblastos, que são responsáveis pela secreção de colágeno e contração/realinhamento das bras de colágeno nascentes. Fibroblastos cardíacos e cardiomiócitos secretam inúmeras proteínas como fator de crescimento transformador b1 (TGF-b1), fator de cá cimento dos broblastos-2 (FGF-2), membros da família IL-6 e IL-33, atuando no remodelamento da MEC. Além disso, mastócitos que são recrutados para o coração durante a inamação, são responsáveis pela ativação dos broblastos mediada pelo TGF-b1, brose miocárdica e disfunção diastólica do VE. Metaloproteinases da matriz (MMPs) são ativadas no interior do miocárdio em falência, o que pode conduzir à dilatação progressiva do VE. A ruptura da MEC pode ocasionar dilatação do VE e adelgaçamento da parede devido aos miócitos dentro da parede do VE, bem como disfunção do VE resultante da contração assincrônica do VE. Isadora Mocelin - 3º ano ● alterações na estrutura ventricular esquerda As alterações na biologia do miócito em sofrimento, bem como no miocárdio em insuficiência, são responsáveis pelas progressivas dilatação e disfunçãodo VE durante o remodelamento cardíaco, sendo que muitas dessas alterações podem agravar a IC. O VE, além de dilatado, passa a apresentar um forma mais esférica, o que resulta em um aumento do estresse, criando uma sobrecarga energética adicional para o coração insuficiente. A partir do momento que a carga no ventrículo no nal da diástole contribua para o pós-carga no início da sístole, a dilatação do VE, irá aumentar o gasto de energia mecânica ventricular, o que exacerba os problemas subjacentes com a utilização de enérgica no ventrículo em insuciência Em corações normais, a energia utilizada para o coração adulto advém pela oxidação de ácidos graxos na mitocôndria. Porém, na IC, há uma diminuição inicial de ácidos graxos devido a diminuição da expressão de genes metabolizadores de ácidos graxos, resultando na mudança para o metabolismo glicolítico. Além do aumento no volume diastólico nal do VE, o adelgaçamento de sua parede também ocorre à medida que o ventrículo começa a remodelar-se . O aumento do adelgaçamento da parede junto com o aumento do pós-carga criado pela dilatação do VE causa um Isadora Mocelin - 3º ano desequilíbrio de pós-carga funcional, que contribui ainda mais para a diminuição do débito cardíaco. O aumento do estresse parietal pode causar a expressão sustentada de genes ativados pelo estiramento (angiotensina II e TNF) e ativação por estiramento de vias de sinalização de hipertrofia. O alto estresse da parede no nal da diástole pode levar a hipoperfusão do subendocárdico, com consequente agravamento da função do VE e aumento oxidativo, com ativação de genes que são sensíveis à podridão de radicais livres (TNF e IL-1ß). Também, com a dilatação do VE, os músculos papilares são fracionados e afastando, o que resulta na incompetência da valva mitral e no desenvolvimento da regurgitação valvar mitral funcional, que resulta em mais sobrecarga hemodinâmica de volume no ventrículo Isadora Mocelin - 3º ano MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS : ● as manifestações clínicas dependem da extensão e do tipo de disfunção cardíaca e da rapidez com que ela se desenvolve ● As síndromes da insuficiência cardíaca aguda (SICA) são definidas como uma alteração gradual ou rápida dos sinais e sintomas, ela pode abranger 3 tipos diferentes de condições: 1. Agravamento da disfunção crônica sistólica ou diastólica, que parece responder ao tratamento em aproximadamente 80% dos casos 2. Nova manifestação de insuficiência cardíaca aguda que ocorre secundariamente a um evento precipitante, como um grande infarto do miocárdio ou um aumento súbito da pressão arterial sobreposto a um ventrículo esquerdo não complacente 3. Agravamento de quadros avançados/em