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RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO POR PRAZO INDETERMINADO RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO A relação de emprego, “nasce, vive, altera-se e morre”, podendo, portanto, findar-se de diversas formas. (Amauri Mascaro) A cessação do contrato de trabalho é a terminação do vínculo de emprego, com a extinção das obrigações para os contratantes. POR INICIATIVA DO EMPREGADOR DISPENSA SEM JUSTA CAUSA: Em que o trabalhador é dispensado por iniciativa do empregador, por motivos de capacidade, tecnológicos, econômicos ou financeiros (MARTINS., 2018). A dispensa sem justa causa não é vedada por lei, mas o art. 7º, inciso I, CF/88, protege a relação de emprego contra a dispensa sem justa causa, sendo devida indenização compensatória em prol do empregado, correspondente a 40% dos depósitos do FGTS efetuados durante a vigência do contrato de trabalho(art. 18, Lei n. 8.036/1990). VERBAS RESCISÓRIAS Saldo de salários; Aviso Prévio; 13º salário proporcional; Férias vencidas e proporcionais; Adicional de 1/3 sobre as férias; Indenização de 40% FGTS; Saque do FGTS; Seguro Desemprego. (se presente os demais requisitos) DECISÃO DO EMPREGADOR DISPENSA POR JUSTA CAUSA: O empregador poderá dispensar o empregado que comete falta grave, ou seja, com justa causa. A justa causa vem a ser o procedimento incorreto do empregado, tipificado na lei, que dá ensejo à ruptura do vínculo empregatício. A rescisão por justa causa exonera o empregador do pagamento de algumas verbas rescisórias, que seriam pagas se a dispensa fosse sem justa causa. ELEMENTOS LEGALIDADE: Somente podem ser consideradas justa causa as hipóteses previstas expressamente em lei (ex. art. 482, CLT e outras disposições legais). As hipóteses são taxativas, e não exemplificativas. IMEDIATIDADE: Imediata aplicação da sanção, sob pena de presumir perdão tácito. Esse elemento não afasta o decurso de tempo razoável para apuração dos fatos, dependendo da complexidade organizacional da empresa. PERDÃO: Inexistência de perdão tácito ou expresso. (LENZA, 2018). 6 CAUSALIDADE: O fato seja efetivamente determinante da rescisão (nexo causal= falta praticada e a dispensa); NON BIS IN IDEM : Unicidade da punição; PROPORCIONALIDADE: A punição não pode ser excessiva. Deve haver proporcionalidade entre a gravidade da falta e a da punição aplicada. IGUALDADE: Igualdade de tratamento entre os empregados. DOLO OU CULPA: Conduta dolosa ou culposa do empregado; 7 ATO DE IMPROBIDADE A improbidade revela mau caráter, perversidade, maldade, desonestidade, ímproba é uma pessoa que não é honrada. Atos dolosos em que o empregado dolosamente ATENTOU CONTRA BENS MATERIAIS DO EMPREGADOR OU DE TERCEIROS LIGADOS AO TRABALHO. Exemplos: furto, roubo, apropriação indébita, alteração de valores em notas fiscais, alteração de atestado médico. INCONTINÊNCIA DE CONDUTA Está ligada ao desregramento do empregado no tocante à MORAL SEXUAL. São obscenidades praticadas, a libertinagem, a pornografia, que a configuram. Exemplo: Assédio sexual. MAU PROCEDIMENTO É uma atitude irregular do empregado, um procedimento incorreto, INCOMPATÍVEL COM AS REGRAS A SEREM OBSERVADAS PELO HOMEM COMUM PERANTE A SOCIEDADE. O mau procedimento vem a ser um ato faltoso que não pode ser enquadrado nas demais alíneas do art. 482, CLT. Exemplo: - Uso indevido do computador; Brincadeiras maldosas; Desrespeito no ambiente de Trabalho. NEGOCIAÇÃO HABITUAL A negociação diz respeito aos atos de comércio praticados pelo empregado. Essa negociação, segundo a lei trabalhista, deve ser feita SEM PERMISSÃO do empregador e