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MEDICINA TROPICAL E 
INFECTOLOGIA
 NA REGIÃO AMAZÔNICA
Prof. Dr. Cláudio Henrique Clemente Fernandes 
 
Doença de 
Chagas
Doença de Chagas:
Denominada Doença de chagas ou tripanossomíase 
americana foi descoberta em 1909 pelo médico sanitarista: 
Recebeu o nome em homenagem ao seu descobridor, 
Dr. Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas. 
Histórico
Carlos Justiniano Ribeiro Chagas
Oswaldo Cruz
Instituto Soroterápico Federal, 1900
Doença de chagas ou tripanossomíase americana foi descoberta pelo médico 
sanitarista Carlos Chagas em 1909
Atuante na saúde pública do Brasil, iniciou sua carreira no combate à malária. 
Ao descobrir o protozoário Trypanosoma cruzi (cujo nome foi uma homenagem ao 
seu amigo Oswaldo Cruz
Carlos Chagas (1878–1934) é reconhecido mundialmente como o único 
cientista na história da medicina a descrever, sozinho, todo o ciclo de uma 
doença infecciosa. Em 1909, ele identificou o agente causador (Trypanosoma 
cruzi), o vetor (barbeiro), o transmissor, os hospedeiros e os sintomas da Doença de 
Chagas. 
Histórico:
Estrada de Ferro Central do Brasil
Carlos Chagas atendendo pacientes
Hospital em Lassance
E uma doença transmissível, causado por um parasito do gênero Trypanosoma e 
transmitida principalmente através do "barbeiro". 
É conhecido também por: chupança, chupão, fincão, bicudo, procotó,etc. 
Definição:
Agente causador:
É um protozoário denominado Trypanosoma cruzi. 
No homem e nos animais, vive no sangue periférico e nas fibras musculares, 
especialmente as cardíacas e digestivas.
No inseto transmissor, vive no tubo digestivo.
Formas do parasita e o inseto vetor encontrados
por Chagas, denominado “Schizotrypanum cruzi“
Epimastigota
Panstrongylus 
megistus
Tripomastigota 
A doença de Chagas é causada por um protozoário da da família 
Trypanosomatidae e gênero Trypanosoma. 
Agente etiológico:
Trypanosoma cruzi.
TRIPOMASTIGOTA no 
sangue circulante.
A morfologia do Trypanosoma cruzi é diversa conforme a fase 
evolutiva e hospedeiro (vertebrado e invertebrado). 
Vertebrado.
AMASTIGOTA A forma intracelular no hospedeiro
TRIPOMASTIGOTA No sangue circulante.
Invertebrado.
EPIMASTIGOTA – Forma de multiplicação
"TRIPOMASTIGOTAS METACÍCLICAS", são as formas 
infectantes. 
Morfologia:
Sua transmissão exige a participação de um vetor, o triatomíneo 
conhecido pelo nome de “barbeiro” 
São artrópodes da classe Insecta, ordem Hemiptera, família Reduviidae 
e subfamília Triatominae. Sugam sangue (hematofágos) em todas as 
fases de seu ciclo evolutivo. 
O "barbeiro", é um inseto da sub-família Triatominae que se alimenta 
exclusivamente de vertebrados homeotérmicos, sendo chamados 
hematófagos.
É uma doença do continente americano (sul dos Estados Unidos até a 
Argentina). 
Transmissor:
Gêneros: Triatoma, Rhodnius e Panstrongylus: 
Discriminação morfológica de Triatomíneos
hematófago
predador
fitófago
sub-família Triatominae
Gêneros:
Triatoma: o tubérculo antenífero está entre o olho e o clípeo.
Panstrongylus: o tubérculo antenífero está junto do o olho.
Rhodnius: o tubérculo antenífero está no clípeo
 
– espécies hematófagas:
– Reduviidae - Triatominae (barbeiros)
– Hemimetábolos (O inseto hemimetábolo passa por 
sucessivas mudas, trocando o exoesqueleto, até atingir o 
tamanho adulto.)
– Diferente dos pernilongos: todos os 
estágios e ambos os sexos são 
hematófagos
Vetores de T. cruzi : Hemíptera
Ovo: A fêmea copula uma só vez e transcorridos cerca 
de 20 a 30 dias começa a postura. Cada fêmea ovipõe 
cerca de 200 ovos. A eclosão dos ovos, varia conforme a 
temperatura ambiente e a espécie, ocorrendo em média 
um período de 25 dias. 
