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A INFLUÊNCIA DA INGESTÃO PROTEICA NA HIPERTROFIA MUSCULAR DE PRATICANTES DE TREINAMENTO RESISTIDO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
PRIMAZ, Felipe Daninheimer
Bacharelando em Educação Física - Uninter
RU: 4024873 | Polo: São Luiz Gonzaga - RS
EIXO DE PESQUISA ESCOLHIDO: SAÚDE, BEM-ESTAR E TREINAMENTO
1. TEMA
A influência da ingestão proteica na hipertrofia muscular de adultos praticantes de treinamento resistido, considerando evidências publicadas entre 2016 e 2025 sobre quantidade diária de proteína, distribuição entre refeições, momento de ingestão e fontes proteicas. O treinamento resistido permanece como estímulo central, e a proteína é analisada como fator nutricional modulador da adaptação muscular.
2. PROBLEMA
Qual é a influência da ingestão proteica sobre a hipertrofia muscular de adultos praticantes de treinamento resistido, conforme evidências científicas publicadas entre 2016 e 2025?
3. JUSTIFICATIVA
O tema é relevante para a Educação Física porque orientações sobre proteína são frequentes entre praticantes de musculação, mas muitas vezes aparecem de forma absoluta, associando doses elevadas, suplementos ou uma “janela anabólica” estreita ao crescimento muscular. A hipertrofia depende da interação entre treinamento, disponibilidade energética, recuperação e nutrientes. Assim, reunir evidências recentes pode apoiar uma compreensão mais segura e baseada em ciência, diferenciando o que possui respaldo consistente de recomendações excessivamente simplificadas e contribuindo para o trabalho interdisciplinar entre profissionais do exercício e da nutrição.
4. OBJETIVOS
Objetivo geral: analisar a influência da ingestão de proteínas sobre a hipertrofia muscular em adultos praticantes de treinamento resistido por meio de revisão integrativa da literatura.
Objetivos específicos:
• Relacionar treinamento resistido, síntese proteica muscular e hipertrofia.
• Analisar quantidade diária, distribuição e timing da ingestão proteica.
• Comparar evidências sobre fontes proteicas e fatores que modificam a resposta hipertrófica.
5. METODOLOGIA
Será realizada revisão integrativa, bibliográfica, descritiva e analítica. As buscas ocorrerão em PubMed/MEDLINE, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com Google Acadêmico apenas como apoio ao rastreamento de referências. Serão combinados descritores em português e inglês, com DeCS/MeSH quando aplicáveis: “hipertrofia muscular”, “ingestão proteica”, “treinamento resistido”, “massa muscular”, “síntese proteica muscular”, “muscle hypertrophy”, “protein intake”, “resistance training” e “muscle protein synthesis”, por meio de operadores AND e OR.
Serão incluídos artigos completos de 2016 a 2025, em português ou inglês, envolvendo adultos e relação direta entre ingestão proteica e respostas ao treinamento resistido, como hipertrofia, massa magra, volume muscular ou síntese proteica. Serão excluídos duplicados, estudos exclusivamente com animais, pesquisas centradas em doenças específicas e trabalhos sem avaliação de proteína ou sem relação com o problema. A seleção seguirá leitura de título, resumo e texto completo. De cada estudo serão extraídos autor, amostra, intervenção, ingestão proteica, método de avaliação e resultados, posteriormente comparados em síntese narrativa.
6. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
O treinamento resistido aumenta a síntese proteica muscular e ativa vias de sinalização associadas à remodelação das fibras; a repetição desse estímulo, acompanhada de recuperação adequada, favorece hipertrofia (WACKERHAGE et al., 2019; DAVIES et al., 2024). A proteína fornece aminoácidos essenciais para esse processo. Em meta-análise de 49 estudos, Morton et al. (2018) observaram benefício da suplementação proteica associada ao treinamento para massa livre de gordura e tamanho muscular, com redução do ganho adicional próximo de 1,62 g/kg/dia de proteína total. Tagawa et al. (2021) também identificaram relação dose-resposta com retornos progressivamente menores em ingestões mais elevadas.