com HABITUALIDADE. O trabalho CONCORRENTE OU PREJUDICIAL AO SERVIÇO é o que será proibido pela lei. Nada impede que o empregado exerça mais de uma atividade, mas essa outra atividade não poderá ser exercida em concorrência desleal à empresa, de modo a acarretar prejuízo ao serviço. Exemplo: Diminuição de produção em razão do serviço paralelo (prejudicial). CONDENAÇÃO CRIMINAL Para haver a justa causa é preciso que o empregado seja CONDENADO CRIMINALMENTE com SENTENÇA TRANSITADO EM JULGADO. Se a sentença ainda estiver em fase recursal, não se caracteriza justa causa. É preciso também que a sentença criminal transitada em julgado NÃO TENHA CONCEDIDO A SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DA PENA (SURSIS). 12 DESÍDIA O empregado labora com desídia no desempenho de suas funções quando o faz com negligência, preguiça, má vontade, displicência, desleixo, indolência, omissão, desatenção, indiferença, desinteresse, relaxamento. A desídia pode ser considerada um conjunto de pequenas faltas (habitualidade), que mostram a omissão do empregado no serviço, desde que haja repetição dos atos faltosos com punições anteriores. O cabimento da justa causa por embriaguez habitual tem entendimento jurisprudencial controvertido, podendo haver a descaracterização da justa causa, por ser o alcoolismo considerado uma doença. A embriaguez, tanto alcoólica como tóxica, é considerada falta grave, quando: EM SERVIÇO: em uma única ocorrência, no horário de Expediente; ou HABITUAL: o empregado está embriagado com habitualidade, mesmo fora do ambiente de trabalho. EMBRIAGUEZ HABITUAL OU EM SERVIÇO JUSTA CAUSA. ALCOOLISMO CRÔNICO. REINTEGRAÇÃO. A OMS formalmente reconhece o alcoolismo crônico como doença no Código Internacional de Doenças (CID). Diante de tal premissa, a jurisprudência desta C. Corte firmou-se no sentido de admitir o alcoolismo como patologia, fazendo-se necessário, antes de qualquer ato de punição por parte do empregador, que o empregado seja encaminhado para tratamento médico, de modo a reabilitá-lo. A própria Constituição da República prima pela proteção à saúde, além de adotar, como fundamentos, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho (arts. 6º e 1º, incisos III e IV). Repudia-se ato do empregador que adota a dispensa por justa causa como punição sumária ao trabalhador. Precedentes. Recurso de revista não conhecido. (TST, RR - 130400-51.2007.5.09.0012, 6ª Turma, Data de Julgamento: 16/02/2011, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Publicação: DEJT 25/02/2011.) . É a divulgação não autorizada de informação, fato ou dado de uso e conhecimento exclusivo do empregador (Lenza, 2018). Para caracterizar a respectiva falta grave, a violação de segredo da empresa, deve ser pertinente a fatos que: Teve conhecimento no exercício de sua profissão; Sua divulgação provoque prejuízo material ao empregador. Exemplos: Métodos de produção, patentes de invenção, fórmulas, cadastro de clientes. VIOLAÇÃO DE SEGREDO DA EMPRESA É necessário ponderar se o ato de indisciplina ou insubordinação é proporcional e razoável à aplicação da demissão. ATO DE INDISCIPLINA OU DE INSUBORDINAÇÃO I - ATO DE INDISCIPLINA: É a DESOBEDIÊNCIA DE REGRAS GERAIS IMPESSOAIS, comportamento dirigido a todos os empregados. Exemplo: Proibição de fumar em local determinado. II – INSUBORDINAÇÃO: É DESOBEDECER ATO DE CARÁTER PESSOAL, uma ordem direta do superior hierárquico. ABANDONO DE EMPREGO Conforme a jurisprudência, para caracterizar o abandono de emprego, é indispensável a ausência: Injustificada; Período de 30 dias. O período pode ser inferior, se houver outras circunstâncias evidenciadoras