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CARBOIDRATOS CARBOIDRATOS Funções dos Carboidratos: ● Energética: Oxidação de açúcares e amido fornece energia para as células. ● Estrutural: Celulose nas paredes celulares vegetais, quitina nas paredes celulares bacterianas e glicoproteínas nos tecidos conectivos animais. ● Proteção: Lubrificação das articulações e proteção contra patógenos. ● Reconhecimento: Glicoconjugados na superfície celular permitem o reconhecimento entre células e patógenos. ● Comunicação: Glicoconjugados participam da comunicação celular. ● Fórmula geral: CnH2nOn (n ≥ 3). ● Possuem grupos hidroxila (-OH) que contribuem para a solubilidade em água. ● Cadeias abertas ou cíclicas. ● Enantiômeros: D-glicose e L-glicose. Monossacarídeos: ● Sólidos cristalinos e incolores. ● Solúveis em água e insolúveis em solventes apolares. ● Sabor adocicado. ● Cadeias de carbono não ramificadas com ligações simples. ● Grupo carbonil (C=O): ○ Aldeído (extremidade da cadeia): aldose. ○ Cetona (posição interna): cetose. ● Monossacarídeos mais simples: ○ Trioses de três carbonos: ■ Gliceraldeídos (aldotrioses). ■ Di-hidroxiacetonas (cetotrioses). Propriedades: ● Solubilidade em água: ○ Grupos hidroxila (-OH) formam pontes de hidrogênio com a água. ● Sabor adocicado: ○ Devido à sua estrutura química. ● Cristalinos: ○ Estrutura regular e ordenada. CLASSES DE CARBOIDRATOS: ● Monossacarídeos: açúcares simples, como glicose e frutose. ● Dissacarídeos: dois monossacarídeos ligados, como sacarose (glicose + frutose) e lactose (glicose + galactose). ● Polissacarídeos: cadeias longas de monossacarídeos, como amido (reserva energética em plantas) e celulose (estrutura das paredes celulares vegetais). Propriedades: ● Monossacarídeos: ○ Solúveis em água. ○ Sabor adocicado. ○ Cadeias de carbono não ramificadas. ○ Grupo carbonil: ■ Aldeído (extremidade da cadeia): aldose. ■ Cetona (posição interna): cetose. ● Dissacarídeos: ○ Formados por ligações glicosídicas. ○ Nomes terminados em "-ose". ● Polissacarídeos: ○ Cadeias lineares ou ramificadas. ○ Funções diversas: ■ Reserva energética (amido, glicogênio). ■ Estrutura (celulose, quitina). ■ Reconhecimento celular (glicoproteínas). MONOSSACARÍDEOS: Um dos átomos de carbono está ligado por uma ligação dupla a um átomo de oxigênio, formando um grupo carbonila e os demais átomos de carbono estão ligados, cada um, a um grupo hidroxila CLASSIFICAÇÃO DOS MONOSSOCARÍDEOS Estrutura: ● Cadeias de carbono não ramificadas com ligações simples. ● Grupo carbonil (C=O): ○ Aldeído (extremidade da cadeia): aldose. ○ Cetona (posição interna): cetose. Exemplos: ● Trioses (3 carbonos): ○ Gliceraldeído (aldotriose). ○ Di-hidroxiacetona (cetotriose). CLASSIFICAÇÃO DOS MONOSSACARÍDEOS De acordo com o número de carbonos: ● 3 carbonos - trioses ● 4 carbonos – tetroses ● 5 carbonos – pentoses ● 6 carbonos – hexoses ● 7 carbonos – heptoses ESTEREOISOMERIA Para cada um dos comprimentos de cadeia carbônica, os estereoisômeros dos monossacarídeos podem ser divididos em dois grupos, os quais diferem quanto à configuração do centro quiral mais distante do carbono do carbonil. Em outras palavras, quando o grupo hidroxila do carbono de referência está à direita (dextro) em uma fórmula de projeção que apresenta o carbono do carbonil no topo, o açúcar é o isômero D; quando está à esquerda (levo), é o isômero L. Número de Estereoisômeros: ● Monossacarídeo com n centros quirais: 2^n estereoisômeros. ● Gliceraldeído (1 centro quiral): 2^1 = 2 estereoisômeros. ● Aldohexoses (4 centros quirais): 2^4 = 16 estereoisômeros. EPÍMEROS .Epímeros. D-Glicose e dois de seus epímeros são mostrados como fórmulas de projeção. Cada epímero difere da D-glicose na configuração de um centro quiral (sombreado em cor salmão ou azul). CICLIZAÇÃO em solução aquosa, as aldotetroses e todos os monossacarídeos com cinco ou mais átomos de carbono no esqueleto ocorrem predominantemente como estruturas cíclicas (em anel), nas quais o grupo carbonil está formando uma ligação covalente com o oxigênio de um grupo hidroxila presente na cadeia. A formação dessas estruturas em anel é o resultado de uma reação geral entre álcoois e aldeídos ou cetonas para formar derivados chamados de hemiacetais