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Asma e DPOC Isadora Mocelin 3° ano UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE UNIPLAC Curso de Medicina - 3° ano - Problema n° 03/2024 Doutor, estou com falta de ar. Paulo, 69 anos, natural de Lages, procura a UBS do seu bairror0, devido tosse crônica com início há 3 anos, normalmente seca, sendo que algumas vezes passa a ser produtiva, Sempre associou a tosse ao cigarro e nunca procurou atendimento para investigação. Referiu que há cerca de 1 ano vem apresentando dispneia aos moderados esforços, especialmente quando vai fazer esforço para limpar o quintal da sua casa. Há 1 semana a dispneia piorou, impendido Paulo de fazer suas atividades diárias, relatando dificuldade em tomar banho e trocar de roupa. Refere também que a tosse passou a ser produtiva, com escarro purulento, sem febre. Reduziu o número de cigarros por dia, entretanto a dispneia persistiu. Possui histórico de hipertensão arterial sistêmica em uso de enalapril 10 mg 12 /12h. Nega alergias, entretanto refere que “fez tratamento para asma quando era bebê e que tinha muito chiado no peito". Histórico familiar de asma, hipertensão e infarto agudo do miocárdio. É tabagista desde os 12 anos de idade e fuma 2 maços de cigarro ao dia. Etilista social de cerveja cerca de 2x ao mês. Não realiza exercícios físicos. No momento está aposentado. Trabalhou durante toda a sua vida em uma serraria. Ao exame físico, Paulo apresentou-se em regular estado geral, mucosashidratadas. Lúcido e orientado em tempo e espaço, Jongilineo, agrecido. Dispneico, com uso de musculatura acessória. Tax 36 AparelhoCardiovascular: Aparelho cardiovascular com bulhas hipofonéticas em dois tempos, sem presença de sopros. TEC 2 s. PA 140 x 90 mmHg, FC 100 bpm. AparelhoRespiratório:Tórax com aumento do diâmetro antero- posterior. Taquipneia com expiração prolongada. Diminuição da expansibilidade e do frêmito toracovocal. Murmúrio vesicular presente bilateralmente, porém reduzidos, sem ruídos adventícios. FR 24 ipm, saturação de 02 88% em AA. ABD: Abdome flácido, com ruidos hidroaéreos presentes, indolor à palpação; fígado e baço não palpáveis. MMIl: sem edema, bilateral, simétrico. Foram solicitados exames laboratoriais, espirometria e radiografia de tórax que apresentavam: Hb 18 g/dL I| Ht 56 % I| Leuc 16800 I| Bastőes Av. Castelo Branco, 170 – Universitário – Lages/Sc |(49) 3251.1022 – uniplaclages.edu.br UNIVERSIDADE D0 PLANALTO CATARINENSE PLAC v lommi oComdibolto a O 20%L Gasometria arterial pH 7,35;_HÇO3 30 mEqll; PCO2 60 mmHg; (ole)(PO2 54 mmHg.) SatO2 88,1%. transparênciapleuro-pulmonarescomCamposRadiografiade tórax: aumentada, cúpulas diafragmáticas retificadas, seios costofrênicos livres, arcabouço costal apresentando aumento dos espaços intercostais, mediastino sem alterações. HifrlaFisc Mo▇ (CVF) normal, volumeEspirometria: Valor da capacidade vital forçada segundo (VEF1) abaixo do limite inferior e VEF1/CVFexpiratório forçado no 1º abaixo do limite inferior. VEF1ICVF pós-broncodilatador sua participação na etiologia ainda não é bem comprovada 5. Alergênios - São desencadeantes comuns e foram implicados na sensibilização alérgica - a exposição aos ácaros da poeira doméstica nos primeiros anos de infância é um fator de risco para sensibilização alérgica a asma - animais domésticos principalmente gatos também foram associados à sensibilização alérgica, porém a exposição a gatos no primeiro ano de vida pode conferir proteção por indução de tolerância 6. Exposição ocupacional - pode acometer até 10% dos adultos jovens - há mais de 300 agentes sensibilizantes 7. Obesidade - ocorre com maior frequência em pessoas obesas (IMC >30) - contribuição de fatores mecânicos e ligação de adipocinas pró-inflamatórias e redução de adipocinas anti-inflamatórias que são liberadas dos depósitos de gordura FATORES DESENCADEANTES : → fatores ambientais que PIORAM a asma em pacientes com a doença já estabelecida. Há vários estímulos que desencadeiam o estreitamento das vias aéreas Isadora Mocelin - 3° ano ● alergênios: estes ativam mastócitos → IgE ligada a essas células → provocam liberação imediata de mediadores broncoconstritores (resposta inicial reversível pelos broncodilatadores) - essa exposição é seguida de uma resposta tardia → edema e uma resposta aguda → aumento de eosinófilos e neutrófilos, estas não regridem por completo com broncodilatadores ★ principais desencadeadores: dermatophagoides (ácaro, encontrado na poeira) ★ outros: - originados de gatos e outros animais domésticos, pólen, gramíneas ● infecções virais: as IVAS causadas por rinovírus, VSRA e coronavírus estão entre os desencadeantes mais comuns da exacerbação da asma → há acentuaçãoda inflamação das vias respiratórias com quantidades aumentadas de neutrófilos e eosinófilos e há produção reduzida de interferons do tipo I pelas células epiteliais dos pacientes asmáticos → isso resulta em aumento da suscetibilidade a essas infecções virais e em uma resposta inflamatória mais acentuada ● exercício físico: o mecanismo desencadeante está relacionado com a hiperventilação que aumenta a osmolalidade do líquido que recobre as vias respiratórias → desencadeia a liberação de mastócitos → broncoconstrição ● poluição: dióxido de enxofre, ozônio e óxido de nitrogênio → relacionados com o aumento de sintomas ● fatores ocupacionais ● hormônios: algumas mulheres podem ter agravamento pré-menstrual da asma → redução dos níveis de progesterona → tireotoxicose e hipotireoidismo: podem piorar a asma ● DRGE: é comum em pacientes asmáticos porque é acentuado pelos broncodilatadores ● estresse: pacientes referem agravamento dos sintomas pós estresse → broncoconstrição por ativação das vias colinérgicas CLASSIFICAÇÃO : - asma tópica: - tipo mais comum → reação de hipersensibilidade tipo I mediada por IgE - geralmente se inicia na infância - histórico familiar positivo para atopia/asma - frequentemente precedida por eczema, rinite alérgica e urticária - asma intrínseca/ não tópica: - 10% dos pacientes tem testes cutâneos negativos aos alergênios inalatórios comuns e apresentam concentrações séricas normais de IgE Isadora Mocelin - 3° ano - Geralmente tem doença de início mais tardio (vida adulta) com frequência apresentam pólipos nasais e podem ser sensíveis ao AAS - surgiram evidências de produção local exagerada de IgE nas vias respiratórias, sugerindo a participação de mecanismos comuns mediadas por essa imunoglobulina e a atuação de superantígenos como enterotoxinas estafilocócicas - os desencadeadores mais comuns são infecções respiratórias causadas por vírus (rinovírus, parainfluenza) e por poluentes atmosféricos inalados - asma induzida por medicamentos: - AAS é o mais marcante. Pacientes sensíveis a essa medicação apresentam rinite recorrente, pólipos nasais, urticárias e broncoespasmo - AAS → bloqueia COX → bloqueia PGE → vasoconstrição? - Asma induzida por exercícios: (AEI) - → começa no final do exercício e melhora de forma espontânea após 30 min - piora: em climas secos e frios - Como evitar? → administração prévia de B2-agonistas e de bloqueadores de leucotrienos. Pode ser controlada pelo tratamento regular com corticoide inalatório que reduzem a quantidade de mastócitos superficiais - Asma ocupacional: - pode ser desencadeada por vapores de resinas, plásticas, poeiras orgânicas e químicas como madeira, algodão e gases. - Está relacionada com o aparecimento dos sintomas no ambiente de trabalho com melhora nas folgas. Após 6 meses sem exposição depois dos primeiros sintomas, costuma haver recuperação completa FISIOPATOLOGIA : PATOLOGIA: ● a mucosa das vias respiratórias fica infiltrada por eosinófilos e linfócitos T ativados e também há ativação dos mastócitos da mucosa → inflamação → esta é reduzida pelo tto com CI ● há alterações estruturais nas vias respiratórias → espessamento da membrana basal pela deposição de colágeno sob o epitélio (eosinófilos liberam mediadores fibrogênicos) ● epitélio por vezes se mostra descamável e com quantidades aumentadas de células epiteliais ● asma fatal: se observa obstrução do lúmen das vias respiratórias por tampões de muco (glicoproteínas mucosas secretadas pelas células caliciformes e proteínas plasmáticas originadas dos vasos brônquicos permeáveis) ● há vasodilatação e angiogênese aumentada ● vias respiratórias podem estar estreitadas, eritematosas e edemaciadas ! as alterações são encontradas em todas as vias respiratórias, mas não se estendem até o parênquima pulmonar Isadora Mocelin - 3° ano FISIOPATOLOGIA: interação celular: Isadora Mocelin - 3° ano → outros mediadores inflamatórios: ● CITOCINAS: -Th2 (IL-4,IL-5 e IL-13): participam da inflamação alérgica - TNF-a e IL-1b: amplificam a resposta inflamatória e desempenham um papel importante nas formas graves da doença - linfopoetina do estroma tímico (TSLP): é uma citocina inicial secretada pelas células epiteliais dos pacientes asmáticos que coordena a liberação de quimiocinas e atraem de maneira seletiva as