do abandono como, por exemplo, o exercício de outro emprego. Presume-se o abandono de emprego se: O trabalhador não retornar ao serviço no prazo de 30 dias após a cessação do benefício previdenciário, e não justificar (Súmula 32, do TST). ¹PINTO, José Augusto Rodrigues. Tratado de direito material do trabalho.São Paulo: LTr. 2007. p. 564. Para perfeita identificação do abandono exige-se, uma delicada combinação de dois elementos: Elemento subjetivo: o animus abandonandi ou intenção de deixar o emprego; Elemento objetivo: o tempo. Se esses dois elementos não se apresentarem absolutamente claros e perfeitamente conjugados, não há abandono de emprego¹. Verificadaa ausência do trabalhador por longo período, o empregador deverá, através de carta registrada, com aviso de recebimento, ou, de preferência, mediante notificação extrajudicial, solicitar o seu comparecimento à empresa em determinado prazo, sob pena de dispensa por falta grave. NOTIFICAÇÃO: É a ofensa à honra, do EMPREGADOR OU DE TERCEIRO LIGADO AO SERVIÇO (colegas de trabalho, clientes, fornecedores), caracterizando injúria, difamação ou calúnia, salvo hipótese de legítima defesa, própria ou de outrem (Lenza, 2018). ATO LESIVO À HONRA E À BOA FAMA Prática de agressão, tentada ou consumada, contra o empregador, superior hierárquico, colegas ou terceiros, no local de trabalho ou situação de estreita relação com o serviço (não ocorreu nas dependências da empresa, mas teve com relação com o serviço em si), salvo hipótese de legítima defesa própria ou de de outrem (Lenza, 2018). OFENSAS FÍSICAS O artigo 482, alíneas “j” e “k”, referem-se ao ato lesivo à honra, boa fama ou ofensa física contra qualquer pessoa no serviço, ou contra o empregador ou superiores hierárquicos, independente de local. É justificada a dispensa do empregado quando comete os referidos atos, exceto se o empregado agiu em caso de legítima defesa: Agressão injusta; Atual ou iminente; Contra direito próprio ou de terceiro, Utilizando-se para defesa de meio necessário e moderado. A doutrina e a jurisprudência tem firmado o entendimento de requisitos para caracterização da justa causa, sendo: Prática habitual; Jogo ilegal; Praticado nas dependências da empresa; Em horário de serviço; Envolver dinheiro. PRÁTICA CONSTANTE DE JOGOS DE AZAR: Exemplos: Jogo do bicho e rifas não autorizadas. (ALMEIDA, 2007, p. 156) Constitui falta grave, a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, ou seja, apurada com contraditório e ampla defesa perante a Justiça do Trabalho, de atos atentatórios contra a segurança nacional, como o terrorismo. (Art. 482, parágrafo único, CLT) ATO ATENTATÓRIO À SEGURANÇA NACIONAL Art. 482, alínea m, CLT - perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. Caso motorista profissional, piloto de aeronave, médico, advogado, enfim, qualquer profissional venha a perder sua habilitação para o exercício da profissão, tal será considerado motivo para dispensa por justa causa. A perda da habilitação deve ser dolosa, ou seja, deve haver intenção nos atos praticados que levaram à perda. PERDA DE HABILITAÇÃO PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO Há outros fatos previstos na lei que configuram a falta grave, como: Recusa injustificada em atender normas de segurança no trabalho e o uso de equipamento de proteção (art. 158, CLT); A recusa do empregado ferroviário em prorrogar seu horário de trabalho, em casos de acidente ou urgência na linha do trem, capaz de afetar a segurança ou regularidade dos serviços (art. 240, parágrafo único, da CLT); Falta disciplinar grave do aprendiz: desempenho insuficiente ou inadaptação, ausência