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Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Planejamento tributário avançado Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Autora: Marjory Alves Hirata Revisora: Tatiane Antonovz Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Introdução Vamos iniciar os estudos sobre planejamento tributário avançado e, para isso, precisamos entender um pouco mais sobre a função do tributo na sociedade. O filósofo Jean Jacques Rosseau, na obra “Do Contrato Social”, explica que o Pacto Social, ou seja, o acordo coletivo entre todos os cidadãos em prol do bem comum, possibilita a formação da sociedade, conforme trecho do livro: [...] somente a vontade geral tem possibilidade de dirigir as forças do Estado, segundo o fim de sua instituição, isto é, o bem comum; pois, se a oposição dos interesses particulares tomou necessário o estabelecimento das sociedades, foi a conciliação desses mesmos interesses que a tornou possível. Eis o que há de comum nesses diferentes interesses fornecedores do laço social; e, se não houvesse algum ponto em torno do qual todos os interesses se harmonizam, sociedade nenhuma poderia existir. Ora, é unicamente à base desse interesse comum que a sociedade deve ser governada. (ROUSSEAU, J.J. 2002. p. 13-14). Para que a sociedade possa se sustentar e a máquina pública siga propiciando seus elementos básicos mantenedores, como educação e saúde, por exemplo, é preciso que os cidadãos abram mão de uma parte de seus recursos em benefício do todo. E é exatamente essa a descrição mais simplificada do papel da tributação. É o instrumento necessário para a organização da sociedade. Por meio dos valores arrecadados pela União, Estados e Municípios é possível à administração pública gerir os recursos e empregá-los nos setores necessários à continuidade e desenvolvimento local. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Figura 1.1 - Relação Sociedade e Tributos. Fonte: Unsplash Assim, qualquer pessoa que realize o chamado “fato gerador” do tributo, ou seja, a ação que caracteriza a necessidade de arcar com determinado tributo, gera para si uma obrigação principal, muitas vezes acompanhada da respectiva e correspondente obrigação acessória. Todavia, a realidade, livre de idealismos, aponta a complexidade de nosso sistema tributário e a dificuldade de conhecer todos os tributos devidos, aliada ao longo tempo para pagá-los. https://pixabay.com/pt/photos/dinheiro-notas-calculadora-salvar-256312/ Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Figura 1.2 - Complexidade do Sistema Tributário. Fonte: Unsplash BOX SAIBA MAIS Segundo o relatório “Doing Business”, no ano de 2018, a empresa de médio porte brasileira gastou, em média, 1.501 horas com questões tributárias. Cheque no site os dados em comparação com a média de outros países. Nesse cenário, duas conclusões são contundentes: (i) a tributação faz parte do dia a dia da empresa; e (ii) um planejamento tributário eficiente é fundamental para a economia de tempo e de gastos da empresa, mantendo-a competitiva em meio a um mercado voraz e agressivo. Vamos então iniciar os estudos e compreender os princípios teóricos que norteiam o desenvolvimento de um planejamento tributário. https://unsplash.com/photos/mcSDtbWXUZU https://portugues.doingbusiness.org/pt/data/exploretopics/paying-taxes Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais 1. Federalismo fiscal Na introdução da matéria, vimos brevemente a função dos tributos em uma federação. Mas, para termos uma noção mais fundamentada de nosso sistema tributário, é interessante partirmos de baixo também, observando como ocorrem nas esferas menores, isto é, nos contextos estaduais e municipais. Essa divisão entre tributos federais, estaduais e municipais decorre do que chamamos de Federalismo Fiscal. O Brasil é uma “República Federativa”, isso significa que é um país cujo sistema de poder é dividido entre entidades autônomas: os Municípios, os Estados e a União Federal. E cada um deles detém autonomia, entregue pela Constituição Federal – lei maior do País –, para cobrar determinados tributos. BOX SAIBA MAIS Os tributos são o gênero, do qual são espécies os impostos, taxas, contribuições, empréstimos compulsórios e contribuições de melhoria. Quer entender melhor? Confira o material a seguir: https://conube.com.br/blog/tributos-impostos-e-taxas/. Os impostos podem ser divididos em diferentes tipos de classificação. A mais usual os divide em dois grandes grupos, de “impostos diretos e indiretos”. No grupo dos impostos diretos, estão aqueles que incidem sobre a renda (como o Imposto de Renda, por exemplo) e sobre a propriedade (como o Imposto sobre Predial e Territorial Urbana e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), por exemplo). Já os impostos indiretos incidem sobre operações de prestação de serviços, circulação ou produção de mercadorias e produtos, por exemplo o Imposto sobre Produtos Industrializados, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços e o Imposto Sobre Serviços de qualquer natureza. https://conube.com.br/blog/tributos-impostos-e-taxas/ Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais No caso dos impostos indiretos, entende-se que existem dois tipos de contribuintes. Os “contribuintes de direito”, ou seja, aqueles que possuem a responsabilidade de pagar o tributo; e os “contribuintes de fato”, aqueles que não realizam a apuração e recolhimento do imposto, mas que efetivamente suportam o impacto financeiro da operação tributada. Mais adiante, estudaremos os impostos indiretos: ICMS e ISS. BOX SAIBA MAIS Quer ler mais a respeito das possíveis classificações dos tributos? Veja esses sites: http://www.portaltributario.com.br/tributos/classificacao.html e https://enotas.com.br/blog/tributos-diretos-e- indiretos/#:~:text=O%20imposto%20direto%20%C3%A9%20aquele,tributo%20paga %20e%20a%20renda.