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1 O CLASSICISMO 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici- pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra- vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário 1. INTRODUÇÃO .....................................................................................4 1.1 A literatura produzida no renascimento: o classicismo ............7 2. CLASSICISMO EM PORTUGAL .......................................................10 3. LITERATURA CLASSICISTA ............................................................12 4. PERÍODO CLÁSSICO (MÚSICA) ......................................................20 5. A MÚSICA DO CLASSICISMO (1750-1820) – FREDERICO TOSCANO 6. UMA SÍNTESE DO CLASSICISMO E SEUS PRINCIPAIS COMPOSITORES .................................................................................32 7. REFERÊNCIAS .................................................................................35 4 1. INTRODUÇÃO O Classicismo foi um movimento cultural que fez parte do Renascimento europeu, durante os séculos XV e XVI. Como o próprio nome aponta, a proposta do Classicismo era um retorno às formas e temas da Antiguidade Clássica, ou seja, Grécia e Roma antigas. Tudo isso foi possível graças ao Renascimento, movimento científico e cultural que tomou conta da Europa no século XV. Esqui- vando-se da censura ideológica da Igreja, pensadores e cientistas elabora- ram novas teorias e invenções: Nicolau Copérnico propõe o modelo heliocên- trico do Universo, Galileu Galilei descobre as leis que regem a queda dos cor- pos, Johann Gutemberg inventa os tipos móveis para imprimir os livros, tarefa antes delegada aos monges copistas. O horizonte cultural do Renascimento era a Antiguidade Clássica. A Grécia Antiga é considerada o berço do pensamento ocidental (tendo influenciado dire- tamente a cultura dos romanos), por isso o retorno às formas clássicas foi o pro- pósito estético dos renascentistas. O Classicismo tem sua gênese na Itália, ao final do século XIII, com o surgimento do pensamento humanista. A Europa saía da idade das trevas, como ficou conhecida a Idade Média, para encontrar-se com a luz, representada pelo conhecimento, que foi extremamente difundido no Renascimento, principalmente após a invenção da imprensa, que possibili- tou a divulgação dos autores gregos e latinos. Esse período foi marcado pelas grandes navegações, o desenvolvimento da matemática, o estudo das línguas e o surgimento das primeiras gramáticas, com isso, o homem passou a achar-se poderoso, o centro do universo, origi- nando, assim, o antropocentrismo (homem em evidência), em substituição ao teocentrismo (Deus em evidência) da Idade Média. A Igreja Católica, antes absoluta, começou a perder espaço, o que aconteceu especialmente após a Reforma Protestante. A crise religiosa afetou a visão do homem, que não se desligou totalmente da religião, mas passou a enxergá-la de forma diferente, com mais equilíbrio. A história e a literatura caminham sempre muito juntas, por isso, as modificações ocorridas na sociedade foram transmitidas na Lite- ratura. https://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/renascimento.htm https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-antiguidade.htm https://brasilescola.uol.com.br/geografia/geocentrismo-heliocentrismo.htm https://brasilescola.uol.com.br/geografia/geocentrismo-heliocentrismo.htm https://brasilescola.uol.com.br/biografia/galileu-galilei.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiag/invencao-imprensa.htm https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-grecia-antiga.htm https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-grecia-antiga.htm 5 Em Portugal, o Classicismo foi iniciado em 1527, com o poeta Francisco de Sá Miranda. Este, após viver um período na Itália, veio com grandes ideias de renovação literária, apresentando o soneto (14 versos com 10 sílabas, dis- tribuídos em duas estrofes com quatro versos e duas estrofes com três ver- sos), construção poética ainda desconhecida. Além de Sá de Miranda, também foram destaques do Classicismo português Bernardim Ribeiro e Antonio Fer- reira. Entretanto, o nome mais célebre desse período foi, sem dúvida, Ca- mões. Camões publicou, em 1527, o famoso poema épico “Os Lusíadas”, que narra os grandes feitos do povo português. Sua obra lírica também é destaque, sendo o soneto o ápice da lírica camoniana. O classicismo português findou no ano de 1580 com a passagem de Portugal para domínio espanhol e com a morte de seu célebre representante Camões. Inserido entre o fim da Idade Média e início da Idade Moderna, o Classi- cismo chegou em um momento de transição de poderes e ideologias. Após um longo período de forte influência sobre governos e seus povos, a Igreja Católica começou a perder espaço. Ademais, o contato com povos do oriente resultou em novas descobertas para os europeus. Além de seu desenvolvimento mate- mático, os povos da Ásia e África partilharam técnicas e tecnologias inéditas de navegação que permitiram o avanço marítimo que impulsionou as grandes na- vegações. Todavia, isso só foi possível devido ao Renascimento. O movimento cultural que se expandiu pela Europa nesse período aproveitou o enfraqueci- mento da Igreja para exercer a incentivar a liberdade de pensamento. Assim, pensadores e cientistas floresceram ideias que originaram imprescindíveis teo- rias e invenções. Enquanto Nicolau Copérnico sugeriu o modelo heliocêntrico de uni- verso, Galileu Galilei avançava em estudos da física. Além disso, o conheci- mento deu um grande passo rumo à democratização graças à invenção da prensa móvel de Johannes Gutenberg que passou a imprimir livros e torná-los acessíveis. Dessa forma, o teocentrismo deu lugar ao humanismo e o modelo estético de valorização do homem adotado pela Grécia Antiga foi adotado pelo Renascentismo. Ao passo que diversas transformações e descobertas marca- ram esse período, algumas tiveram maior impacto, como: https://conhecimentocientifico.r7.com/idade-media/ https://conhecimentocientifico.r7.com/idade-moderna/ https://conhecimentocientifico.r7.com/como-as-grandes-navegacoes-mudaram-o-mapa-do-mundo/ https://conhecimentocientifico.r7.com/como-as-grandes-navegacoes-mudaram-o-mapa-do-mundo/ https://conhecimentocientifico.r7.com/caracteristicas-do-renascimento/ https://conhecimentocientifico.r7.com/nicolau-copernico-biografia/ https://conhecimentocientifico.r7.com/galileu-galilei-2/ https://conhecimentocientifico.r7.com/grecia-antiga/ 6 Transformações mais marcantes do período Renascentista Grandes navegações; Reforma Protestante; A invenção da imprensa por Gutenberg; O fim do sistema feudal e início do capitalismo; O cientificismo de Copérnico e Galileu.Diante desse contexto, a arte, que atua como um reflexo e registro social, não ficou de fora. Então, as características do Classicismo foram adotadas pelos diversos desdobramentos da mesma, incluindo a literatura. As grandes navega- ções fazem com que o homem do início do século XVI se sinta orgulhoso e con- fiante em sua capacidade criativa e em sua força: desafiar os mares, percorrer os oceanos, descobrir novos mundos, produzir saberes, desenvolver as ciências e transformá-las em tecnologia, tudo isso resulta no surgimento de um Homem muito diferente daquele existente na idade média e esse homem volta a ser o centro da sua própria vida (antropocentrismo). O que esse homem faz de melhor é em prol de si mesmo e isso se reflete também na arte e na literatura que ele produz nessa época. Esse caráter humanista ou antropocêntrico estava esque- cido nas “trevas” da idade média, mas já havia existido na antiguidade (na civili- zação grega, por exemplo) e é porque, no início do século XVI, ocorre o ressur- gimento ou renascimento do Antropocentrismo, que esse período da história é chamado de renascimento. O renascimento é o momento histórico em que o homem produz grande quantidade e qualidade de obras artísticas e literárias; elas perdem o primiti- vismo e a ingenuidade de obras medievais e ganham um aprimoramento técnico que supera até as obras da antiguidade: as cores se multiplicam, surge à noção de perspectiva, as formas humanas são concebidas de maneira mais nítida, no caso da arte. O “berço” do renascimento é a Itália. O tema predominante nas obras artísticas e literárias do renascimento é sempre o homem e tudo que diz respeito a ele. 7 1.1 A literatura produzida no renascimento: o classicismo À volta do mesmo espírito antropocêntrico da antiguidade faz com que o homem renascentista busque inspiração nos modelos artísticos e literários – nas obras – das antigas civilizações, principalmente nas da Grécia antiga. Assim, as características das obras da antiguidade são trazidas de volta e são também chamada de idade clássica e as obras produzidas naquela época são igualmente chamadas de clássicas. Como a obra renascentista possui as mesmas caracte- rísticas da obra da antiguidade, também ela é chamada de clássica e esse perí- odo artístico e literário, de classicismo. Características do classicismo renascentista: Antropocentrismo Presença de elementos da mitologia Presença de elementos do cristianismo Preciosismo vocabular Obediência à versificação Figuras (em especial de personificação) Racionalismo (=objetividade) Universalismo (=generalização) Características do classicismo: 1- Imitação dos autores clássicos gregos e romanos da antiguidade: Homero, Virgílio, Ovídio, etc... 2- Uso da mitologia: Os deuses e as musas, inspiradoras dos clássicos gregos e latinos a parecem também nos clássicos renascentistas: Os Lusíadas: (Vênus) = a deusa do amor; Marte (o deus da guerra), protegem os portugueses em suas conquistas marítimas. 