células Th2 - IL-10 e IL-12: são anti-inflamatórias e podem estar deficientes em pacientes asmáticos ● QUIMIOCINAS: - são responsáveis por atrair as células inflamatórias provenientes da circulação brônquica para as VR - CCL1→ é expressa pelas cél epiteliais de pacientes asmáticos → atrai seletivamente eosinófilos por meio do CCR3 - CCL17 e CCL22 → é expressa pelas cél epiteliais de pacientes asmáticos → atraem células Th2 por meio do CCR4 ● ESTRESSE OXIDATIVO: - cél ativadas como DC e eosinófilos → produzem espécies reativas de oxigênio → sua acentuação consiste na concentração mais elevada de 8-isoprostano (um produto do ácido aracdônico) nos condensados expiratórios e nos níveis mais altos de etano (produto da peroxidação lipídica) no ar exalado pelos pacientes asmáticos - ! o EO aumentado está relacionado com a gravidade da doença, pode amplificar a resposta inflamatória e reduzir a responsividade dos corticóides ● ÓXIDO NÍTRICO: - ele é produzido em várias cél das vias respiratórias pelas sintetases de NO (cél epiteliais e macrófagos) - sua concentração elevada no ar expirado em pacientes asmáticos é maior que o normal e está relacionada com a inflamação eosinofílica - níveis altos → podem contribuir para a vasodilatação brônquica observada na asma - O NO fracional exalado (FeNO) é utilizado cada vez mais para diagnóstico e na monitoração da inflamação asmática FISIOPATOLOGIA: Efeitos da inflamação: → alterações patológicas específicas das vias aéreas, como: hiperresponsividade, inflamação e edema das vias aéreas, contração da musculatura lisa brônquica, hipersecreção das glândulas mucosas brônquicas e células caliciformes, deposição de colágeno e espessamento da membrana basal, disrupção do epitélio das vias aéreas e proliferação vascular e neuronal. Tais modificações levam à obstrução aguda e crônica das vias aéreas, característica dos quadros de asma 1) hiper-responsividade das vias aéreas: é uma resposta broncoconstritora exagerada das vias aéreas a vários estímulos que para indivíduos normais são inócuos, seus mecanismos incluem → ● inflamação: - a inflamação segue da traqueia até os bronquíolos terminais com predomínio nos brônquios Isadora Mocelin - 3° ano - os estímulos desencadeiam ativação de células inflamatórias que liberam broncoconstritores e mediadores inflamatórios produzindo edema e hipersecreção da mucosa - padrão específico de inflamação das vias respiratórias da asma está relacionado com a hiper-reatividade das vias respiratórias (HRVR) → obstrução ventilatória variável ● disfunções neuroregulatórias: a estimulação sensorial nervosa age sobre as células inflamatórias e musculatura brônquica → contração - os mediadores inflamatórios podem modular os canais iônicos que ajudam a regular o potencial de ação em repouso das células musculares lisas, alterando o grau de excitabilidade dessas células - As vias colinérgicas, em razão da liberação de acetilcolina que atua nos receptores muscarínicos, causam broncoconstrição e podem ser ativadas reflexamente na asma: → Os mediadores inflamatórios podem ativar os nervos sensoriais e provocar broncoconstrição colinérgica reflexa ou liberação de neuropeptídeos inflamatórios. →Os produtos da inflamação também podem sensibilizar as terminações dos nervos sensoriais do epitélio das vias respiratórias, de modo que os nervos ficam hiperalgésicos. → As neurotrofinas, que podem ser liberadas por vários tipos de células das vias respiratórias (inclusive células epiteliais e mastócitos), podem estimular a proliferação e a sensibilização dos nervos sensoriais das vias respiratórias. → A inervação das vias respiratórias também pode liberar neurotransmissores como a substânciaP, que produzem efeitos inflamatórios. ● alterações estruturais: remodelamento das vias aéreas - há espessamento da parede e diminuição da complacência das vias respiratórias devido à: → hipertrofia e hiperplasia da musculatura lisa brônquica: resultam da estimulação das células musculares lisas por vários fatores de crescimento PDGF ou endotelina 1 → deposição subepitelial de colágeno e matriz fibrosa: há deposição de colágeno do tipo III e V abaixo da membrana basal verdadeira, há liberação de mediadores pró-fibróticos como o fator B transformador de crescimento → edema intersticial e infiltrado inflamatório por eosinófilos → BRONCOESPASMO: o estreitamento das VA ocorre devido a contração da musculatura lisa desencadeada pela exposição a diversos estímulos - lesão epitelial pode contribuir para a HRVR: ex: → perda de sua função de barreira para permitir a penetração dos alergênios → perda de enzimas (endopeptidase neutra) que decompõe os mediadores inflamatórios → perda de um fator relaxante derivado do epitélio → exposição de nervos sensoriais que podem desencadear efeitos neurais reflexos nas vias respiratórias 2) respostas vasculares: - há aumento do fluxo sanguíneo na mucosa das vias respiratórias na asma → pode contribuir para o estreitamento das VR Isadora Mocelin - 3° ano - angiogênese aumentada → secundária aos fatores de crescimento (principalmente fator de crescimento do endotélio vascular) - extravasamento microvascular de vênulas pós capilares: em resposta aos mediadores, causa edema das VR e exsudação plasmática para dentro do lúmen dessas estruturas - 3) Edema das vias aéreas: - a inflamação persistente das VA faz com que haja edema da mucosa brônquica, hipersecreção de muco com formação de plugs mucosos e alterações estruturais das vias aéreas - há hiperplasia das glândulas submucosas que se limitam às vias respiratórias calibrosas e de quantidades aumentadas de células caliciformes Como essas alterações impactam na fisiologia respiratória e nas manifestações clínicas? Isadora Mocelin - 3° ano MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS : Achados semiológicos de pacientes em crise: Isadora Mocelin - 3° ano DIAGNÓSTICO : ● O estreitamento das vias aéreas na asma leva a um aumento da resistência ao fluxo de ar, levando à diminuição do fluxo aéreo expiratório ao submeter o paciente a manobras de expiração forçada. Portanto, recomenda-se a realização da espirometria, a fim de avaliar a presença de limitação e variabilidade excessiva do fluxo aéreo expiratório. ● A espirometria inalterada não exclui a possibilidade de asma, mas quanto maiores e mais frequentes forem as variações do fluxo expiratório, maior a confiabilidade do diagnóstico. Se persistirem dúvidas quanto ao diagnóstico após a realização dos testes citados, podem ser feito TESTE DE BRONCOPROVOCAÇÃO para evidenciar a hiperreatividade das vias aéreas a estímulos (metacolina e histamina) → Uma queda de 20% no VEF1 após oferta de 400 g de metacolina traduz a reatividade das vias aéreas Isadora Mocelin - 3° ano ESPIROMETRIA: teste de função pulmonar ● função: medir fluxos e as capacidades pulmonares ● resultados avaliados: distúrbios ventilatórios restritivos e obstrutivos ● indicações do exame: - pacientes com sintomas como: tosse, dispneia, sibilância - achados anormais no rx de tórax - quantificação da doença (gravidade) nas doenças obstrutivas ou restritivas - detecção de doença precoce em tabagistas e pacientes com exposição ocupacional - acompanhamento e avaliação de resposta ao tratamento de doenças pulmonares (asma, DPOC, doenças intersticiais) - avaliação pré-operatória em casos de cirurgia de ressecção pulmonar ● definições dos volumes pulmonares: Isadora Mocelin - 3° ano Como é feito o teste? O que se espera dele? A espirometria permite medir o volume de ar inspirado e expirado e os fluxos respiratórios → MANOBRA DE EXPIRAÇÃO FORÇADA (somente do ar mobilizado através dos pulmões através da VA). → considera-se variáveis individuais para calcular o valor predito (idade, altura, gênero, etnia) OBS: não permite a determinação do volume residual (CRF) e da capacidade total (CPT). Estes precisam do exame de pletismografia Isadora Mocelin - 3° ano O que ocorre no gráfico nas doenças obstrutivas/ restritivas? Como avaliar o resultado do exame? Isadora Mocelin - 3° ano outros exames: → (não são utilizados para diagnóstico) ● contagem de eosinófilos em pacientes não tratados com corticóides inalatórios. A elevação do número de eosinófilos está associada a um quadro de asma de maior gravidade e indica probabilidade de resposta ao uso de medicação para inflamação do tipo 2, enquanto níveis extremamente elevados podem evidenciar distúrbios eosinofílicos primários ou um tipo de vasculite necrosante, de nominada granulomatose eosinofílica com poliangeíte. ● testes: níveis séricos de IgE, para avaliar elegibilidade do paciente asmático grave para receber terapia anti IgE; ● testes cutâneos, para detectar resposta IgE para antígenos específicos e identificar possíveis quadros de atopia e rinite alérgica; ● fração de óxido nítrico exalado (FeNO), um indicador de inflamação eosinofílica das vias aéreas, facilmente depressível com o uso de corticóide inalatório e, portanto, pode ser utilizado para avaliar a adesão ao tratamento ● radiografia de