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Material de apoio Aula 04 – Empresas optantes pelo Simples – Tributos unificados no Simples Nacional Tributos unificados no Simples Nacional O SIMPLES NACIONAL consiste em fazer um único recolhimento mensal, aplicando-se um percentual estabelecido na Lei, abrangendo os seguintes tributos: IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, INSS além do IPI para as empresas industriais ou equiparadas, ICMS e ISS para empresas contribuintes destes impostos. A empresa inscrita no SIMPLES NACIONAL continua desobrigada de efetuar o pagamento das contribuições para órgãos como SESC, SESI ou SEST (1,5%), SENAC, SENAI ou SENAT (1%), SEBRAE (o,6%), INCRA (o,2%), além do salário educação (2,5%). Esta isenção é permitida a todas as empresas que se enquadrarem no Simples Nacional. Então, mesmo aqueles prestadores de serviços que continuam pagando o INSS e o SAT fora do modelo simplificado serão contemplados com a isenção (LC 123/2006, art. 13 § 3º). Por exemplo, uma academia de ginástica que optar pelo SIMPLES NACIONAL terá que pagar INSS e SAT, mas não pagará 5,8% que é a alíquota total das contribuições da união (SESC, SENAC, INCRA, SEBRAE e Salário Educação) incluídas no modelo. A empresa permanece com suas obrigações de contribuinte responsável, devendo reter e recolher, por exemplo, o IR e a contribuição previdenciária, tributos descontados de seus empregados. Continuará obrigada a pagar também FGTS, CPMF e os impostos federais não incluídos no SIMPLES NACIONAL, caso seja devedora deles. Por exemplo, se importar um bem do exterior, pagará imposto sobre importação, IPI, PIS, COFINS e ICMS; se contrair um financiamento pagará IOF. A SRFB esclarece ainda que as empresas inscritas no SIMPLES NACIONAL paguem o ICMS devido: a) Nas operações ou prestações sujeitas ao regime de substituição tributária; b) Por terceiro, a que o contribuinte se ache obrigado, por força da legislação estadual ou distrital vigente; c) Na entrada, no território ou Estado ou do Distrito Federal, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, bem como energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou industrialização; d) Por ocasião do desembaraço aduaneiro; e) Na aquisição ou manutenção em estoque de mercadoria desacobertada de documento fiscal; f) Na operação ou prestação desacobertada de documento fiscal; g) Nas operações com bens ou mercadorias sujeitas ao regime de antecipação do recolhimento do imposto, nas aquisições em outros Estados e Distrito Federal: 1 – Com encerramento da tributação, observado o modelo de tributação separada dos valores de ICMS ST. 2 – Sem encerramento da tributação, hipótese em que será cobrada a diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sendo vedada a agregação de qualquer valor. h) Nas aquisições em outros Estados e Distrito Federal de bens ou mercadorias, não sujeitas ao regime de antecipação do recolhimento do imposto, relativo à diferença entre a alíquota interna e a interestadual. O imposto de renda cobrado sobre os rendimentos de aplicações financeiras é considerado definitivo, não sendo objeto de compensação. Limites para enquadramento Será considerada microempresa para fins tributários aquela com receita bruta anual até R$ 360 mil no ano anterior. Já o enquadramento como empresa de pequeno porte será para aquela empresa com receita bruta anual entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões no ano anterior. A legislação define receita bruta como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. O uso do ano anterior tem o objetivo de simplificar a vida do contribuinte e também da fiscalização. No ano em que ultrapassar o limite, a empresa permanecerá no SIMPLES NACIONAL. Apenas no ano seguinte é que deverá mudar a forma de tributação, ou de microempresa para empresa de pequeno porte, ou desta para lucro real ou presumido. Todavia, as regras descritas nos três parágrafos anteriores se aplicam apenas às empresas em funcionamento. No primeiro ano de atividade, o limite será proporcional ao número de meses de funcionamento, considerando frações de meses. Para esse fim, a análise levará em conta a primeira operação realizada pela empresa e não o dia do registro no órgão oficial. Contudo, uma novidade inserida na LC 123/2006 é a seguinte: Se a EPP no 1º ano de atividade ultrapassar o limite proporcional em até 20%, poderá utilizar o modelo simplificado naquele ano, sendo proibida de permanecer no Simples Nacional no ano seguinte. Todavia, embora não seja banida do SIMPLES NACIONAL, a EPP que ultrapassar o limite, terá a última alíquota da faixa a que estiver submetida acrescida de 20% em relação ao faturamento que ultrapassar o limite. O Simples Nacional e os Estados e Municípios O Art. 19 da LC 123/2006 diz que apenas alguns estados e seus municípios serão obrigados a adotar todas as faixas definidas nos anexos I a V da referida lei. Estão obrigados os estados do RJ, SP, PR, MG, e RS. A Resolução nº124/15, do Comitê Gestor do Simples Nacional esclarece que SC, BA, ES, AL, SE, PE, PB, RN, CE, AM, GO e o Distrito Federal também utilizarão o limite integral de 2,4 milhões. Os Estados (e seus respectivos municípios) com participação em até 1% do PIB (RO, AC, RR e AP) utilizarão o limite de R$ 1.800.000,00, já os Estados (e seus respectivos municípios) com participação entre 1% e 5% do PIB (PA, MA, TO, MT, MS e PI) adotarão o limite de R$ 2.520.000,00. Assim, as ME e EPP que ultrapassarem o limite da Lei Complementar estarão automaticamente impedidas de recolher o ICMS e o ISS na forma do SIMPLES NACIONAL no ano-calendário subsequente ao que tiver ocorrido o excesso. A Resolução nº 126/16 do CGSN alterou o art. 33 na Resolução nº 94/11, confirmando a permissão dada pela LC 123/2006 (art. 18, §§ 18 a 20), e que transcrevemos a seguir: “Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no âmbito de usas respectivas competências, poderão, independentemente da receita bruta auferida no mês pelo contribuinte, adotar valores fixos mensais, inclusive por meio de regime de estimativa