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Pedagogia – AD1 2026.2 
Disciplina: Alfabetização 1
Aluno
Matrícula:
FICHAMENTO
Referência bibliográfica
PAULILO, André Luiz. A compreensão histórica do fracasso escolar no Brasil. 
Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 47, n. 166, p. 1252-1267, out./dez. 2017.
Sobre o fracasso escolar:
- “O fracasso escolar é uma ideia recente” (PAULILO, 2017, p. 1254).
- Se origina a partir de analisar o papel de pessoas de classes emergentes dentro da 
escola. 
O fracasso escolar e o papel da sociologia:
- “Foi fenômeno posto como questão por uma sociologia especialmente interessada na 
análise dos efeitos das desigualdades sociais no mundo” (PAULILO, 2017, p. 1254).
- “O sistema de ensino transforma as diferenças resultantes da transmissão familiar da 
herança cultural em desigualdades de destino escolar” (NOGUEIRA E CATTANI, 1998, 
p.9, apud PAULILO, 2017, p. 1254).
- “A ação escolar revela-se bastante desigual, ou porque atua sobre indivíduos 
previamente dotados pela ação familiar ou porque transforma as desigualdades diante 
da cultura em desigualdades de sucesso” (PAULILO, 2017, p. 1254).
O fracasso escolar e o papel da história:
- “O fracasso escolar ainda não se constituiu em um problema historiográfico, como 
ocorreu na sociologia ou na psicologia” (PAULILO, 2017, p. 1255).
- Ele depende da maneira como determinado sistema educacional define o que é 
sucesso e fracasso, por meio de “dispositivos de reprovação e exclusão da seleção 
escolar” (PAULILO, 2017, p. 1255).
- “Não é só que a escola tenha o papel de inculcar a ideologia burguesa; sua missão é 
reforçar a marginalidade produzida socialmente no sistema capitalista” (PAULILO, 
2017, p. 1255).
- O autor cita um exemplo ocorrido em São Paulo, no qual a reorientação curricular se 
viu justificada, nas escolas públicas estaduais, porque a autonomia para elaborar seus 
próprios projetos pedagógicos não havia funcionado suficientemente bem. 
- “A compreensão do fracasso escolar tem sua história e, portanto, parece-me razoável 
lidar com os usos do termo em vez de tomá-lo como conceito derivado de um modelo 
teórico” (PAULILO, 2017, p. 1255).
- O fracasso escolar não se explica olhando somente para o aluno, mas também não 
basta olhar somente para a escola. É preciso compreender a relação entre as 
condições sociais e aquilo que acontece dentro da escola. 
Mudanças nas pesquisas sobre o fracasso escolar:
- “Do ponto de vista temático, as pesquisas percebem a ‘participação da própria escola 
nos resultados por ela obtidos, depois de muitos anos nos quais predominou a 
psicologização do fracasso escolar e a procura de suas causas, sobretudo fora do 
sistema escolar’” (PATTO, 1988, p. 75, apud PAULILO, 2017, p. 1257). 
- Do ponto de vista teórico, a ideia de que a escola seja muito importante na 
transformação e progresso da sociedade passa a ser questionado. 
- Na visão crítico-reprodutrivista, a escola pode contribuir para manter as 
desigualdades sociais. 
- Na perspectiva crítica do reprodutivismo, “a escola passou a ser vista como um lugar 
que poderia ser afinado com a transformação da sociedade de classes” (PATTO, 1988, 
p. 76, apud PAULILO, 2017, p. 1257). 
- Por último, uma visão mais atualizada busca compreender a problemática articulando 
“as variáveis externas ao sistema escolar se articulam aos fatores internos da 
escolarização levou a incluir nas pesquisas a fala dos participantes da vida escolar por 
meio de procedimentos não quantitativos de análise do discurso” (ANGELUCCI et al., 
2004, p. 65, apud PAULILO, 2017, p. 1257).
- O autor destaca a Fundação Carlos Chagas (FCC), que ajudou a desenvolver uma 
pesquisa diferente das que predominavam na época em outras instituições (Inep, 
CBPE).
- “Entre 1977 e 1981, os projetos de pesquisa conduzidos pela FCC propõem modelos 
interpretativos alternativos à forte leitura psicológica do processo de educação escolar 
ou ao modelo funcionalista de ciências sociais que ainda nos anos 1970 dominavam a 
pesquisa educacional de âmbito governamental” (PAULILO, 2017, p. 1257).
- Essas novas ideias se espalharam graças à “consolidação dos programas de pós-
graduação e pesquisa” (PAULILO, 2017, p. 1257).
Dois grandes deslocamentos na compreensão do fracasso escolar:
- Paulilo usa os autores Patto (1988) e Angelucci et al. (2004) para organizar 
históricamente essa compreensão.
- O primeiro deslocamento justificava o fracasso escolar devido a causas externas à 
escola.
- “Um que vai da busca de determinantes do baixo rendimento escolar em variáveis 
externas ao sistema escolar e das relações de causa-efeito entre influências negativas 
de grupos étnicos e sociais e o desempenho escolar para a compreensão dos fatores 
intraescolares” (PAULILO, 2017, p. 1258).
- Autores que abordam essa primeira compreensão: Dorith Schneider (1974) e Luiz 
Pereira (1967) (PAULILO, 2017, p. 1259).
- No segundo deslocamento, começou a ser observado como a escola podia ter 
participação nesse fracasso também. Esse processo teve várias visões (teórico, 
crítico-reprodutrivista e crítica do reprodutivismo)
- “ a pesquisa e a reflexão acerca do fracasso escolar arriscaram contribuir com a 
construção política de uma escola democrática” (PAULILO, 2017, p. 1258).