tórax costuma ser normal, exceto nas exacerbações agudas, em que se pode encontrar um pneumotórax, e a tomografia computadorizada não é realizada como rotina de asma. ! Em pacientes com aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA), o valor sérico total de IgE encontra-se acentuadamente elevado, na radiografia de tórax podem ser identificados infiltrados pulmonares eosinofílicos e na tomografia computadorizada de tórax pode ser observa da bronquiectasia central. ● Em geral, é difícil confirmar o diagnóstico em pacientes sob tratamento, pois a obstrução e hiperresponsividade das vias aéreas tende a ser atenuada após início da terapia. É também difícil confirmar o diagnóstico de asma em crianças de até quatro anos, uma vez que o diagnóstico é fundamentalmente clínico devido à dificuldade em realizar provas funcionais Isadora Mocelin - 3° ano DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ASMA : COMPLICAÇÕES DA ASMA : São complicações possíveis da crise de asma: →infecção respiratória → desidratação → atelectasias por tampões de muco → síncope por tosse →pneumotórax → cor pulmonale agudo → fadiga respiratória →insuficiência respiratória com hipercapnia, hipoxemia e suas consequências, como agitação psicomotora, coma, parada cardiorrespiratória e óbito. Isadora Mocelin - 3° ano AVALIAÇÕES DO CONTROLE DA ASMA : ★ Controle da asma: é feita a medida que as manifestações podem ser observadas no paciente ou foram reduzidas ou removidas pelo tratamento → interação entre histórico genético, processos de doença subjacente e o tratamento que estão recebendo Isadora Mocelin - 3° ano TRATAMENTO AMBULATORIAL : → avaliação da gravidade: é baseado na “dificuldade de tratar” lembrar de diferenciar “asma grave” e “asma difícil de tratar, esta é relacionada aos fatores modificáveis como técnica inalatória incorreta, baixa adesão ou comorbidades não tratadas, pois a alma fica bem controlada quando estas questões são tratadas ● a escolha de tratamento é ajustada em um ciclo contínuo de avaliação, tratamento e revisão da resposta do paciente tanto no controle dos sintomas quanto ao risco no futuro (exacerbações e efeitos colaterais) e das preferências do paciente ★ lembrar que não se recomenda tto de asma em adultos, adolescentes ou crianças de 6-11 anos com SAB sozinho → possui maior risco de exacerbações graves e aumento da frequência dos sintomas basais, e diminui a chance do paciente aderir o tratamento por isso deve ser associado ao uso de corticóide inalatório para manutenção do tratamento ★ Assim que o bom controle da asma for alcançado e mantido por 2-3 meses, é diminuído de forma gradual até encontrar o tratamento mais baixo do paciente que controla os sintomas e as exacerbaçõesIsadora Mocelin - 3° ano Isadora Mocelin - 3° ano MEDICAMENTOS : Isadora Mocelin - 3° ano USO CORRETO DO DISPOSITIVO INALATÓRIO: Isadora Mocelin - 3° ano TRATAMENTO EM CENÁRIO EMERGENCIAL : EXACERBAÇÕES AGUDAS NÃO CONFUNDIR COM PACIENTES AMBULATORIAIS QUE UTILIZAM BOMBINHA SOB DEMANDA!!! Exacerbações representam uma piora aguda ou subaguda no sintomas como falta de ar, tosse ou chiado no peito e diminuição progressiva na função pulmonar do estado normal do paciente → episódios e crises também podem ser usados o que as desencadeia? geralmente ocorrem em resposta à um agente externo (IVAS, pólen, poluição, mudanças sazonais) e/ou baixa adesão à medicação Fatores de risco para risco de morte: Isadora Mocelin - 3° ano Como realizar o manejo em uma crise de asma (resgate de emergência) ? 1) avaliar gravidade dos sintomas, fatores de risco relacionados à morte, sintomas de anafilaxia 2) avaliar sinais vitais: nível de consciência, temperatura,pulso, FR, FC, PA, capacidade de completar frases, uso de musculatura acessória, sibilo 3) avaliar se há fatores complicadores como pneumotórax, anafilaxia, pneumonia ou se há diagnósticos alternativos que possam explicar a falta de ar aguda Isadora Mocelin - 3° ano tratamento: as principais terapias incluem: administração repetitiva de broncodilatadores inalatórios de ação rápida, introdução de corticóides sistêmicos e suplementação de O2 com fluxo controlado B2-agonistas: ● salbutamol inalatório para exacerbações leves a moderadas ● 4-10 inalações a cada 20 minutos na primeira hora, depois 4-10 inalações a cada 3-4 horas e até 6-10 inalações a cada 1-2 horas ● não é preciso um SABA adicional se houver boa resposta ao tratamento inicial (PFE >60-80% do previsto ou melhora pessoal por 3-4 horas) Oxigenoterapia: ● deve