no curso de aprendizagem que pode gerar a perda do ano letivo (art. 433, incisos I e III, da CLT); Grevista que praticar excessos e não respeitar os limites previstos em lei (Lei n. 7.783/89). O jogador de futebol que for cortado pela entidade desportiva, a CBF (artigo 20, da Lei 6.354/1976). Saldo de Salário; Férias vencidas + 1/3. NÃO SERÃO DEVIDAS: Aviso prévio; 13º salário; Férias proporcionais; Saque do FGTS; Multa de 40% do FGTS; Seguro Desemprego. VERBAS RESCISÓRIAS DECISÃO DO EMPREGADO PEDIDO DE DEMISSÃO: Demissão é o aviso que o empregado ao empregador de que não mais deseja trabalhar na empresa. É um ato unilateral , não havendo necessidade de que o empregador aceite o pedido. O empregado deverá AVISAR O EMPREGADOR COM ANTECEDÊNCIA MÍNIMA DE 30 DIAS, salvo se for liberado pelo empregador, sob pena de desconto na rescisão. ÔNUS DA PROVA Súmula nº 212 do TST - DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O ÔNUS DE PROVAR O TÉRMINO DO CONTRATO DE TRABALHO, QUANDO NEGADOS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO E O DESPEDIMENTO, É DO EMPREGADOR, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. VERBAS RESCISÓRIAS: Saldo de salário; 13º salário proporcional; Férias vencidas; Férias proporcionais; (S. 171, TST) Adicional de 1/3 sobre as férias; NÃO TEM DIREITO: Seguro desemprego; Multa do FGTS; Saque do FGTS. TERÇO CONSTITUCIONAL – FÉRIAS PROPORCIONAIS Súmula nº 261 do TST - FÉRIAS PROPORCIONAIS. PEDIDO DE DEMISSÃO. CONTRATO VIGENTE HÁ MENOS DE UM ANO (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. O empregado que se demite antes de complementar 12 (doze) meses de serviço tem direito a férias proporcionais. RESCISÃO INDIRETA A rescisão indireta ou dispensa indireta é a forma de cessação do contrato de trabalho por decisão do empregado em virtude da justa causa praticada pelo empregador, conforme artigo 483, CLT. A única maneira de se verificar a justa causa cometida pelo empregador é o empregado AJUIZAR AÇÃO NA JUSTIÇA DO TRABALHO, postulando a rescisão indireta do seu contrato. RESCISÃO INDIRETA Art. 483, CLT - O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: A - FOREM EXIGIDOS SERVIÇOS SUPERIORES ÀS SUAS FORÇAS, DEFESOS POR LEI, CONTRÁRIOS AOS BONS COSTUMES, OU ALHEIOS AO CONTRATO; Exemplo: Empregar mulher em serviço que demande o emprego de força muscular superior a 20 kg para o trabalho contínuo, ou 25 kg para o trabalho ocasional (art. 390, da CLT). - Menor em trabalho noturno. B - FOR TRATADO PELO EMPREGADOR OU POR SEUS SUPERIORES HIERÁRQUICOS COM RIGOR EXCESSIVO; Exemplo: Quando o empregador persegue seu empregado, intolerância ou implicância. C - CORRER PERIGO MANIFESTO DE MAL CONSIDERÁVEL; Exemplo: O empregador exigir que o empregado trabalho em local em que este pudesse contrair doença, ou outro fato que viesse a pôr em risco sua integridade física e a vida. D - NÃO CUMPRIR O EMPREGADOR AS OBRIGAÇÕES DO CONTRATO; Exemplo: O não pagamento dos salários do empregado. Considera-se a empresa em mora contumaz quando o atraso ou a sonegação de salários devidos ocorram por período igual ou superior a três meses, sem motivo grave e relevante, excluídas as causas pertinentes ao risco do empreendimento. E - PRATICAR O EMPREGADOR OU SEUS PREPOSTOS, CONTRA ELE OU PESSOAS DE SUA FAMÍLIA, ATO LESIVO DA HONRA E BOA FAMA; Exemplo: Atos injuriosos, caluniosos ou difamação. F - O EMPREGADOR OU SEUS PREPOSTOS OFENDEREM-NO FISICAMENTE, SALVO EM CASO DE LEGÍTIMA DEFESA, PRÓPRIA OU DE OUTREM; G - O EMPREGADOR REDUZIR O SEU TRABALHO, SENDO ESTE POR PEÇA OU TAREFA, DE FORMA A AFETAR SENSIVELMENTE A IMPORTÂNCIA DOS SALÁRIOS. ATENÇÃO