Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Material de apoio 
Aula 02 – Planejamento tributário – Processo de Planejamento Tributário 
Estrutura básica da tributação sobre o lucro no Brasil 
 
Alíquotas 
Quando a SRFB diz que a reforma tributária em relação ao imposto de renda já vem sendo feita, desde o 
primeiro governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos argumentos utilizados é sua alíquota, que 
permanece a mesma desde janeiro de 1996. 
A alíquota da CSLL também parou de variar nos últimos anos, apesar de ter sido bastante modificada entre 
1998 e 2000, Desde 2001 que ela é constante para as empresas em geral (9%), exceto instituições financeiras e 
equiparadas, que pagam 20% (até 2018). 
Importante destacar que as alíquotas são aplicadas nas três formas de tributação: lucro real, presumido ou 
arbitrado. Portanto, inicialmente a empresa encontra suas bases de cálculos (real, presumida ou arbitrada) e, após, 
aplica as alíquotas vigentes de IR e CSLL. 
Imposto de Renda 
A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas segue o critério da progressividade, ou seja, paga mais 
quem pode mais, pagando menos quem pode menos. Na prática, a alíquota oscila entre 15% e 25%, dependendo do 
lucro apurado pela empresa. As alíquotas em vigor são as seguintes: 
a) Alíquota básica de 15% sobre o lucro (Real, Presumido ou Arbitrado); 
b) Adicional de 10% sobre a parcela que exceder a R$ 240.000 por ano, sendo aplicada proporcionalmente 
em períodos menores (R$ 20.000 por mês). 
Portanto, uma empresa com lucro de R$ 240.000, por exemplo, pagará apenas 15% de IR, enquanto outra 
empresa que apresente lucro de R$ 1.000.000, pagará 22,6% de IR, devido à incidência de adicional de 10% sobre R$ 
760.000 (diferença entre o lucro apurado de R$ 1.000.000 e R$ 240.000 que é a parcela isenta de adicional). 
Na tabela a seguir, o conceito de progressividade na tributação do imposto de renda fica mais claro, com a 
simulação do resultado de doze empresas diferentes, com o respectivo imposto devido. Verifica-se que, à medida que 
aumenta o lucro, o imposto de renda devido também aumenta, não apenas em valor, mas em percentual, o que garante 
a progressividade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Material de apoio 
Aula 02 – Planejamento tributário – Processo de Planejamento Tributário 
Estrutura básica da tributação sobre o lucro no Brasil 
 
Tributação de IR das empresas do grupo Cor em 2016 
 
 
 
Empresa Lucro no ano 
Imposto de renda devido % de 
Tributação Alíq. Básica Adicional Total 
 
 
 
Azul 200.000 30.000 - 30.000 15,00% 
Verde 340.000 51.000 10.000 61.000 17,94% 
Amarelo 620.000 93.000 38.000 131.000 21,13% 
Rosa 940.000 141.000 70.000 211.000 22,45% 
Cinza 2.000.000 300.000 176.000 476.000 23,80% 
Marrom 5.000.000 750.000 476.000 1.226.000 24,52% 
Vermelha 10.000.000 1.500.000 976.000 2.476.000 24,76% 
Preta 15.000.000 2.250.000 1.476.000 3.726.000 24,84% 
Lilás 20.000.000 3.000.000 1.976.000 4.976.000 24,88% 
Branca 50.000.000 7.500.000 4.976.000 12.476.000 24,95% 
Violeta 100.000.000 15.000.000 9.976.000 24.976.000 24,98% 
Roxa 200.000.000 30.000.000 19.976.000 49.976.000 24,99% 
 
 
É interessante observar que, conforme o lucro atinge patamar de empresa grande, a alíquota chega muito 
próximo dos 25%. O objetivo da SRFB foi tributar as médias e grandes empresas em 25%, deixando aquelas com lucro 
menor pagando entre 15% e 25%. 
Dois caminhos para encontrar o IR Devido 
Quando a base de cálculo do IR indicar que existe adicional de 10%, ou seja, que o lucro ultrapassou R$ 20 mil 
num mês, R$ 60 mil no trimestre ou R$ 240 mil no ano, existem dois caminhos para calcular o IR devido. 
1ª Forma: Calcular 15% e depois o adicional 
Alíquota de 15% = A sugestão é encontrar 10% e depois 5% (metade dos 10%). 
Em seguida, somar os dois valores, encontrando a alíquota básica. 
Adicional de 10% = Reduz a parcela sem tributação da base, aplicando 10% sobre o resultado. 
Por exemplo: Lucro anual de R$ 664.000 
15% = R$ 66.400 (10%) = R$ 33.200 (5%), o que monta R$ 99.600 
Adicional de 10% = R$ 664.000 – R$ 240.000 = R$ 424.000 x 10%, o que dá R$ 42.400. 
Somando R$ 99.600 com R$ 42.400, encontra-se R$ 142.000, que é a resposta correta. 
 
