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GASTRITE, ÚLCERA HDA Isadora Mocelin 3° ano Isadora Mocelin - 3 º ano CASO 9 - GASTRITE, ÚLCERA PÉPTICA E HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA QUESTÕES: 1. DEFINA E CLASSIFIQUE A SÍNDROME DISPÉPTICA 1B. DEFINA, CLASSIFIQUE, EXPLIQUE A FISIOPATOLOGIA, FATORES DE RISCO, MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA H.PYLORI 2. IDENTIFIQUE OS FATORES DE RISCO E A EPIDEMIOLOGIA DA GASTRITE 3. EXPLIQUE A FISIOPATOLOGIA DA SÍNDROME DISPÉPTICA CORRELACIONANDO COM AS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 4. DESCREVA AS COMPLICAÇÕES DA SÍNDROME DISPÉPTICA (ÚLCERA/PERFURAÇÃO, HDA, CHOQUE HIPOVOLÊMICO E HEMORRÁGICO) 5. ESQUEMATIZE O DIAGNÓSTICO DA ÚLCERA PÉPTICA E SEUS EXAMES COMPLEMENTARES, BEM COMO OS ACHADOS DA ENDOSCOPIA 6. EXPLIQUE O MANEJO E TRATAMENTO DA ÚLCERA PÉPTICA E HDA CALENDÁRIO: Isadora Mocelin - 3 º ano GASTRITE : DEFINIÇÃO : ● É definida como inflamação do revestimento do estômago associada à lesão da mucosa gástrica ● seu diagnóstico é somente feito através do histopatológico ● representa a resposta do estômago a uma agressão ● seu fator etiológico mais frequente é a H. pylori ● após a infecção aguda a maioria das gastrites evolui para gastrite crônica ativa → células mononucleares predominantemente de linfócitos, plasmócitos e macrófagos CARACTERÍSTICAS : ★ GASTRITE CRÔNICA: ● é uma condição inflamatória da mucosa gástrica que pode afetar diferentes regiões do estômago e exibir graus diferentes de lesões da mucosa ● são reconhecidos 3 tipos de gastrite: 1) pangastrite 2) gastrite predominante de corpo 3) gastrite predominante de antro CLASSIFICAÇÃO : Isadora Mocelin - 3 º ano Sistema Sidney apresenta duas divisões: histológica x endoscópica → POUCO USADO NA PRÁTICA!!! ● ramo topográfico: mostra a distribuição da gastrite (antro, corpo ou estômago) ● ramo morfológico: descreve as 5 variáveis histológicas (inflamação crônica, atividade neutrofílica polimorfonuclear, atrofia glandular, metaplasia intestinal e densidade de H pylori) → intensidade leve, moderada e aumentada O Sistema Sydney Atualizado reconhece três modelos morfológicos: gastrite aguda, gastrite crônica e formas especiais. Gastrite aguda: o diagnóstico da gastrite aguda é raro com a realização de biópsias, já que ela é, geralmente, uma condição transitória. O diagnóstico baseia-se em um infiltrado inflamatório da mucosa predominantemente de neutrófilos, sendo mínimo, se houver, o aumento de linfócitos e plasmócitos. Outros aspectos, como edema, erosões e hemorragia, são comuns. Gastrite crônica: há um aumento de linfócitos e plasmócitos no interior da lâmina própria, não acompanhados de modelos organizados reco- nhecíveis como uma “forma especial”. A atividade da gastrite crônica é dada pelo infiltrado de neutrófilos que pode acompanhá-la na lâmina própria, criptas gástricas e epitélio superficial. Formas especiais: essa categoria contém uma variedade de entidades nas quais o epitélio ou o infiltrado inflamatório tem um modelo reconhecido, com implicações clínicas ou patogêni- cas estabelecidas, embora seja desconhecida a etiologia exata. Pode ser a manifestação gástrica de uma doença sistêmica. Isadora Mocelin - 3 º ano Isadora Mocelin - 3 º ano ➢ Gastrite aguda: - As causas mais comuns de gastrite aguda são infecciosas. A infecção aguda por H. pylori induz gastrite. Entretanto, a gastrite aguda do H. pylori não foi estudada extensamente. É relatada como manifestação de início súbito de dor epigástrica, náuseas e vômitos, e alguns estudos histológicos da mucosa, embora limitados, mostraram um acentuado infiltrado de neutrófilos com edema e hiperemia. Se não tratado, esse quadro evoluirá para um quadro de gastrite crônica. - A infecção aguda por H. pylori pode ser seguida de hipocloridria com duração de até 1 ano. - A infecção bacteriana do estômago ou gastrite flegmonosa é um distúrbio raro e potencialmente ameaçador caracterizado por infiltrados inflamatórios agudos marcantes e difusos de toda a parede gástrica, às vezes acompanhados de necrose. Os indivíduos idosos, os alcoolistas e os pacientes com Aids podem ser afetados. As causas iatrogênicas potenciais incluem polipectomia e injeção da mucosa com tinta nanquim. Os microrganismos associados a essa entidade incluem estreptococos, estafilococos, Escherichia coli, Proteus e espécies de Haemophilus. O fracasso das medidas de suporte e dos antibióticos pode levar à necessidade de gastrectomia. - Outros tipos de gastrite infecciosa podem ocorrer nos indivíduos imunocomprometidos, como ocorre nos pacientes com Aids. Exemplos incluem gastrite herpética (herpes simples) ou induzida pelo CMV. Nessa última, deve-se observar o achado histológico de inclusões intranucleares. → gastrites infecciosas: 1) citomegalovírus, sarampo, enterovírus micobactérias, sífilis , fungos, parasitas Isadora Mocelin - 3 º ano ➢ Gastrite crônica - A gastrite crônica é identificada histologicamente por um infiltrado de células inflamatórias que consiste principalmente em linfócitos e plasmócitos, com participação muito escassa de neutrófilos. - A distribuição da inflamação pode ser desigual e irregular, acometendo a princípio as porções superficiais e glandulares da mucosa gástrica. - Esse quadro pode progredir para uma destruição glandular mais acentuada, com atrofia e metaplasia. - A gastrite crônica tem sido classificada de acordo com as características histológicas, que incluem alterações atróficas superficiais e atrofia gástrica. A associação da gastrite atrófica com o desenvolvimento de câncer gástrico levou ao desenvolvimento de marcadores endoscópicos e sorológicos de gravidade. - A fase inicial da gastrite crônica é representada por uma gastrite superficial. As alterações inflamatórias se limitam à lâmina própria da mucosa superficial, com edema e infiltrados celulares que separam glândulas gástricas intactas. O estágio seguinte é a gastrite atrófica. O infiltrado inflamatório se estende mais profundamente para dentro da mucosa, com distorção progressiva e destruição das glândulas. O estágio final da gastrite crônica é a atrofia gástrica. As estruturas glandulares são perdidas, e existe escassez de infiltrados inflamatórios. Na endoscopia, a mucosa pode estar substancialmente fina, possibilitando uma visualização clara dos vasos sanguíneos subjacentes. - As glândulas gástricas podem sofrer transformação morfológica na gastrite crônica. A metaplasia intestinal denota a transformação das glândulas gástricas para um fenótipo próprio do intestino delgado com glândulas mucosas intestinais contendo células caliciformes. As alterações metaplásicas podem variar de distribuição de um acometimento gástrico desigual e irregular a razoavelmente extenso. A metaplasia intestinal é um importante fator predisponente para câncer gástrico - A gastrite crônica também é classificada de acordo com o local predominante de acometimento. ★ O tipo A refere-se à forma que predomina no corpo do estômago (autoimune), ★ tipo B é a forma com predomínio antral (relacionada com H. pylori). Essa classificação é artificial emvista da dificuldade na diferenciação dessas duas entidades. O termo gastrite AB tem sido usado para referir-se a um quadro misto de antro/corpo gástrico. ★ alguns autores classificam tipo C (medicamentos– AINE) ❖ GASTRITE TIPO A: ● A menos comum das duas formas acomete sobretudo o fundo e o corpo, com preservação antral. ● Tradicionalmente, essa forma de gastrite tem sido associada à anemia perniciosa na presença de anticorpos circulantes contra células parietais e FI; por conseguinte, é também denominada gastrite autoimune. A infecção por H. pylori pode levar a uma distribuição semelhante da gastrite. As características de um quadro autoimune nem sempre estão presentes. ● Foram detectados anticorpos contra as células parietais em >90% dos pacientes com anemia perniciosa e em até 50% dos pacientes com gastrite tipo A. O anticorpo contra as células parietais é dirigido contra a Isadora Mocelin - 3 º ano H+,K+-ATPase. As células T também estão implicadas no padrãocom insuficiência cardíaca e renal que toleram mal a sobrecarga de fluido, embora sua indicação absoluta seja apenas em sangramentos intracranianos. - Fator VIIa recombinante deve ser reservado apenas para pacientes com hemorragia com risco à vida. - Se fibrinogênio baixo, considerar crioprecipitado objetivo da transfusão: - A avaliação da concentração de hemoglobina é importante no início e, depois, de maneira seriada para avaliar a resposta à transfusão. Uma anemia profunda (hemoglobina abaixo de 7,5 g/dL) compromete a capacidade de transporte de oxigênio e diminui potencialmente a oxigenação dos órgãos e tecidos nobres. Deve ser monitorada a cada 2 a 8 horas, dependendo da gravidade da hemorragia. - Hb > 7g/dl - 9g/dl - manutenção do hematócrito acima de 30% em pacientes idosos ou portadores de enfermidades nos quais as perdas sanguíneas impliquem em risco maior - coronariopatias - manutenção do hematócrito acima de 20-25% em pacientes jovens e saudáveis - pct com hipertensão portal – não deixar o hematócrito passar de 27-28% por risco de elevação da pressão venosa portal Isadora Mocelin - 3 º ano → considerar para intubação: hematêmese significativa ou pacientes que não são capazes de proteger via aérea sob risco de aspiração → encaminhar ao CTI – pct hemodinamicamente instável e/ou portadores de comorbidades objetivo: → pacientes em uso de AAS = podem continuar o uso, porém se uso de AAS + segundo antiagregante = precisa cessar - AAS por causa secundária ex IAM, AVC → mantém - AAS por causa primária → tira → se o paciente precisar de AINE → escolher um inibidor seletivo de COX-2 4. determinação da fonte do sangramento pela EDA e parada do sangramento ativo → por terapia farmacológica, endoscópica, angiográfica e cirúrgica ● EDA: ★ Pacientes com úlcera péptica Forrest Ia, Ib e IIa apresentam maior chance de ressangramento nas primeiras 48 a 72 horas do início da hemorragia. Portanto, deve-se realizar a terapêutica endoscópica no sentido de diminuir o ressangramento, a necessidade de transfusão de hemoderivados, a indicação de cirurgias e a mortalidade. Isadora Mocelin - 3 º ano Isadora Mocelin - 3 º ano Ou seja, o tratamento cirúrgico é feito de exceção na HDA péptica, quando há: 1. insucesso em estabilizar o paciente para que ele possa receber a endoscopia 2. falha terapêutica em 2 endoscopias seguidas, com persistência/recidiva do sangramento. ● A úlcera duodenal habitualmente sangra pela parede posterior ao atingir a artéria gastroduodenal. Sua hemostasia pode ser obtida, de forma cirúrgica, por pilorotomia ou duodenotomia anterior, seguida de sutura hemostática da úlcera. Após o controle da hemorragia, medidas para diminuir a secreção ácida pelo estômago podem ser realizadas, como a vagotomia troncular (associada à piloroplastia, para evitar disfunção pilórica) ou a antrectomia com vagotomia (procedimento maior, que deve ser evitado nos doentes instáveis). Numa úlcera gástrica, porém, a sutura da lesão seguida de sua ressecção é a melhor alternativa ● Nos pacientes de alto risco, pode-se optar pela vagotomia + piloroplastia + biópsia da lesão - Em pacientes que vão manter uso de terapia antiplaquetária após controle da HDA é recomendado manter profilaxia com inibidores de bomba de prótons; o mesmo vale para pacientes em uso de anticoagulantes orais. 6. tratamento da doença de base: ● pesquisa de H pylori com biópsia é feita já na EDA → cuidar porque o anatomopatológico da H pylori pode dar negativo em consequência do sangramento, assim deve-se repetir com teste não invasivo caso este seja negativo ● tratar H pylori se + → não todos pois pode piorar o sangramento Isadora Mocelin - 3 º ano 7. prevenção de sangramento recorrente - Os pacientes com história de úlceras pépticas devem ser testados para H. pylori e tratados se houver infecção - o uso de IBP em pacientes com mais de 60 anos que forem usar anti-inflamatórios não esteroidais ou corticoides é recomendado. IBP também é indicado em pacientes com dispepsia ou sintomas de refluxo. - Em pacientes com a doença ulcerosa associada ao H. pylori, um tratamento de erradicação é significativamente mais eficaz do que o tratamento antissecretório de manutenção a longo prazo com os inibidores da bomba de prótons ou bloqueadores H2 - Em usuários de anti- inflamatórios não esteroidais, o tratamento com a combinação de um inibidor da bomba de prótons e o celecoxib foi melhor do que o celecoxib isoladamente na prevenção de sangramento recorrente por úlcera 8. seguimento: - Todos os pacientes com HDA têm indicação de internação hospitalar, exceto se hemorragia com escore de Glasgow Blatchford de 0. - Pacientes com HDA ativa devem ser internados em UTI. - Todos os pacientes com HDA necessitam de seguimento ambulatorial; no caso de sangramento por úlceras pépticas, é necessário confirmar a cura ambulatorialmente. Nas hemorragias por varizes esofágicas, deve-se realizar a profilaxia ambulatorial - Second look → não é recomendado para todos os pacientes Isadora Mocelin - 3 º ano Isadora Mocelin - 3 º ano HDA VARICOSA: → atentar-se : paciente cirrótico - pesquisar por histórico de etilismo - ao exame físico = hipertensão portal → circulação colateral HIPERTENSÃO PORTAL ● aumento da p. sinusoidal hepática em 6 mmHg + ★ Circulação colateral/ shunts portossistêmicos e varizes: Isadora Mocelin - 3 º ano LOCAIS DE FORMAÇÃO DA VASCULATURA COLATERAL: ➢ reto = VMI + veia pudenda ➢ retroperitônio = vasos colaterais + veias ilíacas ➢ umbigo = veia umbilical vestigial + veia porta esquerda → forma vasos colaterais em torno do umbigo (Cabeça de medusa) ➢ pode ocorrer desvio do sangue dos capilares pulmonares interferindo na oxigenação = cianose ➢ porção distal do esôfago = VARIZES GASTROESOFÁGICAS ➢ porção proximal do estômago Os vasos colaterais mais importantes são os que interligam as veias porta e coronária, resultando na inversão do fluxo e na formação de dilatações varicosas de paredes finas na camada submucosa do esôfago. Essas varizes esofágicas de paredes finas podem romper e causar hemorragias profundas e fatais em alguns casos. A síntese hepática reduzida dos fatores de coagulação e a diminuição das contagens de plaquetas ( i. e., trombocitopenia) secundária à esplenomegalia pode dificultar ainda mais o controle do sangramento esofágico. → fundo gástrico drena através das veias gástricas curtas para a veia esplênica, na presença de hipertensão portal = varizes no fundo gástrico → O desenvolvimento das varizes gastroesofágicas requer um gradiente de pressão portal de, pelo menos, 10 mm Hg. Além disso, acredita-se que um gradiente igual ou superior a 12 mm Hg ocasione o sangramento das varizes. Isadora Mocelin - 