Ciclo evolutivo do transmissor
ovos de triatomíneo vetor da doença de Chagas
Ninfas: Dos ovos eclodidos, nascem as ninfas. 
O "barbeiro" passa ao todo por 5 mudas até 
atingir o estágio adulto. 
A = ninfa de primeiro estádio ou estágio;
B = ninfa de segundo estágio; 
C = ninfa de terceiro estágio;
D = ninfa de quarto estágio;
E = ninfa de quinto estágio. 
estágios evolutivos de ninfas de triatomíneo
Adultos: O ciclo de vida dura em média de 1 a 2 anos. 
Obs. As fêmeas efetuam a primeira postura com cerca de 2 meses. 
Após a postura, tendem a migrar e formar novas colônias. 
Panstrongylus megistus
Rhodnius neglectus
Triatoma infestans
Rhodnius prolixus
Triatoma infestans Panstrongylus megistus Rhodnius prolixus Triatoma dimidiata
Triatoma pallidipennis Triatoma sordida Triatoma brasiliensis
Exemplos de Triatomíneos mais importantes na
transmissão da Doença de Chagas
Transmissão
- Oral (ingestão de fezes frescas 
de Triatomineos infectados ou 
Triatomineos macerados)
O "barbeiro", em qualquer estágio do seu ciclo de vida, ao picar uma 
pessoa ou animal suga as formas de T.cruzi, tornando-se um " barbeiro" 
infectado.
A transmissão se dá pelas fezes que o "barbeiro“ deposita sobre a pele 
da pessoa, enquanto suga o sangue. 
A picada provoca prurido (coceira) e o ato de coçar facilita a penetração 
do tripanossomo pelo local da picada. 
O T.cruzi pode penetrar, também pela mucosa dos olhos, nariz e boca ou 
através de feridas ou cortes recentes existentes na pele. 
Modo de transmissão:
Outros mecanismos de transmissão
- Transfusão de sangue;
- Transmissão congênita da mãe chagásica, para o filho via 
placenta; 
- Manipulação de caça( ingestão de carne contaminada); 
- Acidentalmente em laboratórios;
- Ingestão de Poupa de frutas ex. (açaí) e caldo de cana
Dipetalogaster maximus: 
repasto sanguíneo
1. Passo: a infecção
Rhodnius prolixus
2. Passo: a disseminação no hospedeiro vertebrado
Infecção local 
Nódulos linfáticos
Sistema nervoso central
Coração 
Aparelho digestivo
TRIPOMASTIGOTA no 
sangue circulante
AMASTIGOTA nos tecidos
3. Passo: a contaminação do vetor invertebrado
Tripomastigota sangüíneo
Reservatórios:
Tatus e gambás 
Patogenia e sintomas da infecção com T. cruzi 
- período de incubação: pode ser de 5 a 60 dias
- Maior parte assintomática ou inaparente
- infecção local (sintomas: Chagoma/Sinal de Romaña)
- infecção disseminada, alvos preferenciais: Células Kupffer,
macrófagos do baço e células do miocârdio (sintomas: febre,
astenia, cefaleia, mialgia, adenite.
- morte em 10% dos casos
por meningoencefalite ou miocardite aguda)
QUADRO CLÍNICO: 
Fase aguda: 
Febre, mal estar, falta de apetite;
SINAL DE ROMANÃ penetração ocular edema bipalpebral 
unilateral;
CHAGOMA DE INOCULAÇÃO, Tumoração cutânea no próprio 
local, onde se deu a contaminação pelas fezes. (Nódulo subcutâneo, 
Pouco saliente, endurecido, de coloração avermelhada, pouco 
doloroso, Circundado por edema elástico.
INFARTAMENTO DE GÂNGLIONAR, aumento do baço e do 
fígado e distúrbios cardíacos. 
Em crianças, o quadro pode se agravar e levar à morte.
OBS: Frequentemente, nesta fase, não há qualquer manifestação 
clínica da doença, podendo passar desapercebida. 