 
Material de apoio 
Aula 02 – Planejamento tributário – Processo de Planejamento Tributário 
Estrutura básica da tributação sobre o lucro no Brasil 
 
2ª Forma: Calcular 25% e depois retirar o adicional 
Como 25% pode ser obtido numa divisão da base de cálculo por 4, este pode ser um caminho mais curto e 
eficaz para resolver estas questões em provas de concurso sem uso de máquina e com contas para resolver. 
25% = Divide-se a base de cálculo por 4. Depois, retira-se 10% sobre o excesso do adicional do período de 
apuração. 
Por exemplo: Lucro anual de R$ 664.000 
25% = R$ 664.000/4, o que dá R$ 166.000 
Diminui-se R$ 240.000 x 10%, o que monta R$ 24.000. 
Portanto, R$ 166.000 menos R$ 24.000, encontramos R$ 142.000, que é a resposta correta. 
Contribuição Social 
A alíquota da CSLL era de 9% para todas as empresas, até maio de 2008, quando a Lei nº 11.727/08 aumentou 
para 15% a CSLL devida das instituições financeiras e empresas equiparadas, como seguradoras, empresas de 
capitalização e entidades de previdência privada. 
A Lei nº 13.169/15 elevou para 20% a alíquota da CSLL devida pelas instituições financeiras e empresas 
equiparadas, como seguradoras, empresas de capitalização e entidades de previdência privada, entre Set/15 e Dez/18. 
A partir de Jan/19 a alíquota retorna para 15%. No mesmo período (set/15 a Dez/18) as cooperativas de crédito terão 
alíquota provisória de 17%. 
Antes, a Lei 10.637/2002 criou, em seu artigo 38, o Bônus de Adimplência Fiscal. Este Bônus será concedido 
às empresas que nos últimos cinco anos-calendário tenham conseguido a proeza de não ter se enquadrado em 
nenhuma das seguintes hipóteses em relação aos tributos administrados pela SRFB: 
1º) Lançamentos de ofício; 
2º) Débitos com exigibilidade suspensa: 
3º) Inscrição em dívida ativa; 
4º) Recolhimentos ou pagamentos em atraso, exceto os espontâneos; e 
5º) Falta ou atraso no cumprimento de obrigação acessória. 
Quando a empresa tiver obtido decisão definitiva favorável, na esfera administrativa ou judicial, as restrições 
1º e 2º serão desconsideradas da origem. 
O Bônus corresponde a 1% da base de cálculo da CSLL no regime de apuração com base no lucro presumido, 
mesmo que a empresa esteja no lucro real. Esta decisão, apesar de complexa para atender, pode ser benéfica no caso 
das empresas com resultado baixo e faturamento elevado. 
Em caso de empresa nova, o Bônus somente será aplicado quando ela completar cinco anos dentro das regras 
exigidas pela SRFB. 
Material de apoio 
Aula 02 – Planejamento tributário – Processo de Planejamento Tributário 
Estruturabásica da tributação sobre o lucro no Brasil 
 
