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Aula 03 – Empresas optantes pelo Simples – Formalização da opção pelo Simples 
 
 
Introdução e regulamentação 
Boa parte dos países do mundo tem tratamento tributário especial para as pequenas empresas. Este 
tratamento se justifica principalmente pelo elevado custo fixo dessas empresas, fazendo com que elas precisem de um 
tratamento diferenciado para competirem no mercado cada vez mais globalizado. 
A Constituição Federal de 1988 definiu em seu artigo 179 que “a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento 
jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, 
previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei”. 
Por sua vez, o assunto foi regulamentado na Lei nº 9.841/99, que instituiu o estatuto da microempresa e da 
empresa de pequeno porte, que assegurava a elas tratamento jurídico diferenciado e simplificado nos campos 
administrativo, tributário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial. 
O estatuto, contudo, não tinha aplicação prática no campo tributário, que era regido pela Lei nº 9.317/96, com 
alterações posteriores. 
No final do ano de 2006 foi publicada a Lei Complementar nº 123 que revogou as Leis nº 9.317/96 e 9.841/99 
a partir de julho de 2007. O problema é que uma parte significativa da LC 123/2006 dependeria da regulamentação, 
que foi transferida para o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – CGSN, 
criado pelo Decreto nº 6.038, publicado no D.O.U. em 7/fev/2007 e que publicou seu primeiro normativo efetivo 
apenas no dia 30 de maio de 2007, ou seja, praticamente 30 dias antes do SIMPLES NACIONAL entrar em 
funcionamento. 
Tal fato causou indignação na classe contábil na época, pois a entrada em vigor do modelo ocorreu no meio do 
ano fiscal, exigindo dos profissionais de contabilidade a familiarização com uma legislação pra lá de complexa em tão 
pouco tempo, o que os responsáveis pela regulamentação não conseguiram fazer. É a prova conclusiva do equívoco de 
quem impôs a entrada em vigor da lei foi sua modificação pela Lei Complementar nº 127, publicada em agosto de 
2007. No final de 2008, foi publicada a LC 128/2008, consolidando finalmente a legislação do Simples Nacional. 
Foram três leis complementares para definir um modelo de tributação simplificado para microempresas e empresas de 
pequeno porte. E houve mais uma alteração (LC 133/10) no final de 2010, para ajustar empresas do setor cultural. 
Em 2011 foi publicada a Lei Complementar nº 139, trazendo mais modificações na legislação que rege a 
tributação das microempresas e empresas de pequeno porte. Nesta LC, houve a elevação dos limites para uso do 
SIMPLES para o máximo de R$ 3,6 milhões. E, em 2014, foi publicada a LC nº 147, incluindo novos prestadores de 
serviços no SIMPLES, além de outras alterações. Por fim, a LC nº 154/16 permitiu ao Microempreendedor Individual 
(MEI) utilizar a residência como sede do estabelecimento. 
O conjunto de leis complementares do SIMPLES (7 ao todo) representa uma pequena mostra de como o poder 
legislativo vem trabalhando de forma equivocada nos últimos anos, no Brasil. Em 2012, a LC nº 123/06 foi republicada 
no Diário Oficial da União, contemplando as alterações das quatro outras leis complementares sobre o tema que 
vieram depois. 
Justificativa para criação do Simples 
As justificativas apresentadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB para a instituição do regime 
simplificado para Microempresas – ME e Empresas de Pequeno Porte – EPP são as seguintes: 
a) Estas empresas possuem baixo potencial arrecadatório e, portanto, não devem ter ônus excessivo nas 
atividades de controle exercidas pela administração; 
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b) A concessão de benefícios tributários diretos (redução da carga tributária) deve observar uma transição 
suave, de tal sorte a não criar descontinuidades acentuadas que induzam à prática de planejamento fiscal; 
c) O regime simplificado destina-se a buscar um ambiente mais competitivo entre grandes e pequenas 
empresas e não a conceder privilégios a determinado grupo. O ingresso no regime deve ser destinado 
exclusivamente aos setores econômicos que estão sujeitos à concorrência assimétrica em razão da 
dimensão da empresa. Atividades econômicas que, por natureza, encontram-se pulverizadas e, poranto, 
não sofrem concorrência desigual não devem ter acesso ao regime; 
d) Dada a importância destas empresas (geração de empregos, inovação tecnológica, competição no 
mercado, etc.), o custo de cumprimento das obrigações tributárias para esse segmento deve ser 
minimizado, de modo a não comprometer sua sobrevivência; 
e) A relação entre o contribuinte e o Estado, sempre que possível, deve ser única, a despeito da existência de 
distintos níveis de governo e administração tributária envolvidos. 