ser titulada para manter a saturação em 93-95% para adultos e 94-98% para crianças de 6-11 anos Corticóide sistêmico: ● deve ser administrado imediatamente ● prednisolona 1mg/kg/dia ou equivalente até o máximo de 50mg/dia, para crianças (6-11 anos) considerar 40mg/dia → continuado por 5-7 dias ● colaterais comuns: distúrbios do sono, aumento do apetite, refluxo e alterações de humor !!! NÃO se recomenda uso de antibióticos, a menos que haja forte evidência de infecção pulmonar (febre, escarro purulento, raio x confirmando pneumonia) Isadora Mocelin - 3° ano O QUE MUDA NA EMERGÊNCIA? ● geralmente são exacerbações graves com risco de vida ● avaliações objetivas consistem em: • Medição da função pulmonar: isso é altamente recomendado. Se possível, e sem atrasar indevidamente o tratamento,PFE ou VEF1 devem ser registrados antes do início do tratamento, embora a espirometria possa não ser possível em crianças com asma aguda. A função pulmonar deve ser monitorada em uma hora e em intervalos até que ocorra uma resposta clara ao tratamento ou um platô seja atingido. • Saturação de oxigênio: deve ser monitorada de perto, preferencialmente por oximetria de pulso. Em crianças, a saturação de oxigênio é normalmente 95% ao respirar o ar ambiente ao nível do mar, e a saturação 45 mmHg, 6 kPa) indicam insuficiência respiratória. • A radiografia de tórax (RX) não é recomendada rotineiramente: em adultos, a RX deve ser considerada se houver suspeita de complicação ou processo cardiopulmonar alternativo (especialmente em pacientes idosos) ou para pacientes que não estão respondendo ao tratamento em que um pneumotórax pode ser difícil de diagnosticar clinicamente.Da mesma forma, em crianças, a RX de rotina não é recomendada, a menos que haja sinais físicos sugestivos de pneumotórax, doença parenquimatosa ou corpo estranho inalado. As características associadas a achados positivos de RX em crianças incluem febre, ausência de histórico familiar de asma e achados de exames pulmonares localizados Isadora Mocelin - 3° ano MANEJO: considerar para tratamento: ● oxigênio suplementar: para atingir a saturação arterial de O2 de 93-95% e 94-98% para crianças de 6-11 anos o oxigênio deve ser administrado por cânulas nasais ou máscara ● SABA → albuterol inalatório : deve ser administrado nas mesmas doses que citado acima na APS ● epinefrina IM: só é indicada em adição à terapia padrão para asma aguda associada a anafilaxia e angioedema, não é indicada para rotinas ● corticóide sistêmico: eles aceleram a resolução das exacerbações e previnem a recaída → devem ser usados em todas as exacerbações exceto nas mais leves → devem ser administrados dentro de 1 hora → Via de administração: Oral é tão eficaz quanto a intravenosa, a oral é preferida porque é mais rápida, eles requerem pelo menos 4 horas para produzir uma melhora clínica. Na intravenosa pode ser preferível se o paciente está muito dispneico para engolir, se estiver vomitando ou quando necessitam de ventilação → dosagem: - adultos: 50 mg de prednisolona em dose única matinal ou 200 mg de Isadora Mocelin - 3° ano hidrocortisona em doses divididas - crianças: 1-2mg/kg/dia até o máximo de 40mg/kg/dia - 3-5 dias é suficiente para a maioria dos pacientes considerar também: ● brometo de ipratrópio: para adultos e crianças com exacerbações moderadas e graves o tratamento com SABA + ipratrópio (anticolinérgico de ação curta) foi associado a menos hospitalizações e melhora no PFE1 e VEF1 em comparação com o SABA sozinho ● magnésio: considerar uso em adultos e crianças que não respondem ao tratamento inicial e apresentam hipoxemia persistente e crianças cujo VEF1 não atingem 60% do previsto após 1 hora de atendimento → posologia: infusão única de 2g em 20 minutos ! NÃO se recomenda aminofilina e teofilina para o tratamento de exacerbações e sedativos devem ser evitados (efeito depressor respiratório das drogas) CRITÉRIOS PARA INTERNAÇÃO E ALTA: Os critérios espirométricos propostos para consideração para admissão ou alta do departamento de emergência incluem: • Se o VEF1 ou PFE pré-tratamento for 60% prevista ou o melhor pessoal, a alta é recomendada após considerar fatores de risco e disponibilidade de cuidados de acompanhamento Outros fatores associados ao aumento da probabilidade de necessidade de internação incluem: • Sexo feminino, idade avançada e raça não branca • Uso de mais de oito inalações de beta2-agonistas nas 24 horas anteriores • Gravidade da exacerbação (por exemplo, necessidade de ressuscitação