ou hemicetais. A formação do anel cria um novo centro quiral (o carbono da carbonila) e os estereoisômeros formados são denominados α e β Aldoses e cetoses. As séries de (a) D-aldoses e (b) D-cetoses têm de três a seis átomos de carbono, mostradas como fórmulas de projeção. Os átomos de carbono em vermelho são centros quirais. Em todos estes isômeros D, o carbono quiral mais distante do carbono do carbonil apresenta a mesma configuração do carbono quiral do D-gliceraldeído. Os açúcares com os nomes dentro de retângulos são os mais comuns na natureza; você os encontrará novamente neste capítulo e em capítulos posteriores. Para converter uma fórmula de projeção de Fisher de qualquer D-hexose linear em uma fórmula em perspectiva de Haworth mostrando a estrutura cíclica da molécula, desenhe o anel de seis membros (cinco carbonos e um oxigênio, na direita superior), numere os átomos no sentido horário começando com o carbono anomérico, e, então, coloque os grupos hidroxila. MUTARROTAÇÃO Os anômeros a e b da D-glicose se interconvertem em solução aquosa por um processo chamado de mutarrotação, no qual uma forma em anel (por exemplo, o anômero a) se abre brevemente na forma linear, e então se fecha novamente produzindo o anômero b. CONFORMAÇÃO DE CADEIRA REAÇÕES DE OXIRREDUÇÃO Os monossacarídeos podem ser oxidados por agentes oxidantes relativamente suaves, como o íon cúprico (Cu21 ). O carbono do carbonil é oxidado a um grupo carboxil. A glicose e outros açúcares capazes de reduzir o íon cúprico são chamados de açúcares redutores. O íon cúprico oxida a glicose e certos outros açúcares a uma complexa mistura de ácidos carboxílicos. Essa é a base da reação de Fehling, teste semiquantitativo para a presença de açúcar redutor, que por muitos anos foi utilizado para detectar e dosar níveis elevados de glicose em pessoas com diabetes melito. Hoje, utilizam-se métodos mais sensíveis, que envolvem uma enzima imobilizada em uma tira de teste e requerem apenas uma única gota de sangue. OLIGOSSACARÍDEO Os dissacarídeos (como maltose, lactose e sacarose) consistem em dois monossacarídeos unidos covalentemente por uma ligação O-glicosídica, a qual é formada quando um grupo hidroxila de uma molécula de açúcar, normalmente cíclica, reage com o carbono anomérico de outro. Essa reação representa a formação de um acetal a partir de um hemiacetal (como a glicopiranose) e um álcool (um grupo hidroxila da segunda molécula de açúcar) e o composto resultante é chamado de glicosídeo. Formação da maltose. Um dissacarídeo é formado a partir de dois monossacarídeos (aqui, duas moléculas de D-glicose) quando um ¬OH (álcool) de uma molécula (à direita) se condensa com o hemiacetal intramolecular da outra (à esquerda), com a eliminação de H2O e a formação de uma ligação glicosídica. O inverso desta reação é uma hidrólise – ataque da ligação glicosídica pela água. A molécula de maltose, mostrada aqui, conserva um hemiacetal redutor no C-1 não envolvido na ligação glicosídica. Como a mutarrotação interconverte as formas a e b do hemiacetal, as ligações nesta posição algumas vezes são representadas por linhas onduladas, conforme mostrado aqui, para indicar que a estrutura pode ser tanto a quanto b. r. Na descrição de dissacarídeos ou polissacarídeos, a extremidade de uma cadeia com um carbono anomérico livre (não envolvido em ligação glicosídica) normalmente é chamada de extremidade redutora. DISSACARÍDEO Dois dissacarídeos comuns. Como a maltose da Figura, estes dissacarídeos estão representados como perspectivas de Haworth. O nome comum, o nome sistemático completo e a abreviação estão mostrados paracada dissacarídeo. A nomenclatura formal da sacarose nomeia a glicose como o glicosídeo parental, embora a sacarose seja normalmente representada como mostrado, com a glicose à esquerda. As duas nomenclaturas abreviadas mostradas para a sacarose são equivalentes (K). NOMECLATURA Mono e Dissacarídeos - Os açúcares (também chamados de sacarídeos) são compostos que contêm um grupo aldeído ou cetona e dois ou mais grupos hidroxila. - Os monossacarídeos geralmente contêm alguns carbonos quirais e, assim, existem em várias formas estereoquímicas, as quais podem ser representadas no papel como projeções de