3- Predomínio da razão sobre os sentimentos: A linguagem clássica não é sub- jetiva nem impregnada de sentimentalismos e de figuras, porque procura coar, 8 através da razão, todas os dados fornecidos pela natureza e, desta forma ex- pressou verdades universais. 4- Uso de uma linguagem sóbria, simples, sem excesso de figuras literárias. 5- Idealismo: O classicismo aborda os homens ideais, libertos de suas necessi- dades diárias, comuns. Os personagens centrais das epopeias (grandes poemas sobre grandes feitos e heroicos) nos são apresentados como seres superiores, verdadeiros semideuses, sem defeitos. Ex.: Vasco da Gama em os Lusíadas: é um ser dotado de virtudes extraordinárias, incapaz de cometer qualquer erro. 6- Amor Platônico: Os poetas clássicos revivem a ideia de Platão de que o amor deve ser sublime, elevado, espiritual, puro, não-físico. 7- Busca da universalidade e impessoalidade: A obra clássica torna-se a expres- são de verdades universais, eternas e despreza o particular, o individual, aquilo que é relativo. Para o artista clássico renascentista, a perfeição estética havia existido na Antiguidade e, portanto, os artistas greco-romanos deveriam ser tomados como modelos de perfeição estética. Não seria possível superá-los, mas seria possível imitá-los. A imitação na arte recebe o nome de mimésis. A arte mimética é a arte da imitação fiel da natureza; pinta-se o corpo humano de acordo com a anatomia. A arte clássica não se preocupa com a originalidade. Mais do que imitação da natureza, a arte clássica imita modelos: devem-se imitar autores considerados perfeitos. A perfeição estética havia sido codificada pelos pensadores da Anti- guidade, como Platão e Aristóteles na Grécia. A arte para Platão resulta de ins- piração; para Aristóteles, resulta de um trabalho. Veja outras características: Razão: a cultura e a arte voltam-se para o homem e suas potencialidades, como o raciocínio, a análise e a crítica. Universalidade: a individualidade perde terreno para o aspecto universal, ou seja, os artistas passam a se preocupar com ideias relacionadas às verdades universais. 9 Objetividade: em decorrência da preocupação com temas universais, o subjetivismo é superado pelo objetivismo, chegando a posturas científicas com base na observação da realidade. Valores clássicos: tomados como exemplos de perfeição, esses valores tomam-se modelos para a criação artística, tanto em relação à forma (ri- gor, regularidade), quanto ao conteúdo (assuntos nobres, grandiosos). Valorização da inteligência: vista então como a principal qualidade do ho- mem, a inteligência deverá expandir-se para o conhecimento e para o dom artístico. Observação da natureza: os estudiosos, principalmente, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e do universo. Características gerais do classicismo Individualismo; Universalismo; Racionalismo; Antropocentrismo; Neoplatonismo; Nacionalismo; Paganismo; Predomínio da razão; Influência da cultura greco-romana; Fusionismo: mitologia pagã e cristã; Simplicidade, clareza e concisão; Equilíbrio, harmonia e senso de proporção (rigor e perfeição formal); Mimese (imitação da Natureza: Aristóteles); Soneto (2 quartetos e 2 tercetos); Versos com até dez sílabas métricas (estilo doce novo e medida nova); Rimas consoantes, por vezes e até ricas. Luís de Camões Características da poesia de Luís Vaz de Camões 10 1- Poesia elaborada sobre uma experiência pessoal múltipla. 2- Síntese entre a tradição literária portuguesa e as inovações introduzidas pelos italianos do "dolce stil nuevo": redondilhas > inovações formais (decassílabo) Mote glosado > inovações temáticas (amor platônico e seus paradoxos) A lira de Luís Vaz de Camões 1- Visão da natureza (idal clássico que se caracteriza pela harmonia, ordem e racionalidade (a natureza é um exemplo)). 2- Concepção do amor: (Platonismo: O verdadeiro amor, amor puro, está no mundo das ideias). 3- O desconcerto do mundo (a razão desvenda o mundo sem sentido e sofre). 2. CLASSICISMO EM PORTUGAL Em Portugal, o Classicismo tem início no ano de 1527, quando o poeta e intelectual Sá de Miranda retorna da Itália trazendo a Portugal as novas ideias e tendências literárias, como o uso do verso decassílabo, que ficará conhecido como “medida nova”, em oposição à métrica anterior, e o verso redondilho, que passará a ser conhecido com o nome de “medida velha”. O momento histórico (centralização do poder, expansão marítima) se mostra ideal para a aceitação dos valores renascentistas, uma vez que a emergente prosperidade econômica transforma Lisboa em centro comercial de grande importância, fazendo crer aos 11 lusitanos que o país atingira uma inalterável grandeza material.A atividade lite- rária reflete essa atmosfera de exaltação épica e independência econômica, em obras que apresentam Portugal como grande nação vitoriosa. Foi no reinado de D. Manuel, o Venturoso, e no reinado de D. João III que o Renascimento floresceu em Portugal. Dentro e fora do país, as atividades in- telectuais e culturais foram estimuladas, sendo introduzidos os estudos huma- nistas na universidade. Datam dessa época as primeiras gramáticas da língua portuguesa. O principal poeta desse período foi Luís Vaz de Camões. O marco inicial do Classicismo português é em 1527, quando se dá o retorno do escritor Sá de Miranda de uma viagem feita à Itália, de onde trouxe as ideias de renova- ção literária e as novas formas de composição poética, como o soneto. O período encerra em 1580, ano da morte de Luís Vaz de Camões e do domínio espanhol sobre Portugal. Características do Classicismo Imitação dos gregos e latinos: Ao redescobrirem os valores do ser humano, abafados pela Igreja durante a Idade Média, os artistas deste período voltam-se para a Antiguidade. O próprio nome desse estilo de época – Classicismo – tem sua origem no aprofundamento dos textos literários e filosóficos estudados nas escolas. Na Idade Média, esses textos eram reproduzidos nos conventos e di- fundidos entre os estudiosos, mas passavam por uma censura religiosa, que só mantinha os aspectos que não feriam a moral cristã. Com o Renascimento, houve um retorno a esses textos, mas em sua versão original, completa. Foi da Arte Poética de Aristóteles que os artistas do Classicismo retiraram o conceito de imitação ou mímesis. Segundo Aristóteles, a poesia devia imitar a perfeição da natureza ou da sociedade ideal, além de retomar ideias de outros poetas, reconhecidamente importantes por sua obra. Não se trata de copiar ou- tros autores, e sim de assemelhar-se à sua obra. Petrarca comparava está se- melhança à que existe entre pai e filho: é inegável que se pareçam, mas o filho tem suas características próprias, que o individualizam. O mesmo aconteceria à https://www.coladaweb.com/biografias/luis-de-camoes 12 obra literária: seria semelhante à de Virgílio, Horácio e outros autores da Antigui- dade, usando o que eles tivessem de melhor, mas conservando seus traços pró- prios. O universalismo: Para os clássicos, a obra de arte prende-se a uma rea- lidade idealizada; uma concepção artística transcendente, baseada no Bem, no Belo, no Verdadeiro – valores passíveis de imitação. A função do artista é a de criar a realidade circundante naquilo que ela tem de universal. O racionalismo: Os autores clássicos submetem suas emoções ao con- trole da razão. Ao abandonar o teocentrismo, o homem deste período afasta os temores da Idade Média e passa a crer em suas