ou intervenção médica rápida na chegada, frequência respiratória >22 respirações/minuto, saturação de oxigênio2) FORMOTEROL: → LABA → vendido juntamente com CI (budesonida): symbicort, alenia ™ → β-agonistas de longa ação (LABA) são agonistas β2- seletivos patentes que obtêm sua ação prolongada (12 horas ou mais) como resultado de sua alta lipossolubilidade. Os efeitos adversos são semelhantes ao do salbutamol, mas em menor escala e frequência → É um fármaco altamente lipofílico. Por isso, possui maior vantagem, em condições como a asma noturna. Isso porque sua difusão dentro da bicamada lipídica da membrana plasmática estimula os receptores ẞ2 de maneira prolongada ★ mecanismo de ação: → ativa os receptores B2-adrenérgicos na proteína G da superfície celular, aumentando a conversão de ATP em AMPc, este se liga a proteína quinase A (PKA) , o que leva a efeitos inibitórios, como relaxamento do músculo liso. Além disso inibem a liberação de mediadores de mastócitos e TNF aumentando a remoção do mucociliar → Por inalação, o salbutamol produz broncodilatação significativa em 15 minutos e o efeito que persiste por 3 a 4 horas ★ efeitos adversos: Um dos efeitos adversos mais comuns é o tremor de músculos esqueléticos, no entanto os pacientes tendem a desenvolver tolerância a ele. Outros efeitos incluem intranquilidade, apreensão e ansiedade. Conduzem a hipopotassemia (hipocalemia) por promoção da captação do potássio pela musculatura esquelética. Diminuição do tônus dos esfíncteres esofágicos superior e inferior por relaxamento da musculatura lisa que integra esses esfíncteres, o que beneficia a ocorrência de refluxo gastroesofágico. Podem provocar taquicardia porque podem realizar agonismo de receptores beta 1 cardíacos, o que promove aumento da força de contração e frequência cardíaca. O uso crônico de salbutamol leva a redução do efeito farmacológico por dose (perda de eficácia por dessensibilização ● Antagonistas colinérgicos/antimuscarínicos → LAMA Exemplos de anticolinérgicos inalatórios: 1) Ipratrópio – não é usado para controle, não é manutenção, curta ação, faz para resgate, nebulização 40 gotas até 3 a 4x/dia → Atrovent ™ 2) Tiotrópio – não é usado para manutenção, conhecido comercialmente como Spiriva, 18 mcg via inalatória 1x/dia. 3) Glicopirrônio – 1x/dia, mais moderno, usa para controle / manutenção Isadora Mocelin - 3° ano ★ mecanismo de ação: → Os antagonistas muscarínicos agem no sistema parassimpático, atuam por inibição competitiva da ação da acetilcolina nos receptores muscarínicos (M3). Ou seja, a atropina e os compostos semelhantes competem com a acetilcolina (ACh), ligando-se aos receptores muscarínicos e impedindo a ligação da acetilcolina nesses receptores (antagonismo). Dessa forma, os antagonistas muscarínicos bloqueiam a contração da musculatura lisa das vias respiratórias, portanto são broncodilatadores, bem como diminuem o efeito secretomotor da acetilcolina sobre as células caliciformes e glândulas submucosas, diminuindo a produção de muco nas vias aéreas ★ efeitos colaterais: → Os efeitos colaterais são dose dependentes e, diferente da atropina, o brometo de ipratrópio não atinge o SNC. Pode ocorrer bradicardia leve e taquicardia, ressecamento da boca e mucosas, sede, palpitações, dilatação da pupila, turvação da visão, prisão de ventre, dificuldade de urinar, que vão se agravando conforme o aumento da dose ● Corticosteróides: → Vias de administração: - corticóide inalatório: budesonida - corticóide VO: prednisona - corticóide IV: metilprednisolona/hidrocortisona ★ mecanismo de ação: → Os glicocorticóides bloqueiam a enzima fosfolipase A2 da cascata do ácido araquidônico, o que impede a produção de prostaglandinas, tromboxano A2 e leucotrienos, diminuindo a cascata de inflamação. Além disso, levam a redução de histamina porque diminuem a população de eosinófilos e mastócitos nos tecidos afetados. Ou seja, em relação a asma, reduzem a hiperreatividade brônquica e diminuem a frequência de crises de asma. Além disso, potencializam os efeitos dos agonistas de receptores beta, além de inibição da infiltração de eosinófilos, linfócitos e mastócitos ★ efeitos adversos: → O uso crônico de corticoides pode produzir efeitos: 1) como úlcera peptídica (seu risco é potencializado quando associado com AINEs), 2) pancreatite 3) candidíase oral (imunossupressão e doenças crônicas como DM facilitam a colonização do C. albicans). Por isso, no uso de corticoides inalatórios é importante realizar enxágue ou lavagem