O Bônus se aplica apenas em relação ao ano-calendário completo e somente poderá ser utilizado no final do 
período de apuração. Na hipótese de período de apuração trimestral, o bônus será calculado em relação aos quatro 
trimestres do ano-calendário e poderá ser deduzido da CSLL devida correspondente ao último trimestre. 
Exemplo numérico de utilização do Bônus 
Suponha que a Cia Tropical tenha optado pelo lucro real e atendido todos os requisitos exigidos pela Lei 
10.637/02. A empresa encerrou sua apuração no ano de 2010, com as seguintes contas de resultado: 
Receita de vendas = R$ 10.000 
Receitas financeiras= R$ 300 
Despesas diversas (dedutíveis) 10.100 
O cálculo do Bônus de Adimplência Fiscal da CSLL será o seguinte: 
Receita Bruta = R$ 10.000 
% aplicado – 12% = R$ 1.200 
+ Demais receitas = R$ 300 
Base de cálculo do Lucro Presumido = R$ 1.500 
Valor do Bônus de Adimplência Fiscal – 1% = R$ 15 
Portanto, o Bônus para a Cia Tropical será de R$ 15. Veja como fica o cálculo da CSLL devida pela empresa, 
lembrando que sua opção de tributação foi o lucro real, não o presumido. 
Lucro Tributável – R$ 200 
Contribuição Social s/Lucro – 9% = R$ 18 
( - ) Bônus de Adimplência Fiscal = R$ 15 
CSLL devida = R$ 3 
Para as empresas com resultado baixo, o bônus pode se tornar interessante. De qualquer forma, poucas 
empresas que estão no lucro real serão beneficiadas, devido ao não atendimento cumulativo das cinco exigências 
citadas anteriormente. As empresas que estiverem no lucro presumido e atenderem as exigências da Lei pagarão uma 
alíquota de 8%, em vez de 9%, exatamente por causa do Bônus. 
O legislador determinou ainda que o Bônus seja tratado contabilmente como ajuste, sendo registrado 
diretamente no patrimônio líquido, não transitando pelo resultado do exercício. Assim, no caso da Cia Tropical, a 
despesa com CSLL em 2010 seria de R$ 18. O Bônus seria registrado no ativo circulante (CSLL a recuperar) em 
contrapartida com lucros acumulados, no valor de R$ 15. No momento do pagamento, a conta contábil CSLL a 
recuperar seria usada para pagar o passivo, saindo do caixa apenas R$ 3. Não há lógica nesse registro. O correto seria a 
despesa ser registrada pelo valor pago, já deduzido o bônus. 
 
Material de apoio 
Aula 02 – Planejamento tributário – Processo de Planejamento Tributário 
Estrutura básica da tributação sobre o lucro no Brasil 
 
Formas de tributação sobre o lucro 
O texto do artigo 218 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto Lei nº 3.000 de 30/mar./99) diz o 
seguinte: O Imposto de renda das pessoas jurídicas... será devido à medida que os rendimentos, ganhos e lucros forem 
sendo auferidos. 
Isto significa que o imposto de renda das empresas poderia ser cobrado por cada operação, por cada resultado 
auferido. Não representa, porém, que devemos tributá-lo diariamente, mas este normativo serve para determinar a 
exigência de antecipações mensais ou trimestrais de imposto de renda, independentemente da forma de tributação 
escolhida. 
Toda empresa legalmente constituída no Brasil pode ser enquadrada pela legislação tributária em cinco 
situações distintas, em relação à tributação sobre seu resultado: SIMPLES NACIONAL, lucro real, lucro presumido, 
lucro arbitrado e Imune/Isenta. 
O SIMPLES NACIONAL é exclusivo para empresas enquadradas como Microempresas e Empresas de 
Pequeno Porte. 
As entidades imunes e isentas estão desobrigadas ao pagamento de IR e CSLL. 
Lucro Arbitrado decorre, principalmente, da não validade da escrituração contábil ou da impossibilidade de se 
calcular os tributos pelas vias normais. 
O Lucro Presumido é calculado considerando apenas as receitas das empresas, devendo ser utilizado 
principalmente nas empresas bastante lucrativas. 
Já o Lucro Real é a forma de tributação que tem como base o lucro contábil, sendo interessante para empresas 
com resultados mais equilibrados. Além do mais, no lucro presumido, o nível de exigência é menor, não havendo 
preocupação com tantos controles como ocorre no lucro real. A empresa que optar pelo lucro presumido pode, por 
exemplo, efetuar a escrituração do livro caixa em substituição à escrituração contábil (apenas para fins fiscais). 
Evidentemente existem alguns impedimentos à opção pelo lucro presumido, referente a casos específicos, que são 
estudados no capítulo próprio. 
O objetivo do Fisco foi facilitar ao máximo o cálculo dos tributos para empresas que não representam um 
potencial de recolhimento tão elevado. A SRFB entende que esta simplificação torna mais ágil a fiscalização e a 
cobrança dos tributos, além de não representar perda elevada de recursos financeiros. 
A forma mais comum de tributação encontrada nas médias e grandes empresas do País é o lucro real anual, 
com antecipação mensal pelo regime de estimativa. 
Aproximadamente 6% das empresas brasileiras são tributadas pelo lucro real e respondem por 81% da 
arrecadação.

Mais conteúdos dessa disciplina