potencialidades, incluindo nelas a habilidade de raciocinar. A cultura clássica é uma cultura da racionalidade. A perfeição formal: Preocupados com o equilíbrio e a harmonia de seus textos, os autores clássicos adotam a chamada medida nova para os poemas: versos decassílabos e uso frequente de sonetos (anteriormente, usava-se me- dida velha: redondilhas). Elitismo Os clássicos evitam a vulgaridade. O Classicismo tende à realiza- ção de uma arte de elite, o que reflete a organização social da época (a aristo- cracia era a classe dominante). A concepção clássica foi introduzida em Portugal por Sá de Miranda, ao regressar da Itália, onde conheceu novos conceitos de arte e novas formas poéticas. Uso da mitologia Voltados para os valores da An- tiguidade, os autores clássicos utilizam-se, com frequência, de cenas mitológi- cas, as quais simbolizam com propriedade as emoções que o autor quer exteri- orizar. Assim, a imagem do Cupido, por exemplo, simboliza o amor. 3. LITERATURA CLASSICISTA O classicismo espalhou-se rapidamente pela Europa, com a criação da im- prensa as informações eram divulgadas com maior rapidez. O classicismo ocor- reu dentro de um grandioso momento histórico social, o Renascimento, como o próprio nome sugere, o Renascimento foi um período de renovação, momento de grandes transformações culturais, políticas e econômicas. A Europa saía da 13 idade das trevas (visão depreciativa da idade média) como ficou conhecida a Idade Média, para encontrar-se com a luz, representada pelo conhecimento, que foi extremamente difundido no Renascimento, principalmente após a invenção da imprensa, que possibilitou a divulgação dos autores gregos e latinos. Esse período foi marcado pelas grandes navegações, o desenvolvimento da matemá- tica, o estudo das línguas e o surgimento das primeiras gramáticas, com isso, o homem passou a achar-se poderoso, o centro do universo, originando, assim, ao (homem em evidência), em substituição ao teocentrismo, (Deus em evidên- cia) da Idade Média. IMPOR- TANTE: O Classicismo é uma tendência artística que revitalizou a tradição clás- sica de afirmar a superioridade humana. Antropocentrismo, equilíbrio das composições, harmonia das formas e a idealização da realidade. Promoveu uma transformação radical no modelo me- dieval, valorizando o esforço individual e as conquistas humanas, buscando a felicidade terrena. A Igreja Católica, antes absoluta, começou a perder espaço, o que aconteceu especialmente após a reforma protestante. A crise religiosa afetou a visão do homem, que não se desligou totalmente da religião, mas pas- sou a enxergá-la de forma diferente, com mais equilíbrio. É uma literatura antiga que sofreu várias influências principalmente greco-latinas, devido à criação das 14 primeiras universidades que surgiram nesta época, com isto disseminando ou- tras culturas. Surgimento dos mecenas, que é uma troca de interesses entre burgueses e artistas. Classicismo literário Os escritores classicistas retomaram a ideia de que a arte deve fundamen- tar-se na razão, que controla a expressão das emoções. Por isso, buscavam o equilíbrio entre os sentimentos e a razão, procurando assim alcançar uma repre- sentação universal da realidade, desprezando o que fosse puramente ocasional ou particular. Os versos deixam de ser escritos em redondilhas (cinco ou sete sílabas poéticas) – que passa a ser chamada medida velha – e passam a ser escritos em decassílabos (dez sílabas poéticas) – que recebeu a denominação de medida nova. Introduz-se o soneto, 14 versos decassilábicos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos. Que tem como exemplo uns dos nossos grandes poetas Luís de Camões. CLASSICISMO E O PÙBLICO: Burguesia em ascensão, cultura para os filhos dos ricos comerciantes pois precisam de qualificação social, já que não tem sangue nobre. Características do classicismo: Criação e imitação (retomaram os princípios de Aristóteles). Razão: tentativas de explicar os sentimentos e as emoções huma- nas. Resgate da poesia clássica: temas amorosos, ou seja, amor puro de abso- luta devoção a mulher amada, dona de uma beleza perfeita OU bucólica, em que a natureza é caracterizada como espaço em que a harmonia a simplicidade e o equilíbrio são expressão da natureza. IMPORTANTÌSSIMO: uso de paradoxo, ou seja, uma associação de ideias contraditórias, ex: ´´viva a morte´ ´usado na tentativa de conciliar razão e senti- mento. Uso de antítese: expressa modos diferentes e opostos de caracterizar um mesmo elemento, ex: ´´ coisa boa `` e coisa má (referindo-se do amor). Pers- pectiva humanista, ou seja, compreender a mecânica dos movimentos, repre- sentar o corpo humana de modo harmônico, proporção entre as partes do corpo, beleza, e simetria. EX: escultura do corpo de DAVI, REPRESENTA A BELEZA 15 DA PERFEIÇÃO HUMANA, de Michelangelo-expressividade no olhar, represen- tação minuciosa de músculos e veias, proporção entre os membros. Tendência a UNIVERSALIDADE: em lugar de esperar que o conhecimento do mundo lhe seja dado por revelaçãodivina, o novo indivíduo procura observar a natureza, documentar e analisar o que vê. LINGUAGENS E FORMAS: Predomínio de sonetos versos de 10 sílabas métricas -decassílabas-chamadas de medidas nova substituindo a preferência medieval e humanista de 5 a 7 sílabas métricas(REDONDILHAS) chamadas de medida velha. Uso de antíteses e paradoxos. Influência greco-latina. Mitologia greco-romana, aborda temas com lendas e mitos clássicos, sereias, monstros, reis, reis. Ex: O Triunfo de Galateia de Rafael Sanzio. Literatura portuguesa classicista Em 1527, quando Francisco Sá de Miranda (Ele marca o momento inicial do classicismo em Portugal) retornava a Portugal (educado com uma mentali- dade medieva, l), vindo da Itália, trazendo o doce estilo novo (soneto + medida nova). Clóvis Monteiro assinala que o classicismo em Portugal durou três sécu- los de atividades literárias: iniciado em 1527 e encerrado em 1825, quando da publicação do poema Camões, de Almeida Garrett. Esse longo tempo pode ser dividido em três períodos: o primeiro, encerrado em 1580, quando a literatura do país recebeu influências da Itália e da França; o período Cultista, até 1756, data da fundação da Arcádia Lusitana, influenciado por Petrarca e com influência de Gôngora e Quevedo, na Espanha, e Marini, na Itália; e o último período, encer- rado com o advento do romantismo no país. No Brasil Colônia, o classicismo português do período cultista também influenciou a literatura, como por exemplo na obra Prosopopéia de Bento Teixeira, que imitava os versos de Camões, até meados do século XVIII, quando surgiria uma literatura nacional ou brasileira. Características gerais Imitação dos autores clássicos gregos e romanos da antiguidade Uso da mitologia dos deuses e o uso de musas como inspiração Racionalismo: Predomínio da razão sobre os sentimentos 16 Universalismo: Abordagem de temas universais como, por exemplo, os senti- mento humanos. Antropocentrismo: o homem como o centro do Universo Perfeição formal (rigor em busca da pureza formal) Busca do equilíbrio entre razão e sentimento. Influência do pensamento humanista Autores Portugal Luís Vaz de Camões, Poesia Camoniana Fernão Mendes Pinto Bernardim Ribeiro Antônio Ferreira Francisco Sá de Miranda Gil Vicente Surgimentos literários durante o Classicismo Épico: gênero de construção de uma narrativa nacional, seguindo o modelo greco-romano. Através desse gênero grandes feitos e conquistas eram conta- dos, além de destacar o homem como o herói das histórias. Sátira: nesse gênero há uma ridicularização dos ideais e costumes medievais (clero e nobreza). Grandes escritores da época Dante Alighieri Principal obra: A Divina Comédia Resumo da obra: guiado pelo poeta romano Virgílio e em busca de sua amada Beatriz, Dante viaja entre o inferno, o purgatório e o paraíso. Geralmente dividido em três livros, o primeiro (Inferno) é o mais lembrado. Para Dante, o inferno é 17 divido em nove círculos que se constroem dentro da Terra. Até mesmo o clero (papa) pode ser vistos pagando pelos seus pecados. Francesco Petrarca Principal obra: O Cancioneiro Resumo da obra: poeta da língua “vulgar” (variação do latim semelhante ao italiano moderno), Petrarca é lembrado por descrições realistas sobre o amor e a sociedade italiana da época, criticando o Trovadorismo medieval e a nação de amor cortês. Giovanni Bocaccio Principal obra: Decamerão Resumo da obra: é uma coleção de cem novelas, com aspectos realistas. A temática se dá através dos efeitos da peste negra na Europa. Observador de costumes, ele se atentava para