Fischer. Epímeros são açúcares que diferem na configuração de apenas um átomo de carbono. - Os monossacarídeos comumente formam hemiacetais ou hemicetais internos, nos quais o grupo aldeído ou cetona se une a um grupo hidroxila da mesma molécula, criando uma estrutura cíclica; isso pode ser representado como uma fórmula em perspectiva de Haworth. O átomo de carbono originalmente localizado no grupo aldeído ou cetona (o carbono anomérico) pode assumir uma de duas configurações, a e b, interconversíveis por mutarrotação. Na forma linear do monossacarídeo, em equilíbrio com as formas cíclicas, o carbono anomérico é facilmente oxidável, tornando o composto um açúcar redutor. - Um grupo hidroxila de um monossacarídeo pode ser adicionado ao carbono anomérico de um segundo monossacarídeo, formando um acetal chamado de glicosídeo. Nesse dissacarídeo, a ligação glicosídica protege o carbono anomérico de oxidação, tornando-o um açúcar não redutor. - Oligossacarídeos são polímeros curtos, com alguns monossacarídeos unidos por ligações glicosídicas. Em uma das extremidades da cadeia, a extremidade redutora, está uma unidade de monossacarídeo com seu carbono anomérico não envolvido em uma ligação glicosídica. - A nomenclatura comum para di ou oligossacarídeos especifica a ordem das unidades de monossacarídeos, a configuração de cada carbono anomérico e os átomos de carbono participantes da(s) ligação(ões) glicosídica(s). PROLISSACARÍDEOS ● São polímeros de média a alta massa molecular ● Diferem uns dos outros na identidade dos monossacarídeos formadores, nos tipos de ligação que unem as unidades monossacarídicas e no grau de ramificação ● Homopolissacarídeos: contêm somente um tipo de monossacarídeo ● Heteropolissacarídeos: contêm mais de tipo de monossacarídeo AMIDO O amido contém dois tipos de polímero de glicose, amilose e amilopectina (. A amilose consiste em cadeias longas, não ramificadas, de resíduos de D-glicose conectados por ligações (a1->4) (como na maltose). A amilopectina ao contrário da amilose, é altamente ramificada. As ligações glicosídicas que unem os resíduos de glicose sucessivos nas cadeias de amilopectina são (a1->4); nos pontos de ramificação (que ocorrem a cada 24 a 30 resíduos) são ligações (a1->6). Glicogênio e amido. (a) Segmento curto de amilose, polímero linear de resíduos de D-glicose em ligações (a1S4). Uma única cadeia pode conter alguns milhares de resíduos de glicose. A amilopectina tem trechos de resíduos ligados de maneira similar, situados entre pontos de ramificação. O glicogênio tem a mesma estrutura básica, porém é mais ramificado do que a amilopectina. (b) Ponto de ramificação (a1S6) no glicogênio ou na amilopectina. (c) Agrupamento de amilose e amilopectina como o que supostamente ocorre nos grânulos de amido. Fitas de amilopectina (em preto) formam estruturas em hélice dupla umas com as outras ou com fitas de amilose (em azul). A amilopectina tem pontos de ramificação (a1S6) frequentes (em vermelho). Os resíduos de glicose nas extremidades não redutoras das ramificações mais externas são removidos enzimaticamente durante a mobilização do amido para produção de energia. O glicogênio tem estrutura similar; porém, é mais ramificado e mais compacto. GLICOGÊNIO O glicogênio é o principal polissacarídeo de armazenamento das células animais. Como a amilopectina, o glicogênio é um polímero de subunidades de glicose ligadas por ligações (a1->4), com ligações (a1->6) nas ramificações; o glicogênio, porém, é mais ramificado (em média a cada 8 a 12 resíduos) e mais compacto do que o amido. POLISSACARÍDEOS ESTRUTURAIS CELULOSE A celulose – substância fibrosa, resistente e insolúvel em água – é encontrada na parede celular de plantas, particularmente em caules, troncos e todas as porções amadeiradas do corpo da planta, e constitui grande parte da massa da madeira e quase a totalidade da massa do algodão. Como a amilose, a celulose é um homopolissacarídeo linear e não ramificado, constituído por 10.000 a 15.000 unidades de D-glicose. Entretanto, existe uma importante diferença: na celulose, os resíduos de D-glicose têm a configuração beta , enquanto na amilose a glicose está em configuração alfa. Celulose. Duas unidades de uma cadeia de celulose; os