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DIREITO PENA: EFEITOS DA CONDENAÇÃO E REABILITAÇÃO Prof.Esp.: Raphael Perdigão Costa Araújo EFEITOS DA CONDENAÇÃO PRINCIPAIS (aplicação da sanção penal) SECUNDÁRIOS Natureza penal (maus antecedentes, reincidência, revogação do sursi, etc) Natureza Extrapenal Efeitos genéricos: Reparação do dano e Confisco Efeitos específicos: Perda da função pública, incapacidade para o poder familiar, inabilitação para dirigir EFEITOS DA CONDENAÇÃO Efeitos gerais art. 91 (automático) Art. 91. São efeitos da condenação: I – tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; II – a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. § 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. § 2º Na hipótese do § 1º, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 91. São efeitos da condenação: I – tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; Embora sejam independentes as esferas cível e penal, a sentença penal condenatória com trânsito em julgado evidencia, quando possível, o dano causado pelo agente mediante a prática de sua conduta típica, ilícita e culpável, gerando, pois, para a vítima, um título executivo de natureza judicial, conforme o art. 515, VI, CPC. A condenação tem como efeito genérico tornar certa a obrigação de reparar o dano. Esse efeito é automático, não precisa ser expressamente pronunciado pelo juiz na sentença condenatória e destina-se a formar título executivo judicial para a propositura de ação civil ex delicto. Preleciona Fragoso: “A sentença penal condenatória produz consequências de natureza civil. Tal sentença é declaratória da obrigação de reparar o dano. A condenação criminal torna certa a obrigação de ressarcir o dano causado pelo delito. Não se poderá mais questionar no cível sobre a existência do fato, ou quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no crime (art. 1.525, CC). Uma vez proferida a condenação, no juízo cível vai-se questionar apenas o quantum da indenização.”. Ver artigos 186 do CC e artigos 63 e seguintes do CPP EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 91. São efeitos da condenação: II – a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito; A perda, em favor da União (NÃO FALA DE ESTADOS, DF E MUNICÍPIOS), ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé, dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito. Instrumentos do crime são os objetos, isto é, são as coisas materiais empregadas para a prática e execução do delito. Exemplo: sujeito vier a utilizar o seu automóvel a fim de causar lesão na vítima, o fato de ter se valido do seu veículo como instrumento do crime não fará com que ele seja perdido em favor da União, pois o seu uso não constitui fato ilícito, o que não impedirá, contudo, a aplicação do efeito específico da condenação previsto no inciso III do art. 92 do Código Penal. Também não perderá a sua arma, por exemplo, o agente que vier a utilizá-la na prática de crime, desde que possua autorização para o seu porte. Ressalva-se, ainda, como determinado pelo inciso II do art. 91 do Código Penal, o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé, que não poderá ter seus instrumentos perdidos caso venham a ser utilizados indevidamente pelo agente condenado pela prática da infração penal, desde que não consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito, bem como que não ocorra qualquer das modalidades de concurso de pessoas, vale dizer, a coautoria ou a participação. Suponhamos que alguém entregue sua arma de fogo a uma empresa especializada em reparações. Um empregado dessa empresa, querendo praticar um crime de roubo, a utiliza na empreitada criminosa, oportunidade em que, preso em flagrante, a arma é apreendida. Transitada em julgado a condenação, o proprietário da arma deverá vê-la restituída, pois terceiro de boa-fé, não podendo, portanto, ser apenado indiretamente com a infração penal cometida pelo condenado. