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296 | FEMINA 2026;54(4):296-305 PONTOS-CHAVE • A anemia afeta 30% da população mundial, sendo a deficiência de ferro a principal causa, responsável por até 60% das ocorrências. • A prevalência de deficiência de ferro em gestantes chega a 35% globalmente e a 46% em países de baixa renda. • A anemia ferropriva é associada a maior morbidade materna, mortalidade e desfechos perinatais adversos (prematuridade, baixo peso fetal). • A suplementação de ferro na gestação e puerpério é fundamental na prevenção de quadros de anemia. • O tratamento da anemia ferropriva com suplementação de ferro reduz a mortalidade, transfusões e custos hospitalares, e deve ser realizado, predominantemente, com reposição de ferro por via oral. • O tratamento da anemia ferropriva por meio de ferro injetável deve ser reservado para situações específicas, tais como intolerância à terapia oral, gestações acima de 34 semanas com hemoglobina (Hb) baixa, Hb ≤ 8 g/dL, cirurgias programadas e resposta inadequada à terapêutica oral. • A eritropoietina é segura na gestação e pode ser uma alternativa, em conjunto com o ferro injetável, em situações específicas. • A transfusão sanguínea não é uma opção terapêutica para anemia ferropriva, no entanto, em casos raros e graves de anemia gestacional, o médico responsável poderá avaliar o risco do suporte transfusional, frisando-se que essa modalidade não corrige as reservas de ferro do organismo. RECOMENDAÇÕES • Os níveis de hemoglobina (Hb) na gestação são menores por conta da hemodiluição gestacional, considerando- se normal Hb ≥ 11 g/dL no primeiro e terceiro trimestres e Hb ≥ 10,5 g/dL no segundo trimestre. • Não recomendamos a realização rotineira de exames para avaliação da reserva de ferro na gestação de risco habitual, tais como ferritina e/ou saturação de transferrina séricas. • A suplementação de ferro deve ser prescrita para toda grávida após o diagnóstico e até três meses após o parto. A dose prescrita é de 30 a 60 mg de ferro elementar, administrado uma vez ao dia em jejum. Nos casos de intolerância, pode-se prescrever a dose de 120 mg de ferro elementar uma vez por semana. • O diagnóstico de anemia na gestação é definido quando Hb 34 semanas), independentemente do grau de Hb; anemia com Hb ≤ 8,0 g/dL (avaliar a associação com eritropoetina); cirurgias programadas em período menor que 30 dias com risco de sangramento > 500 mL em gestantes com anemia; resposta inadequada à terapia com ferro oral (aumento insuficiente dos níveis de Hb 34 semanas e que não responderem ao ferro isoladamente (oral ou IV); anemia com Hb2026;54(4):296-305 Maganha CA, Santos AA, Mocarzel CC, Oliveira RP, Céspedes IC, Mattar R se materna.(4) Na gravidez, a DF geralmente é devida a um desequilíbrio entre demanda e oferta, que piora à medida que a gravidez avança.(4) A anemia pode ter consequências a longo prazo, mas especificamente na gravidez está associada ao aumento do risco de ce- sárea e mortalidade materna, podendo contribuir com resultados adversos no recém-nascido, incluindo re- dução do peso ao nascer e da duração da gestação.(9-11) A suplementação rotineira de ferro elementar é assun- to controverso na literatura.(12) No entanto, o manual de gestação de alto risco do Ministério da Saúde re- comenda a suplementação de ferro para praticamente todas as gestantes, à exceção daquelas com doenças caracterizadas por sobrecarga de ferro, por exemplo, anemias hemolíticas e hemocromatose.(10) A suple- mentação de ferro deve ser prescrita para toda grávida após o diagnóstico e até três meses após o parto. A dose recomendada é de 30 a 60 mg de ferro elementar, administrada uma vez ao dia, em jejum.