resíduos de D-glicose estão em ligações (b1-> 4). As rígidas estruturas em cadeira podem rotar uma em relação à outra. QUITINA A quitina é um homopolissacarídeo linear composto por resíduos de N-acetilglicosamina em ligações (b1->4). A única diferença química em comparação com a celulose é a substituição de um grupo de hidroxila em C-2 por um grupo de amina acetilado. A quitina forma fibras longas similares às fibras da celulose e, como a celulose, não pode ser digerida por vertebrados. A quitina é o principal componente dos exoesqueletos duros de aproximadamente 1 milhão de espécies de artrópodes – insetos, lagostas e caranguejos, por exemplo – e é provavelmente o segundo polissacarídeo mais abundante na natureza, depois da celulose; estima-se que 1 bilhão de toneladas de quitina são produzidas a cada ano na biosfera. Segmento curto de quitina, homopolímero de unidades de N-acetil-D-glicosamina em ligações (b1->4). Polissacarídeos - Os polissacarídeos (glicanos) servem para o armazenamento de combustível e como componentes estruturais da parede celular e da matriz extracelular. c Os homopolissacarídeos amido e glicogênio armazenam combustível em células vegetais, animais e bacterianas. São constituídos por D-glicose com ligações (a1S4), e ambos contêm algumas ramificações. - Os homopolissacarídeos celulose, quitina e dextrana têm funções estruturais. A celulose, composta por resíduos de D-glicose em ligações (b1S4), garante força e rigidez à parede celular de plantas. A quitina, um polímero de N-acetilglicosamina com ligações (b1S4), fortalece o exoesqueleto de artrópodes. A dextrana forma um revestimento aderente ao redor de certas bactérias. - Os homopolissacarídeos se dobram em três dimensões. A forma em cadeira do anel piranose é essencialmente rígida, de modo que a conformação dos polímeros é determinada pela rotação das ligações entre os anéis e o átomo de oxigênio na ligação glicosídica. O amido e o glicogênio formam estruturas helicoidais com ligações de hidrogênio dentro da própria cadeia; a celulose e a quitina formam fitas longas e retas que interagem com as fitas vizinhas. - As paredes celulares de algas e bactérias são fortalecidas por heteropolissacarídeos – peptidoglicano em bactérias, ágar em algas. O dissacarídeo que se repete no peptidoglicano é GlcNAc(b1S4)Mur2Ac; no ágar, é D- -Gal(b1S4)3,6-anidro-L-Gal. - Os glicosaminoglicanos são heteropolissacarídeos extracelulares nos quais uma das duas unidades de monossacarídeo é um ácido urônico (o queratan-sulfato é uma exceção) e a outra é um aminoaçúcar N-acetilado. Ésteres de sulfato em alguns dos grupos hidroxila e em alguns dos grupos amino de certos resíduos de glicosamina na heparina e no heparan-sulfato dão a esses polímeros uma alta densidade de cargas negativas, forçando-os a adotarem conformações estendidas. Esses polímeros (ácido hialurônico, sulfato de condroitina, dermatan-sulfato e queratan-sulfato) garantem à matriz extracelular viscosidade, adesão e resistência à compressão.Glicoconjugados: proteoglicanos, glicoproteínas e glicoesfingolipídeos - Os proteoglicanos são glicoconjugados nos quais um ou mais glicanos grandes, chamados de glicosaminoglicanos sulfatados (heparan-sulfato, sulfato de condroitina, dermatan-sulfato ou queratan-sulfato) estão covalentemente ligados a uma proteína central. Unidos à superfície externa da membrana plasmática por meio de um peptídeo transmembrana ou um lipídeo ligado covalentemente, os proteoglicanos fornecem pontos de adesão, reconhecimento e transferência de informação entre as células ou entre as células e a matriz extracelular. - As glicoproteínas contêm oligossacarídeos covalentemente ligados a resíduos de Asp ou Ser/Thr. Em geral, os glicanos são ramificados e menores do que os glicosaminoglicanos. Muitas proteínas extracelulares ou da superfície celular são glicoproteínas, assim como a maioria das proteínas secretadas. Os oligossacarídeos covalentemente ligados influenciam o enovelamento e a estabilidade das proteínas, fornecem informações cruciais sobre o destino de proteínas recentemente sintetizadas e permitem o reconhecimento específico por outras proteínas. - A glicômica é a determinação da totalidade das moléculas contendo açúcar