- O livro A reprodução, de Bourdieu e Passeron (1970), foi a inspiração para muitos 
autores brasileiros para compreender esse segundo deslocamento (p. 1259).
- As novas teorias, especialmente as influenciadas pelo pensamento marxista, 
passaram a questionar as formas tradicionais de combater as desigualdades escolares 
e estimularam novas pesquisas sobre acesso, permanência, desempenho e trajetórias 
dos alunos. 
A escola vista como responsável do fracasso escolar: 
- Paulilo apresenta Anísio Teixeira e um relatório de 1935 para mostrar que, já na 
década de 1930, havia uma concepção segundo a qual a reprovação de um aluno não 
significava que a escola havia cumprido bem sua função de selecionar os melhores; 
significava que a própria escola havia fracassado em ensinar.
- “Não basta haver escolas para os mais capazes, é indispensável que haja escolas 
para todos. Não basta haver escolas para todos, é indispensável que todos aprendam” 
(TEIXEIRA, 1935, p. 74, apud PAULILO, 2017, p. 1260).
- Termos interessantes: “aculturação” e “enculturação” (PAULILO, 2017, p. 1260).
-“A vertente representada pelo pensamento de Anísio Teixeira também se constituiu 
historicamente no Brasil em uma ‘tradição desafortunada’” (LOVISOLO, 1990; 
MENDONÇA, 2008, p. 61, apud PAULILO, 2017, p. 1260)
- “A compreensão do fracasso escolar como fracasso da escola, e não da criança 
individualmente ou da sua família, era já mais que uma mera ‘tendência presente nos 
escritos escolanovistas’” (PAULILO, 2017, p. 1260)
O fracasso e a desfetichização do saber escolar:
- “’As condições históricas de produção de um [outro] discurso sobre os efeitos da 
presença dos contingentes originários de meios desfavorecidos na escola’, das quais 
falam Islambart-Jamati (1985a, 1985b) e Prost (1985), dão-se pelas manifestações e 
pela maior visibilidade das lutas populares” (PAULILO, 2017, p. 1261). 
- “A partir de meados da década de 1970, já se tornou perceptível a repercussão da 
incipiente organização dos movimentos populares nas lutas por educação” (PAULILO, 
2017, p. 1261). 
- “O sonho de ter mais com o acesso à educação, a percepção de que é a falta da 
escola e do seu saber que determina a pobreza, choca-se com as pequenas rotinas 
escolares: o estado de conservação dos prédios, a organização do tempo escolar, as 
relações de sala de aula” (SPOSITO, 1993, p. 372 apud PAULILO, 2017, p. 1262).
- Esse “sonho e realidade” ao qual os autores fazem menção é que vai derivar na 
desfetichização. 
- “A incompatibilidade das suas condições de vida e aescola adquire expressão no 
desencanto e descrédito nas expectativas iniciais acerca da escolarização, na 
indisciplina, no abandono” (PAULILO, 2017, p. 1262). 
Sobre evasão e repetência: “Chapoulie e Briand (1994) entendem o fracasso escolar 
como um problema que não existe senão com referência à instituição escolar. Trata-se 
de um fenômeno que aparece quando a escolaridade é obrigatória durante um longo 
período” (PAULILO, 2017, p. 1262). 
- “A designação, a interpretação e as iniciativas para superar fenômenos como o 
analfabetismo ou o fracasso escolar dependem de uma abordagem escolar das 
realidades sociais”(PAULILO, 2017, p. 1263). 
- “As classificações escolares são classificações sociais, cujos efeitos se fazem sentir 
em domínios da vida social, afastados do domínio escolar e se prolongam bem além 
do fim da escolaridade” (VINCENT; LAHIRE; THIN, 2001, p. 38, apud PAULILO, 2017, 
p. 1263).
- “A desfetichização do saber escolar é a forma que primeiro assume a tomada de 
consciência do fenômeno do fracasso escolar enquanto fracasso da instituição 
escolar” (PAULILO, 2017, p. 1263).
- “Parece-me ser a mobilização popular por escolarização, entre os anos 1970/1980, o 
principal vetor dessa convergência de representações sobre o processo educativo que 
percebe o fracasso escolar como resultado da forma de escolarização” (PAULILO, 
2017, p. 1263).
- “Rompem com o pressuposto de que a repetência e a evasão ocorrem porque as 
crianças não estariam suficientemente preparadas”(PAULILO, 2017, p. 1263).
- “Penso que a noção de fracasso escolar […] é o resultado da elaboração de um 
instrumento de construção da realidade social para cuja evidência contribuiu” 
(PAULILO, 2017, p. 1263).
- “Uma história desse modo de compreender o fracasso escolar adverte que […] ‘foi 
socialmente produzido, num trabalho coletivo de construção da realidade social e por 
meio desse trabalho’” (BOURDIEU, 2000, p. 37, apud PAULILO, 2017, p. 1264)
- Nesse momento, aquilo que parecia ser um problema individual/privado passa a ser 
entendido como problema social: “aquilo que era e poderia ter continuado a ser um 
problema privado se tornasse um problema social” (PAULILO, 2017, p. 1264).
- Este problema social foi construído por uma série de ações coletivas: “foi preciso que 
houvesse reuniões, comissões, associações, movimentos, manifestações, petições, 
requerimentos, deliberações, votos, tomadas de posição, projetos, programas, 
resoluções, etc.” (BOURDIEU, 2000, p. 37, apud PAULILO, 2017, p. 1264). 
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