as reações diante do flagelo ou o hedonismo desenfreado, ou o ascetismo fanático. Nicolau Maquiavel Principal obra: O Príncipe Resumo da obra: obra filosófica que se apresenta como manual da arte da po- lítica moderna. Destinada ao príncipe Lourenço de Médici, ela tinha como obje- tivo esclarecer a postura política necessária ao governante para unificar e forta- lecer o Estado Italiano. O objetivo do livro, contudo, não se tornou realidade. Mas, a obra de Maquiavel inspirou a formação das monarquias absolutistas eu- ropeias. Thomas Morus Principal obra: A Utopia Resumo da obra: de caráter político e filosófico, analisa a pobreza e a miséria na Inglaterra do século XVI. Morus constrói a ideia de “utopia” (do grego “lugar https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/peste-negra 18 nenhum") que seria uma ilha flutuante vagando pelos mares. Nela, não haveria divisões sociais e o poder político seria descentralizado. William Shakespeare Principal obra: Hamlet Resumo sobre autor: as obras de Shakespeare eram dramatúrgicas em sua imensa maioria. Crítico das ambições políticas e questionador dos costumes so- ciais ingleses, ele utilizava de histórias reais e mitos como alegoria para suas reflexões e costumes. Erasmo de Roterdã Principal obra: Elogio à loucura Resumo: a obra de Erasmo foi escrita em 1509 e foi em homenagem ao amigo Thomas Morus. Livro de caráter filosófico, alterna entre o satírico e o sombrio acerca da religiosidade católica. As críticas de Erasmo sobre a Igreja Católica ressoaram posteriormente nas obras da Reforma Protestante. Luís de Camões Principal obra: Os Lusíadas Resumo da obra: a obra de Luís de Camões é um dos maiores épicos da lite- ratura europeia. Nela, dividida em dez contos, o autor narra a viagem de Vasco da Gama, contornando o Cabo de Boa Esperança e chegando até Goa, na Índia. Elementos mitológicos, bíblicos e um lusofoníssimo constante são algumas das características da obra. Ele faz uma exaltação dos portugueses como explora- dores dos mares. Michel de Montaigne Principal obra: Ensaios Resumo da obra: de caráter cético e crítico ao moralismo, a obra de Michel Montaigne é caracterizada por uma série de escritos sobre a ética e a moral https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/reforma-protestante 19 conforme exemplos comuns da época – como o canibalismo de índios brasilei- ros. Nos seus ensaios, o autor procurou fazer de relatos de viagem uma forma de contestar as posições dogmáticas e moralistas. Surgimento das artes plásticas durante o Classicismo Nas artes plásticas, mas especificamente na pintura e na escultura, houve uma grande diferença entre as artes do período medieval para a do período renas- centista. Entre essas mudanças estão: Luz e Sombra: preocupação com a luminosidade nos quadros, inclusive na re- ligiosidade. Perspectiva: as dimensões matemáticas eram testadas com novas relações de perspectiva. Cores Fortes: o uso de cores vibrantes quebrava a sobriedade da arte medie- val. Grandes artistas da época Michelangelo Nas suas obras enaltecia o humanismo e a perfeição das formas do corpo. Pin- tou uma série de afrescos de 1508 e 1541, no teto da Capela Sistina, entrando em uma forte polêmica com a Igreja. As esculturas englobam uma expressão corporal que garante o equilíbrio, revelando uma imagem humana de músculos levemente torneados e de proporções perfeitas, além das expressões das figu- ras que refletiam sentimentos. Mesmo contrariando a moral cristã da época, o nu volta a ser utilizado, refletindo o naturalismo como forma de valorizar o ho- mem como medida de todas as coisas. Rafael Sanzio Ficou conhecido por buscar sempre formas realistas ao retratar eventos da His- tória Antiga, ou mesmo da Bíblia. Encontrou problemas com a Igreja por retratar o homem em harmonia e fugindo dos conflitos medievais. Famoso por suas Ma- donas, série de quadro da Santíssima Virgem, diversos painéis nas paredes do https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/historia-antiga https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/historia/historia-antiga 20 Vaticano e várias cenas da História Sagrada, conhecidas como Bíblias de Ra- fael.Donatello A obra é marcada por vários valores simbólicos da cultura humanista que repre- senta os sentimentos e comportamentos humanos, aproveitando em sua arte a força expressiva do ser perante acontecimentos de seu tempo. Ele privilegiava, especialmente, as expressões do rosto. 4. PERÍODO CLÁSSICO (MÚSICA) O período clássico foi uma era da música clássica entre aproximadamente 1730 e 1820. O período clássico situa-se entre os períodos barroco e român- tico. A música clássica tem uma textura mais clara do que a música barroca e é menos complexa. É principalmente homofônico, usando uma linha melódica clara sobre um acompanhamento de acordes subordinados, mas o contraponto não foi de forma alguma esquecido, especialmente mais tarde no período. Tam- bém faz uso do estilo galant que enfatiza a elegância leve em lugar da seriedade digna e grandiosidade impressionante do barroco. A variedade e o contraste dentro de uma peça tornaram-se mais pronunciados do que antes e a orquestra aumentou em tamanho, alcance e poder. O cravo foi substituído como instrumento de teclado principal pelo piano. Ao contrário do cravo, que dedilha as cordas com penas, os pianos batem nas cordas com martelos revestidos de couro quando as teclas são pressionadas, o https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_barroca https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_do_romantismo https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_do_romantismo https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_cl%C3%A1ssica https://pt.wikipedia.org/wiki/Acompanhamento_(m%C3%BAsica) https://pt.wikipedia.org/wiki/Cravo_(instrumento_musical) https://pt.wikipedia.org/wiki/Piano 21 que permite ao músico tocar mais alto ou mais suave (daí o nome original "for- tepiano"; em contraste, a força com que um executante toca as teclas do cravo não altera o som. A música instrumental foi considerada importante pelos com- positores do período clássico. Os principais tipos de música instrumental fo- ram sonata, trio, quarteto de cordas, quinteto, sinfonia (executado por uma or- questra) e o concerto solo, que apresentava um músico virtuoso tocando uma obra solo para violino, piano, flauta ou outro instrumento, acompanhado por uma orquestra. A música vocal, como canções para um cantor e piano (nomeada- mente a obra de Schubert), obras corais e ópera (uma obra dramática encenada para cantores e orquestra) também foram importantes durante este período. Os compositores mais conhecidos desse período são Joseph Haydn, Wolf- gang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven e Franz Schubert; outros nomes notáveis incluem Carl Philipp Emanuel Bach, Johann Christian Bach, Luigi Boc- cherini, Domenico Cimarosa, Muzio Clementi, Christoph Willibald Gluck, André Grétry, Pierre-Alexandre Monsigny, Leopold Mozart, Giovanni Paisiello, Fran- çois-André Danican Philidor, Niccolò Piccinni, Antônio Salieri, Mauro Giuli- ani, Christian Cannabich e o Chevalier de Saint-Georges. Beethoven é conside- rado um compositor romântico ou um compositor do período clássico que fez parte da transição para a era romântica. Schubert também é uma figura de tran- sição, assim como Johann Nepomuk Hummel, Luigi Cherubini, Gaspare Spon- tini, Gioachino Rossini, Carl Maria von Weber, Jan Ladislav Dussek e Niccolò Paganini. O período é às vezes referido como a era do Classicismo vie- nense (em alemão: Wiener Klassik), já que Gluck, Haydn, Salieri, Mozart, Beethoven e Schubert trabalharam em Viena. Classicismo Em meados do século XVII, a Europa começou a se mover em direção a um novo estilo de arquitetura, literatura e artes, geralmente conhecido como Classicismo. Este estilo procurou emular os ideais da Antiguidade Clássica, es- pecialmente os da Grécia Clássica. A música clássica usava formalidade e ên- fase na ordem e hierarquia, e um estilo "mais claro" e "mais limpo" que usava divisões mais claras entre as partes (notavelmente uma melodia única e clara https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_instrumental https://pt.wikipedia.org/wiki/Sonata https://pt.wikipedia.org/wiki/Quarteto_de_cordas https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinfonia https://pt.wikipedia.org/wiki/Orquestra https://pt.wikipedia.org/wiki/Orquestra https://pt.wikipedia.org/wiki/Violino https://pt.wikipedia.org/wiki/Piano https://pt.wikipedia.org/wiki/Flauta https://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Schubert https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Haydn https://pt.wikipedia.org/wiki/Wolfgang_Amadeus_Mozart https://pt.wikipedia.org/wiki/Wolfgang_Amadeus_Mozart https://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_van_Beethoven https://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Schubert https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Philipp_Emanuel_Bach https://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Christian_Bach https://pt.wikipedia.org/wiki/Luigi_Boccherini https://pt.wikipedia.org/wiki/Luigi_Boccherini https://pt.wikipedia.org/wiki/Domenico_Cimarosa https://pt.wikipedia.org/wiki/Muzio_Clementi https://pt.wikipedia.org/wiki/Christoph_Willibald_Gluck https://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Gr%C3%A9try https://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Gr%C3%A9try https://pt.wikipedia.org/wiki/Leopold_Mozart https://pt.