O EMPREGADO RECEBERÁ TODAS AS VERBAS RESCISÓRIAS QUE RECEBERIA CASO TIVESSE SIDO DISPENSADO SEM JUSTA CAUSA. A culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho compreende o fato de que ambas as partes dão causa a cessação do pacto laboral por justo motivo. Existem duas faltas graves, uma do empregado (482, CLT) e outra do empregador (483, CLT). Existência de faltas graves de ambas as partes; Proporcionalidade das faltas; Imediata rescisão contratual ao acontecimentos das faltas; Nexo de causalidade entre as faltas. Exemplo: Troca de ofensas verbais ou vias de fato. CULPA RECÍPROCA Súmula nº 14 do TST - CULPA RECÍPROCA - Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (art. 484 da CLT), o EMPREGADO TEM DIREITO A 50% (CINQUENTA POR CENTO) DO VALOR DO AVISO PRÉVIO, DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO E DAS FÉRIAS PROPORCIONAIS. *Multa do FGTS também é reduzida pela metade, ou seja, 20%. APOSENTADORIA ESPONTÂNEA O Supremo Tribunal Federal, no julgamento das Ações de Inconstitucionalidade n. 1721-3 e 1770-4, decidiu que a aposentadoria espontâneanão extingue o contrato de trabalho. Se o empregado se aposentar, continuar trabalhando na empresa e for dispensado sem justa causa, a multa de 40% do FGTS abrangerá todo o período (unicidade contratual). OJ nº 361 – SBDI-1. APOSENTADORIA ESPONTÂNEA. UNICIDADE DO CONTRATO DE TRABALHO. MULTA DE 40% DO FGTS SOBRE TODO O PERÍODO.A aposentadoria espontânea não é causa de extinção do contrato de trabalho se o empregado permanece prestando serviços ao empregador após a jubilação. Assim, por ocasião da sua dispensa imotivada, o empregado tem direito à multa de 40% do FGTS sobre a totalidade dos depósitos efetuados no curso do pacto laboral. DESAPARECIMENTO DE UMA DAS PARTES MORTE DO EMPREGADO: Tendo em vista que a relação de emprego tem como característica a pessoalidade, portanto, A MORTE DO EMPREGADO EXTINGUE O CONTRATO DE TRABALHO, e os direitos decorrentes da rescisão são transferidos aos herdeiros. O pagamento das verbas trabalhistas deve ser feito aos DEPENDENTES do empregado falecido, devidamente HABILITADOS perante a PREVIDÊNCIA SOCIAL, e, NA SUA FALTA, aos SUCESSORES PREVISTOS NA LEI CIVIL, indicados em alvará judicial, independentemente de inventário, partilha ou arrolamento (Art. 1º, da Lei 6.858/1980 e o art. 20, IV, da Lei 8.036/1990). Saldo de Salário; 13º proporcional; Férias vencidas + 1/3; Férias proporcionais + 1/3. Autorizado o levantamento do FGTS (Alvará Judicial). NÃO SERÃO DEVIDAS: Aviso prévio; Multa de 40% do FGTS. VERBAS RESCISÓRIAS MORTE DO EMPREGADOR PESSOA FÍSICA No caso de morte do empregador constituído em empresa individual, é facultado ao empregado rescindir o contrato de trabalho (Art. 483, § 2º, CLT). Podem ocorrer 3 situações: 1ª - NÃO HÁ CONTINUIDADE DOS NEGÓCIOS PELOS HERDEIROS E SUCESSORES: O empregado fará jus a todos os direitos trabalhistas de uma despedida sem justa causa, inclusive aviso prévio e multa de 40% do FGTS; 2ª - CONTINUIDADE DOS NEGÓCIOS: O empregado continua trabalhando, ocorrendo a sucessão dos empregadores. Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa ou mudança de propriedade não afetará os direitos adquiridos por seus empregados (Artigos 10 e 448, da CLT). 