3 º ano → MANEJO: VARIZES E SANGRAMENTO VARICOSO ● DIVIDIDO EM: → profilaxia primária = reduzindo a pressão portal há a diminuição do risco de desenvolvimento de varizes e hemorragia varicosa bem como risco de ascite e óbito, os pacientes indicados possuem varizes grandes (diâmetro superior a 5mm) identificadas na EDA ➢ B-bloqueadores adrenérgicos não seletivos (propanolol, nadolol) reduzem a pressão portal produzindo vasoconstrição esplâncnica - Propranolol 20mg 2x/dia - nadolol 20mg 1x/dia ➢ pode ser feito ligadura endoscópica das varizes (LEV) em pacientes que não toleram BB → colocado anéis de borracha nas colunas varicosas → controle da hemorragia: ➢ ATB profilático deve ser usado (ceftriaxona IV 1 g/dia 5-7 dias) ou norfloxacina 400mg 2x/dia ➢ terapia mais eficaz = vasoconstritor + terapia endoscópica (LEV) - terlipressina, somatostatina e análogos da somatostatina, octreotide e vapreotídeo ➢ a terapia de derivação cirúrgica ou através de anastomose portossistêmica intra hepática jugular (TIPS) deve ser usada em pacientes com sangramento varicoso persistente ou recidivante apesar de terapia farmacológica endoscópica ➢ critério de BAVENO III - fazer lactulose/enema para profilaxia de encefalopatia ➢ pedir tc/rm para investigar carcinoma hepatocelular ➢ UTI → TODOS!!! IsadoraMocelin - 3 º ano MANEJO HDA VARICOSA X NÃO VARICOSA: Isadora Mocelin - 3 º ano Isadora Mocelin - 3 º ano CHOQUE : DEFINIÇÃO : ● é a expressão clínica da hipóxia celular, tecidual e orgânica → é causado pela incapacidade do sistema circulatório de suprir as demandas celulares de oxigênio por oferta inadequada (DO2) e/ou demanda tecidual aumentada de oxigênio (VO2) CLASSIFICAÇÃO : 1) CARDIOGÊNICO 2) HIPOVOLÊMICO 3) DISTRIBUTIVO 4) OBSTRUTIVO Isadora Mocelin - 3 º ano DIAGNÓSTICO : ★ critérios clínicos: A hipotensão arterial geralmente está presente no choque, mas pode estar ausente, especialmente em pacientes portadores de hipertensão arterial sistêmica. Em adultos com quadro de choque, a pressão arterial sistólica tipicamente é menor que 90 mmHg ou a pressão arterial média é menor que 70 mmHg, com taquicardia associada. A combinação de tempo de enchimento capilar > 2 segundos, livedo e diminuição da temperatura da pele pode predizer baixo índice cardíaco e, em última análise, choque com especificidade de 98%. Outros estudos mostraram que o tempo de enchimento capilar > 3 Isadora Mocelin - 3 º ano segundos é associado com piora de perfusão tecidual (motting) e pior prognóstico. A área de livedo reticular ao redor do joelho está diretamente relacionada à mortalidade, sendo um marcador importante de hipoperfusão tecidual no exame físico (Figura 5). Existem três janelas de perfusão tecidual, que identificam os danos que o choque causou no organismo: ● Pele: pele fria e úmida, cianose, palidez, livedo, tempo de enchimento capilar prolongado. ● Rim: débito urinário 2 mmol/L ou >18 mg/dL) no choque. O lactato durante décadas foi considerado exclusivamente o produto final da degradação parcial da glicose por mecanismo anaeróbico devido à hipóxia mitocondrial. No entanto, pesquisadores têm proposto que a produção de lactato retarda, e não causa a acidose. Assim, a acidose seria causada por reações que não são a produção de lactato. Por exemplo, toda vez que o ATP é dividido em ADP e fosfato, um próton (H+) é liberado. Quando a demanda de ATP é atendida pela respiração mitocondrial, não há acúmulo de prótons na célula, pois os prótons são usados pela mitocôndria. Em condições de hipóxia, o ATP que é fornecido a partir de fontes não mitocondriais aumenta a liberação de prótons e causa a acidose. A produção de lactato aumenta nessas condições celulares para evitar o acúmulo de piruvato e fornecer o NAD+ necessário para a glicólise. Assim, o aumento da produção de lactato coincide com a acidose celular e permanece como um bom marcador indireto para condições metabólicas celulares que induzem a acidose metabólica. Devemos lembrar também que o lactato pode aumentar em situações não relacionadas à hipóxia, como disfunção hepática e uso de algumas medicações (como metformina e linezolida). Não há consenso entre os critérios clínicos para o diagnóstico de choque. Uma proposta de critério clínico para o estabelecimento de choque está descrita onde a presença de quatro ou mais critérios define o choque. Isadora Mocelin - 3 º ano LEMBRAR QUE CHOQUE NÃO É = A HIPOTENSÃO → HÁ SINAIS PRECOCES DE CHOQUE QUE PRECISAM SER IDENTIFICADOS!!!!!!!!!!!!!!!! ★ A ultrassonografia point-of-care O diagnóstico de choque e de sua etiologia pode ser refinado com a avaliação pelo ultrassom point-of-care, que inclui a avaliação de derrame pericárdico, a medição do tamanho e da função dos ventrículos esquerdo e direito, a avaliação da variação respiratória da veia cava inferior, o cálculo da integral da velocidade aórtica pela via de saída do ventrículo esquerdo, o exame abdominal e torácico com avaliação da aorta e de pneumotórax. → CHOQUE RELACIONADO A HDA → HIPOVOLÊMICO: → Acontece pela redução do volume intravascular (pré-carga reduzida) que, por sua vez, reduz o DC. Caracteriza- se pela diminuição do volume de sangue de tal modo que torne insuficiente o enchimento do compartimento vascular.. Isso ocorre quando existe uma perda aguda de 15 a 20% do volume de sangue em circulação. A redução pode ser causada por uma perda externa de sangue total (p. ex., hemorragia), de plasma (p. ex., queimaduras graves) ou de líquido extracelular (p. ex., desidratação ou perda de líquidos gastrintestinais, devido a vômitos ou diarreia). O choque hipovolêmico também pode ser o resultado de uma hemorragia interna ou de perdas do terceiro espaço, quando o líquido extracelular é deslocado do compartimento vascular para o espaço ou compartimento intersticial. → OU SEJA PODE SER CLASSIFICADO EM HEMORRÁGICO E NÃO HEMORRÁGICO ● FISIOPATOLOGIA: Cerca de 10% do volume total de sangue pode ser removido sem alterar o débito cardíaco ou a pressão arterial. O doador médio de sangue perde aproximadamente 500 ml (ou 10% do seu sangue) sem sofrer efeitos adversos. À medida que quantidades maiores (10 a 25%) são removidas, o volume sistólico cai, mas a pressão arterial é mantida devido ao aumento na frequência cardíaca e na vasoconstrição mediada pelo sistema nervoso simpático. A vasoconstrição resulta em uma elevação da pressão diastólica e na estreita pressão diferencial. A pressão arterial é o produto do débito cardíaco e da resistência vascular sistêmica (pressão arterial = débito cardíaco × resistência vascular sistêmica). Uma intensificação da resistência vascular sistêmica mantém a pressão arterial média durante um curto período de tempo, apesar da redução do débito cardíaco. O débito cardíaco e a Isadora Mocelin - 3 º ano perfusão tissular diminuem antes do aparecimento de sinais de hipotensão. O débito cardíaco e a pressão arterial caem a zero quando aproximadamente de 30 a 40% do volume total de sangue foi retirado. ★ Mecanismos compensatórios: Sem mecanismos compensatórios para manter o débito cardíaco e a pressão arterial, a perda de volume vascular resultaria em uma progressão rápida dos estágios iniciais para os estágios progressivos e irreversíveis de choque. O mecanismo compensatório mais imediato é a resposta com mediação simpática concebida para manter o débito cardíaco e a pressão arterial. Em poucos segundos após o início de uma hemorragia ou da perda de volume de sangue, aparecem sinais de taquicardia, aumento da contratilidade cardíaca, vasoconstrição e outros sinais de atividade simpática e da medula suprarrenal. A resposta vasoconstritora simpática também mobiliza o sangue que tenha sido armazenado no lado venoso da circulação, como um meio de aumentar o retorno venoso para o coração. Existe uma considerável capacidade de armazenamento de sangue nas grandes veias do abdome, e aproximadamente 350 ml de sangue que podem ser mobilizados em casos de estado de choque são armazenados no fígado. Inicialmente, a estimulação simpática não provoca a constrição dos vasos coronários e cerebrais, e o fluxo sanguíneo para o coração e o encéfalo é mantido em níveis essencialmente normais, enquanto a pressão arterial média permanece acima 70 mmHg.3 → Os mecanismos compensatórios destinados a restaurar o volume sanguíneo incluem a absorção de líquido dos espaços intersticiais, retenção de sódio e água pelos rins e sede. O líquido extracelular fica distribuído entre os espaços intersticiais e o compartimentovascular. Quando ocorre uma perda de volume vascular, as pressões capilares diminuem e a água é drenada para o compartimento vascular a partir dos espaços intersticiais. A manutenção do volume vascular é reforçada por mecanismos renais de retenção de líquido. Uma redução no fluxo sanguíneo renal e na taxa de filtração glomerular resulta na ativação do mecanismo renina angiotensina aldosterona, que produz um aumento na reabsorção de sódio pelos rins. A diminuição do volume sanguíneo também estimula os centros do hipotálamo que regulam a liberação de ADH e a sede. O ADH, também conhecido como vasopressina, contrai as artérias e veias periféricas, bem como aumenta a retenção de água pelos rins. Embora o mecanismo de liberação de ADH seja mais sensível a alterações na pressão osmótica do plasma, uma redução de 10 a 15% no volume sanguíneo funciona como um forte estímulo para a sede.3,29 Durante as fases iniciais do choque hipovolêmico, a vasoconstrição diminui o tamanho do compartimento vascular e aumenta a resistência vascular sistêmica. Esta resposta geralmente é tudo o que é necessário quando a lesão é leve e a perda de sangue é mínima. À medida que o choque hipovolêmico progride, a vasoconstrição dos vasos sanguíneos que abastecem a pele, músculos esqueléticos, rins e órgãos abdominais se agrava, com redução ainda maior no fluxo sanguíneo e conversão para o metabolismo anaeróbico, o que resulta em lesão celular. Isadora Mocelin - 3 º ano EM RESUMO: O processo de utilização do oxigênio tecidual envolve os seguintes passos: 1. Difusão do oxigênio dos pulmões ao sangue. 2. Ligação do oxigênio à hemoglobina. 3. Transporte de oxigênio pelo débito cardíaco para periferia. 4. Difusão de oxigênio para a mitocôndria. Passo 1: difusão do O2 dos pulmões ao sangue O oxigênio (O2) atmosférico entra nos pulmões a partir da pressão negativa gerada pela inspiração. Posteriormente, o O2 alveolar se difunde para o sangue capilar pulmonar. A quantidade de O2 que é transferida para o sangue depende da relação ventilação-perfusão e da concentração de oxigênio inspirado (FiO2). Outros fatores importantes são a membrana alvéolo- capilar, a concentração de hemoglobina no sangue e sua afinidade pelo O2. Passo 2: ligação do O2 à hemoglobina É importante salientar que aproximadamente 98% do O2 é ligado à hemoglobina e 2% é dissolvido no plasma. O principal carreador do O2 é a hemoglobina, que é um complexo proteico composto por quatro cadeias polipeptídicas (na maioria das vezes, duas cadeias Isadora Mocelin - 3 º ano alfa e duas beta), cada uma ligada a um grupo heme por ligações não covalentes. Cada grupo heme possui um anel porfirínico ligado a um átomo de ferro em estado reduzido (ferroso ou Fe2+), ao qual o O2 se liga. Assim, cada molécula de hemoglobina consegue carregar quatro moléculas de oxigênio A afinidade da hemoglobina pelo O2 aumenta na medida em que o complexo com a hemoglobina se satura. Essa habilidade da hemoglobina de alterar sua afinidade pelo O2 a torna um carregador ideal. Nos capilares pulmonares, a ligação do oxigênio à hemoglobina é facilitada, enquanto nos capilares periféricos, a dissociação do O2 é promovida. Algumas situações aumentam ou diminuem a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio e influenciam esse processo Passo 3: transporte de oxigênio pelo débito cardíaco para periferia O transporte de O2 aos tecidos depende da quantidade presente no sangue e do débito cardíaco. O conteúdo de oxigênio no sangue (em mL de O2/dL de Assim, os dois principais componentes do conteúdo de O2 no sangue são a quantidade de hemoglobina e sua saturação, já que o O2 dissolvido no plasma representa uma ínfima parcela do conteúdo total. Já o transporte de oxigênio aos tecidos depende do débito cardíaco (DC) do paciente. Portanto, a oferta de O2 (DO2) é dada pela seguinte fórmula: Oferta de oxigênio (mL O2/min) = = CaO2 × DC × 10 (normal 700-1.400 mL/min) Fica evidente a importância do débito cardíaco para o transporte de O2 para os tecidos. Quedas agudas da saturação ou anemias agudas podem ser compensadas por imediato aumento do débito cardíaco. Passo 4: difusão de oxigênio para a mitocôndria O O2 posteriormente é transferido do sangue para a mitocôndria por um simples princípio de difusão, mas também por mecanismos de controle da microcirculação local que controlam o fluxo total, tempo de trânsito e recrutamento capilar. Fatores autonômicos neurais e metabólicos regulam os esfíncteres arteriolares de tal forma a aumentar a densidade capilar. Órgãos com pouca reserva capilar apresentam-se em desvantagem durante a hipóxia. Uma vez que o O2 chega à mitocôndria, ele deve funcionar como receptor final de elétrons provenientes do metabolismo aeróbico. Mesmo após entrar na mitocôndria, diversos mecanismos em determinadas patologias promovem a má utilização do oxigênio no metabolismo, levando a uma utilização glicolítica anaeróbica da glicose e hiperlactatemia para geração de ATP, apesar da presença de O2. Com diminuições graduais da oferta, o consumo permanece constante devido a um aumento da extração periférica. Porém, diminuições progressivas podem superar a capacidade de adaptação da microcirculação e a produção aeróbica de ATP cai abaixo da necessidade metabólica. A partir desse ponto, também chamado de DO2 crítico, a produção anaeróbica de ATP é iniciada. Entretanto, essa é uma solução parcial, relativamente de curto prazo e não pode substituir completamente a produção de ATP mitocondrial e, caso a hipoperfusão tecidual não seja corrigida, levará à morte celular. Por fim, uma maneira simplificada de se pensar no choque é que este consiste no desequilíbrio entre oferta (DO2) e consumo (VO2) de O2, devendo-se lembrar dos contribuintes de cada um. Uma vez estabelecido o choque, o organismo lança mão de mecanismos compensatórios inicialmente, mas a hipoperfusão tecidual leva à disfunção orgânica, o que perpetua a resposta inflamatória, levando a mais disfunção orgânica. Isso gera um círculo vicioso, que Isadora Mocelin - 3 º ano culmina na síndrome de disfunções de múltiplos órgãos e sistemas (SDMOS), condição caracterizada pelo acúmulo de duas ou mais disfunções orgânicas, sem considerar a disfunção inicial. Quando estabelecida, a SDMOS apresenta alta morbimortalidade, sendo difícil de