fiscal ou arbitramento, para o recolhimento do ICMS e do ISS devido por ME que aufira receita bruta, no ano-calendário anterior, de até R$ 360.000,00, ficando a ME sujeita a esses valores durante todo o ano-calendário”. Vedações à utilização do Simples Existem diversos impeditivos destacados na legislação para que as empresas sejam tributadas pelo SIMPLES NACIONAL, além da proibição em função da receita bruta. Portanto, não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: 1. Que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 4.800.000,00; 2. De cujo capital participe outra pessoa jurídica; 3. Que seja filial, sucursal, agência ou representação, no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; 4. De cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00; 5. Cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa não beneficiada pela Lei Complementar nº 123, de 14..12.2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 4.800.000,00; 6. Cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 4.800.000,00; 7. Constituída sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; 8. Que participe do capital de outra pessoa jurídica; 9. Que exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investimentoou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; 10. Resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 anos-calendário anteriores; 11. Constituída sob a forma de sociedade por ações; 12. Que tenha sócio domiciliado no exterior; 13. De cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual e municipal; 14. Que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 15. Que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros; 16. Que seja geradora, transmissora, distribuidora ou comercializadora de energia elétrica; 17. Que exerça atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas; 18. Que exerça atividade de importação de combustíveis; 19. Quer exerça atividade de produção ou venda no atacado de: a. Cigarros, cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes; 20. Bebidas a seguir descritas: I – Alcoólicas; II – Refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas; III – Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado; IV – Cervejas sem álcool; 21 – Que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; 22 – Que realize cessão ou locação de mão – de – obra; 23 – Que realize atividade de consultoria; 24 – Que se dedique ao loteamento e à incorporação de imóveis; e 25 – Que realize atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir a prestação de serviços tributados pelo ISS. 26 – Que explore atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia; 27 – Com ausência de inscrição ou com irregularidade em cadastro fiscal federal, municipal ou estadual quando exigível. Em relação às proibições, observa-se que a Lei procurou fechar bastante as brechas para redução da carga tributária por parte de contribuintes com boa capacidade de contribuição. O INSS procurou proibir a opção pelo SIMPLES de empresas que utilizam intensamente a mão-de-obra, em razão da perda de arrecadação. Por outro lado, a Lei procurou impedir a opção para atividades com maior margem de lucro em relação à receita bruta, para não criar favorecimentos tributários. O entendimento é que as profissões regulamentadas têm reserva de mercado nas atividades que executam, não se comparando, portanto, com atividades sem regulamentação. A Resolução nº 50, do CGSN, trouxe o anexo I com uma lista de códigos previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) que seriam impeditivos para opção pelo Simples Nacional. Apenas para exemplificar, apresentamos a seguir cinco códigos de atividades proibidas: 4635-4/02 Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante; 6920-6/02 Atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária; 7490-1/01 Serviço de tradução, interpretação e similares; 8532-5/00 Educação superior – graduação e pós-graduação; e 9603-3/01 Gestão e manutenção de cemitérios. Exclusão do Simples Nacional A exclusão do Simples Nacional pode ser feita de duas formas: mediante comunicação do próprio contribuinte ou por oficio. A exclusão por parte do próprio contribuinte pode ser feita por opção ou obrigatoriamente, quando este incorrer em uma das proibições apresentadas no item. A exclusão será formalizada pela empresa mediante alteração cadastral, firmada por seu representante legal e apresentada à unidade da SRFB de sua jurisdição, conforme regras definidas no artigo 30 da LC 123/2006. Já a exclusão por ofício ocorrerá quando a pessoa jurídica incorrer nas seguintes hipóteses: a) Verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; b) For oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem a requisição de auxílio da força pública; c) For oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; d) A sua constituição ocorrer interpostas pessoas; e) Tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; f) A empresa for declarada inapta, na forma dos arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; g) Comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; h) Houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; i) For constatado que durante o ano-calendário o valor das despesas pagas supera em 20% o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; ou j) For constatado que durante o ano-calendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, for superior a 80% dos ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade. A exclusão de ofício (exceto a descrita na letra A) produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo SIMPLES NACIONAL pelos próximos 3 (três) anos-calendário seguintes. Além disso, o prazo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento dos tributos incluídos no SIMPLES NACIONAL. Pagamento Mensal A LC 123/2006, que instituiu o SIMPLES NACIONAL diz que o prazo de pagamento do SIMPLES será o último dia útil da primeira quinzena do mês seguinte ao mês de apuração. Contudo, a Resolução nº 51/2008 (art. 18º) definiu o prazo de pagamento para o dia 20 do mês seguinte.