(13) Por outro lado, a OMS recomenda doses distintas no decorrer da gestação, sendo uma dose por via oral menor que 30 a 60 mg/dia de ferro elementar desde o início(14) e uma dose maior que 60 a 100 mg/dia de ferro elementar a toda gestante, a partir do início do segundo trimestre da gravidez (ou da vigésima semana de gestação) até o primeiro ao terceiro mês pós-parto, sobretudo na- quelas com valores de ferritina menores que 30 ng/ mL.(4,10,11) A OMS recomenda ainda como alternativa, em casos selecionados de intolerância gastrointestinal ou exclusão de DF (por meio de dosagem de Hb), o uso de 120 mg uma vez na semana.(14) Para a adequada efetividade da suplementação, é ideal que o composto de ferro seja ingerido no intervalo entre as refeições ou antes de dormir. A absorção oral do ferro pode ser aumentada fazendo a sua reposição juntamente com vitamina C e alimentos ácidos e/ou administrando os compostos ferrosos em jejum ou pelo menos 60 mi- nutos antes das refeições. Em contrapartida, antiáci- dos, bloqueadores H2, inibidores da bomba de prótons, café e cálcio (leite e derivados) reduzem a absorção oral do ferro, assim como uso de polivitamínicos e mi- nerais, pois os metais iônicos divalentes (como zinco, cobre e manganês) competem entre si na absorção gastrointestinal.(10,11) QUANDO SUSPEITAR QUE UMA GESTANTE ESTÁ COM ANEMIA FERROPRIVA E COMO REALIZAR O DIAGNÓSTICO? Nos casos de anemia leve a moderada, na maioria das vezes, as gestantes são oligossintomáticas, porém nos casos graves pode haver sintomas como palidez cuta- neomucosa, fadiga, astenia, inapetência, taquicardia e/ou dispneia sem patologia pulmonar ou cardíaca e estar presente um sopro sistólico no foco mitral (fisio- lógico).(10,11) Na quase totalidade dos cenários clínicos, o diagnóstico da anemia ferropriva será baseado nos achados do hemograma. A avaliação dos índices hema- timétricos, em especial do volume corpuscular médio (VCM) e da hemoglobina corpuscular média (HCM), é de grande utilidade no diagnóstico sindrômico das ane- mias. O diagnóstico definitivo da anemia gestacional é feito por meio da detecção de Hb 100 μm) sugere a possibilidade de anemia megaloblástica, habitualmente causada por de- ficiência de vitamina B12, mas pode ser consequência da carência de ácido fólico. A dosagem desses elementos | 299 FEMINA 2026;54(4):296-305 Anemia ferropriva na gestação: prevenção, diagnóstico e tratamento Não Pré-natal normal HCM (hemoglobina corpuscular média) e VCM (volume corpuscular médio) Ferritina sérica Saturação de transferrina Solicitar hemograma Investigar outras causas ANEMIA FERROPRIVA HEMOGLOBINA PLASMÁTICA mais bem controladas.(9) 300 | FEMINA 2026;54(4):296-305 Maganha CA, Santos AA, Mocarzel CC, Oliveira RP, Céspedes IC, Mattar R As concentrações de Hb são reduzidas por doenças agudas e crônicas. Em alguns cenários clínicos de in- flamação, doenças autoimunes, infecção, câncer, insu- ficiência cardíaca e até obesidade, verifica-se que há redução na eritropoiese devido à deficiência funcional de ferro e também menor sobrevivência dos glóbulos vermelhos.(18) Na insuficiência renal, as concentrações de Hb estão reduzidas devido à deficiência funcional de ferro, mas fundamentalmente em virtude da menor produção do eritropoetinogênio, precursor da eritro- poetina (EPO), uma glicoproteína que estimula a pro- dução de glóbulos vermelhos. Muitos medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios e/ou quimioterápicos) podem reduzir as concentrações de Hb idiossincrati- camente ou de maneira dose-dependente.(18) Outras condições clínicas, como a presença de hipoxia (por exemplo, tabagismo, doença respiratória, obesidade, apneia do sono ou altitude elevada de residência), po- dem aumentar as concentrações de Hb.(18) NA GESTAÇÃO, QUAIS EXAMES DEVEM SER SOLICITADOS, COM QUE FREQUÊNCIA E COMO ELES DEVEM SER INTERPRETADOS? A recomendação mais prevalente entre as sociedades e consensos estipula a realização de hemograma, com avaliação do VCM e da HCM, no início da gestação e também no início do terceiro trimestre (28 semanas), ou quando houver alguma intercorrência nesse perío- do.