estágio terminal de insuficiência cardíaca refratária ao tratamento, com disfunção sistólica ventricular esquerda predominantemente associada a um estado de baixo débito cardíaco → As manifestações clínicas dependem se é IC direita ou esquerda: !!! a IC direita geralmente é consequência da IC esquerda progressiva (qualquer aumento da pressão na circulação pulmonar produz aumento da carga do lado direito do coração), se súbita pensar em TEP e cor pulmonale como causa Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano Isadora Mocelin - 3º ano NA ANAMNESE AVALIAR: ● História passada de IC ● Doença Cardíaca (p. ex., artéria coronária, valvar ou congênita, infarto do miocárdio prévio) ● Fatores de risco para IC (p. ex., diabetes, hipertensão, obesidade) ● Doenças sistêmicas que podem envolver o coração (p. ex., amiloidose, sarcoidose, doenças neuromusculares herdadas) ● Doença viral recente ou história de infecção por HIV ou doença de Chagas ● História familiar de IC ou morte súbita cardíaca ● Exposição ambiental e/ou médica a substâncias cardiotóxicas ● Abuso de substâncias ● Doenças não cardíacas que podem afetar o coração indiretamente (incluindo estados hiperdinâmicos como anemia, hipertireoidismo e fístulas arteriovenosas) Isadora Mocelin - 3º ano O QUE SE ESPERA ENCONTRAR NO EXAME FÍSICO DE UM PACIENTE COM IC? SINAIS VITAIS E ECTOSCOPIA: CARDIOVASCULAR: Isadora Mocelin - 3º ano PULMONAR: ABDOMINAL E MMI: Isadora Mocelin - 3º ano QUANTIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE RETENÇÃO DE VOLUME, COM OU SEM CONGESTÃO PULMONAR E/OU SISTÊMICA → Como nos sintomas, a evidência de congestão nem sempre indica com certeza a presença de IC, nem sua ausência exclui definitivamente o diagnóstico. → O método mais definitivo para avaliar o estado de volume de um paciente por meio do exame físico é a medição da pressão venosa jugular (PVJ) Uma PVJ aumentada tem boas sensibilidade (70%) e especificidade (79%) para pressão de enchimento do lado esquerdo elevada →A sensibilidade e especificidade da PVJ na detecção da congestão pode ser melhorada consideravelmente exercendo-se pressão no quadrante superior direito do abdome durante a avaliação das pulsações venosas do pescoço (refluxo hepatojugular) ● REFLUXO HEPATO-JUGULAR: A identificação da presença de refluxo hepatojugular positivo é alteração que reflete a incapacidade do ventrículo direito para se adaptar ao maior volume sanguíneo que lhe é oferecido, durante a compressão do fígado congesto →Alterações na PVJ com a terapia ocorrem em paralelo com as alterações na pressão de enchimento do lado esquerdo. → VCS = drena diretamente no átrio direito → VJ externa e interna = drena para a VCS As variações de pressão do AD durante o ciclo cardíaco são transmitidas diretamente para a VCS e para as veias jugulares Isadora Mocelin - 3º ano O “pulso” venoso (contração e relaxamento do coração direito) é caracterizado dentro de cada ciclo por duas elevações e duas quedas principais: → as ondas e descensos podem ser observadas como pulsações que se irradiam a partir das veias jugulares → sua identificação permite fazer uma estimativa de um parâmetro importante (PVC). Sua elevação anormal pode indicar um aumento na pré-carga ou pós carga sobre o ventrículo direito Isadora Mocelin - 3º ano DIAGNÓSTICO : Isadora Mocelin - 3º ano ● DIAGNÓSTICO DA ICFEp preservada: A estratégia inicial para o diagnóstico de ICFEp é a determinação da probabilidade pré-teste para IC, através do uso de achados clínicos associados a exames complementares como: eletrocardiograma, radiografia do tórax, ecocardiograma e peptídeos natriuréticos, se disponíveis. Isadora Mocelin - 3º ano ● Eletrocardiograma em repouso: → recomenda-se realizar ECG de 12 derivações na avaliação inicial de todos os pacientes com IC (alto