em uma célula ou tecido, assim como a determinação da função de cada uma dessas moléculas - LIPÍDEOS Os lipídeos biológicos são um grupo de compostos quimicamente diversos, cuja característica em comum que os define é a insolubilidade em água. As funções biológicas dos lipídeos são tão diversas quanto a sua química. Gorduras e óleos são as principais formas de armazenamento de energia em muitos organismos. Os fosfolipídeos e os esterois são os principais elementos estruturais das membranas biológicas. Outros lipídeos, embora presentes em quantidades relativamente pequenas, desempenham papéis cruciais como cofatores enzimáticos, transportadores de elétrons, pigmentos fotossensíveis, âncoras hidrofóbicas para proteínas, chaperonas para auxiliar no enovelamento de proteínas de membrana, agentes emulsificantes no trato digestivo, hormônios e mensageiros intracelulares. Este capítulo apresenta os lipídeos mais representativo de cada um dos tipos de lipídeos, organizados de acordo com suas funções, com ênfase na estrutura química e nas propriedades físicas. Embora a discussão siga uma organização funcional, os milhares de lipídeos diferentes também podem ser organizados em oito categorias gerais de acordo com sua estrutura química. CARACTERÍSTICAS COMUNS DE TODOS OS LIPÍDEOS LIPÍDIOS DE ARMAZENAMENTO As gorduras e os óleos utilizados de modo quase universal como formas de armazenamento de energia nos organismos vivos são derivados de ácidos graxos. Os ácidos graxos são derivados de hidrocarbonetos, com estado de oxidação quase tão baixo (ou seja, altamente reduzido) quanto os hidrocarbonetos nos combustíveis fósseis. A oxidação celular de ácidos graxos (a CO2 e H2O), assim como a combustão controlada e rápida de combustíveis fósseis em motores de combustão interna, é altamente exergônica. ÁCIDOS GRAXOS Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos com cadeias hidrocarbonadas de comprimento variando de 4 a 36 carbonos (C4 a C36). Em alguns ácidos graxos, essa cadeia é totalmente saturada (não contém ligações duplas) e não ramificada; em outros, a cadeia contém uma ou mais ligações duplas. NOMECLATURA Uma nomenclatura simplificada para ácidos graxos não ramificados especifica o comprimento da cadeia e o número de ligações duplas, separados por dois pontos ; por exemplo, o ácido palmítico, saturado e com 16 carbonos, é abreviado 16:0, e o ácido Duas convenções para a nomenclatura de ácidos graxos. (a) A nomenclatura-padrão designa o número 1 para o carbono da carboxila (C-1) e a letra a para o carbono ligado a ele. Cada segmento linear em ziguezague representa uma ligação simples entre carbonos adjacentes. As posições de quaisquer ligações duplas são indicadas pelo D, seguido de um número sobrescrito que indica o carbono de número mais baixo na ligação dupla. (b) Para ácidos graxos poli-insaturados, uma convenção alternativa numera os carbonos na direção oposta, designando o número 1 ao carbono da metila na outra extremidade da cadeia; este carbono também é designado v (ômega; a última letra do alfabeto grego). As posições das ligações duplas são indicadas em relação ao carbono omega. PONTO DE FUSÃO Os pontos de fusão também são muito influenciados pelo comprimento e grau de insaturação da cadeia hidrocarbonada. À temperatura ambiente (25°C), os ácidos graxos saturados de 12:0 a 24:0 têm consistência de cera, enquanto os ácidos graxos insaturados de mesmo comprimento são líquidos oleosos. Essa diferença nos pontos de fusão deve-se a diferentes graus de empacotamento das moléculas dos ácidos graxos O empacotamento de ácidos graxos em agregados estáveis. A extensão do empacotamento depende do grau de saturação. (a) Duas representações do ácido esteárico completamente saturado, 18:0 (estearato em pH 7), em sua conformação normal estendida. (b) A ligação dupla cis (em vermelho) no ácido oleico, 18:1(delta 9 ) (oleato), restringe a rotação e introduz uma dobra rígida na cauda hidrocarbonada. Todas as outras ligações na cadeia estão livres para rotação. (c) Os ácidos graxos completamente saturados na forma estendida empacotam-se em arranjos quase cristalinos, estabilizados por muitas interações hidrofóbicas. (d) A presença de um ou mais ácidos graxos com ligações