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 91. São efeitos da condenação: II – a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. PRODUTO são as coisas adquiridas diretamente com o delito (coisa roubada), ou mediante sucessiva especificação (joia feita com o ouro roubado), ou conseguidas mediante alienação (dinheiro da venda do objeto roubado) ou criadas com o crime (moeda falsa). PROVEITO são as vantagens auferidas pelo agente com a prática do crime, de maneira indireta. § 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. (CONFISCO POR EQUIVALÊNCIA) Pode ocorrer a hipótese em que o agente tenha se desfeito ou mesmo escondido o produto ou proveito do crime, a exemplo daquele que adquire um imóvel no exterior ou mesmo que deposite, em uma agência bancária localizada fora do território nacional, o valor obtido criminosamente. Nesses casos, mesmo não sendo encontrados, poderá o julgador decretar a perda de bens ou valores que são equivalentes ao produto ou proveito do crime, impedindo, assim, que o agente continue auferindo lucro derivado de seu comportamento criminoso. Esse perdimento, no entanto, de bens ou valores que não aqueles diretamente auferidos com a prática criminosa deve ser equivalente ao produto ou proveito do crime. OU SEJA, PODE CONFISCAR PATRIMÔNIO LICITO § 2º Na hipótese do § 1º, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda. a) sequestro, b) hipoteca legal e c) arresto. EFEITOS DA CONDENAÇÃO O Código determina o confisco dos instrumenta e produtos do crime, ressalvado “o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé”. Significa que até os objetos cujo fabrico, alienação, porte, uso ou detenção constitui conduta ilícita precisam ser devolvidos ao lesado ou ao terceiro de boa-fé, desde que a eles pertençam? A resposta foi dada por Espínola Filho: “Somente em casos especiais, por desaparecerem as causas da proibição de fabricar, possuir e usar tais objetos, ante uma autorização, pode efetuar-se a restituição ao lesado, ou a terceiro, de coisas dessa ordem. é quando se trata de objetos cuja fabricação, posse, uso, alienação não é proibida de modo absoluto, mas só é permitida a certas pessoas, em razão de sua qualidade ou função, ou mediante autorização adrede dada”. Exs.: Uma moeda falsa é subtraída de um museu. Condenado o sujeito, se ainda não ocorreu a restituição, deve ser devolvida ao museu, ressalvando-se “o direito do lesado” (o museu). Suponha-se que um colecionador possua arma de uso exclusivo do Exército, mediante autorização da autoridade competente. é solicitado o seu empréstimo com a finalidade de ser mostrada numa exposição, mediante prévia autorização da autoridade. O expositor pratica um crime de homicídio empregando-a como instrumento. Condenado, a arma deve ser devolvida ao terceiro de boa-fé (o colecionador). EFEITOS DA CONDENAÇÃO Efeitos específicos art. 92 (não automático, deverão ser motivadamente determinados pela sentença penal condenatória) Art. 92. Sãotambém efeitos da condenação: I – a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública; b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a quatro anos nos demais casos; II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente, tutelado ou curatelado, bem como nos crimes cometidos contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código; III – a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso. ATENÇÃO: Tem-se entendido que os efeitos da condenação previstos pelo art. 91, CP são genéricos, não havendo necessidade de sua declaração expressa na sentença condenatória e que aqueles arrolados pelo art. 92 são específicos, sobre os quais o juiz deverá, motivadamente, declará-los na sentença. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 92. São também efeitos da condenação: I – a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública; b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a quatro anos nos demais casos; DUAS HIPÓTESES DE PERDA DE CARGO, FUNÇÃO OU MANDATO ELETIVO 1) PPL + igual ou superior a 1 anos + abuso de poder ou violação de dever A LEI PENAL FALA EM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE, RAZÃO PELA QUAL QUANDO O AGENTE FOR CONDENADO À PENA DE MULTA, OU MESMO TIVER A SUA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE SUBSTITUÍDA PELA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS, JÁ NÃO SERÁ POSSÍVEL A IMPOSIÇÃO DO MENCIONADO EFEITO DA CONDENAÇÃO. Se, mesmo praticando crime com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública, o agente vier a ser condenado a uma pena privativa de liberdade inferior a um ano, também não será possível a decretação da perda do cargo, função pública ou mandato eletivo. Para que se possa falar na hipótese da alínea a do inciso I do art. 92, CP, é preciso que o agente tenha, ainda, praticado o crime com ABUSO DE PODER ou VIOLAÇÃO DE DEVER PARA COM A ADM. PÚB., pois, caso contrário, sendo condenado a uma pena igual ou superior a um ano e desde que não superior a 4 anos, não será possível a aplicação de tais efeitos 2) PPL + igual ou superior a 4 anos Não importando a natureza da infração penal, se o agente vier a ser condenado a uma pena privativa de liberdade superior a quatro anos, poderá ser decretada a perda do cargo, função pública ou mandato eletivo. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 92. São também efeitos da condenação: I – a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública; b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a quatro anos nos demais casos; STJ tem o entendimento de que não se pode estender o efeito da condenação exposto no art. 92, I do CP aos casos de servidor que se aposentou e caçando a sua aposentadoria, ainda que a aposentadoria tenha ocorrido no decorrer da ação penal. Pois não pode haver uma analogia in mallam partem. A pena de perdimento do cargo deve ser restrita ao cargo ocupado ou função pública exercida no momento do delito, à exceção da hipótese em que o magistrado, motivadamente, entender que o novo cargo ou função guarda correlação com as atribuições anteriores. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 92. São também efeitos da condenação: II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente, tutelado ou curatelado, bem como nos crimes cometidos contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código; Aquele que no exercício do poder familiar, tutela ou curatela + CRIME DOLOSO + PENA DE RECLUSÃO, INDEPENDENTEMENTE DA QUANTIDADE DE PENA APLICADA + contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, filho ou filha, outro descendente, tutelado ou curatelado Cuidado, é comum vermos questões perguntando a incidência de tal efeito da condenação em crimes como lesões corporais leves (art. 129, caput, CP), ou crime de maus-tratos (art. 136, CP), contudo, tais crimes possuem pena de DETENÇÃO e o efeito só ocorre me crimes com pena de RECLUSÃO. Outro detalhe que merece destaque diz respeito ao fato de ser dolosa a infração penal cometida pelos pais, tutor ou curador. Assim, se o tutor causar lesões corporais culposas em seu tutelado, em virtude de acidente automobilístico, tal fato não terá o condão de retirar-lhe o munus. Também não se aplica o mencionado efeito da condenação se o crime doloso, punido com pena de reclusão, for praticado contra terceira pessoa, que não contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, filho ou filha, outro descendente, tutelado ou curatelado. Dessa forma, se um curador estiver sendo processado por estupro contra vítima que não seja o curatelado, se vier a ser definitivamente condenado por este crime, isto não fará com que seja declarado incapacitado para o exercício da curatela. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 92. São também efeitos da condenação: II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente, tutelado ou curatelado, bem como nos crimes cometidos contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código; Também gera a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou curatela, aqueles condenados por crimes cometidos contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código. Art. 121-A. § 1º Considera-se que há razões da condição do sexo feminino quando o crime envolve: I – violência doméstica e familiar; II – menosprezo ou discriminação à condição de mulher. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 92. São também efeitos da condenação: II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente, tutelado ou curatelado, bem como nos crimes cometidos contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código; A perda do poder familiar abrange apenas o filho que foi vítima do crime ou o agente perderá o poder familiar com relação aos outros filhos que não foram ofendidos pelo delito? Existe divergência na doutrina, mas prevalece que a perda do poder familiar pode ser estendido para alcançar os outros filhos. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 92. São também efeitos da condenação: III – a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso. Em vários de seus tipos penais incriminadores, o CTB cominou, cumulativamente, a pena de suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor, a exemplo dos crimes de homicídio culposo (art. 302, CTB) e lesão corporal culposa (art. 303, CTB) praticados na direção de veículo automotor. Contudo, pode ser que o agente, em vez de causar culposamente a morte da vítima que ele atropelara quando se encontrava na direção de seu veículo automotor, utilize seu automóvel como instrumento do crime. Assim, se o agente querendo dolosamente causar lesões corporaisna vítima, volitivamente a atropela, deverá ser responsabilizado pelo crime previsto pelo art. 129, CP, em qualquer uma de suas modalidades (leve, grave ou gravíssima). Para esses casos, a lei penal fez a previsão de outro efeito da condenação, qual seja, a inabilitação para dirigir veículo e, conforme Guilherme de Souza Nucci, “a nova legislação de trânsito não alterou este efeito da condenação, pois, no caso presente, o veículo é usado como instrumento do DELITO DOLOSO, nada tendo a ver com os crimes culposos de trânsito.”