(4) A interpretação da concentração de Hb e/ou he- matócrito (Ht) já foi discutida (Tabela 1) e leva em con- sideração a hemodiluição da gestação. Recentemente, o The US Preventive Services Task Force (USPSTF) não encontrou evidências na realização rotineira e siste- mática de hemograma na gestação de mulheres não adolescentes e sem sintomatologia de anemia.(19) No entanto, há várias evidências na literatura de que o tratamento da anemia melhora desfechos clínicos.(8) Na gestação de risco habitual, não existem evidências para a realização rotineira da dosagem de ferritina sé- rica.(4,10,11) No entanto, na vigência de anemia é o principal exame para mensurar a reserva de ferro do organismo materno e poderá ser necessário para o diagnóstico dife- rencial de outras causas de anemia durante a gestação. A dosagem da saturação de transferrina também não é solicitada rotineiramente, mas pode ser uma alternativa para o diagnóstico de anemia ferropriva nos casos forte- mente suspeitos com dosagem de ferritina inconclusiva. COMO TRATAR A ANEMIA FERROPRIVA COM SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO POR VIA ORAL NAS DIFERENTES FASES DA GESTAÇÃO E PUERPÉRIO? O tratamento da anemia ferropriva deve priorizar sem- pre que possível a reposição de ferro por via oral, por ser mais segura, prática e de menor custo, no entanto, na maioria das vezes, é mais lenta e menos efetiva.(20) Em cenários de anemia (Hb 30 ng/mL — após dois a seis meses). A dose e a duração da reposição de ferro vão variar conforme a depleção do estoque de ferro, a idade, o tempo, os efeitos colaterais e a causa da anemia.(21,22) A divisão da dose diminui a saturação de absorção do ferro por dose e melhora a eficácia do tratamento.(23) Estudos re- centes sugerem a administração de sais de ferro em dias alternados, pela possibilidade de maior eficácia e melhor tolerabilidade,(24) porém a padronização desse tratamento ainda necessita de mais evidências para sua recomendação. Uma das explicações é que a ad- ministração de ferro em altas doses induz a produção de hepcidina, que, por sua vez, causa diminuição da absorção do ferro, fato que justificaria a utilização do ferro em dias alternados. A absorção oral do ferro pode ser aumentada fazendo a sua reposição juntamente com vitamina C e alimentos ácidos e/ou administran- do os compostos ferrosos em jejum ou pelo menos 60 minutos antes das refeições. Antiácidos, bloqueadores H2, inibidores da bomba de prótons, café e cálcio (leite e derivados) reduzem a absorção oral do ferro, assim como o uso de polivitamínicos-minerais, pois os me- tais iônicos divalentes (como zinco, cobre e manganês) competem entre si na absorção gastrointestinal. Para facilitar a prescrição, elaboramos a tabela dos com- postos de ferro e suas respectivas quantidades de fer- ro elementar (Tabela 3). O controle da efetividade do tratamento deve ser realizado por meio da avaliação do nível de Hb obtido no hemograma, podendo ser solicitado a cada 15 dias ou mensalmente a depender da idade gestacional e do nível de anemia. O esperado após a instituição do tratamento com reposição de ferro por via oral é que a Hb eleve ao menos 0,3 g/dL a cada semana. Uma vez que a Hb entre na faixa de normalidade, há necessida- de de manutenção da reposição de ferro oral por mais três meses e até pelo menos seis meses após o parto. Os efeitos adversos mais comumente relacionados ao ferro por via oral são gastrointestinais: constipação, diarreia, epigastralgia, náuseas e vômitos. COMO E QUANDO TRATAR A ANEMIA FERROPRIVA COM SUPLEMENTAÇÃO DE FERRO POR VIA PARENTERAL NA GESTAÇÃO? A reposição de ferro por via parenteral, preferencialmen- te IV, é considerada mais eficaz e mais bem tolerada do que o ferro por via oral. Sendo assim, a administração IV resulta em correção das reservas de ferro de forma mais | 301 FEMINA 2026;54(4):296-305 Anemia ferropriva na gestação: prevenção, diagnóstico e tratamento rápida, melhor adesão ao tratamento e melhor qualidade de vida.