duplas cis (em vermelho) interfere nesse agrupamento compacto e resulta em agregados menos estáveis. As duplas ligações em cis força uma dobra na cadeia hidrocarbonada, o que diminui o grau de empacotamento das moléculas Ácidos Graxos insaturados Podem ser classificados também de acordo com a configuração da dupla ligação. ● Cis: H do mesmo lado. ● Trans: H lados opostos. Saturados Especificar o comprimento da cadeia e o número de ligações duplas separados por dois pontos Insaturados Especificar o comprimento da cadeia e o número de ligações duplas separados por dois pontos A posição de qualquer ligação dupla é indicada em relação ao carbono carboxílico, que recebe o número 1, pelos números sobrescritos ao Δ NOMECLATURA SISTEMA OMEGA O que é o sistema ômega? O sistema ômega é uma forma de nomear ácidos graxos insaturados com base na posição da primeira ligação dupla a partir da extremidade metil da cadeia carbônica. Como funciona a nomenclatura? ● A letra "ω" (omega) é seguida por um número que indica a posição da primeira ligação dupla. ● O número é contado a partir do carbono metil, que é o último carbono da cadeia. ● Por exemplo, o ácido linolênico é um ácido graxo ômega-3 porque a primeira ligação dupla está no terceiro carbono a partir do carbono metil. ACIDOS GRAXOS ESSENCIAIS Não podem ser sintetizados pelos mamíferos e devem ser obtidos da dieta. LIPÍDEOS DE ARMAZENAMENTO Os lipídeos mais simples construídos a partir de ácidos graxos são os triacilgliceróis, também chamados de triglicerídeos, gorduras ou gorduras neutras. Os triacilgliceróis são compostos por três ácidos graxos, cada um em ligação éster com uma molécula de glicerol As ceras servem como reservas de energia e como impermeabilizantes à água As ceras biológicas são ésteres de ácidos graxos saturados e insaturados de cadeia longa (C14 a C36) com alcoóis de cadeia longa (C16 a C30) . Seus pontos de fusão (60 a 100°C) geralmente são mais altos do que os dos triacilgliceróis. No plâncton, microrganismos de vida livre na base da cadeia alimentar dos animais marinhos, as ceras são a principal forma de armazenamento de combustível metabólico RESUMO LIPÍDEOS DE ARMAZENAMENTO - Os lipídeos são componentes celulares insolúveis em água, de estruturas diversas, que podem ser extraídos dos tecidos por solventes apolares. - Quase todos os ácidos graxos, os componentes hidrocarbonados de muitos lipídeos, têm umnúmero par de átomos de carbono (geralmente 12 a 24); eles são saturados ou insaturados, com ligações duplas quase sempre na configuração cis. - Os triacilgliceróis contêm três moléculas de ácidos graxos esterificadas aos três grupos hidroxila do glicerol. Os triacilgliceróis simples contêm somente um tipo de ácido graxo; os mistos contêm dois ou três tipos. Eles são principalmente gorduras de reserva, estando presentes em muitos alimentos. - A hidrogenação parcial de óleos vegetais na indústria alimentícia converte algumas ligações duplas cis para a configuração trans. Ácidos graxos trans na dieta são um importante fator de risco para doenças cardíacas coronarianas. - Lipídeos Estruturais em Membranas A característica central na arquitetura das membranas biológicas é uma dupla camada de lipídeos que atua como barreira à passagem de moléculas polares e íons. Os lipídeos de membrana são anfipáticos: uma extremidade da molécula é hidrofóbica e a outra é hidrofílica. Suas interações hidrofóbicas entre si e suas interações hidrofílicas com a água direcionam o seu empacotamento em camadas, chamadas de bicamadas de membrana. Esta seção descreve cinco tipos gerais de lipídeos de membrana: glicerofosfolipídeos, nos quais as regiões hidrofóbicas são compostas por dois ácidos graxos ligados ao glicerol; galactolipídeos e sulfolipídeos, que também contêm dois ácidos graxos esterificados com o glicerol, mas não apresentam os fosfatos característicos dos fosfolipídeos; lipídeos tetraéter em arqueia, nos quais duas cadeias muito longas de alquilas estão unidas por ligação éter ao glicerol em ambas as extremidades; esfingolipídeos, nos quais um único ácido graxo está ligado a uma amina graxa, a esfingosina; e esteróis, compostos caracterizados por um sistema rígido de quatro anéis hidrocarbonados fusionados. Alguns