ser revertida. Dessa maneira, devemos identificar e tratar precocemente o paciente em choque ★ Manifestações clínicas: Os sinais e sintomas de choque hipovolêmico dependem da gravidade e estão intimamente relacionados com baixo fluxo sanguíneo periférico e excesso de estimulação simpática. Podem incluir sede, aumento da frequência cardíaca, pele fria e úmida, diminuição da pressão arterial, redução do débito urinário e alterações na atividade mental. Os testes laboratoriais para medir os níveis de hemoglobina e hematócrito fornecem informações sobre a gravidade da perda de sangue ou hemoconcentração devido à desidratação. O nível sérico de lactato e o pH arterial fornecem informações sobre a gravidade da acidose devido ao metabolismo anaeróbico. A acidose metabólica revelada por gasometria arterial é o padrão ouro dos exames complementares. Um choque hemorrágico agudo fatal se caracteriza por acidose metabólica, coagulopatia e hipotermia, seguida de insuficiência circulatória. - O aumento na frequência cardíaca é um sinal precoce de choque hipovolêmico, à medida que o organismo tenta manter o débito cardíaco, apesar da queda do volume sistólico. Conforme o choque progride, o pulso se torna fraco e filiforme, indicando vasoconstrição e redução no enchimento do compartimento vascular. A sede é um sintoma precoce de choque hipovolêmico. Embora a causa não seja totalmente compreendida, provavelmente está relacionada com a diminuição do volume sanguíneo e o aumento da osmolalidade sérica. - Nos casos de choque moderado a grave, a pressão arterial sofre uma queda. No Isadora Mocelin - 3 º ano entanto, há controvérsia sobre o valor das medições da pressão arterial no diagnóstico precoce e no tratamento do choque. Issoporque os mecanismos compensatórios tendem a preservar a pressão arterial até que o choque esteja relativamente muito avançado. Além disso, uma pressão arterial normal não assegura a perfusão adequada e a oxigenação de órgãos vitais no nível celular. Isso não quer dizer que a pressão arterial não deva ser cuidadosamente monitorada em pessoas com risco para o desenvolvimento de choque, mas indica a necessidade de outras medidas de avaliação. - À medida que o choque progride, a respiração se torna rápida e profunda, para compensar o aumento da produção de ácido e a redução da disponibilidade de oxigênio. A redução do volume intravascular resulta na diminuição do retorno venoso para o coração e na diminuição da PVC. Quando o choque se torna grave, as veias periféricas podem entrar em colapso. A estimulação simpática conduz a uma intensa vasoconstrição dos vasos cutâneos, deixando a pele fria e com manchas. No choque hemorrágico, a perda de hemácias causa palidez da pele e das mucosas. - O débito urinário diminui muito rapidamente nos casos de choque hipovolêmico. Os mecanismos compensatórios reduzem o fluxo sanguíneo renal como um meio de desviar o fluxo de sangue para o coração e para o encéfalo. A verificação de oligúria de 20 ml por hora ou menos indica perfusão renal inadequada. É essencial a verificação contínua do débito urinário para avaliar o estado circulatório e de volume da pessoa em estado de choque. - Inquietação, agitação e apreensão são sintomas precoces comuns no estado de choque devido ao aumento do fluxo simpático e dos níveis de epinefrina. À medida que o choque progride e o fluxo sanguíneo para o encéfalo diminui, a inquietação é substituída por excitação e alteração da atividade mental. Caso a pessoa não receba ou não responda ao tratamento, podem se desenvolver perda de consciência e coma. MANEJO : Isadora Mocelin - 3 º ano ➢ otimização da pré-carga → ressuscitação volêmica → melhora o fluxo sanguíneo microvascular e aumenta o débito cardíaco → em caso de choque hemorrágico → paciente está perdendo sangue → ressuscitação com sangue → porém como há uma demora → começar com solução cristalóide até que os hemocomponentes cheguem no DE ● ATLS 10 → 1L DE CRISTALÓIDE (20ml/kg) + HEMOCOMPETENTES CASO O PCT PERMANEÇA HIPOTENSO → CLASSIFICAR CHOQUE ANTES → CHOQUES III e IV → possuem indicações de ressuscitação com hemocompetentes → pacientes com choque hemorrágico grave = acionar protocolo de transfusão maciça → administração de ácido tranaxêmico em até 3hs do trauma além de concentrado de hemácias, plaquetas e plasma fresco congelado na proporção de 1:1:1→ protocolo ABC score, Schock index… “hipotensão permissiva/ressuscitação hipotensiva” → PAS ALVO >80-90 mmHg → até que haja o controle do foco de sangramento → para isso se evita ressuscitação volêmica agressiva que poderia levar a uma coagulopatia por diluição dos fatores de coagulação e destruição de coágulos que já estejam tamponados → regra não é válida para TCE Isadora Mocelin - 3 º ano como checar se o paciente respondeu ao volume??? ● checar pressão arterial, débito urinário, perfusão tissular, mucosas, turgor… ➢ otimização da pós-carga: ● Pct com hipotensão persistente após ressuscitação volêmica → indicação de vasopressor, porém a tendência é iniciar vasopressor a medida que a ressuscitação volêmica está em andamento → alguns estudos como CENSER sugerem que os pacientes que obtiveram vasopressor precocemente tiveram choque controlado em menos tempo, melhor diurese e melhor níveis de lactato sérico → aumento significativo da PAM com pouca alteração no DC e FC → não foi estudado específico para choque hipovolêmico - lembrar que: drogas vasoativas não precisam de acesso central, pode fazer no periférico, porém deve ser feito cateter arterial deve ser inserido para monitorar PAI e cateter venoso central - → se tiver indicação de drogas vasoconstritoras pode ser iniciado em acesso venoso periférico calibroso até que se obtenha o central → norepinefrina = droga de escolha nos quadros de choque (Exceto anafilático - epinefrina) Isadora Mocelin - 3 º ano Isadora Mocelin - 3 º ano ───────────────────────────────────────────────────────── ───────────────────────────────────────────────────────── ──────────────────── | Início - Avaliação Inicial (ABC) | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | | | | | → A (Via aérea e ventilação): Garantir via aérea patente, ventilação adequada. | | → B (Respiração): Avaliar esforço respiratório, saturação de oxigênio. | | → C (Circulação): Avaliar sinais de choque (hipotensão, taquicardia, perfusão). | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Classificação do Choque | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Classe I: Perda até 15% (FC 100 bpm, PA normal ou baixa) | | → Classe III: Perda 30-40% (FC >120 bpm, hipotensão, oligúria) | | → Classe IV: Perda >40% (FC >140 bpm, anúria, hipotensão grave) | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Acesso Venoso e Monitorização | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Acesso venoso de grande calibre (duas vias). | → acesso venoso central → não deve retardar administração de drogas | → Exames laboratoriais iniciais: Hemograma, gasometria, tipagem, coagulograma. | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Reposição Volêmica Inicial | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Cristaloides (20ml/kg → 1.000ml) | | → Avaliar resposta clínica (PA, FC, perfusão). | Isadora Mocelin - 3 º ano | → Se necessário, iniciar transfusão sanguínea.--> considerar classificação choque → Iniciar com concentrado de hemácias, plasma fresco congelado (PFC) e plaquetas conforme necessário. | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Manejo da Fonte de Sangramento | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Endoscopia Digestiva Alta: Diagnóstico e tratamento (clips). | | → Se falha da endoscopia ou não disponível, considerar cirurgia ou embolização endovascular. | | | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Correção de Distúrbios de Coagulação | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Monitorar PT, TTPa, fibrinogênio e hemograma. | | → Se necessário, administrar PFC, plaquetas ou fibrinogênio. | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Monitoramento e Reavaliação Contínua | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Monitorar sinais vitais, diurese e perfusão. | | → Ajustar reposição volêmica conforme resposta. | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Intervenção Definitiva | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Se falha do controle endoscópico:| | → Cirurgia (ressecção gástrica/esofágica, ligadura de varizes). | | → Embolização Endovascular, se disponível. | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| Isadora Mocelin - 3 º ano | → Monitoramento Pós-Operatório | |-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----------| | → Monitoramento contínuo na UTI, se necessário. Reavaliação da função renal, equilíbrio ácido-base, hemodinâmico. | ───────────────────────────────────────────────────────── ───────────────────────────────────────────────────────── ──────────────────── Guia do Episódio de Cuidado Manejo Inicial do Paciente Adulto com Choque Choque ou falência circulatória aguda é uma condição associada à utilização inadequada de oxigênio pela célula. Trata-se de um estado no qual a circulação é incapaz de entregar oxigênio (O2) suficiente para atender à demanda tecidual, resultando em disóxia celular. O choque é consequência da redução da oferta de O2 e/ou aumento do consumo de O2 e/ou utilização inadequada de O2 pela célula, ou da combinação de 2 ou 3 desses mecanismos. 1. ACHADOS CLÍNICOS HIPOTENSÃO ARTERIAL* PAS 3 seg • Livedo • Cianose nas extremidades (acrocianose) Renal Oligúria: diurese 6 *Mecanismos compensatórios, tais como taquicardia e vasoconstrição, podem preservar a pressão arterial (PA), principalmente na fase inicial do choque (choque compensado ou oculto), embora já ocorra hipoperfusão tecidual. Por isso, a presença de hipotensão arterial não é obrigatória para o diagnóstico de choque. • A hiperlactatemia é um marcador de hipoperfusão tecidual no choque. • Lactato sérico também é um importante preditor prognóstico no choque 1,2,3 • O clearance do lactato é um marcador de melhora da perfusão tecidual, e a ausência de clearance de lactato está associada a maior mortalidade no choque circulatório TIPOS DE CHOQUE: IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO DO TIPO E DA CAUSA DO CHOQUE2,3,4 • O choque é uma condição clínica ameaçadora à vida, cujo desfecho depende do reconhecimento rápido e do início imediato da terapia apropriada, prevenindo a progressão para disfunções orgânicas irreversíveis. • O choque é classificado em 4 tipos: distributivo, hipovolêmico, cardiogênico, e obstrutivo. O choque também pode apresentar características de mais de um tipo, sendo importante o reconhecimento de qual mecanismo contribui mais para a falência circulatória. • A frequência de cada tipo de choque varia em função do ambiente clínico. Na UTI, onde até 25% dos pacientes estão em choque na admissão, a frequência relativa de cada tipo é: 62% séptico (distributivo), 17% cardiogênico, 17% hipovolêmico. Já em unidades de emergência, a distribuição depende do perfil do hospital, mas tende a ser um pouco mais homogênea, com cerca de 30% para cada um dos 3 tipos mais frequentes: hipovolêmico, distributivo e cardiogênico. O choque obstrutivo é o mais raro nos 2 contextos (UTI e Sala de Emergência,) com menos de 5% dos casos. I. ASSISTENCIAL 2. OBJETIVOS DO MANEJO INICIAL DO CHOQUE: • Identificação do choque em tempo adequado • Diagnóstico do tipo de choque: distributivo, hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo. • Diagnóstico da causa do choque • Tratamento adequado e em tempo hábil do choque • Formulação de metas clínicas mensuráveis e com prazos definidos, para acompanhamento e recalibração quando necessária • Definição de plano de elucidação diagnóstica quando a causa do choque não estiver evidente, e sempre que houver incerteza diagnóstica • Alocação precoce do melhor recurso disponível: • Acionamento dos códigos de emergência institucionais • Identificação da necessidade de avaliação de outros especialistas (intensivista, cirurgião, radiologista intervencionista, time da ECMO, etc) • Solicitação da avaliação do especialista em tempo adequado • Identificar potencial conflito assistencial e escalonar rapidamente , seguindo fluxo de resolução de conflito 3. FLUXOGRAMA DE MANEJO INICIAL DO PACIENTE ADULTO COM SUSPEITA DE CHOQUE Paciente com Sinais e Sintomas de Choque? • Pressão sistólica 3 segundos • Débito urinário 40, TEC• Iniciar vasopressor apropriado à condição s/n • Iniciar tratamento específico • Estabelecer e acompanhar metas * Achados frequentes: Extremidades frias, PP 3 seg,SvcO2 110bpm após 500ml de ressuscitação volêmica ❑ Palidez cutânea associada aos fatores acima ❑ Diagnóstico de sangramento por imagem ❑ Resultado de Pânico em exames de coagulação ❑ Queda de 02 pontos de hemoglobina agudamente (menos de 06 horas) ❑ Sangramento para local “nobre” (retroperitônio; pericárdio, tamponamento cardíaco, compressão de via aérea) CRITÉRIOS PARA ACIONAMENTO DO CÓDIGO IAM ❑ Quadro clínico compatível com isquemia miocárdica e com uma das seguintes alterações eletrocardiográficas: ❑ Supradesnivelamento do segmento ST ≥ 1,0mm em 2derivações contíguas; emV2-V3,considerarsupra -ST ≥ 2,5mm em homens 18 mg/dL). ❑ Hipotensão persistente, com PAS 15 minutos (desde que não seja causada por arritmia aguda, hipovolemia ou sepse). ❑ Critérios ecocardiográficos de TEP grave: ▪ Sinais ecocardiográficos de insuficiência ventricular direita: ➢Sinal de McConnell positivo: hipermotilidade do ápice do VD com hipo/acinesia do segmento médio/basal ➢Redução do TAPSE para menos de 16mm (TAPSE – tricuspid annular plane systolic excursion) ➢Redução da velocidade do pico sistólico do ânulo da tricúspide (S’) para menos de 9,5cm/s • Dilatação do ventrículo direito – relação VD/VE > 1.0 • Retificação (sobrecarga de pressão) e/ou movimentação paradoxal (sobrecarga de volume) do septo interventricular • Hipertensão pulmonar e regurgitação tricúspide relacionada a dilatação aguda do ventrículo direito • Visualização de trombo móvel em cavidades cardíacas direitas ❑ Critérios de instabilidade respiratória • Padrão respiratório: taquipneia (FR > 20 rpm) • Queda SpO2 para menos de 90% em ar ambiente, com necessidade de oxigênio suplementar ou de ventilação mecânica (invasiva/não invasiva) ❑ Biomarcadores associados a disfunção de VD ▪ Troponina ultra-sensível maior que 14 pg/ml em pacientes com menos de 75 anos ou ▪ Troponina ultra-sensível maior que 45 pg/ml em pacientes com mais de 75 anos ▪ BNP maior que 100 pg/ml ou NT-pró-BNP maior que 500 pg/ml CRITÉRIOS PARA ACIONAMENTO DO CÓDIGO CIRÚRGICO ❑ Julgamento médico para necessidade de uma avaliação cirúrgica presencial e imediata ❑ Suspeita de abdome