(27,28) Contudo, deve ser reservada para situações específicas, uma vez que são mais caras e necessitam infraestrutura de administração. As principais indicações para terapia IV são: intolerância à terapia com ferro oral; anemia que requer rápida normalização (gravidez avan- çada > 34 semanas), independentemente do grau de ane- mia; anemia com Hb ≤ 8 g/dL em pacientes com menos de 28 semanas de gestação por DF (ferritina 500 mL em gestantes com anemia; resposta inadequada à terapia com ferro oral (aumento insuficiente dos níveis de Hb2 drágeas Gotas: 125 mg/mL 25 mg/mL 2 gotas/kg peso Hidróxido de ferro III polimaltosado ou ferripolimaltose (30% de ferro elementar) Comprimido: 435 mg 123 mg 2 comprimidos Comprimido mastigável: 330 mg 100 mg 2 comprimidos Solução: 330 mg/mL 100 mg/mL 1 mL/5 kg peso Gotas: 182 mg/mL 50 mg/mL 1 gota/kg peso Ferro quelato glicinato ou glicinato férrico (20% de ferro elementar) Comprimido: 150 mg 30 mg 5 comprimidos Comprimido: 300 mg 60 mg 3 comprimidos Comprimido mastigável: 500 mg 100 mg 2 comprimidos Flaconetes: 250 mg/5 mL 50 mg/5 mL 4 flaconetes Gotas: 250 mg/mL 50 mg/mL 1 gota/kg peso Ferrocarbonila (33% de ferro elementar) Drágea: 400 mg 120 mg 2 drágeas Fumarato ferroso (33% de ferro elementar) Comprimido: 200 mg 60 mg 3 comprimidos Gluconato ferroso (12% de ferro elementar) Comprimido: 300 mg 36 mg 6 comprimidos Fonte: Adaptada de Arruda e Figueiredo (2013).(25) Cançado et al. (2010).(26) Quadro 1. Indicações de reposição de ferro intravenosa na gestação Intolerância à terapia oral Anemia ferropriva > 34 semanas (requer rápida normalização) Anemia ferropriva com Hb ≤ 8 g/dL Anemia ferropriva com cirurgias programadas em até 30 dias com risco de sangramento > 500 mL (inclui parto) Resposta inadequada à terapêutica por via oral: elevação da Hb 34 semanas e que não respon- derem ao ferro isoladamente (oral ou IV); anemia com Hb 34 semanas. NOTA IMPORTANTE: A EPO tem muito baixa eficácia em um cenário de DF, portanto, nos cenários de anemia ferropriva, a suplementação de ferro sempre deverá anteceder o tratamento com EPO. ATUALMENTE, EXISTEM INDICAÇÕES DE TRANSFUSÃO SANGUÍNEA NO TRATAMENTO DE ANEMIA FERROPRIVA? Não temos evidências na literatura atual para tratar a anemia ferropriva com transfusão de sangue alogêni- co. No entanto, em raros cenários clínicos de anemia gestacional grave, o médico responsável pela paciente poderá avaliar o risco do suporte transfusional, tendo em vista que essa terapia apenas contribui para elevar os níveis de Hb, mas não corrige a DF corporal, deven- do-se instituir rapidamente o tratamento endovenoso com ferro associado e EPO.(43,44) QUAIS SÃO AS RECOMENDAÇÕES PARA O ACOMPANHAMENTO OBSTÉTRICO PRÉ-NATAL DE UMA GESTANTE COM ANEMIA FERROPRIVA? Uma vez confirmado o diagnóstico de anemia ferro- priva, as medidas terapêuticas para reposição desse elemento devem ser iniciadas imediatamente, para evitar repercussões maternas e fetais. A presença de sintomas, o grau de anemia, a DF e a existência de re- percussões fetais influenciarão no intervalo de con- sultas a ser adotado e na frequência de exames la- boratoriais de controle pós-tratamento e de exames de avaliação fetal. A DF não deve influenciar na via de parto, que obedecerá às indicações obstétricas tradi- cionais. É importante tentar maximizar as reservas de ferro e a correção da anemia antes do parto, visto que pacientes com essas condições são mais propensas a complicações em caso de hemorragia pós-parto.(4,45) O conhecimento da Hb pré-parto pode orientar sobre adoção de cuidados como garantia de acesso periféri- co, local adequado para a realização do parto, reserva de hemoderivados, além das medidas gerais de pre- venção de hemorragia adotadas universalmente.