tipos comuns de lipídeos de armazenamento e de membrana. Todos os tipos de lipídeos representados aqui têm ou glicerol ou esfingosina como esqueleto (em cor salmão), ao qual estão ligados um ou mais grupos alquila de cadeia longa (em amarelo) e um grupo cabeça polar (em azul). Em triacilgliceróis, glicerofosfolipídeos, galactolipídeos e sulfolipídeos, os grupos alquilas são ácidos graxos em ligação éster. Os esfingolipídeos contêm um único ácido graxo em ligação amida com o esqueleto de esfingosina. Os lipídeos de membrana de arqueias são variáveis; aqueles representados aqui têm duas cadeias alquilas muito longas e ramificadas, cada extremidade em ligação éter com a porção glicerol. Nos fosfolipídeos, o grupo cabeça polar está unido por meio de ligação fosfodiéster, enquanto os glicolipídeos têm uma ligação glicosídica direta entre o açúcar do grupo cabeça e o esqueleto de glicerol. Os glicerofosfolipídeos são derivados do ácido fosfatídico Os glicerofosfolipídeos, também chamados de fosfoglicerídeos, são lipídeos de membrana nos quais dois ácidos graxos estão unidos por ligação éster ao primeiro e ao segundo carbono do glicerol e um grupo fortemente polar ou carregado está unido por ligação fosfodiéster ao terceiro carbono. Glicerofosfolipídeos. Os glicerofosfolipídeos comuns são diacilgliceróis ligados a grupos álcool por ligação fosfodiéster. O ácido fosfatídico, um fosfomonoéster, é o composto precursor. Cada derivado é denominado de acordo com o grupo álcool (X) cabeça, com o prefixo “fosfatidil-”. Na cardiolipina, dois ácidos fosfatídicos compartilham um único glicerol (R1 e R2 são grupos acil graxos). * Observe que cada um dos ésteres de fosfato no fosfatidilinositol-4,5-bisfosfato tem uma carga de cerca de –1,5; um de seus grupos –OH está apenas parcialmente ionizado em pH 7,0. Os esfingolipídeos são derivados da esfingosina Esfingolipídeos. Os três primeiros carbonos na extremidade polar da esfingosina são análogos aos três carbonos do glicerol nos glicerofosfolipídeos. O grupo amino em C-2 apresenta um ácido graxo em ligação amida. O ácido graxo geralmente é saturado ou monoinsaturado, com 16, 18, 22 ou 24 átomos de carbono. A ceramida é o composto precursor para esse grupo. Os outros esfingolipídeos diferem no grupo polar da cabeça (X), ligado em C-1. Existem três subclasses de esfingolipídeos: esfingomielinas, glicolipídeos neutros e gangliosídeos Os gangliosídeos têm grupos de oligossacarídeos muito complexos As estruturas moleculares de duas classes semelhantes de lipídeos de membrana. A fosfatidilcolina (glicerofosfolipídeo) e a esfingomielina (esfingolipídeo) possuem dimensões e propriedades físicas similares, mas, presumivelmente, exercem papéis diferentes nas membranas. Os glicolipídeos definem os grupos sanguíneos Glicoesfingolipídeos como determinantes dos grupos sanguíneos. Os grupos sanguíneos humanos (O, A, B) são determinados em parte pelos grupos de oligossacarídeo da cabeça desses glicoesfingolipídeos. Os mesmos três oligossacarídeos também são encontrados ligados a certas proteínas do sangue de indivíduos dos tipos sanguíneos O, A e B, respectivamente Os esteróis têm quatro anéis de carbono fusionados Os esteróis são lipídeos estruturais presentes nas membranas da maioria das células eucarióticas. A estrutura característica desse quinto grupo de lipídeos de membrana é o núcleo esteroide, que consiste em quatro anéis fusionados, três com seis carbonos e um com cinco. O núcleo esteroide é quase planar e é relativamente rígido; os anéis fusionados não permitem rotação em torno das ligações C–C. O colesterol, o principal esterol nos tecidos animais, é anfipático, com um grupo cabeça polar (o grupo hidroxila em C-3) e um “corpo” hidrocarbonado apolar (o núcleo esteroide e a cadeia lateral hidrocarbonada no C-17), tão longa quanto um ácido graxo de 16 carbonos em sua forma estendida. RESUMO DE LIPIDEOS DE MEMBRANA - Os lipídeos polares, com grupos polares e caudas apolares, são importantes componentes das membranas. Os mais abundantes são os glicerofosfolipídeos, que contêm ácidos graxos esterificados a dois dos grupos hidroxila do glicerol e um segundo álcool, o grupo cabeça, esterificado à terceira hidroxila do glicerol via uma ligação