valor preditivo +) → Os intervalos no ECG podem originar informação importante no que diz respeito às causas da IC, bem como comportar informação importante com respeito à estratégia terapêutica. - A avaliação do complexo QRS tornou-se uma parte fundamental da avaliação clínica porque fornece informação importante no que diz respeito às causas de IC, bem como informação fulcral para a abordagem terapêutica. → é possível avaliar: sinais de cardiopatia estrutural como hipertrofia ventricular esquerda, isquemia miocárdica, áreas de fibrose, distúrbios da condução atrioventricular, bradicardia ou taquiarritmias HIPERTROFIA/SOBRECARGA VENTRICULAR ESQUERDA Isadora Mocelin - 3º ano ● RX de tórax: → é recomendada para avaliação inicial de pacientes com sinais e sintomas de IC para avaliação de cardiomegalia e congestão pulmonar Isadora Mocelin - 3º ano → é mais útil na avaliação de IC aguda já que as alterações de congestão pulmonar são mais intensas → útil para identificar diagnósticos diferenciais para dispneia: DPOC, PAC, neoplasia pulmonar Isadora Mocelin - 3º ano ● ecocardiograma transtorácico: →exame de imagem de escolha para pacientes com suspeita de IC → por meio dele se consegue avaliar: função sistólicaD e E, função diastólica, espessuras parietais, tamanho das cavidades, função/anormalidades valvares, estimativa hemodinâmica não invasiva e doenças do pericárdio → usar TC ou RM quando os resultados forem inconclusivos ou para diagnóstico de miocardiopatias específicas → método de Simpson é o mais utilizado → bidimensional (o tridimensional apresenta melhor acurácia para a qualificação dos volumes ventriculares e FE, porém tem pouca disponibilidade) → considerar realizar novo ecocardiograma 3-6 meses pós tto para avaliação do remodelamento reverso e estratificação do prognóstico No ecocardiograma, algumas características que podem indicar insuficiência cardíaca incluem: 1. Fração de Ejeção Reduzida: A fração de ejeção é um parâmetro que avalia a função sistólica do coração. Na insuficiência cardíaca, a fração de ejeção tende a estar reduzida, indicando uma diminuição na capacidade do coração de bombear sangue de forma eficiente. 2. Dilatação das Câmaras Cardíacas: A insuficiência cardíaca pode levar à dilatação das câmaras cardíacas, como o ventrículo esquerdo, devido à sobrecarga de volume e pressão. Essa dilatação pode ser observada no ecocardiograma. 3. Presença de Edema Pulmonar: O ecocardiograma pode mostrar sinais indiretos de insuficiência cardíaca, como a presença de edema pulmonar, que é um acúmulo de líquido nos pulmões devido à falha do coração em bombear eficientemente. 4. Alterações nas Funções Diastólica e Sistólica: Na insuficiência cardíaca, as funções diastólica e sistólica do coração podem estar comprometidas. O ecocardiograma pode revelar alterações nos padrões de enchimento do coração e na contratilidade das paredes. Por meio do Doppler pulsátil com medida do fluxo de enchimento do ventrículo esquerdo, define disfunção diastólica que, associada aos sintomas de IC e à função sistólica normal, proporciona o diagnóstico de IC diastólica. De acordo com o padrão de fluxo pela valva mitral durante diástoventricular, a disfunção diastólica pode ser graduada em leve (onda Ee os inibidores da enzima conversora de angiotensina ou bloqueadores dos receptores de angiotensina, podem aumentar a ureia e a creatinina. Assim, anormalidades da função renal podem ter efeitos substanciais na capacidade para tratar agressivamente a IC. Além disso, a função renal anormal constitui uma das variáveis de prognóstico mais poderosas que são retiradas dos testes laboratoriais de rotina na IC. Por essas razões, a avaliação da função renal deve ser realizada como parte da avaliação inicial da IC e depois repetida periodicamente durante