agudo cirúrgico (dor abdominal com instabilidade hemodinâmica) ❑ Queda da hemoglobina igual ou superior a 3 pontos ❑ Necessidade de infusão imediata de pelo menos 4 concentrados de hemácias ❑ Sinais de sangramento ativo com instabilidade hemodinâmica ❑ Instabilidade hemodinâmica em pós-operatório recente ou refratária ao suporte clínico 5. RECOMENDAÇÕES E METAS CLÍNICAS IMEDIATAS EM PACIENTES COM CHOQUE METAS HEMODINÂMICAS GERAIS* ❑ PAM > ou igual 65 mmHg ❑ Normalização do lactato sérico: lactato-alvo ou igual 10%/hora ❑ Ressuscitação volêmica guiada por parâmetros clínicos e/ou resposta a desafio hídrico. Repetir provas de fluido- responsividade enquanto os parâmetros sugerirem responsividade a fluidos, e as condições clínicas permitirem. ❑ Avaliação adequada da pré-carga, resposta a fluidos e resposta aos inotrópicos. (ver documento relacionado “Monitorização Hemodinâmica nos Pacientes Graves”) ❑ Inserção de linha arterial para monitorização PAM em pacientes com dose alta de vasopressor ( Noradrenalina > 0,3 a 0,5 mcg/Kg/min), ou com outra indicação de monitorização de PAM (ver documento relacionado “Monitorização Hemodinâmica nos Pacientes Graves”) * As metas podem variar de acordo com o contexto clínico. Consultar também as Metas Específicas para os várias causas de choque METAS PARA OTIMIZAÇÃO DA OFERTA DE OXIGÊNIO ❑ Manter Hemoglobina > ou igual 7 g/L ❑ Manter Saturação de pulso > 90% METAS PARA REVERSÃO DAS DISFUNÇÕES ORGÂNICAS ❑ Reverter a disfunção neurológica relacionada ao choque ❑ Débito urinário > 0,5 ml/kg/h DIAGNÓSTICO DO TIPO E DA CAUSA DO CHOQE EM TEMPO ADEQUADO ❑ Obtenção e interpretação adequada dos dados clínicos: revisão da anamnese, exame físico, exames subsidiários ❑ Considerar e registrar diagnósticos alternativos ❑ Identificar precocemente a necessidade de avaliação de outros especialistas (cirurgião, radiologista intervencionista, time de ECMO, etc) ❑ Considerar avaliação por Ultrasson-Point-of-Care (RUSH ou POCUS) na presença de qualquer uma dos abaixo: 5,6,7 • Quando a causa do choque não é rapidamente evidente • Pacientes que não respondem ao manejo inicial • Deterioração clínica rápida RECOMENDAÇÕES E METAS CLÍNICAS EM PACIENTES COM SEPSE Protocolo Gerenciado de Sepse e Choque Séptico no Paciente Adulto- SBIBAE PACOTE DE 1ª HORA: ❑ Coleta do lactato sérico dentro de 30 minutos ❑ Início de ATB endovenoso de amplo espectro apropriado dentro de 1 hora ❑ Colher culturas apropriadas antes do início do antibiótico. Sempre coletar ao menos dois pares de hemoculturas (aeróbico e anaeróbico). Não se deve atrasar o início da antibioticoterapia para coleta de demais culturas (urocultura, secreção traqueal, dentre outras). ❑ Pacientes com hipotensão arterial ou hipoperfusão tecidual (lactato sérico maior ou igual 36mg//dL) devem receber expansão volêmica inicial com no mínimo 1000 ml em 1hora, preferencialmente com soro ringer lactato ❑ Avaliar necessidade de procedimentos para controlar o foco infeccioso, tais como: drenagem de abscessos ou coleções, retirada de dispositivos invasivos, desbridamento de feridas, etc) PACOTE de 6 HORAS Critérios: para os pacientes que não apresentem estabilidade hemodinâmica sustentada após a expansão volêmica inicial ou tiverem lactato inicial maior ou igual a 36 mg/dL ❑ Alocação em Unidade de Terapia Intensiva. ❑ Após expansão volêmica inicial, deve-se reavaliar constantemente o paciente para definir nova necessidade de expansão volêmica adicional, com alíquotas 500-1000 ml de cristaloides. ❑ Expansão volêmica nas primeiras 3 horas com 30 ml/Kg de cristaloides, salvaguardado contraindicações clínicas para ressuscitação volêmica agressiva. ❑ Reavaliações clínicas frequentes para avaliar a resposta ao tratamento e ajudar a guiar o tratamento: pressão arterial, tempo de enchimento capilar, volume urinário, presença de outros sinais de hipoperfusão, como livedo, extremidades frias, alteração do estado mental. RECOMENDAÇÕES E METAS CLÍNICAS EM PACIENTES COM CHOQUE HEMORRÁGICO Código Hemorrágico- SBIBAE ❑ Acionar código H imediatamente ❑ Avaliação clínica da gravidade ❑ Proceder ABCD do atendimento paciente crítico ❑ Expansão volêmica: 500 a 1000ml de cristalóide ❑ Se sangramento cirúrgico: priorizar transporte para o CC ou RAVA. Se sangramento não cirúrgico: priorizar transporte para a UTI ❑ Garantir sangue tipo O negativo ou tipado específico (02 unidades) . Meta do banco de sangue: disponibilizar as bolsasem 15 min ❑ Avisar ao médico titular assim que possível ❑ Ativação do PowerPlan do Código H (384). ❑ Suspender drogas anticoagulantes/ antiagregantes/ fibrinolíticos Objetivos gerais durante o atendimento ❑ Manter Temperatura: 35,7- 37°C ❑ Cálcio: repor cloreto de cálcio 02 ampolas + SF 0,9% 100ml a cada 02 bolsas de qualquer hemocomponente ❑ Correção da acidemia: meta de atingir pH 7,35-7,45 (evitar bicarbonato; considerar DVA mais precocemente). Administrar Bicarbonato de sódio 8,4% 1 mEq/Kg se pH 2000 (>40%) > 140 Reduzida Estreita > 35 Confusão, letargia Tabela 1. Classificação do Choque Hemorrágico.8 RECOMENDAÇÕES E METAS CLÍNICAS INICIAIS EM PACIENTES COM CHOQUE CARDIOGÊNICO 3,9,10,11 IAM ❑ Reperfusão coronariana é intervenção recomendada em pacientes com IAM que se apresentam em choque cardiogênico ❑ Noradrenalina é vasopressor de escolha ❑ A adição da dobutamina pode ser considerada ❑ IAM do VE: >70% dos pacientes com choque cardiogênico apresentam congestão pulmonar e podem piorar o quadro se submetidos à expansão plasmática. Na ausência de sinais de congestão, administrar pequenas alíquotas de fluido e reavaliar parâmetros clínicos ❑ IAM do VD: não cursa com congestão pulmonar e responde bem a infusão de volume ❑ Rotura de septo interventricular: noradrenalina ± dobutamina ± BIA CHOQUE CARDIOGÊNICO CLÁSSICO “FRIO E ÚMIDO” ❑ Estabilização hemodinâmica com Noradrenalina ❑ Considerar adição de Inotrópico CHOQUE CARDIOGÊNICO EUVOLÊMICO “FRIO E SECO” ❑ Administração de fluidos em pequenas alíquotas. A PDFVE pode estar baixa, e o paciente pode tolerar bolus de fluido ❑ Estabilização hemodinâmica com Noradrenalina ❑ Considerar adição de Inotrópico CHOQUE COM NORMOTENSÃO ❑ Iniciar com inotrópico pode ser apropriado, já que a PAS é maior que 90 mmHg e a RVS é relativamente alta. Pode-se considerar dobutamina, milrinone ou levosimendan. CHOQUE DO VENTRÍCULO DIREITO ❑ Administrar fluidos, com meta de recuperar/manter a pré-carga ❑ Noradrenalina ❑ Tratar bradiarritmia (absoluta ou relativa) e manter sincronismo atrioventricular ❑ Considerar adicionar ou transicionar para um inotrópico BRADICARDIA ❑ Agente cronotrópico ou marcapasso temporário. Cronotrópicos : atropina, dopamina, adrenalina ❑ Identificação e tratamento da causa da bradiarritmia VALVULOPATIA ❑ EA: Noradrenalina ± dobutamina. Em pacientes com FEVE reduzida, considerar dobutamina titulada por ecocardiograma ou CAP. O inotrópico não trará melhora hemodinâmica se FEVE preservada. ❑ IA: dopamina. Considerar uso de marcapasso temporário para manter a FC alta. A FC alta reduz o tempo de enchimento diastólico, e pode ajudar a reduzir a PDFVE. ❑ EM: noradrenalina ± amiodarona. Evitar agentes cronotrópicos. Na EM o choque é um estado pré-carga dependente. Reduzir a FC ( e assim aumentar o tempo de enchimento diastólico) e manter a sincronia atrioventricular, podem melhorar a pré-carga. ❑ IM: noradrenalina ± dobutamina ± BIA. Depois da estabilização hemodinâmica com vasopressor, considerar adição de inotrópico; a redução da pós-carga pode ajudar a reduzir a PDFVE. BIA pode reduzir a fração de regurgitação, através da redução da pós-carga e do aumento do índice cardíaco. OBSTRUÇÃO DINÂMICA DA VIA DE SAÍDA DO VENTRÍCULO ESQUERDO ❑ Alíquotas de fluido em bolus ❑ Noradrenalina ❑ Evitar inotrópicos e vasodilatadores ❑ Manter sincronia atrio-ventricular 7. CHOQUE CARDIOGÊNICO • Cerca de 80% dos pacientes com choque cardiogêncico apresentam alguma forma de Síndrome Coronariana Aguda (SCA) 2. A possibilidade de SCA deve ser o foco da investigação diagnóstica inicial em pacientes com choque cardiogênico, e um ECG deve ser realizado dentro de 10 minutos. • 5 a 10% dos pacientes com SCA apresentem choque cardiogênico, e esta apresentação está associada graus consideráveis de miocárdio em risco. A reperfusão coronária é a principal intervenção terapêutica, baseada em evidência, para pacientes com IAM que se apresentam com choque cardiogênico. • Complicações mecânicas de SCA requerem alto índice de suspeita e ecocardiograma para o diagnóstico rápido. Ocorrem em pacientes com SCA recente, mais frequentemente nas 1as 24 horas de hospitalização. • Descompensação aguda de insuficiência cardíaca crônica é responsável por até 30% dos casos de coque cardiogênico. II. INDICADORES DE QUALIDADE • Número de dias entre eventos graves relacionados ao erro diagnóstico no choque • Número de oportunidades entre eventos graves relacionados ao erro diagnóstico no choque • Porcentagem de adesão ao registro de metas clínicas em pacientes com choque 8. ALOCAÇÃO Todos os pacientes com choque ou com suspeita de choque devem ser alocados na Unidade de Terapia intensiva 6. IMPORTÂNCIA DE AÇÕES COORDENADAS NO PACIENTE COM CHOQUE HEMORRÁGICO: CÓDIGO H • Os pacientes com choque hemorrágico devem receber hemostasia efetiva e em tempo adequado para aumentar as chances de sobrevivência. A demora até o controle do sangramento está associada a maior requerimento de hemocomponentes e maior mortalidade. Na SBIBAE , o implementação de ações coordenadas para o manejo de sangramento, o Código Hemorrágico, reduziu significativamente a morbi-mortalidade do choque hemorrágico na instituição. • Num paciente com sangramento grave, o tempo médio entre o início do sangramento grave e a morte é de apenas 2 horas. O atraso diagnóstico no choque hemorrágico tem consequências graves. Portanto, é imperativo o reconhecimento precoce do choque hemorrágico e a instituição imediata de ação para interromper o sangramento. • O controle rápido da fonte de sangramento, assim como a restauração do volume intravascular e da capacidade de transportar oxigênio são essenciais para limitar a gravidade e a duração do choque, antes que as disfunções orgânicas tornem-se irreversíveis. • Os sinais e sintomas do choque hemorrágico compensado podem ser sutis, o que pode atrasar o diagnóstico, especialmente quando não se suspeita de sangramento. Na maioria dos pacientes, uma intensa resposta compensatóriamantém a pressão arterial em nível normal até que 30% da volemia tenha sido perdida. Outros sinais que podem indicar choque hemorrágico incluem taquicardia, taquipnéia, ansiedade, inquietação, confusão , alterações da pele, como palidez, pele azulada e livedo. (Tabela1). DOCUMENTOS RELACIONADOS: • Protocolo Gerenciado de Sepse e Choque Séptico no Paciente Adulto • Procedimento Acionamento do Código de Tromboembolismo Pulmonar Grave-TEP • Pathway Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) com Supra-ST • Procedimento Código Cirúrgico • Procedimento Código Hemorrágico-Atendimento ao Paciente com Sangramento Ativo ou Choque hemorrágico • Diretriz Assistencial Monitorização Hemodinâmica nos Pacientes Graves. DI.ASS.244.1 V. REFERÊNCIAS [1] Evans L, Rhodes A, Alhazzani W, et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock. Crit Care Med 2021;49(11):e1063. [2] Cecconi M, De Backer D, Antonelli M, et al. Consensus on circulatory shock and hemodynamic monitoring. Task force of the European Society of Intensive Care Medicine. Intensive Care Med 2014; 40:1795–1815 [3] Diepen S, Katz JN, Albert NM, et al. Contemporary Management of Cardiogenic Shock. Circulation 2017; 136:e232–e268. [4] Singer M, Deutschman CS, Seymour CW, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3).JAMA 2016 February 23; 315(8): 801–810. [5] Bagheri-Hariri S, Yekesadat M, Farahmand S, et al.The impact of using RUSH protocol for diagnosing the type of unknown shock in the emergency department. Emerg Radiol 2015;22(5):517-20 [6] Yoshida T, Noma H, Nomura T, Suzuki A, Mihara T. Diagnostic accuracy of point-of-care ultrasound for shock: a systematic review and meta-analysis. Crit Care 2023 May 25;27(1):200. [7] Keikha M, Salehi MM, Nejat RS, Vahedi HSM, Mirrezaie SM. Diagnostic Accuracy of Rapid Ultrasound in Shock (RUSH) Exam. A Systematic Review and Meta-Analysis. Bull Emerg Trauma 2018;6(4):271-278. [8] Cannon JW. Hemorrhagic Shock. N Engl J Med 2018;378(4):370. [9] Pirracchio R, Parenica J, Resche Rigon M, et al. GREAT Network. The effectiveness of inodilators in reducing short term mortality among patient with severe cardiogenic shock: a propensity-based analysis PLoS One. 2013;8:e71659. doi: 10.1371/journal.pone.0071659. [10] Chioncel O, Parissis J, Mebazaa A, et al. Epidemiology, pathophysiology and management of cardiogenic shock – a position statement from the Heart Failure Association of the European Society of Cardiology. European Journal of Heart Failure (2020) 22, 1315–1341. [11] Bloom JE, Chan W , Kaye DM, Stub D. State of Shock: Contemporary Vasopressor and Inotrope Use in Cardiogenic Shock. J Am Heart Assoc. 