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APG 11 Cirrose OBJETIVOS 1. Rever a morfofisiologia do fígado e sistema porta. 2. Estudar a epidemiologia, etiologia, fatores de risco, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e complicações da cirrose hepática. 3. Estudar a epidemiologia, etiologia, fatores de risco, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e complicações da hipertensão portal. Maior órgão interno do corpo, com quase 1,5 kg. Fígado - O órgão do metabolismo Possui 2 grandes lobos: Esquerdo e Direito, separados pelo ligamento falciforme. Lobo Direito Lobo Esquerdo Ligamento Falciforme Ligamento Redondo Inferiormente, o lobo direito apresenta dois outros lóbulos menores, o lobo quadrado, e o lobo caudado Centralmente, visualiza-se a Porta do fígado, região por onde vários vasos, ductos e nervos entram e saem do fígado. Lobo Quadrado Lobo Caudado Porta do fígado Por fim, a divisãodo fígado em 12 segmentos também pode ser útil do ponto de vista clínico para determinar a localização de lesões, e auxiliar no planejamento de procedimentos. Os hepatócitos são as células funcionais do fígado, Histologia Eles são organizados em placas, e revestidos por espaços vasculares, cobertos de células endoteliais chamados de sinusoides hepáticos. Juntamente com os ductos biliares, formam a tríade portal Os hepatócitos são as células funcionais do fígado, Histologia Eles são organizados em placas, e revestidos por espaços vasculares, cobertos de células endoteliais chamados de sinusoides hepáticos. Juntamente com os ductos biliares, formam a tríade portal Produção de bile; Estoque de glicogênio; Metabolismo de carboidratos Detoxificação – Fagocitose de hemácias e leucócitos velhos; Síntese de proteínas do sangue (albumina, fibrinogênio, globulinas, colesterol) e fatores de coagulação. Relembrando algumas funções: Fisiologia A circulação porta hepática transporta o sangue venoso dos órgãos gastrintestinais e do baço para o fígado. O sangue flui pelos vasos sinusoides do fígado com o objetivo de promover o metabolismo dos nutrientes absorvidos. Principais veias: Esplênica (baço), mesentérica inferior (1/3 do intestino grosso, mesentérica superior (estômago, pâncreas, intestino delgado e 2/3 do intestino grosso) Circulação Portal Alem do sistema porta, a artéria hepatica também flui para o fígado, fornecendo sangue oxigenado. Resumo da circulação hepática Cirrose Hepática Conceito Geral A cirrose representa a via final comum de uma lesão hepática crônica e persistente em indivíduo geneticamente predisposto Independente da causa, provoca fibrose e formação de nódulos parenquimatosos difusos, circundados por fibrose, desorganizando a arquitetura lobular e vascular. Epidemiologia Até 40% dos paciente são assintomáticos, o que dificulta o tratamento precoce. Maior incidência na Região Sudeste. Maior incidência nos homens, (7 em cada 10 casos) devido a costumes de vida, hábitos alimentares e procura médica tardia. Etiologia O principais fatores causadores podem ser classificados como: Metabólicos - Paciente com defeitos congênitos no metabolismo, ou paciente de idade avançado. Virais - Hepatites B, C e D Alcóolico: Maior fator entre adultos, ocorre após o período médio de 5 a 10 anos, com igesta diária superior a 80 g de etanol para os homens, e 60 g nas mulheres. Um litro de cerveja comum (6% de álcool) possui 60 g de etanol. Biliares: Primária ou secundária, acometem a árvore biliar com colangites ou obstrução Induzida por fármacos - Remédios como metotrexato, isoniazida, oxifenisatina e alfametildopa. Autoimune - Ocorre principalmente em mulheres jovens ou em pós- menopausa, com fenômenos auto- imunes concomitantes. Obstrução do fluxo venoso hepático: Causada por doença veno-oclusiva, pericardite constritiva e outras síndromes, causa anóxia congestiva hepática Criptogênicas: Indeterminada (10%) Fisiopatologia - Tudo envolve fibrose. A fibrose causada pela cirrose representa o acúmulo de componentes da matriz extracelular (tecido conjuntivo). Essa fibrose é possível graças à citocinas que são liberadas por causa de necrose ou inflamação do tecido hepático. Miofibroblasto O TGF-beta 1 é o principal fator mediador da fibrogênese O miofibroblastos São as células responsáveis por regular a fibrogênese e a fibrólise no fígado. Em resumo, os miofibroblastos podem vir de 3 lugares: Medula óssea Sistema porta Células estreladas sinusoides. Caso as células estreladas ativem enzimas chamadas metaloproteases, o processo fibrótico pode ser inibido (fibrólise). Ou seja, em uma lesão hepática crônica, essas células podem desencadear reparação ou fibrose. Outros Mecanismos fibrogênicos Reduzida produção de Óxido Nítrico Sistema de estresse oxidativo (EOx) - Causado pelo excesso de radicais livres causados por estresse ambiental, tabagismo, alcoolismo, alimentos industrializados, etc. - Essas alterações ajudam a perpetuar processos fibróticos já existentes. Outras inflamações. Resumo Os processos anteriores culminam na deposição de colágeno 1 e 3 nos septos entre os hepatócitos Isso reduz a comunicação entre os hepatócitos, provocando necrose. Os hepatócitos sobreviventes tentam se recuperar da lesão, aumentando sua proliferação, o que dá origem aos nódulos circundados por septos fibrosos. Ascite Por fim, a incapacidade do fígado lesionado em equilibrar as proteínas do sangue (hipoalbunemia), ou o aumento da pressão portal devido à fibrose (hipertensão portal), causam o derrame peritoneal, chamado clinicamente de ascite. Achados Morfológicos As alterações hepáticas mais comumente encontradas no paciente com cirrose são: Fibrose difusa Nódulos regenerativos Arquitetura lobular alterada Trombose vascular Derivações vasculares intra- hepáticas Lesões obliterativas no trato portal. As manifestações podem ser divididas em duas fases: Compensada: assintomática, sintomas como cansaço, fraqueza ou perda de peso. Descompensada: Evolução rápida, icterícia, prurido, ascite, diarreia, edema de membros inferiores, sangramento gastrointestinal, hiperestrogenemia, hipogonadismo. Manifestações clínicas Distúrbios hematológicos: Anemia, leucopenia e plaquetopenia, redução na síntese de fatores de coagulação (coagulopatia). Aumento da possibilidade de infecções bacterianas oportunistas. Encefalopatia hepática - causada pelos níveis elevados de amônia, causa o ‘flapping’, além de rigidez, confusão, estupor, coma profundo e morte. Complicações