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Apostila Geotectônica
53 pág.

Geologia Universidade do Estado do Rio de JaneiroUniversidade do Estado do Rio de Janeiro

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## Resumo sobre Geotectônica: Métodos de Investigação e Estrutura Interna da TerraEste roteiro de estudos, elaborado para a disciplina de Geotectônica da Faculdade de Geologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apresenta uma síntese dos principais métodos de investigação da Terra, sua estrutura interna e fundamentos da tectônica de placas. Baseado em obras clássicas como “Plate Tectonics and Crustal Evolution” (Condie, 1989) e “Geological Structures and Moving Plates” (Park, 1988), o material não pretende ser um compêndio exaustivo, mas sim um guia focado nas características geológicas dos ambientes geotectônicos, essenciais para a compreensão e aplicação prática em geologia.### Métodos Diretos e Indiretos de Investigação da TerraA investigação da Terra pode ser dividida em métodos diretos e indiretos. Os métodos diretos incluem a geologia de campo, perfurações, minas subterrâneas e o uso de batiscafos para observação submarina. Já os métodos indiretos envolvem técnicas geofísicas e geoquímicas que permitem inferir propriedades internas do planeta sem acesso físico direto.Entre os métodos indiretos, destacam-se:- **Métodos sísmicos**: Utilizam ondas sísmicas naturais (terremotos) ou artificiais (explosões) para mapear estruturas internas. As ondas sísmicas são classificadas em ondas de corpo (P e S) e ondas de superfície (Rayleigh e Love). Técnicas como refração e reflexão sísmica são aplicadas para identificar descontinuidades e estruturas geológicas, tanto em terra quanto no mar. Por exemplo, perfis de reflexão sísmica revelam falhas e dobras em regiões como a crista de Barbados.- **Métodos magnéticos**: Medem anomalias no campo magnético terrestre, que é dominado por um dipolo inclinado em relação ao eixo de rotação. Essas anomalias indicam variações na composição e estrutura das rochas, sendo úteis para mapear corpos rochosos e estudar o paleomagnetismo, que ajuda a reconstruir a posição dos continentes ao longo do tempo.- **Métodos gravimétricos**: Avaliam variações na aceleração gravitacional causadas por diferenças na densidade das rochas. Correções como a free-air e Bouguer são aplicadas para ajustar os dados conforme a altitude e relevo. Perfis gravimétricos, como os do rifte do Leste Africano, auxiliam na modelagem da distribuição de densidades internas.- **Métodos elétricos**: Baseiam-se na eletrorresistividade e eletrocondutividade das rochas, utilizando sondagens diretas, magnetotelúricas, eletromagnéticas e geomagnéticas para investigar propriedades elétricas do subsolo.- **Métodos geotérmicos**: Medem o fluxo de calor proveniente do interior da Terra, utilizando gradientes térmicos e condutividade térmica para entender processos térmicos internos.- **Estudos de alta pressão**: Simulam em laboratório as condições de pressão e temperatura do interior terrestre, permitindo analisar propriedades físicas e químicas de minerais e rochas em profundidades que chegam ao manto inferior e núcleo.- **Estudos geoquímicos e isotópicos**: Analisam a composição química e as razões isotópicas das rochas para determinar ambientes de formação, fontes magmáticas e idades geológicas, utilizando técnicas como espectrometria de fluorescência de raios-X, ICP e espectrometria de massa.Além desses, outros métodos emergentes, como tomografia sísmica do manto e sensoriamento remoto, complementam o arsenal investigativo. Contudo, a geologia de campo permanece fundamental para validar e interpretar os dados obtidos por métodos indiretos.### Estrutura Interna da Terra: Forma, Composição e EstruturaA Terra apresenta uma forma aproximada de esferoide oblato, com raio equatorial de 6.378 km e polar de 6.357 km, e uma estrutura interna complexa que pode ser analisada sob dois critérios principais: sísmico-composicional e mecânico.