A legislação do SIMPLES teve como grande diferencial a inclusão no recolhimento único dos encargos 
previdenciários, reduzindo o custo de pessoal e incentivando a contratação de mão-de-obra. 
Além disso, a idéia original era estender o SIMPLES para os tributos estaduais e municipais, notadamente 
ICMS e ISS. Todavia, os estados e os principais municípios do país não aderiram ao modelo federal. Nenhum estado 
participava do convênio com a União e a maioria criou modelo próprio para essas empresas. E pouco mais de 100 
municípios participavam do SIMPLES federal, a maioria representada por cidades pequenas, que não teriam 
condições de fiscalizar e cobrar o ISS, sendo mais fácil aderir ao modelo federal e receber um valor ínfimo do que nada 
receber. 
No SIMPLES NACIONAL, ISS e ICMS são incluídos obrigatoriamente, facilitando consideravelmente o 
controle e a parte burocrática das empresas. 
Redução da burocracia 
Os artigos 4º a 11º da LC nº 123/2006, com alterações da LC 128/2008, tratam dos aspectos legais envolvendo 
a abertura e o fechamento de empresas, embora os dispositivos precisem de novos atos para facilitar efetivamente o 
processo que envolve o início de atividade de micro, pequena ou média empresa. 
Formalização da opção pelo Simples Nacional 
A formalização da opção pelo SIMPLES NACIONAL permanece sendo feita pela internet, sendo irretratável 
para todo o ano-calendário. 
O prazo para inscrição de empresa no SIMPLES NACIONAL permanece sendo o último dia útil do mês de 
janeiro, valendo a inscrição já para o próprio ano-calendário. 
Livro Caixa e escrituração contábil 
O contribuinte fica desobrigado, para fins fiscais, da escrituração contábil, bastando escriturar o livro caixa e o 
livro de registro de inventário, no qual deverão constar os estoques existentes no final de cada ano. 
É importante frisar que, embora a legislação fiscal permita a não escrituração contábil das empresas 
tributadas pelo SIMPLES NACIONAL (e pelo lucro presumido), toda e qualquer empresa deve manter escrituração 
contábil por vários motivos, dentre os quais: 
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a) O Código Comercial Brasileiro exige escrituração contábil completa para servir de instrumento de prova 
em juízo e em eventuais acertos de direitos dos sócios, acionistas, seus herdeiros ou sucessores. 
b) No LivroCaixa somente poderá ser contabilizada a movimentação financeira, não se registrando as 
compras e vendas a prazo, os empréstimos e demais valores a pagar e a receber. 
c) O levantamento de balancetes e balanços de forma adequada, reduzindo a insegurança e os prejuízos que 
podem ser acarretados pela falta de registro de seus direitos e suas obrigações. 
A Lei nº 10.406/2002 (novo Código Civil) assegura tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao 
pequeno empresário (art. 970). Assim, fica dispensado de escrituração contábil regular o pequeno empresário (art. 
1.179 § 2º). A LC 123/2006 definiu que seria considerado pequeno empresário, para esse fim, o empresário individual 
caracterizado como microempresa que aufira receita bruta anual de até R$ 360.000,00. 