o seguimento. Em pacientes hospitalizados com descompensação aguda da IC, os dados registrados sugerem que 60% a 70% têm uma taxa de filtração glomerular reduzida; entre esses pacientes, as concentrações iniciais de ureia e creatinina são ambas preditoras independentes de morte. → Após a hospitalização, um aumento da creatinina de até 0,3 mg/dL, que é, de forma semelhante, prognóstico de morte, pode desenvolver-se em cerca de 30% dos pacientes com descompensação aguda da IC. As causas dessa denominada síndrome cardiorrenal são complexas, mas incluem congestão grave do coração direito, aumento da pressão intra-abdominal (detectável pela transdução de um cateter de Foley na bexiga), e hipoperfusão renal por um débito cardíaco inadequado - A hipótese é que, nos pacientes com insuficiência cardíaca estabelecida, essa síndrome represente a inter-relação complexa de fatores neuro-hormonais, potencialmente agravados por “falência retrógrada” resultante de aumento da pressão intra-abdominal e redução no retorno do fluxo sanguíneo venoso renal. O uso contínuo de terapia com diuréticos pode estar associado a redução na taxa de filtração glomerular e piora na síndrome cardiorrenal quando a pressão de enchimento das câmaras direitas se mantiverem elevadas. Nos pacientes nos estágios finais da doença, caracterizado por estado de redução profunda no débito cardíaco, a terapia inotrópica ou o suporte circulatório mecânico se mostraram capazes de preservar ou melhorar a função renal em alguns indivíduos em curto prazo até que uma terapia definitiva, como circulação assistida ou transplante cardíaco, possa ser executada. - Quando em face a um agravamento da função renal, o clínico deve realizar uma avaliação cuidadosa para obter o estado de volume e de perfusão tecidual para decidir terapêuticas apropriadas para conduzir a situação. Embora a melhoria da Isadora Mocelin - 3º ano função renal possa seguir-se a terapêuticas que aliviam a gravidade da congestão, esse achado permanece associado a um mau prognóstico em longo prazo ● O diabetes melito é comum em pacientes com IC, e a hiperglicemia surgiu como um possível fator de risco para resultados adversos em pacientes afetados. ● Como os diuréticos podem causar gota, a medição dos níveis de ácido úrico pode ajudar na abordagem dos pacientes; níveis elevados de ácido úrico são prognósticos, e terapêuticas para diminuir suas concentrações estão atualmente sob estudo para melhorar os resultados da IC ● Anormalidades na aspartato aminotransferase, alanina aminotransferase, fosfatase alcalina, bilirrubina ou lactato desidrogenase podem ocorrer nesses pacientes como consequência de alterações hemodinâmicas que levam à congestão hepática, ou podem ser devidos a efeitos medicamentosos; desta forma, é importante monitorizar os níveis com testes periódicos. ● Um aumento inesperado no tempo de protrombina em pacientes sob terapêutica com varfarina pode ser um sinal de descompensação, uma vez que pode refletir incapacidade sintética do fígado congestionado. Os níveis de albumina são um indicador do estado nutricional do paciente, e eles podem estar deprimidos como consequência de perda de apetite ou alteração da absorção ao longo da parede intestinal edemaciada; a hipoalbuminemia é prognóstica de morte em IC aguda e crônica ● Anormalidades hematológicas são muito comuns na IC, afetando cerca de 40% dos pacientes. Níveis reduzidos de hemoglobina foram associados a sintomas mais graves de IC, redução da capacidade de exercício e qualidade de vida e aumento da Isadora Mocelin - 3º ano mortalidade. Embora a anemia possa ser uma consequência da doença crônica em pacientes com IC, um nível reduzido de hemoglobina deve desencadear a avaliação para detectar causas tratáveis, particularmente déficit de ferro. Foi também