3ª - O EMPREGADO EXERCE A FACULDADE DE PEDIR DEMISSÃO: Trata-se de um pedido de demissão atípico porque não há necessidade de concessão de aviso prévio ao empregador e poderá movimentar o FGTS. Na cessação da empresa ou de uma de suas filiais, o empregado fará jus a todos os direitos previstos na legislação pois não foi ele quem deu causa à cessação do contrato de trabalho. Súmula nº 44 do TST - AVISO PRÉVIO - A cessação da atividade da empresa, com o pagamento da indenização, simples ou em dobro, não exclui, por si só, o direito do empregado ao aviso prévio. EXTINÇÃO DA EMPRESA Conforme preceitua o artigo 501, da CLT, entende-se como força maior todo acontecimento inevitável, em relação à vontade do empregador, e para a realização do qual este não concorreu, direta ou indiretamente. A imprecaução do empregador exclui a razão de força maior. É necessário afetar substancialmente, ou suscetível de afetar, a situação econômica e financeira da empresa. Neste caso, as verbas rescisórias serão devidas pela metade. FORÇA MAIOR FACTUM PRINCIPIS É a paralisação temporária ou definitiva do trabalho, motivada por ATO DE AUTORIDADE MUNICIPAL, estadual ou federal, ou pela promulgação de lei ou resolução que IMPOSSIBILITE A CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE, prevalecerá o pagamento da indenização, que ficará a cargo do governo responsável (Art. 486, CLT). Saldo de Salário; 13º proporcional; Férias vencidas + 1/3; Férias proporcionais + 1/3 ; Aviso prévio; Autorizado o levantamento do FGTS. ATENÇÃO: A indenização da multa de 40% do FGTS ficará a cargo do Governo responsável pela determinação que levou a rescisão do contrato de trabalho. VERBAS RESCISÓRIAS Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas: I - por metade: a) o aviso prévio, se indenizado; e b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990; II - na integralidade, as demais verbas trabalhistas. DISTRATO § 1o A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta vinculada do trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I-A do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) do valor dos depósitos. § 2o A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso no Programa de Seguro-Desemprego.” DISTRATO DISPENSAS COLETIVAS Art. 477-A, CLT - As dispensas imotivadas individuais, plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, NÃO HAVENDO NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO PRÉVIA DE ENTIDADE SINDICAL ou de celebração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV O Plano de Demissão Voluntária normalmente ocorre em grandes corporações, em que a empresa oferece benefícios com valor maior que o da rescisão na forma prevista em lei, o que faz para compensar o desligamento do trabalhador. (Marlos A. Melek). Art. 477-B. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA ou Incentivada, para dispensa individual, plúrima ou coletiva, PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, ENSEJA QUITAÇÃO PLENA E IRREVOGÁVEL DOS DIREITOS DECORRENTES DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, salvo disposição em contrário estipulada entre as partes. HOMOLOGAÇÃO DA RESCISÃO Para o saque do FGTS e Seguro Desemprego, bastará a baixa na CTPS e a comunicação a apenas a um órgão oficial, de forma breve e informatizada. Não haverá mais necessidade de homologação do TRCT junto ao sindicato, mesmo tendo o contrato de trabalho mais de um ano de vigência, e tenha ocorrido o encerramento pelo motivo que for (Art. 477, caput, CLT - Marlos A. Melek). (Revogado o §1º, do artigo 477, da CLT) FORMALIDADES QUE DEVEM SER CUMPRIDAS PELO EMPREGADOR Art. 477, caput, CLT - Na extinção do contrato de trabalho, o empregador deverá proceder à ANOTAÇÃO NA CARTEIRA DE TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL, COMUNICAR A DISPENSA AOS ÓRGÃOS COMPETENTES e realizar o PAGAMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS no prazo e na forma estabelecidos neste artigo. § 6º A ENTREGA AO EMPREGADO DE DOCUMENTOS QUE COMPROVEM A