2023;12:e029787. Código Documento: CPTW386.1 Elaborador: Ana Claudia Ferraz Revisor: Mauro Dirlando Aprovador: Giancarlo Colombo Data de Elaboração: 14/02/2024 Data de Aprovação: 08/04/2024 III. GLOSSÁRIO • BIA: balão intra-aórtico • CAP: cateter de artéria pulmonar • IC: Índice cardíaco. • FC: Frequência cardíaca • FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo • IAM: infarto agudo do miocárdio • PAD: pressão arterial diastólica • PAM: pressão arterial médica • PAS: pressão arterial sistólica • PCR: proteína C reativa • PDFVE: pressão diastólica final do ventrículo esquerdo • PEEP: pressão expiratória final positiva • PP: pressão de pulso (PAS –PAD) • PVC pressão venosa central • ROTEM: tromboelastometria rotacional • RVS: resistência vascular sistêmica • SvcO2: saturação venosa central de O2 ( obtida de veia central de segmento superior do corpo • VC: volume corrente • VCI: veia cava inferior • VD: ventrículo direito • VE: ventrículo esquerdo • VM: ventilação mecânica • VPP: variação de pressão de pulso • VVS: variação de volume sistólico • SRIS: síndrome da resposta inflamatória sistêmica • TEG: tromboelastografia • TEP: tromboembolismo pulmonar • UTI: Unidade de Terapia Intensiva Este pathway foi validado no GMA de pacientes Graves, em 21/08/2023, Reunião Clínica da Rede Einstein de Pacientes Graves, em 04/09/2023, Programa de Cardiologia, em 01/02/2024.de lesão dessa forma de gastrite. Um subgrupo de pacientes infectados por H. pylori desenvolve anticorpos dirigidos contra a H+,K+-ATPase, levando potencialmente ao padrão de gastrite atrófica observado em alguns pacientes infectados por esse microrganismo. Acredita-se que o mecanismo envolva um mimetismo molecular entre o LPS do H. pylori e a H+,K+-ATPase. ● São observados anticorpos contra as células parietais e gastrite atrófica em familiares de pacientes com anemia perniciosa. Esses anticorpos ocorrem em até 20% dos indivíduos com mais de 60 anos de idade e em cerca de 20% com vitiligo e doença de Addison. Cerca de 50% dos pacientes com anemia perniciosa possuem anticorpos contra antígenos tireóideos, e cerca de 30% daqueles que têm doença da tireoide apresentam anticorpos circulantes anticélula parietal. Os anticorpos anti-FI são mais específicos do que os anticorpos contra células parietais na gastrite tipo A, e a sua presença é observada em cerca de 40% dos pacientes com anemia perniciosa. Outro parâmetro condizente com essa forma de gastrite de origem autoimune é a maior incidência de haplótipos de histocompatibilidade familiares específicos, como HLA- B8 e HLA-DR3. ● A glândula gástrica que contém células parietais representa o alvo preferencial nessa forma de gastrite, resultando em acloridria. As células parietais constituem a fonte de FI, cuja ausência leva à deficiência de vitamina B12 e suas sequelas (anemia megaloblástica, disfunção neurológica). ● O ácido gástrico desempenha um importante papel na inibição da liberação de gastrina das células G por feedback. A acloridria, associada à preservação relativa da mucosa antral (local das células G), resulta em hipergastrinemia. Os níveis de gastrina podem estar acentuadamente elevados (>500 pg/mL) nos pacientes com anemia perniciosa. A hiperplasia das células ECL com o desenvolvimento franco de tumores carcinoides gástricos pode resultar dos efeitos tróficos da gastrina. A hipergastrinemia e a acloridria também podem ser observadas na gastrite tipo A não associada à anemia perniciosa. ❖ GASTRITE TIPO B ● A gastrite tipo B ou com predomínio antral é a forma mais comum de gastrite crônica. A infecção por H. pylori é a causa dessa entidade. Apesar de ser descrita como “predominante no antro”, é provável que esta seja uma designação incorreta em vista dos estudos que documentam a progressão do processo inflamatório na direção do corpo e do fundo dos indivíduos infectados. ● A conversão em pangastrite depende do tempo, e estima-se que leve 15 a 20 anos. ● Essa forma de gastrite aumenta com a idade e está presente em até 100% das pessoas com mais de 70 anos. ● A histologia melhora após a erradicação do H. pylori. O número de microrganismos H. pylori diminui drasticamente com a progressão para atrofia gástrica, e o grau de inflamação correlaciona-se com o número de microrganismos. ● No início, com achados predominantemente no antro, a quantidade de H. pylori é mais alta, e observa-se um infiltrado inflamatório crônico e denso da lâmina própria, acompanhado de infiltração das células epiteliais com leucócitos polimorfonucleares Isadora Mocelin - 3 º ano ❖ Gastrite crônica tipo C (medicamentosa): ● É frequentemente causada pelo uso crônico de AINEs e outras substâncias irritantes, como o álcool. Esses agentes reduzem a síntese de prostaglandinas protetoras e contribuem para a inflamação crônica. Isadora Mocelin - 3 º ano INFECÇÃO POR HELICOBACTER PYLORI : CARACTERÍSTICAS : ● ela coloniza o estômago de 50% da população → esta é o principal fator de risco para ulceração péptica, adenocarcinoma gástrico e linfoma gástrico de tecido linfóide associado à mucosa (MALT) ● tem sido estudado seu papel na gastrite autoimune e na anemia perniciosa AGENTE ETIOLÓGICO : ● Bacilo gram - , formato helicoidal e flagelos o que confere mobilidade no ambiente mucoso ● coloniza naturalmente os seres humanos ● reside na mucosa gástrica com uma pequena proporção de bactérias aderentes à mucosa ● distribuição nunca é sistêmica ● possui inúmeros mecanismos de resistência ao ácido = principalmente expressão de urease que catalisa a hidrólise da ureia produzindo amônia tamponante ● é microaerofílico = necessita de baixos níveis de O2 EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO : ● geralmente é adquirido na infância ● aquisição espontânea ou sua eliminação na idade adulta são raras ● marcadores de aglomeração ● privação social na infância Isadora Mocelin - 3 º ano TRANSMISSÃO : ● seres humanos são os únicos reservatórios importantes ● crianças geralmente adquirem dos pais ou de outras crianças ● via fecal-oral ou só oral FISIOPATOLOGIA : ● sua colonização induz gastrite superficial crônica → resposta tecidual no estômago que consiste em infiltração da mucosa por células tanto mononucleares quanto polimorfonucleares ● sua colonização também é acompanhada de uma considerável resposta imune local e sistêmica persistente incluindo produção de anticorpos e respostas mediadas por células → respostas são INEFICAZES NA ELIMINAÇÃO DA BACTÉRIA → a bactéria parece inibir o sistema imunológico facilitando sua persistência ● todos os indivíduos colonizados por H pylori desenvolvem uma resposta do hospedeiro a qual é geralmente denominada gastrite crônica Por que mesmo 60% dos indivíduos sendo colonizados apenas alguns possuem manifestação franca? Quais são os determinantes da doença no hospedeiro? → se relaciona com = diferença nas cepas bacterianas + susceptibilidade do paciente à infecção e fatores ambientais ● polimorfismos genéticos = estes aumentam a ativação da resposta imune inata → ex: genes de citocinas (ex: interleucina 1) ou genes que reconhecem a bactéria como os receptores Toll ● tabagismo aumenta os riscos de úlceras duodenais e câncer gástrico nos indivíduos + para H pylori Isadora Mocelin - 3 º ano ★ virulência bacteriana: ★ padrão de inflamação gástrica: → gastrite predominantemente antral mais comumente relacionada com ulceração duodenal → pangastrite = ligada à ulceração gástrica e ao adenocarcinoma Isadora Mocelin - 3 º ano → com frequência alguns pacientes apresentam sintomas gastrointestinais altos porém possuem resultados normais na EDA → DISPEPSIA FUNCIONAL ou NÃO ULCERATIVA Isadora Mocelin - 3 º ano DIAGNÓSTICO : ● A investigação para a presença de H. pylori deve ser realizada, além de em quadros de dispepsia, em pacientes com lesões pré-neoplásicas, linfoma MALT, câncer gástrico (com abordagem prévia ou até planejamento cirúrgico), histórico familiar de câncer gástrico em parente de primeiro grau, púrpura trombocitopênica imune, ferropenia inexplicada e deficiência de vitamina B12. ● Pode ser feito através da EDA e de testes não invasivos → ENDOSCOPIA: ● Urease: - Se a endoscopia for realizada, o exame mais conveniente baseado na biópsia será o teste da urease → duas amostras pequenas ou uma amostra grande de biópsia do antro são colocadas em gel contendo ureia e um indicador. A presença de urease do H. pylori leva a uma alteração do pH e, por conseguinte, a uma mudança de cor, a qual com frequência ocorre em alguns minutos, mas pode requerer até 24 horas ● histologia: - O exame histológico da amostra de biópsia para H. pylori também é acurado, desde que seja usado um Isadora Mocelin - 3 º ano corante especial (p. ex., o corante de Giemsa modificado ou um corante de prata) que permita a visualização ótima do microrganismo. - Se forem obtidas amostras de biópsia do antro e do corpo gástrico, o exame histológico fornece informações adicionais, incluindo o grau e o padrão de inflamação, bem como a presença de qualquer atrofia, metaplasia ou displasia ● cultura: - A cultura microbiológica é mais específica, mas pode ser insensível devido à dificuldade de isolamento do H. pylori. Uma vez que o microrganismo seja cultivado, sua identificação como H. pylori pode ser confirmada pelo seu aspecto típico na coloração de Gram e suas reações positivas nos testes de oxidase, catalase e urease. - Além disso, pode-se definira sensibilidade do microrganismo aos antibióticos, e essa informação pode ter utilidade clínica nos casos difíceis → EXAMES NÃO INVASIVOS: ● primeira opção quando não é necessário excluir o diagnóstico de câncer gástrico por endoscopia ● exame mais estabelecido e acurado = teste respiratório com uréia ● teste de antígeno nas fezes: → utiliza anticorpos monoclonais específicos contra antígenos H pylori ● ensaios sorológicos: → estes medem IgG específica no soro ❌❌❌ Se sinais de alarme EDA ❌❌❌❌ A endoscopia digestiva alta (EDA) é indicada em pacientes com sintomas que sugerem complicações graves, como: Sangramento gastrointestinal (hematêmese ou melena), Perda de peso inexplicada, Anemia ferropriva, Idade avançada (geralmente >45-50 anos), Dor abdominal persistente ou que muda de padrão, História de câncer gástrico na família. Isadora Mocelin - 3 º ano TRATAMENTO : ★ tratar pacientes diagnosticados e SINTOMÁTICOS, pois: 1) os efeitos adversos (que são comuns e podem ser graves em raros casos) dos esquemas de múltiplos antibióticos usados; 2) a resistência aos antibióticos, podendo surgir no H. pylori ou em outras bactérias incidentalmente presentes; 3) a ansiedade, podendo surgir em indivíduos sadios sob os demais aspectos, em particular se o tratamento não for bem-sucedido; 4) a existência de um subgrupo de indivíduos que irão desenvolver sintomas de DRGE após o tratamento, embora, em média, o tratamento do H. pylori não afete os sintomas nem a gravidade da DRGE. Isadora Mocelin - 3 º ano ★ testes para avaliar tto Isadora Mocelin - 3 º ano → importante fazer somente após 4 sem porque pode dar falso negativo, não é confiável fazer após 4 semanas após tto com antibiótico ou cerca de 2 semanas após a interrupção do tratamento com IBP - teste respiratório com ureia - teste de antígeno nas fezes - exames de biópsia → no acompanhamento de úlcera gástrica = repetir EDA FARMACOLOGIA DOS AGENTES ANTIBACTERIANOS: B-LACTÂMICOS: PENICILINAS: → EFEITO BACTERICIDA ★ Mecanismo de ação: → eles agem inibindo a síntese da parede celular das bactérias. Elas inativam as proteínas ligadoras de penicilina (PLPS) que estão envolvidas na síntese da parede celular, inibindo assim a etapa de transpeptidação (ligações cruzadas) e inativa o inibidor de enzimas proteolíticas, assim ocorre a formação de poros na parede celular levando a lise bacteriana. Para que ocorra esse efeito bactericida a bactéria precisa estar em fase de proliferação e possuir parede celular típica ★ espectro de ação: → O espectro antibacteriano das várias penicilinas é determinado, em parte, pela sua capacidade de atravessar a parede celular de peptidoglicano da bactéria para alcançar as PLPs no espaço periplasmático → Em geral, os microrganismos gram-positivos têm paredes celulares que são facilmente atravessadas pelas penicilinas e, por isso, na ausência de resistência, são suscetíveis a esses fármacos. → Os microrganismos gram-negativos têm uma membrana lipopolissacarídica (envelope) envolvendo a parede celular e que atua como barreira contra as penicilinas hidrossolúveis. Contudo, bactérias gram-negativas têm proteínas inseridas na camada lipopolissacarídica que atuam como canais cheios de água (denominados porinas) que permitem a passagem transmembrana ❖ PENICILINAS: Isadora Mocelin - 3 º ano - Penicilinas de espectro estendido: Ampicilina e amoxicilina têm um espectro antibacteriano similar ao da benzi/penicilina, mas são mais eficazes contra bacilos gram-negativos. Por isso, são referidas como penicilinas de espectro estendido. A formulação com um inibidor de Blactamase, como ácido clavulânico ou sulbactam, protege a amoxicilina ou ampicilina, respectivamente, da hidrólise enzimática e amplia seu espectro antimicrobiano. - Penicilinas e aminoglicosídeos: Os efeitos antibacterianos de todos os antibióticos B-lactâmicos são sinérgicos com os aminoglicosídeos. Como os inibidores da síntese da parede celular bacteriana alteram a permeabilidade das bactérias, esses fármacos podem facilitar a entrada de outros antibióticos (como os aminoglicosídeos) que ordinariamente não teriam acesso aos alvos intracelulares. Isso pode resultar em atividade antimicrobiana aumentada Por que ocorre a resistência à penicilina? → ocorre em microrganismos que não possuem parede celular de peptidoglicano (p. ex., micoplasmas) ou têm paredes celulares que são impermeáveis aos fármacos. 1) Atividade B-lactamase: Essa família de enzimas hidrolisa a ligação amida cíclica do anel B-lactâmico, resultando em perda da atividade bactericida. Elas são a principal causa de resistência às penicilinas e são um problema crescente. As B-lactamases são constitutivas ou, mais comumente, são adquiridas pela transferência de plasmídeos. 2) Diminuição da permeabilidade ao antibiótico: A diminuição da penetração do antibiótico através da membrana celular externa da bactéria o impede de alcançar as PLPs-alvo. 3) PLPs alteradas: A modificação das PLPs diminui a afinidade aos antibióticos B-lactâmicos, exigindo concentrações impossíveis de alcançar clinicamente para inibir o crescimento bacteriano. ★ Farmacocinética: ● Administração: A via de administração dos antibióticos lactâmicos é determinada pela estabilidade do fármaco ao suco gástrico e à gravidade da infecção. A fenoximetilpenicilina, a amoxicilina e amoxicilina associada ao ácido clavulânico só estão disponíveis como preparações orais. Isadora Mocelin - 3 º ano ● Absorção: A maioria das penicilinas é incompletamente absorvida por administração oral e alcança o intestino em quantidade suficiente para afetar a composição da flora intestinal. Contudo, a amoxicilina é quase completamente absorvida. A absorção de todas as penicilinas penicilinase-resistentes diminui pela presença de alimentos no estômago, pois o tempo de esvaziamento gástrico fica prolongado, e o fármaco é destruído no ambiente ácido. Portanto, elas precisam ser administradas entre 30 e 60 minutos antes da alimentação ou 2 a 3 horas depois. ● Distribuição: Os antibióticos B-lactâmicos se distribuem bem pelo organismo. Penetrando nas articulações; nas cavidades pleural e pericárdica; na bile, saliva e leite. Pelo fato de serem lipoinsolúveis, não penetram nas células dos mamíferos e apenas atravessam a barreira hematencefálica se as meninges estiverem inflamadas Todas as penicilinas atravessam a barreira placentária, mas nenhuma se mostrou teratogênica. ● Biotransformação: O metabolismo dos B-lactâmicos pelo hospedeiro, em geral, é insignificante, mas alguma biotransformação da benzi/penicilina ocorre em pacientes com função renal insuficiente ● Excreção: A via primária de excreção é por meio do sistema secretor de ácido orgânico no túbulo renal, bem como por filtração glomerular. Pacientes com função renal insuficiente precisam de ajuste no regime de doses. Assim, a meia-vida da benzi/penicilina aumenta na presença de insuficiência renal ★ Efeitos adversos: ● hipersensibilidade, diarreia, nefrite, neurotoxicidade, toxicidade hematológica MACROLÍDEO: AZITROMICINA E CLARITROMICINA → EFEITO BACTERIOSTÁTICO ★ Mecanismo de ação: Os macrolídeos são inibidores da síntese proteica. Se ligam irreversivelmente a um local na subunidade 50S do ribossomo bacteriano, inibindo, assim, etapas de translocação do complexo aminoacil-RNAt. Assim, inibe o alongamento da síntese proteica possuindo efeito bacteriostático já que consequentemente inibem o crescimento e reprodução bacteriana ★ Espectro antibacteriano 1) Eritromicina: → contra gram+ → Esse fármaco é eficaz contra vários dos mesmos microrganismos que a benzilpenicilina; por isso, ele pode ser usado em pacientes que são alérgicos às penicilinas. 