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Paisiello https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois-Andr%C3%A9_Danican_Philidor https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois-Andr%C3%A9_Danican_Philidor https://pt.wikipedia.org/wiki/Niccol%C3%B2_Piccinni https://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Salieri https://pt.wikipedia.org/wiki/Mauro_Giuliani https://pt.wikipedia.org/wiki/Mauro_Giuliani https://pt.wikipedia.org/wiki/Christian_Cannabich https://pt.wikipedia.org/wiki/Chevalier_de_Saint-George https://pt.wikipedia.org/wiki/Johann_Nepomuk_Hummel https://pt.wikipedia.org/wiki/Luigi_Cherubini https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaspare_Spontini https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaspare_Spontini https://pt.wikipedia.org/wiki/Gioachino_Rossini https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Maria_von_Weber https://pt.wikipedia.org/wiki/Niccol%C3%B2_Paganini https://pt.wikipedia.org/wiki/Niccol%C3%B2_Paganini https://pt.wikipedia.org/wiki/Viena 22 acompanhada por acordes), contrastes mais brilhantes e "cores de tons" (alcan- çado pelo uso de mudanças e modulações dinâmicas para mais chaves). Em contraste com a música rica em camadas da era barroca, a música clássica mo- veu-se para a simplicidade ao invés da complexidade. Além disso, o tamanho típico das orquestras começou a aumentar, dando às orquestras um som mais poderoso. O notável desenvolvimento de ideias na " filosofia natural " já havia se es- tabelecido na consciência pública. Em particular, a física de Newton foi tomada como um paradigma: as estruturas deveriam ser bem fundamentadas em axio- mas e ser bem articuladas e ordenadas. Esse gosto pela clareza estrutural co- meçou a afetar a música, que se afastou da polifonia em camadas do período barroco para um estilo conhecido como homofonia, em que a melodia é tocada sobre uma harmonia subordinada. Este movimento significava que acordes tor- nou-se uma característica muito mais predominante da música, mesmo que in- terrompesse a suavidade melódica de uma única parte. Como resultado, a es- trutura tonal de uma peça musical tornou - se mais audível. O novo estilo também foi incentivado por mudanças na ordem econômica e na estrutura social. À medida que o século XVIII avançava, a nobreza se tornou a principal patrocinadora da música instrumental, enquanto o gosto do público preferia cada vez mais óperas cômicas engraçadas e leves. Isso levou a mudan- ças na forma como a música era executada, a mais importante das quais foi a mudança para grupos instrumentais padrão e a redução da importância do con- tínuo - a base rítmica e harmônica de uma peça musical, tipicamente tocada por um teclado (cravo ou órgão) e geralmente acompanhado por um grupo variado de instrumentos de baixo, incluindo violoncelo, contrabaixo, violão baixo eteorbo. Uma forma de rastrear o declínio do continuo e de seus acordes figurados é examinaro desaparecimento do termo obbligato, que significa uma parte instru- mental obrigatória em uma obra de música de câmara. Em composições barro- cas, instrumentos adicionais podem ser adicionados ao grupo contínuo de acordo com a preferência do grupo ou do líder; nas composições clássicas, todas as partes eram especificamente anotadas, embora nem sempre notadas, de modo que o termo "obbligato" tornou-se redundante. Em 1800, o basso continuo 23 estava praticamente extinto, exceto pelo uso ocasional de uma parte do continuo do órgão de tubos em uma missa religiosa no início do século XIX. As mudanças econômicas também tiveram o efeito de alterar o equilíbrio entre disponibilidade e qualidade dos músicos. Enquanto no barroco tardio, um grande compositor teria todos os recursos musicais de uma cidade para recorrer, as forças musicais disponíveis em uma cabana de caça aristocrática ou pequena corte eram menores e mais fixas em seu nível de habilidade. Isso foi um incentivo para ter partes mais simples para os músicos tocarem e, no caso de um grupo virtuoso residente, um incentivo para escrever partes idiomáticas espetaculares para certos instrumentos, como no caso da orquestra de Mannheim, ou partes de solo virtuoso para violinistas ou flautistas particularmente qualificados. Além disso, o apetite do público por um fornecimento contínuo de música nova herdou do barroco. Isso significava que as obras deveriam ser executadas com, no má- ximo, um ou dois ensaios. Mesmo depois de 1790, Mozart escreve sobre "o en- saio", com a implicação de que seus concertos teriam apenas um ensaio. Como havia uma ênfase maior em uma única linha melódica, havia maior ênfase na anotação dessa linha para a dinâmica e o fraseado. Isso contrasta com a era barroca, quando as melodias eram tipicamente escritas sem dinâmica, marcas de fraseado ou ornamentos, já que se supunha que o intérprete improvi- saria esses elementos na hora. Na era clássica, tornou-se mais comum os com- positores indicarem onde queriam que os executantes tocassem ornamentos, como trinados ou voltas. A simplificação da textura tornou esse detalhe instru- mental mais importante, e também tornou o uso de ritmos característicos, como fanfarras de abertura que chamam a atenção, o ritmo da marcha fúnebre ou o gênero minueto, mais importantes para estabelecer e unificar o tom de um único movimento. O período clássico também viu o desenvolvimento gradual da forma so- nata, um conjunto de princípios estruturais para a música que reconciliava a pre- ferência clássica pelo material melódico com o desenvolvimento harmônico, que poderia ser aplicado em todos os gêneros musicais. A sonata em si continuou a ser a principal forma de solo e música de câmara, enquanto mais tarde, no perí- odo clássico, o quarteto de cordas se tornou um gênero proeminente. A forma https://pt.wikipedia.org/wiki/Aristocr%C3%A1tica https://pt.wikipedia.org/wiki/Flautista https://pt.wikipedia.org/wiki/Wolfgang_Amadeus_Mozart https://pt.wikipedia.org/wiki/Minueto https://pt.wikipedia.org/wiki/Sonata https://pt.wikipedia.org/wiki/Sonata 24 sinfônica para orquestra foi criada neste período (isso é popularmente atribuído a Joseph Haydn). O concerto grosso (concerto para mais de um músico), forma muito popular no período barroco, começou a ser substituído pelo concerto solo, apresentando apenas um solista. Os compositores começaram a dar mais im- portância à habilidade do solista em mostrar habilidades virtuosas, com escalas rápidas e desafiadoras e corridas de arpejo. No entanto, alguns concerti grossi permaneceram, o mais famoso dos quais sendo a Sinfonia Concer- tante para Violino e Viola em Mi bemol maior de Mozart. Características principais No período clássico, o tema consiste em frases com figuras e ritmos meló- dicos contrastantes. Essas frases são relativamente breves, normalmente com quatro compassos de comprimento e podem ocasionalmente parecer esparsas ou concisas. A textura é principalmente homofônica, com uma melodia clara acima de um acompanhamento de acordes subordinado. Isso contrasta com a prática na música barroca, onde uma peça ou movimento normalmente teria ape- nas um tema musical, que seria então trabalhado em várias vozes de acordo com os princípios do contraponto, enquanto mantém um ritmo ou métrica con- sistente por toda parte. Como resultado, a música clássica tende a ter uma tex- tura mais clara e clara do que o barroco. O estilo clássico baseia-se no estilo galant, um estilo musical que enfatiza a elegância leve no lugar da seriedade digna e grandiosidade impressionante do barroco. Estruturalmente, a música clássica geralmente tem uma forma musical