COMUNICAÇÃO DA EXTINÇÃO CONTRATUAL aos órgãos competentes bem como o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até DEZ DIAS CONTADOS A PARTIR DO TÉRMINO DO CONTRATO. RECIBO DE QUITAÇÃO/TERMO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO (TRCT) O término do contrato de trabalho gera ao empregado o direito de recebimento das verbas rescisórias, no entanto, são diferentes para cada tipo de rescisão, sendo os valores apurados considerando a remuneração do empregado. Assim, é necessário a especificação de cada parcela rescisória paga ao empregado, com discriminação de seus respectivos valores, em instrumento de rescisão ou recibo de quitação. Art. 477, § 5º, CLT - Qualquer compensação no pagamento de que trata o parágrafo anterior não poderá exceder o equivalente a um mês de remuneração do empregado. PRAZO DE PAGAMENTO DA RESCISÃO O prazo de pagamento para qualquer modalidade de dispensa será de 10 dias contados a partir do término do contrato de trabalho (unificando os prazos) (Art. 477, § 6º, da CLT) FORMA DE PAGAMENTO Art. 477, § 4o O pagamento a que fizer jus o empregado será efetuado: I - em DINHEIRO, DEPÓSITO BANCÁRIO ou CHEQUE VISADO, conforme acordem as partes; ou II - em DINHEIRO ou DEPÓSITO BANCÁRIO quando o empregado for ANALFABETO. MULTA DO ARTIGO 477, DA CLT Preceitua o artigo 477, § 6º e 8º, CLT, que em caso de INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PAGAMENTO DA RESCISÃO (10 dias), além de multa administrativa imposta peloMTE (não revertida ao empregado), será condenado ao PAGAMENTO DA MULTA A FAVOR DO EMPREGADO, EM VALOR EQUIVALENTE AO SEU SALÁRIO, devidamente corrigido, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. MULTA DO ARTIGO 477, DA CLT OJ-SDI1-238 MULTA. ART. 477 DA CLT. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. APLICÁVEL (inserido dispositivo) - DJ 20.04.2005 - Submete-se à multa do artigo 477 da CLT a pessoa jurídica de direito público que não observa o prazo para pagamento das verbas rescisórias, pois nivela-se a qualquer particular, em direitos e obrigações, despojando-se do "jus imperii" ao celebrar um contrato de emprego. PRECEDENTES VINCULANTES TEMA 52 - Reconhecida em juízo a rescisão indireta do contrato de trabalho é devida a multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT. TEMA 71 - É devida a multa prevista no art. 477, § 8º, da CLT no caso de reversão da dispensa por justa causa em juízo. TEMA 127 - Extinto o contrato de trabalho na vigência da Lei nº 13.467/2017, é devida a aplicação da multa do artigo 477, § 8º, da CLT quando o empregador deixar de entregar os documentos que comprovem a comunicação da extinção contratual aos órgãos competentes em até dez dias do término do contrato, ainda que as verbas rescisórias sejam pagas no referido prazo. TEMA 142 - A multa prevista no art. 477, § 8º, da CLT incide sobre todas as parcelas de natureza salarial, não se limitando ao salário-base. PRECEDENTES VINCULANTES TEMA 164 - O pagamento parcial ou a menor das verbas rescisórias, no prazo legal, em razão do reconhecimento de diferenças em juízo, por si só, não enseja o pagamento da multa prevista no art. 477, § 8º, da CLT. TEMA 168 - O reconhecimento do vínculo de emprego em juízo não obsta a aplicação da multa prevista no art. 477, § 8º, da CLT, salvo quando o empregado comprovadamente der causa à mora. TEMA 186 - O atraso na homologação da rescisão contratual, quando o pagamento das verbas rescisórias é efetuado dentro do prazo legal, não enseja, por si só, a incidência da multa do art. 477, § 8º, da CLT. MULTA DO ARTIGO 467, DA CLT Art. 467, CLT. Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo CONTROVÉRSIA SOBRE O MONTANTE DAS VERBAS RESCISÓRIAS, o empregador é obrigado a PAGAR AO TRABALHADOR, À DATA DO COMPARECIMENTO À JUSTIÇA DO TRABALHO, A PARTE INCONTROVERSA dessas verbas, SOB PENA DE PAGÁ-LAS ACRESCIDAS DE CINQUENTA POR CENTO. TEMA 120 - É indevida a multa do art. 467 da CLT no caso de reconhecimento em juízo de vínculo de emprego, quando impugnada em defesa a natureza da relação jurídica. FALÊNCIA Súmula nº 388 do TST - MASSA FALIDA. ARTS. 467 E 477 DA CLT. INAPLICABILIDADE (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 201 e 314 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005. A MASSA FALIDA NÃO SE SUJEITA À PENALIDADE DO ART. 467 E NEM À MULTA DO § 8º DO ART. 477, AMBOS DA CLT. TEMA 139 - A recuperação judicial, diversamente do que ocorre na falência, não exime a empresa do pagamento das multas previstas nos artigos 467 e 477, § 8º, da CLT. PRESCRIÇÃO Art. 11. A pretensão quanto a créditos resultantes das relações de trabalho prescreve em cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho. § 1º O disposto neste artigo não se aplica às ações que tenham por objeto anotações para fins de prova junto à Previdência Social. CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO Súmula nº 308 do TST - PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL I. Respeitado o biênio subsequente à cessação contratual, a prescrição da ação trabalhista concerne às pretensões imediatamente anteriores a cinco anos, contados da data do ajuizamento da reclamação e, não, às anteriores ao quinquênio da data da extinção do contrato. II. A norma constitucional que ampliou o prazo de prescrição da ação trabalhista para 5 (cinco) anos é de aplicação imediata e não atinge pretensões já alcançadas pela prescrição bienal quando da promulgação da CF/1988. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO Art. 11 - § 3o A interrupção da prescrição somente ocorrerá pelo ajuizamento de reclamação trabalhista, mesmo que em juízo incompetente, ainda que venha a ser extinta sem resolução do mérito, produzindo efeitos apenas em relação aos pedidos idênticos. Súmula nº 268 do TST - PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. AÇÃO TRABALHISTA ARQUIVADA. A ação trabalhista, ainda que arquivada, interrompe a prescrição somente em relação aos pedidos idênticos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Art. 11-A. Ocorre a prescrição intercorrente no processo do trabalho no prazo de dois anos. § 1o A fluência do prazo prescricional intercorrente inicia-se quando o exequente deixa de cumprir determinação judicial no curso da execução. § 2o A declaração da prescrição intercorrente pode ser requerida ou declarada de ofício em qualquer grau de jurisdição. REFERÊNCIAS: MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do trabalho. 33. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. PINTO, José Augusto Rodrigues. Tratado de direito material do trabalho.São Paulo: LTr. 2007. MELEK , Marlos Augusto. Trabalhista! O que mudou? Reforma Trabalhista 2017. Curitiba: Estudo Imediato Editora, 2017. ALMEIDA, André Luiz Paes de. Direito do Trabalho. 2010. NASCIMENTO, Amauri Mascaro: Curso de direito do trabalho. 23ª edição, São Paulo: Saraiva, 2008. http://www4.planalto.gov.br/legislacao http://www.tst.jus.br/ image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.png image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.jpeg image29.jpeg image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.jpeg image34.jpeg image35.jpeg image36.jpeg image37.jpeg image38.jpeg image39.jpeg image40.jpeg image41.jpg image42.jpg image43.png