&text=A%20grande%20diferen%C3%A7a%20%C3%A9%20qu e,pode%20ser%20transferido%20para%20terceiros. 1.1. Tributos Estaduais Os tributos estaduais são aqueles de competência dos Estados para cobrar e arrecadar. A Constituição Federal, no artigo 155, incisos I, II e III, prevê os impostos estaduais. São eles: - Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD); - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); e - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Cada Estado possui a sua própria legislação sobre cada um desses impostos. Ainda assim, todos devem estar parametrizados de acordo com as regras previstas na Lei Maior, a Constituição Federal. http://www.portaltributario.com.br/tributos/classificacao.html https://enotas.com.br/blog/tributos-diretos-e-indiretos/#:~:text=O%20imposto%20direto%20%C3%A9%20aquele,tributo%20paga%20e%20a%20renda.&text=A%20grande%20diferen%C3%A7a%20%C3%A9%20que,pode%20ser%20transferido%20para%20terceiros https://enotas.com.br/blog/tributos-diretos-e-indiretos/#:~:text=O%20imposto%20direto%20%C3%A9%20aquele,tributo%20paga%20e%20a%20renda.&text=A%20grande%20diferen%C3%A7a%20%C3%A9%20que,pode%20ser%20transferido%20para%20terceiros https://enotas.com.br/blog/tributos-diretos-e-indiretos/#:~:text=O%20imposto%20direto%20%C3%A9%20aquele,tributo%20paga%20e%20a%20renda.&text=A%20grande%20diferen%C3%A7a%20%C3%A9%20que,pode%20ser%20transferido%20para%20terceiros https://enotas.com.br/blog/tributos-diretos-e-indiretos/#:~:text=O%20imposto%20direto%20%C3%A9%20aquele,tributo%20paga%20e%20a%20renda.&text=A%20grande%20diferen%C3%A7a%20%C3%A9%20que,pode%20ser%20transferido%20para%20terceirosPlanejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Além dos impostos, existem outros tipos de tributos, como as Taxas e as Contribuições em todas as esferas tributárias (União Federal, Estados e Municípios). No entanto, vamos focar neste material nos impostos. Vamos abordar cada um desses impostos no decorrer desta unidade e da próxima. BOX SAIBA MAIS Cada Estado mantém uma Secretaria da Fazenda - “SEFAZ”, responsável por arrecadar os tributos estaduais. Vale a pena conhecer e se familiarizar com esses portais, pois muitas obrigações e novidades fiscais são publicadas por lá. Confira o portal de São Paulo: https://portal.fazenda.sp.gov.br/ 1.2. Tributos Municipais Já os tributos municipais são de competência dos Municípios e as espécies de impostos municipais foram listadas no artigo 156, incisos I, II e III da Constituição Federal. São os seguintes: - Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU); - Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI); e - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Cada Município (Cidade) possui suas próprias normas tributárias sobre cada um deles, porém, assim como os tributos estaduais, devem estar parametrizados às regras gerais previstas na Constituição Federal. Trataremos dos tributos municipais nas próximas unidades. https://portal.fazenda.sp.gov.br/ Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais BOX SAIBA MAIS Para entender as regras específicas dos impostos municipais de cada cidade, é preciso buscá-las na legislação de cada Município. Para isso, conhecer o site da Prefeitura da cidade em que esses impostos são devidos pode ajudar bastante na prática. Como exemplo, explore o portal da Prefeitura da cidade de São Paulo, na seção da Secretaria da Fazenda, para conhecer mais sobre os impostos municipais desta cidade: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/fazenda/ 2. ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços O primeiro imposto que estudaremos é o “Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços”, conhecido como “ICMS”, de competência estadual, regulamentado pela Lei Complementar (LC) nº 87/1996. 