2) Claritromicina: → Esse antibiótico tem um espectro antibacteriano similar ao da eritromicina, mas também é eficaz contra Haemophilus influenzae. Sua atividade contra patógenos intracelulares, Isadora Mocelin - 3 º ano como Chlamydai, Legionella, Moraxella, espécies de Ureaplasma e Helicobacter pylori, é maior do que a atividade daeritromicina 3) Azitromicina: → Embora menos ativa contra estreptococos e estafilococos do que a eritromicina, a azitromicina é muito mais ativa contra as infecções respiratórias por H. influenza e Moraxella catarrhalis. A azitromicina atualmente é preferida no tratamento de uretrites causadas por Chlamydia trachomatis. 4) Telitromicina: → Esse cetolídeo tem um espectro antibacteriano similar ao da azitromicina ★ Efeitos adversos: → alterações gastrintestinais, hipersensibilidade, erupções cutâneas, icterícia ★ Resistência → A resistência à eritromicina está se tornando um grave problema clínico. Por exemplo, a maioria das cepas de estafilococos isoladas em hospitais é resistente. Vários mecanismos foram identificados: 1 ) a incapacidade do microrganismo de captar o antibiótico ou a presença de uma bomba de efluxo, ambos mecanismos que limitam a quantidade intracelular do antibacteriano; 2) a diminuição da afinidade da subunidade ribossomal 50S pelo antibiótico, resultante da metilação de uma adenina no RNA ribossomal bacteriano 23S, e 3) a presença de uma eritromicina esterase associada a plasmídeo ★ Farmacocinética ● Administração: A eritromicina base é destruída pelo suco gástrico. Dessa forma, são administradas formas esterificadas ou comprimidos revestidos entéricos do antibiótico. Todos são adequadamente absorvidos por via oral. Claritromicina, azitromicina e telitromicina são estáveis no estômago ácido e são bem absorvidas. O alimento interfere na absorção de eritromicina e azitromicina, mas pode aumentar a absorção de claritromicina. A administração IV de eritromicina está associada à elevada incidência de tromboflebite. Entretanto os registrados da incidência de tromboflebites com a administração IV de azitromicina é menor do que 1% ● Distribuição: A eritromicina se distribui bem nos líquidos corporais, exceto no líquido cerebrospinal. Ela é um dos poucos antibióticos que difunde-se no líquido prostático e é o único com a característica de se acumular nos macrófagos. Os quatro fármacos se concentram no fígado. Inflamações permitem maior penetração no tecido. De modo similar, claritromicina, azitromicina e telitromicina são amplamente distribuídas nos tecidos. A meia-vida plasmática da eritromicina é de cerca de 90 minutos; a da claritromicina é três vezes mais longa; e a da azitromicina é 8 a 16 vezes maior. ● Eliminação: A eritromicina e a telitromicina são extensamente biotransformadas e são conhecidas como inibidoras da oxidação de inúmeros fármacos por sua interação com o sistema citocromo P450. Interferência com a biotransformação de fármacos como a teofilina e carbamazepina foi registrada para a claritromicina Isadora Mocelin - 3 º ano ● Excreção: A eritromicina e a azitromicina são concentradas e excretadas primariamente em forma ativa na bile. Ocorre reabsorção parcial por meio da circulação entero-hepática. Os metabólitos inativos são excretados na urina. Em contraste, a claritromicina e seus metabólitos são eliminados pelos rins, bem como pelo fígado, e é recomendado que a dosagem desse fármaco seja ajustada em pacientes com função renal comprometida FLUOROQUINOLONAS: LEVOFLOXACINO, GEMIFLOXACINO, MOXIFLOXACINO → BACTERICIDA ★ mecanismo de ação: As fluoroquinolonas entram nas bactérias por difusão passiva através de canais proteicos da membrana externa preenchidos com água (porinas). Dentro da célula, elas inibem a replicação do DNA bacteriano interferindo na ação da DNAgirase (topoisomerase 2) e da topoisomerase IV durante o crescimento e a reprodução bacteriana ★ espectro: Em geral, as fluoroquinolonas são eficazes contra microrganismos gram-negativos, como Enterobacteriacea, espécies de Pseudomonas, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalsi , Legionellaceae, clamídia, micoplasma e algumas micobactérias ● 1a geração: → quinolona não fluorada, ácido nalidíxico →espectro estreito de microrganismos suscetíveis confinados, em geral, ao trato urinário. ● 2a geração: → Ciprofloxacino e norfloxacino → atividade contra anaeróbios gram-negativos e bactérias atípicas. ● 3a geração: → O levofloxacino é classificado de terceira geração, devido à maior atividade contra bactérias gram-positivas ● 4a geração: → moxifloxacino devido à sua atividade contra anaeróbios, bem como microrganismos gram-positivos ❖ CLARITROMICINA: A claritromicina é um antibiótico da classe dos macrolídeos que atua inibindo a síntese de proteínas bacterianas. Ela se liga à subunidade 50S do ribossomo bacteriano, bloqueando a translocação do peptídeo durante a tradução, o que impede o crescimento e a multiplicação das bactérias. Essa ação é bacteriostática em concentrações terapêuticas, embora possa ser bactericida em altas concentrações. ★ Farmacocinética Isadora Mocelin - 3 º ano ● Absorção: A claritromicina é bem absorvida pelo trato gastrointestinal após administração oral, com a biodisponibilidade sendo aproximadamente 50% devido ao efeito de primeira passagem no fígado. ● Distribuição: É amplamente distribuída nos tecidos e fluidos corporais. A ligação às proteínas plasmáticas é em torno de 70%. ● Metabolismo: A claritromicina é metabolizada no fígado, principalmente pela enzima CYP3A4, e forma um metabolito ativo (14-hidroxiclaritromicina) que também possui atividade antimicrobiana. ● Eliminação: A meia-vida de eliminação da claritromicina é de cerca de 3 a 4 horas. A eliminação ocorre principalmente por via renal, com aproximadamente 20% do fármaco excretado inalterado na urina. ★ Efeitos Adversos Os efeitos adversos da claritromicina são geralmente leves, mas podem incluir: ● Gastrointestinais: Náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. ● Sistema Nervoso Central: Cefaleia e tontura. ● Efeitos Hepáticos: Alterações nos testes de função hepática podem ocorrer, embora sejam raras. ● Reações Alérgicas: Rash cutâneo, urticária e, em casos raros, anafilaxia. ❖ . Metronidazol ★ Mecanismo de Ação O metronidazol é um antibiótico que age como agente redutor dentro da célula bacteriana. Sua ação antimicrobiana é mediada pela sua capacidade de ser reduzido por nitro-reductases presentes em H. pylori e outras bactérias anaeróbias. Após a redução, o metronidazol gera radicais livres altamente reativos, que causam danos ao DNA das bactérias, interrompendo a síntese de ácidos nucleicos e levando à morte celular bacteriana. H. pylori é uma bactéria anaeróbica facultativa e possui as enzimas necessárias para reduzir o metronidazol e ativá-lo. O efeito bactericida do metronidazol é mais eficaz em ambientes anaeróbios, como o estômago infectado ★ Farmacodinâmica O metronidazol possui atividade bactericida contra bactérias anaeróbicas, incluindo H. pylori, e também é eficaz contra certos parasitas, como Entamoeba histolytica, Giardia lamblia, e Trichomonas vaginalis. Ele é frequentemente usado em combinação com outros antibióticos para erradicação de H. pylori, como parte da terapia tripla ou quadrupla. ★ Farmacocinética Absorção: O metronidazol é bem absorvido pelo trato gastrointestinal após administração oral, com uma biodisponibilidade de cerca de 90%. Isadora Mocelin - 3 º ano Distribuição: Ele atinge boa distribuição nos tecidos e fluídos corporais, incluindo o líquido cefalorraquidiano, saliva, bile e secreção gástrica. Metabolismo: O metronidazol é amplamente metabolizado no fígado por CYP2C9 e CYP3A4, formando principalmente o metronidazol 2-hidroxilado (um metabolito inativo). Meia-vida: A meia-vida de eliminação é de cerca de 8 horas, podendo ser prolongada em pacientes com insuficiência hepática. Excreção: Ele é eliminado principalmente na urina (cerca de 60-80% da dose administrada), com uma pequena quantidade excretada nas fezes. Envolvimento no Tratamento de H. pylori O metronidazol é frequentemente usado em terapia tripla (com um inibidor da bomba de prótons e outro antibiótico, como a amoxicilina) ou terapia quadrupla (com um agente redutor de bismuto), sendo eficaz na erradicação de H. pylori, especialmente em cepas sensíveis. No entanto, resistência ao metronidazolé relativamente comum, especialmente em áreas com alta prevalência de resistência. ❖ Tetraciclina ★ Mecanismo de Ação A tetraciclina é um antibiótico bacteriostático que atua inibindo a síntese proteica bacteriana. Ela se liga à subunidade 30S do ribossomo bacteriano, impedindo a ligação do ARN de transferência (ARNt) ao ribossomo e bloqueando a adição de aminoácidos à cadeia polipeptídica em crescimento. Isso interfere com a tradução do RNA mensageiro (mRNA), resultando em uma síntese proteica defeituosa e crescimento bacteriano prejudicado. A tetraciclina é eficaz contra uma ampla gama de bactérias gram-positivas e gram-negativas, incluindo H. pylori. ★ Farmacodinâmica A tetraciclina é bacteriostática, ou seja, inibe a multiplicação das bactérias, mas não as mata diretamente. Isso permite que o sistema imunológico do hospedeiro elimine as bactérias. Embora seja eficaz contra muitos tipos de H. pylori, a tetraciclina não é utilizada isoladamente, pois sua ação bacteriostática pode ser insuficiente sem um antibiótico de efeito bactericida (como o metronidazol ou amoxicilina). ★ Farmacocinética Absorção: A tetraciclina é bem absorvida no trato gastrointestinal, mas sua absorção pode ser diminuída pela presença de alimentos, leite e antiácidos. Distribuição: A tetraciclina se distribui amplamente nos tecidos e fluidos corporais, atingindo concentrações terapêuticas em locais como saliva, secreção gástrica e bile. Metabolismo: O fármaco é apenas parcialmente metabolizado no fígado. Meia-vida: A meia-vida da tetraciclina é de 6 a 12 horas, dependendo do estado de saúde do paciente e de outros fatores. Excreção: A tetraciclina é excretada principalmente pela urina, com uma pequena quantidade excretada pelas fezes. Envolvimento no Tratamento de H. pylori A tetraciclina é um dos antibióticos usados em terapias para erradicação de H. pylori, especialmente em terapia quadrupla (com inibidor da bomba de prótons, metronidazol e subcitrato de bismuto). Sua combinação com outros antibióticos, como o metronidazol, melhora a eficácia contra cepas de H. pylori, devido à ação sinérgica. Isadora Mocelin - 3 º ano ❖ Subcitrato de Bismuto ★ Mecanismo de Ação O subcitrato de bismuto (às vezes referido como subcitrato de bismuto coloidal ou bismuto subsalicilato) tem uma série de efeitos benéficos no tratamento de infecções gástricas e úlceras. Ele atua agindo como um protetor da mucosa gástrica e também tem um efeito antibacteriano direto contra H. pylori. Ação antibacteriana: O bismuto pode inibir a adesão de H. pylori à mucosa gástrica, além de ter um efeito direto na bactéria, alterando sua parede celular e inibindo a atividade enzimática. O bismuto também pode formar complexos com proteínas e muco gástrico, criando uma barreira protetora que dificulta a penetração do ácido gástrico e protege a mucosa. Ação protetora da mucosa: O bismuto aumenta a produção de prostaglandinas, que promovem a secreção de muco e bicarbonato, ajudando a restaurar a integridade da mucosa gástrica danificada. ★ Farmacodinâmica O subcitrato de bismuto tem efeito bactericida contra H. pylori e atua localmente, sem ser absorvido de maneira significativa. Sua principal ação terapêutica é a proteção da mucosa gástrica e a promoção da cicatrização das úlceras. Ele é eficaz na combinação com antibióticos, pois não é afetado pela resistência bacteriana, e suas propriedades protetoras aumentam a eficácia dos antibióticos contra a infecção. Farmacocinética Absorção: O subcitrato de bismuto tem baixa absorção sistêmica, com menos de 1% do fármaco sendo absorvido após administração oral. Distribuição: Como a absorção sistêmica é mínima, o bismuto exerce seus efeitos diretamente no trato gastrointestinal, particularmente na mucosa gástrica. Metabolismo e Meia-vida: O bismuto não é amplamente metabolizado no corpo e tem uma meia-vida curta. Excreção: O bismuto é excretado principalmente pelas fezes, com uma pequena quantidade sendo excretada pela urina. Envolvimento no Tratamento de H. pylori O subcitrato de bismuto é utilizado em terapia quadrupla, onde ele serve como um adjuvante aos antibióticos (metronidazol, tetraciclina, amoxicilina Isadora Mocelin - 3 º ano DOENÇA ULCEROSA PÉPTICA : DEFINIÇÃO : ● uma úlcera no trato GI pode ser definida como uma ruptura no revestimento da mucosa com profundidade apreciável à endoscopia ou evidências histológica do envolvimento da submucosa (com diâmetro maior ou igual a 0,5 cm,) ● erosão = rupturas no epitélio superficial que não apresentam profundidade perceptível ● a doença ulcerosa péptica é usada de forma ampla para incluir ulcerações e erosões no estômago e no duodeno EPIDEMIOLOGIA : → H pylori = principal agente em países em desenvolvimento → AINES = principal agente em países desenvolvidos, principalmente em idosos → As úlceras duodenais são mais frequentes, em pacientes jovens de 20-50 anos, e as gástricas em mais velhos, mais de 60 anos. → úlcera duodenal é 5x mais frequente que a úlcera gástrica - incidência de 30-55 anos e no sexo masculino FATORES DE RISCO : → infecção por H pylori: ● papel na gastrite → inflamação da mucosa ● apenas 5-10% dos indivíduos infectados por H pylori desenvolvem úlceras → aspirina e outros agentes anti-inflamatórios: ● uso regular de AINES aumenta as chances de sangramento em 5-6x comparado às pessoas que não utilizam Isadora Mocelin - 3 º ano ● AINES + glicocorticoide ● idade >60 anos, história prévia de úlcera péptica → uso de cocaína e metanfetamina: ● provavelmente em função da isquemia da mucosa → tabagismo: fator de risco para os indivíduos infectados → álcool ● bebidas alcoólicas estimulam a produção ácida no estômago e sua entrada causa lesão direta à mucosa → estresse emocional: precipitador de complicações ulcerosas FISIOPATOLOGIA E ETIOLOGIA : ● localização da úlcera péptica no estômago