. CUIDADOOOOOOO: NÃO É A PERDA DO VEÍCULO, MAS A INABILITAÇÃO PARA DIRIGIR EFEITOS DA CONDENAÇÃO Art. 92. São também efeitos da condenação: § 1º Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença pelo juiz, mas independem de pedido expresso da acusação, observado o disposto no inciso III do § 2º deste artigo. § 2º Ao condenado por crime praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A deste Código serão: I – aplicados os efeitos previstos nos incisos I e II do caput deste artigo; II – vedadas a sua nomeação, designação ou diplomação em qualquer cargo, função pública ou mandato eletivo entre o trânsito em julgado da condenação até o efetivo cumprimento da pena; III – automáticos os efeitos dos incisos I e II do caput e do inciso II do § 2º deste artigo. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PERDA DE BENS E A INOVAÇÃO DO PACOTE ANTICRIME: Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. § 1º Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio do condenado todos os bens: I - de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto ou indireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e II - transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início da atividade criminal. § 2º O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio. § 3º A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. § 4º Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificar os bens cuja perda for decretada. § 5º Os instrumentos utilizados para a prática de CRIMES POR ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS E MILÍCIAS deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública, nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PERDA DE BENS E A INOVAÇÃO DO PACOTE ANTICRIME: PERDA ALARGADA ou CONFISCO ALARGADO PRÁTICA DE DELITOS COM PENA MÁXIMA SUPERIOR A 6 ANOS DE RECLUSÃO Neste caso, em detrimento desses crimes a lei autoriza que o Juiz que prolata o decisum criminal PODERÁ, SEMPRE DE FORMA FUNDAMENTADA, decretar a perda de bens do condenado, que sejam produto ou proveito do crime, correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. OBS: A regulamentação estabelece que por sua titularidade entende-se os quais tenha domínio direto ou indireto (seu nome ou terceiros) na data da infração ou posteriormente, bem assim os transferidos posteriormente. Do mesmo modo os que tenha sido transferido de modo gratuito, não oneroso, ou por quantia irrisória a contar do início da atividade criminal. Pune-se o estratagema para exclusão de patrimônio, não se podendo falar em violação do devido processo legal por inversão do ônus/carga probatória, já que efeito da condenação. PERCEBA QUE AQUI SE PODE CONFISCAR DE BENS LÍCITOS Neste contexto, entende-se como patrimônio do condenado 1) os bens de sua titularidade, ou os que ele tenha o domínio (uso, gozo, disposição) e o benefício direto ou indireto, na data da perpetração do crime ou recebidos posteriormente e 2) os transferidos a terceiros (notadamente os ditos “laranjas” que escamoteiam bens de origem ilícita) a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início da ação criminosa. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PERDA DE BENS E A INOVAÇÃO DO PACOTE ANTICRIME: De outro lado, considerando os ditames do devido processo legal, notadamente o contraditório e a ampla defesa, o condenado há de ter a oportunidade processual de demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio objeto dos efeitos da condenação (aqui há uma inversão do ônus da prova penal, ou seja, não é a acusação quem tem que provar, mas a sim defesa). Ainda há de se considerar que o efeito da perda de bens trazido à lume pelo art. 91-A, CP, não é levado a efeito ex officio pelo Juiz por ocasião da prolação da sentença condenatória. TAIS EFEITOS, DEVEM SER OBJETO DE REQUERIMENTO EXPRESSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO (MP), já por ocasião do aduzimento em juízo da exordial acusatória, com indicação da diferença patrimonial observada. Por seu turno, a Autoridade Judicial competente, em sede de sentença condenatória, há de declarar fundamentadamente o valor da diferença apurada e individualização dos bens do condenado a serem objeto de perda judicial. Por fim, o novo dispositivo penal versa sobre os instrumentos empregados para a prática de crimes por Organizações Criminosas (ORCRIM), nos termos do art. 1º, § 1º da Lei 12850/2013 e milícias, nos termos do art. 288-A, CP. Neste caso, estes bens (instrumentos do crime) hão de ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou à ordem pública, nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. Dessa forma, a lei proporciona o desmantelamento logístico das ORCRIM e das milícias, não permitindo assim que eventuais membros destas societas sceleris, que não tenham sido alcançados pela persecução criminal, não lancem mão de bens instrumentalizados em prol da prática de crimes. (AQUI, DIFERENTE DO CAPUT, O EFEITO É AUTOMÁTICO) EFEITOS DA CONDENAÇÃO EFEITOS ESPECÍFICOS: EFEITOS DA CONDENAÇÃO NOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL: Art. 530-G, CP. O juiz, ao prolatar a sentença condenatória, PODERÁ determinar a destruição dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos e o perdimento dos equipamentos apreendidos, desde que precipuamente destinados à produção e reprodução dos bens, em favor da Fazenda Nacional, que deverá destruí-los ou doá-los aos Estados, Municípios e DF, a instituições públicas de ensino e pesquisa ou de assistência social, bem como incorporá-los, por economia ou interesse público, ao patrimônio da União, que não poderão retorná-los aos canais de comércio. EFEITOS DA CONDENAÇÃO NO DELITO DE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL: O art. 218-B, § 3º, CP. Efeito OBRIGATÓRIO da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento onde são levadas a efeito a prostituição ou outra forma de exploração sexual de alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, a exemplo do que pode ocorrer em boates, casas de show, hotéis, motéis etc. EFEITOS DA CONDENAÇÃO NA LEI DE TORTURA: O § 5º do art. 1º da Lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997, assevera que a condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. No mesmo sentido, decidiu o STF: “Crime de tortura cometido por agentepúblico enseja a perda do cargo ocupado e a interdição para o exercício de cargo público, em prazo fixado, como efeitos AUTOMÁTICOS da condenação.”. EFEITOS DA CONDENAÇÃO NA LEI 12.850/13 (LOC): § 6º do art. 2º da Lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013, determina, como efeito da condenação com trânsito em julgado, a perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena. EFEITOS DA CONDENAÇÃO EFEITOS ESPECÍFICOS: EFEITO DA CONDENAÇÃO NA LEI QUE DEFINE OS CRIMES RESULTANTES DE PRECONCEITO DE RAÇA OU DE COR: Art. 16, Lei 7.716/89: Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses. Esses efeitos, de acordo com o disposto do art. 18 da referida lei, NÃO SÃO AUTOMÁTICOS, devendo ser motivadamente declarados na sentença. PROIBIÇÃO DE HOMENAGEM NA DENOMINAÇÃO DE BENS PÚBLICOS: A Lei 12.781/2013, criou, em seu art. 1º, um EFEITO GENÉRICO para que os condenados pela prática de CRIME DE REDUÇÃO À CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO sejam proibidos de ser homenageados com a colocação de seus nomes em bens públicos, de qualquer natureza, pertencentes à União ou às pessoas jurídicas da administração indireta: Art. 1º É proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União ou às pessoas jurídicas da administração indireta. Trata-se de EFEITO AUTOMÁTICO, não havendo, outrossim, necessidade de ser motivadamente declarado na sentença penal condenatória. EFEITOS DA CONDENAÇÃO EFEITOS ESPECÍFICOS: EFEITO DA CONDENAÇÃO NA LEI DE DROGAS: De ver que, tratando-se de tráfico de drogas, por força dos arts. 61 até o 63 da Lei n. 11.343, de 23 de agosto de 2006, dar-se-á o perdimento dos veículos utilizados para o cometimento desses crimes em favor do Fundo Nacional Antidrogas – Funad. STJ: Estando devidamente comprovado nos autos que a ré usava o veículo apreendido para a realização da entrega de substâncias entorpecentes, correto é o perdimento do bem em favor da União, como efeito da condenação, não importando que ele esteja registrado no nome de outra pessoa. REABILITAÇÃO