2.1. Regra-matriz do ICMS Para compreender melhor a estrutura do tributo, vamos explicá-lo seguindo a “regra-matriz de incidência”, que apresenta a análise do tributo conforme a hipótese de incidência (contendo os critérios material, espacial e temporal) e o consequente (contendo os critérios pessoal e quantitativo). Veja a seguir o mapa mental da estrutura da regra-matriz, seguido das explicações de cada um de seus elementos: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/fazenda/ Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Figura 2.1 - Mapa-mental da regra-matriz de incidência tributária Fonte: Legislação vigente (Produzido no site “Mindmeister”). Aplicando a regra-matriz de incidência ao ICMS, obtemos a seguintes informações: Regra-matriz de incidência do ICMS: Hipótese de Incidência: - Critério Material/fato gerador (CM): - operações de circulação de mercadorias dentro do país, ou vindas de fora (ex. vendas ou importação para vendas); ou - prestação de serviços de transporte interestadual ou intermunicipal; ou - prestação de serviços de comunicação. - Critério Temporal (CT): - saída da mercadoria do estabelecimento ou a prestação do serviço; - Critério Espacial (CE): - no local em que ocorreu a saída da mercadoria dos bens e serviços e; - no caso de operações interestaduais, também no local em que houve a entrada de bens ou serviços. Consequente: Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais - Critério Pessoal (CP): - Sujeito Ativo (sa): Estado; - Sujeito Passivo (sp): A pessoa que realiza a circulação da mercadoria ou que presta os serviços. - Critério Quantitativo (CQ): - Alíquota (al): - (i) Varia conforme a operação em questão for realizada dentro do Estado (interna) ou fora (interestadual): (a) Operação interna: 17% a 19%, a depender do Estado; (b) Operação interestadual: - 7%: se iniciada no Sul/Sudeste com destino a contribuinte do ICMS no Norte, Nordeste, Centro- Oeste ou no Estado do Espírito Santo; - 12%: para as demais operações entre Estados; - 4%: No caso de mercadorias importadas (Resolução do Senado Federal 13/2012); - (ii) Também pode variar conforme o seu código de mercadoria, conhecido como “NCM” (Nomenclatura Comum do Mercosul). É possível localizá-lo de acordo com o tipo de produto, confrontando-o com a tabela do Regulamento do ICMS do Estado em que a operação ocorrer; Essa variação ocorre em razão da “seletividade” do imposto, ou seja, da intenção do Estado de onerar mais produtos supérfluos ou prejudiciais a saúde, como por exemplo o cigarro, ou perfumes. - Base de cálculo (bc): o valor da operação de circulação de mercadoria ou o valor da prestação do serviço de comunicação ou de transporte interestadual ou intermunicipal. Assim, entende-se que o ICMS incide no momento em que uma das opções do critério material, também chamado de fato gerador, ocorre, ou seja, quando há circulação de mercadorias em território nacional ou prestação de serviços de comunicação ou de transporte interestadual ou municipal. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Também é possível inferir que o percentual incidente varia conforme o Estado em que ocorre a operação, se a circulação ou serviço for prestado dentro de um mesmo Estado (operação interna). A base de cálculo do ICMS é o valor da operação. Neste valor, também chamado de valor da mercadoria, já deve estar embutido o ICMS. Assim, a base de cálculo do ICMS não vem “pronta”, mas deve ser calculada com o ICMS “por dentro”. Veja, um exemplo de apuração da base de cálculo numa operação de venda entre lojas paulistas: a alíquota interna do Estado de SP, é de 18% (0,18). Assim, considerando uma mercadoria de R$ 820,00, o cálculo da base (bc) com o ICMS embutido será: bc = R$ 820,00 / (1 - 018) bc = R$ 820,00 / 0,82 bc = R$ 1.000,00 Assim, o valor constante da Nota Fiscal como o valor do produto será de R$ 1.000,00, porém, no campo próprio do ICMS será a diferença (R$ 1.000,00 - R$ 820,00 = R$ 180,00). Para constatar a alíquota de ICMS para cada tipo de produto ou serviço, é preciso examinar o Regulamento de ICMS do Estado em que a operação ocorre. Se for o caso de uma operação interestadual, é necessário examinar ainda a legislação do Estado de destino da mercadoria ou serviço. Os sites da Secretaria da Fazenda Estadual de cada Estado indicam as informações do imposto. É importante lembrar, ainda, que no caso da prestação de serviços, deve-se atentar para o tipo, pois o ICMS incide apenas e especificamente sobre serviços de comunicação, como por exemplo de telefonia, televisivos ou de internet, e de transporte entre Estados ou entre Municípios. Os transportes realizados dentro de um Municípios não se sujeitam ao ICMS, mas sim ao ISS, o Imposto Sobre Serviços, municipal, que veremos nas próximas unidades. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais A incidência do imposto sobre operações internas é mais simples, consistindo apenas na aplicação da alíquota interna do Estado à base de cálculo (valor da operação). Já no caso das operações interestaduais, a sistemática de cálculo é diferente. Aplica-se o chamado diferencial de alíquota, ou apenas “difal”, que consiste no recolhimento da diferença entre a alíquota interna do ICMS do Estado de destino e a alíquota interestadual. Vejamos dois exemplos para esclarecer a formade cálculo de operações interestaduais: Exemplo 1 - Uma empresa situada em Salvador/BA, produz e vende R$ 1.000,00 de uma mercadoria para uma loja situada em São Paulo/SP, já incluído o preço do frete e custo do IPI e retirados os descontos concedidos. Devemos considerar os elementos do caso para inferir as informações fiscais. Assim, no caso de operações interestaduais, deve-se analisar o Estado de origem e o de destino para identificar a alíquota interna do Estado de destino e a alíquota interestadual da operação. Como vimos antes, a alíquota interna de SP costuma ser de 18% (mas a depender do produto, pode variar). E a alíquota