fosfodiéster. Outros lipídeos polares são os esteróis. - Os glicerofosfolipídeos diferem na estrutura de seu grupo cabeça; os glicerofosfolipídeos comuns são a fosfatidiletanolamina e a fosfatidilcolina. Os grupos polares dos glicerofosfolipídeos estão carregados em pH próximo de 7. - As membranas dos cloroplastos são ricas em galactolipídeos, compostos de diacilglicerol com um ou dois resíduos de galactose ligados, e sulfolipídeos, diacilgliceróis com um resíduo de açúcar sulfonado ligado e, portanto, um grupo cabeça carregado negativamente. - Algumas arqueias têm lipídeos de membrana únicos, com grupos alquila de cadeia longa em ligação éter ao glicerol em ambas as extremidades e com resíduos de açúcar e/ ou fosfato ligados ao glicerol para fornecer um grupo cabeça polar ou carregado. Esses lipídeos são estáveis nas condições extremas nas quais essas arqueias vivem. - Os esfingolipídeos contêm esfingosina, um aminoálcool alifático de cadeia longa, mas não contêm glicerol. A esfingomielina tem, além de ácido fosfórico e colina, duas longas cadeias hidrocarbonadas, uma que provém de um ácido graxo e outra que provém de uma esfingosina. Três outras classes de esfingolipídeos são cerebrosídeos, globosídeos e gangliosídeos, que contêm componentes formados por açúcares. - Os esterois têm quatro anéis fusionados e um grupo hidroxila. O colesterol, o principal esterol em animais, é tanto um componente estrutural das membranas quanto um precursor para uma ampla variedade de esteroides. - Derivados de esteróis Esteroides derivados do colesterol. A testosterona, o hormônio sexual masculino, é produzida nos testículos. O estradiol, um dos hormônios sexuais femininos, é produzido nos ovários e na placenta. O cortisol e a aldosterona são hormônios sintetizados no córtex daglândula suprarrenal; eles regulam o metabolismo da glicose e a excreção de sal, respectivamente. A prednisona e a prednisolona são esteroides sintéticos utilizados como agentes anti-inflamatórios. O brassinolídeo é um regulador do crescimento encontrado em plantas vasculares. VITAMINAS LIPOSSOLÚVEIS O que são vitaminas lipossolúveis? As vitaminas lipossolúveis são vitaminas que se dissolvem em gorduras e óleos. Elas são armazenadas no fígado e nos tecidos adiposos do corpo. Quais são as vitaminas lipossolúveis? As vitaminas lipossolúveis são: ● Vitamina A ● Vitamina D ● Vitamina E ● Vitamina K Funções das vitaminas lipossolúveis: As vitaminas lipossolúveis têm várias funções importantes no corpo, incluindo: ● Visão: A vitamina A é essencial para a visão noturna e a saúde dos olhos. ● Saúde óssea: A vitamina D ajuda o corpo a absorver cálcio, que é importante para a saúde dos ossos. ● Antioxidante: A vitamina E é um antioxidante que ajuda a proteger as células dos danos causados pelos radicais livres. ● Coagulação do sangue: A vitamina K é essencial para a coagulação do sangue. Deficiências de vitaminas lipossolúveis: As deficiências de vitaminas lipossolúveis podem causar vários problemas de saúde, incluindo: ● Cegueira noturna: Deficiência de vitamina A. ● Raquitismo: Deficiência de vitamina D. ● Anemia hemolítica: Deficiência de vitamina E. ● Hemorragia: Deficiência de vitamina K. Fontes alimentares de vitaminas lipossolúveis: As vitaminas lipossolúveis podem ser encontradas em uma variedade de alimentos, incluindo: ● Vitamina A: Fígado, óleo de fígado de bacalhau, cenoura, batata-doce, espinafre. ● Vitamina D: Peixes gordurosos (salmão, atum), gema de ovo, leite fortificado. ● Vitamina E: Óleos vegetais (óleo de girassol, óleo de milho), nozes, sementes, abacate. ● Vitamina K: Vegetais verde-escuros (couve, espinafre), brócolis, óleo de canola. Recomendações de ingestão: A quantidade de vitaminas lipossolúveis que você precisa ingerir diariamente depende da sua idade, sexo e estado de saúde. Consulte um médico ou nutricionista para obter mais informações sobre as suas necessidades individuais. Observações: ● As vitaminas lipossolúveis podem ser tóxicas se forem ingeridas em excesso. ● É importante tomar cuidado para não consumir mais do que a dose diária recomendada. ● As pessoas com problemas de saúde, como doenças do fígado ou do intestino, podem precisar tomar suplementos de vitaminas lipossolúveis.