O legislador se preocupou claramente com a questão custo x benefício ao permitir que as empresas de pequeno 
porte e microempresas não sejam obrigadas a escrituração contábil regular. A LC 123/2006 avançou um pouco mais, 
ao definir, em seu artigo 68, o pequeno empresário como aquele que obtém faturamento anual até R$ 81..000,00, o 
que dá aproximadamente um pouco menos de R$ 7 mil por mês. 
Mas, mesmo assim é fundamental destacar a importância da contabilidade organizada como instrumento de 
tomada de decisões, inclusive em relação a empresas de menor investimento. 
Fico imaginando uma pequena empresa que promove festas infantis, por exemplo. A receita, pelo regime de 
competência, acontece apenas no dia do evento realizado, quando o serviço é produzido e prestado ao cliente. No 
entanto, o recebimento pecuniário acontece normalmente antes, às vezes com grande antecedência. Sem escrituração 
contábil regular, o pequeno empresário vai pagar tributos antecipadamente, sem necessidade. 
Tributação do MEI 
 Conforme explicado no tópico anterior, foi criada pela LC nº 123/06 a figura do Microempreendedor 
Individual (MEI), que é a pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário. Para ser 
um microempreendedor individual, é necessário faturar no máximo até R$ 60 mil por ano e não ter participação em 
outra empresa como sócio ou titular. O MEI também pode ter um empregado contratado que receba o salário-mínimo 
ou o piso da categoria. 
 A Lei Complementar nº 128/08 criou condições especiais para que o trabalhador conhecido como informal 
possa se tornar um MEI legalizado. 
 Entre as vantagens oferecidas por essa lei está o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o 
que facilita a abertura de conta bancária, o pedido de empréstimos e a emissão de notas fiscais. 
 Além disso, o MEI será enquadrado no SIMPLES NACIONAL, e ficará isento dos tributos federais (Imposto de 
Renda, PIS, COFINS, IPI e CSLL). Assim, pagará apenas o valor fixo mensal de: 
 R$ 5,00 de ISS, se for contribuinte sujeito a este imposto; 
 R$ 1,00 de ICMS, se for contribuinte sujeito a este imposto; 
 5% do limite mínimo mensal do salário de contribuição. 
Com essas contribuições, o Microempreendedor Individual tem acesso a benefícios como auxílio maternidade, 
auxílio-doença, aposentadoria, entre outros. 
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Receitas alcançadas pelo Simples Nacional 
O SIMPLES NACIONAL (assim como acontecia com o modelo anterior) tributa apenas a receita bruta da 
pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas eventualmente obtidas. Podem ser excluídas da receita bruta: 
a) As devoluções de vendas e as vendas canceladas; 
b) Os descontos incondicionais (comerciais, concedidos na nota fiscal); e 
c) IPI e ICMS ST, quando registrados em receita bruta. 
Não são incluídas no SIMPLES NACIONAL as receitas financeiras. Contudo, o imposto de renda retido na 
fonte sobre estas receitas será considerado como tributação definitiva, sendo tratado como despesa. Veja a posição da 
SRFB sobre o assunto: 
Pergunta 118: Compõem a base da cálculo do SIMPLES as receitas oriundas de doações, bonificações de 
mercadorias, amostra grátis, brindes, e demais receitas mesmo que não vinculadas à atividade da pessoa jurídica? 
Resposta: Não são tributadas no SIMPLES por falta de previsão legal. 
Pergunta 120: No caso de recebimento de prestações em atraso, nas vendas a prazo, a multa e os juros de mora 
compõem a receita bruta do SIMPLES? 
Resposta: Não. Nas vendas a prazo, apenas o custo do financiamento contido no valor dos bens ou serviços 
integra a receita bruta. Entretanto, se houver o recebimento de prestações antes de seu vencimento e, 
consequentemente, houver algum desconto no valor da prestação, deverá lançar o valor integral (valor da prestação 
sem levar em conta do desconto concedido) como receita, pois só há previsão legal para excepcionar os descontos 
incondicionais. 
Portanto, as demais receitas operacionais não são alcançadas pelo SIMPLES NACIONAL. Se uma loja 
comercial vender a prazo e cobrar multa por um eventual pagamento em atraso, esta receita não será tributada. 