dada mais atenção à amplitude da distribuição dos eritrócitos como variável prognóstica na descompensação aguda da IC ou IC crônica. ● A contagem de leucócitos com diferencial é útil na detecção da presença de infecção, que é responsável por desestabilizar um paciente previamente compensado e pode fornecer um indício de que a IC se deve a uma causa pouco comum, como a infiltração eosinofílica do miocárdio TRATAMENTO : ★ NÃO FARMACOLÓGICO: ★ Programas multidisciplinares de cuidados - enfatizando aos pacientes e cuidadores as causas da IC, seu tratamento, potencial de progressão clínica, importância do autocuidado diário (peso, atividade física, cuidados com dieta, uso regular dos medicamentos, monitorização dos sinais e sintomas de descompensação). IDEAL: médico e enfermeiro especialista, médico da atenção primária, associado a nutricionista, fisioterapeuta, farmacêutico, educador físico, psicólogo e assistente social. Visita por equipe após alta hospitalar em 7-14 dias após. 1) restrição de sódio:evidências de que o consumo excessivo de sódio e o de fluidos associa-se ao agravamento da hipervolemia, constituindo fator de descompensação e risco de hospitalização em pacientes com IC crônica sintomática. Evitar ingesta de >7g/dia de cloreto de sódio 2) Restrição hídrica - não é possível confirmar algo por falta de estudos; 3) Dieta e perda de peso na IC - IMC acima de 25 kg/m² aumenta o risco de complicações médicas. Sendo que existe o “paradoxo da obesidade” onde pacientes com IMC entre 30-35 possuem menor mortalidade e taxas de hospitalização. 4) cessar com Tabagismo e drogas ilícitas e uso de bebidas alcoólicas 5) vacinação pneumococo e influenza; 6) Reabilitação cardiovascular - progressivo aumento da capacidade funcional, com aumento gradual da carga de trabalho de 40-70% do esforço máximo, por 20-45 minutos, de 3-5x na semana, por 8-12 semanas. Há indícios favoráveis ao remodelamento ventricular esquerdo. → IC FEr classes II e III NYHA 7) Atividade laborativa - financeiramente e estado emocional e autoestima. 8) Atividade sexual - NYHA 1 e 2 permanecer com atividades, pacientes com IC descompensada ou avançada não devem ter atividade sexual até que sua condição esteja estabilizada. 9) monitorar sinais e sintomas de descompensação (cansaço, flutuações de peso e limitação funcional); Isadora Mocelin - 3º ano ★ FARMACOLÓGICO: FRAÇÃO DE EJEÇÃO REDUZIDA (MENOR/IGUAL A 40%) → diretriz brasileira de 2021 ainda consiste em terapia tripla, no entanto as novas atualizações das diretrizes americana e européia já consideram TERAPIA QUÁDRUPLA PARA PACIENTES COM FEr (NYHA II-IV/ ESTÁGIO C) Isadora Mocelin - 3º ano ● justificativa de cada uso da terapia quádrupla: → A nova diretriz já justifica o uso de INRA (SACUBITRIL-VALSARTANA) no lugar de IECA/BRA já que houve um aumento de 20% na diminuição de mortalidade — USAR JÁ NO INÍCIO DO TTO. Caso o paciente esteja em uso de BRA/IECA e pertença a classe funcional II-IV TROCAR por INRA → lembrar de suspender IECA 36hrs antes da troca para minimizar o risco de angioedema → o iSLGT2 é recomendado para TODOS os pacientes independente da presença de DM já que houve uma redução de 25% na mortalidade, também reduz risco de internações, reduz eventos cardiovasculares e renais → USAR: canaglifozina, dapaglifozina ou empaglifozina → os BB que reduzem a mortalidade e morbidade são: CARVEDILOL, SUCCINATO DE METOPROLOL E BISOPROLOL → antagonista mineralocorticoide (espironolactona)também apresenta efeitos sobre a mortalidade e morbidade → lembrar também: reposição de carboximaltose férrica em pacientes com ICFEr e deficiência de ferro (ferritina sérica menor que 100ng/dl ou entre 100-299 e sat de transferrina menor que 20%) mesmo na ausência de anemia para aumentar a capacidade para o exercício qualidade