clara, com um contraste bem definido entre a tônica e a dominante, introduzida por cadências claras. Dinâmicas são usadas para destacar as características estruturais da peça. Em particular, a forma sonata e suas variantes foram desen- volvidas durante o período clássico inicial e eram frequentemente usadas. A abordagem clássica da estrutura contrasta novamente com o barroco, onde uma composição normalmente se moveria entre a tônica e a dominante e vice-versa, mas por meio de um progresso contínuo de mudanças de acordes e sem uma sensação de "chegada" à nova tonalidade. Embora o contraponto tenha sido menos enfatizado no período clássico, não foi de forma alguma esquecido, es- https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Haydn https://pt.wikipedia.org/wiki/Concerto_grosso https://pt.wikipedia.org/wiki/Solista https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinfonia_concertante https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinfonia_concertante https://pt.wikipedia.org/wiki/Viola https://pt.wikipedia.org/wiki/Mi_bemol_maior 25 pecialmente mais tarde no período, e os compositores ainda usavam o contra- ponto em obras "sérias" como sinfonias e quartetos de cordas, bem como em peças religiosas, como missas. O estilo musical clássico foi apoiado por desenvolvimentos técnicos em ins- trumentos. A adoção generalizada de temperamento igual tornou possível a es- trutura musical clássica, garantindo que as cadências em todas as tonalidades soassem semelhantes. O forte piano e depois o pianoforte substituíram o cravo, permitindo um contraste mais dinâmico e melodias mais sustentadas. Durante o período clássico, os instrumentos de teclado tornaram-se mais ricos, mais sono- ros e mais poderosos. A orquestra aumentou em tamanho e alcance e tornou-se mais padronizada. O papel de baixo contínuo de cravo ou órgão de tubos na orquestra caiu em desuso entre 1750 e 1775, deixando a seção de cordas os sopros se tornaram uma seção independente, consistindo de clarinetes, oboés, flautas e fagotes. Embora a música vocal, como a ópera cômica, fosse popular, grande im- portância foi dada à música instrumental. Os principais tipos de música instru- mental eram sonata, trio, quarteto de cordas, quinteto, sinfonia, concerto (geral- mente para um instrumento solo virtuoso acompanhado por orquestra) e peças leves como serenatas e divertimentos. A forma Sonata se desenvolveu e se tor- nou a forma mais importante. Foi usado para construir o primeiro movimento da maioria das obras de grande escala em sinfonias e quartetos de cordas. A forma de sonata também foi usada em outros movimentos e em peças únicas e inde- pendentes, como aberturas. Primeira escola vienense A Primeira Escola Vienense é um nome usado principalmente para se re- ferir a três compositores do período clássico na Viena do final do século XVIII: Haydn, Mozart e Beethoven. Franz Schubert é ocasionalmente adicio- nado à lista. Em países de língua alemã, o termo Wiener Klassik (lit. era / arte clássica vienense) é usado. Esse termo é frequentemente aplicado de forma mais ampla à era clássica na música como um todo, como um meio de distingui- https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Escola_de_Viena https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Haydnhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Wolfgang_Amadeus_Mozart https://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_van_Beethoven https://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Schubert 26 la de outros períodos que são coloquialmente referidos como clássicos, nomea- damente música barroca e romântica. O termo "Escola Vienense" foi usado pela primeira vez pelo musicólogo austríaco Raphael Georg Kiesewetter em 1834, embora ele contasse apenas com Haydn e Mozart como membros da escola. Outros escritores seguiram o exemplo e, por fim, Beethoven foi adicionado à lista. A designação "primeiro" é adicionada hoje para evitar confusão com a Se- gunda Escola Vienense. Embora, à parte Schubert, esses compositores certamente se conheces- sem (com Haydn e Mozart até mesmo sendo parceiros ocasionais de música de câmara), não há nenhum sentido em que eles estivessem engajados em um es- forço colaborativo no sentido de que alguém associaria a escolas do século XX como a Segunda Escola Vienense, ou Les Six. Nem há nenhum sentido signifi- cativo no qual um compositor foi "educado" por outro (da maneira que Berg e Webern foram ensinados por Schoenberg), embora seja verdade que Beetho- ven por um tempo recebeu lições de Haydn. As tentativas de estender a Primeira Escola Vienense para incluir figuras posteriores como Anton Bruckner, Johan- nes Brahms e Gustav Mahler são meramente jornalísticas e nunca encontradas na musicologia acadêmica. 5. A MÚSICA DO CLASSICISMO (1750-1820) – FREDERICO TOS- CANO Avançando na história da música após o Barroco (artigo anterior), chega a vez do período clássico. O termo “clássico” aqui se aplica ao período da música https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_barroca https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_rom%C3%A2ntica https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Escola_Vienense https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Escola_Vienense https://pt.wikipedia.org/wiki/Les_Six https://pt.wikipedia.org/wiki/Anton_Webern https://pt.wikipedia.org/wiki/Arnold_Sch%C3%B6nberg https://pt.wikipedia.org/wiki/Anton_Bruckner https://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Brahms https://pt.wikipedia.org/wiki/Johannes_Brahms https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustav_Mahler 27 ocidental entre a segunda metade do século XVIII e o início do século XIX. Nesse contexto, a música dita clássica está diretamente ligada aos ideais da antiga Grécia, quais sejam: a objetividade, o controle emocional, a clareza formal e o respeito pelos princípios estruturais no discurso musical. O Classicismo nasceu a partir de um movimento de ideias vindas do período da Renascença, que teve como princípio a exaltação da beleza antiga. Esse período foi, na verdade, a grande realização dos últimos compositores do Barroco: a criação de uma arte abstrata. As obras dos compositores que inauguraram o Classicismo, como Carl Philipp Emanuel Bach, Johann Quantz e Baldassare Galuppi, eram uma reação à complexidade da música barroca, com sua polifonia, contraponto e ornamentos intricados. Em vez disso, imaginaram um estilo em que uma melodia simples fosse acompanhada por progressões harmônicas. O movimento iluminista, com seu foco nos ideais humanos e racionais, teve grande influência nessa mudança de valores estéticos, assim como o interesse pela elegância sóbria da arte e arquitetura greco-romana, inspirado em parte pela descoberta das ruínas de Pompéia em 1748. Era uma época de grandes mudanças sociopolíticas, com os efeitos da Revolução Industrial. Surgia uma ampla classe média ávida por consumir arte. As aristocracias da Europa, vítimas das devastações das Guerras Napoleônicas, tinham menos recursos para sus- tentar músicos, e o velho sistema do mecenato começou a se desintegrar. Tra- dicionalmente, os músicos contratados pelas cortes aristocráticas eram conside- rados servos. Porém, com a difusão dos concertos públicos, passaram a receber dinheiro por suas apresentações, bem como a publicar suas composições, ga- rantindo renda extra. Haydn, por exemplo, era contratado pela nobre família hún- gara dos Esterházy, mas tinha licença para viajar. Mozart, que era músico do arcebispo de Salzburgo, não gozou dessas benesses e, desmotivado com sua posição servil, mudou-se para Viena e pediu demissão, tornando-se um dos pri- meiros músicos freelance. Contudo, o mundo da música ainda não podia custear tal ambição, e ele passou por consideráveis dificuldades financeiras. Quando Beethoven mudou-se para Viena em 1794, viveu da riqueza de seus patronos, nunca se vendo obrigado a exercer cargo oficial. 