Ganho de Capital 
A tributação do ganho de capital será definitiva mediante a incidência da alíquota de 15% sobre a diferença 
positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição diminuído da depreciação, amortização ou exaustão 
acumulada, ainda que a ME ou a EPP não mantenha escrituração contábil desses lançamentos. 
Caso a ME ou EPP não tenha escrituração contábil deverá comprovar, mediante documentação hábil e idônea, 
o valor e data de aquisição do bem ou direito e demonstrar o cálculo da depreciação, amortização ou exaustão 
acumulada. 
A legislação esclarece ainda que os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser 
computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores 
acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto. 
O IR sobre o ganho de capital deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente ao da percepção dos 
ganhos. 
Por exemplo, suponha que uma pequena empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL tenha um computador, 
adquirido por R$ 2.000,00 em maio de 2014. Admitindo que o bem seja vendido em outubro de 2016 por R$ 
2.200,00, o ganho de capital e o imposto de renda devido serão calculados da seguinte forma: 
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Valor original do bem 2.000 
Prazo mínimo de depreciação 5 anos (60 meses) 
Quantidade de meses de uso do bem 30 meses (maio/14 à out/16) 
 Taxa total de depreciação do bem 50% (30 meses / 60 meses) 
Valor da depreciação do bem 1.000 
Valor líquido do computador 1.000 
 Ganho de capital 1.200 (2.200-1.000) 
 Imposto de renda devido (15%) 180 
 
Estas regras já eram aplicadas no SIMPLES, no modelo anterior. 
Declaração anual 
As empresas inscritas no SIMPLES apresentavam declaração simplificada anualmente, até o último dia útil do 
mês de maio do ano seguinte. O Art. 25 da LC 123/2006 manteve a obrigatoriedade da entrega, mas direcionou a 
definição do modelo, prazo e regras para o tal do Comitê Gestor, que publicou no dia 28 de junho de 2007 a Resolução 
nº 10, que definiu o prazo de entrega da Declaração única e simplificada de informações sócio-econômicas e fiscais 
como o último dia útil de MARÇO do ano seguinte. 
Distribuição de Lucros 
Os rendimentos distribuídos aos sócios ou ao titular das empresas inscritas no SIMPLES NACIONAL são 
considerados isentos do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste do beneficiário.Contudo, o artigo 14 da 
LC 123/06 diz que a distribuição somente será isenta com escrituração contábil regular comprovando que há lucro 
para distribuir. Caso a empresa tenha escrituração apenas pelo livro caixa, a distribuição com isenção de IR será 
limitada ao lucro presumido para fins de IR (percentual de presunção sobre a receita bruta) menos o valor do imposto 
de renda incluído no SIMPLES NACIONAL pago (regulamentado pela Resolução nº 14 do Comitê Gestor do Simples 
Nacional). 
Além disso, é importante lembrar que são tributados pelo imposto de renda os pagamentos feitos para sócios a 
título de pró-labore, aluguéis ou serviços prestados. 
Exemplificando: uma microempresa comercial, com faturamento mensal de R$ 35.000, pagará de SIMPLES 
em julho de 2016 o valor de R$ 1.710 (alíquota de 6,84%). Caso não tenha escrituração contábil regular (livros diário e 
razão), poderá distribuir apenas R$ 2.705,50 de lucro para seus sócios, sem tributação, conforme quadro a seguir: 
Faturamento no mês 35.000 
Lucro Presumido - 8% 2.800 
( - ) Simples Nacional Pago (Parcela do IR) 94,50 (0,27%) 
 "= Distribuição de lucro isento (Valor máximo) 2.705,50 
 
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 É importante que o contrato social da ME ou EPP esclareça que a distribuição de lucros poderá ser feita 
mensalmente, a título de antecipação, com a apuração definitiva ocorrendo ao final do ano. E caso a empresa tenha 
escrituração contábil regular, todo o lucro distribuído será considerado isento.

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