interestadual desta operação, como não se trata de bem originado do Sul/Sudeste para um Estado do Norte, Nordeste, Centro-Oeste ou para o Estado do Espírito Santo, mas sim o contrário, não será de 7%, mas sim de 12%. A base de cálculo é o valor da operação: R$ 1.000,00. Deste modo, o cálculo do ICMS interestadual é feito da seguinte maneira: Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais - ICMS ao Estado de origem/remetente (BA): alíquota interestadual vezes a base de cálculo: 12% x R$ 1.000,00 = R$ 120,00. - ICMS ao Estado destinatário (SP): alíquota interna do Estado de destino menos a alíquota interestadual aplicável = 18% - 12% = 6% 6% x R$ 1.000,00 = R$ 60,00. Exemplo 2 - Imagine a mesma operação, porém dessa vez partindo de SP para a BA. A alíquota interna do ICMS na Bahia, o Estado de destino da operação, também é de 18%. Já a alíquota interestadual, no caso, será de 7%, pois teve início no Sul/Sudeste, com destino a um Estado do Nordeste, Norte, Centro-Oeste ou ao Espírito Santo. Assim, o cálculo será: - ICMS ao Estado de origem (SP): alíquota interestadual vezes a base de cálculo: 7% x R$ 1.000,00 = R$ 70,00. - ICMS destinado ao Estado de destino (BA): alíquota interna do Estado de destino menos a alíquota interestadual aplicável = 18% - 7% = 11% 11% x R$ 1.000,00 = R$ 110,00. Percebe-se que, nas operações interestaduais, deve-se atentar para duas etapas de tributação: (a) a etapa da saída do estabelecimento remetente, quando se deve apurar e recolher a alíquota interestadual ao Estado de origem; e (b) a etapa de entrada da mercadoria no estabelecimento destinatário, quando se aplicará o diferencial de alíquota (difal), subtraindo-se o percentual da alíquota interna do Estado destinatário pela alíquota interestadual e aplicando sobre a base de cálculo. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Entender que a incidência fiscal nas operações interestaduais ocorre de forma separada, nessas duas etapas, é fundamental para a adoção de estratégia das empresas. Isso porque é comum que empresas observem apenas o preço de venda da mercadoria de fornecedores de outros Estados; sem considerar que, quando chegarem ao Estado destinatário, ainda deverão recolher o “difal” do ICMS ao Estado destinatário, resultando em carga econômica maior do que a prevista. Assim, este cuidado deve ser tomado para evitar que a empresa, ao optar por comprar uma mercadoria aparentemente mais barata de outro Estado, acabe pagando valor equivalente, ou até maior do que pagaria comprando de fornecedor local. Nos casos de operações internas, o ICMS incide no momento da saída dos bens do estabelecimento comercial. Enquanto que nas operações interestaduais, o ICMS incide tanto na saída do estabelecimento comercial, quanto na entrada da mercadoria no estabelecimento comprador. Caso o imposto não seja recolhido, estará sujeito a sofrer autuação fiscal e ser multado. Nas fronteiras dos Estados costumam acontecer fiscalizações surpresa, para que agentes fiscais apurem se as mercadorias que estão em trânsito para o Estado de destino estão regulares do ponto de vista fiscal, com toda documentação e comprovantes. Por fim, vejamos um terceiro exemplo de operação interestadual, porém agora iniciada fora do país, decorrente de importação para venda, chamado de “ICMS importação”: Exemplo Uma empresa situada em São Paulo/SP, adquire R$ 1.000,00 em mercadorias de uma empresa situada no México, já com o custos de IPI (imposto sobre produtos industrializados), II (imposto de importação), frete, seguro internacional, PIS/COFINS e de taxa Siscomex (Taxa Federal, do Sistema de Comércio Exterior, devida no Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais momento do desembarque dos produtos em solo nacional) embutidos. No caso, a empresa adquirente é a própria importadora dos produtos. 1ª ETAPA: No momento da entrada do produto no país, chamado de “desembaraço aduaneiro”, ou “nacionalização” da mercadoria estrangeira, aplica-se a alíquota interna do Estado de destino, no caso do exemplo, SP, de 18% (a depender do produto) sobre a base de cálculo (valor da operação, com os custos citados) = ICMS = 18% x R% 1.000,00 ICMS = R$180,00. 2ª ETAPA: Porém, suponhamos que os produtos importados pelo estabelecimento paulista sejam agora vendidos a uma loja do Estado da Bahia, pelo valor de R$ 1.500,00. Como se trata de produto importado, a alíquota interestadual aplicável não será de 7%, como seria no caso de produtos nacionais, mas sim de 4%. Assim, calcula-se: - ICMS ao Estado de origem (SP): alíquota interestadual (importação) vezes a base de cálculo: 4% x R$ 1.500,00 = R$ 60,00. - ICMS ao Estado de destino (BA): alíquota interna do Estado de destino menos a alíquota interestadual (importação) aplicável = 18% - 4% = 14% 14% x R$ 1.500,00 = R$ 210,00. E assim se calcula o ICMS em operações interestaduais incidente sobre produtos importados, em qualquer das etapas da cadeia de vendas. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Percebe-se, neste caso, uma política fiscal mais onerosa a mercadorias importadas, pois a Resolução nº 13/2012, que instituiu a alíquota de 4% para produtos importados visou privilegiar o mercado nacional ao invés do estrangeiro. Mas atenção: esta alíquota interestadual de 4% não deve ser aplicada a produtos importados sem similares nacionais (veja a lista Camex, da Câmara de Comércio Exterior), ou produtos importados e posteriormente submetidos à processo de industrialização no país, que resulte em conteúdo inferior a 40% de componentes importados. BOX SAIBA MAIS É importante entender que a “circulação” mencionada no critério material do imposto não diz respeito apenas a circulação “física”, mas à circulação “jurídica”, que resulte na transferência de propriedade dos bens. Assim, por exemplo, a transferência de materiais de limpeza, para uso interno, de uma matriz para suas filiais, não constitui circulação, para fins da incidência do ICMS, e, portanto, não se sujeita a este imposto. Para saber mais, confira o teor da Súmula 166 do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. Para ver mais julgados sobre o tema, acesse: https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista- sumulas-2010_12_capSumula166.pdf 2.2. Não cumulatividade Uma das características mais importantes do ICMS, assim como as contribuições ao PIS e à COFINS, tratadas na unidade introdutória da matéria, é o seu caráter não-cumulativo, previsto no artigo 155, parágrafo (§) 2º, inciso I da Constituição Federal/1988. https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista-sumulas-2010_12_capSumula166.pdf https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista-sumulas-2010_12_capSumula166.pdf Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Isso significaque, se analisada uma cadeia de operações de circulação de mercadorias, o tributo não incidirá sobre ele mesmo novamente, formando um “efeito cascata” que incharia o preço do produto com a tributação em cadeia sobre o próprio custo do ICMS. Os tributos não cumulativos permitem o abatimento do valor de ICMS da operação anterior, com a nova, por meio da geração de crédito para a próxima operação. No caso do ICMS, a não-cumulatividade permite que o imposto pago na transação anterior seja descontado e compensado na próxima, gerando um crédito para a nova operação. É o método chamado de “imposto contra imposto”, diferente do método de não-cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS (cujo método é o de “base contra base”). Cabe ao contribuinte do imposto, seguindo as normas da legislação estadual correspondente, contabilizar os créditos e débitos do ICMS, referentes às entradas e saídas de mercadorias e serviços, em sua “conta corrente fiscal”. Essa apuração do ICMS é feita por períodos e pode apresentar saldo devedor, quando os débitos de ICMS superem os créditos; ou credor, quando os créditos de ICMS superem os débitos, hipótese em que o saldo credor será apropriado em sua escrita fiscal e transportado para o próximo período de apuração. Vejamos, a título exemplificativo, o caso de uma indústria que recolhe R$ 1.000,00 de ICMS na saída das mercadorias vendidas a uma distribuidora. Na etapa seguinte, quando a distribuidora revender as mercadorias à loja, ela não terá de recolher o ICMS sobre o que já foi pago, mas apenas aquilo que compuser sua margem de lucro agregado. Assim, se, por exemplo, o total do ICMS devido nesta etapa fosse de R$ 2.000,00, por conta da não-cumulatividade, o valor efetivamente devido será o resultado da subtração do valor de ICMS pago anteriormente, utilizado como crédito, de R$ 1.000,00, resultando em R$ 1.000,00 a serem recolhidos. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Veja abaixo, também, o organograma de exemplo de uma cadeia de circulação de mercadorias e a incidência do ICMS, para fins ilustrativos: Figura 2.2 - Organograma: Exemplo de aplicação do ICMS em cadeia de vendas. Fonte: Elaborado pela autora. No entanto, nem tudo pode ser utilizado como crédito de ICMS. No caso de produtos isentos de ICMS (por meio de lei), ou ainda nos quais não há a incidência do imposto, por imunidade (atribuída pela Constituição Federal, como aos livros e templos, por exemplo, que são imunes aos impostos e, portanto, sequer incidem em operações que os envolva), a operação, isenta ou imune, não apenas não gerará crédito para as próximas etapas, como também anulará os créditos das operações anteriores. Quanto ao tema, vale lembrar, impostos indiretos, como o ICMS, contém contribuintes de direito e contribuintes de fato, sendo os primeiros os responsáveis pelo recolhimento do tributo e os segundos aqueles que suportam efetivamente o ônus financeiro da operação. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Assim, por exemplo, o consumidor final que adquire um produto que passou por 2 circulações de mercadoria (ex. da indústria para a loja e da loja para ele), não sendo ele contribuinte de direito do ICMS e nem revendendo esta mercadoria para outra pessoa (o que geraria nova circulação), não poderá gerar ou aproveitar os créditos das operações anteriores. Assim, acabará suportando o impacto financeiro do imposto adquirido ao longo da cadeia de operações comerciais. 