28 À medida que a música instrumental tornava-se mais popular que a vocal, os compositores foram criando estruturas maiores e capazes de suportar uma audição mais intensa. O resultado foi o “princípio da sonata” (mais conhecido como “forma sonata”), estrutura musical dividida em três seções: a exposição do tema, o desenvolvimento e a recapitulação. O uso desse modelo de composição tornou-se quase sinônimo dos primeiros movimentos não apenas de sonatas, mas também de sinfonias e da maior parte da música instrumental do período. Permanece em uso até hoje. A sinfonia evoluiu da dimensão barroca, em pe- quena escala, para um imponente gênero musical. Geralmente em quatro movi- mentos, começa com um majestoso movimento, seguido por um lento. O terceiro movimento, em geral um elegante minueto, evoluiu para um scherzo, que pode ser jovial ou expressar paixão mais irônica e elementar. O finale era um rondó, entremeado, na melodia, em tempos fracos de suas cativantes repetições, por temas contrastantes. Outros gêneros também foram redefinidos. O concerto em três movimentos tornou-se veículo para um solista único, aliando os ideais de equilíbrio e elegân- cia ao virtuosismo no instrumento, enquanto a sonata desenvolveu-se como composição mais formal para um ou dois instrumentos. A ascensão da música doméstica criou um mercado para novas formas de música de câmara, como o quarteto de cordas – criado por Haydn – e o trio com piano. As orquestras torna- ram-se amplamente padronizada: menores, mas não muito distintas das orques- tras de hoje. Com o som mais cheio da orquestra, o papel do baixo contínuo morreu gradualmente; no lugar dele, o primeiro-violino passou a reger a orques- tra até ser finalmente substituído por um maestro especialista. As orquestras atuais possuem uma extensão dinâmica bem maior. Nos anos 1740, os recursos sonoros da orquestra de Mannheim, a mais importante da época, causaram sen- sação, tornando-se um exemplo para toda a escrita sinfônica. Na ópera, sobre- tudo as de Gluck e Mozart, os enredos eram agora escolhidos visando a um maior realismo dramático, e a música era composta antes para servir ao drama que para decorá-lo. Gradualmente os italianos começaram a perder a suprema- cia, com obras importantes sendo compostas na Alemanha e na França. Principais compositores 29 Embora sem a versatilidade musical de seus rivais, Christoph Willibald Gluck (1714-1787) ganhou notável lugar na história da música com as reformas que introduziu na ópera. Ao adotar uma estrutura mais contínua, em que a mú- sica obedecia mais à poesia do que ao virtuosismo do cantor, usou caracteriza- ção expressiva, enredos simples e planos musicais de grande escala, dando vida a temas e emoções humanas universais. Começando com Orfeo ed Euridice, a obra de Gluck mudou permanentemente as normas líricas, ao mesmo tempo em que causou certa controvérsia, sobretudo na conservadora Paris. Seu grande triunfo veio em 1779, com a ópera Iphigénie en Tauride e sua música profunda- mente dramática e expressiva. Possivelmente o compositor mais importante de sua geração, Carl Philipp Emanuel Bach (1714-1788) fez a ponte entre o estilo barroco de seu pai, Johann Sebastian Bach, e o estilo de Haydn e Mozart. Desenvolveu a sonata, sendo renomado tecladista e autor de A verdadeira arte da execução do teclado,maior tratado sobre a música do século XVIII. Na sua obra, destacam-se as Seis So- natas Prussianas, compostas não para o cravo, e sim para o mais sereno e sen- sível clavicórdio, instrumento capaz de expressar melhor as sutis, mas intensa- mente emocionais; a Sinfonia em Mi bemol maior, WQ179, uma das oito Sinfo- nias Berlinenses, que reflete claramente o novo estilo clássico, com seus efeitos homofônicos e simples (em lugar de polifônicos e complexos do Barroco); o Mag- nificat em Ré maior, WQ125, que teve como modelo o do seu pai (BWV 243). Nascido na era barroca, e ainda vivo quando Beethoven compôs sua Sin- fonia Pastoral, Franz Joseph Haydn (1732-1809) foi uma figura-chave na evolu- ção do estilo clássico. Ao compor uma vasta obra nos limites protetores da corte dos Esterházy e estabelecer formas-padrão para a sinfonia, a sonata e o quar- teto de cordas, despontou como uma personalidade internacional que influenciou Mozart e ensinou Beethoven. Rica em efeitos audaciosos, a música de Haydn não deixava de mostrar um lirismo íntimo, como se pode perceber em seu ora- tório A criação. Compôs o primeiro concerto da história para o recém-inventado trompete de válvulas. Pedra angular para o violoncelo, o Concerto nº 1 é grandi- oso do começo ao fim, exigindo extrema agilidade nos movimentos externos. Sua monumental Missa Nelson homenageia Lord Nelson, almirante inglês que o compositor conheceu em 1800. Criador do quarteto de cordas, o de nº 63 recebe 30 tem o título Aurora devido ao violino ascendente que abre a peça. Haydn inovou no gênero sinfônico, sendo famosa a Sinfonia nº 104 em Ré maior, de suas doze Sinfonias de Londres. Provavelmente o mais prodigioso músico de todos os tempos, as primeiras turnês de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) pela Europa não apenas o tornaram famoso, como o familiarizaram com diversos estilos musicais que ele sintetizou em suas próprias obras cosmopolitas. Único na história da música pela excelência em todas as formas e gêneros e dono de espantosa fluência produ- tiva, nenhum outro compositor foi tão bem-sucedido em veículos tão distintos e foi o primeiro músico a tentar se firmar como freelance. Embora sua grande pai- xão tenha sido a ópera, terreno em que deixou importantes inovações, como em sua Flauta Mágica, a primeira ópera genuinamente alemã, Mozart foi o mais bri- lhante pianista de sua época. Ele levou o concerto para piano a novos patamares de riqueza e virtuosismo, com efeito de longo alcance no século XIX. Na ópera, a partir das reformas líricas de Gluck, Mozart combinou vigorosa caracterização vocal e seus supremos dons melódicos com uma ênfase na cor e expressividade orquestrais para realizar uma concepção dramática jamais imaginada. Suas descrições de caráter, psicologia e interação humana revelam uma complexidade sutil que confunde as linhas entre opera seria e opera buffa, par- ticularmente em As bodas de Fígaro, Don Giovanni e Così fan tutte. Mozart tam- bém escreveu muitas músicas solo e corais, que vão desde o curto moteto Ave verum corpus, peça de serena beleza, ao jubiloso Exsultate, jubilate para so- prano e orquestra. Entre as obras corais de grande escala, a Grande Missa em Dó menor e o Requiem exalam atmosfera séria e mais escura. As sinfonias, con- certos e obras de câmara de Mozart dão especial atenção ao timbre instrumen- tal, associando-o a sutilezas orquestrais, particularmente ao uso dos sopros. A obra mais famosa de Mozart é a serenata Eine kleine Nachtmusik, mas o ápice de sua evolução sinfônica é representado pela Sinfonia Júpiter. A causa de sua morte, aos 35 anos de idade, foi provavelmente febre reumática. Ícone da música ocidental, Ludwig van Beethoven (1770-1827) consolidou o conceito popular do artista que, isolado da sociedade, supera a tragédia pes- 31 soal para realizar sua missão. Designando-se como Tondichter (em alemão, “po- eta do som”), sua música espelhava sua crença no espírito superior do individu- alismo, ao fazer a expressão pessoal prevalecer sobre a forma tradicional e, as- sim, pavimentar o caminho para o Romantismo musical. A música invariavel- mente intensa de Beethoven toca em todos os pontos da escala emocional, indo da melancolia mais soturna à celebração mais exultante. Sua luta para compor era árdua, com algumas obras levando vários anos em laboriosa gestação. A produção de Beethoven é geralmente dívida em três períodos. O primeiro come- çou depois de sua chegada a Viena, aos 22 anos, e incluem seus Quartetos de cordas op. 18, três concertos para piano, duas sinfonias e as sonatas Ao luar e Patética. A fase intermediária começa em 1803 – um ano depois de ter compreendido a seriedade de sua surdez e ter rejeitado o suicídio para dar ao mundo, como disse, “toda a música que sinto dentro de mim”. Sua primeira manifestação foi a épica Sinfonia Heroica, obra de colossal energia e a mais longa sinfonia até então já escrita. Desse período vêm mais quatro sinfonias, o Concerto para violino, os Concertos para piano nº 4 e 5 e uma ópera, Fidelio. Contudo, seu crescente isolamento pela surdez marcou a mu- dança para a última fase, explorando modos mais pessoais de expressão. Coro- ando a produção de Beethoven, a Missa solemnis e a Nona Sinfonia foram ino- vadoras, combinando escrita sinfônica e coral como nunca antes. Em 1827, o gênio alemão foi acometido de hidropisia e pneumonia. Morreu em março, e cerca de dez mil pessoas acompanharam seu funeral. Outros mestres merecem destaque na era clássica pela excepcional qualidade de seu legado, como Jo- hann Adolph Hasse (alemão, 1699-1783), Johann Joachim Quantz (alemão, 1697-1773), Johann Christian Bach (alemão, 1735-1782), Johann Albrechtsber- ger (austríaco, 1736-1809), Karl Ditters von Dittersdorf (austríaco, 1739-1799), Giovanni Paisiello (italiano, 1740-1816), Luigi Boccherini (italiano, 1743-1805), Carl Stamitz (alemão, 1745-1801), Domenico Cimarosa (italiano, 1749-1801), Muzio Clementi (italiano, 1752-1832), Antonio Salieri (italiano, 1750-1825), Luigi Cherubini (italiano, 1760-1842) e Louis Spohr (alemão, 1784-1859). 