da boca. 4) catarata 5) glaucoma 6) síndrome de cushing ● imunoterapia → monoclonais (STEP 5) → Anti IgE: omalizumabe → Anti IL-4: Dupilumab → Anti IL-5: Mepolizumab * todos se ligam às suas respectivas citocinas e impedem a resposta inflamatória (ver na cascata em fisiopatologia) Isadora Mocelin - 3° ano D�O� : DEFINIÇÃO : A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição pulmonar heterogênea caracterizada por sintomas respiratórios crônicos (dispneia, tosse, produção de escarro, exacerbações) devido a anormalida- des das vias aéreas (bronquite, bronquiolite) e/ou alvéolos (enfisema) que causam obstrução persistente, e geralmente progressiva, do fluxo de ar (GOLD 2023) → Resulta de uma resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos → O paciente possui lesões irreversíveis de ácinos e alvéolos comprometendo as trocas gasosas e gerando redução de oxigênio no sangue. EPIDEMIOLOGIA : ● índices de mortalidade: nos últimos 20 anos houve um crescimento de 340% ● em 2020 passou a ser a terceira maior causa de morte no mundo ● 25% dos fumantes desenvolverão DPOC ● prevalência: população maior de 40 anos ● uma das 5 maiores causas de internação no SUS FATORES DE RISCO/ETIOLOGIA : 1) tabagismo: ● principal fator de risco ambiental e geral, se relaciona a qualquer tipo de fumo ● seus efeitos sobre a função pulmonar dependem da intensidade da exposição ao tabaco, da fase de crescimento na qual houve exposição e da função pulmonar inicial do indivíduo ● o risco aumenta com o aumento progressivo do consumo ● Estudos demonstraram que o tabaco causa declínio acelerado no VEF1 em uma relação dose resposta com a intensidade do tabagismo (maço ano). Essa relação e a redução da função pulmonar e a intensidade do tabagismo explica a prevalência mais alta de DPOC conforme o aumento da idade → no entanto apenas 15% da variabilidade desse parâmetro são explicados pela quantidade de maço ano. Assim sugere-se que outros fatores genéticos e/ou ambientais contribuam para o impacto do fumo no desenvolvimento da obstrução do fluxo aéreo 2) Hiperreatividade: ● tendência ao agravamento da broncoconstrição em resposta a estímulos exógenos também representa um fator de risco para DPOC 3) exposições ocupacionais ● foi sugerido que o agravamento dos sintomas respiratórios e a obstrução do fluxo aéreo resultem da exposição a poeira e vapores no local de trabalho Isadora Mocelin - 3° ano 4) exposição passiva ao tabagismo ● a exposição das crianças ao tabagismo materno causa redução significativa do crescimento pulmonar ● exposição intrauterina a fumaça do tabaco também contribui para as reduções significativas da função pulmonar pós-natal ● exposição passiva à fumaça do cigarro → redução da função pulmonar 5) deficiência de a1-Antitripsina (a1AT) ● alelo M comum: associado a níveis normais de a1AT ● população branca – alelo S: associado a níveis reduzidos de a1AT ● alelo Z: associado a níveis reduzidos de a1AT ★ alguns indivíduos herdam alelos nulos que levam a ausência de produção de a1AT decorrente de um conjunto heterogêneo de mutações (herdada como uma caraterística autossômica recessiva) ★ a maioria das pessoas com enfisema clinicamente diagnosticado antes dos 40 anos de idade possui uma deficiência de a1AT ★ A alfa-1 antitripsina é um inibidor da elastase neutrofílica (antiprotease), cuja principal função é proteger os pulmões da destruição tecidual mediada pela protease. A maior parte da alfa-1 antitripsina é sintetizada por hepatócitos e monócitos, difundindo-se passivamente através da circulação até os pulmões; parte é produzida de maneirasecundária pelos macrófagos alveolares e células epiteliais ★ Nos pulmões: a deficiência de alfa-1 antitripsina aumenta a atividade da elastase neutrofílica, o que facilita a destruição tecidual, conduzindo ao enfisema (especialmente em tabagistas, uma vez que o tabagismo também aumenta a atividade de protease). Estima-se que a deficiência de alfa-1 antitripsina seja responsável por 1 a 2% de todos os casos de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). ★ fígado: O acúmulo hepático de alfa-1 antitripsina anormal pode causar hepatopatia em crianças e adultos. O nível sérico de alfa-1 antitripsinacrônicos: alterações de PH e Pco2 0,03 unidades/10mmHg Assim o PH arterial permite a classificação da insuficiência ventilatória definida por Pco2 >45mmHg nas formas aguda ou crônica HEMATÓCRITO: ● indicada para pacientes com saturação periférica de oxigênio igual ou inferior à 90% e/ou VEF1