(28) O conhecimento sobre o valor da Hb 48 horas após parto é sugerido para mulheres com perda sanguínea > 500 mL, aquelas com anemia não corrigida no período an- tenatal ou para pacientes com sintomas sugestivos de anemia pós-parto, como forma de guiar a adequada terapia a ser implementada.(4) | 303 FEMINA 2026;54(4):296-305 Anemia ferropriva na gestação: prevenção, diagnóstico e tratamento CONSIDERAÇÕES FINAIS A anemia ferropriva é uma condição altamente preva- lente durante a gestação, com impacto clínico signifi- cativo tanto para a saúde materna quanto fetal. Está associada a aumento do risco de complicações como parto cesáreo, prematuridade, baixo peso ao nascer e mortalidade materna. A suplementação universal de ferro é recomendada para praticamente todas as ges- tantes, a partir do segundo trimestre até o puerpério. A detecção precoce da deficiência de ferro e o diagnóstico oportuno da anemia ferropriva tornam-se fundamentais para a prevenção de desfechos adversos. O hemogra- ma, com especial atenção aos níveis de hemoglobina, e a dosagem da ferritina sérica são os principais exames utilizados para o rastreio e diagnóstico dessa condição. O tratamento deve priorizar a via oral, por ser mais se- gura e de menor custo, embora em situações específicas — como intolerância gastrointestinal, necessidade de correção rápida ou falha na resposta ao tratamento oral — seja indicada a administração intravenosa do ferro. Além disso, a eritropoetina pode ser empregada como adjuvante em casos de anemia grave ou refratária, es- pecialmente na presença de comorbidades, como insu- ficiência renal. A transfusão sanguínea, por sua vez, não é recomendada notratamento da anemia ferropriva. No seguimento obstétrico, a via de parto deve seguir crité- rios obstétricos tradicionais e não ser modificada pela presença de anemia, mas a monitorização dos níveis de hemoglobina no pré e pós-parto é recomendada, espe- cialmente em casos com perda sanguínea significativa ou anemia não corrigida previamente. REFERÊNCIAS 1. GBD 2015 Disease and Injury Incidence and Prevalence Collaborators. Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016;388(10053):1545-602. doi: 10.1016/ S0140-6736(16)31678-6 2. GBD 2019 Risk Factors Collaborators. 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Carlos Alberto Maganha Faculdade de Ciências Médicas de São José dos Campos, São José dos Campos, SP, Brasil. Antonio Alceu dos Santos Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Carolina Carvalho Mocarzel Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Rone Peterson Cerqueira Oliveira Universidade Federal da Bahia e Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Salvador, BA, Brasil. Isabel Cristina Céspedes Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Rosiane Mattar Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Conflitos de interesse: Nada a declarar. Disponibilidade dos dados: Os dados da pesquisa estão disponíveis no artigo. https://orcid.org/0000-0002-3815-4051 https://orcid.org/0000-0002-9094-451X https://orcid.org/0000-0003-4752-3952 https://orcid.org/0000-0003-2211-1716 https://orcid.org/0000-0003-4806-3548 https://orcid.org/0000-0003-1405-5371 | 305 FEMINA 2026;54(4):296-305 Anemia ferropriva na gestação: prevenção, diagnóstico e tratamento Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) Presidente: Rosiane Mattar Vice-presidente: Inessa Beraldo de Andrade Bonomi Secretária: Mylene Martins Lavado Membros: Carlos Alberto Maganha Carolina Carvalho Mocarzel Elton Carlos Ferreira Fernanda Santos Grossi Janete Vettorazzi Maria Rita de Figueiredo Lemos Bortolotto Renato Teixeira Souza Rone Peterson Cerqueira Oliveira Sara Toassa Gomes Solha Vera Therezinha Medeiros Borges Willian Schneider da Cruz Krettli