é na região do antro (80% na pequena curvatura), no epitélio gástrico não secretor de ácido, geralmente próximo a transição para o epitélio secretor localizado no corpo do estômago ● úlcera = afecção de origem multifatorial ● 90-95% úlceras duodenais e 60-70% de úlceras gástricas = infecção pelo H pylori - liberação de citocinas inflamatórias e resposta imunológica do hospedeiro = moduladores da agressão que determina a presença e o tipo de doença Isadora Mocelin - 3 º ano H PYLORI: O estômago é dividido em 5 partes - cardia, antro, corpo, fundo e piloro. O epitélio do mesmo consiste em epitélio colunar com invaginações (fossetas gástricas). ★ No corpo e fundo existem 3 tipos de células , sendo elas: células foveolares (na superfície, secretam muco e bicarbonato), células parietais (secretam HCl e fator intrínseco), células principais (secretam pepsinogênio que sob efeito do HCL → convertido em pepsina). ★ Na cardia existem células da mucosa e endócrinas. ★ No antro existem células mucosas do colo, células parietais (secretam HCl), células principais, células endócrinas (liberam gastrina) e enterocromafins (libera histamina) PERTURBAÇÕES INDUZIDAS POR HELICOBACTER PYLORI NA SECREÇÃO ÁCIDA A infecção aguda por H.pylori acarreta hipocloridria enquanto a infecção crônica acarreta hipodoridria ou hipercloridria ● A diminuição da secreção ácida durante a infecção aguda por HP facilita supostamente a sobrevivência do organismo e sua colonização do estômago. O mecanismo pelo qual o HP inibe a secreção ácida é multifatorial e inclui ● (1) inibição direta das células parietais (e talvez das células ECL) por um componente da bactéria (p. e,x., citotoxina vacuolizante, lipopolissacarfdeo ou fator inibitório ácido) e; ● (2) inibição indireta da função das células parietais em consequência de alterações nas citocinas, assim como nos mecanismos reguladores hormonais, parácrinos e neurais. O próprio HP inibe a expressão do gene da subunidade a da H', K•-ATPase humana.Ele também estimula a secreção de pelo menos duas citocinas e fator de necrose tumoral que inibem diretamente a secreção pelas células parietais. Em estudos preliminares demonstrou-seque o HP ativa neurônios sensoriais PRGC em acoplamento à estimulação da somatostatina e, portanto, à inibição da secreção de gastrina, histamina e ácido. ● A infecção crônica por HP pode se associar a uma secreção ácida diminuída ou aumentada, dependendo da gravidade e da distribuição da gastrite. A maioria dos pacientes cronicamente infectados pelo HP apresenta uma pangastrite e produz quantidades de ácido inferiores às normais. A redução da secreção ácida se deve inicialmente à inibição funcional das células parietais por produtos do próprio HP ou, mais provavelmente, por produtos do processo inflamatório ★ FATORES QUE INFLUENCIAM A SECREÇÃO ÁCIDA PELA CÉLULA PARIETAL: Isadora Mocelin - 3 º ano Isadora Mocelin - 3 º ano ★ FATORES QUE INFLUENCIAM NA DEFESA DA MUCOSA: Isadora Mocelin - 3 º ano H pylori atua em ambos lados da equação AGRESSÃO/DEFESA: 1) diminui a disponibilidade endógena de prostaglandinas e do fator de crescimento epitelial EGF → reduzindo a defesa da mucosa ★ Como e por que isso ocorre? PG → responsáveis por estimular a produção de muco e de bicarbonato pelas células epiteliais influenciando a hidrofobicidade do muco adjacente à superfície epitelial bem como regulam o fluxo sanguíneo da mucosa e a capacidade de replicação do epitélio 2) aumenta os fatores agressivos USO DE AINES/AAS: Isadora Mocelin - 3 º ano → A fisiopatologia da lesão induzida por AINE/AAS baseia se na supressão da síntese de prostaglandinas. O mecanismo envolvido nessa situação indica a agregação de neutrófilos às células endoteliais da microcirculação gástrica, diminuindo o fluxo sanguíneo gástrico efetivo, bem como a redução na pro dução de muco prostaglandina-dependente e o comprometi mento da capacidade de migração epitelial de células adjacentes à área lesada. A circulação da mucosa e a capacidade de defesa celular ficam comprometidas, e a mucosa torna-se vulnerável à agressão de fatores intraluminares, como ácido clorídrico, pepsina, sais biliares, H. pylori e medicamentos Assim, A úlcera péptica pelo uso de AINEs (e aspirina) ocorre, principalmente, devido a inibição da ciclooxigenase 1 (COX-1), enzima responsável pela síntese de prostaglandinas, as quais aumentam o fluxo sanguíneo da mucosa e estimulam secreção de bicarbonato e muco. Além disso, outro mecanismo responsável pelas lesões causadas pelos AINEs relaciona-se ao fato desses medicamentos, por serem ácidos fracos em sua maioria, se tornarem protonados quando entram em contato com a acidez do suco gástrico. Dessa forma, atravessam a membrana lipídica das células epiteliais e, ao entrarem na célula, ocorre liberação de H+ , pois o pH no meio intracelular é de 7,4, gerando ionização e, consequentemente, ficando preso. Isso prejudica a fosforilação oxidativa e reduz a produção de energia e a integridade celular, resultando em morte rápida das células epiteliais MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS : ● pode cursar de forma assintomática ● a úlcera sem complicações consiste principalmente em desconforto e dor → ardente, espasmódica, corrosiva, em queimação → DOR DE FOME/ NA BOCA DO ESTÔMAGO → área na linha média do epigástrio e do processo xifóide podendo irradiar para as bordas costais ● dor possui periodicidade→ períodos de melhora + piora + melhora (nos períodos de exacerbação a dor ocorre todos os dias por algumas semanas e em seguida entra em remissão até a recidiva subsequente) ● outros sintomas como: eructação, flatulência, sialorréia, náusea e vômito não são próprios da úlcera péptica mas podem estar relacionados → não é possível distinguir pela clínica porém alguns fatores favorecem a presunção: Isadora Mocelin - 3 º ano ❖ ÚLCERA DUODENAL: → principal mediador da secreção ácida estimulado por alimentos = GASTRINA → o peptídeo liberador de gastrina (GRP), um neuropeptídeo presentes nos nervos do TGI principalmente no antro pilórico → é liberado na presença de alimentos no estômago e estimula a secreção de gastrina pelas células G, assim distúrbios relacionados com hipergastrinemia (úlcera duodenal) se exacerbam com a ingestão de alimentos → DOR entre as refeições, paciente refere dor em três tempos “DÓI-COME PASSA” → ou seja melhora com a alimentação → durante a madrugada “clocking” → devido ao aumento de cortisol e de HCl ❖ ÚLCERA GÁSTRICA: → paciente refere 4 tempos “DÓI-COME, PASSA, DÓI” → por vezes a dor é desencadeada pela pela ingestão de alimentos → pirose = comum nesses pacientes a medida que está associada com DRGE DIAGNÓSTICO : ★ EDA = exame diagnóstico de escolha ★ ANAMNESE + LABS + RADIOLÓGICOS = complementares → LABS - pode haver anemia hipocrômica → diminuição de hemoglobina e sangue oculto nas fezes = SANGRAMENTO → EDA - pode ser realizada para examinar a área ulcerada e colher amostras de biópsia para verificar a existência de H pylori e excluir neoplasia maligna → radiografia contrastada - são usadas para detectar a existência de uma cratera de úlcera e excluir neo gástrica ★ ENDOSCOPIA: → determina sua natureza e etiologia → as úlceras podem ser encontradas em qualquer local do estômago ou duodeno, porém 80% são encontradas na pequena curvatura, antro ou incisura angular → mais de 90% das úlceras duodenais são localizadas no bulbo na parede anterior na maioria das vezes e menos comumente na parede posterior, superior e inferior (úlceras localizadas distalmente ao bulbo = favorece síndrome de zollinger ellison) → úlcera localizada na hérnia de hiato = úlcera de cameron → presença de 2 úlceras em paredes opostas do estômago = kissing ulcers se avalia: ● localização ● forma ● margens ● base ● mucosa adjacente ● características das pregas ● tamanho ● número de lesões ● ciclo evolutivo - h Isadora Mocelin - 3 º ano DEFINIÇÃO: → úlceras gástricas gigantes = mais de 3cm de dm → pior prognóstico = maior incidência de hemorragia, taxas de mortalidade e maior necessidade de cirurgia de urgência CLASSIFICAÇÃO ➢ FASE EVOLUTIVA - SAKITA → 3 FASES 1) A - ACTIVE 2) H - HEALING - CICATRIZAÇÃO 3) S - SCAR - cicatrizada Isadora Mocelin - 3 º ano ★ a classificação de sakita é mais fidedigna na caracterização de lesões agudas TIPOS DE ÚLCERA: - Tipo I - é a mais comum, úlcera na pequena curvatura - Tipo II - relacionada a hipercloridria, úlcera do corpo associada a úlcera duodenal - Tipo III - relacionada a hipercloridria, úlcera pré pilórica - Tipo IV - relacionada a normocloridria ou hipocloridria, úlcera da pequena curvatura, parte alta, próxima a junção gastroesofágica. CLASSIFICAÇÃO DE JOHNSON (identifica perfil de acidez) CLASSIFICAÇÃO DE BORMANN (avalia malignidade) Isadora Mocelin - 3 º ano QUANDO BIOPSIAR? ❖ Biopsias não são obtidas rotineiramente de úlceras duode nais, já que raramente são malignas. No entanto, quando houver alterações não habituais (ulcerações com margens irregula res, fundo necrótico, bordas infiltradas), deve-se biopsiar com o intuito de descartar causas não pépticas (infecção, medica mentos, neoplasias). ❖ nas úlceras gástricas sempre são necessárias biópsias no intuito de distinguir lesões benignas de malignas porque o câncer gástrico pode mimetizar lesão benigna em até 20% dos casos → obtenção das biopsias, estas devem ser criteriosas, coletando na porção interna das margens da lesão, nos quatro quadrantes e em áreas não necróticas. A quantidade de frag mentos deve ser proporcional ao tamanho da úlcera; porém, no mínimo, seis espécimes devem ser obtidos. Quais são os achados que sugerem neoplasia maligna? ● infiltração ● friabilidade ● pouca distensibilidade ● pregas espessadas com interrupção abrupta ● aparência de "mordida" Isadora Mocelin - 3 º ano ● baqueteamento ● fusão ou afilamento tipo "pico de montanha" e "ponta de lápis" → geralmente se usa cromoscopia para auxílio, por ser barato e eficaz, há corantes: 1) vitais ou absortivos = identificam tipos epiteliais ou constituintes celulares → lugol, azul de metileno 2) de contraste = penetram na mucosa Isadora Mocelin - 3 º ano seguimento: ● estima-se que mais de 90% das úlceras duodenais cicatrizamapós 4 semanas de tto com IBP + erradicação da H pylori e/ou interrupção de AINES TRATAMENTO : → objetivo: erradicar a causa e assegurar a cura definitiva da doença prevenindo recidivas e complicações NÃOMEDICAMENTOSO: ● Quanto à alimentação e à dieta, nem o tipo, nem a consistência da dieta afetam a cicatrização da úlcera, mas é conhecido que alguns alimentos aumentam e/ ou estimulam a produção de ácido clorídrico e que outros são irritantes à mucosa gástrica. É importante recomendar aos pacientes que evitem alguns alimentos, assim como que parem de fumar, pois o fumo pode alterar o tempo de cicatrização da úlcera MEDICAMENTOSO: → As medicações que promovem a cicatrização da úlcera agem por dois mecanismos: fortalecendo os componentes que mantêm a integridade da mucosa gastroduodenal (pró-secretores) e diminuindo a ação cloridropéptica (antissecretores). ● Os pró-secretores atuam estimulando os fatores responsáveis pela integridade da mucosa, como muco, bicarbonato, fatores surfactantes, além de favorecer a replicação celular e o fluxo sanguíneo da mucosa. São considerados pró-secretores: antiácidos, sucralfato, sais de bismuto coloidal e prostaglandinas, mas, na prática, são pouco utilizados ● Os antissecretores são os medicamentos de escolha para a cicatrização da úlcera e dois grupos são atualmente utilizados: os bloqueadores do receptor H2 da histamina e os inibidores da bomba de prótons (IBP) Isadora Mocelin - 3 º ano ★ Caso o paciente faça uso de aspirina para conter eventos tromboembólicos como em passado de doença cardiovascular, deve-se continuar seu uso, associando o uso de IBP para prevenir sangramento. Se for utilizado dupla antiagregação plaquetária com a aspirina e clopidogrel, somente a aspirina deve ser continuado BLOQUEADOR DE H2: ranitidina, a famotidina e a nizatidina → úlceras duodenais, mas ineficazes para úlceras gástricas ★ mecanismo de ação: → atua bloqueando o receptor H2 existente na membrana da célula parietal, reduzindo significativamente a ativação da ATPase K + ativada no canalículo secretor, com redução de aproximadamente 70% da secreção ácida estimulada pela refeição. Todos os bloqueadores de receptor H2 apresentam eficácia semelhante à cicatrização, em torno de 60 a 85%, com quatro semanas de tratamento e com resposta adicional de aproximadamente 10% após extensão do tratamento por mais quatro semanas ★ Farmacocinética → Os antagonistas dos receptores de H2 são bem absorvidos depois da dosagem oral e sua absorção não é afetada por alimentos → Os níveis sanguíneos máximos são atingidos de 1 a 3 horas depois de uma dose oral → Esses agentes atravessam a barreira hematoencefálica e a placenta → Depois da administração oral, a cimetidina, a ranitidina e a famotidina sofrem metabolismo hepático de primeira passagem, o que reduz a sua biodisponibilidade em 35% a 60%. Por outro lado, a uizatidina não sofre metabolismo de primeira passagem, e sua biodisponibilidade chega a 100% com a dosagem oral → Ao serem administrados à noite, esses fármacos são especialmente efetivos na supressão do débito ácido noturno → Todos os quatro antagonistas do receptor de H2 são eliminados por uma combinação de excreção renal e metabolismo hepático. Depois da administração intravenosa, por outro lado,todos os quatro agentes são eliminados principalmente através de excreção renal → No caso da cimetidina e da famotidina, recomenda-se que essas doses sejam reduzidas à metade em pacientes cujo clearance depuração de creatinina seja de 15 a 30 mUminuto. No caso da uizatidina e da ranitidina, a dose deverá ser reduzida à metade se o clearance de creatinina for inferior a 50 mL/minuto. → Observou-se que a insuficiência hepática prolongava a meia-vida da cimetidina, mas reduções na dose geralmente não são necessárias para pacientes com insuficiência hepática, a menos que acompanhada por doença renal crônica." ★ Efeitos Adversos Os antagonistas do receptor de H2 são um grupo consideravelmente seguro e bem tolerado de agentes. A incidência geral de efeitos colaterais é inferior a 4% e os efeitos colaterais graves são decididamente incomuns. A cimetidina tem atividade antiandrogênica fraca que ocasionalmente pode causar ginecomastia e impotência. A mielossupressão é um efeito colateral incomum e presumidamente idiossincrático dos antagonistas do receptor de H,. porém, dependendo de outros dados, parece prudente evitar o uso de antagonistas do receptor de Ri em recebedores de transplante de medula óssea ★ posologia: Isadora Mocelin - 3 º ano → As doses preconizadas diárias de cimetidina, ranitidina, famotidina e