Sintomas
Fase Aguda - Sintomática - Sinais de entrada
Sinal de Romaña edema bipalpebral unilateral
Sinal de Romaña edema bipalpebral unilateral
- Infecção crônica com baixas parasitemias 
- Aumento do coração, dilatação dos ventrículos, e/ou miosite no esôfago, 
cólon ou intestino delgado
- Destruição dos gânglios é compensado por aumento da massa muscular 
levando a megaesôfago, megacôlon.
- (sintomas: inabilidade física, disfagia, constipação, morte)
- Cura espontânea é possivel em cada estágio
- Pacientes em muitos casos estão incapacitados de exercer 
atividades profissionais
Fase crônica (sintomas em 30% dos casos, 70% sem sintomas):
Fase crônica: Miocardite chagasica
Fase crônica: Nesta fase, muitos pacientes podem passar um 
longo período, 10 a 20 anos 
Sintomas Cardíacos e Digestivos: Insuficiência Cardíaca 
 Insuficiência respiratória
 CardiomegaliaMegaesôfago
 Morte Súbita
 
 
Fase crônica: Cardiomegalia e aneurisma de ponta
Diagnóstico:
fase Crônica:Nessa fase, a parasitemia é baixa e intermitente, então o 
diagnóstico é predominantemente sorológico.
fase aguda: exame clínico, sorológico, eletrocardiograma e raio X, (Sinal de Romaña)
Diagnóstico:
MÉTODOS PARASITOLÓGICOS (DIRETOS OU INDIRETOS)
 Ainda utilizados (com restrições)
• Hemocultura
- Pode ser usada em pesquisa ou casos especiais
 Baixa sensibilidade e demora (semanas)
• Xenodiagnóstico
- Ainda existe em centros de pesquisa
 Pouco usado na prática clínica
Em desuso (ou praticamente abandonado)
 Reação de Machado-Guerreiro
Método histórico (fixação de complemento)
Baixa sensibilidade e especificidade
Não é mais recomendada atualmente
MÉTODOS SOROLÓGICOS (PADRÃO ATUAL)
 padrão-ouro na fase crônica
Principais exames utilizados hoje:
• ELISA
• Imunofluorescência indireta (IFI)
• Hemaglutinação indireta (HAI)
ATENÇÂO: Conduta atual recomendada:
 Realizar pelo menos 2 testes sorológicos com princípios diferentes
 Se houver discordância → fazer um terceiro teste confirmatório
Esses testes detectam a resposta imune (anticorpos IgG) contra o Trypanosoma cruzi
MÉTODOS MOLECULARES
 • PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)
 Detecta o DNA do parasito
 Alta sensibilidade
OBS: Limitação:
Não é padrão isolado para fase crônica (parasitemia muito baixa)
Método Situação Atual Uso
Machado-Guerreiro Em desuso Histórico
Xenodiagnóstico Raro Pesquisa
Hemocultura Limitado Casos especiais
ELISA Principal Rotina
IFI Principal Rotina
HAI Complementar Rotina
PCR Crescente Casos específicos
OBS: * A OMS PRECONIZA O USO DE PELO MENOS DOIS TESTES DE 
DIFERENTES METODOLOGIAS PARA DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA 
DOENÇA DE CHAGAS.
Interpretação: Diagnóstico de infecção por Trypanosoma cruzi, para se verificar se um 
indivíduo foi infectado, Até o presente momento, não existe um teste que seja 
altamente específico e sensível para confirmar o diagnóstico. Por esta razão, mais de 
um teste é recomendável e valoriza-se, para fins diagnósticos, quando a pesquisa de 
anticorpos específicos é positiva em todos os testes utilizados. Quando a reação é 
positiva somente em um dos métodos, a valorização do resultado dependerá dos 
antecedentes epidemiológicos, exame físico e exames complementares como 
eletrocardiograma e RX.
ATENÇÂO: Em regiões endêmicas de leishmaniose, o resultado tem que ser 
avaliado com cuidado, pois há ocorrência de reações cruzadas entre antígenos 
dos dois parasitas.
Diagnóstico:
Exemplo de Xenodiagnóstico
Tratamento: 
Os fármacos hoje disponíveis, são eficazes, apenas na fase inicial da enfermidade, daí a 
importância da descoberta precoce da doença. 
Primeira escolha:
-BENZIDAZOL Derivado imidazólico denominado (ROCHAGAN) 
ou
-NIFURTIMOX (LAMPIT)
- Vacinação! ?