Art. 93. A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos registros sobre seu processo e condenação. Parágrafo único. A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. Art. 94. A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e o do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado: I – tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; II – tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento público e privado; III – tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida. REABILITAÇÃO CONCEITO: é um benefício que tem por finalidade restituir o condenado à situação anterior à condenação, ATINGINDO A PENA PRINCIPAL, retirando as anotações de seu boletim de antecedentes e suspendendo alguns efeitos secundários da condenação. Nos termos do art. 93, a reabilitação atinge também os efeitos extrapenais da condenação, vedada, entretanto, a reintegração no cargo, função, mandado eletivo e titularidade do pátrio poder, tutela ou curatela, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 92. REABILITAÇÃO Art. 93. A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos registros sobre seu processo e condenação. Parágrafo único. A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. No primeiro caso (Art. 92, I do CP), embora o condenado não possa reabilitar-se para o cargo, função pública ou mandato eletivo ocupado anteriormente, nada impede que possa vir a fazer outro concurso público, a fim de ocupar cargo diverso, ou mesmo lhe seja confiada nova função pública, diversa da anterior, ou até ser eleito para um novo mandato. No segundo caso (Art. 92, II do CP), também não há possibilidade de reabilitação quando o juiz, na sentença condenatória, tiver declarado a incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela, em virtude de ter o condenado praticado um crime doloso, punido com reclusão, contra filho, tutelado ou curatelado. Resta-nos, portanto, somente uma única utilidade do instituto da reabilitação, qual seja, a de fazer com que o condenado que tenha sido declarado na sentença condenatória inabilitado para dirigir veículo, pois o havia utilizado como instrumento para a prática de crime doloso, tenha, novamente, restaurada sua habilitação. REABILITAÇÃO Art. 94. A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e o do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado: I – tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; II – tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento público e privado; III – tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida. Art. 202, LEP. Cumprida ou extinta a pena, não constarão da folha corrida, atestados ou certidões fornecidas por autoridade policial ou por auxiliares da Justiça, qualquer notícia ou referência à condenação, salvo para instruir processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos em lei. Assim, muito mais vantajosa a aplicação imediata do art. 202, LEP após cumprida ou extinta a pena aplicada ao condenado do que esperar o decurso de dois anos do dia em que foi extinta a pena, ou terminar a sua execução, para solicitar a reabilitação. Verifica-se, portanto, que a orientação contida no caput do art. 93, CP cairá no vazio, pois o art. 202, LEP regula a mesma hipótese, só que de forma mais benéfica e menos burocrática para o condenado. REABILITAÇÃO Art. 94, § único. Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários. Portanto, negado seu pedido de reabilitação, poderá o condenado levar a efeito outro, desde que preenchidos os requisitos legais exigidos ou, caso não se conforme com a decisão, poderá interpor recurso de Apelação (art. 593, II, do CPP). REABILITAÇÃO Art. 95, CP. A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, se o reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa. São dois os requisitos que permitem a revogação da reabilitação, a saber: a) a condenação transitada em julgado posterior deve ser à pena privativa de liberdade; b) a condenação deve se dar com o reconhecimento de que o reabilitado é reincidente. O fato pelo qual o reabilitado será condenado deverá, portanto, ter ocorrido após o trânsito em julgado da sentença penal que o condenou pelo crime anterior (art. 63, CP). Se, todavia, tiver transcorrido cinco anos entre a data do cumprimento da pena anterior ou da sua extinção e o fato novo, computado nesse tempo o período de prova do sursis e do livramento condicional, não se falaráigualmente em reincidência (art. 64, I, CP). image1.png image2.svg