- **Critério sísmico-composicional**: Divide a Terra em crosta, manto e núcleo. A crosta apresenta uma dualidade entre crosta oceânica e continental, com características distintas em composição e estrutura. O manto, predominantemente ultramáfico, é a fonte dos magmas basálticos e apresenta heterogeneidades composicionais, incluindo segmentos empobrecidos e enriquecidos em elementos incompatíveis. O núcleo é metálico, rico em ferro e níquel, com uma parte externa líquida (não propaga ondas S) e núcleo interno sólido ou parcialmente fundido.- **Critério mecânico**: Define a litosfera (crosta + manto superior rígido), astenosfera (zona plástica abaixo da litosfera), mesosfera (manto inferior) e núcleo. A litosfera varia de 50 a 150 km em espessura e é dividida em placas rígidas que se movem sobre a astenosfera, que apresenta comportamento dúctil e é sede de correntes de convecção térmica, responsáveis por fenômenos como hot spots.A crosta oceânica, com espessura média de 15 km, é caracterizada por camadas sedimentares, embasamento basáltico e camada oceânica composta por anfibolitos e gabróides, com idade máxima de 100 milhões de anos. Seu metamorfismo inclui processos como serpentinização e fácies de zeólita e xisto verde. Em contraste, a crosta continental é mais espessa e complexa, formada por processos de acresção vertical e lateral, incluindo arcos magmáticos e espessamento por acresção de material. A crosta continental apresenta ciclos tectono-magmáticos variados e pode ser destruída por processos como subducção e delaminação.### Fundamentos da Tectônica de PlacasA teoria da tectônica de placas revolucionou as geociências ao integrar dados oceânicos, continentais e do interior terrestre, explicando a dinâmica da litosfera como um mosaico de placas rígidas que se movem, interagem e se transformam. Essas placas, com espessuras entre 150 km (oceânicas) e 300 km (continentais), englobam a crosta e parte do manto superior, e seu limite com a astenosfera é marcado pela "low velocity zone" (LVZ), uma zona de comportamento termo-mecânico transicional.Os movimentos das placas são responsáveis por fenômenos geológicos globais, como terremotos, vulcanismo e formação de bacias sedimentares. As principais placas litosféricas incluem seis grandes placas, além de várias placas menores e microplacas. A maior parte da sismicidade ocorre nos limites dessas placas, evidenciando seu deslocamento relativo.A teoria enfrentou inicialmente resistência, dividindo cientistas entre fixistas e mobilistas, mas foi amplamente aceita para o Fanerozóico, com adaptações para períodos mais antigos e fases tectônicas menos intensas. A compreensão da litosfera e suas interações é fundamental para a geologia aplicada, permitindo modelar estilos estruturais e processos sedimentares, metamórficos, magmáticos e metalogenéticos.---### Destaques- A investigação da Terra combina métodos diretos (geologia de campo, perfurações) e indiretos (sísmicos, magnéticos, gravimétricos, elétricos, geotérmicos, geoquímicos e isotópicos), cada um com aplicações específicas para mapear e entender a estrutura interna do planeta.- A estrutura interna da Terra é dividida em crosta, manto e núcleo (critério sísmico-composicional) e em litosfera, astenosfera, mesosfera e núcleo (critério mecânico), com características físicas e químicas distintas que influenciam a dinâmica geológica.- A crosta oceânica e continental apresentam diferenças marcantes em composição, estrutura, idade e processos de formação e destruição, refletindo a complexidade dos ambientes geotectônicos.- A tectônica de placas explica a movimentação da litosfera como um mosaico de placas rígidas que interagem em seus limites, gerando os principais fenômenos geológicos observados na superfície terrestre.- A integração de dados geológicos, geofísicos e geoquímicos, aliada à geologia de campo, é essencial para a compreensão e modelagem dos processos geotectônicos, com implicações práticas para a exploração e estudo do planeta.

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