de vida e reduzir hospitalização ❖ estratégia adicional: ● se FEVE menor/igual a 35%, ritmo sinusal e FC >= 70 → usar ivabradina = inibe seletivamente a corrente I no tecido do nó SA reduzindo a fc → para estes pacientes possui benefício na mortalidade cardiovascular e hospitalização por IC ● se FEVE menor/igual a 45%, ritmo sinusal e fibrilação atrial → usar digoxina = não possui impacto na mortalidade, mas reduz hospitalizações por IC ● se FEVE menor/igual a 35% e afrodescendente declarado → utilizar nitrato + hidralazina → estratégia vasodilatadora → melhorou a qualidade de vida, reduziu hospitalizações e mortalidade total de pacientes autodeclarados negros com NYHA III-IV já em tto clínico otimizado ● se FEVE menor/igual a 30% - 35% → CDI = cardiodesfibrilador implantável ● se FEVE menor/igual a 35% ritmo sinusal e BRE → TRC = terapia de ressincronização cardíaca. A TRC consiste no implante de dispositivo com eletrodos em ambos os ventrículos, gerando estimulação simultânea em VD e VE a cada ciclo cardíaco. Isadora Mocelin - 3º ano FRAÇÃO DE EJEÇÃO PRESERVADA (MAIOR IGUAL A 50%) → considera-se o tto a partir dos fenótipos mais comuns ➢ Fenótipo I: paciente com elevação da pressão de enchimento do VE induzido prioritariamente ao exercício, remodelamento atrioventricular, dispneia ao exercício e níveis séricos de peptídeo natriurético normal ou levemente elevado. ➢ Fenótipo II: paciente que se apresenta congesto, com alterações diastólicas e remodelamento cardíaco marcado e com peptídeo natriurético elevado. Este é o fenótipo mais comuns nos ensaios clínicos. ➢ Fenótipo III: paciente com hipertensão pulmonar e possível remodelamento do coração direito e, eventualmente, sintomas de congestão venosa sistêmica. ● O objetivo é o controle das comorbidades (HAS, FA, DM) ● Alguns estudos com espironolactona e BRA demonstraram redução de internações mas não de mortalidade ● iSGLT2 é indicado para os pacientes com IFEp para reduzir mortalidade e internações ● diuréticos de alça ou tiazídicos podem ser usados para diminuir os sintomas congestivos, não reduz mortalidade ● treinamento físico pode melhorar a capacidade funcional e qualidade de vida pois melhorou o consumo de pico de oxigênio ou seja se considera na terapia: BRA+iSGLT2+ espironolactona diurético de alça/tiazídico + controle das comorbidades e progressão da doença FARMACOLOGIA: ● IECA Inibidores da enzima conversora de angiotensina ★ mecanismo de ação: → bloqueia o sistema renina-angiotensina-aldosterona por meio da inibição da enzima Responsável pela conversão da angiotensina I em angiotensina II, ECA. Também inibem a cinase II, o que induz upregulation da bradicinina, intensificando os efeitos da supressão da angiotensina. Resulta em vasodilatação, aumentando DC e FC. Eles estabilizam o remodelamento de VE, reduzem sintomas, aumentam a sobrevida e previnem hospitalizações; → Os IECAs diminuem a resistência vascular (pós-carga) e o tônus venoso (pré-carga), resultando em aumento do débito cardíaco. Eles também abrandam o aumento de epinefrina e aldosterona mediado pela angiotensina II, observado na IC. ★ farmacocinética: →Com exceção do captopril, os IECAs são pró-fármacos que necessitam de ativação por hidrólise pelas enzimas hepáticas. A eliminação renal da molécula ativa é importante para a maioria dos IE As, sendo exceção o fosinopril. A meia-vida plasmática dos compostos ativos varia de 2 a 12 horas, embora a ação IECA possa ser muito maior. ★ Efeitos adversos: Isadora Mocelin - 3º ano → Incluem hipotensão postural, insuficiência renal, hiperpotassemia, tosse seca persistente e angiedema (raro). Os níveis de potássio precisam ser monitorados, particularmente com uso concorrente de suplementos de potássio, diuréticos poupadores de potássio ou antagonistas de