2.3. Benefícios fiscais de ICMS Os Estados também podem conceder benefícios fiscais de ICMS aos contribuintes, desde que cumpram os requisitos previstos na Lei Complementar (LC) nº 24/1975. Para que seja válido, qualquer benefício concedido pelo Estado por meio de lei, deve ser autorizado pelo CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária), órgão que reúne os representantes da Secretaria da Fazenda de cada Estado. Caso não haja autorização do órgão, as empresas os créditos Os benefícios podem ser classificados entre fiscais e financeiros. Os benefícios fiscais são aqueles concedidos com a finalidade de desenvolver econômica e socialmente o Estado concedente por meio de vantagem tributária. Como exemplo, podemos citar a concessão legal de crédito presumido para compensação em determinadas operações de circulação de mercadoria; a isenção temporária do ICMS para novas empresas, sem produção similar no Estado; a isenção ou redução do imposto para pequenas e microempresas; a extensão do prazo de pagamento (diferimento do imposto); entre outros. Já os benefícios financeiros são programas estaduais nos quais o contribuinte recolhe o imposto, para depois realizar empréstimos a juros reduzidos, sem correção monetária ou com prazos de pagamento estendidos. Um exemplo é o Programa Fundap, do Estado do Espírito Santo. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais 3. ICMS-ST: Substituição Tributária A Constituição Federal previu no artigo 150, § 7º, a possibilidade de instituição por meio de lei do regime da substituição tributária, chamado de “ST”. 3.1. Regime progressivo e regressivo Este regime nada mais é que a imputação da responsabilidade pelo recolhimento do tributo devido a uma terceira pessoa que não praticou o fato gerador (não realizou o critério material da regra-matriz do imposto), mas que está indiretamente vinculado a ele. A medida é uma forma de assegurar que o tributo seja recolhido por quem a lei entenda que detenha melhores condições para tanto. Assim, por exemplo, é muito mais fácil para o Fisco arrecadar o imposto de uma grande empresa, distribuidora de refrigerante, do que das milhares de pequenas lojas de esquina que os adquiram e revendam. Existem dois tipos de substituição tributária: (a) regressiva (ou “para trás”); e a (b) progressiva (“ou para frente”). No caso da ST regressiva, ou “para trás”, a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS é atribuída ao adquirente, relativo às operações anteriores. Um exemplo claro é o de uma grande fábrica de iogurte, que adquire leite de vários pequenos produtores de leite. A lei presume que a fábrica possui mais condições de apurar e recolher o tributo que os pequenos produtores de leite. Assim, muito embora o ICMS seja devido no momento em que estes pequenos produtores de leite vendam o leite à fábrica, a lei atribui a responsabilidade pelo recolhimento do imposto à fábrica, que apurará o ICMS e recolherá o imposto em lugar dos pequenos produtores. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Já na ST progressiva, ou “para frente”, a lei atribui a responsabilidade ao vendedor relativamente às operações futuras. Assim, será o valor final da mercadoria e não o efetivo valor da venda – já que ainda não se teria esta informação – a base de cálculo utilizada para apurar o ICMS. Este “valor futuro” da mercadoria é estabelecido pelo Estado a partir da margem de valor agregado, extraída da base média ponderada de preços pesquisados, por meio de critérios fixados em lei, ou por elementos fornecidos por entidades representativas do setor econômico. O exemplo da distribuidora de refrigerantes se aplica a este caso. Outro exemplo possível é o da concessionária de veículos, que deve recolher o ICMS ao Estado, no lugar dos compradores, antes das vendas ocorrerem. É comum que alguns veículos não sejam vendidos, ou que sejam vendidos por valor inferior ao valor final da mercadoria, acarretando na necessidade de ajustes. No caso de ST progressiva com vendas que não se realizaram, ou que foram realizadas em valor menor ao estabelecido e sobre o qual o ICMS foi recolhido, a norma e a jurisprudência entendem que há o direito de restituição integral, noprimeiro caso e parcial no segundo. Em contrapartida o Fisco também pode exigir a complementação do ICMS caso a venda futura ocorra em valor maior ao estabelecido pelo Estado. QUESTÃO DE MÚLTIPLA ESCOLHA Analise as seguintes afirmações: (i) Em razão da não-cumulatividade do ICMS qualquer recolhimento do imposto gera crédito para compensação em futura operação; Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais (ii) O regime de substituição tributária aplicado ao ICMS implica a transferência da responsabilidade pela apuração e recolhimento do imposto a outra pessoa, vinculada à operação; (iii) Nas operações interestaduais, a alíquota de ICMS interestadual deve ser recolhida sobre a base de cálculo ao Estado remetente do produto. (iv) As alíquotas de ICMS variam conforme o Estado e independem do tipo de produto. Assinale abaixo opção que contenha as afirmativas verdadeiras: a) I e IV b) II e III c) I e II d) III e IV Opção correta b: Texto para a resposta correta: “Correto. No regime de substituição tributária, quem apura e recolhe o ICMS não é a pessoa que praticou o fato gerador (o critério material), mas sim a pessoa atribuída por lei, vinculada à operação. Por outro lado, nas