32 6. UMA SÍNTESE DO CLASSICISMO E SEUS PRINCIPAIS COM- POSITORES O nome clássico está diretamente ligado aos ideais da antiga Grécia, que se tornaram também ideais clássicos: a objetividade, controle emocional, a cla- reza formal e o respeito pelos princípios estruturais no discurso musical. Em re- lação ao estilo da arte desse período, o que marcou foi a delicadeza, a ornamen- tação, as linhas curvas, o preciosismo, o refinamento, e a galanteria. O classi- cismo faz parte e situa-se como a primeira fase da Arte Moderna (séc. XVII a XVIII). Nesse período é alcançada a música pura através de um grande desen- volvimento equilibrado da música. O classicismo nasceu a partir de um grande movimento de ideias vindas do período da renascença, que teve como princípio a exaltação da beleza antiga. Esse período foi, na verdade, a grande realização dos últimos compositores do Barroco, a criação de uma arte abstrata. Essa tal arte abstrata foi o meio de obter a perfeição da forma, a linguagem para expressar a religião, o amor, ou qualquer outra coisa. Essa abstração foi alcançada através da forma sonata e a sinfonia. Entre o final do século XVIII e início do século XIX, ocorreu um período de transição onde aquele rígido forma- lismo clássico entrou em decadência. Entre os séculos XVIII e XIX, após a de- cadência do formalismo clássico, as formas musicais passaram por um longo desenvolvimento e aperfeiçoamento, os instrumentos atingem um grau de téc- nica ainda não superada em sua época presente. Em relação às novas concep- ções da melodia e harmonia, houve um novo estilo de compor, as melodias pas- saram a articular em frases distintas dando origem a uma estrutura periódica. A 33 melodia podia ainda fazer uso apenas defigurações acórdicas, em algumas oca- siões com ornamentos (notas de passagem, grupetos, appoggiaturas, etc.). A música do período clássico poderia ser caracterizada como música refi- nada, ou bem construída. A música instrumental foi a que se destacou nesse período, com estruturas maiores e mais desenvolvidas. A partir do Classicismo os compositores começam a se preocupar com a sonoridade dos instrumentos, com o timbre dos instrumentos e com suas respectivas características técnicas ao compor uma frase pra tal instrumento. Com isso o colorido instrumental co- meçou a aparecer A base instrumental moderna, ou a orquestração, surge no período clássico, e com isso surge a preocupação com as intensidades, deno- minada dinâmica. Ou seja, as dinâmicas que temos hoje surgiram a partir daí, com os crescendose diminuendos, pois até então a única diferença de intensi- dade utilizada era o piano e o forte (bem contrastante). Em relação à orquestra, foi no período clássico que foi desenvolvido um modelo de agrupamento instrumental. Esse agrupamento ficou dividido em: cor- das, sopros de madeira, sopros de metal, e percussão. As cordas foram divididas em 1os violinos, 2os violinos, violas, violoncelos, e contrabaixos (os contrabai- xos tacavam a mesma coisa que os violoncelos). Já os sopros de madeira foram divididos em: uma ou duas flautas, dois oboés, duas clarinetas e dois fagotes. Os sopros de metal eram até então duas trompas e dois trompetes, os trombo- nes e as tubas foram inseridas no século XIX. A percussão ficou representada pelos tímpanos, que eram apenas dois. Com grande destaque, a música instru- mental passa por um desenvolvimento após passar, no período de transição, por Palestrina, passa por Bach e finaliza com Ludwig Van Beethoven, na qual suas obras puderam representar sua expressão máxima. Beethoven (1770 – 1827) foi um dos compositores que mais marcaram o período do classicismo por causa de suas sinfonias, suas músicas pianísticas e de câmara, óperas, missas, e ora- tórios. Beethoven foi também quem fez a passagem para o estilo do romantismo. Joseph Haydn (1732 – 1809) foi outro grande compositor do período clás- sico, foi ele que praticamente criou os gêneros utilizados até nos dias de hoje na música de concerto. Foi nas mãos de Haydn que a sinfonia deixou de ser uma simples peça instrumental e passou a ser o momento principal de um programa 34 musical. Assim como fez com a sinfonia, Haydn fez com o quarteto de cordas transformando-o em sinônimo da melhor música de câmera. Domenico Scarlatti (1685 – 1757) foi outro compositor do período do classicismo (maior compositor italiano para instrumentos de teclas do séc. XVIII). Contemporâneo de Bach, Scarlatti escreveu muitas sonatas através de relações tonais, na estrutura biná- ria. Nas sonatas de Scarlatti a última parte da primeira seção é repetida sem nenhum tipo de mudança, mas desta vez na tônica ao término da segunda se- ção. Outro grande compositor que firmou presença no período Clássico foi Christoph Willibald Gluck (1714-1787). Gluck fez uma grande reforma nos domí- nios da ópera clássica. Ele “purificou” a ópera retirando todos os maneirismos e exageros da ópera da época, por consequência Gluck fez a ópera com o espírito verdadeiramente clássico. Além dessa mudança na ópera, o que tornou Gluck um ícone no período Clássico foi por eliminar uma espécie de badalação contida em libretos retomando os princípios da mitologia grega com base; a eliminação do virtuosismo supérfluo e a música que trabalha para a valorização do roteiro, do desenvolvimento emocional das situações; Gluck retomou o recitativo, o uso dramático do coro, isso tudo mas sem deixar de citar a qualidade de suas músi- cas. Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) foi também um dos principais compositores clássicos. Também compositor de óperas, Mozart se baseava em acontecimentos contemporâneos a sua época, influenciado por Gluck. No en- tanto, seu talento fez com que suas óperas fossem as mais executadas no sé- culo XVIII. Seu estilo mostra com clareza sua influência italiana. Mozart utilizou muito oparlando (declamando ou cantando) e sempre concentrou a ideia princi- pal em grandes personagens. Mozart escrevia óperas mais extensas e mais dra- maticamente desenvolvidas do que as outras de seu tempo. Ao longo de sua vida Mozart escreveu três tipos de ópera: Singspiel, opera seria, e opera buffa. As músicas religiosas do período clássico eram na verdade extrações de experiências com músicas instrumentais e operísticas. Sem muita importância, a música religiosa era apoiada na linguagem dramática e parecia ser escrita mais para salas de concertos do que para concertos religiosos ou solenidades religi- 35 osas. Em se tratando de músicas religiosas, os compositores que mais se des- tacaram foram Mozart e Haydn com várias missas, oratórios, ofertórios, ladai- nhas, vésperas e Réquiens, entre outras peças curtas. Além dessas, havia ora- tórios e motetos. Todos com coro, solistas e orquestra. Um fato importante do período do classicismo foi a presença do maestro que até então não existia. Quem exercia essa função era o spalla (primeira ca- deira dos primeiros violinos) que fazia gestos indicando o início da obra e outra vez no término da peça instrumental. Com o desenvolvimento da orquestra os compositores começaram a explorar a mudança de andamentos em suas obras, com isso se tornou mais do que necessário a presença de uma pessoa para estar à frente da orquestra. Por estar em evidencia e comandar a orquestra, o maestro passou a ser o responsável pela execução da orquestra, assim, tornou- se o intérprete da música, como se fosse um pianista interpretando uma peça em seu piano, nesse caso, a orquestra. 7. REFERÊNCIAS CORRÊA, Sergio Ricardo S. Ouvinte Consciente: arte musical. São Paulo: Edi- tora do Brasil, 1975. CRUZ, Marques da. História da literatura. São Paulo. Cia melhoramentos, s/d. FERREIRA, Joaquim. História da literatura portuguesa. Porto, Ed. Domingos Barreira, s/a. GROUT, Donald J., PALISCA Claude V., 5° edição, Lisboa, Gradiva, 2007. HORTA, Luiz Paulo. Sete noites com os clássicos: para entender os estilos musicais da renascença ao modernismo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. MEDAGLIA, Júlio. Música, maestro! do canto gregoriano ao sintetizador. São Paulo: Globo, 2008. MONTEIRO, Clóvis - Esboços de História Literária - Livraria Acadêmica - Rio de Janeiro - 1961, pgs. 31-39. 36 RIGONELLI, Yolanda; BATALHA, Yvete Valença. Lições de Análise e Apreci- ação Musical. São Paulo: Irmãos Vitale, 1972. RAMOS, Feliciano. História da literatura portuguesa. Braga, Livraria Cruz, 1967.