Dificuldades no desenvolvimento da vacina
•Falta de financiamento;
•Desinteresse dos laboratórios/ indústria farmacêutica;
•Complexidade do parasita.
Tratamento
Benzonidazole (“Rochagan“)
- em uso para tratamento nas fases aguda e crônica
 5-6 mg/kg peso corporal (30-60 dias)
- eficiência: fase aguda:>90% 
 fase crônica:>60% 
Desvantagens:
- efeitos colaterais 
- tratamento demorado
- controle de cura
- já existem cepas de laboratório que são resistentes
contra Benzonidazol
- Medidas de controle ao "barbeiro", 
- Inquéritos sorológicos ,
- Entomológicos 
- Desinsetização
Profilaxia
- Atividades de educação em saúde;
- Melhorar habitação: através de reboco e tamponamento de rachaduras e frestas; 
- Usar telagem em portas e janelas; 
- Impedir a permanência de animais no interior da casa; 
- Evitar entulhos no interior e arredores da casa; 
Profilaxia
- construir galinheiro, paiol, tulha, chiqueiro , depósito afastados das casas e 
mantê-los limpos; 
- Retirar ninhos de pássaros dos beirais das casas; 
- Manter limpeza periódica nas casas e em seus arredores; 
- Encaminhar os insetos suspeitos de serem "barbeiros", 
para o serviço de saúde do SUS/Secretarias de Saúde 
e Universidades para a identificação do vetor
Profilaxia
1- RASTREAMENTO NO PRÉ-NATAL. Quais as Orientações ?
Nota Técnica Nº 12/2024 - SES/SVS/DIVEP/GVDT.
“Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Chagas” 
Guia de vigilância em saúde: volume 2 (6ª edição - revisada).
2- Mulheres em idade fértil diagnosticadas com a Doença de Chagas devem ser informadas 
sobre a possibilidade de transmissão vertical durante a gravidez?
Responda as perguntas abaixo:
3- TRATAMENTO DAS GESTANTES E/OU MULHER EM IDADE FÉRTIL COM DCC (Doença de 
Chagas Crônica) DEVE SER FEITO? 
4- Após o nascimento do bebê? Como proceder?
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/SEI_GDF+-+149126886+-+Nota+T%C3%A9cnica+n%C2%BA+12-2024++-+SES-SVS-DIVEP-GVDT_VE+da+doen%C3%A7a+de+Chagas+em+MIF+%2810+a+49+anos%29+e+gestantes.pdf/1cb14781-e8aa-7cde-50d9-715eb2278eef?t=1729701780677
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/SEI_GDF+-+149126886+-+Nota+T%C3%A9cnica+n%C2%BA+12-2024++-+SES-SVS-DIVEP-GVDT_VE+da+doen%C3%A7a+de+Chagas+em+MIF+%2810+a+49+anos%29+e+gestantes.pdf/1cb14781-e8aa-7cde-50d9-715eb2278eef?t=1729701780677
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/SEI_GDF+-+149126886+-+Nota+T%C3%A9cnica+n%C2%BA+12-2024++-+SES-SVS-DIVEP-GVDT_VE+da+doen%C3%A7a+de+Chagas+em+MIF+%2810+a+49+anos%29+e+gestantes.pdf/1cb14781-e8aa-7cde-50d9-715eb2278eef?t=1729701780677
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/Protocolo+Cl%C3%ADnico+e+Diretrizes+Terap%C3%AAuticas+para+Doen%C3%A7a+de+Chagas+_+Relat%C3%B3rio+de+Recomenda%C3%A7%C3%A3o.pdf/9e20c40b-b237-af33-9c7d-b709a3c10bbc?t=1729702264536
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/Guia+de+vigil%C3%A2ncia+em+sa%C3%BAde+-+vol.+2+%283%29.pdf/1abe7137-65f8-1d6f-a86b-bcef874088e1?t=1729702363528
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/Guia+de+vigil%C3%A2ncia+em+sa%C3%BAde+-+vol.+2+%283%29.pdf/1abe7137-65f8-1d6f-a86b-bcef874088e1?t=1729702363528
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/Guia+de+vigil%C3%A2ncia+em+sa%C3%BAde+-+vol.+2+%283%29.pdf/1abe7137-65f8-1d6f-a86b-bcef874088e1?t=1729702363528
OBRIGADO!
Email: claudio.fernandes@afya.com.br
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