operações comerciais entre estados, as alíquotas interestaduais do ICMS são recolhidas ao Estado de origem. Ao Estado destinatário, será recolhido o resultado da subtração da alíquota interestadual de sua alíquota interna multiplicado pela base de cálculo”. Texto para respostas incorretas: “Incorreto. Nem todos os recolhimentos de ICMS geram crédito. Um exemplo é o da venda de produto isento. Além disso, embora seja verdade que as alíquotas do ICMS variam conforme o Estado, é necessário saber o tipo de produto, pois, a depender de qual seja, pode ter alíquotas maiores ou menores, diante do princípio Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais da seletividade, pelo qual algumas mercadorias recebem incentivo ou desincentivo, como por exemplo os cigarros, que possuem alíquota de ICMS maior que o arroz”. 4. IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores: O IPVA é o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, de competência para cobrar dos Estados. Ele foi criado como substituto da antiga Taxa Rodoviária Única (TRU). Figura 3 - Imposto sobre a propriedade de veículos automotores Fonte: Unplash. https://unsplash.com/photos/N7RiDzfF2iw 4.1. Regra-matriz do IPVA A regra-matriz do IPVA é a seguinte: Regra-matriz de incidência do IPVA: Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Hipótese de Incidência: - Critério Material/fato gerador (CM): ser proprietário de veículo automotor (terrestre). - Critério Temporal (CT): - no dia 1º de janeiro de cada ano (para veículos usados); ou - na data de sua primeira aquisição pelo consumidor (para veículos novos); ou - na data do desembaraço aduaneiro (para veículos importados diretamente pelo consumidor). - Critério Espacial (CE): - no local em que o veículo estiver registrado ou licenciado, em que o proprietário tenha domicílio ou residência; Consequente: - Critério Pessoal (CP): - Sujeito Ativo (sa): Estado; - Sujeito Passivo (sp): O proprietário do veículo. - Critério Quantitativo (CQ): - Alíquota (al): varia conforme a legislação de cada Estado, podendo variar também, em um mesmo Estado, conforme o tipo de veículo e de uso. Por exemplo, no Estado de SP, para caminhões utilizados para transporte de carga, a alíquota é de 1,5%; já para ônibus, motocicletas e tratores é de 2%; para veículos automotores movidos a gás, eletricidade ou álcool é de 3%; e para os demais é de 4%. - Base de cálculo (bc): para veículos novos ou importados é o valor do documento fiscal ou da declaração de importação. Já para veículos usados, é o valor de mercado previsto na tabela de referência divulgada pelo Estado, seguindo os critérios de marca, modelo, espécie e ano de fabricação. A partir da análise da regra-matriz do IPVA, inferimos que este imposto incide sobre veículos automotores terrestres todo 1º de janeiro; ou, no caso de veículos novos, no momento em que é adquirido; ou, ainda, para os veículos diretamente Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais importados pelo consumidor, quando o veículo entra no país (no desembaraço aduaneiro). Também se percebe que a alíquota varia conforme o Estado e pode apresentar percentuais diferentes conforme o tipo de veículo e de uso. É preciso verificar a legislação do Estado em que o veículo será registrado ou licenciado, pois é para este Estado que se recolherá o IPVA e sob as alíquotas da legislação deste Estado que o imposto será calculado. BOX SAIBA MAIS Existem discussões judiciais no País sobre o local de tributação do IPVA no caso de locadoras e, até a elaboração deste material, o Recurso Extraordinário - RE nº 1.016.605, que tramitou no Supremo Tribunal Federal, entendeu que as locadoras devem pagar o IPVA nos Estados em que o veículo circula. No caso do IPVA, não é o contribuinte que apura o tributo, mas sim o Estado, que emite e envia a guia do imposto por meio das informações obtidas no Detran (Departamento Estadual de Trânsito), para pagamento. Uma das obrigações relacionadas a esse imposto é a de comunicar os órgãos competentes em até trinta dias do momento da venda do veículo usado, sobre os dados do novo proprietário, necessários para a alteração no cadastro de contribuintes estadual, sob pena de correr o risco de, caso o novo proprietário não recolha o IPVA, ter o débito inscrito em dívida ativa em seu nome. Além disso, o novo proprietário passa a ser o responsável pelo pagamento dos IPVAs atrasados, não recolhidos pelo antigo proprietário, mais os juros e Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais correções monetárias. Portanto, ao adquirir um veículo usado, esta informação deve ser checada. Existem previsões de isenção aos contribuintes de IPVA para: (i) máquinas de uso agrícola; (ii) veículos ferroviários; (iii) veículos adaptados para pessoas com deficiência física, ou para pessoas que, por sua grave condição motora visual, mental ou intelectual, precisem que outra pessoa dirija para ela; (iv) veículos usados no transporte público de passageiros, como táxis; (v) veículos de utilização de diplomatas, quando o país de origem conceda tratamento semelhante; (vi) ônibus e micro-ônibus para transporte metropolitano de pessoas; (vii) veículos utilizados para construção civil, como empilhadeiras