nizatidina são 800 mg, 300 mg, 40 mg e 300 mg, respectivamente, podem ser administradas em dose única matinal ou noturna, embora com maior frequência sejam fracionadas em duas tomadas IBP: omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol e esomeprazol ★ mecanismo de ação: → Todos os inibidores da bomba de prótons são pró- fármacos que exigem a sua ativação no ambiente ácido do canalículo da célula parietal. As formulações orais desses fármacos são de revestimento entérico para prevenir a sua ativação prematura. O pró-fármaco é convertido em sua forma sulfenamida ativa no ambiente canalicular ácido, e a sulfenamida reage com um resíduo de cistina da H+/K+-ATPase, formando uma ligação dissulfeto covalente. A ligação covalente do fármaco inibe irreversivelmente a atividade da bomba de prótons, levando a uma supressão prolongada e quase completa da secreção de ácido. Para que a secreção de ácido possa recomeçar, a célula parietal precisa sintetizar novas moléculas de H+/K+-ATPase, um processo que leva aproximadamente 18 horas. - O omeprazol penetra livremente no citoplasma da célula parietal (pH 7,1) na forma sem carga. No ambiente ácido do sistema canalicular da célula parietal (pHfisiológico, correção do desequilíbrio hidroeletrolítico e ácido básico, administração de IBP e lavagem gástrica com sonda de Fouchet (calibrosa para resíduos maiores) ou levine (sonda mais fina), duas vezes ao dia. - Dilatação endoscópica + tratamento da bactéria. Isadora Mocelin - 3 º ano HEMORRAGIA DIGESTIVA ALTA : DEFINIÇÃO : ● HDAA: é definida como aquela que se instala em consequência de lesões localizadas proximais ao ligamento de Treitz (papila duodenal maior) podendo envolver o esôfago, estômago ou duodeno → melena e/ou hematêmese ● HDBA: lesões localizadas distalmente ao ligamento de Treitz → hematoquezia ● úlcera perfurada: quando perfura a serosa → geralmente a não perfurada está até a submucosa/muscular CLASSIFICAÇÃO : ● aguda: aparecimento recente → menos de 3 dias de duração → instabilidade hemodinâmica, de sinais vitais, anemia e/ou necessidade de transfusão sanguínea ● crônica: sangramento por período de vários dias com perda sanguínea lenta e intermitente → sangue oculto ou visível nas fezes, anemia e sem repercussão hemodinâmica ● varicosa → associada a varizes gastroesofágicas → pacientes cirróticos ● não varicosa → principalmente associado a úlceras gastroduodenais EPIDEMIOLOGIA : ● alta é 5x mais frequente que a baixa ● mais comum em homens, idosos e portadores de doenças crônicas ● evolução autolimitada em 80% dos casos ETIOLOGIA : Isadora Mocelin - 3 º ano • Úlcera péptica gastroduodenal ➢ É a causa mais frequente de HDAA (cerca de 50% dos casos). Os fatores mais importantes que predispõem a úlcera péptica e sangramento são: acidez gástrica, Helicobacter pylori e uso de AINH. A incidência de sangramento por úlcera duodenal é aproximadamente o dobro daquela por úlcera gástrica. O ressangramento é mais intenso nas úlceras de maior diâmetro e mais profundas, nos portadores de coagulopatias, quando há coexistência de outras enfermidades e, principalmente, quando se desenvolve durante uma hospitalização • Gastropatia hemorrágica e erosiva ➢ Consiste em hemorragia subepitelial e erosões, geralmente restritas à mucosa, onde não existem vasos sanguíneos calibrosos e, portanto, não causam sangramento volumoso. São incluídas neste grupo as lesões de estresse observadas em pacientes críticos, como ocorre na insuficiência respiratória aguda, na insuficiência renal aguda, nos queimados com mais de 35% de área corporal atingida, nos processos expansivos cerebrais, nas septicemias, nos pós-operatórios de grandes cirurgias, bem como as lesões que se desenvolvem associadas ao uso AAS, etanol e AINH. • Lesão de Mallory-Weiss ➢ É diagnosticada em aproximadamente 5 a 15% dos pacientes com HDAA e está frequentemente relacionada com esforços de vômitos ou tosse, caracterizando-se por uma laceração longitudinal ou elíptica localizada na região da junção esofagogástrica, podendo comprometer a mucosa gástrica e/ou esofágica. A hemorragia surge quando a lesão atinge um plexo venoso ou arterial. Tem pior prognóstico quando ocorre em pacientes com hipertensão portal. Na maioria das vezes, a lesão cicatriza em 24 a 48 h. • Fístula aortoentérica ➢ É de ocorrência rara, mas tem mortalidade elevada. Localiza- se com mais frequência no duodeno distal ou jejuno, podendo estar além do alcance do endoscópio convencional. Resulta de comunicação direta entre a aorta e o trato digestivo, provocada por aneurisma, aortite sifilítica ou tuberculosa, pós-enxerto aórtico (deaparecimento precoce ou tardio entre 4 e 10 semanas, até 14 anos), úlcera penetrante, invasão tumoral, traumatismo abdominal e radioterapia. Causa HD maciça, que leva ao óbito. Lesão de Dieulafoy ➢ Ocorre quando uma artéria submucosa anormal calibrosa fica exposta na superfície mucosa e depois se rompe, sem formação de úlcera no local. Localiza-se, em geral, na parte alta da pequena curvatura do estômago, próximo à junção esofago-gástrica, embora ocorra em outras áreas do trato digestivo. Sua etiologia é desconhecida, mas pode ser atribuída à isquemia da superfície mucosa. A HD é frequentemente maciça e recorrente. A lesão pode ser de difícil identificação, exceto quando está sangrando ativamente ou apresenta estigmas de sangramento recente • Ectasia vascular gástrica Isadora Mocelin - 3 º ano ➢ É uma causa rara de HD, que pode ser confundida com a gastropatia hipertensiva,pois ambas podem ocorrer em cirróticos. O termo ectasia vascular gástrica antral ou "estômago melancia" deriva do fato de apresentar pontos avermelhados, formando faixas, que partem do piloro para o antro, lembrando as listras de uma melancia. As listras vermelhas representam vasos mucosos ectasiados e saculares. Os pontos avermelhados também podem ter distribuição mais difusa e comprometer o estômago proximal, sendo usado o termo ectasia vascular gástrica difusa neste caso. Pode ser idiopática, mas associa-se com cirrose e esclerose sistêmica, entre outras doenças. O perfil mais comum do portador de ectasia vascular antral é de mulher com mais de 70 anos, com anemia por deficiência de ferro, que apresenta sangramento crônico. • Tumores Gastrointestinais ➢ Os tumores de esôfago, estômago e intestino delgado proximal respondem por cerca de 5% dos casos de HDAA, geralmente representando, no caso dos malignos, seu estágio final, quando o tumor reduz seu suprimento sanguíneo e há ulceração da mucosa Hemobilia ➢ É uma hemorragia que tem origem no trato hepatobiliar. ➢ Deve ser lembrada em pacientes com HDAA com história recente de traumatismo do parênquima hepático ou do trato biliar, biopsia percutânea ou transjugular, colangiografia percutânea trans-hepática, colecistectomia, biopsia biliar endoscópica, além de colelitíase ou colecistite, tumor hepático ou de dueto biliar, aneurisma de artéria hepática e abscesso hepático. Pode-se suspeitar de hemobilia através de duodenoscopia, quando se observa o sangue saindo através da papila duodenal, sendo o diagnóstico confirmado através de colangiografia retrógrada endoscópica, cintigrafia utilizando hemácias marcadas com tecnécio 99, ou arteriografia seletiva da artéria hepática • Hemosuccus Pancreaticus ➢ É o sangramento através do dueto pancreático, mais frequentemente causado por pancreatite crônica, pseudocisto ou tumor do pâncreas. A hemorragia ocorre quando um vaso sanguíneo é envolvido, formando uma comunicação entre o vaso e o ducto pancreático. Pode surgir também em consequência de terapêutica endoscópica, visando ao pâncreas e ao ducto pancreático, ou de drenagem de pseudocisto. Deve-se suspeitar de hemosuccus pancreaticus quando existem sintomas sugestivos das doenças citadas, sendo confirmado através de tomografia computadorizada, pancreatografia retrógrada endoscópica, arteriografia ou exploração cirúrgica Isadora Mocelin - 3 º ano HDA NÃO VARICOSA: FISIOPATOLOGIA : ➢ As úlceras gástricas sangrantes são mais frequentes que as duodenais ➢ principais fatores associados: 1) infecção por H pylori 2) uso de AINE 3) estresse fisiológico sepse e choque 4) hipersecreção ácida MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS : Isadora Mocelin - 3 º ano Isadora Mocelin - 3 º ano DIAGNÓSTICO : ANAMNESE + EX FÍSICO + EDA = DIAGNÓSTICO E ORIGEM DO SANGRAMENTO → PEDIR: ★ RX de tórax e abdome simples ● casos suspeitos de perfuração visceral concomitante, obstrução intestinal ou aspiração pulmonar ★ EDA - exame de escolha → alta sensibilidade e especificidade ★ objetivos: confirmar o diagnóstico, definir a etiologia, orientar a terapêutica, fornecer prognóstico a respeito da possibilidade de ressangramento, realização de procedimentos homeostáticos ★ na úlcera gastroduodenal → se identifica úlceras próx a pequena curvatura alta do corpo gástrico e da parede póstero inferior do bulbo duodenal que podem atingir artérias mais calibrosas e provocar HD mais volumosas ★ achados endoscópicos que sugerem ressangramento em 72hs: 1) sangramento ativo 2) vaso visível 3) coágulo aderido ★ ESTABILIZA → REALIZA !!! ★ 12hs = varicosa ★ 24hs não varicosa ● deve ser realizado nas primeiras 24hs de admissão. A EDA somentedeve ser realizada quando se tiver condições de oferecer segurança e eficácia do procedimento 1) Aqueles com sangramento maciço ou rebaixamento do nível de consciência devem ser submetidos a intubação traqueal antes do exame 2) Jejum 3) Caso os pacientes apresentem sangramento ativo ou sangue que prejudica a visualização endoscópica → repetir novamente em 24hrs. 4) A administração de eritromicina 30 a 90 min antes da EDA, na dose intravenosa de 250 mg em bolus ou 3 mg/kg durante 30 min, comprovadamente melhora a visualização endoscópica por estimular a motilidade gástrica e promover o esvaziamento do conteúdo do estômago Isadora Mocelin - 3 º ano ★ cintilografia com mapeamento de hemácias marcada por tecnécio - indicada em casos de HD não elucidadas e principalmente crônicos através dos exames anteriores → pode detectar sangramentos de 0,1ml/min - exame só é + em 45% dos casos ★ arteriografia seletiva: - só é conclusivo se o sangramento for maior que 0,5ml/min sendo realizado através de um cateter introduzido na artéria femoral que alcança de maneira seletiva a artéria gástrica esquerda → permite atuar de maneira terapêutica através da administração de substâncias vasoconstritoras ou da embolização vascular ★ exames radiológicos com contraste baritado - só tem indicação diante da falha de outros métodos para ajudar a elucidar a origem da HD, não tem possibilidade de mostrar sangramento ativo ★ LABS: fornecem informações sobre o grau de sangramento - hemograma + contagem de plaquetas - hematócrito seriado - geralmente ele vem normal nas primeiras 24-72hs - dosagem sérica de ureia, creatinina, proteínas totais e frações, aminotransferases, BT, e;eletrólitos, gasometria, TAP e TTPA ➢ presença de coagulopatia com INR > 1,5 está presente em 16% dos pacientes e confere pior prognóstico relacionado a aumento da mortalidade Isadora Mocelin - 3 º ano MANEJO : 1. estratificação de risco de sangramento: ● fatores clínicos que predizem uma hemorragia grave e necessidade de avaliação urgente incluem → taquicardia, hipotensão, aspirado nasogástrico com sangue vermelho, concentração de Hb menor que 8 g/dl ➢ score de Glasgow Blatchford → prediz a necessidade de EDA entre 12-24hs - imediata SE 1 ITEM POSITIVO → EDA pode ser usado sua forma simplificada → pontua-se 0 se → tem que pontuar todos!!! → não precisa de EDA imediata → não precisa internar ➢ score de Rockall → prediz risco em pacientes com HDA - realizado pré e pós endoscopia - pode ser usado para verificar quais pacientes podem seguir ambulatorialmente - se a soma da pré + pós EDA for superior a 8 → mortalidade ultrapassa 40% Isadora Mocelin - 3 º ano - score 0-2 → mortalidade de 100 bpm) e alterações hemodinâmicas ortostáticas (queda de 10 mmHg ou mais na pressão sistólica e elevação de > 15 bpm na frequência cardíaca quando o paciente é mobilizado da posição supina para a sentada) sugerem perda de aproximadamente 20% do volume circulatório com indicação de ressuscitação volêmica. 3. estabilização hemodinâmica → uso de sonda nasogástrica é controverso e por vezes contraindicado = Podem ocorrer falso-positivos devidos a epistaxes causadas pela inserção da sonda e falsos negativos quando a lesão está no duodeno ou quando houver uma lesão com vaso visível não sangrante. Na maioria das vezes, a presença de sangue na SNG é um bom indicador de HDA, porém, sua ausência é insuficiente para afastar sangramento agudo. Não tem qualquer efei- to no desfecho clínico quanto a mortalidade, cirurgia, tempo de internação hospitalar e quantidade de transfusão sanguínea necessária.Sua utilidade está em diminuir o tempo para realizar endoscopia, com base na crença de que um aspirado positivo indica a necessidade de cuidado mais imediato. ❖ emergência → A,B,C,D,E A- considerar tubo: ● proteção da via aérea pela possibilidade de aspiração do sangue vômito ou regurgitado 1) risco de aspiração 2) encefalopatia hepática (varicosa) 3) hematêmese volumosa ativa 4) rebaixamento do nível de consciência B - respiração = avaliada pelos mov respiratórios, ausência de cianose e níveis de sat de O2 → oferta de oxigênio se sat 3 segundos, diminuição do débito urinário, aumento do lactato = ★ colocação de dois acessos venosos periféricos calibrosos (18+) ★ infusão de solução cristalóide com o objetivo de restaurar e manter os sinais vitais normais (geralmente 1-2/L corrigem o volume perdido) → meta: - PAS 100 mmHg - FC 100:1) e, quanto maior for essa relação, maior a possibilidade de se tratar de HDA 5) Deve-se avaliar a possibilidade de doença hematológica em todos os pacientes além de se realizar a contagem de plaquetas e leucócitos. Testes de coagulação de rotina devem ser providenciados (tempo de protrombina – TP – e tempo de tromboplastina parcial ativada – TTPA). 6) É necessário dosar os eletrólitos (sódio e potássio), bem como realizar a tipagem sanguínea, haja vista a possibilidade de transfusão Isadora Mocelin - 3 º ano ★ em pct sem resposta a volemia → transfusão - concentrados de hemácia, pode-se utilizar plasma fresco congelado ou concentrado de plaquetas ou ambos caso necessite de mais de 10U de glóbulos vermelhos SE PACIENTE ANTICOAGULADO → REVERTER!!! - A aplicação intravenosa de vitamina K (5-10 mg) reverte a coagulopatia por deficiência dessa vitamina, mas seu efeito completo pode levar até 24 horas. - O complexo protrombínico reverte rapidamente coagulopatias associadas à deficiência de fatores II, VII, IX e X, ou seja, os fatores vitamina K-dependentes, e é preferível em relação ao uso de plasma fresco congelado em pacientes