aldosterona, devido ao risco de hiperpotasemia. Os níveis de creatinina no soro devem ser monitorados, particularmente em pacientes com doença renal subjacente. O potencial de hipotensão sintomática com IECAs é muito mais comum se for usado concomitantemente com um diurético. Os IECAs são teratogênicos e não devem ser usados em gestantes. ● BRA → bloqueadores dos receptores da angiotensina II ★ mecanismo de ação: → Os BRAs são compostos ativos por via oral que são antagonistas competitivos do receptor de angiotensina II tipo 1. Os BRAs têm a vantagem teórica de bloqueio mais completo da ação da angiotensina II, porque os IECAs inibem apenas uma enzima responsável pela produção de angiotensina II. Além disso, os BRAs não afetam os níveis de bradicinina. Apesar de os BRAs terem ações semelhantes às dos IECAs, eles não são idênticos terapeuticamente. Mesmo assim, os BRAs são substitutos dos IECAs nos pacientes que não conseguem tolerar os inibidores → 1. Ações sobre o sistema cardiovascular: Embora os BRAs tenham mecanismo de ação distinto dos IECAs, suas ações na pré e pós-carga são similares. Seu uso na IC é principalmente como substituto dos IECAs, em pacientes com tosse intensa ou angiedema que possa ser devido ao nível elevado de bradicinina ★ farmacocinética: →Todos os BRAs são ativos por via oral e dosificados uma vez ao dia, com exceção da valsartana, que deve ser ingerida duas vezes por dia. Eles são altamente ligados às proteínas plasmáticas e, exceto a candesartana, apresentam grande volume de distribuição. A losartana, o primeiro membro aprovado da classe, difere dos demais, pois sofre extensa biotransformação de primeira passagem pelo fígado, incluindo a conversão em seu metabólito ativo. Os demais fármacos apresentam metabólitos inativos. A eliminação dos metabólitos e do composto original ocorre na urina e nas fezes. ● Sacubitril: → possui o papel de inibidor da neprilisina, é ativado por um metabolismo ativo responsável por aumentar os níveis de peptídeos, uma vez que a neprilisina age degradando o peptídeo natriurético e a bradicinina promovendo tanto a vasodilatação como outros efeitos, incluindo a natriurese e a consequente redução do líquido extracelular. Esse efeito é gerado pelo aumento da excreção de sódio renal, o que promove uma redução da pré-carga e diminui os efeitos deletérios do remodelamento ventricular; ● Valsartana: → atua inibindo os receptores de angiotensina II, bloqueando mais especificamente o receptor AT1 e aumentando, concomitantemente, a liberação independente de aldosterona. Respectivamente, essas ações realizarão um processo de redução da vasoconstrição, da retenção de sódio e água e da hipertrofia miocárdica, atuando de maneira conjunta com o sacubitril; Isadora Mocelin - 3º ano ● Espironolactona → mecanismo de ação ocorre pela competição com aldosterona pelos sítios de receptores nos túbulos distais, aumentando a excreção de sódio e água e a retenção de potássio e hidrogênio → Os diuréticos poupadores de potássio atuam no túbulo coletor inibindo a reabsorção de Na+ e a excreção de K+. A espironolactona é um esteroide sintético que antagoniza a aldosterona no receptor intracelular citoplasmático, inativando o complexo espironolactona-receptor. Ele impede a translocação do complexo receptor para o núcleo da célula-alvo, bloqueando a produção de proteínas mediadoras que normalmente estimulam os locais de troca Na+/K + do túbulo coletor. Assim, a falta de proteínas mediadoras evita a reabsorção de Na + e, por consequência, a secreção de K+ e H+. → Os antagonistas da aldosterona previnem o remodelamento que ocorre como compensação na insuficiência cardíaca progressiva. O uso desses fármacos diminui a mortalidade associada com a insuficiência cardíaca ● iSGLT2 → O cotransportador 2 sódio-glicose (SGLT2)