e guindastes; e (viii) veículos com mais de 20 anos de fabricação. No entanto, as isenções devem ser concedidas pelo respectivo Estado em que o veículo esteja licenciado. Portanto, é preciso confirmar a instituição da isenção pelo estado de interesse. Os sites das Secretarias de Fazenda Estadual costumam apresentar tais informações. Além dessas isenções, alguns estados possibilitam também a dispensa e restituição do pagamento do IPVA, caso o veículo seja furtado, roubado ou sofra sinistro. É necessário checar a regulamentação do estado. Em São Paulo, por exemplo, o artigo 14 da Lei º 13.296/2008 autoriza a restituição proporcional do imposto pago. QUESTÃO DE MÚLTIPLA ESCOLHA Analise a seguir as três situações relacionadas ao IPVA e as conecte com a solução correta: Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais (i) Na aquisição de um veículo fabricado há 22 anos. o IPVA___ ; (ii) Empresa que adquiriu, em julho, um automóvel novo para uso interno. O IPVA___; (iii) Veículo comprado há 3 anos. O IPVA___; a) (i) deve ser recolhido no próximodia 01º de janeiro; (ii) deve ser recolhido em setembro; e (iii) deve ser recolhido duas vezes ao ano. b) (i) é isento e não deve ser recolhido; (ii) deve ser recolhido no momento do licenciamento; e (iii) deve ser recolhido até 01º de janeiro. c) (i) pode ser isento, a depender da legislação do Estado em que foi licenciado; (ii) deve ser recolhido no momento da aquisição; e (iii) é devido anualmente, a partir de 01º de janeiro. d) (i) deve ser recolhido no mês seguinte; (ii) não precisa ser recolhido naquele ano; e (iii) deve ser recolhido até dezembro. Resposta correta: c. Texto para a resposta correta: ~ Correto. Importante atentar que, no item (iii), o critério material é a propriedade em 01º de janeiro. No entanto, o pagamento do IPVA deve ocorrer no prazo de vencimento previsto na guia elaborada pela Secretaria da Fazenda do Estado em que o veículo foi licenciado, enviada ao proprietário do veículo. Texto para respostas incorretas: @ Incorreto. A isenção deve ser instituída pela Lei do Estado em que o veículo foi licenciado. Além disso, o IPVA é devido no momento da aquisição do veículo novo e, no caso da propriedade de veículo usado, o imposto é devido a partir do dia 01º de janeiro de cada ano. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Síntese Vimos nesta unidade a complexidade do sistema tributário e do tempo gasto para apurar e arrecadar os tributos. Também entendemos a divisão das entidades federais decorrente do nosso sistema de República Federativa, que atribui autonomia aos Municípios, Estados e União Federal para cobrar determinados tributos previstos na Constituição Federal. Como tratado, o foco desta matéria recairá sobre os impostos estaduais e municipais. Ao iniciar os estudos sobre os tributos, listamos seus elementos conforme a regra-matriz de incidência, para melhor entender a estrutura de cada um deles. No caso do ICMS, identificamos a forma como ele deve ser aplicado nas operações de circulação de mercadoria e prestação de serviços de comunicação ou de transporte interestadual ou intermunicipal. Vimos também a forma de cálculo e as particularidades relacionadas a cada tipo de operação, seja ela interna, entre Estados ou proveniente de importação. Prosseguimos nos estudos analisando a forma legal de atribuição de responsabilidade do regime de substituição tributária e seus tipos, regressiva e progressiva, apontando suas características e dando exemplos. Por fim, tratamos nesta unidade do IPVA, imposto sobre a propriedade de veículos, o qual incide todo dia 1º de janeiro, com alíquotas variadas a depender do Estado. A compreensão destas informações são fundamentais para a elaboração de um planejamento eficiente, que leve em conta as particularidade da incidência de cada tributo. Planejamento tributário avançado - Unidade 1 - Introdução aos tributos e tributos estaduais Bibliografia BERGAMINI, Adolpho. ICMS: análise de legislação, manifestações de administrações tributárias, jurisprudência administrativa e judicial e abordagem de temas de gestão tributária - 3. ed. - São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019. -- (Coleção curso de tributos indiretos; v. 1) CONTI, José Maurício. Federalismo Fiscal. Barueri/SP: Manole, 2004. JESUS, Isabela Bonfá e outros. Manual de Direito e Processo Tributário. 5. ed. rev. e atual. - São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2019. Constituição Federal da República Federativa do Brasil, 1988. Lei Complementar nº 87/1996. Lei Complementar nº 24/1975. Lei do Estado de São Paulo de nº 13.296/2008. Referências Imagéticas: - Figura 1.1 - Relação Sociedade e Tributos. Fonte: Unplash - Figura 1.2 - Complexidade do Sistema Tributário. Fonte: Unplash - Figura 2.1 - Mapa-mental da regra-matriz de incidência tributária. Fonte: Produzido no site “Mindmeister”. - Figura 2.2 - Organograma: Exemplo de aplicação do ICMS em cadeia de vendas. Fonte: Produzido no Power Point. - Figura 3 - Imposto sobre a propriedade de veículos automotores. Fonte: Unplash. https://pixabay.com/pt/photos/dinheiro-notas-calculadora-salvar-256312/ https://unsplash.com/photos/mcSDtbWXUZU https://unsplash.com/photos/N7RiDzfF2iw