O consumo diário total apresenta suporte mais consistente do que regras rígidas de horário. Jäger et al. (2017) indicam aproximadamente 1,4 a 2,0 g/kg/dia para a maioria dos indivíduos fisicamente ativos, enquanto diretriz brasileira recente situa objetivos de hipertrofia em torno de 1,6 a 2,2 g/kg/dia, com individualização e adequação energética (QUARESMA et al., 2025). Quanto à distribuição, Yasuda et al. (2020) encontraram tendência favorável quando a proteína foi menos concentrada entre refeições. Já comparação direta entre ingestão antes e depois do treino não sustentou uma janela estreita obrigatória (CASUSO; GOOSSENS, 2025). Assim, a literatura sugere prioridade para adequação total e para um treinamento bem estruturado, sem pressupor que mais proteína produza hipertrofia ilimitada.
A interpretação das fontes e das doses por refeição também exige cautela. Macnaughton et al. (2016) verificaram resposta aguda de síntese proteica maior após 40 g do que 20 g de whey em homens treinados após sessão de corpo inteiro, mas esse achado mecanístico não equivale, isoladamente, a maior hipertrofia crônica. Em síntese de ensaios clínicos, Nunes et al. (2022) reforçaram que o aumento do consumo proteico favorece massa magra principalmente quando combinado ao treinamento. Além disso, Hevia-Larraín et al. (2021) observaram adaptações semelhantes entre dieta vegana e onívora quando a ingestão proteica foi equiparada, indicando que a quantidade e a qualidade global da dieta são mais relevantes do que tratar suplementos ou uma fonte específica como obrigatórios.
7. REFERÊNCIAS
CASUSO, Rafael A.; GOOSSENS, Lennert. Does protein ingestion timing affect exercise-induced adaptations? A systematic review with meta-analysis. Nutrients, v. 17, n. 13, p. 2070, 2025. DOI: 10.3390/nu17132070.
DAVIES, Robert W. et al. Characterisation of the muscle protein synthetic response to resistance exercise in healthy adults: a systematic review and exploratory meta-analysis. Translational Sports Medicine, v. 2024, art. 3184356, 2024. DOI: 10.1155/2024/3184356.
HEVIA-LARRAÍN, Victoria et al. High-protein plant-based diet versus a protein-matched omnivorous diet to support resistance training adaptations: a comparison between habitual vegans and omnivores. Sports Medicine, v. 51, n. 6, p. 1317-1330, 2021. DOI: 10.1007/s40279-021-01434-9.
JÄGER, Ralf et al. International Society of Sports Nutrition position stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 14, art. 20, 2017. DOI: 10.1186/s12970-017-0177-8.
MACNAUGHTON, Lindsay S. et al. The response of muscle protein synthesis following whole-body resistance exercise is greater following 40 g than 20 g of ingested whey protein. Physiological Reports, v. 4, n. 15, e12893, 2016. DOI: 10.14814/phy2.12893.
MORTON, Robert W. et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. British Journal of Sports Medicine, v. 52, n. 6, p. 376-384, 2018. DOI: 10.1136/bjsports-2017-097608.
NUNES, Everson A. et al. Systematic review and meta-analysis of protein intake to support muscle mass and function in healthy adults. Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, v. 13, n. 2, p. 795-810, 2022. DOI: 10.1002/jcsm.12922.
QUARESMA, Marcus V. L. dos Santos et al. Diretrizes de prática clínica para nutrição esportiva: Associação Brasileira de Nutrição Esportiva. Journal of Physical Education, v. 36, 2025. DOI: 10.4025/jphyseduc.v36i1.3605.
TAGAWA, Ryoichi et al. Dose-response relationship between protein intake and muscle mass increase: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutrition Reviews, v. 79, n. 1, p. 66-75, 2021. DOI: 10.1093/nutrit/nuaa104.
WACKERHAGE, Henning et al. Stimuli and sensors that initiate skeletal muscle hypertrophy following resistance exercise. Journal of Applied Physiology, v. 126, n. 1, p. 30-43, 2019. DOI: 10.1152/japplphysiol.00685.2018.
YASUDA,Jun et al. Evenly distributed protein intake over 3 meals augments resistance exercise-induced muscle hypertrophy in healthy young men. The Journal of Nutrition, v. 150, n. 7, p. 1845-1851, 2020. DOI: 10.1093/jn/nxaa101.
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Projeto – TCC
Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas
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